Sobre a delicadeza do seu toque por Luah


[Comentários - 107]   Impressora Imprimir Capitulo ou História - Lista de Capítulos

- Tamanho do Texto +

Uma visita inusitada

 

Levei uma baita bronca de vovô. Mas valeu a pena. Ganhei Júpiter de presente adiantado de aniversário. Minhas férias melhoraram a partir dai. Todos os dias eu o levava para passear. Até que ele estivesse devidamente acostumado comigo. Algo que não foi tão difícil, não comigo o perturbando por horas todos os dias. As primeiras vezes que eu o montei tive que estar acompanhada de vovô ou de algum dos peões da fazenda. Mas com o tempo, vovô Bernardo concluiu que Júpiter não era perigoso. Não pra mim.

Era divertido está com Júpiter. Ele fazia com que a minha mente não me levasse para um par de olhos amarelados. Ao menos quando estava com ele. Ou quase sempre quando eu estava com ele. Às vezes não funcionava bem assim. Ainda não entendia esse meu fascínio por aqueles olhos irritantes. Não a via há pouco mais de um mês. Não que eu me importasse. Só queria me desculpar pela minha grosseria. Vovó Rúbia não pode vim para o natal e nem mesmo para o ano novo. Talvez venha no meu aniversario que será daqui há cinco semanas.  E contando. Rsrs...

Ando devagar para não derrubar as maçãs em meus braços. Bibi vai me matar por ter roubado suas maçãs. Ela as usaria em uma torta de maçã. Mas quem em sã consciência gosta de torta de maçã?! “Júpiter vai adora o meu presente.” Penso com um sorriso de lado. Quando chego na baia do Anglo-Árabe. Coloco as maçãs em cima de um banquinho que eu havia deixado ali. Abro a baia e me aproximo de Júpiter que vem todo alegre em minha direção cheirando o meu rosto.

-Calma amigão. - Digo lhe afastando. –Já lhe dou as suas maçãs. Dessa vez Bibi me matar por sua causa. - Digo lhe sorrindo carinhosa. –Mas valeu a pena.

Volto-me para a entrada. Pego o pequeno banco de madeira e o trago para dentro da baia de Júpiter com cuidado para não derrubar as frutas. O grande garanhão apenas observava curioso. Sei muito bem o que ele queria. Recolho uma maçã do banco e me viro para Júpiter, lhe oferecendo a fruta vermelhinha. Algo que é aceito sem reclamar.

 

-Uau! - A voz rouca sussurrada próxima ao meu ouvido me fez virar de uma vez e tropeçar no banco. Se não fossem os braços ágeis e rápidos da garota, eu teria ido ao chão. –Você precisa parar com isso. - Sam diz baixinho. 

Minha respiração fica acelerada tanto pelo medo da queda, quanto por estar novamente naqueles braços. Ergo os meus olhos, os amarelados estão risonhos. Firmo os meus pés ao chão me afastando do corpo colado ao meu.

-Você que precisa parar de fazer isso.

-Não fiz nada. - A garota a minha frente diz inocente.

-Ah, não fez?! - Digo colocando as mãos na cintura a olhando séria.

-Você fica uma gracinha com ela carinha enfezada. - Samantha diz e logo depois me pisca um olho.

Arregalo meus olhos, supressa. Por essa eu não esperava. Analiso atentamente a garota a minha frente. Ela estava vestida de modo simples. Calça jeans escura, camiseta branca e um tênis cano médio nos pés. Sei que ela também está me observando. Disfarço e me volto novamente para Júpiter. 

-Ele é lindo. É seu? - A garota pergunta se aproximando. Júpiter não aceita muito bem a intrusa.

-Cuidado. - Digo me pondo a sua frente. Acalmando o garanhão que começava a se agitar. –Calma amigão. Tá tudo bem. - Falo acariciando o seu pelo escuro. Algo que o tranquiliza rapidamente.

Levo os meus olhos recriminadores até a garota de cabelos escuros. Ela apenas abaixo os ombros em sinal de desculpa.

-Você jamais deve se aproximar de um animal que não conhece dessa maneira, Sam.

-Sam?! - Sua voz soa analisadora.

-Venha aqui. Mas devagar. - Digo sem prestar muito atenção ao que a garota sussurrou. Quando ela já está ao meu lado. Seguro a sua mão direita e a levo até a fronte do animal. Mas sem retirar a minha de sobre a sua. –Viu só?! Ele é bonzinho. – Falo alguns minutos depois. Júpiter nos encarava desconfiado.

-Como ele se chama? - Samantha pergunta curiosa passeando a mão sobre o animal. Só então percebo que a minha ainda está sobre a sua. Retiro-a desconfiada.

-Júpiter. - Minha voz sai em um sussurro.

-Sério?! - Ela me olho arqueando uma sobrancelha. –Não tinha um nome menos... - Antes que ela pudesse concluir o que dizia Júpiter volta a se agitar. Assustando-a. Samantha dar alguns passos para trás. 

-Acho melhor você sair.  - Falo me abaixando para pegar uma das maçãs do chão. Levanto-me sem olhar para a garota que reclamava. –Tudo bem meu lindo. - Júpiter batia as patas dianteiras no chão e relinchava. –Samantha, acho melhor você sair.

-Mas...

-Você está deixando ele agitado. - Digo tentando me aproximar do garanhão Anglo-Árabe.

-Ah não, mas eu acabei de chegar. - A garota reclama emburrada.

-Só me espere lá fora um segundinho. - Meus olhos não desviam dos movimentos do cavalo que andava de um lado ao outro, irritado. –Eu prometo te apresentar um cavalo mais sociável que Júpiter. Eu te apresento quantos você quiser. Mas depois, ok?

-Ok. - Sam diz, mas não sai do lugar.

-Samantha! - Ouço-a suspirar e sair batendo a porta da baia de Júpiter. Acho que ela ficou chateada.

 -Ok amigão. Agora é só eu e você. - Digo calmamente. –Venha aqui. - Tento me aproximar novamente do animal. Que volta a bater as patas no chão. –Olha o que eu tenho pra você. - Ergo a maçã com a minha mão direita. –Eu sei que você quer. - Júpiter relincha. –Então não seja tão ranzinza ou não te trago mais maçãs. - Júpiter se afasta de meu toque. O que me entristece. –Ei amigão. Sou eu. A sua Liz. - Digo olhando em seus olhos escuros.

Então ficamos naquele impasse por longos minutos. Até que finalmente o garanhão se aproxima com cautela.

-Isso. - Digo passando a mão em seu doso. Júpiter devorava a maçã em minha mão. Enquanto eu lhe afagava. Quando ele acaba de comer a fruta, ele cheira o meu rosto. –Já chegar! - Falo sorrindo lhe acariciando. –Agora preciso ir. Mas depois lhe trago mais maçãs. - Encosto o meu rosto no seu. –Eu te amo. - Digo baixinho. Júpiter me responde com um relinchar. –Eu sei. - Antes de me afastar lhe sorriu novamente. Abaixo-me recolhendo o banco de madeira que estava caído. E me retiro da baia de Júpiter. Coloco o banco onde estava. E começo a andar por entre as baias.

 

-Você demorou. - A garota de olhos amarelados reclama quando eu passava despreocupada no corredor.

-Samantha! - Reclamo levando as mãos ao meu peito. –Você me assustou. - Acuso-a.

-Você demorou. - Ela repete sem dar importância ao que acabei de falar.

-E precisava me abordar assim? - Digo revoltada

-Desculpe. Mas você demorou. - A garota de olhos amarelados comenta fazendo bico. “Ok, não era pra tanto.” Penso fazendo uma careta.

-Bem que você poderia se aproximar de uma forma mesmo perigosa. - Digo voltando a andar. A garota me acompanha.

-Você que é distraída.

-Um pouco. - Concordo discordando.

-Onde vamos? - Sam me pergunta com interesse.

-Onde você quer ir? - Pergunto olhando em seus olhos claros.

-Você disse que me levaria para conhecer os outros cavalos. - Ela sorrir como uma criança que acaba de ganhar um doce. –E eu quero montar. Vim até preparada. - Diz olhando para a própria roupa.

-E quem lhe disse que quero montar com você?! - Questiono-a contendo o riso. –Que eu me lembre, você fazia da minha vida um inferno. - Comento sem magoa alguma na voz.

-Ah qual é, eu era só uma criança. - Ela anda mais rápido se virando em minha direção. Impedindo a passagem. –E que eu saiba você também nunca foi fácil.

-Sam, eu tinha 7 pra 8 anos. - Digo descrente.

-Mesmo assim. - Ela pisca um olho. –Crianças são terríveis.

-Disse a senhora adulta. - Zombo.

-Eu ainda sou mais velha que você dois anos.

-Grande coisa. - Digo passando por ela. Que em um ato rápido segura a minha mão. Isso faz o meu corpo paralisar. 

-Vamos Liz, é só um passeio a cavalo. Não vai lhe arrancar pedaço algum. - Diz manhosa.

-Que tal fazermos assim. Depois do almoço eu te apresento aos cavalos. Escolhemos um bem manso. Ai se a sua mãe deixar, podemos ir! - Digo sem desviar os meus olhos dos seus.

-Mamãe já deixou. - Diz convencida. 

-Ok, espertinha. Mas estou com fome. - Puxe delicadamente a minha mão. Ela nota, mas não diz nada. –Então primeiro almoçamos. - Digo voltando a andar. - E depois resolvemos a outra questão.

-Tenho uma proposta melhor. - Ela diz chamando a minha atenção.

-Qual? - Pergunto desconfiada.

-Que tal fazermos um piquenique?

-Quem é você mesmo, e o que você fez com a verdadeira Samantha Alcântara?!

Sam dá uma gargalhada gostosa fazendo a minha alma fica leve. Eu daria tudo para ouvi-la sorrir assim mais vezes. Ela era tão séria.

 

-Sobre a outra noite. - Digo envergonhada.

-Tudo bem. - A garota sentada ao meu lado diz despreocupada. –Somos humanos. - Ela me olha e sorrir. –E você está me compensando por aquilo. - Diz pegando o pedaço de bolo de chocolate de minhas mãos.

-Ei! - Reclamo tentando recupera-lo.

-Perdeu. - Sam se levanta rápido com ele nas mãos. –Você precisa aprender a dividir, pequena.  

-Isso não vale. - Digo vendo-a comer o meu precioso bolo. Reclamo mais um pouco. Mas logo depois desisto. Dou um suspiro vencida e, me deito sobre a toalha no chão.

Samantha realmente me convenceu a fazer o tal piquenique. E lá estávamos nós duas. Curtindo aquele ar puro. Próximo à cachoeira. Aquele som me acalmava de uma forma tão profunda. Fecho os meus olhos para curtir melhor aquela calmaria. Fico assim por longos minutos. Até sentir a garota ao meu lado fazer o mesmo. Ela não diz nada. Apenas se acomoda delicadamente sobre a toalha xadrez. Não seria um piquenique se a bendita toalha não fosse xadrez. Lembrar da garota reclamar com Bibi sobre esse fato me fez sorrir. 

-O que foi? - Ouço-a pergunta baixinho.

-A bendita toalha é xadrez. - Digo para logo em seguida caio na gargalhada.

-Lizandra! - Ela me recrimina.

 

Abro os meus olhos e me viro em sua direção. Maldita hora que fiz isso. Ela estava tão próxima que podia sentir a sua respiração sobre o meu rosto. Samantha estava deitada de lado, com um dos braços como apoio para a sua cabeça. Ela estava praticamente sobre mim. Sabe o momento em que seu coração bate assustadoramente rápido? O meu estava assim. Minhas mãos suavam. Tenho certeza que estava mais vermelha que o meu cabelo. “Ai meu Deus! E agora?”

 

 

 

Notas finais:

Sinto muito pela demora meus amores. Ocorreu um imprevisto. Mas prometo recompensá-las.

 

Beijos!!!

PS: Hoje mesmo posto outro capítulo. 



Comentários


Você deve fazer login ou se cadastrar para comentar.