1808 por Drikka Silva


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"... Zambine acordou-me com uma alegria incomum. Correu para as janelas abrindo a cortina pedindo para que me apressa-se

para não perder o lindo dia. Hoje nem amanheceu tão bonito assim já que o céu está nublado anunciando uma tempestade. Levantei e ela escovou meus cabelos e ajudou-me a me vestir. Bebi o chá já preparado por ela e saímos correndo de casa para ver a sua surpresa.

- Ana Maria! - Ouvi papai gritando.

- Pois não, senhor.

- Pare de correr feito uma crioula! Se porte como uma dama.

- Claro papai.

Continuamos agora caminhando até chegar no estábulo. Dentro de um cercado ela me mostra o pequeno cavalo que acabou de vir ao mundo. Zambine ajudou-me a pular o cercado, se papai tivesse visto teria brigado novamente pelos meus modos grotescos.

- Veja, nasceu o potro.

Fiquei olhando de longe receosa de chegar perto.

- Venha não tenha medo. Ele é manso ainda.

Aproximei-me do animalzinho que tentava ficar em pé. Acariciei seus pelos negros reluzentes e então percebi seus olhos grandes que me lembravam uma lua cheia.

- Podemos chamá-lo de lua-cheia.

- Lua-cheia? - Zambine pergunta fazendo careta. - Por quê?

- Atenta-te aos olhos...

Zambine ficou olhando para o pequeno cavalo e eu tratei de sair do cercado. Não queria levar uma coça de papai. Zambine veio ter comigo já do lado de fora do estábulo. Ficou parada tentando enxergar o que eu via.

- Quero que sempre tenhamos um animal por nome de lua-cheia nessa fazenda.

- Vais ter que pedir a teus filhos - Zambine fala pegando minha mão. - Venha não é sÓ isso.

Zambine retorna ao estábulo e volta trazendo um cavalo.

- Aonde iremos? Não podemos nos afastar. Papai não vai gostar da idéia...

- Quero que veja outra coisa. Dá tua mão.

Já encima do lombo do animal saímos cavalgando em direção ao pequeno rio que havíamos descoberto do outro lado da plantação.

- O que tem demais aqui? Descobrimos este lugar juntas...

- Eu sei, mas hoje faço anos e quero um banho de rio por isso.

- Que ótima noticia! Fico feliz por estares ficando mais velha. Que idade tens agora?

- Dezoito anos.

- Já estás bem velha...

- Não estou não. Aposto que já tens quinze anos.

- Tenho mesmo. Como sabes? Fiz anos quando estava na cidade do Rio de Janeiro. Já passas da idade de casar... Gostas de alguém?

- Fui casada em minha terra. Meu esposo morreu tentando livrar-me dos meus algozes.

- Lamento por sua sina.

- Não se lamente. Já me lamentei muito. E você vai casar-se?

- Irei. Seu nome é Joaquim e ele vira de Portugal até o findar deste ano.

- Acreditas mesmo que venhas?

- Claro que sim. Nos escrevemos toda semana.

- Quer dizer então que nunca estiveste com um homem?

- Claro que não! Nunca!

- O beijaste?

- Ele beijou-me no rosto em uma ocasião.

- Quero dizer um beijo de boca.

- Não.

- Quando ele chegar não vai saber como beijá-lo.

- Mas isso se aprende não é?

- Vou ensinar-te. Feche os olhos.

- O que vais fazer?

- Vou ensinar-te a beijá-lo com carinho e ternura, agora feche os olhos.

Fechei os olhos receosa pelo que Zambine iria fazer. A ouvi se mexendo e senti quando suas mãos seguraram a minha. Depois senti seu hálito perto do meu rosto, prendi a respiração e lhe ofereci meus lábios. Zambine encostou sua boca na minha e eu não soube o que fazer. Ficou fazendo movimentos que tentei em vão acompanhar. Abri os meus olhos e a vi com seu belo sorriso me encarando.

- Você beija muito mal - Falou debochando da minha cara - Mas não foi tão mal. Você vai ensinar-me a ler e escrever e eu vou lhe ensinar como se portar com um homem.

- Achas que vou conseguir?

- Vai sim. Feche os olhos novamente e fique descansada.

Fiz o que ela me pediu e novamente senti suas mãos e sua boca. Agora um pouco mais lenta consegui acompanhar seus movimentos e quão bom eram. Queria ficar fazendo aquilo a tarde toda, mas Zambine afastou-me rindo corri atrás dela e juntas pulamos dentro do pequeno rio aos risos...".

 

Isabel fecha o diário pensando em como era a inocência de uma criança. Ana Maria mal sabia o que era um beijo, mas teve a curiosidade de aprender. “Não se deve confiar em adolescentes”. Saindo do quarto deu um esbarrão em Natalia que carregava uma pilha de roupas.

- Desculpa! – Isabel fala se abaixando para ajudá-la - Estava tão distraída...

- Tudo bem Bel. Eu pego.

- Vai levar essa roupa pra onde?

- Pra lavanderia.

- Eu te ajudo.

- Bel a Sophie ligou.

- O que ela queria? – Isabel pergunta estranhando o fato.

- Falar com você, mas como você disse que não estava bem com ela e ainda enfornada nesse quarto tomei a liberdade de pedir pra ela ligar amanhã. Fiz mal?

- Não. Não fez. Vocês são muito amigas não?

- somos sim. Não tão grandes amigas, mas conversamos bastante.

- Foi você quem falou que eu estava na fazenda pra ela?

- Escapou Bel. Estávamos conversando e ela me disse que você tinha viajado sem dar noticias e...

- O que você sabe dela?

- Como assim?

- Ela te conta da vida dela não é?

- Ela me fala pouco Bel.

- Ela se juntou com outra pessoa. Não te disse nada a respeito?

- Ela se casou?

- Vai me dizer que não sabia?

- Não sabia mesmo, juro. Bem que ela me disse que tava amando...

- Ela te falou o nome dessa pessoa?

- Me disse que era Julio. – Mentiu. Ela sabia como fora a reação de Isabel.

- Ela se juntou com uma mulher. Acredita nisso? – Isabel pergunta jogando o monte de roupa dentro de um cesto

- Isso é ruim?

- Como assim ruim? Isso é péssimo! Tenho nojo dela.

- Bel que preconceito é esse?! Pelo amor de Deus é século XXI!

- Que seja século XXII! Não aceito isso. De maneira nenhuma... Você tem certeza que não sabia?

- Não mentiria pra você.

- Não quero mais desapontamentos por esses dias e vejo você como uma filha.

- Então eu vou te desapontar Bel, porque não te vejo como uma mãe!

Natalia sai da lavanderia pisando nos calcanhares deixando-a sem entender muita coisa. Ela ficara muito nervosa pela forma

como Isabel havia falado. "Será que não era alucinação minha e Natalia de fato sente alguma coisa por mim?" Não queria acreditar em um absurdos desses. " Tenho idade para ser mãe dela e pior ainda... Não sou uma leviana como ela imagina. Jamais faria o despalterio de beijar uma mulher. Aninha podia até ter beijado sua dama pois não tinha noção do seu ato. Era apenas uma criança". Isabel volta para o casarão e encontra Joana na sala. Fez menção de falar alguma coisa, mas resolveu ficar quieta. foi ao encontro de Natalia no estabulo.

- Eu não entendi o que aconteceu na lavanderia e sinceramente não sei se quero.

- Se voce não sabe Bel, o que veio fazer aqui? - Natalia pergunta sem olhar para a mulher a seu lado.

- Quero confirmar que minhas suspeitas são infundadas.

- Sinto desapontá-la.

 

Natalia sobe em um cavalo e não dá direiro a resposta a Isabel que não acredita na verdade. "Ela simplesmente não pode gostar de mim. Deve ser ilusão da cabeça dela. Meu Deus será que todo mundo perdeu o juizo?". Isabel volta para o quarto continuar a leitura: "Amanhã terei uma conversa séria com ela e com Joana."

Nome: mtereza (Assinado) · Data: 14/04/2017 01:28 · Para: Capitulo 6 - Lua cheia

E a Natália com certeza não vai descansar até conseguir a Isabel kkkk



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