Desejo e loucura por Lily Porto


[Comentários - 190]   Impressora Imprimir Capitulo ou História - Lista de Capítulos

- Tamanho do Texto +

 

Clara

O jantar com a Agnes foi bem melhor do que eu esperava. E como imaginei acordei com uma certa dor de cabeça, exagerei no vinho, não, já sei. O bordô, na pressa em conseguir agrada-la acabei esquecendo que toda vez que abuso dele fico assim. Levei a mão a testa numa tentativa inútil de fazer a dor passar.

Cheguei na empresa e pedi a minha secretária que encarecidamente providenciasse um café forte pra mim. Tinha uma reunião no meio da manhã e precisava estar bem e livre daquela dor terrível.

– O que aconteceu com você? Que cara péssima!

– Fala baixo Liu, – levei a mão a testa – e bate na porta antes de entrar, pelo amor de Deus.

– Você tá mais enjoada que nos outros dias hoje. – disse debochada – Parece que enfiou o pé na jaca.

Uma funcionária entrou com a xícara de café e pôs sobre a mesa. Agradeci e ela pediu licença se retirando.

– Café? Não tem casa mais não Clara?

– Shiuu! Para de gritar. Já disse.

– Clara Vidal, você tem exatamente 15 minutos para ficar ótima, a reunião foi adiantada para as 8h30.

Olhei pra ela com os olhos arregalados.

– Mas como? Isso é...

– Em 15 minutos, eu lhe disse.

– Droga! – bati a mão na xícara e derramei café em uns papeis que precisaria para a apresentação – Merda.

– Ei, calma.

– Eu precisava desses papeis. Tenho que apresentar hoje, são os relatórios mensais.

Ela me afastou da mesa e tentou salvar alguma coisa, fui pra janela tentar respirar e fazer aquela dor passar.

– Clara! – olhei pra ela. – Sinto informar, mas nada foi salvo por aqui.

– Poxa, só tenho 10 minutos, esse material não ficará pronto em menos de meia hora. O que farei?

Levei as mãos a cabeça tentando encontrar uma solução. Ouvi batidas na porta e pedi para que entrasse.

– Bom dia! – disse tímida colocando a cabeça na porta entre aberta – Atrapalho?

Olhei pra ver de quem se tratava, respondendo:

– Não Agnes. – já estava suando e nada da dor passar.

Lívia levantou o rosto olhando pra porta, em seguida voltou a olhar para os papeis enquanto eu continuava:

– Pode entrar. – esbocei um sorriso – Agnes, está é Lívia, diretora do departamento jurídico da empresa.

Apertaram as mãos enquanto Agnes dizia:

– Lembro de ter falado com você algumas vezes por telefone, é um grande prazer conhece-la pessoalmente.

– O prazer é meu, dona Agnes.

Disse olhando a mulher descaradamente, ao notar meu olhar de reprovação ela se recompôs e soltou a mão da outra que apenas sorriu, dizendo:

– Vim saber como você estava. Me disse que tiraria o dia de folga hoje. E o vovô me entregou um cronograma de reuniões, e a primeira será presidida por ti em – olhou no relógio – sete minutos.

– Desculpe, mas tive um problema, – fechei os olhos e levei a mão a testa constatando o suor naquela região, apertei os olhos devido a dor de cabeça – acho que vou me atrasar.

– Ei, – segurou minha mão – você está bem? Parece pálida, o que tá acontecendo?

– Minha cabeça parece que vai explodir, e tá meio quente demais por aqui hoje. Pra completar, acabei derramando café sobre os documentos que apresentaria na reunião e não tempo para arruma-los antes dela.

– Já sei o que aconteceu! Me dê alguns minutos.

Se retirou da sala e a Liu ficou se abanando e falando o quanto ela era linda. Voltou alguns minutos depois com uma garrafinha de água com gás e uma aspirina.

– Tome, logo você estará renovada. Agora me diga, de quanto tempo precisa para providenciar o material que foi danificado?

– Obrigada Agnes. – engoli o comprimido e bebi quase a garrafinha de água inteira – Desculpa. Precisaria de no mínimo 40 minutos.

– Ok. – retirou o celular do bolso e ligou para alguém. Seria impossível não escutá-la. Mesmo porque ela continuou ao meu lado. – Vovô, tive um problema. Não, estou sim na empresa. Converso com o senhor pessoalmente. Quanto ao problema, preciso que adie a reunião em uma hora. Certo. Obrigada, tchau.

Lívia que estava em pé na minha frente, com Agnes de costas para ela, sorriu batendo palmas “mudas” da atitude dela.

– Clara, você tem uma hora para se preparar. Como disse, logo sua cabeça estará melhor. Se precisar que ainda assim adiemos a reunião, é só me falar. – sorriu. – Converso com o seu Giovani numa boa.

E mais uma vez me perdi nas suas piscinas naturais, até ela passar a mão levemente em meu braço, e eu sentir um arrepio percorre-lo.

– Obrigada Agnes. Com certeza dará tempo.

– Certo. Estou com um aparelho da empresa, o final é 08. Como os números aqui só mudam os finais, se precisar de mim é só ligar. Até daqui a pouco, e sucesso na sua apresentação.

– Mais uma vez obrigada. Não tenho nem palavras para agradecer.

– Dá próxima vez que formos jantar, nada de bordô para você. Lembre-se disso apenas, e será o seu agradecimento – piscou para mim. – Licença senhoras. – saiu da sala fechando a porta.

– Que mulher é essa Clara? Ela é tudo e mais um pouco do que falavam por aqui, que olhos são aqueles, gente do céu! – sentou na cadeira a minha frente – Jesus me abana.

Foi impossível não rir da cara dela. Consegui providenciar o material que precisava em menos de 40 minutos e segui para a sala de reunião. Como a Agnes disse, já me sentia melhor, a cabeça doía bem menos e a claridade não incomodava mais.

A reunião não poderia ter sido melhor. Tudo correu tranquilamente e ao final dela já não sentia mais dor alguma. Manhã finalizada com sucesso e fui almoçar com a Liu. O resto do dia correu de forma tranquila.

Os dois dias que se passaram foram de certa forma calmos, conseguimos resolver tudo a respeito da transação internacional e hoje eu resolvi ir para a capital. Passarei o final de semana na companhia do meu noivo.

Minha assistente e secretária estavam avisadas de que qualquer coisa que precisassem na empresa, seria resolvido por elas. E que de preferência não me ligassem.

Precisava passar um tempo com o Alê, devia isso a ele. Mesmo a gente conseguindo uma vez ou outra se ver durante a semana, não era a mesma coisa de ficar juntos três dias seguidos, dormir abraçadinho, acordar ao lado dele...

Pronto, bolsa arrumada e lá vou eu. Só consegui levar meu carro na oficina ontem a tarde, então irei de ônibus, saio daqui as 18h, como lhe farei uma surpresa, da rodoviária até a casa dele vou de táxi.

Desde que começamos os preparativos do casamento não tiramos um tempo só para nós dois. 21h de sexta-feira e aqui estou. Entrei em casa e nem sinal dele, o tempo estava frio, parecia que ia chover. Tomei um banho e preparei um jantarzinho rápido. Já estava cochilando no sofá quando ouvi a porta sendo aberta.

Olhei no relógio e já passava das 23h. Sentei no sofá esfregando os olhos e bocejando.

– Oi amor – beijou meus lábios – que surpresa. Porque não disse que vinha?

– Queria realmente te fazer uma surpresa Alê. – disse demostrando chateação na voz e levantei prendendo o cabelo.

– Desculpa. Saímos do escritório até cedo, mas os caras me chamaram pra tomar um chopp, e como não tinha compromisso pra hoje, fui com eles. Você poderia ter me ligado.

– Sei disso! Mas como disse, queria lhe fazer uma surpresa. E não achei que você fosse demorar tanto. Eu fiz o jantar, se quiser comer tá em cima da mesa.

– Ei... – segurou meu braço envolvendo meu corpo com os seus, beijando meu pescoço – Vai mesmo ficar com essa carinha? Estava morrendo de saudade de você... – continuou beijando meu pescoço – Não fica assim, por favor!

Olhei pra ele que sorria, não queria brigar, não era esse o objetivo da minha viagem. Tratei de esquecer a minha chateação pela demora dele o enchendo de beijos, ficamos um tempo namorando ali mesmo na sala, as caricias foram ficando mais intensas, e fomos pra cama. No início tava tudo normal, mas no meio perdemos o encaixe, ele estava estranho, seus atos estavam mecânicos...

Não sei dizer o que aconteceu, mas foi a pior transa da minha vida. E ele simplesmente virou pro lado e dormiu. Fiquei sentada na cama olhando pra ele, tentando de alguma forma entender o que tinha acontecido... Vai ver foi o cansaço, o álcool, sei lá... Tomei um banho morno na tentativa de afastar aqueles pensamentos e voltei pra cama, de certa forma deu certo, porque adormeci assim que deitei.

Acordei com a claridade invadindo o quarto, olhei para o lado e ele ainda dormia. Comecei a distribuir beijos em seu rosto, passei a mão em seu membro e me insinuei pra ele, estava cheia de desejo. Ele abriu os olhos sorrindo, me deu um beijo e me abraçou dizendo:

– Agora não amor, tô com sono. Vamos dormir mais um pouquinho, – murmurou – daqui a pouco é hora de você voltar pra casa. – e adormeceu novamente.

Mas o que estava acontecendo? Em cinco anos de relacionamento nunca tinha escutado aquilo dele, nem quando dormíamos na casa dos nossos pais, isso acontecia. Sempre demos um jeito de saciarmos os nossos desejos e vontades. Nunca antes tínhamos nos encontrado e ele tinha sido tão frio e distante comigo. Primeiro a transa mecânica da noite anterior, agora a negação dele, e que papo é esse de eu voltar pra casa hoje?

Levantei e fui tomar banho. Liguei para meus pais pra saber como estavam. Sabia que eles não estavam na cidade naquele final de semana, se não com certeza já tinha ido pra casa deles. Fiquei rodando de um lado pro outro com o celular na mão, não aguentei esperar muito tempo, e acordei o Alex.

– Qual o problema amor? Tá cedo ainda, vem pra cama. – disse sonolento.

– Você tá bem? Que história é essa de que vou embora hoje?

– Estou sim! – sentou na cama esfregando os olhos – Você não vai embora hoje?

– Não, só irei na segunda.

– Desculpa amor, mas não sabia que viria, então marquei de passar o final de semana na fazenda de um dos rapazes do trabalho, vamos pescar. Mas se quiser, sei lá, eu desmarco, fazer o que né?!

Olhei pra ele, e não vi vontade alguma nele de desmarcar o compromisso anterior, pra passar o final de semana comigo.

– Não precisa desmarcar nada! Eu vou pra casa. – passei a mão no rosto – Lembrei que preciso ajustar alguns detalhes da cerimônia – menti, mas foi o que veio na cabeça na hora.

– Isso meu amor, aproveita que eu não estarei tentando roubar a sua atenção pra mim, e resolve mesmo isso. Eu te amo, sabia que ia entender a minha ausência – levantou da cama me dando um beijo frio nos lábios.

Já tinha dado pra mim, todo aquele tratamento estranho, aquela falta de tato e zelo logo naquele final de semana. Já estava no meu limite ali, ele foi para o banheiro e aproveitei para sair sem ter que dar maiores explicações, deixei apenas um bilhete sobre a cama:

BOA VIAGEM. DIVIRTA-SE.

VOCÊ MERECE!

ATÉ MAIS. BJS

C.V.

Cheguei na rodoviária e pra minha sorte tinha um ônibus saindo. Três horas de viagem e estaria em casa. Maldita hora que inventei de fazer essa surpresa, que raiva. Como havia dormido pouco, depois de meia hora de viagem adormeci.

Acordei quando o ônibus entrava na rodoviária da cidade em que morava. Tive um sonho estranho, nele uma mulher chegava em minha casa com um buquê de flores, me chamando de amor e me dava um mega beijo. Deu pra senti-lo até. Abri os olhos, olhando assustada para os lados. Foi só um sonho mesmo. Ufa! É cada uma viu, rsrs.

Peguei minha bolsa e sai do ônibus recebendo um vento frio no rosto. Entrei num taxi e fui pra casa da minha amiga. Como precisava conversar, ninguém melhor que ela pra me escutar.

Toquei a campainha e esperei ser atendida. Ela veio me atender de hobby ainda, ajeitando o cabelo. Me conduziu ao interior da casa e desatei a falar:

– Bom dia Liu. Acho que te acordei, né? Desculpa, mas precisava conversar com alguém ou...

As palavras morreram na minha boca quando a vi ali, colocando a xicara de café sobre a mesa e se dirigindo a minha amiga:

– Lívia, eu preciso ir. Mais tarde eu te ligo, tá?! – deu um selinho na Liu e olhou pra mim – Bom dia Clara. – deu um sorriso tímido.

– D-ia... bom... – balancei a cabeça ainda tentando entender o que acontecia ali – Oi Agnes.

Nos deu tchau e saiu fechando a porta.

– O que aconteceu aqui? – perguntei espantada olhando pra Lívia.

– Você quer mesmo que eu lhe conte? – disse arqueando a sobrancelha enquanto sentava no sofá.

– Não me diga que você transou com a nossa chefe? – fiz cara de espanto.

– Ah Clara, também não é pra tanto. A Ag, antes de tudo é uma mulher muito sedutora e que faz loucuras na cama. E que loucuras! – sorriu.

– Você só pode tá brincando. A mulher chegou a cinco dias na cidade e você já a arrastou pra sua cama!

– Ei, não arrastei ninguém. Ela veio sozinha.

– Lívia, eu disse pra você se comportar. Ela é nossa chefe caramba! Se o seu Giovani descobre, estamos ferradas.

– Para, pode parar com isso. O que é que tem ele descobrir! Na verdade, o que é mesmo que ele tem para descobrir, que a neta dele dormiu comigo?

– Que você levou a neta dele pra cama, não se faça de sonsa agora.

Ela gargalhou me olhando de forma debochada, dizendo:

– Não me diga que você achou que a Ag, era hetero? – balancei a cabeça em sinal positivo – Ah Clarinha, mas você é muito inocente mesmo. Enquanto nem pensávamos em namorar ainda, a Ag já pensava na primeira garota com quem se relacionaria!

– Não me diga que ela é...?

– Lésbica? Sim senhora. Agora mudando o foco de mim, pra você. O que faz aqui a essa hora, não ia passar o final de semana com o paspalho do Alex?

– Não fala assim dele. Mas é sobre ele que vim conversar contigo.

– A julgar pela sua cara, a conversa vai ser longa! Deixa eu tomar um banho e conversamos. Meu plano era dormir o dia todo hoje.

– Mas eu preciso de sua ajuda. – segui pra cozinha, enquanto ela foi pro banheiro – Que bela mesa de café, preparou pra patroa foi?

Gritou do banheiro: – Não meu bem, ela preparou pra mim.

– Mas... Liu, vocês estão saindo a quantos dias?

– Desde a quarta-feira, nos encontramos no Pátrias, e como estava chovendo ela me deu uma carona. Ficamos conversando aqui em casa e ai...

– E ai, você engasgou foi?

Saiu enrolada em uma toalha: – Clara Vidal, você está as vésperas do casamento! Mas como quer que eu narre uma transa, vamos lá! Então, estávamos aqui tomando um vinho, conversa vai, conversa vem, pintou um clima e ai nos beijamos...

A interrompi: – Ah, me poupe. Não quero saber o que você fez com a nossa chefe!

– A Ag, tem uma pegada incrível, Clarinha, só de lembrar já me excita!

– Já falei pra parar. – disse séria – Não quero saber das suas intimidades com a Agnes. Não vou compactuar da sua loucura, nem vem.

– Nada de loucura. Ou melhor, a mulher é uma verdadeira loucura na cama.

– Lívia! – ela me olhou assustada por conta do grito que dei – Já falei, me poupe desses detalhes. Agora vai se vestir. Estou com fome! Saí da casa do Alê sem tomar café.

– Tá, – levantou as mãos em sinal de rendimento – não está mais aqui quem falou. Toma seu café, daqui a pouco eu volto.

– Gente, você já foi mais carinhosa comigo.

– E você, menos estressada Clarinha.

– Você não vai tomar café?

Ela me olhou coçando a testa e disse sorridente: – Já tomei, estava prestes a tomar outro tipo, quando você chegou tocando a campainha.

Abri a boca e fechei. Sabia que não adiantaria pedir desculpas. E não estava nem um pingo a fim de escutar ela falando de como tinha sido a noite com a Agnes, era um assunto do qual eu não tinha curiosidade alguma. Tomei café em silêncio e depois narrei pra ela tudo o que estava acontecendo, ou melhor, tudo o que aconteceu na noite anterior e no início da manhã, ao final da minha narração, ela me olhou séria e disse calmamente:

– Você acha mesmo que o paspalho está te traindo?

Levei as mãos ao rosto em sinal de desespero:

– Não sei mais o que pensar Liu. Já tinha notado algumas diferenças nele, mas nada que demonstrasse isso. Mas hoje, sei lá... ele nunca foi de negar disposição para sexo, você sabe disso. Não sei o que tá acontecendo.

– Nem vem meu bem. Não sei de nada, não divido a cama com vocês, e nem quero. – gargalhou.

– Você me entendeu Liu, para de graça. O assunto é sério!

– Ah, desculpa. Já disse pra você, larga esse homem e casa comigo meu amor, eu te amo. – falou sorrindo e estendeu a mão para que eu segurasse.

Era sempre assim, toda vez que o assunto era um dos meus namorados, a Liu fazia essa graça. Fomos criadas praticamente juntas, éramos, e ainda somos como irmãs. Nossos pais são amigos desde antes de nascermos. Ela se “descobriu” lésbica aos 18 anos, a princípio a família não aceitou muito bem, mas algum tempo depois eles passaram a aceitar as “noras”, contanto que ela não as levasse para fazer saliência na casa deles, rsrs. Ao contrário de mim, a Liu nunca pensou em casar e ter a própria família. Sempre gostou de baladas e curtir a vida.

Nos formamos no mesmo ano, e por intermédio dos nossos pais que são amigos do seu Giovani, começamos a trabalhar na vinícola. Ela demorou mais tempo pra se adaptar por aqui do que eu. Já que mesmo a cidade tendo crescido, ela não tinha tantas escolhas para programas noturnos quanto na capital. Mas sempre que pode ela vai pra uma cidade vizinha onde tem uma variedade maior de “diversões noturnas”.

– Para de graça Liu! Tô tentando falar sério com você. Me ajuda, vai.

– Poxa, você tá chata. Não te amo mais! – olhei séria pra ela – Brincadeira, já parei. – sorriu – Mas sim, o que você pretende fazer? Vocês casam em algumas semanas!

– É isso que tá me consumindo, se ele estiver mesmo me traindo, não adianta nem casar. Não tem amor e nem confiança que supere isso pra poder casar.

– Clarinha... – segurou minhas mãos.

– Nem vem com o papo de “foge comigo que eu te amo”! – imitei a forma dela falar – Tô me irritando com você já Lívia.

– Calma mulher, nossa! Tá parecendo um cão feroz. Olha, porque você não conversa com ele? Tenta sondar alguma coisa, vocês já estão com tudo pronto pra casar, até casa já alugaram e mobilharam. Ou então, se faz mais presente na capital, fica mais tempo na casa dele, vira um chiclete daqueles bem grudentos – dei um tapa em seu braço e ela sorriu continuando – Sério, fazendo isso ai se ele tiver mesmo te traindo, em algum momento vai deixar escapar alguma coisa.

– Você acha?

– Claro que sim, homens são lerdos. Não agravando a todos, claro! Mas em sua grande maioria eles são bem desligados de certas coisas. E você é observadora. Coloca o seu sexto sentido em ação e descobre isso meu amor. O que não dá é pra ficar insegura desse jeito as vésperas do casamento.

– Você tem razão Liu. Preciso pensar com clareza agora. Eu o amo, mas se ele tiver me traindo, não terá perdão!

– Assim que se fala minha amiga. E caso ele esteja te traindo, vem pro condomínio!

– Condomínio? – a olhei curiosa.

– Era apenas uma graça, que uma colega da faculdade fazia quando se referia a irmã dela, que é lésbica. Ela era evangélica na época, e se referia a irmã assim, “ela é do condomínio”. E ai adotamos, e quando encontrávamos alguém na faculdade que era lésbica ou gay, dizíamos que essa pessoa fazia parte do condomínio.

– Você tem cada ideia estranha.

– Bom, – sorriu – deixa isso pra lá. E agora, que tal você me convidar pra almoçar na sua casa hoje? Estou com uma saudade tão grande do seu tempero – disse me abraçando.

– Você é cara de pau demais Liu. Fazer o que né, vamos. É bom que você me ajuda a limpar a casa. O encanador teve lá ontem e não tive tempo de limpar nada antes de sair.

– Epa! Eu me ofereci para almoçar, não pra virar sua serviçal.

Gargalhei: – Larga de coisa, será uma troca de favores, eu cozinho e você limpa.

– Para com isso Clara, se for assim, nem vou sair de casa.

– Então fique ai, com fome – disse pegando a bolsa.

– Golpista malvada! Me espera, vou só pegar meu celular e a chave do carro. – e em seguida saímos sorrindo.

 

Notas finais:

Oiiie! 

Um ótimo fds meninas.

Bjs.



Comentários


Nome: Tekaxaviers (Assinado) · Data: 04/05/2018 20:24 · Para: Capitulo 5 - Clara: Desconfiança

É a cada capítulo tudo fica mais interessante, essa Liu bota o fogo pra pegar e depois chama os bombeiros, vamos em frente tô gostando .



Resposta do autor:

Olá.

Kkkkkkkkkkkk, como é menina! Kkkkkkkkk. Esse lance dos bombeiros foi bem diferente.

A Liu é uma figuraça mesmo. Vamos lá, fica a vontade.

Se cuida, bjs.



Nome: valadaresdanni (Assinado) · Data: 22/04/2018 15:40 · Para: Capitulo 5 - Clara: Desconfiança

kkkkkkkkkkkkkkkk...

Rindo litros!

Essa Clara é uma comédia.

 

 

Beijos LL Braun.



Resposta do autor:

Oiie!

Que bom que gostou da "animação" dela, rs'.

Bjs, se cuida.

 



Nome: Pipoca ramos (Assinado) · Data: 26/03/2018 16:24 · Para: Capitulo 5 - Clara: Desconfiança

Depois desse capítulo vou ficar verde autora.

Bjs



Resposta do autor:

Oiiie!

Menina, não fica verde não, se acalma. Respira e inspira, vai dá tudo certo vc vai ver. Relaxa!

Bjs querida, se cuida.



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 17/03/2018 21:42 · Para: Capitulo 5 - Clara: Desconfiança

KmkKk a Liu não perdeu tempo já levou.a chefe p cama e parece que o noivo da Clara está traindo ela sim 



Resposta do autor:

Oie Tereza!

A Liu mostrou mesmo o que queria, quer dizer, logo saberemos os detalhes de como elas chegaram até a cama, rsrs.

Clarinha tá bem desconfiada quanto a traição, vamos ver no que isso vai dar futuramente.

Bjs querida, se cuida.



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 17/03/2018 01:28 · Para: Capitulo 5 - Clara: Desconfiança

A Liu e uma figura. Rapa ela pegou a agnes, foram rapidas. E a Clara deve ta sendo corna  fdp bom fds



Resposta do autor:

Oiie!

A Liu já mostrou pra que veio, kkkkkkkkkkkkk.

Clarinha tá realmente achando isso viu Patty, tomara que ela fique mais atenta aos tais sinais agora.

Se cuida querida, bjs.



Nome: Lili (Assinado) · Data: 17/03/2018 00:49 · Para: Capitulo 5 - Clara: Desconfiança

Clarinha voce vai entra no ckndocondo.

Kkkkkkk.....



Resposta do autor:

Bom dia Lili!

Olha, tô achando que isso pode acontecer mesmo viu, rsrs. 

Mas vamos ver as próximas cenas, rs'! 

Bjs querida, obrigada pela companhia.



Nome: Baiana (Assinado) · Data: 16/03/2018 19:56 · Para: Capitulo 5 - Clara: Desconfiança

Tadinha da Clara, está com a testa enfeitada, só espero que ela descubra antes de se casar.

 

A Livia não perdeu tempo e já deu um cato na Agnes,rapaz,tô achando que ela tem um sentimento incubado pela amiga.

A Agnes a principio se interessou pela Clara, será que depois de ser flagrada ela vai continuar transando com a Lívia??



Resposta do autor:

Bom dia Baiana!

kkkkkkkkkkkkk, "a testa enfeitada" é algo meio tenso mesmo.

Sabe, vc falando me deixou curiosa quanto a existir esse sentimento mesmo por parte da Liu, ou não! Mas acho que possa ser so amizade mesmo, e a Liu só fez uma graça, mas vamos ver, né! Tudo pode acontecer, rsrs.

Quanto a Agnes, creio que não haverá problemas se ela e a Líiva deciderem continuar com os encontros... Basta apenas elas querem isso.

Bjs querida, obrigada pela companhia.



Você deve fazer login ou se cadastrar para comentar.