Sobre a delicadeza do seu toque por Luah


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Um novo amigo

 

A melhor época do ano. Férias!!! Sem escola, sem professores chatos e sem uma multidão de abutres mimados e egoístas. Odeio aquela escola. Mas papai não se importa muito com a minha opinião. A única coisa que me deixa triste no fim do ano e que as minhas aulas de piano também são interrompidas.

Sabe, eu tenho um piano. Pra falar a verdade ele era da mamãe. É um Bosendorfer preto belíssimo. Ele fica em uma sala no fim do corredor do andar de baixo. É uma sala ampla e arejada. Ela estar sempre limpa e trancada a maior parte do tempo. Quando papai não estar em casa eu entro escondida nela e fico ali por horas. Eu tenho uma cópia da chave, vovô quem a me deu quando eu fiz dez anos. É o nosso pequeno segredo.

Adoro o som que aquele instrumento musical produz. É como se invadisse a minha alma. Como se o meu coração estivesse bem ali, exposto com todos os seus sentimentos e emoções. É como desnuda as partículas invisíveis de meu ser. É como tocar a perfeição. É como me encontrar em meio ao meu caos. É tudo em mim, a melhor parte de quem eu sou. É o meu próprio eu.

Rolo na cama com preguiça. Adoro não ter que acordar cedo. Não ter que sair feito uma louca por estar sempre atrasada. Vovó diz que sou uma completa distração. Talvez ela esteja certa. Estou no mundo da lua na maior parte do tempo. Não que eu faça de proposito, apenas é muito difícil algo chamar a minha atenção. Quanto mais prendê-la por tempo o bastante.

Estou deitada de barriga pra cima, olhando fixamente para o tento branco do meu quarto. Adoro férias. Adoro...

-Que tédio! - Digo soltando um suspiro cansado.

Me viro novamente na cama. Retiro o cobertor de meu corpo. Olho um ponto qualquer. E um par de olhos amarelados invadem a minha mente sem permissão. Mordo os meus lábios. Fecho os meus olhos com força. Desde a noite do jantar que não a vejo. Faz exatamente duas semanas. Mas quem é que estar contando?! 

-Que ódio! - Reclamo me levantando da cama como um furacão. Mas para a minha total alegria, tropeço em meu cobertor e vou parar no chão. Ainda bem que...

-Oh meu Deus! – A voz assustada de vovó chama a minha atenção. –Você estar bem? - Dona Catherine vem ao meu socorro.

-Estou bem vovó. - Digo envergonhada já me pondo de pé. A senhora analisa o meu corpo para ver se realmente não havia me machucado.

-Você tem que parar de acordar desse jeito. – A senhora me repreende. –Ou qualquer dia desses não vai restar lugar em seu corpo para se machucar. - Ela diz em um tom zombeteiro.

-Credo vovó. - Digo fazendo bico. Arrancando uma gargalhada gostosa da mulher mais velha. Quando ela finalmente para de ri, me dar um beijo de bom dia e um de seus abraços de ursos que eu tanto adoro. 

-Seu avô quer que você vá ver os novos cavalos. Eles chegaram hoje bem cedo. - Vovó Catherine diz carinhosa se afastando. –Mas antes, banho.

-Mas eu nem estou fedendo. - Digo cheirando a blusa larga e velha de banda que sempre usava para dormir.

-Lizandra! - Vovó me repreende com os olhos arregalados. –Não acredito que acabei de ouvir isso. - Ela diz revoltada. E eu me seguro para não ri.

-Mas é sério vovó. Olha só. - Digo me aproximando da senhora a minha frente que apenas estreita os olhos castanhos. –Me dar um cheiro. - Falo sorrindo. 

-Liz...

-Mas vovó...

-Sem mais. Então já pro banho. - Ela diz me empurrando em direção ao banheiro do meu quarto. -E logo depois, café da manhã. Não quero minha neta andando por ai de barriga vazia.

 

Não digo nada e, apenas me deixo ser conduzida até o meu destino. O que dizer?! Fiquei louca para vê os novos cavalos. Vovó se despede. Banho o mais rápido possível. Visto uma roupa qualquer. E vou até a cozinha. Já passava das 10 então a mesa de café da manhã já fora retirada. Entro o mais rápido que posso, assustado a senhora que estava distraída com as panelas a sua frente.

-Por Deus, Lizandra! - A senhora de olhos assustados me repreende. –Quer me matar menina?! - Ela diz com as mãos sobre o peito.

-Desculpe Bibi. - Digo arrependida.

A cozinheira me encara com uma expressão séria. E em passos lentos se aproxima de onde estou. Abaixo a cabeça envergonhada. Mas quando sinto os seus braços protetores em meus ombros, eu a encaro. Ela estar sorrindo, aquele sorrisinho de canto de boca típico seu. Então não resisto e lhe sorriu de volta levando os meus braços ao seu pescoço a abraçando apertado.

-Bomm dia Bibi! - Falo lhe dando um beijo estalado na bochecha.

-Bom dia minha menina. - Bibi retribui o abraçado. –Isso são horas de acordar. - Diz se afastando me dando um leve tapa sobre o meu braço direito. –E são modos de entrar em minha cozinha! - Exclama séria.

-Já pedi desculpa. - Reclamo fazendo bico.

-Onde logo. - Bibi olha para o lado. Gesto que acompanho. Sobre a mesa da cozinha havia uma poção de coisas gotosas, mas o que chamou a minha atenção foi à fatia de bolo de chocolate. O meu preferido. –Vai tomar o seu café.

-Você é a melhor. - Digo alegre lhe dando outro beijo estalado. - Bibi apenas balança a cabeça negativamente, sorrindo.

-Deixe dona Catherine ouvir isso. - A senhora de aparecia amorosa diz, para logo em seguida se voltar para as suas panelas esquecidas no fogo. Bibi trabalhava para vovó antes mesmo de eu nascer. Ela não era apenas a cozinheira, era também membro da família. Ao menos pra mim. Bárbara, ou simplesmente Bibi. Era uma mulher de aproximadamente quarenta anos. Seus cabelos loiros estavam cobertos por fios brancos. Seus olhos eram dor de mel. Eu adorava o seu sorriso irônico. 

-Eu posso ter mais de uma melhor em minha vida. - Digo de boca cheia.

-Credo menina! - A senhora balança a cabeça indignada. –Cadê os seus bons modos?

-Deixei no quarto. - No momento em que as palavras saem arregalo os meus olhos azuis encarando a senhora a minha frente. Esperando pela bronca que não demorou a vim.

-Lizandra!

-Desculpe Bibi. - Digo engolindo o bolo. –Estou com presa. Os cavalos novos chegaram. Eu quero vê-los. - Mordo outro pedaço de bolo. Mas dessa vez resolvo ficar de boca fechada. Eu tenho amor a minha vida.

Termino o mais rápido que posso. Finjo que não reparo o olhar de advertência de Bibi.

-Tchau! - Grito já saindo correndo pela porta da cozinha sem olhar pra trás. Nem mesmo escuto as reclamações da minha doce Bibi.

 

Da última vez que vovô fez uma compra tão grande de cavales, eu estava de férias em Nova York na casa de vovó Rúbia. Esse ano ela quem vem nos visitar. No momento ela está muito ocupada com um grande desfile que será realizado em alguns dias. Ela é o máximo. Estou morrendo de saudade de suas loucuras. Sabe aquela vozona que te arranca um sorriso só em pensar nela. Essa é a vó Rúbia. Eu sou a sua única neta. Afinal, ela só tinha a mamãe de filha. Vovô Renato faleceu quando mamãe ainda era criança. Eu não o conheci. Mas herdei a sua genética avermelhada. Assim como mamãe. Ele era um ruivo de olhos azuis. Cheios de ferrugem pelo corpo. Como eu.

Obrigado vovô Renato por me fazer tão colorida.

Ando em passos largos. Quero chegar logo ao curral onde vovô analisa um por um dos cavalos recém adquiridos. Alguns minutos depois já posso vê alguns peões sobre as cercas de madeira. Estão agitados, não entendo muito bem o por que.

-Esse cavalo é louco. - Vejo Marcos o capataz e braço direito de vovô reclamando.

Me aproximo do pequeno grupo cumprimentando-os. Um a um. A maioria estar aqui antes mesmo de eu nascer. Me junto a eles subindo na cerca.

-Não acredito que esse animal esteja dando tanto trabalho para um bando de marmanjos como vocês. - A voz de vovô Bernardo soa raivosa. Fato raro. –Eu gastei uma pequena fortuna nesse bicho. - Meus olhos são atraídos para onde ele estar. E o ar foge dos meus pulmões. Ele era lindo.

-Uau... Digo admirada.

-Ele é lindo não é?! - Arthur diz sorrindo.

-Sim. - Respondo encantada com o cavalo a minha frente.

-Pena que é imprestável. - Comenta Pedro desaminado. Alguns minutos depois.

-Como assim? - Pergunto sem entender.

-Ninguém consegue monta-lo. - Seus olhos azuis encontram os meus. –Seu avô está furioso. - Ele pisca um olho em minha direção.

-Ele é um Anglo-Árabe? - Estreito os olhos tentando identificar a raça do animal. 

-Estou orgulhoso. - Comento Pedro divertido. –Até que fim esta aprendendo o diferenciar um...

-Nem vem Pedro! - Digo com o dedo em riste. –Quem errou a raça do Mangalagar Machador foi você.

-São tudo cavalos. - Pedro diz fazendo uma careta.

-Que tipo de peão é você?! - Arthur pergunta dando um tapa no chapéu do mais novo. –Não sabe nem diferenciar um cavalo.

-Liz! - Ouço vovô me chamar. Volto os meus olhos para o senhor de expressão preocupada. –Você perdeu a seleção.

-Oi vovó. - Lhe dou um sorriso amável. Ele retribui o gesto. –Como estar indo ai?

-Não muito bem. - Vovô dar alguns passos em minha direção. –Esse animal é indomável. - Diz raivoso. -Talvez só sirva para reprodução. 

 

Fico ali. Por horas. É sempre prazeroso acompanhar vovô. Me divirto horrores com a implicância entre Pedro e Arthur. Eles são irmãos e filhos de Marcos. Dou uma volta pelo estabulo, onde os outros cavalos que vovô adquiriu estão. Mas nenhum deles é tão belo quanto o Anglo-Árabe.

Os dias passam rapidamente. E sempre que posso, fujo para ver o grande animal negro. Ele é um dos seres mais belos que já vi. Era todo preto com as patas brancas. Havia uma mancha branca também em sua testa. Parecia uma lua. Em sua clina também haviam manchas brancas. Se vovô descobrir-se que estou me aproximando do cavalo “possuído” como todos dizem, ficarei de castigo por um ano. Mais há algo nele que me encanta. Às vezes levo cenouras, mas ele prefere maçãs. Em um desses nossos encontros não resisto...

-Vem garoto. - Digo o puxando pelo cabresto. Tinha acabado de colocar a cela. Algo que foi uma tortura. Estava louca de vontade de monta-lo. –Fica quieto. - Falo o recriminando pelo barulho. Ele volta a relincha. –Você quer que nos peguem?! Vovô mata nós dois.

Quando chegamos na parte de trás das baias. O puxo até próximo há um amontoado de terra. Seria mais fácil assim. Ele era muito alto.

-Ok. - Digo acariciando-o entre os olhos. –Não me derrube. - Olho em seus olhos escuros. –Ou não trago mais maçãs. - Ele volta a relincha. –Não reclame. - Digo me voltando para monta-lo. Dou um suspiro e com toda a minha coragem o monto.

-Olhe só amigão. Estamos cavalgando. - Falo alegre alguns minutos depois. –Você está indo muito bem. Mas agora acho que já está bom. - Puxo o cabresto para para-lo, comando que é aceito sem reclamações. Desço e o levo de volta para o estabulo antes que alguém perceba.   

 

-Muito bem amigão! - Digo alegre lhe acariciando o pelo escuro. Lhe dou uma maçã. –Você foi maravilhoso. Logo depois lhe dou um beijo entre os olhos. 

-Eu sabia! - A voz autoritária soa atrás de mim. Fazendo com que eu pule para trás assustada deixando as maçãs caírem. –Lizandra Arantes D’Barriel. - “Ferrou!” Penso. –Como ousa se aproximar desse animal selvagem?!

Vovô Bernardo diz já entrando na baia em que estou com o cavalo Anglo-Árabe. Os olhos escuros de vovô estavam brilhantes. Encolho os ombros como uma criança que acaba de ser pega fazendo traquinagens.

-Esse bicho é perigoso. - Vovô Bernardo diz se colocando entre mim e o animal.

-Mas vovô...

-Eu não acredito que você...

-Mas Júpiter é bonzinho. - Digo fazendo bico e cruzando os braços, emburrada.

-Júpiter? - O homem mais velho me olha espantado.

-É, ele não gostou muito de coronel. Então eu troquei. - Digo fazendo uma careta. –Pra falar a verdade, eu também prefiro Júpiter. - O animal relincha como se concordasse. –Viu, como ele também concorda. - Falo como se fosse a coisa mais normal do mundo.

-Liz...

-Ah não vovô! - Reclamo já sabendo o que ele diria.

-Ele derrubou três dos meus melhores homens.

-Júpiter não gostou deles. 

-E quem me garante que não fará o mesmo com você. - Ele diz sério. Eu apenas o olho desconfiada. –Não acredito que você montou nele.

 

-Só foi uma vez. - Digo em um fio. –Mas foi rapidinho. Eu juro. 

 

 

Nome: annagh (Assinado) · Data: 06/01/2018 01:32 · Para: Capitulo 5 - Um novo amigo

Olá Querida Autora!!!

Bom, vamos lá...

Primeiramente...obrigada por compartilhar esse talento magnifico com a gente. Você é incrível!!! E é realmente difícil de acreditar que seja sua primeira história.

Sou muito chata com essa questão de sinopse...confesso que já deixei de ler histórias incríveis por sinopses mal feitas e aí depois ia lá dá uma chance para a história e acabava achando magnífica. Então fui deixando isso de lado, mas a sinopse de “Sobre a delicadeza do seu toque” simplesmente me cativou logo de cara...me prendeu...me deixou curiosa como há tempos não havia ficado, talvez tenha sido esse lance de “Não depois que...”...kkkkkk...então tive que ler né.

Outra coisa que tô encucada é: o primeiro amor de Liz (deduzo que seja a Sam) foi a mesma pessoa que a magoou e a feriu??? Curiosíssima!!!

AMO história com muitos detalhes, com descrições do ambiente, perfil físico e psicológico dos personagens, as roupas que vestem, enfim, sou extremamente detalhista. Sei que tem muitas leitoras que odeiam esse tipo de escrita, consideram como “enrolação” ou coisas “desnecessárias”, porém, se vier críticas desse tipo eu lhe digo, não mude!!! Está perfeito assim!!! A história é sua!!!

Já me apaixonei pelas Liz (claro, ela é ruiva!!!) e amo quando nós ruivas, sardentas e “coloridas” somos lembradas em histórias de romance les. Eu gostei muito da Sam, mas já to preocupada imaginando se ela tem alguma coisa a ver com essa fuga de Liz por tantos anos.

E as cicatrizes nas mãos de Lizandra??? Quantos mistérios!!! É isso que me prendeu...você sabe  realmente deixar aquele gostinho de quero mais, de descobrir o que se passou (“não depois que...”...rsrsrsr), ou seja, você sabe nos torturar...kkkkkk...mas pegue leve viu. Eu me envolvo muito com os personagens quando uma história realmente me chama a atenção, elas passsam a fazer parte do meu dia a dia, isso só demonstra que o autor é “incrivelmente bom”...rsrsrsrsr...

Não sou fã de flashbacks...no entanto, depois que li entendi perfeitamente que eles serão extremamente necessários para saber o que acontece na vida atual das personagens.

Cenário escolhido pra história simplesmente perfeito...fazenda (amo a natureza!!!)...cavalos (amo bichos!!!)...enfim...tudo dentro dos conformes.

Parabéns de verdade e por favor, um pedido especial dessa humilde leitora que vos fala: NÃO abandone a história...e se possível não demore a atualizar os capítulos...aliás, tem algum dia específico para postagem?

Bom, queria poder falar mais...mas acho que o comentário já ficou muito longo. Desculpe!!!

Aproveito que ainda estamos no início de um ano novinho para lhe desejar um 2018 cheio de coisas lindas!!! Paz, Saúde e Prosperidade!!!

Um abraço bem apertado!!!

 

P.S. Desculpe por algum erro.

 

 



Resposta do autor:

 

Uau! Você acaba de me roubar as palavras. Algo difícil de acontecer. Então parabéns. Desculpe pela demora em lhe responder e em postar novos capítulos, mas ocorreram alguns imprevistos. Coisas da vida rsrs... Mas prendendo sim continuar a história e se tudo correr bem, pretendo escreve-la até o final. Não posso especificar quais dias irei postar. Então sinto muito por isso. E em questão à história, não adiantarei nada. Adoro suspense, aquele gostinho de expectativa. A única coisa que posso dizer é que estou adorando escrever, e já adiantei alguns capítulos. Só falta tempo para postar. E isso será no decorrer dos dias.

Beijus...

PS: Cara, você é ruiva de verdade?! ADOREIII!!!



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 05/01/2018 20:54 · Para: Capitulo 5 - Um novo amigo

Muito legal. Garota corajosa. Amo cavalos.



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