Delirium por TessaReis


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Capítulo 47 - Os Motivos de Rhian

 

            Rhian entrou no avião buscando pelo seu assento. 29-F, nada de primeira classe, voo comum, para um lugar quase comum, mas cheio de necessidades. Aliás, era isto que no final ela buscava, um lugar com mais necessidades do que aquelas que a faziam refém por dentro.

            Seriam longas horas de voo até Niamey, capital do Níger na África Subsaariana, e então mais algumas horas até Diffa, onde se encontrava a comunidade de refugiados em que Rhian trabalharia. A escolha do Níger não havia sido à toa, Rhian queria trabalhar diretamente no combate a taxa de mortalidade infantil, ainda tão grande naquela região. Ofertou seus serviços, e apesar de médica formada, não tinha o mínimo dois anos de experiência depois da residência exigida pela ONG, então aceitou ir como assistente, não fazia mal, Rhian só queria ajudar de alguma forma e se sentir útil para o mundo.

            Encontrou sua fileira, já haviam duas moças sentadas, pediu licença em português e elas pareceram estranhar. Sorriram e lhe deram passagem.

            _ Brasileira mesmo?_ Perguntou uma das moças.

_ Brasileira_ Respondeu simpaticamente, tentando não ser lembrada, porém...

_ Brasileira... Acho que lembro de você de algum lugar.

_ É possível que sim_ Respondeu num tom para encerrar a conversa com educação. Achava que levaria um tempo para que a maioria esquecesse dela, mas tudo bem, uma hora seria esquecida. A Rhian só interessava que uma pessoa não a esquecesse.

Pegou o celular e acendeu sua tela de bloqueio, era uma foto de Diana. A última que havia tirado dela dormindo aquela manhã. Ela estava linda, dormindo agarrada em seus braços e Rhian não havia resistido a fotografá-la. Queria levar aquela imagem e aquela sensação durante toda a sua missão, porque estava encarando como uma missão, a busca de sua própria paz. Diana havia demorado para entender, mas no final, acabou apoiando Rhian. Havia entendido suas motivações, entendido que isso nada tinha a ver com o amor que sentia por ela, não estava deixando de amá-la, muito pelo contrário, mas não tinha como amá-la direito, enquanto não se curasse totalmente. A questão era que a morte de sua mãe não saía de sua cabeça, era que seu pai não parava de ligar, era a situação de Romeo, tudo era demais para Rhian, ela não queria pensar em nada daquilo, mas quando via, já estava pensando. Era como uma tortura psicológica que nunca acabava.

E havia seus TOCs que cada vez pioravam mais, seus vícios em luxo, a vontade de voltar para velhos hábitos de sua vida antiga que esta Rhian de agora não queria mais se permitir ter. Mas como podia se estava sempre com um mundo de oportunidades e cartões de débitos e créditos ilimitados ao seu alcance? Não. Rhian precisava ter pouco, ver pouco, querer pouco, para só então ter tudo. E seu tudo, era o amor de Diana. Chorou um pouco assim que ouviu que as portas do avião haviam sido fechadas. Era uma situação difícil. Porque Rhian sabia o que precisava ao mesmo que sabia que aquilo poderia lhe tirar Diana para sempre. Mas ficar ali, magoada e ferida não acabaria afastando Diana de si como havia acontecido da última vez? Era difícil prever. Rhian tinha medo de si mesma, das reações que poderia ter caso essas emoções negativas saíssem de seu controle. Por isso precisava resolver tudo antes de finalmente, recomeçar com Diana. Mas os olhos dela quando Rhian se despediu lhe plantaram uma dúvida enorme. Rhian a queria pendurada no seu pescoço, lhe desejando boa sorte, dizendo que a esperava voltar. Mas não havia acontecido bem assim. Rhian precisava ir, sabia, mas não podia perdê-la. Por tudo em que acreditava, não podia perdê-la.

Deslizou sua tela de bloqueio e buscou seu aplicativo de mensagens. Escreveu rapidamente para ela antes de desligar o celular. Diana recebeu. Leu. E não respondeu. Pelo simples motivo de que estava chorando demais do outro lado para conseguir responder.

Diana ainda estava no aeroporto. Sentada sozinha na frente de um dos telões de informe de voos espalhados pelo saguão principal. Ainda não estava acreditando. Não, Rhian não havia ido embora. Ok, tudo bem, quando Rhian contou a ela que estava de viagem marcada para África, Diana entrou em desespero. Se trancou no banheiro, disse que não queria mais falar com ela, chorou aquela noite inteira, mas depois de muito conversar com sua mãe, com Isis e consigo mesma, decidiu que precisava ao menos ouvir os motivos de Rhian. Ela lhe disse cada um e Diana meio que a viu na mesma situação que havia se visto quando separaram. Diana havia ido embora pelas coisas que não conseguia mais suportar; mas não significava que não amava Rhian, sabemos esta parte. E agora sentia Rhian indo embora pelos mesmos motivos. A diferença era o cenário. Diana estava ali, amando-a e tentando o melhor para fazê-la feliz, para ajudá-la da forma que podia, nunca reclamava de nada, sempre tentava o seu melhor para solver as dificuldades, e ainda assim... Ah não, ela havia ido embora mesmo!

Diana caiu num choro ainda maior olhando para aquela tela. O voo de Rhian havia acabado de ser dado como encerrado, e onde Rhian estava? Era isso? Ela havia ido mesmo? Havia. A mensagem que ela enviou para o seu celular lhe dava certeza que havia e Diana não conseguia acreditar! Ok, havia acontecido assim. Depois que Diana se acalmou e entendeu o que Rhian estava fazendo, dias muito bonitos e tranquilos se passaram entre elas duas. Haviam se trancado no apartamento e se curtido o tempo inteiro. Passaram aqueles dias inteiros agarradas uma na outra, de calcinha e camiseta pelo apartamento, comendo na cama, fazendo amor nas mesas, sem atender nem ver ninguém e tudo foi tão bom, foi tão elas. Diana via aquele sorriso lindo todos os dias e podia jurar que ela estava feliz. Mas aí então o dia da viagem se aproximou. E Rhian a levou para comprar algumas coisas que precisaria e Diana começou a respirar mais profundamente. Ok, ela ainda podia desistir. O visto chegou, a convocação e o manual de conduta, Rhian olhou empolgada, lhe mostrou o lugar, as crianças de quem ia cuidar, ela queria cuidar de crianças! Não era linda a sua noiva? Tudo bem, causa nobre, mas Diana também era uma causa nobre, não que quisesse competir com as crianças de Níger, mas...

Chegou o dia da véspera. Rhian a levou para jantar fora, num lugar maravilhoso, voltaram para casa nas nuvens e então Diana foi acordada para a realidade. Rhian precisava de carona para o aeroporto. Sério? Sério. Tudo bem, Diana levantou meio atônita e levou sua empolgada noiva para o aeroporto. Fila para despachar a bagagem e o coração de Diana começou a ficar nervoso mesmo. Daí o voo foi anunciado e Rhian a beijou no meio do aeroporto profundamente, como se tivesse mesmo indo embora. Espera, ela foi. Entrou por aquele portão, olhou para trás com lágrimas nos olhos, jogou um beijo e Diana começou a sentir como se estivesse morrendo. Espera, ela ia desistir. Antes daquele avião partir Rhian ia pensar melhor e desistir. Mas a verdade é que o voo havia acabado de decolar e não, ela não desistiu.

Diana se desesperou e simplesmente não conseguia parar de chorar. Estranhos começaram a lhe perguntar se ela estava bem, se precisava de ajuda, precisava, precisava de sua irmã.

_ Isis, ela foi embora!_ Disse, soluçando no celular. Diana havia ido levar Rhian no aeroporto sozinha, ela havia se despedido no dia anterior das amigas, mas ainda assim, Diana achou que ela não fosse embora de qualquer forma.

_ Mas Diana, você não foi deixar ela no aeroporto?

_ Eu vim e ela foi embora!

_ Mas..._ Tipo, ela havia ido deixar Rhian e achava que ela não viajaria? Sim, achava, sua irmã era uma otimista nata, havia esquecido_ Tudo bem, fica onde você está, eu vou pegar um táxi e vou buscar você.

Ela veio. E um rapaz gentil já havia comprado suco de maracujá, água e uma ursinho de pelúcia para Diana. Ela estava sentada num cantinho no chão e se não fosse trágico, seria cômico. O rosto vermelho, os olhos inchados, tomando o suco no canudinho e segurando o ursinho na mão.

_ Ok, onde conseguiu o ursinho?

_ Aquele príncipe ali comprou pra mim.

Isis olhou para trás. O rapaz sorriu e acenou, tinha cara de príncipe mesmo.

_ Tudo bem, vamos agradecer ao príncipe e ir para casa. Cadê a chave do carro?_ Diana entregou e Isis a pegou pela mão para levantá-la. Abraçou sua irmã com carinho e a levou para o carro. Diana já havia conseguido parar de soluçar, mas levaria um tempinho até que ela parasse de chorar.

Foram para a cobertura e lá ela teve outra crise de choro. Isis teve que acalmá-la, mandá-la entrar num banho, um banho quente sempre fazia bem, e quando Ariana chegou do plantão, a encontrou enrolada na cama deitada no colo da irmã.

_ Ei, Di, o que foi?_ Perguntou, sentando na cama, fazendo um carinho nos cabelos dela_ Rhian me ligou, disse que você não a atendeu mais, que não respondeu as mensagens.

_ Ela foi embora, Ariana!

_ Eu sei, mas você também sabia, tinha concordado e tudo. Diana, eu não estou entendendo e a Rhian menos.

Diana olhou para ela e não disse mais nada. Isis apenas gesticulou, que ela a deixasse sozinha com Diana, entendia sua irmã, e sabia do ela precisava.

Chorar até dormir. Perto das duas, Diana pegou no sono. Isis a cobriu, a deixou confortável e trocou de quarto. Ariana já estava na cama, mas não estava dormindo, Isis se enfiou por baixo dos braços dela, sentindo imediatamente aqueles lábios na sua nuca.

_ Então?

_ Ela dormiu.

_ Isis, eu não estou entendendo. Eu acabei de falar com a Rhian, ela já chegou em Paris, e ela me disse que a Diana estava reagindo bem, que tinha aceitado e tudo.

_ Ela tinha. Mas só porque achou que no final, a Rhian não iria.

Ariana abriu um sorriso.

_ Como assim, gente?

_ Faz sentido na cabeça dela.

_ Mas... E agora? A Rhian está angustiada, e eu nem contei o nível de desespero da Diana direito.

_ Acalma a Rhian, que eu acalmo a Diana. Vamos dar um tempo para ela assimilar, diga pra Rhian ter paciência, afinal, apesar da causa nobre, foi ela quem foi embora e deixou a minha irmã aqui.

Ariana disse, não que isso melhorasse a angústia de sua amiga, mas ao menos tentou. Rhian tinha mais algumas horas de voo pela frente até Níger e deram este tempo para Diana se acalmar. Trinta e oito horas de voo ao todo, e ainda assim, ela ainda estava muito abatida quando Isis sentou para conversar com ela outra vez.

Isis chegou da rua e Diana estava sozinha sentada na varanda, com um bule de chá ao seu lado e a caneca fumegante nas mãos. Os olhos perdidos no nada, já era noite, ventava forte, mas ela sequer parecia estar ali. Isis foi até a cozinha, pegou uma caneca para si e veio para a varanda. Se serviu do bule de chá sobre a mesa, beijou sua irmã na testa carinhosamente, sentou perto dela.

_ Ei, como você está?

Continuava arrasada, e sequer parecia que uma hora iria melhorar. Mas não contaria esta parte a Isis.

_ Ela chegou bem em Níger?

_ Chegou, eu falei com ela ainda agora. Ela não entende porque você não quer falar com ela, está aflita, preocupada.

_ E eu me sinto morrendo, Isis. Eu não vou falar com ela agora, eu preciso de um tempo pra pensar, pra entender o que eu tenho a dizer pra ela. Ela vai ficar dois anos fora.

_ E você vai ficar dois anos aqui. Diana, eu acho complicado chamar a atitude dela de egoísta, afinal ela está indo para um lugar muito carente e muito perigoso prestar assistência médica para crianças com risco de morte. E através disto, ela vai tentar se curar. Uma vez eu ouvi a mamãe dizer que a única maneira de curar uma ferida é parar de tocar nela. Ela não conseguiria fazer isso aqui. Não com o pai dela perturbando o tempo todo, os processos do Romeo em andamento, as perguntas desses jornalistas que não esquecem dela. Você entende isso?

_ Entendo_ Entendia mesmo e uma lágrima caiu sem pedir licença_ Mas isso não me impede de sentir muito. Isis, eu ia casar com ela, eu pedi ela em casamento e ela vai embora? Dói muito. Eu entendo cada coisa que você está me dizendo, mas meus sentimentos não. Não é simples, não é fácil, estou sendo egoísta, eu tenho consciência, mas...

_ Eu entendo o seu lado também, você não está sendo egoísta. Mas olha, ela está trabalhando na mulher melhor com quem ela quer que você se case, menos materialista, com menos problemas emocionais, ela decidiu se limpar pra você. Diana, ela saiu pra comprar um carro popular e voltou pra casa com um Jeep Cherokee de 300 mil reais, você entende?

_ Eu entendo também. Eu só... Eu não queria mesmo ficar sem ela. E não sei se consigo lidar com um relacionamento a distância, você sabe.

_ Sei. E sei também que você ama a Rhian, é um desafio duplo, você também precisa melhorar. Mas então, você pensou sobre o que vai fazer? Pensou na faculdade?

_ Isis, eu não vou ficar aqui, eu não tenho estruturas pra ficar aqui nesse apartamento sem a Rhian.

_ E você vai morar aonde? Vai ficar com a Laís?_ Porque Graziela já estava casada.,

_ Eu vou voltar para Brasília.

_ Diana, este apartamento é seu, o carro é seu, ela deixou quitado para que você pudesse estudar sem se preocupar com nada.

_ Isis, a Rhian não pode ir embora e achar que vai ficar cuidando de mim, me sustentando a distância, eu não sou mulher disso. Quando eu fui embora daqui, eu fui embora sem nada, agora não vou me dar ao luxo de ficar aqui, sendo provida de tudo por ela, enquanto ela tenta ser um ser humano melhor na África. Eu vou voltar pra Brasília, já decidi e até comprei a passagem. E você?

_ Olha, vamos fazer assim: eu liguei para o Marcio, meu sócio e pedi mais uns dias para ele, por que nós não pegamos esses dias e vamos ficar com a mamãe no sítio?

Diana olhou para ela.

_ Você vai ver a mamãe?

_ Vou. Estou morrendo de saudades. Vem comigo para o sítio, lá você pensa.

Ir para o sítio. Parecia uma boa ideia. Isis comprou sua passagem para Brasília e foi muito difícil. Comprar a passagem, se despedir de Ariana, as incertezas de tudo, mas a grande verdade é que Isis morava em Brasília, sua vida estava parada lá há mais de seis meses, seu sócio havia segurado todas as pontas que pode, mas Isis não podia abusar mais. Diana arrumou as coisas que não tinha no Rio e na hora de recolher suas joias, olhou para sua aliança. Não estava a usando desde que Rhian havia ido embora, há uma semana atrás. Ela seguia mandando mensagens todos os dias, Diana lia, se sentia tentada a responder, mas se recusava. Não estava pronta, ainda não estava pronta, podia responder a coisa errada e perder Rhian de vez. Há momentos que é melhor não se dizer nada até se ter clareza total das ideias. E ir para o sitio de sua mãe resolveria isto: ficaria incomunicável lá, sem internet, celular, nada. Isso deveria lhe fazer bem. Pegou a aliança e quis colocar no dedo, sentia falta de usá-la. Mas parou. Retirou do dedo e deixou sobre o criado-mudo. Não fazia sentido. Pegou sua mochila e caminhou para a fora, fechou a porta atrás de si. E voltou para buscar a aliança. Não colocou no dedo, mas pôs no bolso, o motivo ela não quis debater consigo mesma a respeito.

Mais uma vez, voltou para aquele aeroporto. Ariana foi deixá-las e a despedida que Diana assistiu foi bem diferente da sua com Rhian. Elas ficaram abraçadas, bem abraçadas. Isis falando no ouvido de Ariana, reforçando que ela era sua, que fariam dar certo, enquanto Ariana chorava um pouquinho. Sabia que seria difícil quando Isis fosse embora. Mas não sabia que seria tão difícil. Era difícil, mas também era mais fácil, Ariana tinha passagem comprada para dali quinze dias, tiraria quatro dias de folga e iria encontrar Isis em Brasília. Eram só quinze dias; não setecentos e trinta. Isis olhou nos olhos dela, limpou as lágrimas e aquele foi o primeiro beijo que elas trocaram tão em público assim. Diana entendeu que era uma forma de Isis dizer “olha, é sério, eu te quero mesmo” e pelo sorriso de Ariana em seguida, ela entendeu da mesma forma. Se despediram em definitivo e Diana e Isis entraram pelo portão de embarque. Outra mensagem de Rhian, visualizada, lida, não respondida.

_ Diana, isso é tortura.

_ Eu sei.

Isis ainda fez mais uma tentativa quando chegaram em Brasília, ela deveria ligar, ou ao menos escrever dizendo que ficaria incomunicável de verdade nos próximos dias, não, Diana não queria, e Isis tinha consciência de que sua irmã era teimosa feito uma porta quando queria. A própria Isis mandou um e-mail para Rhian dizendo que iriam para o sítio. Saíram para o saguão, e, a mãe-fada estava lá!

Diana correu para sua mãe feito criança. Se agarrou nela, a abraçou, a beijou, beijou e beijou e Isis apenas sorriu. Nunca havia sido a filha que corria para a mãe daquele jeito, mas não significava que nunca havia quisto correr. Trocou um olhar com sua mãe enquanto Diana se dependurava por ela, e era como ser filha da Demi Moore hippie. Sua mãe era linda, absurdamente em forma, os cabelos longos castanhos, as curvas das moças Ferraz haviam sido herdadas dali, não havia nenhuma dúvida e fazia tanto, mas tanto tempo que Isis não a via...

Houve um olhar ali. E Hanna estendeu a mão e pediu para sua filha mais velha se aproximar. Isis veio devagar e abraçou sua mãe, meio sem jeito, dividindo os braços dela com Diana, não fazia mal, afinal Isis havia tido aqueles braços só para si por seis anos inteiros, podia dividi-los com sua irmãzinha. Hanna beijou a testa de suas duas meninas lindas, eram lindas! Ouvia de todos as pessoas sempre que ia passear com elas, eram e continuavam lindas.

_ Eu não acredito que vou levar vocês duas pra casa!

Fazia tanto tempo que não acontecia que não acreditava mesmo. Hanna colocou as duas em seu velho jipe e pegou a estrada para casa, estrada para Alto Paraíso, e tinham tanto para falar, para conversar, Hanna era mais que uma mãe, era uma irmã mais velha, nunca houve nada que não pudessem falar com ela. E na estrada, no meio daquela conversa boa, Diana foi vendo suas barras de sinal do celular reduzirem uma a uma... Até desaparecerem. Pronto, estava incomunicável. O que significava que deveria estar mais perto de casa.

***

Rhian não acreditava. Melhor, mais do que não acreditar, não entendia. Diana havia ido deixá-la no aeroporto, havia dito que aceitava, que entendia e então simplesmente... O silêncio. Ok, no avião Rhian se convenceu de que ela estava fazendo birra, mas que quando desembarcasse em Paris, já teria uma mensagem dela. Mas nada. Rhian passou seis horas cansativíssimas pelos cantos do aeroporto esperando seu próximo voo, e nada. Escreveu outras mensagens, escreveu e-mails, ligou para Ariana e o que ela lhe contou, fez menos sentido ainda. Como assim Diana não acreditava que Rhian havia ido embora?

Diana era louca. Era por essas e outras que às vezes Rhian tinha certeza que ela era louca mesmo. Ok, decidiu se acalmar e se concentrar em chegar em Níger de uma vez, descobrir como as coisas seriam lá e então veria como se entender com Diana. Então, a chegada em Níger. O simples sobrevoo por cima do Deserto do Saara já era uma visão única. Rhian nunca havia visto nada igual, aquela imensidão árida, laranja-amarelada e vazia, absurdamente vazia. E então, a África Negra. Que também era árida e seca e imensamente impressionante. Rhian sentiu sua respiração pesando ao olhar para fora da janela e ver o poder das savanas se mostrando. A vegetação resistente, brotando daquele chão onde nada deveria nascer, vingar, sobreviver. Mas ainda assim nascia. Como a gente daquele lugar. E tentava sobreviver lutando contra a natureza cruel do lugar mais primitivo de todo o planeta.

E então, as girafas!

Rhian sentiu o cinto lhe puxando de volta para o assento quando viu uma manda de girafas correndo pela savana. Eram dez, onze, doze? Não conseguiu contar, o avião estava manobrando para aterrissar e ao contrário do que Rhian imaginava, eram animais que corriam aquelas pescoçudas. Diana adoraria ver! Pensou e sentiu sua garganta se fechando outra vez em vontade de chorar.

Rhian havia chorado por metade do voo inteiro, e quando não chorou, era porque estava dormindo.

Acalmou seu coração, afinal depois de 38 horas, estava finalmente em Niamey e o fato de descobrir que não tinha internet disponível de alguma maneira, a deixou mais tranquila. Diana poderia ter escrito, Rhian só estava sem internet, assim que tivesse uma conexão, receberia uma resposta dela, sabia. Pegou sua bagagem, uma única mochila de camping, ali dentro estava tudo o que ela precisaria. Colocou nas costas e foi em busca do ônibus, seriam outras boas horas de ônibus até Diffa, onde ficava o acampamento, onde trabalharia. O ônibus era velho, bem gasto, com alguns buracos pelo chão e estofado rasgado. Rhian respirou fundo, não parecia limpo, porém aquele também era o motivo de estar na África: superar seus TOCs e fazer o que precisava fazer. Colocou a mochila no bagageiro e sentou-se, perto da janela, sentindo um tranco em seu coração. Sentou primeiro só na ponta do banco e agradeceu por estar de calça jeans. Sentiu quase como se fosse uma armadura instransponível de bactérias. Concentrou-se nessa ideia e bem devagar, a aflição que estava ferroando em sua pele foi bem devagar se acalmando. Ajudada também pelo clima do ônibus, que não parava de encher. Estavam indo todos para o mesmo acampamento, e não havia ninguém que não estivesse empolgado demais! Eram jovens, pessoas mais velhas, de todas as partes do mundo, com ou sem experiência de voluntariado e todos haviam visto algo de surpreendente já do avião: o Níger parecia este tipo de surpresa. E o melhor de tudo era que ninguém fazia ideia de quem Rhian era ou pelo o que ela havia passado.

O clima era bom, era empolgante e Rhian se distraiu tanto da ideia do banco sujo e rasgado que conseguiu até pegar no sono. E só foi acordada por uma agitação incomum. Todos levantando de seus lugares, se aglomerando pelas janelas, era meio da madrugada e Rhian sabia que aquele era o horário mais perigoso. Afinal, aquelas estradas sofriam com os ataques do Boko Haram, um grupo extremista contra ocidentais que era uma das principais preocupações de Rhian sobre estar ali, mas não era isso. O que havia causado toda aquela agitação havia sido um leão.

Enorme, soberano, ele estava andando de um lado a outro da estrada bloqueando a passagem e quando o motorista acendeu a luz alta em cima dele, puderam vê-lo por inteiro. A juba incrivelmente amarela, os dentes tão afiados e a boca suja de sangue. Era... Incrível. Aquele animal ali, gigantesco, reinante, e livre, Rhian já havia visto leões antes, mas não soltos na natureza, andando livremente, como se fosse dono de tudo ao seu redor. E era. O ônibus seguiu caminho quando o rei permitiu, e então, poucos quilômetros para frente, a África mostrou sua outra face.

Havia acabado de amanhecer e de repente, pessoas surgiram na estrada, bloqueando a passagem, agressivamente exigindo que o ônibus parasse. E levou um tempo até o motorista conseguir entender que na verdade não era agressividade, era desespero, eles não queriam roubar, ou machucar ninguém, só estavam precisando de ajuda. Dois dos voluntários desceram, indo até onde as pessoas apontavam e então voltaram, completamente atordoados. Era o seguinte, o alvoroço era por causa de uma mulher que havia invadido o vilarejo pedindo ajuda. Com um braço faltando. Rhian fez as contas, o leão com a boca suja de sangue, uma mulher com um braço arrancado, havia sido um ataque de leão. Os populares haviam visto o ônibus dos Médicos sem Fronteiras e corrido para pedir ajuda. Bem, o único problema era que entre aquelas vinte pessoas, não havia nenhum médico. Havia um farmacêutico, três psicólogos, dois fisioterapeutas, especialistas em saneamento básico, administradores, um técnico de telecomunicações, enfim, uma gama enorme de profissionais, mas médico, médico mesmo...

_ Eu sou médica_ Disse Rhian, já se preparando para descer.

_ Mas você não disse que era assistente?

_ Eu vim como assistente, mas sou médica, só não tenho os dois anos de experiência pedidos, enfim, eu posso ajudar.

Ao menos Rhian achava que podia. Tudo bem, aquele atendimento foi um tapa da realidade africana na cara dela. As girafas eram lindas, o Saara, as savanas, tudo era deslumbrantemente lindo, porém aquela ali era uma pequena amostra do que teriam pela frente. Rhian nunca havia visto uma amputação tão violenta e menos ainda sabia como aquela mulher continuava viva. Mas ela continuava, sem anestesia, sem antibióticos ou drogas para dor e Rhian teve que se virar com seu kit básico de assistência e com veias, músculos e artérias dilacerados além de rios de esperança depositados em si. De repente, a médica inexperiente havia se tornado tudo o que aquelas pessoas tinham e ter tirado aquela mulher com vida dali foi uma das melhores sensações da vida de Rhian. A colocaram no ônibus, ela sobreviveria até o acampamento, onde teria uma assistência com mais recursos. Rhian ficou a monitorando com seus próprios sentidos até que chegaram em Diffa, era uma menina na verdade, disse que tinha apenas dezessete anos, Rhian havia conseguido controlar a hemorragia e precisava mantê-la acordada o máximo que podia. Então conversaram, ela falou do ataque do leão, disse que estava viajando a pé, fugindo da violência do Boko Haram em Chade e que não havia visto o animal se aproximar. Rhian achou que ela estaria arrasada por ter perdido o braço; mas na verdade ela estava agradecida demais por estar viva.

E aquela foi a primeira lição aprendida por Rhian. Há quanto tempo não agradecia ao simples, mas precioso fato de estar viva?

Chegaram ao acampamento cerca de duas horas depois e os médicos correram com a moça para a cirurgia e Rhian sequer acreditava que de fato, havia conseguido entregá-la viva. Foram recebidos pela equipe de apoio, que disseram que melhor cartão de boas-vindas não poderiam ter. Muitos voluntários chegam com ideias de trabalho muito distantes da realidade, mas aquele grupo ali não passaria por isso; já tinham tido sua dose de realidade necessária, a África havia se apresentado direito. A casa de apoio era um lugar grande, com vários quartos, feita de tijolos de barro e vegetação. Rhian entrou, e só então percebeu que estava coberta de sangue dos pés à cabeça. E foi recebida com festa! A residente que havia salvado uma moça de um ataque de leão, o que obviamente lhe rendeu um apelido de imediato: Leoa. Rhian gostou, não se importaria. Foi levada até seu quarto e descobriu que o dividiria com mais duas moças: uma francesa e surpresa, uma brasileira.

_ Leoa, é claro que tinha que ser brasileira!_ Ela lhe recebeu sorrindo e Rhian agradeceu por ela sequer fazer ideia de quem ela era. Lorena, se chamava Lorena Federer, gaúcha, branca, quase transparente e falava sem parar, Rhian sentiu que se dariam bem. Tomou um banho, o primeiro em quase 60 horas, tomando cuidado para não encostar onde não devia, queria melhorar, mas era melhor ir devagar. Entrou sob o chuveiro e de imediato, pensou em Diana. Em como queria contar tudo aquilo para ela, cada detalhe de tudo que havia acontecido. Perguntou por internet, a sua colega de quarto respondeu que um técnico havia vindo com Rhian no ônibus para tentar resolver aquele problema. Estavam sem internet, mas tinham um telefone se ela quisesse usar. Quis. Ligou para falar com Diana, mas ela não atendeu. Então ligou para Ariana que lhe contou o que estava acontecendo e Rhian ficou muito mal com o que ouviu. Queria dizer que Diana não tinha razão, mas também entendia o lado dela. Decidiu dar um tempo para ela. Diana iria pensar melhor, sabia que iria, e por aqueles dias, Rhian se concentrou em tudo o que precisava fazer, ali, naquele pedaço de planeta esquecido pelos homens.

Havia trabalho que não terminava. Todos os dias dezenas de pessoas chegavam a pé pelas perigosas estradas em fuga da fome, da violência, do Boko Haram. A maioria mulheres e crianças, em pânico, famintos, doentes, muito necessitados e era tanto a se fazer, tantas necessidades diferentes, problemas básicos como a água que não chegava, a comida que era saqueada, a insegurança do acampamento porque grupos terroristas não costumam respeitar tratados internacionais de assistência médica, era muito para se pensar, para se preocupar, e ainda assim, Rhian conseguia pensar em Diana há cada coisa que acontecia.

A primeira semana se foi, e o técnico enfim, conseguiu instalar uma antena que funcionasse. Rhian havia tentado falar com Diana a semana inteira pelo telefone, metade da semana chamou até cair e na outra metade, sequer chamou. Ariana lhe disse que ela havia ido para o sítio em Goiás e Rhian não sabia bem se ficava aliviada ou irritada com a situação. Seu celular atualizou com a internet, e nada, nenhuma mensagem respondida, nem um e-mail retornado, Isis havia escrito, dito a mesma coisa, que estavam indo para Goiás, que era para ter paciência com Diana, tudo bem, Rhian estava querendo se tornar melhor, teria paciência. Saiu do e-mail e bloqueou sua tela com a foto de Diana. Respirou fundo, olhou para a noite lá fora, estava no pátio da casa de apoio e as noites ali eram especialmente bonitas. O céu da África ao entardecer deveria ser uma das coisas mais lindas do mundo e então a noite chegava e o salpicava de estrelas, deixando tudo mais bonito ainda. Estava ali distraída quando sua colega de quarto sentou ao seu lado.

_ Leoa, eu só te conheço há doze dias, mas tenho quase certeza que você é apaixonada pelo seu bloqueio de tela_ Ela disse arrancando um sorriso de Rhian.

_ Eu sou. É a minha noiva. Era a minha noiva, eu não sei direito.

_ Noiva?_ E ela começou a rir e Rhian não entendeu nada, só faltava sua colega de quarto ser homofóbica.

_ O que foi?

_ É que os caras estão disputando quem vai ter coragem de dar em cima de você desde o primeiro dia e nem fazem ideia de que eu teria mais chances que eles, é muito engraçado! Deixa eu ver a sua noiva_ Pegou o celular da mão dela_ Uau, que gata! Ela combina com você, tem mais fotos?

Não era homofóbica, era meio louca, mas homofóbica não.

_ Toda a minha galeria, pode acessar.

_ Nossa, que gatosa mesmo_ Ela disse, passando as fotos.

_ Gatosa?_ Era uma palavra que Rhian não conhecia?

_ Gata e gostosa, já estou entendendo a sua aflição. Você deixou essa moça linda sozinha no Brasil.

_ Deixei. Conversamos e ela parecia de acordo com a minha vinda pra cá, mas então eu entrei no avião e aparentemente ela mudou de ideia. Ela não fala comigo desde então.

_ Eu perdi o meu namorado. Ele também disse que tudo bem, mas quando a realidade bate... É complicado. Até vocês chegarem, estávamos há quase um mês sem comunicação, o telefone consertou semana passada, é uma realidade complicada.

Não era bem o tipo de coisa que Rhian queria ouvir. Tudo era uma provação, Rhian havia abandonado seu conforto material e sentimental, estava longe das pessoas que amava, enfrentando coisas como mordidas de leão e tiros de fuzil e sim, estava fazendo isso por si mesma, para enfrentar seus próprios demônios, mas tudo seria muito mais fácil se tivesse a voz de Diana no final do dia, se tivesse uma mensagem dela sempre que conseguisse internet, mas a grande verdade é que se Diana não estava confortável, a última coisa que iria querer era dar algum conforto sentimental a Rhian.

***

Os dias se passaram com carinho de mãe disponível em Alto Paraíso. Para Diana foi muito bom poder voltar para sua cama, para o seu quarto, e mais, ter Isis dormindo ao seu lado outra vez, ter sua mãe no outro quarto. Fazia muito tempo que não tinham aquela configuração de volta, a grande verdade é que depois de formada Isis quase não havia retornado ali. A última visita não havia sido nada boa e ela e a mãe discutiram de uma forma que não parecia haver volta. Mas o que não havia volta com um ser humano iluminado como Hanna? Aquele primeiro dia foi muito a casa delas, chegaram perto do horário do almoço e Hanna mandou as meninas para horta colherem tudo fresquinho para o peixe que ela havia pescado especialmente para aquele almoço. Isis perdeu os saltos pelo caminho, sujou suas roupas sociais, Diana fez questão de sujar tudo, e quando voltaram para a cozinha, pareciam crianças orgulhosas dos vegetais que haviam colhido, felizes pelos animais que haviam visto e prontas para cozinhar com a mamãe. Era outra coisa que faziam juntas, Isis e Diana haviam aprendido a cozinhar com Hanna e desde pequenas, a cozinha sempre havia sido uma espécie de ponto de encontro entre elas, era algo que faziam juntas e adoravam, algo que Isis sentia falta demais.

Ela foi para o banho e quando voltou, Diana viu uma Isis que há muito não via: a Isis dos vestidos curtos de verão e de pés descalços no chão. Foi um dia maravilhoso, foram tomar banho de cachoeira e assistir o pôr do sol do local preferido de Diana. E as lembranças de Rhian eram inevitáveis ali. Diana voltou para casa triste, triste, jantaram juntas, conversaram mais um pouco e Hanna disse que meditariam pela manhã, que era para se guardarem para o nascer do sol. Diana olhou uma foto de Rhian no celular antes de dormir. E adormeceu com a imagem dela em sua cabeça.

Isis acordou primeiro, o sol sequer já havia nascido. Era como se seu relógio biológico tivesse GPS e se ajustasse automaticamente ao horário da vida em Alto Paraíso, acontecia sempre que ela voltava ali. Era deitar em sua antiga cama e voltar a acordar as cinco da manhã. Se pôs de pé, fez um carinho em sua irmãzinha, ela seguia dormindo profundamente, escovou os dentes, lavou o rosto e quando chegou na cozinha, sua mãe já estava de pé terminando de preparar um chá.

_ Bom dia, amorinho_ “Amorinho” é amor de passarinho, era como Hanna chamava suas meninas desde pequenas, eram seus passarinhos.

_ Bom dia, mãe_ Respondeu, a abraçando por trás carinhosamente e Hanna abriu um sorriso ao sentir. Sua menina estava mais doce ou era impressão sua? Virou-se de frente e a abraçou direito, a beijando na testa, ainda não acreditava que sua Isis estava ali. Às vezes contestava aquela sua ideia de dar o nome de uma deusa tão poderosa a Isis, sentiu desde o primeiro mês de gravidez que tinha dentro de si uma coisinha muito feroz, nomes carregam energias e ali estava, uma mulher forte desde quando ainda era uma menina, e talvez esta fosse a causa das dificuldades entre mãe e filha.

A força de Isis. Hanna nunca havia descoberto como lidar.

_ Sua irmã ainda está dormindo?

_ Está, ela demorou para pegar no sono.

_ Melhor assim, eu quero falar com você sobre ela.

Tiraram um bolo de cenoura que havia acabado de assar do forno e foram tomar café juntas enquanto o sol começava a nascer timidamente. Isis resumiu a história toda para a mãe, desde o sequestro de Rhian até os tribunais e então para a decisão de Rhian de ir se encontrar longe de Diana.

_ Eu achei mesmo que ela havia entendido e é claro que a Rhian também achou, eu tenho certeza que ela não teria ido se a Diana não tivesse apoiado. E então de repente, ela muda de ideia.

_ Diana é mimada, Isis, e não fui eu que mimei_ Ela disse sorrindo ao tomar outro gole do seu chá_ Você sempre mimou a Diana demais, desde pequena, a protegia de tudo que era possível e do que não era, lembra da história da girafa?

Isis sorriu.

_ Ela era pequena, mãe.

_ Você deixou ela acreditar até os doze anos, filha. E então, vocês foram morar com o Sergio e a superproteção dobrou, você dava tudo o que ela queria, o Sergio também, os namorados e então as namoradas, Andressa cuidava dela de todas as formas possíveis e eu nem cheguei na Rhian ainda. Acho que ela ganhou de você em mimar a Diana, Rhian sempre deu tudo o que ela queria e o que ela só pensava em querer. Mas sabe? De alguma maneira, vocês não estragaram a minha Diana_ Outro sorriso trocado com Isis_ Diana é uma mulher forte, independente, se refez em Brasília depois do rompimento com a Rhian, e se ela tiver que se refazer outra vez, ela irá, eu não tenho dúvida nenhuma. Mas ela é mimada, paciência, e é inocente, talvez ela tivesse mesmo certeza que a Rhian iria desistir.

_ Mas não desistiu. E agora ela está lá, sem saber o que pensar.

Hanna olhou para a filha.

_ Eu poderia jurar que numa situação dessas você estaria aqui tentando matar a Rhian.

Isis sorriu.

_ É, eu confesso que passou pela minha cabeça, mas ao mesmo tempo, ela tem o direito de tentar melhorar.

Hanna manteve os olhos em sua filha mais velha.

_ Tudo bem, tem algo bem diferente por você, quer contar pra mim ou...?

Sua mãe sempre sabia de tudo.

_ Eu quero contar sim.

Diana acordou com a risada descontrolada de sua mãe. Já havia amanhecido? Já, o sol já estava lá fora e não tinha ideia do porquê não haviam a acordado para meditar cedo. Saiu do quarto e entendeu o motivo: Isis havia contado para Hanna sobre seu namoro com Ariana e sua mãe não conseguia parar de rir! Como assim Isis havia se apaixonado por uma moça? Ahhh, a moça era Ariana, a loira bonita meio tailandesa, meio brasileira, nativamente humana de fato, aí as coisas já começavam a fazer sentido. Hanna lembrava de Ariana, da boa menina que ela era, depois do ataque de risos por nunca em sua vida inteira poder imaginar que Isis também se interessaria por mulheres, tiveram uma conversa linda sobre como tudo havia acontecido. Tomaram café juntas e Hanna começou a entender de onde a luz de Isis havia ressurgido, era daquela moça, que havia chegado em seu sítio há anos atrás com o coração tão machucado que parecia impossível de ser curado. Mas havia curado e Isis estar tão apaixonada só reafirmava essa ideia. E se esta paixão havia trazido sua Isis de volta para casa, Hanna só tinha a agradecer.

Uma vez que o motivo que havia trazido Diana para casa era justamente o contrário. Quinze dias se passaram e Ariana apareceu no sítio e Diana jamais achou que viria sua irmã correndo para alguém, porém... Foi avistar Ariana no portão e Isis saiu correndo para os braços dela e elas se beijaram como se fizesse anos que não se viam. A mão de Ariana nos cabelos de Isis, o braço enroscado na cintura dela e os beijos feitos de olhares e sorrisos tão apaixonados que falavam por si só. Diana estava feliz por sua irmã, adorava Ariana, mas ver todo aquele amor tão pulsante a deixou pior. Ariana foi muito bem recebida por Hanna e havia trazido notícias e fotos de Rhian em campo, contou as histórias que ela já havia vivido, trouxe mensagens dela para Diana. Não, Diana não queria ouvir, não queria saber, não quis ver as fotos, quis apenas correr para o quarto de sua mãe e ficar lá com seus pensamentos até dormir. Sua mãe apareceu depois do jantar, disse que dormiriam juntas, que era melhor deixar o outro quarto para que Isis e Ariana tivessem alguma privacidade e a conversa foi longa, longa demais. Sua mãe lhe explicou novamente todos os motivos de Rhian, pediu tolerância, paciência, Diana precisava ter, sabia, mas de alguma forma...

Ariana passou quatro dias no sítio, e precisava voltar para o Rio. Já tinha passagem comprada, precisava voltar a trabalhar, tal como Isis precisava voltar para Brasília e retomar sua rotina. E Diana, Diana precisava decidir a sua vida. Subiu até o seu mirante preferido, aquele onde costumava esperar a girafa passar, aquele que tinha aquela visão só sua, aquele onde finalmente, havia aceitado o pedido de casamento de Rhian. E o motivo de ter subido ali era que queria olhar para ela. Havia pego o celular de Isis escondido, sabia que as fotos de Rhian estavam ali, que os recados que ela havia enviado também estavam e Diana precisava, precisava olhar para ela. Acessou as fotos e foi inevitável um sorriso escapar. Eram fotos de Rhian cuidando de crianças, contando histórias, realizando atendimentos, ela havia ido como assistente, mas aparentemente andava atuando como médica, Diana foi passando os arquivos e chegou nos vídeos, Rhian palestrando sobre nutrição, sobre cuidados básicos de higiene, em francês! Ela falava francês, mas Diana não fazia ideia de que era tão bem, o que mais ainda não sabia sobre Rhian? Era como se ela pudesse lhe surpreender pra sempre. Chorou entre um vídeo e outro, entre as fotos e os bilhetes que ela havia lhe enviado, eram bilhetes mesmo, escrito à mão, e então fotografados. Ela não lhe pedia nenhuma explicação de seu sumiço, só lhe contava de seu dia e reforçava que a amava. Que era a coisa que mais amava no mundo e se estava ali no meio do nada, era pra fortalecer este amor.

_ Então sequestrou meu celular?

Era Isis. De shorts curtos, moletom, descalça porque aparentemente seus pés ainda tinham as “crostas do mato” e suportavam bem seu andar descalço. O sol iria se pôr em breve, a brisa estava suavemente fria e o calor de Isis sentando ao seu lado caiu muito bem.

_ Você viu os vídeos?_ Perguntou Diana com os olhos cheios.

_ Casas de barro, crianças carentes, pessoas precisando de ajuda, Rhian ajudando, palestrando em francês, eu vi sim. Como você pode estar brava com esse ser humano, hein?

_ Eu não estou brava, só estou sofrendo.

_ Ela também está. Diana, ela foi enviada para um lugar sem saneamento básico, onde divide o banheiro com quase quarenta pessoas, a água é escassa, a comida também, é um tratamento de choque contra as rachaduras emocionais que ela adquiriu, tem que ter muita coragem para se fazer algo assim. Mas então ela está lá se curando de antigas feridas e você está aqui, causando uma nova.

_ Eu preciso de um tempo, Isis. Um tempo para me habituar com essa realidade outra vez de ficar longe dela. Não foi fácil da primeira vez.

_ Eu sei que não foi. Você já sabe o que vai fazer? Ariana está voltando para o Rio amanhã, você devia voltar com ela.

_ Eu não vou, Isis. É sério, não vou ficar naquele apartamento, vivendo os planos que eu fiz com a minha esposa, eu não deveria estar sozinha nesses planos. A Andressa mudou para o Rio, pediu transferência para lá enquanto a Kiria cumpre pena, eu posso ficar no nosso apartamento em Brasília. Eu dei uma olhada em cursos em Brasília, eu posso cursar o que eu queria por lá, ou fazer pós na minha área, afinal eu adoro o que eu estudei também, posso me especializar em segurança, tratados internacionais, ações humanitárias, a gama de oportunidades é imensa.

_ Você realmente não vai voltar para o Rio?

_ Não vou.

Não voltou. No dia seguinte elas voltaram para Brasília, Isis deixou Ariana no aeroporto já marcando o próximo encontro delas, dali há quinze dias Isis ia vê-la no Rio, e as promessas eram lindas de se assistir, e mais lindas se tornavam ainda com a certeza de que seriam realizadas. Elas ainda não tinham um plano para seguir aquele namoro, mas sabiam que ele seguiria. Se deram um tempo, Ariana queria mudar para Brasília, tentar concursos por lá, mas Isis queria calma. Não era justo que Ariana saísse assim, abandonando seu emprego, seu apartamento, sua família, calma, pediu a ela, e garantiu que arrumaria uma solução. Ariana não se sentiu à vontade com aquela resposta. Mas se agarrou na próxima visita de Isis, se ela fosse, significaria que era mesmo isso que quis dizer, não que ela já estava pensando em deixá-la. Decidiu confiar em sua namorada, ponto. E Diana decidiu confiar em si mesma. Sua mãe tinha toda razão, Diana podia recomeçar outra vez.

Isis a deixou na porta de seu antigo apartamento. Diana pegou sua mochila, olhou para o prédio, lembrando da última vez que havia estado ali. Havia sido tão intempestiva. Falou com o porteiro, subiu, viu alguns vizinhos antigos, sorriu, entrou no apartamento. E era esquisito mesmo. Estar ali de volta depois de seu divórcio com Andressa, estar ali de volta depois de ter reencontrado Rhian e pedido ela em casamento. Ok, tudo bem, havia voltado com os vídeos, as fotos e os bilhetes de Rhian em seu celular, ela estava encontrando seu próprio caminho e Diana faria o mesmo, iria recomeçar. Iria sim.

Recomeçou na próxima segunda-feira. Imprimiu seus currículos, ligou seu antigo carro e foi andar atrás de emprego. Diana tinha um currículo muito forte, sabia, e também sabia que sobre o escândalo do caso de Rhian, as pessoas lembravam sem titubear do nome Kier, mas seu Ferraz passava quase despercebido. Foi até a faculdade também, era final do mês de junho, julho abririam matrícula, poderia ingressar se quisesse. Manteve o silêncio a respeito de Rhian. Apesar dela ainda ligar, e enviar mensagens, cada vez com menos regularidade. Diana sentia-se tentada a responder sempre. Mas a verdade que ainda não se sentia bem para fazer isso. Diana poderia colocar o e-mail dela no blacklist, podia bloquear o número no aplicativo de mensagens, poderia sequer abrir o que ela enviava, mas não conseguia. E isso deixava Rhian mais tranquila do outro lado. Apesar do silêncio doer todas as noites quando ia dormir e de não conseguir parar de pensar em Diana.

Diana não arrumou um emprego, mas vários empregos. Começou a trabalhar como consultora em várias empresas de segurança e também passou a prestar serviços em ONGs ajudando com documentações e interpretações de tratados internacionais. Desistiu da faculdade de geociências por enquanto e mergulhou em um MBA. Sua turma de Defesa e Gestão Estratégica Internacional era a primeira formada no país inteiro, decidiu investir nisso antes de decidir realmente mudar de carreira. Diana se manteve ocupada, mergulhou de cabeça em sua extensão em direito humanitário internacional, Amelie a ajudava sempre (sim, ela não havia voltado para Grace Bay, mas havia mudado do hotel em Copacabana. Agora ela andava residindo entre a cobertura de Rhian na Barra e o apartamento de uma determinada delegada no Flamengo), Isis também, e o namoro dela com Ariana seguia absurdamente firme. Elas se viam de quinze em quinze dias, Isis andava trabalhando muito, estudando bastante, ela iria tentar concurso para juíza, estava decidida, não andava sendo fácil ficar longe de Ariana, Diana podia notar, mas também andava sendo uma forma de Isis... Ter certeza de tudo. E cada vez que elas se reencontravam, mais certeza ela tinha e menos queria ficar longe de sua namorada. E estava na hora de Ariana ir embora outra vez. Elas se beijaram na porta do apartamento de Diana e Ariana se despediu, deixando Isis com o coração na mão.

_ Isis, eu estou tentando entender.

_ O quê?

_ Você estudando pra passar em concurso. É como pôr uma âncora onde você deve ficar. Aí você diz que não quer que a Ariana saia do Rio de Janeiro, mas está incentivando ela a aceitar a proposta do hospital universitário lá no Rio, eu não estou te entendendo.

Isis sorriu.

_ Confia em mim, Diana.

_ Eu confio. Mas quero deixar claro que se você for má com a Ariana, eu vou ficar muito, mas muito furiosa com você.

_ Como assim está do lado da Ariana agora, hein?

_ Ela é melhor pessoa que você_ Falou, fazendo sua irmã rir.

_ Obrigada pela parte que me toca_ Disse, se sentando perto dela_ Notícias de Harumi?

_ Sim, estou falando com ela agora. Ela está me dizendo que a Kiria desabou, é como prender um cavalo selvagem, ele vai ficar doente uma hora ou outra, as coisas estão difíceis.

_ Aparentemente a coisa só está fácil para Amelie. Aposto que ela vai acabar casando antes de todas nós.

_ Eu não duvido. Nem noiva eu tenho no momento.

_ Diana..._ Isis suspirou_ Já fazem quase três meses.

_ Eu sei. Eu conto os dias, Isis_ E simplesmente saiu da sala.

***

Três meses. Rhian estava completando três meses de serviços em Diffa naquela exata noite. E desde então, nenhuma mensagem de Diana, nenhum e-mail, nenhum sinal que fosse. Rhian olhava mais uma vez para as fotos em seu celular, eram seu único conforto no final do dia, sentar no banco de madeira que havia na frente da casa de apoio, olhar as estrelas do Níger e contemplar a namorada que aparentemente, havia mesmo perdido. Era difícil, tudo se mostrou mais difícil do que Rhian podia imaginar. Depois do ataque de leão, já havia atendido mordidas de hiena, de babuínos, visto o resultado de um ataque de rinoceronte, mas o pior, era o que o próprio homem causava. A violência do Boko Haram contra mulheres e contra crianças, a violência da natureza, da escassez de água, de alimentos básicos, passou fome por duas ou três noites, e por muitas mais passou por crises de consciência ao ter o que comer em casa, enquanto sabia, haviam crianças morrendo de fome há poucos metros dali. Era tudo muito difícil. Não sabia bem se teria preferido seu cargo de assistência ao de médica que havia recebido pelo seu “heroísmo” contra o ataque de leão, mas honrava a confiança todos os dias tentando o seu melhor. Mas toda vez que via uma criança cruelmente desnutrida se abalava. E precisava ser forte para as outras situações que vinham pela frente, Rhian era uma líder nata, descobriu mais sobre isso ali, era o rosto firme das emergências mais inesperadas e podia estar em pânico por dentro (a maior parte do tempo), mas ninguém via.

Outra dificuldade havia sido se habituar ao quarto pequeno, ao beliche quente, a cama desconfortável ou suas colegas de quarto barulhentas. A fila para o banho também era um tormento, e os dias sem água ela sequer citaria. Usar o mesmo banheiro que quase quarenta pessoas lhe fez de refém por muito tempo, mas depois de andar um pouco por Diffa e ver crianças tomando banho nas águas barrentas e cheia de coliformes fecais dos lagos quase secos da cidade, parou de se importar e passou a agradecer. Rhian se envolvia nos atendimentos de emergência e também decidiu ajudar no projeto de saneamento básico do campo dos refugiados, sua fluência em francês também lhe favorecia demais (era a língua oficial do Níger), dava palestras para as crianças sobre higiene dental básica, andava pedindo ajuda a Laís (odontóloga em atividade) a respeito de dicas sobre o que podia fazer com o que as pessoas tinham disponível e já havia feito mais de duas doações em dinheiro para o projeto de uma escola. Uma escola era mais do que um lugar de educação, era uma segurança, um fio de esperança no meio do nada.

Mas ainda assim, era difícil. E o pior ou melhor, era Rhian conseguir contornar a maioria das dificuldades ao seu alcance e não conseguir resolver Diana. Havia parado de tentar, havia duas semanas. Recebia notícias dela através de Ariana, de Isis, das amigas, mas obviamente, não era suficiente. Sentia falta da voz dela, de falar com ela, de partilhar tudo o que estava vivendo, mas aparentemente, Diana não estava interessada. Não havia ficado no Rio, havia voltado para Brasília, seguido outros planos, estava trabalhando, estudando, e pior, havia voltado para o apartamento que dividia com Harumi. E Rhian não sabia o que pensar. Então pensava nela, gratuitamente. Estava lá fora, olhando as fotos dela no celular e tomando, adivinhem, água comum como se fosse uma deliciosa limonada suíça. A última água com gás Rhian havia bebido no aeroporto de Paris e estava ali, distraída com sua água e suas fotos quando ouviu a voz estridente de Lorena ecoando varanda afora.

_ Ei, leoa! A sua namorada não chama Diana?

_ O quê?

_ O administrador está dizendo que tem uma Diana na linha, que é namorada de alguém daqui, mas a ligação está muit...

Rhian saiu correndo para dentro.

_ ...ruim. Leoa?

Rhian correu pelas passagens apertadas da casa de apoio, quase passando por cima de voluntários até conseguir chegar na sala da administração, onde ficava o único telefone do lugar.

_ Telefone pra mim?_ Perguntou ao administrador.

_ Então a Diana é sua, leoa? A ligação está bem ruim, mas tenta_ Ele lhe entregou o telefone e Rhian sentiu seu coração batendo na garganta de tão forte.

_ Diana?

_ Rhian? Rhian, é você?

_ Diana, é você! É você..._ Era, mas a ligação realmente estava terrível, porém não importava. Rhian encostou a testa na parede, a ouvindo falar do outro lado e sentindo aquele batimento forte na garganta se tornando um sentido choro de alegria. Era Diana do outro lado. Era ela.

_ Sou eu_ Era, e Diana sentiu as lágrimas caindo assim que ouviu a voz dela com um pouquinho mais de clareza do outro lado_ Você-você consegue me ouvir?

_ Consigo, muito mal, mas consigo, fala mais por favor, eu preciso te ouvir.

_ Como você está? Eu peguei o número com a Ariana e hoje eu decidi ligar porque...

_ Feliz aniversário, meu amor_ Era aniversário de Diana.

Diana sorriu em meio as lágrimas.

_ Você está na minha festa_ Estava. Diana havia pego o celular de Kesnar para ligar e estava no quarto, enquanto sua pequena festa acontecia na sala. Só para amigos bem íntimos, Kes havia vindo com Maria numa paixão linda de se assistir, Ariana também havia vindo, Laís, Graziela e o marido, Harumi e mais alguns amigos de Brasília. Isis havia feito uma festinha, coisa íntima, para ver se Diana animava um pouquinho. Mas a única pessoa capaz de tal mágica estava na África, há milhares e milhares de quilômetros. Nada que o celular ilimitado de Kes não pudesse resolver e depois dos parabéns, Diana havia dito sim. Queria falar com Rhian. Eram quatro horas de diferença, mas quem sabe? Era perto de onze da noite em Diffa, mas talvez alguém atendesse. E atenderam.

_ Hum, então está tendo festa?

_ Isis me fez uma surpresa, eu estou de bermuda e chinelos na minha festa. Como você está? Fala pra mim, eu também preciso te ouvir.

_ Eu sinto a sua falta enlouquecidamente, Diana, eu não entendi nada, amor.

_ Eu não acreditava que você realmente iria embora. E quando foi... Rhian, está muito difícil sem você aqui, você não faz ideia.

Outra lágrima despencou do olho de Rhian.

_ Que coisa maravilhosa de se ouvir_ Disse, sorrindo e ouvindo Diana sorrir do outro lado. A ligação havia milagrosamente melhorado.

_ Que eu estou sofrendo é?

_ Eu quero que você fique bem sem mim, mas nunca feliz demais. Eu estou sofrendo demais, sinto a sua falta a todo momento, mas eu te disse os meus motivos, amor, as minhas necessidades, e mais, as necessidades que eu acabei encontrando aqui.

_ Eu sei, eu sei, mas eu sofro.

_ Mas me ama ainda?

_ Eu vou amar você pra sempre.

Mais lágrimas de Rhian.

_ Eu amo você pra sempre, você é a minha única garota no mundo, eu penso em você o tempo inteiro, o tempo inteiro. Eu preciso olhar pra você.

_ Mas como?_ Diana sorriu no meio das lágrimas_ Pelo o que eu entendi é mais fácil você achar um leão do que um conexão boa com a internet.

_ Estamos melhorando o acesso à internet aqui, eu comprei um notebook da última vez que fui na capital, diz que não vai sumir mais, eu preciso de você, Diana.

Diana deixou outra lágrima cair. E a ligação voltou a ficar ruim.

_ Rhian? Rhian?

_ Eu te amo, te preciso, Diana? Diana!

A ligação caiu. Diana tentou ligar outra vez, e o telefone mal tocou e Rhian prontamente o atendeu.

_ Diana.

_ Eu também te amo. Eu também te preciso. E não vou mais te deixar.

A ligação caiu outra vez. E Rhian ficou do lado do telefone, olhando para ele fixamente querendo que tocasse outra vez. Não tocou, mas não fazia mal, Rhian já havia ouvido o suficiente. Saiu daquela sala pisando no ar, flutuando numa intensa alegria que mal cabia em si. Lorena passou o braço pelos seus ombros vendo aquela felicidade.

_ Era a namorada, Rhian?

_ A minha noiva, era ela sim.

Era. Diana ficou na cama, sorrindo com o celular na mão, estava tão mais leve, tão feliz que aquela festinha surpresa que havia renegado internamente ao ser surpreendida, subitamente havia se tornado o melhor aniversário de sua vida.

 

Havia falado com sua noiva. E apesar de seu coração continuar partido, agora de alguma maneira, ele não conseguia parar de quicar em seu peito.

Notas finais:

Hoje o capítulo chegando mais cedo... Meninas, espero que tenham gostado, pq realmente foi um capítulo díficil de escrever, mas eu acredito que esse finalzinho tenha valido toda a angústia, certo!?! 

Essa semana teremos um extra tbém muito mais que especial... 'Arisis' ;) Deixem seus emails e seus comentários das impressões que este capítulo trouxe pra vcs.

 

Bjos girls! 

 

P.S: Logo mais teremos capa nova. Ebaaa!!



Comentários


Nome: Photographer_SP (Assinado) · Data: 27/06/2017 11:29 · Para: Os Motivos de Rhian

Genteeee, não consegui administrar muito bem essa viagem terapêutica da nossa preta linda caribenha. Ainda bem que nossa fé segue viva na Autora que nunca decepciona ao contrário, surpreende. :)

Diana está precisando de colo, e foi buscar em sua fada-mãe, Ísis, amigos que habitam seu coração. Minha admiração por ela, as cenas de choro e desespero, me toca profundamente, ela sentada no chão do aeroporto, enquanto pessoas "estranhas" não passam desapercebidas "alheia" a sua dor, nossa dor que sentimos junto com ela. O "príncipe" que comprou um ursinho de pelúcia, água...ela nunca estará só, amamos essa personagem forte/frágil que não se envergonha de se mostrar, se entrega de verdade....adorooooo Tessa, parabéns!

Rhian, essa "fortaleza" que nos pega assim de surpresa!!! Será? É outra dor que só compreendemos quando mergulhamos nesse mar de sentimentos. Claro que ela foi evoluindo a cada capítulo. Aquela Rhian cheia de atitude, tomando "decisões" sempre sozinha! Neste capítulo vimos uma pessoa dividindo, compartilhando decisões com sua amada. Claro que acreditei no último minuto que ela não teria coragem de deixar tudo e seguir viagem. Compreendi o quanto o nosso crescimento depende do quanto precisamos desapegar, fácil nunca é. 

Ísis e Ariana casal mais que fofis :)

Andressa não é a mesma panda. Moça corajosa!!! Hehe

Kes e a delegada Maria quanto charme, aff.

Tessa agradeço por sua gentileza sempre! Parabéns Delirium é sucesso!

Obrigada!

Beijos



Nome: camilanew123 (Assinado) · Data: 26/05/2017 11:00 · Para: Os Motivos de Rhian
Me envia o extra pfvr?

Camilanew123@hotmail.com

Obrigadaa


Nome: sophiebrt (Assinado) · Data: 17/05/2017 15:29 · Para: Os Motivos de Rhian

autora...autora....como você faz isso comigo! Quando eu penso que tudo vai se acertar... você me manda a Rhian para a Africa!!!!Eu juro que quase parei de ler a historia. Que se dane os motivos da Rhian, como a Harumi mesmo disse nada que Diana Deusa na posição obsessão numa lua de mel não resolvesse. Fiquei muito puta com a decisão, como tó levando a historia ao pé da letra, já tomei partido da Diana e já queria mandar a Rhian pra ponta da praia. Como assim ela leva o maior tempão pra reconquistar, escapa de sequestro, é inocentada dos processos e ai surta num drama louco! Se você não tivesse afirmado que ela era de escorpião eu descobriria agora, drama queen, egoismo extremo e ainda fica chocada da outra não entender. vou pensar se te perdou viu autora.



Nome: Regina (Assinado) · Data: 09/05/2017 19:52 · Para: Os Motivos de Rhian

Querida autora

Saio poucas vezes da moita, porém nessa estória maravilhosa seria impossível. Iniciei assim que você começou a postar mas não sei por qual motivo, não passei do primeiro capitulo, acho que o capitulo estava muito grande e não dei conta de fazer a leitura de uma única vez,  deixei para outra ocasião e acabou passando.

Voltei a ler por curiosidade, pois está em todas as listas de favoritos. E me arrependo de não ter seguido quando estava sendo postada, pois os intervelos das postagens me daria o tempo necessário para digerir estória tão densa.

Personagens intensos e reais, conseguiu passar a complexidade do ser humano  e do amor de forma sublime, sua escrita é primorosa e perfeita, apesar dos personagens densos consegue sutileza e leveza, teve capitulos tão perturbadores para mim, que não conseguia ler vários seguidos.

Parabéns e que você seja abençoada por todos os Deuses e anjos da sabedoria. Você é muito talentosa, muito sucesso pra você.

Ainda não terminei estou nos últimos capitulos, mas com a certeza que seus personagens me acompanharão por um longo tempo.

Por gentileza encaminha os extras reginarneves@gmail.com

Gratidão profunda por compartilhar.



Resposta do autor:

Olá Regina!

 

Primeiro, obrigada por ter saído da moita e vindo aqui me deixar este comentário tão ♥♥♥

 

Obrigada por ter voltado para a leitura! Os capítulos são de fato grandes, estou tentando trabalhar nisso para a história nova ou nunca que vou publicar alguma coisa em livro né haha Mas fico feliz mesmo que vc tenha dado outra chance a história ^^

Fico feliz demais que as personagens tenham conseguido essa conexão com vc, um dos meus principais medos em relação a esta história é que eu tinha uma protagonista bem pouco carismática, Diana é dificil, é cheia de defeitos, é impulsiva, dá nos nervos! Mas de alguma maneira, ela conseguiu se conectar e não ser destestada. Por outro lado, eu tinha a Rhian como o "objeto da protagonista", o tema desta história, e ela é o contrário, é carismática, sedutora, mas também poderia cair na antipatia das leitoras justamente por estas caracteristicas, então eu publiquei Delirium cheia de medo, justamente pela densidade das personagens e quando leio algo como o que vc me escreveu, eu tenho mais uma injeção de certeza de que no final das contas, as personagens foram vistas da maneira que eu planejei ♥

Quero saber o que vc achou quando chegar lá no último capítulo, tá?

 

Obrigada pela sua leitura!

 

Beijos!



Nome: Mariah (Assinado) · Data: 05/04/2017 03:28 · Para: Os Motivos de Rhian

Relendo e aguardando ansiosamente a próxima história!

Enquanto isso, envia por favor extra da personagem mais fofa? 

falecommariah@gmail.com



Resposta do autor:

Oieeee moça!

 

Agora não sei se já te enviei este ou não, enviei de qualquer forma haha

Se foi duplicado, desconsidere, tá ^^

Beijos!



Nome: brunafinzicontini (Assinado) · Data: 01/03/2017 19:15 · Para: Os Motivos de Rhian

OK, estou quase perdoando você por tanta maldade só por causa deste finalzinho aqui! Diana não é fácil mesmo, né? Deixar a aliança... não se comunicar com Rhian... Ai, dor no coração!

Por favor, mande o extra deste capítulo.

Obrigada!

brunafinzicontini@yahoo.com



Resposta do autor:

Oieeee Bruna!

 

Diana é uma guerra hahaha

Daí eu releio essas coisas e me convenço de que realmente, a Rhian merecia um final super feliz, só pela luta diária com a Diana ♥

 

Beijinhos! Espero que a leitura do extra tenha agradado ^^



Nome: mari86 (Assinado) · Data: 04/02/2017 21:52 · Para: Os Motivos de Rhian

Oi,

Me envia o extra por favor.

Bjs mil!

mari86rangel@gmail.com



Resposta do autor:

Oieee moça!

 

Desculpa a demora, extra enviado meu bem :)

 

Beijos!



Nome: mabi (Assinado) · Data: 28/01/2017 00:51 · Para: Os Motivos de Rhian

Eeeeextra!! Please *--*

 mariasabrina.821995@gmail.com

 

 



Resposta do autor:

Extra enviado! Boa leitura!



Nome: Midnight (Assinado) · Data: 15/01/2017 22:30 · Para: Os Motivos de Rhian

Autora, volte logo para publicar outra história.

Extra por favor: midnightgirl009@gmail.com.

Super beijo.



Resposta do autor:

Trabalhando na história nova com muito amor e carinho *.*

Espero te encontrar aqui na história nova hein ^^

Beijos!



Nome: Cristine Caetano (Assinado) · Data: 10/01/2017 21:29 · Para: Os Motivos de Rhian

Será que ainda posso ter a honra de ler um pouco mais dessa perfeição??

mello-pam@hotmail.com



Resposta do autor:

Extra enviado!



Nome: _kuonganjo (Assinado) · Data: 09/01/2017 17:51 · Para: Os Motivos de Rhian

Você poderia me enviar o extra, por favor?

laiine_moraes@hotmail.com



Resposta do autor:

Extra enviado!



Nome: LeticiaSilva (Assinado) · Data: 06/01/2017 03:31 · Para: Os Motivos de Rhian

Poderia me mandar o extra por favor? Bjs.

 

leticiacsilva@ymail.com



Resposta do autor:

Extra enviado!



Nome: LiaB (Assinado) · Data: 05/01/2017 13:59 · Para: Os Motivos de Rhian

Viciada o/ 

juliabea.costa88@gmail.com



Resposta do autor:

Mais um pouco de vício para a sua pessoa haha

Enviado!



Nome: mr_amanda (Assinado) · Data: 05/01/2017 03:53 · Para: Os Motivos de Rhian

Olá!

Solicitando extra! rs

 

mr.amandacruz1000@gmail.com

 

Beijo



Resposta do autor:

Extra enviado!



Nome: Perroni91 (Assinado) · Data: 03/01/2017 16:40 · Para: Os Motivos de Rhian

Oi.
Poderia me enviar esse extra por favor?
Obrigada  :)

marciasprates@hotmail.com



Resposta do autor:

Extra enviado!



Nome: Nany (Assinado) · Data: 02/01/2017 15:18 · Para: Os Motivos de Rhian

Oi..

 

Gostaria de receber o capítulo extra...

araujoelaini@gmail.com

 

Desde já, obrigada...

 

Bjux...



Resposta do autor:

Enviado!



Resposta do autor:

Enviado!



Nome: Saber (Assinado) · Data: 27/12/2016 01:49 · Para: Os Motivos de Rhian

f.cpaula@hotmail.com



Resposta do autor:

Enviado!



Nome: Mary (Assinado) · Data: 23/12/2016 16:26 · Para: Os Motivos de Rhian

Manda o extra, por favor. =]

mmary4999@hotmail.com



Resposta do autor:

Enviado!



Nome: Liana M (Assinado) · Data: 14/12/2016 08:13 · Para: Os Motivos de Rhian

c.melo9@hotmail.com



Resposta do autor:

Enviado!



Nome: Zuza (Assinado) · Data: 11/12/2016 07:54 · Para: Os Motivos de Rhian

Envie extra

daiane_zuza@hotmail.com



Resposta do autor:

Extra enviado!



Nome: branca13 (Assinado) · Data: 11/12/2016 04:30 · Para: Os Motivos de Rhian

ótimo capitulo 

medicina1392@gmail.com



Resposta do autor:

Enviado! Boa leitura!



Nome: Carmen (Assinado) · Data: 10/12/2016 12:48 · Para: Os Motivos de Rhian

Oi Tess! 

 

Depois da sua gentileza eu resolvi voltar e fazer um intensivo porque estava uns 8 capítulos atrasada. Geralmente eu sigo direto, mas esse capítulo eu tive que comentar. 

E pra variar, eu serei do contra. Eu entendo a atitude de Diana, mas eu não entendo Rhian. Já é a segunda vez em sua vida que ao passar por um problema difícil ela afasta Diana. Toda vez que ela tiver um problema ela vai fugir pra algum lugar distante ou vai se fechar para que Diana se sinta excluída? Pra mim ela é covarde e não sabe lidar com seus problemas. Por mais altruísta que ela esteja sendo, eu não acho justo com Diana essa atitude. Eu, sequer acho que Diana deveria ficar com sua vida em suspenso por dois anos enquanto Rhian fica a quilômetros de distância para lidar com seus problemas. Como confiar em alguém que te deixa por duas vezes ou te obriga a ir quando existe um pedido de casamento? 

 

Enfim, fiquei realmente frustrada e decepcionada com a atitude de Rhian nesse capítulo. Eu acharia lindo se ela tivesse decidido fazer algo assim por puro altruísmo, mas por covardia, eu não entendo. 

 

Pelo menos Isis e Ariana estão conseguindo se acertar! 

 

E a bonitinha da Andressa dando um exemplo de coragem ao mudar toda a sua vida para ficar ao lado de Kiria! Isso sim é ser corajosa, não fugir pro outro lado do mundo! 

 

Enfim, bjs Tess! 



Resposta do autor:

Carmen ♥♥♥

Que me perdoou e voltou pra mim, que coisa linda haha

 

Agora vamos ao comentário!

O melhor de escrever é justamente este, a discordância, a possibilidade de com uma mesma escrita, pode-se formar muitas opiniões diferentes. A história praticamente inteira se passou com a Rhian tomando atitudes que a maioria isentava, encontrava justificativa, porque ela é de fato uma personagem controversa porém muito carismática.

Ela foi absolvida de quase tudo, até aqui. Até tomar uma atitude extrema não só contra si mesma, mas tbem contra a Diana. Eu concordo com a sua opinião. E acho que a própria Rhian tbem irá concordar mais para frente, apesar da positividade de tal atitude :)

Outra coisa: coragem e covardia são muito, mas muito próximas. O suicidio por exemplo, é visto como um ato de covardia, mas pra mim, é um ato de muita coragem. Como se comete suicidio sem coragem? A vida é a coisa mais preciosas que temos. Então são coisas que se confundem, ou melhor, que ganham sua interpretação a partir da ótica de observação. Por isso, novamente, eu tbem concordo com a sua opinião e fico feliz que várias óticas tenham exergando a atitude da Rhian de maneiras diferentes ♥

Agora Isis e Ariana se acertando e a bonitinha, quem diria, agora é só coragem de pôr todas as coisas no lugar para ser feliz com a Kira *.*

Beijos! É muito bom tê-la de volta com suas opiniões inteligentes *.*



Nome: tata_rj (Assinado) · Data: 09/12/2016 21:03 · Para: Os Motivos de Rhian

Extras... Pleeeease, os extras! freitas.taize@gmail.com



Resposta do autor:

Extra enviado!



Nome: Maria Flor (Assinado) · Data: 09/12/2016 06:38 · Para: Os Motivos de Rhian

Oi, Tess!!!

Gente, adorei todo o capítulo. Já te disse que durante a minha adolescência meu plano era me formar em medicina e ir pro MSF? Hahaha, confesso que de vez em quando ainda tenho vontade, mas falta qualificação pra ajudar lá :(

Entendi os motivos da Rhian, como já tinha dito antes, você não pode fazer alguém feliz se não estiver feliz também. Acho mesmo que ela devia procurar a paz que tanto merece.

Quanto à Diana, bem, entendo mais ainda. Dois anos passa rápido quando as pessoas se falam sempre, mas pode demorar uma eternidade quando a pessoa simplesmente some.

Vamos ver como serão os próximos meses!!!

Beijooo

Ps: quero o extra!

Ps 2: já tô quase em dia!!!! Florzinha maratonista, hahaha



Resposta do autor:

Florzinha de volta ♥

 

Eu tenho paixão pelo MSF! Tbem queria muito ter uma qualificação aceita, que pudesse ajudar. Como não temos, nos restar doar!

Rhian saiu em busca da sua paz interior, da limpeza dos seus sentimentos, não tem como fazer a Diana feliz antes de conseguir isso ^^ E tbem entendemos a Diana, ela não aguenta mais, está pronta para ser feliz, mas enfim

Beijos!

Extra enviado e dona Florzinha engolindo os capitulos rapidamente haha



Nome: Line10 (Assinado) · Data: 08/12/2016 03:10 · Para: Os Motivos de Rhian
Parabéns autora historia maravilhosa Demorei mais consegui chegar antes do fim kkkk e agora só falta ler os extras rsrsrs super ansiosa

Sant_seya@outlook.com

Resposta do autor:

Enviado!



Nome: Lenah Amaral (Assinado) · Data: 01/12/2016 23:55 · Para: Os Motivos de Rhian

Olá ! 

Na fila do extra!!!

Bjoss

lenahamaral@gmail.com 



Resposta do autor:

Oieee moça!

 

Mais um enviado!

Desculpa a demora, viu :/

Ando me enrolando :/

Beijos!



Nome: Livian (Assinado) · Data: 01/12/2016 18:05 · Para: Os Motivos de Rhian

Muito bom

Extra:livianmalz@gmail.com



Resposta do autor:

Enviado!



Nome: Anjo_steh (Assinado) · Data: 01/12/2016 04:12 · Para: Os Motivos de Rhian

OlaTessa passa do pra deixar meu e-mail pro extra stefany.candida@gmail.com



Resposta do autor:

Extra enviado, moça!

Boa leitura!



Nome: Anjo_steh (Assinado) · Data: 01/12/2016 04:06 · Para: Os Motivos de Rhian

OlaTessa passa do pra deixar meu e-mail pro extra stefany.candida@gmail.com



Nome: isa_bela (Assinado) · Data: 27/11/2016 23:36 · Para: Os Motivos de Rhian

Rhian é intensa, como uma tempestade. Talvez pra algo mudar dentro dela precise ser tão intenso e avassalador quanto a essência dessa mulher. E ela foi atrás disso!! O extremo da objetificação da vida, onde a dignidade humana não tem valor algum... Quando nos deparamos com as mais extremas realidades que nossos irmãos vivem, algo pode mover-se dentro da gente. E bem, ela escolheu o continente africano, mas aqui, no nosso país, o extremo se apresenta das mais diversas formas e são invisíveis a maioria de nós. Quando somos capaz de enxergar o sofrimento do outro, quando saímos do nosso interior e encaramos a vida, desfocamos do nosso ego e vemos o quão pequeno somos é que a nossa dor pode diminuir drasticamente. Porque percebemos que o que passamos não é nada comparado a outras vidas e histórias? Eu aprendi isso num limite da vida, no limite da dor enxergar alguém mais necessitado que eu, uma dor maior que a minha, e assim aprender a ser grata... Foi uma senhora surra que a vida me deu, mas eu aprendi tanto e me libertei um pouquinho!

Eu demorei a comentar esse capítulo e acho que você já percebeu porque hahahahaha

Adoro o que a senhorita escreve e a forma precisa que você expõe muitas coisas nas entrelinhas! Bjo Tess



Resposta do autor:

Oieeee Isa ♥

 

Rhian é uma tempestade, e daquelas barulhentas. Uma tempestade que chove em cima de todas as coisas e quase nunca é atingida por nada. Ao menos ela acreditava que era assim, tal como acreditava no valor que dava para as coisas erradas, tal como tinha uma realidade irreal que acreditava ser a correta e assim, se perdeu, dentro da própria tempestade que ela é. Só algo grande no mesmo nível poderia resolver os problemas que ela tinha por dentro, e ela foi atrás desta outra realidade, uma realidade de verdade, em que o valor é dado para o mais básico do básico dos direitos e necessidades.

Rhian levou a mesma surra que vc nos descreveu aqui, achou dores maiores, problemas maiores, traumas maiores e de repente, a maior parte do que ela considerava problemas, diminuiu, ou simplesmente desapareceu.

Entendi sua demora sim haha E me sinto honrada de ter conseguido através da escrita de um capitulo, acessar semelhanças em vc. Isso dá a veracidade necessária para que uma história tenha créditos. Obrigada por isso ♥

E acho que já te agradeci, mas vou agradecer de novo: obrigada por ler as minhas entrelinhas tão bem *.*

Beijos!



Nome: anamacedinha (Assinado) · Data: 26/11/2016 22:24 · Para: Os Motivos de Rhian

Extra.

analuiza.mcdc@gmail.com



Resposta do autor:

Enviado!



Nome: Suzi (Assinado) · Data: 26/11/2016 00:25 · Para: Os Motivos de Rhian

Oi moça linda,

Como você pediu passei para deixar o email para o extra: suzi.bauela@gmail.com



Resposta do autor:

Extra enviado, Suzi, boa leitura!

Beijos!



Nome: Aelis (Assinado) · Data: 25/11/2016 21:53 · Para: Os Motivos de Rhian

O extra por favor! priscila.lucia@gmail.com



Resposta do autor:

Extra enviado!



Nome: Chris V (Assinado) · Data: 24/11/2016 16:17 · Para: Os Motivos de Rhian

Oi, quero mais um. Pode? kkkk

chrisv_xxi@outlook.com

Beijo



Resposta do autor:

Pode todos hahaha

 

Enviado! Beijos!



Nome: Ana_Clara (Assinado) · Data: 24/11/2016 01:03 · Para: Os Motivos de Rhian

Por mais que eu tenha sentido a separação, eu realmente consigo entender a Rhian... Essa confusão interna, essa necessidade de buscar a paz e não saber onde encontrá-la, puxa, como proceder numa situação como esta?! Por mais que exista o amor maior do mundo, eu acredito que a cada dia a Rhian se destruiria ainda mais e com certeza depois de ler mais de 40 capítulos não é isso que imaginei para a minha heroína. Então, se for para ter uma separação de 2 anos, mas no final ela estar em paz com ela mesmo e com a mulher da vida dela... Que venha a África!!!!



Resposta do autor:

Rhian  esgotou todas as possibilidade de conseguir a paz perto da Diana, mas as lembranças amargas demais, os sentimentos ruins não permitiriam que ela encontrasse outra solução a não ser o isolamento :/

Rhian não pode se destruir, tem que se reconstruir, foi o que a nossa heroina foi fazer na Àfrica ♥



Nome: luba (Assinado) · Data: 23/11/2016 15:43 · Para: Os Motivos de Rhian

Extraaaa?? Eu quero, rs. Acho que não pedi esse :) 

lubsvalamiel@gmail.com 



Resposta do autor:

Extra enviado!

 

Beijos!



Nome: Melissa312112555 (Assinado) · Data: 22/11/2016 15:43 · Para: Os Motivos de Rhian

MDS!! Duas semanas sem internet e sem tempo, e quando volto tem dois caps GIGANTES pra eu me deliciar!! Definitivamente Delirium é minha história favorita. Vai ser mais uma história maravilhosa que quando acabar eu vou passar um bom tempo me lembrando de detalhes, de diálogos, descrições que me fizeram imaginar lugares belíssimos e muito provavelmente vou reler várias vezes até decorar como se faz com um filme bom! Tessa, adoro tua escrita vejo como uma simplicidade extremamente cuidadosa!   Enfim, quero sempre mais um pouco dessa história MARAVILHOSA! melissa_flavia1115@yahoo.com

 



Resposta do autor:

Melissa passando por abstinência e quando voltou, quase overdose de Delirium hein haha

Vc realmente pegou dois capitulos enormes!

Honrada com a sua releitura viu? Ainda mais quando vc me cita todos os detalhes que eu achei que poderia tornar a história cansativa, o número de detalhes, os dialogos mais longos, a descrição do cenário *.* Obrigada por curtir Delirium em todos os seus detalhes ♥

Extra enviado!

Beijos!



Nome: Greice (Assinado) · Data: 21/11/2016 05:10 · Para: Os Motivos de Rhian

Simples, verdadeiro e emocionante... Como não amar ainda mais elas, depois desse capítulo? Chorei litros antes da Diana resolver ligar, mas tudo bem, faz parte.

Fã incondicional dessa história. 

Como de praxe: Greicepazvargas@gmail.com 



Resposta do autor:

Capitulo para ler com o coração na mão, né, essas duas acabam com a gente ♥

Obrigada pela sua leitura sempre!

Beijos!



Nome: RSecret (Assinado) · Data: 18/11/2016 20:34 · Para: Os Motivos de Rhian

Tessaaa, desculpa o atraso mas eu quero o extra ta? Manda lá Raissa.remboski@gmail.com



Resposta do autor:

Não se preocupe, Raissa, sempre dá tempo de se receber um extra!

Enviado, moça, boa leitura!



Nome: Ingrid Akron (Assinado) · Data: 18/11/2016 16:24 · Para: Os Motivos de Rhian

Email- ingrid.555@hotmail.com 

 

:)



Resposta do autor:

Extra enviado, Ingrid!

 

Beijos!



Nome: melissa (Assinado) · Data: 18/11/2016 16:20 · Para: Os Motivos de Rhian
vc pode por favor me mandar esse extra pra mim...
abacatebatido@gmail.com
obrigada...

Resposta do autor:

Extra enviado!



Nome: AzumaDelRey (Assinado) · Data: 18/11/2016 05:11 · Para: Os Motivos de Rhian

Perfeito... Quero o extra.

azumadelrey@gmail.com



Resposta do autor:

Extra enviado, moça!

Beijos!



Nome: salesbeta (Assinado) · Data: 18/11/2016 03:34 · Para: Os Motivos de Rhian

Gostando cada vez mais desta história linda.

Aproveito para pedir o extra do capítulo 47 Arisis a moça de Bangkok.

Email: justinbeta@hotmail.com

Obrigada



Resposta do autor:

Oieee moça!

 

Extra enviado, espero que a leitura agrade!

 

Beijos!



Nome: Celli (Assinado) · Data: 17/11/2016 04:41 · Para: Os Motivos de Rhian

bom.ler82@gmail.com



Resposta do autor:

Enviado!



Nome: deni (Assinado) · Data: 17/11/2016 03:00 · Para: Os Motivos de Rhian

Please extra.

adenicebae@yahoo.com.br



Resposta do autor:

Extra enviado!



Nome: _Juh_ (Assinado) · Data: 16/11/2016 04:17 · Para: Os Motivos de Rhian

Boa noite 

como sempre otimo capitulo anciosa para proximo

 

ju_bondezan@hotmail.com



Resposta do autor:

Oieeee Juh!

 

Extra enviado!



Nome: isa_bela (Assinado) · Data: 13/11/2016 04:47 · Para: Os Motivos de Rhian

Você me deixou sem ter o que falar... Nossa! Eu vou digerir isso tudo que me afetou e volto amanhã!



Resposta do autor:

Mas como assim eu te deixei sem palavras, moça Isabela? O.o

Aguardando para saber se isso é bom ou ruim viu, não faça que nem a Di e me deixe sem resposta haha

Beijos!



Nome: miley (Assinado) · Data: 13/11/2016 02:20 · Para: Os Motivos de Rhian

olha eu aqui de novo rs mandei o email errado o certo é miley22martins@gmail.com



Resposta do autor:

E-mail corrigido! haha

Beijos!



Nome: miley (Assinado) · Data: 13/11/2016 02:18 · Para: Os Motivos de Rhian

oi tessa td bem?  passando aqui pra te dar os parabéns pela história maravilhosa,comecei a ler a pouco tempo e não conseguir para mais..muito viciante PS:vc poderia me mandar os capítulos extras  miley22@gmail.com

 



Resposta do autor:

Olá Miley!

 

Bem-vinda aos comentários de Delirium! Obrigada por ter comentado e obrigada pela sua leitura! adoro quando me dizem que leram tudo rapidinho haha

Capitulo extra enviado! Para receber os outros, basta deixar o e-mail no capitulo de referência que eu envio :)

Beijos!



Nome: Gabii (Assinado) · Data: 13/11/2016 00:18 · Para: Os Motivos de Rhian

Achei triste a "separação" delas, mas era necessário tanto para a Rhian, com seus problemas internos, quanto para a Diana, que precisava tomar um rumo na vida. Além do fato de que dois anos passa rapidinho...

Parabéns, Tessa! Sua história é incrível e vai deixar saudades.

anagabriela.gm@outlook.com



Resposta do autor:

Oieee Gabi!

 

A sepaação é dolorida, mas como vc disse, necessária para a Rhian. Ela quer mesmo matar todos os fantasmas e voltar inteira para a Diana :)

Obrigada pela sua leitura e pelo apoio de sempre! Extra enviado!



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