Gênesis por Bronte, Hohl


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16 de Março, 1941 – Zell am Main no Estado de Baviera, Alemanha.

Segunda Guerra Mundial

O sol, ainda tímido, nas primeiras horas da manhã, expiava por entre algumas nuvens espessas. Seus raios luminosos não era o suficiente para aquecer qualquer transeunte corajoso o suficiente para ir até a banca ou a padaria. Mas todos ali sabiam que era necessário enfrentar aquilo, esse era o horário em que sentiam uma mínima segurança para sair de casa e buscar mantimentos.

 

Os alimentos estavam ficando escasso, muito dos feirantes, iguais a mim e a senhora Sperb, que antes ocupavam um bom espaço das calçadas, agora foram reduzidos a apenas meia dúzia. Nossas tendas, mesmo que ali dispostas, também não tinham muito que oferecer. O campo não estava produzindo o necessário, sendo muitas terras abandonas por seus donos pelo terror causado por aquela guerra.

 

Era notável a fome que o povo já começava a sofrer, com o frio não dando uma trégua, era fácil ver alguns idosos morrem pelas baixas temperaturas. E até mesmo algumas crianças. Com a guerra estourando por todos os cantos, era difícil que mantimentos ali chegassem, sendo redirecionado, o pouco que tinham para os soldados que estavam no front.

 

Não como se isso fosse um caso de boa vontade nosso. Em todas as semanas soldados alemães iam até a nossa pequena cidadezinha para pegar o pouco que temos. Os que se recusavam encontravam um destino pior que a fome ou aquele frio infernal, que eu podia jurar, podia atingir até os ossos, mesmo com várias camadas de roupas.

 

Há um ano eu havia ali encontrado um lar provisório, senhora Sperb, uma viúva que morava sozinha na vila dos agricultores e já não dava mais conta de cuidar dos campos como se devia, deu-me um teto e comida em troca de ajuda com os serviços que a pequena terra exigia.

 

Eu não sabia se ainda podia sentir algo que não fosse raiva, mas o afeto que aquela senhora depositava em mim, me trazia as lembranças de minha mãe. E isso me reconfortava, era uma doce lembrança no meio de todo aquele sangue.

 

- Menina Haviva, eu esqueci o troco em casa, poderia pedir para o Mallmann, da mercearia ali do fim da rua para trocar essa nota para mim? Estou velha demais para descer e subir essa ladeira.

 

- Claro, eu vou e volto num pulo só, senhora Sperb. Cuidado com trombadinhas nos últimos dias está tendo muitos problemas com essa molecada.

 

-Claro, sou velha, mas ainda sei lhe dar com pirralho atrevido. – Os olhos tão vividos, apesar da idade me olharam com doçura, e eu sabia que seria algo que eu guardaria por anos em minha memória. – Vá logo, se não vamos perder clientela.

 

Desci correndo a ladeira, com meus oito anos recém-completados e o trabalho no campo, meu corpo tinha se desenvolvido mais rapidamente do que outras meninas da minha idade. Eu já era forte o suficiente para derrubar um menino maior do que eu. E isso me trazia certo conforto, era minha forma de imaginar que eu poderia me defender do mundo.

 

Mas naquela manhã, não importava quão ágil eu fosse, porque não era uma manhã comum. Quando cheguei à mercearia do senhor Mallmann dei uma olhada novamente para o céu com suas nuvens espessas, o sol fraco e os sussurros entre os habitantes de Zell am Main, um barulho mudou drasticamente o destino de todos.

 

E isso incluía o meu, um destino que eu mal havia consolidado ali e já estava para ser destruído.

 

Os bombardeiros Lancaster, da Real força Área, se aproximavam. Suas ordens eram o bombardeio, não importava os civis, apenas destruir o front dos inimigos. O barulho ensurdecedor de tantos aviões, não apenas espalhou o medo, o desespero... Mas tremeu todas as estruturas daquela pequena cidade em expansão.

 

Quando foram avistados, a gritaria era geral, a correria era desesperada e o choro podia ser ouvido em alguns cantos, junto com rezas de algumas senhoras. O pouco sol, que se permitia iluminar as calçadas e as copas de árvores, foi logo bloqueado por aquelas máquinas sem piedade.

 

E em 17 minutos, os mais longos minutos da vida de todos que ali viviam, 225 bombardeiros jogaram suas bombas em cima daquele povo humilde. Em cima de mim.  Foram 17 minutos em que o fogo, as explosões dominaram a cidade, a correria, os corpos aos pedaços espalhados, as tendas queimando e seus produtos esmagados pela tentativa de sobrevivência.

 

17 minutos de terror ao qual lutei pela minha vida como se me agarrasse uma fina linha enquanto via um penhasco se abrir sobre meus pés. Senti meu corpo ser puxado por um homem alto de meia idade e um enorme bigode, era o senhor Mallmann me puxando para o abrigo de sua mercearia.

 

Mandou-me eu me deitar embaixo do balcão, o que prontamente fiz. E quando dali sai, foiapenas para ver a pessoa que me salvara caída no chão, como uma sacola esquecida. Sua camisa branca de linho manchada pelo sangue que se esvaía do seu corpo intacto na parte superior, mas totalmente destruído na parte inferior.

 

O desespero, a correria, ao sair daquele lugar semidestruído, eu percebi não muito adiantaram, 85% da cidade havia sido colocada a baixo, seus anos de prosperidades haviam se transformados em escombros e pilhas de corpos em menos tempo do que haviam levado para ali chegar. O pouco que sobrou, as poucas pessoas que sobreviveram, olhavam tudo com espanto, choque e a dor de ver entes queridos tão brutalmente mortos. Jogados no chão como simples animais mortos.

 

Eles, sem ao menos estar envolvidos, foram tragados pela guerra. E perceberam isso, não pela fome, não pelo medo... Mas pela dor de ver o sangue escorrer pelas pedras sujas da rua central.

 

Os aviões, do mesmo modo que chegaram, foram embora. Eram apenas mensageiros do caos. Quando a notícia do que ali havia acontecido chegou a Wehrmacht, Führer Hitler ordenou que a OKH, com o General Oberst Fritz Manteufell, fossem imediatamente transferidos para lá, com auxílio da Luftwaffe. Era um homem de confiança para um caos que exigia frieza.

 

Eu caminhei por entre corpos em todos os tipos de estado, alguns ainda lutavam contra as feridas, mas eu sabia que em pouco tempo, o sofrimento seria ceifado com a chegada da morte. E da mesma forma que vi os diferentes estragos causados naqueles corpos frágeis, ela viu que eles também eram diferentes... Mas claro que era ninguém era igual, mas a diferença que eu notei eram as dos corpos infantis destruídos, maculados de forma tão cruel. Crianças como eu, mutiladas.

 

Eu queria chegar o mais rápido a tenda onde eu costumava ficar com a senhora Sperb, mas senti meu tornozelo sendo segurado. Quando olhei para baixo, uma jovem moça me olhava em súplica, e em seus olhos castanhos a dor latente do estrago feito em seu corpo. Mas também o desespero.

 

- Por... por favor, ajude-me. – Ela dizia tudo com dificuldade, tossindo sangue que escorria livremente por sua pele tão branca. E eu, não sabia o que fazer, não poderia ajudá-la como ela desejava. – O meu bebê... meu bebê salve ele.

 

Os olhos castanhos desconectaram dos meus e olhou para seu colo, onde um pequeno embrulho estava alojado. Eu não sabia o que fazer, mas no automático, eu me agachei e abri devagar o pequeno pano que o cobria. E o que eu achei, não estava preparada para ver nem se já estivesse mais velha. Uma bela menininha loira estava arroxeada, os olhos iguais os da mãe abertos e em seu pequeno tórax notei o pedaço de metal que havia atravessado seu pequeno coração.

 

Olhei para o lado e olhos desesperados me olhavam, como eu diria para aquela pobre mãe que estava morrendo que sua pequena bonequinha tinha ido antes mesmo que ela? E ainda, de uma forma tão dolorosa.

 

- Ela está bem, só preciso tirá-la daqui, posso pegá-la? – Eu menti e sabia que isso não faria diferença, só daria paz para uma pessoa morrer tranquilamente, sem mais sofrimentos do que já tinha.

 

Quando recebi um aceno positivo de cabeça, peguei o pequeno embrulho com cuidado e ajeita nos meus pequenos, mas fortes braços. E dando uma última olhada percebi que aquela jovem mulher já abraçava a morte, mais tranquila, pois achava que sua filha estava bem.

 

Mesmo sabendo que já não tinha mais necessidade daquele teatro, eu aninhei ainda mais o embrulho contra meu corpo, aquele pequeno ser merecia algo melhor do que ser jogada na traseira de um caminhão cheia de vísceras e parte humanas. Não merecia tratamento tão desumano.

 

E com o bebê em meus braços segui em busca da senhora Sperb, quando cheguei perto de nossa tenda, pude ver nossos legumes e verduras espalhados pelo chão, a maioria pisoteada na correria para ver quem se salvava. Chegando mais perto ainda, pude ver o corpo miúdo, magro e branco da minha protetora até aquele momento.

 

Os olhos azuis, minutos antes cheios de vida, agora estavam opacos e olhavam fixamente para algum ponto, seu braço esquerdo fora amputado pela pressão da pedra ao cair sobre ela, via no dedo anelar a aliança que ela ainda exibia com orgulho. Agachei-me perto do corpo, fechei seus olhos e retirei a aliança de sua mão, era um bem precioso de mais para ser jogado em uma vala rasa.

 

Eu olhava para aquela mulher tão forte sem vida e não conseguia acreditar, meus olhos apenas desviaram para o pequeno sorriso que ela detinha em seus lábios rachados pelo frio. Seu outro braço parecia querer alcançar algo ao longe, olhei, mas nada vi. E eu sabia muito bem que aquele sorriso era por ela achar que logo estaria com seu amado Hebert.

Suspirei antes de conseguir pensar no que fazer, o que antes eu estava chamando de lar

provisório, agora tinha se transformado em uma pilha de entulhos. Eu precisava chegar à casa da senhora Sperb, pegar algumas roupas e ir margeando o rio Meno até achar um local seguro. Era arriscado demais esperar os soldados deixarem a cidade naquela casa, eles iria até lá buscar alimento se encontrasse alguém.

 

Cortei meus pensamentos quando ouvi o barulho de carros e caminhões se aproximando. Era o Heer, o exército alemão. E acima de minha cabeça aviões da força área alemã sobrevoava aquele caos. Não poderia ficar mais ali, tinha que fugir. Corri por um beco escuro ao lado de onde ficavam as tendas, após passar por algumas casas e invadir um jardim, cheguei à pequena floresta que margeava a cidade. Antes de desaparecer, eu dei mais uma olhada, agora já podia ver os soldados se espalhando pelos escombros com grandes armas nas mãos.

 

Eu caminhei por horas pela floresta esperando não ter sido seguida casso vissem minhas pegadas na terra, depois de uma hora ziguezagueando parei aos pés de uma grande árvore de copo frondosa, abaixei o pequeno embrulho e mais uma vez dei uma olhada naquela linda menininha. Em um medalhão barato e pequeno, vi o nome Dania gravado. Um lindo nome para uma linda menina.

 

Mas eu não tinha muito tempo, com a cidade lotada de soldado, era complicado ficar parada na mesma localização por horas. Então, me pus a cavar uma cova, não podia ser tão rasa, os animais selvagens achariam ali um prato cheio.  O sol agora já esquentava um pouco mais, mas mesmo assim, ainda não era o suficiente diante daquele frio.

 

Com minhas próprias mãos comecei a cavar a terra úmida, acho que fiquei assim por uma hora e meia até me dar por satisfeita. Peguei o bebê, retirei aquele medalhão delicado e cobri seu doce rosto com o pano que tinha como manta. Coloquei-a com cuidado naquele buraco improvisado. Fiz uma prece para ela e logo vi seu pequeno corpo ser coberto pela terra escura.

 

No final, peguei o canivete que carregava comigo e talhei na grande raiz da árvore o nome dela. Não era um enterro digno, mas era melhor que a outra realidade que os corpos já estavam sofrendo.

 

Quando reiniciei minha caminhada pude ouvir o barulho de tiros e sabia o que isso significava:judeus. O dia estava chegando ao fim e até a trilha que eu tinha que pegar até a casa da senhora Sperb ainda tinha três quilômetros a serem percorridos.

 

Carregando o medalhão em minha mão suja, ignorando o cansaço, a fome, a sede e a tristeza, andei o mais rápido possível naquele terreno irregular. Porém, no meio do caminho, perdi o ritmo, meu corpo já não aguentava manter mais o mesmo ritmo que antes. No entanto, parar para descanso não era uma opção quando se tratava de sobrevivência.

 

E foi numa recuperada de fôlego rápido que notei uma clareira ao leste de onde eu estava. Ela estava sendo iluminadas por fortes luzes vindas dos caminhões que transportava tanto partes humanas como prisioneiros. Eu pude notar a movimentação de soldados que rodeavam alguns prisioneiros.

 

Meus olhos agora olhavam tudo como uma atenção desesperadora e ainda mais cautelosa, se eu não tivesse cuidado para sair dali, poderia acabar no meio daquela turma. Observei quando um soldado chegou perto de um Oficial de mais alta patente lhe fazendo reverência.

- General Oberst Fritz Manteufell, sou soldado Ewald, o que faremos senhor? – O atarracado

soldado, que já demonstrava o cansaço de quem já estava tempo demais na guerra, tentava se manter ereto enquanto aguardava a resposta de seu general.

 

Manteufell, esse bastardo filho duma meretriz de novo?

 

Tive que controlar a raiva, apesar de minha pouca idade, sabia que se quisesse atingir meu objetivo, não seria ali e nem num arroubo desenfreado de raiva.

 

- Jogue as pás, mande-os cavar e depois fuzile a todos. – A voz grossa, sem emoção, dera aquela ordem como se fosse um simples pedido de pãozinho na padaria.

 

Eu queria ir embora dali, mas não conseguia tirar os olhos dos quatro homens, duas mulheres e duas crianças que cavavam suas próprias covas. Será que seus pais e seus irmãos teriam passado por aquilo ou ainda estariam vivos em algum campo de concentração?

 

Eu vi quando uma das crianças, tentando defender os pais, correu em direção ao general, ela gritava e ofendia, quando tentou acerta-lhe um soco, recebeu um tapa no pé do ouvido, quase perdendo os sentidos e indo ao chão. Onde aquela pequena criatura foi  chutada várias vezes de forma brutal para uma criança daquela idade.

 

Senti meu sangue ferver, dei as costas e ia seguindo meu caminho novamente, porém o barulho das armas me alertou do que iria acontecer e mais uma vez meus olhos foram presos naquela cena de terror.

 

E foi do mesmo lugar que vi as covas serem cavadas por todos, foi dali também que vi a criança toda machucada  ser colocada junto a sua mãe e, também foi dali, que os tiros acertaram aqueles corpos frágeis por várias vezes, até que caíssem em suas covas. O sangue respingando na folhagem verde ao redor daquele massacre. 

 

Foi assim, que eu vi aquelas pessoas, uma família como a minha era, pequena, mas cheia de amor, ser dizimada pelo ódio. De uma forma tão brutal. Em sua mente via os corpos pequenos das crianças serem atingidos várias vezes, o sangue lhes escorrer pela pequena boca, os buracos da bala macular aqueles pequenos corpos frágeis e o sangue tingir rapidamente as roupas.

 

Continuei imóvel ali por um bom tempo, minhas pernas não conseguiam me obedecer, seguir o caminho que era para seguir. E foi nesse dia que percebi que com amor, eu não conseguiria nada, teria que ser pelos termos deles. Pelo ódio, pelo aquele desejo de sangue brutal.

                                                                       - Haviva Holz, ainda uma sobrevivente.

Página 43

 

Notas finais:

- O bombardeio relatado nesse capítulo realmente aconteceu, como milhares iguais a esse, porém foi na cidade Würzburg. Sendo em 16 de março de 1945, meses antes da guerra acabar, que essa cidade sofreu com os 17 piores minutos. Sendo que 85% da cidade foi dizimada pelo bomardeio. 

- Outros acontecimentos foram narrados com base em relatos de judeus que sobreviveram ao holocausto. 



Comentários


Nome: Sagita (Assinado) · Data: 02/04/2018 16:53 · Para: Capítulo Extra - Página 43

Olá, que narrativa maravilhosa muito bom... É de lamentar muito os acontecimentos tanto do passado como do presente onde lideres tentam impor suas vontades dizimando vidas.

Haviva tão nova passando por tudo isso e ainda sim tentando dar alguma dignidade  um conforto eterno para uma desconhecida, espero que ela não se perca tanto em meio a sua raiva e sede de vingança mas que seja bem lúcida em ferir aos que a feriram. 

Apesar de não se apta à vingança acredito que a justiça dos homens pode sim dar uma ajudinha na justiça divina.

Falo demais né, eu sei... vou tentar parar juro. Bjs boa semana.



Resposta do autor:

Olá Sagita, tudo bem?

Adoramos os seus comentários e ficamos felizes que tenha vindo nos escrever aqui mais uma vez. =)

Espero que possa nos perdoar pela demora da resposta e pela demora de nova postagem! Tivermos algumas intercorrências do mundo adulto (rs) na última semana que nos impossibilitou a postagem dentro do prazo. Mas hoje mesmo postaremos um novo capítulo e esperamos seu feedback sobre ele.

Realmente, o holocausto é algo inimaginável para nós nos dias de hoje e é de se lamentar muito mesmo.

Haviva, de fato, sofreu muito com nazismo e isso deixou marcas profundas em sua alma e sua sede de vingança parece invencível... Será que ela seguirá em frente com seus planos?

Uma ótima semana para você e, por favor, nos escreva sempre!

 

Um grande abraço,

 

Hohl e Brönte.

 



Nome: Paloma Lacerda (Assinado) · Data: 31/03/2018 02:10 · Para: Capítulo Extra - Página 43

Boa noite, autoras.

Belíssima construção deste capítulo. Emocionante. Fui transportada para o momento. Parabéns.

Gostando muito da narrativa.

Beijo



Resposta do autor:

Boa tarde Paloma, tudo bem?

 

Primeiramente, pedimos desculpas pela demora da resposta. Essa última semana tivemos umas intercorrencias que acabaram por atrasar até a postagem.

Mas hoje mesmo terá capítulo novo postado! Esperamos que você goste ainda mais e agradecemos de coração seu comentário e feedback, isso é muito importante para nós!

Esperamos seu retorno!

 

Um grande abraço,

 

Hohl e Brönte.



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