Desejo e loucura por Lily Porto


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Carolina

Sai de casa e pra minha sorte encontrei um taxi passando por ali. Não estava com saco para dirigir e nem queria ir com meu motorista. Aff que taxista lerdo, dei uns dois gritos nele e vários tapinhas nos ombros para que dirigisse mais rápido, mas mesmo assim não adiantou, estávamos a passos de tartaruga, trajeto curto e ele nessa lerdeza. Depois de 40 minutos paguei o taxi e desci reclamando.

Entrei no restaurante a procura dela. E a encontrei lá, linda, sorrindo e conversando. Como senti falta daquele sorriso. Como senti falta da sua companhia, várias foram as noites que fui dormir e me peguei pensando nela, que saudade!

– Primeira dama! O que lhe traz aqui? – meu irmão apareceu na porta para me receber.

– Oi Cadu, – o cumprimentei com um abraço e um beijo no rosto – vim te ver! – menti.

– Não acredito que você saiu de casa e enfrentou meia hora dirigindo, só pra me ver a essa hora! Sendo que nos vimos pela manhã.

– Não posso sentir saudade do meu irmão caçula?!

Ele me olhou incrédulo e balançou a cabeça como se não acreditasse em uma palavra que eu tinha dito.

– Cadê seu filho e seu marido? Não tinha um jantar importante hoje a noite, fugiu do evento foi? Não venha me dizer que cansou da sua vidinha fútil e veio me pedir abrigo? – gargalhou.

– Mas você tá muito abusado, nem uma coisa, nem outra. Já disse, vim te ver. E outra coisa, aquele bastardo não é meu filho, já lhe falei para não se referir a ele assim.

Conversava com ele sem tirar os olhos dela, ele percebendo que não parava de olhar sob seu ombro seguiu meu olhar e falou sarcástico:

– Sabia que essa visita não era pra mim!

– Do que você está falando, hein?

– Você não veio me ver, não sei como descobriu que ela estava na cidade, e pior, como descobriu que ela estaria aqui neste momento!

– Para de loucura Cadu! Vim ver você. – tentava colocar uma veracidade nas minhas palavras que nem a mim convencia.

– Para de mentir Cal, vem comigo – me levou até uma mesa, onde nos acomodamos.

– Vai, fala o que veio fazer aqui! E não mente, eu te conheço Carolina.

– Sério Cadu, eu vim apenas ver você. É proibido fazer isso agora? – já estava me cansando daquela conversa.

– Para Cal. – passou a mão na barba enquanto dizia sério – Você pode mentir e fingir muito bem para o seu marido. Mas não sabe fingir, e muito menos mentir pra mim. Vai, diz o que veio fazer aqui?

 

Agnes

Eu precisava sair daquela loja, meu coração parecia que ia sair pela boca depois que ela veio toda cheia de graça pro meu lado. Mas me mantive firme, sabia que não seria fácil me manter assim, mas o cinismo dela me ajudou e muito a manter minha postura.

Os anos se passaram e ela conseguiu ficar ainda pior, muita cara de pau me perguntar porque a estava tratando daquele jeito. É como dizem “quem bate esquece e quem apanha lembra”. E eu me lembro muito bem de tudo o que passei com ela.

Meu coração ainda bate mais forte por ela, mas não vou deixar esse sentimento tomar conta de mim mais uma vez, eu sei que vai ser bem difícil vê-la e não desejar estar ao seu lado, mas eu vou tentar, e tenho que conseguir.

A diferença de fuso horário mesmo sendo pouca ainda atrapalha o corpo. Nesse horário em casa eu estaria chegando do trabalho, e agora estou deitada tentando descansar, depois de alguns minutos virando de um lado para o outro adormeci...

– Eu amo você, fica comigo! Não me deixa Agnes.

– Cal, o nosso tempo já passou. Não vou largar minha namorada por sua causa.

– Ela não te ama como eu! Por favor, lembra de tudo o que vivemos e do quanto nos amamos, não me deixa. – chorava de soluçar em meus braços e parecia muito abatida. Estava mais magra e com uma enorme tristeza no olhar. – Por favor não me deixa, eu larguei tudo por você. Não faz isso comigo – ajoelhou aos meus pés e ficou abraçada as minhas pernas chorando.

– Levanta Cal, não faz isso. Não se humilhe assim. Levanta, por favor.

– Eu te amo Agnes, quando você vai entender isso? Fica comigo, pelo amor de Deus.

– Não! Eu não posso ficar com você.

– Você me ama, diz que ainda me ama, diz. Fica comigo.

– Eu não te amo. Eu já te amei, mas você não soube zelar desse sentimento, e chegou alguém na minha vida que me mostrou o que é amor de verdade.

– Eu fui um tola lá atrás, me dá outra chance. Por favor.

– Levanta desse chão, pelo amor de Deus.

Ela ficou de pé e olhou pra mim ainda chorando, e dizendo:

– Vamos embora, podemos ir pra onde você quiser. Se você quiser não voltamos aqui nunca mais.

– Eu não vou embora com você. Nosso tempo passou. Nossa história teve fim porque você quis.

– Eu fui ingênua naquela época, me deixei levar por razões abomináveis. Mas eu te amo.

– Se eu te amasse, ficaria com você. Mas não é a você que meu coração pertence agora.

– Você não tá falando sério.

– Eu não amo mais você Cal.

Ela começou a me dar tapas, teve um ataque de fúria, enquanto me batia falava palavras desconexas. A prendi em meus braços e deixei que ela extravasasse sua fúria tentando sair deles.

– Amor, eu te liguei mas... – as palavras morreram em sua boca enquanto ela largava as sacolas no chão.

Só agora me dava conta que estava completamente nua e a Carolina estava apenas de calcinha e sutiã, envolvida em meus braços.

– Meu bem, não é o que você está pensando.

Ela saiu furiosa do quarto. Larguei a Carolina e fui atrás dela, a alcançando próxima a porta de saída.

– Eu posso explicar. – segurei seu braço – Por favor, me escuta. Eu te amo, sou louca por você. Isso foi um mal entendido e posso explicar. Me ouve por favor amor...

Acordei com o despertador do celular, estava suando e ofegante. Que loucura de sonho foi essa? Nossa.

Tinha esquecido o sonho até ver a Carolina ali, sentada a alguns metros de nós no restaurante. Sério que ia encontrar mesmo com ela onde quer que eu fosse aqui, que horror! Queria saber quem era a mulher que chegou na casa, vi decepção e angustia em seus olhos. Para de viajar nesse sonho Agnes e presta atenção na conversa com a Clara que acabou de voltar do banheiro.

– Olha, – coloquei a mão no queixo – estou reparando aqui e parece que você diminuiu alguns centímetros de quando te conheci até agora!

– É que dá trabalho, sabe. Manter a altura o dia inteiro. As minhas pernas longas cansam. – sorriu.

– Você tem pernas reservas senhora Clara, é isso?

Ela ria gostosamente enquanto o garçom chegava a mesa com outra garrafa de vinho e servia nossas taças.

– Tem certeza que não quer comer nada Clara?

– Acho melhor mesmo comer alguma coisa, do jeito que estamos bebendo é bem capaz que eu precise tirar o dia de folga amanhã. E a culpa será sua.

– Minha? Mas eu não fiz nada! – falei sorrindo.

– Claro que será culpa sua, quem me convidou para beber e se mostrou uma companhia maravilhosa? Você, é claro. Sem falar que me deixa admirada com esses olhos. Nunca conheci ninguém com olhos tão verdes quanto os seus – colocou a mão no queixo e ficou observando. – Olhando bem, podem ser lentes, deixa eu ver.

Ela falava sorrindo, tentando ficar mais próxima de mim para encontrar segundo ela “vestígios de lentes nos meus olhos”.

– Você só pode estar brincando comigo. Duvidando da veracidade da cor dos meus olhos? Mas que absurdo. – fingi chateação.

Ela parou de sorrir e segurou meu rosto, me fazendo olhar pra ela. Se não tivesse aquele “bambolê” em forma de aliança na mão direita e não tivesse atendido um tal de “Alex” o chamando de “amor” e toda melosa. Confesso a vocês que investiria na moça, não seria a primeira hetero que tentaria conquistar, mas ela era comprometida, então fora de cogitação.

– Desculpa Agnes, não quis lhe deixar chateada.

Abri um sorriso falando: – Você não me deixou chateada, mas foi a única forma que achei pra você parar de falar dos meus olhos. Estava me deixando sem graça já.

– Olha que boba, – deu um tampinha no meu braço que senti arrepiar com o toque dela – eu toda preocupada, e você brincando comigo.

Continuamos conversando enquanto ela jantava, ela tentou de todas as formas me fazer comer. Mas eu estava sem fome, fiz um lanche antes de sair de casa. E não queria comer nada pesado a noite. Pagamos a conta e fomos embora. Ela não queria aceitar minha carona, disse que morava perto e iria a pé mesmo, mas claro que não a deixaria ir pra casa sozinha naquele horário. Depois de muito insistir ela aceitou a carona.

– Obrigada pelo jantar senhora Bartolli. Apesar de você não ter jantado.

Sorri falando: – Isso foi uma tática, você pagou o vinho. Agora me deve um jantar. – pisquei pra ela.

– Olha que espertinha. Tudo bem, mas o jantar você paga.

– Ok. Deixa só eu arrumar minha casa, que pagarei o jantar.

– Vou cobrar!

Ela sorriu e foi se afastando. Antes de entrar no carro falei:

– Obrigada pela companhia Clara.

– Por nada Agnes, boa noite.

Respondi e ela entrou em casa me dando tchau. Entrei no carro e segui com o motorista pra casa. Depois de um banho quente cai na cama apagando em seguida. Acordei no meio da madrugada com o coração acelerado, tinha sonhado com Carolina novamente e a moça que mais uma vez não vi o rosto, dessa vez estávamos numa praia e a Cal chegou fazendo barraco.

 

Carolina

– Droga! Tá, eu vim por causa da Agnes, precisava vê-la. Na verdade, eu quero conversar com ela. Você sabe que sempre senti falta dela, e tê-la aqui tão perto mexeu muito comigo. Porque não me avisou que ela estaria na cidade hoje?

– Eu não sabia que ela ia chegar hoje, e se soubesse também não te avisaria. Isso não é da sua conta.

– O que tá acontecendo com você Cadu? Você é meu irmão e sempre foi amigo dela. O que custava me dizer que ela estava vindo visitar o avô hoje?

– Nada, não está acontecendo nada! Só não vou deixar você magoar a Agnes novamente. Ela não merece passar por tudo aquilo outra vez.

– Afff, não enche Cadu! – levantei da mesa no momento em que a Clara foi em direção ao banheiro.

– Você não vai – ele me puxou com força e cai sentada na cadeira ao seu lado.

– Que merda, para com isso!

Tentei soltar o meu braço, mas ele apertou ainda mais e me disse sério, olhando no fundo dos meus olhos:

– Se você fizer a Agnes sofrer novamente, eu conto pro seu marido das suas escapadinhas durante todos esses anos.

– Você não seria capaz...

– Tente a sorte! Agora vamos, já está na hora de você ir pra casa. – saiu me arrastando porta a fora. – Isso não são horas de uma mulher casada está fora de casa sem o marido.

Nem me deu a chance de falar mais nada, pediu a um dos funcionários do restaurante que me levasse pra casa e entrou, sem nem se despedir. Merda!

Cheguei em casa e encontrei o Antenor na cama lendo, ele me olhou, mas nada disse. Tomei banho e deitei. Ele tentou “se chegar”, estava cheirando a whisky e charuto. Sabia bem o que ele queria, mas aleguei dor de cabeça e ele virou pro lado e logo dormiu.

Que merda! Porque o Cadu me disse aquilo? E ainda me impediu de conversar com a Agnes? Será que eles falavam de mim? Será que ela ainda sentia alguma coisa por mim? Será que ela tinha alguém, uma companheira? Filhos? Nossa. São muitas perguntas e nenhuma resposta. Decididamente eu preciso conversar com ela.

Os melhores meses que passei na minha vida foram ao lado dela, a Agnes sempre teve um jeitão sério e protetor, mesmo sendo mais nova que eu, ela sempre me protegeu. As tardes ao lado dela dentro daquele casebre foram inesquecíveis. Maldita tarde chuvosa naquela quinta-feira em que meus pais nos encontraram em meu quarto. Se não fosse isso poderíamos ter continuado com nosso romance até hoje.

Eu teria casado de uma forma ou de outra, mas se eles não tivessem descoberto poderia estar com a Agnes até hoje. Casadas? Claro que não, manteria um relacionamento sim. Mas não seria um casamento dividindo a mesma casa.

Não consegui dormir. Rolei de um lado pro outro até o dia clarear. Temos um compromisso, passaremos dois dias fora na verdade. Meu marido está fazendo novos aliados políticos. Esse ano ele concorrerá a um novo cargo político. E para isso precisa de auxílio na sua campanha. E como a boa esposa que sou, preciso acompanhar o meu esposo.

Estou viajando, mas o meu pensamento está nela. Será que ainda estará na cidade quando eu voltar? Será que veio pra ficar? Eu preciso conversar com ela, estou ansiando por um contato mais íntimo. Desde que a vi naquela tarde não consigo me concentrar em mais nada.

– O que está acontecendo com você? Esteva dispersa demais. Preciso que conquiste a confiança das esposas dos meus futuros investidores. E do jeito que ficou nesses dois dias não está me ajudando muito.

– Desculpe Antenor, estou menstruada e sabe como fico quando estou assim. Sem falar que minha enxaqueca está atacada, e não consigo me concentrar assim. Só quero ir pra casa. Na pressa de sair acabei esquecendo o remédio da enxaqueca na outra bolsa.

– Mandarei o motorista providenciar outro. Não vamos embora hoje. Dois futuros investidores estão chegando hoje a tarde e amanhã chegará mais um. Meu assessor achou melhor fazermos um jantar com os dois que chegarão hoje e amanhã após o almoço fazermos uma reunião com todos eles para apresentarmos as propostas gerais da campanha.

– Me deixe ir pra casa, você não precisa mais de mim. Estou com dor e posso acabar lhe atrapalhando.

– Não importa o que você está sentindo Carolina. Você tem até as 19h pra mudar essa cara e entrar naquela sala sorrindo e alegre. Faça o que sabe fazer de melhor, finja!

– Antenor, eu estou com dor, e quero ir embora hoje!

Sorriu sarcástico tirando o paletó e largando o copo de whisky sobre a mesa ao lado dizendo:

– Sei muito bem o que te fará melhorar. – me beijou puxando meu cabelo, tentando suspender meu vestido.

Segurei sua mão, falando entre seus lábios: – Estou menstruada, não ouviu o que eu disse?

– Não será a primeira vez! Você deve cumprir com seu dever de esposa, vamos. – abriu a calça me fazendo abaixar em sua frente, empurrando minha cabeça para o meio de suas pernas.

 

Notas finais:

Uma ótima tarde e obrigada pela companhia...

Bjs



Comentários


Nome: Tekaxaviers (Assinado) · Data: 04/05/2018 19:29 · Para: Capitulo 4 - Carolina / Agnes: Agitação

Que capítulo real, parece que assistir cada cena, show!!



Resposta do autor:

Oiie!

Opa, que bacana que conseguiu visualizar a "realidade" dele.

Até mais, bjs.



Nome: valadaresdanni (Assinado) · Data: 22/04/2018 15:17 · Para: Capitulo 4 - Carolina / Agnes: Agitação

Me deu certo nojo esse capítulo.

Antenor é a escória da sociedade.

Ranço dele!

 

 

Bjs, Lily Braun.



Resposta do autor:

Oiie!

Acho que o Antenor não é bem o problema. Tem pessoas piores que ele, envolvidas ai.

Mas vamos lá.

Se cuida, bjs... e continuo pensando na mudança de sobrenome viu, kkkkk.



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 17/03/2018 16:48 · Para: Capitulo 4 - Carolina / Agnes: Agitação

Então a Carolina tem uma relação abusiva com o marido além de tudo



Resposta do autor:

Oooie!

Sabe, eu não chamaria de abusiva a relação deles, eles só são pessoas de "polaridades" iguais, que não medem esforços para conseguir o que querem... e ela, ainda pode mostrar ser pior que ele.

Se cuida querida, bjs.



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 17/03/2018 01:16 · Para: Capitulo 4 - Carolina / Agnes: Agitação

Ai Carolina q vida ordinaria.



Resposta do autor:

Bom dia Patty!

A Cal é uma mulher de "hábitos" meio duvidosos, digamos assim, mas tem coisa vindo por ai viu.

Obrigada pela companhia querida, bjs.



Nome: Baiana (Assinado) · Data: 14/03/2018 21:28 · Para: Capitulo 4 - Carolina / Agnes: Agitação

Não é por nada, não mas essa primeira dama de araque é bipolar. Ou tem dupla personalidade.

Espero que a Agnes não caia na lábia dela



Resposta do autor:

Oie Baiana, tudo bem? Seja bem vinda por aqui!

Então, digamos que a primeira dama seja uma mulher que detesta ser contrariada, logo, quando as coisas não saem da forma que ela quer, ela fica mega irritada, rsrs.

Tô na mesma torcida que vc, que a Agnes não se renda a ela. Vamos ver se vai dar certo, né!

Bjs querida, se cuida. Tenha um ótimo dia.



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