Sobre a delicadeza do seu toque por Luah


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 Samantha

 

Aplausos me arrancam do meu momento contemplação. Eu conheço aqueles olhos amarelados. Dou um suspiro desviando dos olhos insistentes a minha frente, nunca antes sentir esse impacto. Não com apenas um olhar. Ainda posso sentir a corrente elétrica se esvair de meu corpo.

-O que foi isso? - Pergunto baixinho pra mim mesma. Abaixo a cabeça, estou confusa. Longos minutos depois, que para mim parecem horas.  Agradeço, e me levanto sem graça. Sinto aqueles olhos acompanhando os meus movimentos. Isso é assustador.

Sou cumprimentada por varias pessoas. Mas a minha mente estava tão distante.

-Ah, estava tão bom. - Tia Sarah comenta emocionada. –Bem que você poderia tocar outra.

-Talvez em outro momento. - Digo me afastando do piano.

A mulher de olhos verdes se aproxima de onde estou. Isso faz os meus passos paralisarem. Tia Sarah abre os braços me acomodando entre eles.

-Obrigado. - Ela sussurra ao meu ouvido. –Isso foi muito importante pra mim. - Ela se afasta o suficiente para olhar em meus olhos. Os seus estavam nublados. –Você está linda. - Sua voz falha por um segundo. –Você se parece tanto com ela.

Essa pequena frase faz o meu coração acelerar. E por um instante retenho o ar em meus pulmões. Meus olhos se tornam nublados como os dela. Mas não permito que a minha tempestade desabe. Não diante de uma multidão.

-Sinto muito não ter vindo antes. - A mulher mais velha comenta envergonhada.

Tia Sarah era uma mulher belíssima. Com seus cabelos em tons claro, olhos verdes e de uma personalidade agradável. Ela sempre estava por perto, ao menos antes de irem para outro país. Falávamos sempre que possível pelo telefone. Acho que se sentia culpada por deixar para trás a filha de sua melhor amiga.

-Tudo bem. - Digo em um tom doce me afastando.

-Não, não estar. - Ela diz olhando em volta e eu faço o mesmo. –Ele saiu no momento em que você se acomodou ao piano.

Abaixo minha cabeça já sabendo há quem ela se referia. Isso não era nenhuma supressa, não pra mim. Espantada eu ficaria se ele estivesse aqui.

-Ele nunca teve muito bom gosto para música mesmo. - Ela diz brincalhona, quebrando o clima estranho que se estalou entre nós. –Venha, vou lhe reapresentar a Sam. Afinal, vocês já não são mais aquelas duas crianças birrentas. Ao menos eu espero que não. - A mulher de cabelos claros diz me piscando um olho.

Lembro-me que nunca nos demos bem. Samantha sempre foi o tipo de criança que odiava dividir. Principalmente atenção. Talvez por ser filha única. Mas afinal, eu também o era. E não agia com aquela possessividade toda. E mesmo se eu quisesse, jamais teria a atenção de meu pai. Nunca fui capaz de atingir o seu pedestal. 

 

-Sam... – Tia Sarah chama a garota de cabelos longos e pretos que conversava animadamente com vovó Catherine. A garota se vira em nossa direção com uma expressão séria. Encolho os meus ombros, acanhada.

-Sim mamãe. - Aquele tom rouco faz os pelos de minha nuca se eriçarem. “Mas que diabos estar acontecendo?” Penso desesperada, minha vontade era de sair correndo.

-Você se lembrar da filha de seu padrinho? - Os olhos amarelados me encaram sem muito interesse. Em seus lábios um sorriso cínico. Tenho ganas de arranca-lo com um soco. Me surpreendo com esse pensamento.

-Acho que sim. - Diz estreitando os olhos como se tentasse se lembrar de algo. –Lizandra, se não me engano.

-Exatamente.- Tia Sarah coloca uma mão sobre as minhas costas. –Liz, essa moça linda e de carranca fechada é minha filha, Samantha. - Tenho vontade de rir da forma em que tia Sarah a apresenta. Mas me contenho ao ver os olhos amarelados faiscantes e irritados. Olho para vovó que tinha um sorrisinho debochado nos lábios. Ela também estava se contendo.

-Oi. - Digo tímida erguendo a minha mão direita em sua direção. A garota a minha frente ergue uma sobrancelha contrariada. E eu fico ali, como uma idiota por longos segundos. Ela hesita, mas acaba aceitando o meu gesto.

Quando nossas mãos finalmente se encontram. Uma corrente elétrica atravessa o meu corpo. Olho-a assustada. Vejo em seus olhos amarelados o mesmo assombro que o meu. “O que foi isso?” Penso me afastando de seu toque. Sam me encara desconfiada. Vejo-a morde o lábio inferior em um gesto nervoso.

-Sam... - Tia Sarah acaba nos tirando desse momento insano. Olho para vovó que tinha uma expressão supressa. Logo depois encaro tia Sarah que tinha uma de duvida. –Querida, será que você pode acompanhar Lizandra até onde será servido o jantar? - A mulher de olhos verdes pergunta um pouco hesitante.

-Claro. - A garota de olhos amarelados diz sem desvia-los um segundo se quer de minha direção. Nunca me sentir tão intimidada. –Vamos?! - Antes que eu possa dizer qualquer coisa, a garota passa por mim como se nada tivesse acontecido.

Meus olhos procuram os castanhos carinhosos. Vovó me sorrir cúmplice, fazendo com que eu siga a garota sem olhar pra trás. Sam é bem mais alta que eu, seus cabelos são longos e de um preto intenso. Eles são belíssimos, principalmente com o contraste que faz com sua pele alva. Seus olhos são amarelados e astutos como a de um felino. Seus lábios são um pouco grossos. Ainda estou me perguntando por que reparei nisso. Ela é uma menina mulher.

Disfarço. Aquele silêncio estava me incomodando. Mas eu não me atrevia a dizer uma palavra. Não queria ser eu a dizê-la primeiro. Então aproveito o meu tempo para admirar a garota a minha frente. Ela andava como uma verdadeira predadora. Meus olhos passeiam discretamente sobre a sua superfície. Ela estava rebolando... “Mas por que diabos eu...” “Lizandra!” Desvio o olhar revoltada comigo mesma.

-É aqui. - E então é tarde demais.

Meu corpo se choca com tudo ao corpo a minha frente. Não havia reparado que tínhamos chegado, muito menos que a garota tinha se virado em minha direção. Sinto seus braços rodearem a minha cintura com força para evitar que caíssemos. Arregalo meus olhos assustada. Estou literalmente em seus braços.

Prendo minha respiração, não consigo erguer minha cabeça. Minhas mãos estão sobre os seus ombros. Então sinto Sam apertar ainda mais os seus braços a minha volta. Fazendo com que o meu corpo se aconchegue ainda mais ao seu. Sinto sua respiração me atingir. Quando finalmente ergo a minha cabeça. Me espanto com o que vejo. Samantha está de olhos fechados, sua boca está entre aberta.

-Vocês estão bem? - Tio Sebastian pergunta preocupado.  

Os braços que antes me amparavam cuidadosos, me abandonam. Ela se afasta rapidamente. Em um gesto rápido me amparo na coluna de concreto. Não sei como ela foi para ali, mas ela me salvou de uma queda e de uma grande humilhação publica. Olho em volta, a área de lazer estar repleta de mesas, e toda aquela multidão que antes se encontravam dentro de casa, estavam ali. Em conversas descontraídas e animadas.

-Sam... - O homem de olhos atentos chama a atenção da filha que parecia estar em outro planeta.  –Você está bem? - Ele pergunta sem entender o que estava acontecendo.

-Sim papai. - Ela responde sem me olhar. –Lizandra que continua desastrada como sempre. - Meu rosto fica vermelho com o comentário da garota. –Ela tropeçou, eu apenas a segurei para que não caísse. - Samantha comenta firme sem me dar espaço para qualquer tipo de contradição.

-Tudo bem Liz? - Tio Sebastian me questiona preocupado. Eu apenas balanço a cabeça afirmativamente. –Seu avô estar te procurando. - O homem a minha frente diz sem desviar aqueles olhos castanhos dos meus.

-Estou bem sim, tio Sebastian. - Mordo meu lábio inferior delicadamente. –Obrigado. - Digo antes de sair praticamente correndo.

Olho em volta, e encontro vovô em uma mesa próxima a churrasqueira. Em passos rápidos vou ao seu encontro. Ele me sorrir com a sua recepção de sempre, eu lhe sorriu de volta e me acomodo ao seu lado. Ficamos conversando sobre assuntos rotineiros. Vovô Bernardo era uma excelente companhia, ele era alegre e atencioso. Não demorou muito para que vovó se juntasse a nós. Com ela, um casal de amigos que trabalhavam no hospital. Eu os conhecia muito bem.

Dr. Susana Pacheco e Dr. Emanuel Pacheco. Eram casados há mais de 40 anos. Tinham cinco filhos e 11 netos. Sendo que 2 desses netos eram meus amigos de infância.

-Você estar cada dia mais bonita. - Dr. Susana comenta sorrindo. –Vai se tornar uma mulher de beleza sem igual. - Completa ela com um olhar carinhoso.

-Obrigado. - Digo mais vermelha que o meu cabelo. Fazendo todos os que estavam na mesa sorrirem.

-Paco não para de falar em você. - Dr. Emanuel comenta distraído. –Eu faço gosto desse relacionamento. - Todos os olhares daquela bendita mesa se sobre caem em mim. Me afundo ainda mais na cadeira. Se eu pudesse, juro que cavava um buraco e me enfiava dentro.

-Minha neta é muita nova para pensar em namoradinhos. - Vovô diz emburrado.

-Verdade. - Dr. Emanuel concorda. –Mas já estou avisando para nenhum engraçadinho passar na frente dele. Meu neto é meio lento.

Juro, alguém conhece algum feitiço de invisibilidade?!

Finjo que não é comigo quando a discussão se alastra entre todos os participantes daquele meu momento constrangedor. Fico quietinha no meu canto. Mas algo me atrai como imã. Olho em volta, e me deparo com os olhos amarelados me admirando. Quando os meus caem sobre os seus, ela os desvia.

Samantha está sentada a algumas mesas de diferença. Ela está sozinha. A mesa em que ela está fica um pouco afastada, o que dificulta a minha visão. Suspiro desanimada. Minha vontade é de ir até ela. Mas o que eu direi quando chegar até lá? Vasculho o ambiente a minha volta. E novamente sinto aquela sensação. Então os meus olhos são atraídos pelos seus que voltam a desviarem mais uma vez. Isso se repete por algum tempo. Até que eu me canso, e vou até a mesa enorme me servir.

 

-Coloque verduras. - A voz rouca sussurrada ao meu ouvido me assusta. Quase que o meu prato vai ao chão. –Desculpe. - A garota me pede envergonhada. 

-Não sou muito fã de verduras. - Digo tentando quebrar aquele desconforto que se alastrou sobre nós.

-Deveria. - Samantha diz com um sorriso de lado. –É saldável. - Fico em silêncio por um longo tempo. Sam ao perceber que eu não diria nada resolve prosseguir. -Seu avô ainda cria cavalos? - A garota dos olhos amarelados pergunta sem jeito

-Sim. - Digo baixinho. Ela estreita os olhos em minha direção. –É sua paixão. - Digo envergonhada.

-E qual é a sua? - Arregalo meus olhos azuis, supressa.

-Qual é a sua? - Devolvo a pergunta me voltando para a mesa. Pego algo qualquer sobre ela e coloco em meu prato. Sei que estou sendo observada de perto. Isso me deixa assustada.

-Eu gosto de animais. Adoraria ir à fazenda qualquer dia desses e andar a cavalo. Faz tanto tempo que eu não o faço. - Sua voz sair insegura.

-Não imaginaria que alguém como você gostasse desse tipo de coisa. - Sabe quando as palavras saem da sua boca sem permissão. Então, foi isso que aconteceu.

A garota da à volta e fica a minha frente. Seus olhos amarelados faiscantes e irados.

-E o que alguém como “Eu” gosta? - Ela me intimida.

-Eu não...não sei. - Minha voz sair baixa e assustada. “Eu e minha maldita boca grande.”

-Quer saber. - Ela se aproxima ficando a alguns centímetros. Sua respiração bate com força em meu rosto. –Você é uma... É uma idiota. - E então ela se vai da mesma forma que chegou.  

-É, eu sou. - Digo baixinho. Vendo a garota andar por entre as mesas de forma rude. Dou um suspiro resignada e volto a fazer o que estava fazendo.

 

 

O restante da noite não foi lá muito agradável. Samantha não olhou em minha direção uma única vez depois do ocorrido. Também não dei muita importância. Ou fingia não dar. Afinal, ela era uma garotinha mimada e arrogante. Ao menos ela era. Olho em volto, dou um suspiro entristecido. Não vejo papai desde o momento em que me acomodei ao piano. Então a noite acabou ao menos para nós. Agradecemos e nos despedimos dos anfitriões. Essa foi à única vez que Sam me encarou, mas eu preferia que não o tivesse. Aqueles olhos amarelados irritados me mostraram o quanto as minhas palavras a atingiram, e eu nem tive a oportunidade de me desculpar.   

Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 04/01/2018 19:01 · Para: Capitulo 4 - Samantha

Hum...to viciada. Estória super interessante . Nao ouse sumir. Rs. Bjs



Resposta do autor:

Não se preocupe. Rsrs

Estou tão viciada na escrita que pretendo concluir. É tão excitante criar. Rsrs. Bjs



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