1808 por Drikka Silva


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“... Ontem conheci um rapaz muito elegante. Seu nome é Joaquim Silva. Seu pai é um monarca da corte. Ele é muito galanteador. Passeamos pelos jardins do palácio e ele me falou sobre armas e cavalos, suas paixões. Eu falei a ele que gosto de escrever e ele me disse que não era comum que garotas com minha idade soubesse ler e escrever. Falei a ele que foi papai que me ensinou. Ele tomou minhas mãos e disse-me que gosta de mulheres inteligentes e cultas e me deu um beijo no rosto. Fugi de tanta vergonha...”.

 

“... Escutei papai falando que as coisas na corte não vai nada bem. Estão todos temerosos pelo avanço das tropas de Napoleão que está conquistando todos os paises vizinhos da França. Tenho medo que isso nos afete...”.

 

“ ...Papai está muito nervoso. Falou-me aos gritos que temos que nos mudar. Os escravos estão empacotando tudo. Não há tempo para preparar as coisas: Um general por nome de Junot está marchando rumo a Lisboa. Não sei onde foi para minhas coisas. Papai falou que a família real tem já tem naus suficiente para a partida. A única coisa que consegui salvar nesta confusão toda foi você meu querido amigo...”.

 

“... A chuva não para de cair. Saímos com o cair da noite em direção ao cais. Parece que toda a Lisboa saiu de casa. O lugar está cheio de pessoas. Papai me puxa pela mão e mamãe e Pedrina carregam meus irmãozinhos. A lama deixou meu sapato todo sujo. Consegui ver de longe a rainha que se despiu da sua majestade gritando e chorando, implorando para não embarcar. Não consegui ver o resto, pois Julieta me chamou a atenção. Ela embarcou primeiro em um dos botes. Disse-me que nos veremos em terra firme novamente. Papai conseguiu arrumar um bote vazio para nós também. Ainda consegui ver Joaquim de longe que me pediu para esperá-lo pois vai ao meu encontro no Brasil. Vou rezar toda noite para que isso aconteça...”.

 

Isabel terminou de ler o primeiro diário que registrava a partida de Portugal e os dias em alto mar “Pragas de piolhos, ratos e os enjôos das pessoas que não estavam acostumadas com viagens longas de navio... Não há lugares suficientes e as pessoas vão acomodadas umas encima das outras”. Isabel sempre se interessara pela historia do Brasil por saber que Ana Maria havia sido uma das 15 mil pessoas que embarcaram naquela noite em Portugal, mas ler a proeza daquela viagem surreal narrada pela menina da qual cada dia mais se tornava devota era algo inimaginável e surpreendente. Com reverencia ela guarda o livro novamente envolto nos lenços e plásticos na gaveta da sua cômoda e desce para a cozinha. Não havia saído do quarto ainda e o estomago já reclama pela falta de alimento. Não encontrou Joana e foi direto a geladeira preparar um lanche.

- Oi Bel.

- Oi Nat. Onde está a Joana?

- Ela ta lá fora com meu pai dando ração para os animais.

- E você já falou com o rapaz?

- Não. Ainda não tive coragem, mas quando eu tiver você vai ser a primeira a saber.

- Obrigada pela consideração. Me acompanha em um suco?

- Agora não. Vou até o rio me refrescar um pouco...

- Eu posso ir junto? Posso me arrumar em dez minutos.

- Claro Bel! Vou pedir para meu pai selar o lua-cheia pra você.

- Obrigada...

 

Natalia saiu cavalgando ao lado de Isabel. O sol forte contrastando com a brisa suave deixava a tarde perfeita para um mergulho de rio. Adorava ficar perto de Bel, sentir seu cheiro delicioso, escutá-la falando com todos os “erres e esses” do nosso português, seu corpo bem desenhado, aquele olhar penetrante de mulher que sabe o que faz sempre a haviam pirado. A primeira vez que havia beijado uma mulher tinha sido no verão retrasado. Sophie tinha ido até a fazenda passar uns dias pela comemoração da sua formatura e ela estava de férias do colégio: Se tornaram amigas de imediato. Passaram dias inteiros juntos e numa tarde de domingo enquanto um grupo de pessoas se divertiam na água, sophie a convidou para explorar a plantação ao redor do pequeno rio. Sophie então havia se declarado totalmente atraída por ela. Natalia a beijou mais por curiosidade que por outra coisa, mas o fogo que se acendeu nas noites seguintes não foi apenas de curiosidade. Toda vez em que a casa parecia dormir podia se ver Sophie que ia sorrateira até o quarto dela e depois de saciada a fome que as consumia durante horas elas dormiam satisfeitas uma nos braços da outra. Quando tiveram que se separar chegaram à conclusão de que não passava de um amor de verão e se tornaram grandes amigas. Natalia voltou para Curitiba e ali conheceu outra mulher 15 anos mais velha e mantiveram um relacionamento estável até Natalia se ver obrigada pelos pais a voltar pra casa. A surpresa de Isabel de passar uns dias na fazenda a fez relembrar de Sophie e de como era grata a ela por ter lhe mostrado esta faceta maravilhosa de sua existência.

- Não vai entrar na água? – Isabel pergunta enquanto tira a camisa revelando o corpo que mesmo com 47 anos não tinha uma gordurinha sequer.

- Claro que sim. Viemos aqui pra isso não é?

- Com certeza.

- Me ajuda a tirar minha blusinha?

- Claro. Essas roupas da moda... – Isabel fala analisando a peça – Como desamarro isso?

- É aqui Bel – Natalia falando guiando as mãos de Isabel para suas costas, mostrando o nó.

- Se vira que fica melhor.

- Não. Assim você consegue – Ela fala dando um passo para frente quase colando na mulher a sua frente sem tirar os olhos daqueles lábios convidativos.

 

Isabel fica estática olhando para a menina na sua frente. Era a sua imaginação ou Natalia parecia querer seduzi-la? “Acho que a revelação de Sophie me afetou mais do que o esperado”, mas o olhar cheio de desejo de Natalia a fez repensar na sua conclusão. Dando a volta na menina ela desamarra a roupa revelando que ela não estava com nada por baixo.

- Você vai ficar sem biquíni?

- Você se importa?

- Não. De maneira nenhuma, mas eu acho que você devia usar alguma coisa por segurança. Já imaginou se de repente aparece alguém. A exemplo disso outro dia te vi aqui e você nem notou minha presença.

- Serio?

- Serio.

- Meu Biquíni ta aqui – Natalia fala tirando a minúscula peça de dentro do bolso do short – Amarra pra mim?

 

Depois de amarrada a pequena peça, Natalia cai na água. Isabel fica observando-a: Uma menina com um belíssimo corpo de mulher surge da água escura. “O que será que leva uma mulher gostar de outra? Não entendo como sentir desejo por um corpo que é exatamente como o meu, Claro, com 21 anos a menos”. Natalia se movia com graciosidade dentro da água escura, seus cabelos que boiavam ao redor da cabeça faziam uma bela combinação. “Será que a Natalia também vai me decepcionar?” Via na mulher na água uma filha e balançando a cabeça para espantar os pensamentos perversos tirou o resto da roupa e se juntou a ela na água.

Nome: mtereza (Assinado) · Data: 10/04/2017 00:34 · Para: Capitulo 4 DESCOBERTAS

Eita que a paixão dá Nat é a Isabel mesmo kkkk



Nome: Beth (Assinado) · Data: 09/04/2017 21:24 · Para: Capitulo 4 DESCOBERTAS

Drikka

Amo suas Histórias, esperando pelos próximos capitulos

bjss



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