Sunshine: esperança. por femarques


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SCOUTT

 

 Abro a porta da casa e entro com Mea, soltando suas mãos. Tiro a venda de seus olhos e deixo que ela olhe ao redor, em silêncio. Apesar dos cômodos ainda vazios, imaginar minha família ali era fácil até de olhos abertos.

            Quando ela se vira para mim, está com um sorriso de orelha a orelha, os olhos lacrimejando. Ela me abraça e esconde o rosto em meu pescoço, me deixando encostar a cabeça na dela e inspirar devagar, sentindo o cheiro doce de seus cabelos.

            “Então, você gostou dessa?”

            “Eu amei!”

            Mea se afasta e olha para mim, ainda sorrindo. E eu ganho o dia, como sempre, quando a vejo sorrir assim.

            “Obrigada por ter feito isso.”

            Sorrio para ela e, segurando em sua mão, a levo para conhecer os cômodos da casa.

            Nosso casamento e nossa vida juntas sempre foi uma maravilha. Temos nossas brigas normais, os problemas quando discordamos sobre algo relacionado a Aiden, mas na maior parte do tempo estamos rindo e nos divertindo. Nossa família é muito mais do que um dia pude imaginar que seria, o respeito, companheirismo, confiança e dedicação um pelo o outro.

            O apartamento ficou pequeno quando descobrimos que Mea estava grávida, que o segundo procedimento havia dado certo. Aiden, com 10 anos agora, ainda estava digerindo a ideia. Ora adorava a ideia de ter um irmãozinho e ora odiava o fato de perder a posição de filho único.

            Precisávamos de um lugar maior, com mais um quarto, e como Mea estava sempre mais ocupada do que eu no emprego, decidi procurar uma casa que fosse a nossa cara. E consegui encontrar.

            Começaríamos agora outra parte da nossa história, em uma casa nova, com mais um bebê em nossa vida, e claro, com Teddy.

            Trabalho em minha própria editora, o que me dá tempo de escrever quando surgem em minha cabeça novos projetos, e Mea finalmente aceitou o cargo de diretora da empresa, o que a toma a manhã e a tarde toda, isso quando as reuniões não são estendidas para a noite.

 

            Escuto alguém bater na porta e vou até ela. Vejo pelo olho mágico quem é e a abro. Tom, Adele e Matthew me cumprimentam e entram.

            Matthew estava com 13 anos e adorava ficar em nossa casa, ainda mais agora que não éramos mais vizinhos de apartamento, ele e Aiden eram muito próximos e Mea se enchia de felicidade quando o sobrinho pedia para ficar aqui no final de semana, fazendo tudo o que podia para que os dois se divertissem.

            Hoje era nosso aniversário de casamento e pedi que Tom e Adele ficassem de olho em Bernard. 

            Mea ganhou nosso segundo filho, Bernard, há um mês. Era um bebê grande e gordo, com a cabeça careca e os olhos verdes, que preferia passar o dia dormindo e mamando, diferente de Aiden que adora chorar a noite. Aiden ficava em cima dele o dia todo e reclamava por ter que ir à escola, protegia o irmão e dedicava a maior parte do seu tempo a ele, brincando e assistindo a desenhos bobos com Bernard no colo.

            Na noite de hoje, Mea teria uma reunião importante e eu não quis que ela desmarcasse, mas também não deixaria passar em branco nosso aniversário.

            Matthew correu para o quarto do amigo enquanto eu conversa com Tom e Adele na sala. Os dois não pensavam em um segundo filho e se davam mais do que bem um com o outro, com certeza tinham um casamento tão bom quanto o meu.

            “Eu já o fiz dormir, se ele chorar é só dar a mamadeira. Qualquer coisa, mesmo, vocês me ligam e eu volto.”

            Tom começou a rir e se sentou no sofá, colocando os pés apoiados na mesa de centro.

            “Relaxa, vai logo.”

            “Se a Mea te ver com os pés aí, te mata e me leva junto.” Disse enquanto saia da sala.

            No quarto me visto com pressa, colocando uma calça jeans preta e uma camisa polo azul, de mangas compridas. Prendo meu cabelo no coque que minha esposa tanto gosta, pego minha mochila e saio de casa.

            Conforme o planejado, Mea ainda está em reunião e Tina me espera na sala dela para me ajudar a preparar tudo. Arrumamos sua mesa com a comida que o restaurante já havia entregado, coloco o presente em cima da mesa e depois de tudo pronto, deixo o lugar a meia luz.

            Tina bate palmas empolgada, adorando tudo o que eu fiz. Digo a ela que pode ir para a casa, já que hoje estou aqui para ajudar Mea a fechar a empresa. Não demora muito e escuto o barulho dos sapatos de salto alto contra o chão. Mea abre a porta da sala segurando algumas pastas e fica parada ali quando me vê.

            Ela está usando uma saia preta e justa, com o comprimento um pouco a cima dos joelhos, e uma busa de tecido fino branca. Os cabelos estão presos em um rabo de cavalo. Seus olhos percorrem todo o local, de boca aberta. Até que finalmente abre um sorriso largo e vem em minha direção.

            “Mas, e o...”

            “Ele está dormindo e Tom e Adele estão lá.”

            Ela me abraçada, se aninhando em mim, deixando as pastas em cima da mesa.

            “Desculpa trabalhar hoje até esse horário.”

            Me afasto o suficiente para olhar em seu rosto e o seguro entre minhas mãos.

            “Não se preocupe, eu não deixaria passar em branco.”

            Mea me beija, calorosamente como sempre. Não importa quantos anos passem, o desejo e também o carinho entre nós continua o mesmo. Seus lábios continuam tocando os meus com vontade, enquanto sinto sua língua roçar contra a minha, vez ou outra mantendo nossos lábios colados e abertos, brincando apenas com a língua.

            “Se você continuar, vou acabar comendo outra coisa.” Digo sem fôlego quando me afasto dela, fazendo-a rir.

            Nós jantamos enquanto conversávamos e ríamos, deixando de lado por alguns instantes nossa rotina cansativa. Não era simples trabalhar, cuidar de dois filhos e manter as coisas bem com o cansaço batendo, mas nós duas nos entendíamos muito, e sempre que dava, tirávamos um tempo só para nós, como uma forma de recarregar a energia e nos lembrar do porquê estamos juntas.

            “As vezes eu fico lembrando de todo o nosso passado e sinto saudade. Fico sem acreditar que chegamos até aqui.”

            Fico olhando para ela. Estamos sentadas no sofá de sua sala depois de termos comido. Mea está sorrindo e seus olhos azuis, que sempre me disseram tanto, estão brilhando.

            “Se você quiser, posso ser uma idiota de novo.”

            Começo a rir junto com ela e levo um tapa leve no braço.  Mea se aproxima ainda mais de mim e senta em meu colo, envolvendo os braços em meu pescoço.

            “Você ainda é, amor. Só que de um jeito bom.”

            Rio alto e maneio a cabeça, concordando. “Bom saber disso! E eu achando que estava te conquistando todos os dias.”

            Minha esposa solta uma risada baixinha e me beija, demorando a afastar seus lábios dos meus. “Eu te amo, Scoutt. Eu te amo pelo o que você foi um dia e por quem você é hoje, pelo amor que você tem em nossos filhos, pelo Teddy, por mim, pelo nosso casamento. Eu te amo pela força que você teve para viver tudo isso comigo.”

            Sorrio para ela enquanto acaricio suas costas. “Isso só foi possível por você, linda. Eu te amo, muito. Mas se quiser recordar, eu realmente posso falar umas besteiras e ir embora.”

            Mea ri de novo e me empurra, saindo de cima do meu colo. Aproveito para me levantar e pegar seu presente. Entrego a caixinha a ela e espero sua reação quando vê uma pulseira de prata, com uma pequena plaquinha gravada com a data em que nos conhecemos.

            Ela me olha, com um sorriso largo e os olhos lacrimejando e volta a se sentar em meu colo.

            “É lindo! Como você se lembra... o seu presente não está aqui, me desculpa.”

            Dou risada dela e beijo sua bochecha. “Não tem problema, linda.”

            Visto a pulseira nela, que fica linda em seu braço, e ficamos em seu sofá, conversando e nos beijando, até que paro de resistir e terminamos ali como gostamos e sabemos fazer, nos amando da melhor forma.

            Hoje não sentia mais medo, não passa pela minha cabeça as coisas horríveis que passei. Não é mais algo que eu tenha que lutar para conseguir esquecer, graças a Mea e minha família, eu sei que não serei nunca como eles foram. Minha vida continua completa depois de todos esses anos, e minha felicidade só aumenta. Não há mais nada que eu possa desejar, mas claro, desejo não ter mais filhos, dois está bom. Mea grávida é insuportável e ela me obriga a usar cuecas cor de rosa.

 

            Demorou muito tempo para chegarmos aqui, demorou muito tempo para que a Scoutt babaca desse lugar a quem sou eu, mas quer saber? Se você tem alguém que acredita e vê em você o que você não consegue ver, é possível. E hoje eu sei disso.

Notas finais:

Ei, pessoal. Sunshine não está de volta. Fiz essa brincadeira apenas para avisar a vocês (a mando de minha namobeta), que tem um projeto novo em andamento e logo ele será postado!

Espero que gostem da brincadeira e até daqui a pouco!



Comentários


Nome: Jeanny (Assinado) · Data: 14/07/2018 15:05 · Para: Bônus.

Querida autora sua história é linda, maravilhosa. Amei, ri e sofri com as dores delas. 

Vc está de parabéns! 



Nome: Palas F (Assinado) · Data: 13/11/2016 17:45 · Para: Bônus.

Preciso dizer que tô no céu??? Rsss parabéns, ameeeei te acompanhar e daqui pra frente só paro quando você parar! Kk

Bom, o que me ganha na sua história é o tamanho dos caps. Fico p.. com autoras que fazem cap curtinho com medo de ficar longo, gente, pelamô, cap longo é vida!!!!!

E o que me intriga: a Scoutt tem uma inspiração específica ou foi a base de pesquisa ou simplesmente uma ideia que brotou na sua cabeça? Porque tudo que ela passou foi doloroso demais pra ser pura imaginação!!!

Enfim, nos vemos no próximo ?



Resposta do autor:

Oi! Olha, fica difícil parar de escrever quando tua namorada é tua beta e te enche o saco pra escrever, então, acho que nos veremos mais por aqui.

Vamos lá: Sunshine surgiu por inspiração a uma série de livros que li. Não, não é uma fic, o conteúdo e os personagens são diferentes. Foi apenas uma inspiração. E então surgiu Scoutt. Eu não consigo escrever nada planejado. Em Sunshine não tive um capítulo se quer programado, as coisas vão surgindo conforme escrevo, então, Scoutt surgiu assim, conforme fui escrevendo. Criei e mantive uma ideia sobre o que ela seria, e fui desenvolvendo. Imaginação. Mas também fiz pesquisas, lógico.

Tanto que, o número de palavras por capítulo não é algo que eu controle, depende muito do que imaginei para o capítulo.

E nos vemos no próximo, dá uma olhada em Enternecer, ainda está em desenvolvimento. 

Obrigada por acompanhar, pelos comentários, por ter gostado!

Beijo!



Nome: AMANDA (Assinado) · Data: 01/10/2016 16:51 · Para: Bônus.

Como diz os Detonautas " A única revolução verdadeira é o amor".

Que nos deixa forte, nos torna melhores, e faz querermos da toda a felicidade

do mundo a quem está ao nosso redor. Lindo, perfeito, emocionante!

 

 



Resposta do autor:

Olá! Desculpa a demora em responder.

Apaixonada do jeito que sou, adoro essa frase da música do Detonautas. Concordo plenamente com você!

Obrigada pelo comentário! Beijo!



Nome: darque (Assinado) · Data: 12/09/2016 04:01 · Para: Bônus.

Parabéns fe pelo lindo final e obrigada pelo bônus.

Seja feliz e tenha muito sucesso.

BJS

Darque



Resposta do autor:

Olá! Muito feliz com os comentários que deixou por aqui! 

Espero que se tiver tempo, confira Enternecer. 

Seja feliz também!

Beijos!



Nome: Ada M Melo (Assinado) · Data: 03/09/2016 20:53 · Para: Bônus.

amei!!! estava com saudades dessas duas...rsrsrssrs cueca rosa Scoutt ..kkkkkkkkk

 

abraço!



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