Sunshine: esperança. por femarques


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CAPÍTULO 35.

 

SCOUTT

            Dois anos se passaram desde a nossa lua de mel e nosso casamento está melhor do que nunca! Nada mudou entre nós, continuamos apaixonadas e empolgadas com uma vida a dois como no começo de tudo.

            Matthew está enorme e toda vez que vem aqui faz uma bagunça com Teddy, que aliás, passei a chamá-lo assim e não de cachorro, visto que Mea me olha feio toda vez.

            Mea e eu tentamos a inseminação artificial, fizemos o tratamento por um mês, mas não deu certo. E cá estamos agora, na segunda tentativa, doze dias após a inseminação ter sido feita, esperando do lado de fora do banheiro com uma plateia enorme que Mea saia de lá de dentro com o resultado do teste de gravidez.

            “Testes de farmácia não são confiáveis.” Adele sussurra para mim, sentada na beirada da cama, de braços cruzados, enquanto Tom anda pelo quarto e eu fico parada encarando a porta do banheiro.     

            “Eu sei, Adele. Mas ela está insuportável e quis o teste de farmácia, se ela ficar grávida vou precisar de paciência, vamos poupar a minha por enquanto.”

            Os dois estão rindo quando a porta se abre e uma ruiva chorosa sai de lá. Mea está segurando o palitinho branco nas mãos trêmulas e só consegue chorar e balançar a cabeça em negativa quando Tom e Adele a bombardeiam perguntando o resultado do teste.

            Passo a mãos nos cabelos, colocando-os para trás e depois de respirar fundo, me aproximo dela. Evito olhar no teste temendo a resposta e apenas seguro em suas mãos. Encosto minha testa na tela e falo baixinho.

            “Qual o resultado, linda?”

            “Estou grávida!” Mea responde com a voz entrecortada por soluços e quando termina de falar chora ainda mais.

            A abraço com força, apertando-a em mim. Parece um sonho, difícil de acreditar que, depois de tudo o que passei, vou formar uma família com a mulher que amo e ter uma miniatura de Mea correndo pela casa. Adele e Tom se aproximam de nós e nos abraçam também, e assim ficamos, unidos e felizes por nossa realização.

 

            Debruçada na varanda escuto pés se arrastando em minha direção. Dou a última tragada no cigarro e o jogo no cinzeiro ao meu lado. Pego a chave da porta e a abro, dando de cara com Mea e seu barrigão.

            Não fumo mais dentro de casa, em nenhum cômodo. Me tranco na varanda e fico ali até terminar. Mea tentou insistir que enquanto a criança não nascesse, não haveria problemas, mas acabei a convencendo de que não a exporia mais a isso e tal assunto estava encerrado.

            Mea estava de quase seis meses e até então não tínhamos visto o sexo do bebê.

            “Está pronta?” Ela pergunta com a voz baixa, caminhado em direção ao sofá enquanto segura a barriga.

            “Sim, só vou escovar os dentes.”

            “Deveria ter feito isso mais cedo.” Ela bufa e se joga no sofá, segurando a barriga com as duas mãos, como se a mesma pudesse cair.

            Reviro os olhos e respiro fundo enquanto vou ao banheiro. Nos últimos meses o que mais tenho feito é o conjunto de revirar os olhos e respirar fundo. Vez ou outra consigo bufar sem que ela diga que estou reclamando sem motivo. Seu humor anda péssimo e flutuante demais, nunca sei qual o melhor momento para brincar e para falar algo sério, mas a tenho respeitado e aguentado tudo quieta, afinal, não sou eu quem carrego algo pesado e como feito uma louca.

            Quando chegamos ao consultório médico, Mea me dá a mão como se nada tivesse acontecido, o que me faz rir.

            “O que foi? Qual a graça?”

            “Nenhuma, amor.”

            “Sabe,” Mea começa a falar enquanto eu falo com a recepcionista. “Precisamos saber o sexo hoje, estou de seis meses praticamente e preciso arrumar o quarto e comprar as roupas.”

            “Vai dar tudo certo, linda.” Respondo durante o caminho até a sala de espera.

            “Parece que não se importa com isso! Como consegue ficar calma assim, Emma? Não quer saber o sexo do seu filho?”

            Olho para ela e tento focar nos seus olhos azuis, que sempre me acalmaram. Respiro fundo e me inclino para pegar uma revista. Cruzo as pernas e folheando a revista, a respondo baixinho.

            “Eu quero, Mea. Mas você já está desesperada, se eu ficar também vou te matar, querida.”

            Ela começa a rir e se senta mais perto de mim, deitando a cabeça em meu ombro. “Desculpa, amor.”

            Solto um suspiro audível e beijo sua cabeça. “Tudo bem, linda.”

            Durante a consulta, a médica faz todas as checagens e confirma que tudo continua bem com nosso bebê e que ele é bem grande.

            “Vamos tentar ver se é menino ou menina.” Imploro a doutora para que ela acabe com o meu sofrimento.

            “Eu acho que já consegui.”

            Mea se apoia na cama com os cotovelos e olha para a tela pequena do monitor do ultrassom. Procura minha mão e assim que a encontra, me aperta com força.

            “É um menino, parabéns mamães.”

            A médica continua a falar e a explicar o que está vendo, mas Mea e eu estamos com os olhos embargados e nos encarando. Me abaixo e beijo sua testa, sussurrando em seguida que a amo.   

            Passamos o dia no shopping fazendo compras de roupas para nosso menino, com um sorriso no rosto que não saia por nada. Combinamos de comprar os móveis no próximo mês.

            Claro que ligamos para todos os nossos amigos e nossos pais. A gravidez aproximou Mea de sua mãe, que agora é uma avó babona e que promete dar ao garoto tudo o que ele quiser e não quiser.

            Eu me via, agora, com os dias de me tornar mãe tão próximos, com a responsabilidade de dar ao meu filho uma criação e futuro que eu não tive, de dar a ele tudo o que não puderam me dar. E claro, com o assombro de falhar como meu pai e mãe falharam comigo, o medo era tão grande que por vezes acordava a noite assustada com algum pesadelo, precisando que Mea me acalmasse e me prometesse que eu seria ótima com nosso filho e que não faria nada de ruim a ele.

           

            Olho no relógio e sei que estou atrasada para chegar em casa, Mea tem sido crítica quanto ao horário de comer. Ela não tem ido mais a empresa para trabalhar, Tom e Tina estão com toda a responsabilidade e evitam de preocupá-la com os problemas do trabalho, deixando-a descansar.

            Recebemos visitas constantes, até mesmo Jeremy e Megan vieram de Seattle para conhecer o quarto do bebê antes do nascimento. Meu pai e Owen estão sempre por aqui, o que é ótimo, já que me ajudam com o humor da grávida mais linda de todas. Meu sogro costuma dizer que “ganharei o céu por aguentá-la”. Além do mau humor, são desejos estranhos nos piores momentos, principalmente durante minhas reuniões, as quais acabo sempre abandonando pela metade.

            Estou cansada pelo dia pesado na editora e entro em casa pedindo a todos os santos que Mea esteja legal. Deixo minha bolsa no sofá e saio pela casa à sua procura.

             A encontro no quarto do bebê, sentada na poltrona mais confortável que conseguimos encontrar, conversando com Megan pelo skype. Me encosto no batente da porta e abro um sorriso largo. Mea está mostrado a tia babona e super empolgada as novas roupinhas do menino, e as duas nem me notam na câmera.

            Me aproximo de meu amor com o pacote na mão, motivo de meu atraso, e abraço Mea por trás, cumprimento Megan com a cabeça e sorrio.

            “E aí, Scoutt!” Megan me cumprimenta de volta.

            Ela e Alexia continuam namorando e com ambas formadas, estão trabalhando em ainda em Seattle com planos futuros de morarem juntas. Eu e Megan mantemos contato constate e nossa amizade está mais forte do que nunca.

            Mea se vira e me beija, olhando o pacote empolgada. Seus olhos chegam a brilhar.

            “Outro presente, amor? O bebê já tem demais!”

            “Eu passei em frente a uma loja e quis comprar, não custou nada.”

            “Essa criança é muito mimada.” Megan se intromete, rindo.

            Olho feio para ela e dou tchau com a mão, fechando a tela do computador.

            “Sem educação!” Mea me repreende e me dá um tapa fraco na perna.

            Minha menina abre o embrulho e vê um mini tênis preto, bem pequenino.

            “Que coisa mais linda!” Mea grita e leva os sapatinhos ao nariz, cheirando-os. Ela se levanta e me abraça forte, envolvendo os braços em meu pescoço com um pouco de dificuldade pela barriga entre nós.

            Coloco a mão em sua barriga e acariciando, me abaixo e a beijo.

            “Amo vocês dois.”

            “E nós dois amamos você, mesmo se atrasando para jantar.”

            Começo a rir e tiro o presente da mão dela para puxá-la até a cozinha, onde claro, a mesa está servida.

 

            Estamos na cama com a televisão ligada. Mea está deitada em minha barriga e eu acaricio seus cabelos. Mea é uma grávida que odeia massagem nos pés e prefere cafuné. Ainda me lembro de quando passamos o dia fazendo compras e ela chegou em casa bastante irritada. Ofereci a ela massagens nos pés e quase fui expulsa de casa.

            “Chega de sorvete.” Falo baixinho, tentando convencê-la a não comer o pote todo.

            “Vou ficar gorda e não vai me querer mais?” Ela responde colocando outra colher cheia de sorvete na boca.

            Dou risada e nego com a cabeça. “Não, linda. É que você come um pote de sorvete por semana e depois fica reclamando.”

            “Scoutt, se eu engordar mais que isso, você vai me deixar?”

            Reviro os olhos e bufo. “Vamos escolher o nome?”

            “Matthew disse para colocarmos Aiden.”

            “De onde ele tirou isso?”

            “Não faço ideia, mas o nome é legal e eu gosto da ideia do nosso garotinho se importar tanto com nosso filho.”

            Abro um sorriso largo e fico em silêncio pensando. Matthew é muito apegado a nós duas, e é importante para Mea que ele e nosso filho mantenham uma amizade como ela e Tom mantiveram. Além disso, Aiden é um nome bonito e que me permite imaginar um garotinho ruivo de olhos azuis.

            “Acho que Aiden é um nome legal, linda.”

            “Então pode ser?”

            “Por enquanto, acho que sim.”

            Ela se levanta e deixa o pote vazio no criado-mudo. Teddy empurra a porta que estava encostada e vem até nós duas, subindo na cama. Ele se deita no pé da cama, se enroscando em minhas pernas.

            Mea se apoia na cama com o cotovelo, deitando-se de lado e começa a traçar círculos em minha barriga até o cós da cueca.

            “Sabe do que estou com saudade?”

            Olho para Teddy e arqueio uma sobrancelha. Sabemos o que vem por aí. Volto a encarar Mea e permaneço séria.

            “O que, amor?”

            “De sentir você.”

            “Mas nós fizemos até o que? Mês passado?”

            “Não, Scoutt!” Mea se senta e cruza as pernas com dificuldade. “Você parou de me tocar quando completei oito meses.”

            “E agora você está a duas semanas para ganhar o bebê.”

            “E há meses o sexo tem sido morno.”

            “Eu não quero machucar nem a você e nem a Aiden.” Respondo ainda séria, já que estou falando a verdade.

            “Mas eu sinto falta!” Mea bufa e fecha a cara como uma garotinha mimada, o que me faz rir.

            “Por favor, Scoutt.”

            “Nem pensar, garota. Se segure.”

            “Não sente mais atração por mim assim? Desse tamanho?”

            “Sinto, claro que sinto. Nunca deixei de sentir desejo por você.” Me sento na cama também e me aproximo dela, beijando seu pescoço. “Mas não farei nada até ganhar o bebê e se recuperar.”

            “E ainda esperar minha recuperação?” Mea me empurra para que eu pare de beijar seu pescoço e a encare.          

            “Claro, amor.”

            Mea cruza os braços e fecha a cara novamente. “Estou com raiva de você. Não sente mais atração por mim!”

            Respiro fundo e saio da cama. “Vem, Teddy, vamos tirar um cochilo na sala ou serei atacada.”

            O cachorro me segue até a porta do quarto e late alto quando Mea joga um travesseiro em mim, o qual eu pego rindo. “Te amo, querida. Mas se segure.”

            Fico na sala assistindo à televisão por um tempo até voltar ao quarto. Não tivemos restrição médica alguma ao sexo, mas não quero machucá-los e Mea não entende. Minha única opção é sair de perto dela em situações assim, afinal, não sou de ferro.

            Teddy dorme no sofá e o deixo quieto ali. No quarto encontro Mea abraçada a um travesseiro, com a televisão ligada e dormindo tranquilamente. Abro um sorriso largo e depois de desligar a mesma, me deito ao seu lado e a abraço por trás.

 

            Mea logo segura minha mão e puxa meu braço para que meu corpo se encoste mais ao dela e assim, agarradas, pego no sono agradecendo a sorte que tive por sair do nada, da garota sem esperança para o que sou hoje, para tudo o que tenho hoje. Durmo me convencendo de que serei boa mãe e prometendo a mim mesma que não irei falhar com os dois maiores amores da minha vida. Essa é a única forma de agradecer a Mea por não ter desistido de mim e ter me dado tudo, me deixado ser feliz. 

Notas finais:

Feliz dia do na.mo.rar. pra você.

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

 

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure. 

(Vinicius de Moraes - Soneto da fidelidade)



Comentários


Nome: Palas F (Assinado) · Data: 12/11/2016 23:01 · Para: Capitulo 35

Queeee delícia de capítulo ?

Venha,Aiden!!!



Nome: Ada M Melo (Assinado) · Data: 13/06/2016 11:52 · Para: Capitulo 35

ja estava morrendo de saudades dessas duas, cap fofo maravilhoso!!

 

abraço!



Resposta do autor:

Oi, Ada! Demorei, mas tô aqui!

Muito obrigada! Beijão!



Nome: Sara (Assinado) · Data: 13/06/2016 03:19 · Para: Capitulo 35

Que lindo :) adorei <3



Resposta do autor:

Oi, Sara! Obrigada! 

Beijão! <3



Nome: juju952 (Assinado) · Data: 13/06/2016 01:12 · Para: Capitulo 35

Cap lindo . o amor pra mim e complicado sempre saio machucada ferida. 



Resposta do autor:

Oi! Muito obrigada!

Isso é até encontrar a pessoa certa ;)

Beijão!



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 13/06/2016 00:33 · Para: Capitulo 35
Q fofas. Aí aí. Um sonho. Depois de tanto sofrimento. Merecem. Bjs

Resposta do autor:

Oi! Depois de tudo o que elas passaram merecem um final feliz, não é?

Beijão.



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