Sunshine: esperança. por femarques


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MEA

           

            Depois do sacrifício para abrir os olhos com o quarto ainda escuro, me espreguiço e vejo que estou sozinha na cama. Bufo, irritada por Scoutt ter saído tão cedo para trabalhar. Segundo ela, por ter coisa demais para ler e adiantar para nossa lua de mel ser tranquila daqui um mês.

            Faz 8 meses que ela me pediu em casamento, o dia mais feliz de toda a minha vida. Foram meses de loucura com Adele carregando um barrigão para cima e para baixo, esperando que meu sobrinho Matthew nascesse, e com os preparativos do casamento dela e de Tom, e do meu com Scoutt.

            Tom e ela se casaram um mês antes do nascimento de seu filho e foi uma coisa maravilhosa! A cerimônia, a festa, tudo estava perfeito. É importante que meu casamento seja tão próximo ao do Tom, que nós dois continuemos ligados um ao outro.

            Me levanto devagar depois de olhar no relógio e ver que já passavam das oito da manhã. Meu corpo dolorido reclama da noite anterior e do quanto Scoutt exigiu de mim. Sorrio sozinha só de lembrar disso e mordo meu lábio inferior.

            Ando tirando uns dias de folga para terminar os preparativos do casamento, estou ficando maluca. Adele com um bebê de quatro meses tenta me ajudar, mas está quase impossível. Estamos tentando cortar o máximo de gastos possíveis fazendo sozinhas as coisas, mas está bem difícil.

            Decido sair dar uma volta e aproveitar o sol e tempo fresco, para depois me afundar nas caixas que chegaram pela internet e montar todas as lembrancinhas para os convidados do casamento.

            Scoutt e eu optamos por algo simples, sem muitos convidados. Uma festa enorme não teria nada a ver com ela.

            Vestindo um short larguinho e curto, preto, com uma camiseta também preta mais colada ao corpo e sem decote, passo pela sala amontoada de caixas pelos sofás enquanto prendo o cabelo em um rabo de cavalo. Vejo um porta-retratos com uma foto de Matthew com os olhinhos castanho claros abertos, como os de Tom, e os poucos fios de cabelos pretos arrepiados, como os de Adele, esboçando um meio sorriso. O vi ontem e já estou morrendo de saudade.

            Pego a coleira do cachorro, que eu costumo chamar de Teddy, mas Scoutt insiste em chamar de cachorro – que aliás, está enorme -, e o levo para passear comigo.

            Uma hora e meia depois, de tanto andar, me sento em um banco em uma praça e estico as pernas, deixando Teddy se deitar cansado nos meus pés. Pego o celular e digito uma mensagem para Scoutt.

            “Vou buscar seu pai no aeroporto em duas horas. Não demora para chegar hoje.”

            Scoutt demorou, mas resolveu conversar com o pai dela. Temos planos para depois do casamento, de ter filhos e acho injusto que ela exclua o pai disso. Seu problema com ele já foi elaborado por tempo demais e está na hora de resolver. Finalmente, ela concordou comigo.

            “Eu vou chegar depois do almoço, linda. Vou ficar direto para chegar antes em casa.”

            Revirei os olhos ao ler a mensagem e me levantei para ir embora. No caminho para casa, de frente para mim, vem andando Allegra com uma garota ao lado, tão bonita quanto ela.

            Respiro fundo, esperando que ela me cumprimente e vou ao seu encontro. Paro com Teddy ao meu lado e espero que sua expressão de susto passe e ela me diga alguma coisa.

            “Oi, Mea.” Ela diz, praticamente sussurrando. Seu cabelo está mais comprido, mas continua linda.

            A mulher ao seu lado sorri, surpresa, e mostra realmente gostar de estar ali. “Então você é a Mea? Prazer, sou Molly.”

            Allegra a olha de canto de olho, mas dá para perceber o quão irritada ficou com o comentário. Claro, sou conhecida para essa tal de Molly, que não deve ter ouvido muitas coisas boas.

            “Bom, te espero no café, querida.” Molly a beija na bochecha e sai andando, desviando de mim.

            “E então, ficou em Chicago?”

            “Sim, acabei enrolando para ir e agora as coisas deram certo.”

            “Que bom.” Respondo, realmente feliz por ela. É como se, sendo um pouco egoísta, um peso fosse tirado das minhas costas. Vê-la bem torna minha culpa menor.

            Respiramos fundo ao mesmo tempo e eu abaixo a cabeça. Ainda me sinto mal por tudo o que fiz a ela.

            “Preciso ir, Mea. Bom te ver.”

            Ela começa a andar quando me viro em sua direção e a chamo. Claro que ela não volta para perto de mim, mas para e se vira para me encarar.

            “Desculpa por tudo o que te fiz, pensei bastante em você nos últimos tempos, e esperei que estivesse tudo bem.”

            Seu olhar passa do meu rosto para minha mão e, ao ver minha aliança, não consegue segurar o rubor que cobre suas bochechas, voltando rapidamente a me olhar nos olhos.

            “Está tudo bem, esquece essa história. Foi bom o que vivemos, certo?”

            “Claro, Allegra.”

            “Então, está tudo bem.”

            Sorrio para ela e aceno com a cabeça, concordando. Ela sorri de volta e com uma piscadinha, se afasta, indo em direção a um café.

           

            SCOUTT

           

            Giro a cabeça de um lado para o outro enquanto espero o elevador chegar ao meu andar. Tento relaxar o máximo que posso por saber que, a uma hora dessa, meu pai já está no meu apartamento com Mea.

            Mea, por sua vez, deve estar um bocado de brava comigo. Passei o almoço no escritório, me sustentando com café e bolachinhas, e enrolei o máximo que podia para chegar em casa. A consequência boa disso tudo foi a quantidade de trabalho que consegui eliminar hoje.

            Olho no relógio que marca três e vinte da tarde e tento estralar as costas, estou nervosa. Preciso relaxar.

            O elevador se abre e eu ando devagar até a porta, esperando que algum milagre aconteça e a chave se quebre na fechadura, estrague a mesma e eu não tenha que encarar meu pai. Mas claro, a porta se abre e eu o vejo sentado no sofá brincando com o meu cachorro.

            Engulo em seco e o cumprimento com um aceno de cabeça, ganhando de volta um sorriso largo e realmente feliz. Pude ver até seus olhos brilhando ao me ver. Grande coisa.

            Deixo minha bolsa no outro sofá vago e vou até a cozinha sem falar com ele. Mea está preparando alguma coisa e eu a abraço por trás, apoiando meu queixo em seu ombro.

            “Não vou brigar com você. Sei que enrolou de propósito.”

            Solto uma risada baixinha, deixando o ar que sai da minha boca em contato com a pele de seu pescoço, arrepiando-a.

            “Enrolei mesmo.” Deixo um beijo em seu pescoço, que se arrepia ainda mais, mas ela ignora.

            Ela se vira para mim, deixando o que fazia para trás e segura meu rosto com as mãos. Nunca na vida vou me cansar de olhar nesses olhos azuis tão apaixonados por mim? Não, nunca.

            “Você resolveu dar uma chance a isso, certo? Se ficar pensando que isso é ruim, vai ser ruim. Precisa olhar para o seu pai e realmente dar uma chance. Vai logo.”

            Bufo e reviro os olhos, mas acabo cedendo. Ela me dá um beijo demorado nos lábios e me empurra pela cintura, praticamente me expulsando da cozinha.

            Volto para a sala e me sento ao lado dele. O encaro e tenho que fazer força para engolir o nó que se faz em minha garganta.

            “E então, pai...”

            “Me desculpa de novo, filha.” Ele solta com pressa, talvez mais ansioso do que eu.

            “Olha, vamos pular os detalhes de novo, certo? Eu já sei tudo o que aconteceu, e agora, se te chamei aqui, é porque quero te desculpar.”

            “Obrigado, filha. Eu sei que errei, mas depois estive aqui por você e quero estar sempre.”

            “Eu sei, eu sei. Vai ficar tudo bem, com o tempo as coisas voltam ao normal. Eu nunca vou esquecer tudo o que eu passei e fiquei sabendo depois, mas posso viver com isso e entender os seus motivos, e te desculpar.”

            “Estou orgulhoso da pessoa que você se tornou, da força que você tem e do futuro que está traçando.”

            “Não conseguiria sozinha.” Já me sinto mais animada ao falar com ele sobre a Mea. Se meu pai tentou de propósito trazê-la ao assunto e me deixar alegre, conseguiu. Eu sei, ele sabe, todo mundo sabe, eu não estaria rumo a uma vida tão boa, melhor ainda do que a que tenho agora se não fosse por Mea.

            “Você tirou a sorte grande.”

            “Pelo menos nisso, não é?”

            Ele dá uma risada baixa e abaixa a cabeça, me fazendo sentir mal pelo comentário. Mea tem razão, se quero esquecer isso, preciso me esforçar mais. Então me aproximo mais dele e o puxo para um abraço apertado.

            “Te amo e senti saudades, Scoutt.”

            “Eu também, pai.”

 

            A tarde foi boa. O clima perto do meu pai ainda não está tão leve como era antes de toda a merda acontecer. Mea diz que falo “merda” demais. Grande coisa.

            Estou deitada em nossa cama, depois de ter tomado um banho, esperando que ela saia do banheiro e venha se deitar. Mea reclamou a tarde toda de dor no corpo e nas pernas. Diz estar cansada de trabalhar na empresa e nos preparativos para o casamento, e ainda reclamou que não ajudo muito, e quando ajudo, ou reclamo ou deixo as coisas fedendo a fumaça de cigarro.

            Reviro os olhos só de lembrar dela reclamando. Paciência.

            Eu realmente sei que ela anda cansada, e que devia tê-la deixado dormir melhor na noite passada...e nas outras...

            Minha menina sai do banheiro enrolada em uma toalha e me encara sem pudor algum. Estou vestindo uma camiseta preta e uma cueca rosa horrorosa, já que as minhas outras estão sem lavar e bom, não gosto de lavar roupa sempre, Mea está sem saco para ouvir falar sobre minhas cuecas sujas e me mandou me virar. Estou me virando. Uso uma cueca horrível.

            Mesmo assim, ela me olha cheia de malícia. Me ajeito na cama e coloco o livro que estou lendo mais perto do rosto, tentando esconder o sorriso que quer se formar no canto dos meus lábios.

            Vejo de canto de olho ela andar nua pelo quarto, vestir sua calcinha e uma regata cinza, até que finalmente, se deita ao meu lado e enrosca a perna em mim, passando-a sobre meu corpo.

            “Boa noite, linda.” Fecho o livro e beijo sua cabeça.

            Me estico na cama para apagar a luz do abajur e me levanto em seguida para apagar a luz do quarto.

            “Scoutt, não quero dormir.”

            Começo a rir e balanço a cabeça em negativa. “Eu sei, tontinha. Mas você vive reclamando de cansaço e falta de dormir direito. Então, pensa comigo, falta um mês para o casamento, vamos ficar sem sexo.”

            Mea bufa na cama e eu rio ainda mais. Com a luz apagada e o quarto mal iluminado, sendo insuficiente a luz que entra pela janela, sinto um travesseiro me atingir no rosto.

            “Assim vamos sentir saudades uma da outra, vamos ficar cheias de tesão para a lua de mel. Decisão tomada.”

            Mea não me responde nada além de “você vai pagar caro por isso.”, e se vira de costas para mim e tudo o que escuto é sua respiração pesada.

            Durmo morrendo de vontade de tocá-la, mas com essas poucas roupas, eu acabaria desistindo da proposta. Vamos ver quem vai desistir primeiro, brincar com Mea e vê-la irritadinha é a coisa mais linda e mais legal de todas. 

 

 

Nome: Ada M Melo (Assinado) · Data: 25/04/2016 23:36 · Para: Capitulo 32

scoutt nós te amamos demais cara, só achamos careta esse cigarro larga essa coisa...

 

abraço!



Resposta do autor em 06/05/2016:

Oi Ada, 

Amam, né? Incrivel como ela conquistou a todas.. kkk

Ow, sabia que tem uma voz no meu subconsciente que quer que ela pare também? Mas deixa, é a maneira que ela encontrou de se acalmar um pouco. hehe

Obrigada pelo comentário.

Abraços!!

 



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 25/04/2016 20:41 · Para: Capitulo 32
Que bom q a vida delas tá ótima. Scout e adoravelmente irritante. E alegra resolveu e conseguiu seguir em frente. Q bom. Bjs

Resposta do autor em 06/05/2016:

Oi Patty,

Estava na hora da vida delas darem uma acalmada, né? E bom, Scoutt é irritantemente apaixonante. kkk

Allegra é uma boa pessoa, merecia seguir em frente com alguém que a fizesse feliz.

Obrigada por acompanhar, viu?!

beijos,



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