Sunshine: esperança. por femarques


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CAPÍTULO 31

SCOUTT

 

            Depois de passados cinco meses, o manuscrito do novo livro estava pronto. Minha história recontada, com novos acontecimentos e partes sobre como me sinto em relação a toda aquela reviravolta. E claro, Mea como parte integrante, principal e necessária de novo.

            Peguei o pen drive e enfiei no bolso, já estava atrasada para ir para a editora. Saí do escritório ajeitando a gola da camisa polo azul que eu vestia e fui ao encontro deMea, que já estava sentada tomando o café.

            Beijei sua cabeça quando me aproximei, peguei sua caneca de café e dei um gole.

            “Estou atrasada, não vou comer nada.”

            Mea bufou e deu de ombros. Ela andava irritada assim desde que comecei a planejar o maior passo da minha vida. Precisava deixar tudo pronto, sem ela saber e para isso, precisei me dedicar em terminar o livro logo.

            “Vai trabalhar até tarde hoje? Que horas vai estar em casa?”

            Mea se virou na cadeira para me encarar e cruzou os braços.

            “Porque quer saber, Scoutt? Quer chegar em casa enquanto não estou aqui? Você anda muito estranha. Já cansou de morar comigo?”

            Comecei a rir, irritando-a ainda mais. Me abaixei e, segurando com as mãos em suas coxas, beijei seus lábios, me despedindo.

            “Não, linda. Preciso ir.”

            Beijei-os novamente e saí, pegando minha bolsa no sofá antes de desaparecer pela porta.

            Precisava passar o dia bem, sem problemas, organizar tudo que planejei e fazer dar certo.

            Logo que cheguei na editora corri à sala de impressão, chequei as folhas necessárias e mandei imprimir as quatrocentas páginas do novo livro. Me encostei na impressora enorme e mandei uma mensagem de texto a Tom.

            “Segura Mea na empresa até umas sete horas, por favor.”

            “Ela está brava com você, disse que anda muito avoada. O que aconteceu?”

            Conto a ele todo meu plano depois de passar meia hora teclando e a resposta que tenho é ótima.

            “Não acredito! Vou segurar ela.”

           

            O dia passa como eu esperava. Passo todos os problemas a meus estagiários e atraso toda a leitura e aprovação de alguns manuscritos, não por não ter conseguido planejar tudo e não sobrar tempo para trabalhar, mas pelo nervosismo.

            Passei o dia ensaiando minhas falas, andando de um lado para o outro e olhando no relógio. Nada do que eu fazia era suficiente para matar o tempo.

            Quando o relógio marcou cinco horas, juntei minhas coisas e saí às pressas do escritório. Logo que chego em casa arrumo a cozinha, preparo a mesa, ligo para o restaurante confirmando a entrega no horário, escondo a bagunça da sala já que é pouca por Mea nunca deixar nada fora do lugar, e corro para o banho.

            Deixo meu cabelo preso em um coque, como ela gosta, daqueles que são tortos e bagunçados. Visto uma calça jeans clara e uma camiseta polo preta, calço meus tênis e vou até a sala, esperar pela comida e por Mea.

            Tem que dar certo. É um passo grande, mas do qual tenho muita certeza. Morar junto com ela e passar todos os dias perto dela nem sempre são mil maravilhas. Brigamos e ficamos irritadas, mas o amor que sinto por essa garota é maior do que qualquer coisa.

            Estamos construindo nosso futuro, mantendo nossa casa, nossos empregos, e principalmente, nosso relacionamento. Estamos crescendo juntas e não quero nunca soltar da mão dela.

            O interfone toca e eu sei que é o porteiro avisando sobre o restaurante. Pedi comida para o jantar que planejei porque não sei cozinhar nada, e como sei que Mea adora a massa do italiano aqui perto, foi o que fiz.

            Eles entregam a comida e eu a arrumo sobre a mesa em coisas de vidro que Mea vive me ensinando o nome e eu não sei, jogo as embalagens fora e volto para o sofá.

            Estou tamborilando os dedos no braço do sofá, tentando controlar minha ansiedade, quando a porta se abre e uma Mea irritada entra, carregando a bolsa de qualquer jeito e já com a blusa social para fora da calça também social. Os cabelos presos em um rabo de cavalo têm fios soltos e suas bochechas estão avermelhadas.

            “O que tá olhando?” Ela pergunta logo que me olha sentada no sofá, a encarando.

            “Teve um dia ruim?” Pergunto enquanto me levanto, vou até ela e beijo delicadamente seus lábios enquanto pego sua bolsa e a coloco no sofá.

            “Tive, Tom me encheu de trabalho.”

            Voltei até ela e por trás, segurando em sua cintura, vou andando com ela até a cozinha.

            “Quer tomar um banho antes?”

            Mea olhou para a mesa posta e abriu o primeiro sorriso do dia para mim, me deixando instantaneamente aliviada. Como é bom vê-la sorrindo, como acalma meu coração e me faz esquecer dos problemas.

            “Estou morrendo de fome.”

            “Tudo bem, porquinha.”

            Demos risada e eu beijo seu pescoço. Fui com ela até sua cadeira e puxei-a para se sentar. Me sentando a sua frente na mesa.

            “O que é isso?”

            Ela perguntou apontando a cabeça para o livro à sua frente, encadernado, enquanto eu servia a ela e a mim.

            “Meu livro novo, terminado. Imprimi e trouxe pra você a primeira cópia.”

            Mea abriu um sorriso, não tão largo como eu esperei. Ainda acho que ela está brava pelo meu comportamento dos últimos dias. Começo a morder o canto da boca enquanto espero a atitude dela de folhear o livro.

            Ela suspira e abre a primeira página, levando uma eternidade para passar para as próximas. Pego o vinho e sirvo nossas taças, dando um gole longo enquanto observo ela folhear tudo, espero que chegue logo a última.

            Mais uma taça de vinho depois, ela segura o livro perto do rosto e franze o cenho. Eu abro um sorriso, sei que ela leu.

            No último capítulo, na última parte, um pedido para ela.

            “Quer casar comigo, Mea?”

            Passo o livro todo falando de como refiz minha vida depois da última notícia e de como não me vejo sem Mea. Nada melhor do que terminar o livro assim e começar minha vida dessa forma também.

            Mea olha para mim com os olhos marejados e sorrindo, eu sorrio, de orelha a orelha. Me levanto e vou até ela, me ajoelhando em sua frente depois de ter tirado do bolso da calça uma caixinha com a aliança, um anel com uma pedra de diamante não muito grande, mas não muito pequena.

            “Quer casar comigo?”

            As lágrimas rolam por seu rosto e o maior sorriso que já vi na vida se abre, aliviando a pressão em meu peito.

            Ela segura em meus ombros e se abaixa, ajoelhando em minha frente. Pega o anel da minha mão e me ajuda a colocar em seu dedo, para depois me abraçar com força, me segurando contra seu corpo como se quisesse que eu nunca mais desgrudasse dela.

            “Eu quero, eu quero mais do que tudo, Scoutt!”

            A segurei com força em mim enquanto beijava seu pescoço, sua bochecha e sua boca, sentindo o gosto salgado de suas lágrimas de felicidade, lágrimas essas que se misturavam as minhas.

            “Eu te amo, linda. Te amo, muito. Pensar em te perder dói demais, por isso quero você para sempre comigo.”

            Mea concordou com a cabeça e segurando meu rosto entre suas mãos, me beijou várias vezes, pressionando os lábios nos meus com força.

            “Eu te amo, Scoutt, eu te amo!”

 

            O jantar foi maravilhoso, regado a vinho e a Mea chorando vez ou outra sem acreditar ainda. Depois, tive que aguenta-la no celular com seu pai e Tom, falando alto como uma histérica, e eu só ria de sua alegria, de seus gestos balançando as mãos, tão empolgada.

            Estávamos deitadas em nossa cama, com minha menina deitada sobre meu ombro e meu braço em suas costas, acariciando suas costelas.

            “Está preparada para ser a senhora Scoutt?”

            Mea soltou uma gargalhada alta e se apoiou no cotovelo, me olhando com os olhos estreitos.

            “Senhora Scoutt? Não. Você vai ser a senhora Bradley.”

            Comecei a rir com ela e neguei com a cabeça.

            “Não senhora, gatinha.”

            Mea piscou para mim e suspirou, tentando se manter séria. “Veremos, gatinha, veremos.”

            Ela voltou a se deitar em mim, se aninhando em meu corpo e eu ri, pensando em sua coragem de negar meu sobrenome.

            “Por isso andava tão avoada esses dias...”

            “Sim, linda. Precisei pensar em como pediria, terminar o livro, achar uma aliança...”

            “Nunca usamos uma aliança, Scoutt.”

            “Nunca pensei nisso, nunca me liguei nisso. Mas agora estamos dando um passo grande e todo mundo tem que ver como você fica linda com essa aliança brilhando no seu dedo, e quão comprometida você é.”

            Mea riu de novo, me deixando sentir a vibração em sua garganta encostada em meu ombro.

            “Certo, mandona.”

            “Só cuido do que é meu.”

            “Todo mundo vai ler esse pedido de casamento...”

            “Sim, e saberão que é para você. Eu conto a surpresa no fim do livro. Acaba assim, eu e você, juntas até ficar velhinhas, construindo nossa vida.”

            “Então armou isso até com seus leitores e comigo não?” Ela responde com a voz grave, em uma vã tentativa de fingir estar brava.

            “Não gostou da surpresa, tonta?”

            “Eu gostei, boba.” Mea levanta a cabeça e beija meu maxilar.

            Minha pele se arrepia com o beijo, me fazendo suspirar. Me viro na cama, ficando sobre ela, cercando seu corpo com meus braços, um de cada lado.

            “Então, tontinha. Era uma surpresa. Quero casar com você.”

            “Vamos nos casar, e seremos felizes.”

            “Isso, eu, você, o cachorro, e nosso filhos.”

            Mea começou a rir de novo e enlaçou as pernas em minha cintura, me puxando para mais perto dela, roçando meu corpo no seu.

            “Filhos? Vou pensar?”

            “Vai pensar?” Perguntou, beijando seu maxilar.

            “Sim, preciso pensar.”

            Rio contra sua pele e desço os beijos até seu pescoço, dando a ela a melhor forma de comemorar nosso casamento.

            Mea e eu agora estávamos unidas por algo ainda mais forte, o que só comprovava nosso sentimento. Ter essa mulher do meu lado, com seu sorriso, suas expressões, a forma como ela se concentra para trabalhar, a forma como fica brava ou balança a cabeça para trás quando falo algo absurdo durante uma discussão, a sua teimosia implacável, a falta de me escutar quando peço algo, o sexo, sua risada, sua falta de capacidade de fazer bolinhas de chiclete, tudo nela, tudo o que é dela e que me oferece todos os dias é a melhor coisa da minha vida.     

 

            Ela, com certeza, é a melhor coisa que aconteceu na minha vida há tempos, sou louca por ela, apaixonada por ela, a amo, e pensar em perdê-la é sufocante. Mea sempre foi minha, e agora é para sempre.

Nome: Palas F (Assinado) · Data: 11/11/2016 23:17 · Para: Capitulo 31

Adorei a ideia do pedido no fim do livro !!! <3



Nome: lohs (Assinado) · Data: 22/04/2016 01:42 · Para: Capitulo 31

Ow, como assim?! Olha que lindo a declaração de Scoutt no penultimo paragrafo, como ela descreve os gestos de Mea. É lindo demais. 

E que pedido mais a cara de Scoutt, planejou ate com os leitores. Kkkk (mas minha sugestão de pedido seria melhor.😎) 

Gostei muito, super fofo! Mea acertou na loteria ao "ganhar" Scoutt na vida dela. Quero uma pra mim! 

Beijos, Fê



Resposta do autor em 22/04/2016:

Ow, você e essa babação por Scoutt, einh? E o pedido foi a cara dela, seu pedido não fazia sentido, deixa de reclamar.

Não foi so Mea que acertou na loteira, Scoutt tirou a sorte grande ao encontrar uma mulher como Mea. É que, para você, só existe Scoutt na história, nunca vi... --'

Beijos, tonta, 

 

 



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 19/04/2016 02:30 · Para: Capitulo 31
Aí q lindo. Chorei. Fofo demais. Como scout se superou. O amor foi o motor é a persistência das duas. Tá acabando. Vou sentir falta delas. Tirei grandes lições cdessa estória maravilhosa. Obrigada. Bjs

Resposta do autor em 22/04/2016:

Ow, Patty, que bom que consegui lhe emocionar desse jeito..

Bom, Scoutt se superou mesmo, grande parte por conta de Mea, né? Realmente, o amor nos faz fazer coisas incríveis...

E sim, ta acabando :( Também sentirei muita falta das duas.

Fico muito feliz em saber que você aprendeu algumas coisas com a história. 

Beijão e até segunda,



Nome: Lyn (Assinado) · Data: 19/04/2016 00:32 · Para: Capitulo 31

Simplesmente perfeito 👏👏👏😀

Beijo 

 



Resposta do autor em 22/04/2016:

Oi, Lyn,

Muito obrigada pelo comentário! Espero que continue apreciando a história. 

Beijos e até segunda.. :)



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