Sunshine: esperança. por femarques


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CAPÍTULO 30:

SCOUTT

 

            Nunca gostei de despedidas e nem de chorar, mas quando, há uma semana me despedi de Megan, Victor e Jeremy e do meu antigo apartamento, senti o maldito nó se formando em minha garganta. Quando abracei meus amigos, caí em prantos e me vi me despedindo de uma parte da minha vida. Não que fosse apagá-la, mas agora muita coisa mudaria.

            Olhei ao redor do novo apartamento que ajudei Mea a decorar quando minhas coisas chegaram a Chicago e me senti feliz. Satisfeita. Uma estante de livros enorme e bem parecida com a minha antiga ocupava duas paredes do meu escritório, mobiliado por mim para que eu passasse a maior parte do tempo trabalhando em manuscritos e em meus próprios livros.

            Fotos minha e de Mea estavam espalhadas por toda a sala, quarto, escritório e algumas na cozinha, com mais algumas de nossos amigos conosco.

            Mea sorria feliz e me encarava, esperando alguma reação. Sorri de volta e fui até ela, abraçando-a pela cintura e puxando para mim.

            “Está tudo lindo.”

            Ela me deu um beijo demorado nos lábios e, segurando minha mão, me puxou para nosso sofá de couro marrom, grande o suficiente para que deitássemos juntas nele, e sentamos exaustas. Finalmente tínhamos terminado de arrumar o lugar.

            “Agora essa é a nossa casa.”

            “Já podemos ter filhos e morar aqui para sempre.”

            Mea soltou uma risada alta e deitou a cabeça em meu colo, mirando seus olhos azuis tão lindos nos meus, que agora tinham cor, brilho e vida, graças a ela.

            “Quer ter filhos? Que história é essa?”

            “Quero o que você quiser. Quero tudo com você.”

            Minha menina sorriu de novo – ela não parava mais de sorrir, e eu adorava isso. Finalmente estava fazendo bem a ela. –, e segurando com a mão em minha nuca, me puxou para beijá-la.

           

            O casamento de Tom e Adele seria em três meses e a maior parte das coisas estava decidida e organizada. Adele e Mea passavam horas nos fins de semana lendo revistas e tomando mais decisões, enquanto Tom e eu tomávamos cerveja e conversávamos apoiados na bancada da cozinha.       

            Ainda faltavam alguns ajustes para que minha própria empresa de edição começasse a funcionar. Mea estava me ajudando muito.

            Enquanto a obra e a papelada não me deixavam trabalhar, passava o dia no escritório escrevendo sobre minha última descoberta: ter outra mãe.

            Nunca mais falei com meu pai, Mea insiste muito e pede que eu converse com ele, mas ainda não quero. Entrei em contato há pouco tempo com um garoto dois anos mais novo que eu, filho de uma tia de Elizabeth, que me contou bem pouco sobre ela. A mãe do garoto, tia dela, me mostrou algumas fotos e eles ficaram felizes de conhecer a mim e a minha história. Mantemos contato agora.

            Escrever sobre isso me alivia e me faz pensar na hipótese de conversar com meu pai. O que ele fez foi errado, muito. Mas passou e já fez o que pôde por mim. Talvez nunca esqueça desse erro, mas posso tentar conviver com ele mantendo isso amortecido em algum lugar da minha cabeça.

            Entendi depois de tanto conversar com Mea e Megan que, apesar de tudo isso, minha história é a mesma. Ela só ficou pior. Sim, isso me faz rir. O que eu vivi me tornou quem sou agora, e nada poderia ter sido diferente. Foi um puta azar, mas era o que eu tinha.

            Apertei os dedos nos meus olhos fechados, cansada. O sol já havia se posto e o escritório estava escuro, iluminado apenas com a luz que emanava da tela do computador.

            Me espreguicei e, pegando meu maço de cigarros, fui para a sacada. Passei antes pela cozinha e peguei uma cerveja.

            Me sentei em uma poltrona, acendi um cigarro, coloquei-o na boca e fechei os olhos. Mea estava em Miami com o pai que precisou fazer uma micro-cirurgia nos olhos e me deixou sozinha, morrendo de saudade.      

            Nos falávamos todos os dias pelo celular, por mensagens, por vídeo, por ligações, mas não era suficiente. O que eu sentia não cabia mais dentro do peito, do coração, do corpo. Precisava tê-la comigo e mesmo que por poucos dias, a saudade já me matava.

            Tomei um gole da cerveja e a imaginei sentada em meu colo, roubando minha cerveja ou falando sem parar. Ri sozinha e peguei o celular, vendo que tinham algumas ligações perdidas dela.

            Liguei de volta e no terceiro toque ela me atendeu e gritou, com uma voz ardida:

            “O que está fazendo que não me atendia?”

            Ri sozinha e respirei fundo, dando uma tragada no cigarro. Segurei a fumaça e a respondi para depois soltar a mesma.

            “Estava escrevendo, amor. O que aconteceu?”

            “Adele! Ela está grávida! Tom me ligou agora morrendo de raiva por eu estar em Miami e não aí...”

            “Sério? Eles terão um filho?” Respondi tão emocionada quanto ela. Tom e Adele mereciam tudo o que há de melhor, e vendo-os construir sua família era incrível.   

            “Sim, ela tem passado mal há algum tempo e resolveu fazer um teste. Ainda vão ao médico na segunda-feira, mas estão tão felizes...”

            “Fico feliz por eles. Amanhã dou um pulo no apartamento deles, linda. Não sei porque não vieram aqui.”

            “É porque não estou aí.”

            Ri dela e neguei com a cabeça, dando outro gole na cerveja.

            “O que está fazendo, convencida?”

            “Nada, meu pai dormiu, tomei um banho e estou deitada. Não tem nada para fazer aqui.”

            “Vai dar uma volta, linda.”

            “Não, estou com saudade.”

            “Eu também, meu amor. Daqui há alguns dias você volta.”

            “A casa está organizada?”

            Olhei para trás, dando uma conferida rápida na sala e pressionei os lábios. Tirando alguns copos na mesa de centro e almofadas no chão, meus tênis e meias no chão espalhados, está bem organizado.

            “Claro, amor. Quando você volta mesmo?”

            Ela riu, entendendo minha pergunta.

            “Semana que vem, arrume a casa.”

            “Claro, linda.”

            Mea suspirou, provavelmente cansada e ficou um tempo em silêncio.

            “Está com saudade de mim?”

            “Eu disse que sim, amor.”

            “Não, linda. Outro tipo de saudade.”

            Mea deu uma risada rouca e em silêncio, escutei-a se levantar da cama e logo depois o barulho da porta se fechando.

            “Já entendeu, não é?”

            “Entendi e sim, estou com saudade disso.”

            “Então deita...” Sussurrei e tomei outro gole da cerveja.

            Escutei-a se deitando pelo barulho dos lençóis e em seguida soltou um suspiro longo e pesado.

            “Já estou deitada, amor.”

            “Agora me deixa te escutar...”

            Mea riu, nervosa, e tudo o que eu escutava agora era sua respiração ficando cada vez mais forte.

            “Onde está a sua mão, linda?”

            Ela demorou para responder e a cada suspiro seu, sentia meu corpo reagir. Sentia minhas mãos trêmulas e a perna bamba. Será possível que tão pouco tempo cause tanta saudade? Maldita distância. Como a queria perto de mim, como queria ser eu quem a tocaria e a faria gemer desse jeito.

            “Seios. Estão nos meus seios.”

            “Hmm. Como estou com saudade deles, de me perder neles...”

            E então Mea soltou um gemido rouco. Sua respiração entrecortada entregava que ela se excitava cada vez mais.

            Minha respiração também pesada era tudo o que eu a deixava ouvir, enquanto seus gemidos cresciam e se tornavam constantes. Soube quando ela tocou seu sexo pelo seu gemido de satisfação, tão conhecido.

            “Devagar, linda. Sem pressa.”     

            “Me diz...me diz o que faria comigo.”

            “Você sabe. Te chuparia do jeito que você gosta, até gozar na minha boca e depois você já sabe.”

            Mea respondeu gemendo, até que pedi que ela se penetrasse. Com certeza precisaria de algumas duchas para conseguir dormir.

            Ela gemia cada vez mais e me dizia o quão molhada estava. O quanto ela precisava de mim, me queria, me amava.

            Me sentia como se nunca tivesse a visto e um desejo dominasse todo meu ser. Um sentimento tão grande que me sufocava. Cada vez mais sabia que meu lugar era ao seu lado.

            “Goza para mim, linda.”

            E um gemido lindo e gutural, longo, rouco, ressoou em meu ouvido, me levando à loucura. 

            “Como você é gostosa, linda.”

            Mea riu, ainda acalmando sua respiração e reclamando da garganta seca. Se eu estivesse com ela, com certeza as consequências seriam maiores que uma garganta seca.

            “Melhorou a saudade?” Ela perguntou, falando baixinho.

            “Não, só piorou.”

            “Você é uma pervertida.”

            “E você gosta. Eu sei que gosta.”

            Nós duas rimos e depois de esperar sua respiração se acalmar totalmente, conversamos sobre outros assuntos. Contei a ela do progresso do livro, que visitei a reforma do prédio onde será a editora e prometi de novo visitar Tom e Adele no outro dia, como se eles não morassem no mesmo prédio que a gente.

            “Vou dormir amor, preciso dar remédio para meu pai de madrugada.”

            “Tudo bem, linda. Amanhã cedo te ligo.”

            “Não muito cedo.”

            “Preguiçosa.”

            “Você que gruda demais em mim. Liga mais tarde.”

            Dei risada dela e me levantei, carregando o maço de cigarros e a garrafa vazia. Deixei-a na cozinha e caminhei até o banheiro ainda falando com ela.

            “Não consigo ficar muito tempo sem falar com você, Mea.”

            “Eu sei, e adoro isso.”       

            “Vai dormir agora.” Resmunguei, ligando o chuveiro. Apoiei o celular entre a orelha e o ombro e comecei a tirar a calça.

            “Até logo, amor. Estou morrendo de saudade.”

            “Eu também, amor. Te gosto muito.”      

            Mea riu e eu também.

            “Vou tomar banho e dormir também. Vai dormir logo.”

            “Não consigo desligar a chamada, amor...”      

            Suspirei, sentindo o peito apertado a cada vez que ela se despedia de mim nas ligações ou mensagens. Devia ter ido com ela para Miami. Era como se uma parte minha fosse tirada a cada vez que ela se despedia e eu sabia que teria que continuar a fazer as minhas coisas até ela chegar e tudo voltar ao normal.

            “Vou desligar, linda. Eu te amo, viu? Até mais.”

            “Eu também te amo, Scoutt.”

            E assim, sorrindo de orelha a orelha, desliguei a chamada. Coloquei o celular sobre a bancada da pia e entrei para tomar banho, relembrando seus gemidos tão bons.

            Minha vida com Mea, nossa família, nossos amigos, nosso apartamento e nossas coisas, estavam nos fazendo tão feliz que parecia um sonho do qual não quero acordar nunca. Nunca tudo dera tão certo na minha vida, nunca fora tão bom, tão certo, tão cheia de sentimentos bons.

 

            Eu tinha algo bom agora, sabia disso, e estava me tornando alguém ainda melhor. Mea me deu esperança, me deu vida, me estendeu a mão, não desistiu de mim. Mea me deu tudo isso. Amo tanto essa garota que chega a doer.

Notas finais:

(Sunshine está acabando. E quando nos aproximamos do fim de algumas coisas ou despedidas, ficamos um tanto emotivos. É claro que se Sunshine se tornar um livro físico, o nome dela estaria nos agradecimentos, mas queria deixar claro aqui meu enorme, gigantesco, agradecimento a Lo. Não tivemos contato desde o início de Sunshine, mas desde que nos aproximamos, ela teve uma ajuda fundamental para que isso aqui continuasse, seja corrigindo os capítulos para mim, aguentando algumas inseguranças, opinando, mudando o rumo de algumas coisas, enchendo meu saco... brincadeira. Você não tem obrigação de dar a ajuda que sempre deu e ainda dá, então, sou muito grata a tudo isso. Você é parte tão importante de Sunshine e tudo que tive para construí-lo. Então, obrigada por ser minha amiga, por ser leitora e por ser beta (ou teta, ou gama, ou alfa...).



Comentários


Nome: Palas F (Assinado) · Data: 11/11/2016 23:02 · Para: Capitulo 30

Que delícia a sensação de curtir essa vibe leve e gostosa da Scoutt.. *-*



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 09/04/2016 21:49 · Para: Capitulo 30
Parabéns querida. Amo esse romance. E forte. E denso. Bjs

Resposta do autor em 10/04/2016:

Obrigada, querida!

Beijão!



Nome: lohs (Assinado) · Data: 09/04/2016 16:54 · Para: Capitulo 30

Ainda bem que essa teimosa de Scoutt ta pensando em se acertar com o pai! Mea tem sua pequeníssima parcela de ajuda.. 😌

Cara, eu não imaginava que isso(sexo virtual) ia acontecer, tipo...fiquei muito surpresa.. Quanta criatividade, autora!! Você e Scoutt planejaram bem essa cena. Ficou muito legal. 

"Te gosto muito."...Scoutt sempre linda. 😍

Bom, a última parte, mas não menos importante(haja, sempre quis falar isso)... Fiquei muito emocionada com o que escreveu, você sabe que não precisava, já me agradece demais e eu faço isso de coração. Sunshine é como um filhote pra mim(pq filho, vc já sabe, ne? Não rola.. 😂)!! Vou continuar ajudando sempre que precisar, em qualquer coisa.. E muito obrigada pela sua amizade, você sabe o quanto é importante, "tonta". 

Beijos,

Lo



Resposta do autor em 09/04/2016:

Tive que me virar pra escrever já que não tinha a beta com celular né. 

Criatividade é o que eu tento ter... e sim, Scoutt é linda. Fala sério, né? Quem não ia gostar de ouvir um "te gosto, muito"?

Não precisa me agradecer, tonta é você.

Beijão.



Nome: Lyn (Assinado) · Data: 09/04/2016 15:14 · Para: Capitulo 30

Simplesmente Perfeito!

 



Resposta do autor em 09/04/2016:

Obrigada, Lyn!

Beijo.



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