Delirium por TessaReis


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Capítulo 3 - Ex-namorada

Não havia dor quando Diana acordou. Não, não havia dor nenhuma, nem em sua coxa, nem em sua cabeça, nem em seu coração. Respirou bem fundo, sentindo os braços de Rhian envoltos ao seu corpo, sentindo o corpo dela bem colado ao seu pelas costas. E por Deus, como era bom acordar sentindo o cheiro dela... Diana respirou bem fundo e virou-se de frente, sem sair dos braços dela. Rhian ainda dormia, dormia profundamente. Sempre havia sido assim, Diana sempre acordava primeiro, mais cedo. Rhian era notívaga, dormia tarde, acordava tarde enquanto Diana fora disciplinada a acordar cedo sua vida inteira, então sempre acordava antes dela. E sempre a olhava um pouco mais antes de levantar. O sol começava a esgueirar pela janela iluminando o quarto e Diana podia ver o rosto dela mais claramente. Ela estava machucada. O olho esquerdo estava roxo, a boca partida, tinha marcas de dedos no pescoço. E tudo ainda parecia fora da realidade para Diana.

            Há um ano atrás, tudo estava no lugar. Diana tinha um relacionamento estável, tinha seu pai que sempre havia sido o seu pilar, estava engajada na sua tão sonhada carreira, havia acabado de se mudar para um ótimo apartamento numa área nobre de Brasília. Tudo ia muito bem para Diana, ela não podia dizer que era absurdamente feliz, mas podia dizer que estava num momento muito confortável. E então, tudo começou a desmoronar. Primeiro, as coisas começaram a ir mal em seu novo departamento, Diana subiu de patente e começou a ver coisas que não esperava em sua tão idolatrada polícia, coisas que não deveriam acontecer nem no departamento de polícia de um minúsculo município, menos ainda na maior autoridade policial do país, e tudo começou a ficar bem estranho. E então seu pai ficou doente, tudo muito de repente, lembrava-se de sua irmã Isis ligando, dizendo que o pai havia desmaiado e então, dias depois, a ligação que tanto temeu. E foi como se tudo explodisse só de uma vez, ela terminou seu relacionamento de maneira impetuosa, pediu dispensa do cargo para o qual havia sido promovida, teve que sair do apartamento, passou a ficar sozinha, não queria ninguém por perto, nem suas amigas, nem sua irmã, ninguém. E as dores de cabeça começaram. Os desmaios, as febres altas que lhe causavam mal-estar, insegurança, delírios. Diana procurou um médico, mas não contou para ninguém. O médico lhe prescreveu algo para as dores de cabeça, mas a alertou que ela precisava de uma investigação mais profunda para terem certeza do que realmente estava acontecendo com ela. E Diana não tinha coragem de ir em frente, de fazer os exames, seu pai havia acabado de morrer com um tumor no cérebro e ela não tinha coragem para descobrir o que estava acontecendo. E as coisas pioraram. Ela passou a desmaiar em serviço e por pouco, não fora suspensa. Os exames físicos anuais chegariam em breve e Diana tinha certeza que com suas crises piorando, não passaria em nenhum deles. E então, o sequestro de Rhian. E foi quando seu mundo desabou de vez.

            Já estavam separadas há quase três anos, mas não era como se Diana não acordasse todos os dias e seu primeiro pensamento não fosse Rhian. Ainda que estivesse com outra pessoa, sorrindo, se divertido, dividindo uma vida, Rhian ainda era o seu primeiro pensamento pela manhã, seu último pensamento antes de dormir, seu pensamento recorrente durante o dia. Deixar Rhian havia sido a coisa mais difícil que Diana já havia feito na vida. Havia sido, e continuava sendo, porque apesar de terem terminado, Diana ainda sentia por aquilo todos os dias. Seu namoro com Rhian nunca havia sido tranquilo, era uma verdade. Diana sempre havia escutado mil coisas sobre ela. Ouvia que Rhian era cafajeste, que não tinha coração, que era incapaz de ser fiel, de levar qualquer pessoa a sério, ouvia que ela não se importava com ninguém além dela mesma, que era fria, arrogante, cheia de si, havia ouvido todo o tipo de coisas, mas nunca havia ouvido ninguém dizendo que Rhian era perigosa. Lhe diziam que sua família era perigosa, que o pai era mais do que mostrava ser, que o irmão era bandido, mas aos olhos de Diana, Romeo nunca passou de um playboy mimado. E Rhian nunca passou da mulher que amava. Quando soube do sequestro, Diana perdeu o chão. Não podia simplesmente ficar em Brasília, sem fazer nada. Se podia fazer algo, faria, e ainda que não pudesse, encontraria algo que pudesse fazer, só não podia ficar distante, com Rhian sendo mantida refém em algum lugar. Diana veio para Bahamas preparada para tudo, menos para vê-la agindo e reagindo do jeito que viu. E agora perguntava-se mil coisas. Mas não era como se não houvesse sido sempre assim com Rhian Keir por perto. Mil perguntas, poucas respostas.

            Rhian suspirou longamente esticando-se na cama ao acordar. Abriu os olhos e quando viu o rosto de Diana tão perto do seu, abriu um sorriso. Aquele sorriso lindo pelo qual Diana era tão apaixonada... Havia sido. Pelo qual havia sido muito apaixonada.

            _ Nunca irá dormir até as nove da manhã, não?_ Disse, tocando o rosto de Diana com carinho. Ela não lhe disse nada, mas não fugiu de seu carinho_ Está com dor, amor?

Diana negou, sem palavras outra vez. E Rhian estava louca para beija-la. Mas quando não esteve?

_ Está com fome?_ Ela afirmou_ Eu vou fazer o nosso café_ Deixou um beijo na testa de Diana e saiu da cama, caminhando para fora do quarto. E Diana deitou-se de bruços e pensou um pouco mais. E poderia pensar por dias, que pouca coisa faria sentido.

Rhian cuidou do café e enquanto ficava pronto, ajudou Diana a ir até o banheiro. Sua coxa ardia muito, a bala havia entrado e saído rasgando pele e músculo, não havia perfurado um buraco total, mas havia perfurado meio buraco sólido, que doía muito quando ela tentava ficar de pé. Rhian deixou-a na banheira, respeitosamente, dando toda a privacidade que Diana pedia, e foi tomar banho lá fora, no banheiro social. E quando ela voltou para ajudar Diana a sair do banho, Rhian já era outra pessoa. Ela havia acentuado a área raspada que tinha do lado esquerdo da cabeça, o cabelo havia crescido ali nos dias de cativeiro e então havia escovado seus longos fios, jogando o penteado para a direita para deixar aparente o corte ousado. As pontas ela havia cortado em mais de um palmo e ela fazia tudo sozinha, sempre havia cuidado de seu cabelo sozinha, dos seus cabelos e também dos cabelos de Diana, era uma das paixões de Rhian. Ela costumava mudar com extrema facilidade, e qualquer cabelo parecia cair bem para ela, ela se apropriava de qualquer cabelo, qualquer visual, era como Rhian era. Agora seus cabelos estavam alisados e num tom bem mais claro de castanho, a tatuagem no pescoço, outra em cima do ombro, a regata branca deixava ver, Diana gostava, adorava e odiava, odiava que ainda se sentisse tão atraída por aquela sujeita.

_ Venha aqui, amor, já terminou?

Amor. Ela insistia em chama-la de amor.

_ Eu estou nua, Rhian.

_ Eu sei, mas não é nada que eu já não tenha tocado, marcado, memorizado_ Ela falou, já abaixada ao lado da banheira enxugando os cabelos de Diana_ E que não sinta saudades_ Completou, soltando um suspiro.

_ Rhian...

_ Eu sei, eu sei. Eu só sinto saudades de você, não é segredo, não é novidade, não é nada que você não saiba. Se apoia em mim, eu trouxe um roupão pra você.

Diana se apoiou nos braços dela, Rhian vestiu-a no roupão e terminou de enxuga-la, levando-a para o quarto em seguida, onde refez o curativo na coxa dela, lhe deu outra dose de medicação e levou-a para o café. E Diana pôde dar uma boa olhada no chalé. Além do quarto havia uma sala de estar que era separada da cozinha por um balcão americano, havia uma escada que levava para o alto, varandas dos dois lados, tudo em madeira, muito delicado, muito bonito.

_ De quem é a casa?

_ É minha. Eu comprei há um ano atrás.

_ E tem plena convicção que não virão atrás de você aqui?

_ O chalé é meu, mas está no nome de outra pessoa, uma prima distante de uma grande amiga, eu tive este cuidado.

Diana olhou para ela.

_ É como se pretendesse se esconder.

_ E eu pretendia. Ou achava que poderia precisar me esconder do Romeo quando recebesse a minha herança, mas não imaginava que teria que me esconder da polícia também...

_ Se esconder do Romeo? Rhian, o seu irmão pode ser um babaca esquisito, mas não é nenhum criminoso.

_ Diana, muita coisa mudou desde quando você me deixou_ Ela disse, com uma dor perceptível na voz quando mencionou o fato de Diana tê-la deixado_ Muita coisa aconteceu, eu descobri muita coisa, coisas que você sequer pode imaginar, ou acreditaria se eu contasse. Nunca acreditou em mim em coisas menores, imagine em algo assim.

Diana olhou para ela. E não disse mais nada enquanto tomavam café. Rhian também não disse, ficou calada, magoada, Diana sabia, conhecia o rosto que ela fazia quando ficava magoada. Comeu menos do que costumava e retirou-se da mesa, vestiu um agasalho e saiu para a varanda da frente. Diana a observou, mas ficou onde estava, terminou seu café e perguntou-se se conseguia caminhar até ela. Sua coxa ardia quando ela forçava, os pontos se apertavam, mas conseguia lidar com um pouco de dor, ela havia sido treinada para isto também. Conseguiu chegar até a porta e Rhian notou-a de imediato.

_ Ei, você não me chamou_ Ela disse, vindo prontamente ajuda-la.

_ Eu posso me mover sozinha_ Respondeu, já enroscando seus braços pelo pescoço dela, apoiando-se.

_ Estou vendo que pode. Quer apreciar a vista?

Diana afirmou. E Rhian levou-a até o parapeito da varanda, onde virou-se de costas e de frente para Diana, para segura-la com seu corpo enquanto ela olhava por cima de seus ombros. Sempre cuidadosa, sempre cheirosa, sempre causando reações em Diana. Diana abraçou-a, fingindo que estava apenas se apoiando, porque mundo à parte, achava que não conseguia ficar tão perto de Rhian sem enroscar seus braços nela. E a vista era incrível. A varanda ficava um nível acima do térreo, havia um canal que separava uma fileira de chalés da outra, de água azul escura, uma coisa linda de se apreciar. Haviam decks em frente aos chalés, alguns com lanchas pequenas, outros com jet-skis, haviam pontes cruzando de um lado a outro e havia paz e privacidade. Muita privacidade.

_ É lindo aqui.

_ As ilhas desertas são as mais bonitas, já estivemos aqui antes.

_ Já estivemos?

_ Já, antes dessa construção ficar pronta. Me disse que aqui era o paraíso, que gostaria de poder acordar aqui, foi na nossa primeira viagem pra cá, você lembra?

_ Lembro_ Agora lembrava, haviam feito amor na ilha, que naquela época era deserta_ Mas não era para ser assim.

_ Não, não era para ser assim.

Silêncio. E Diana escorregou pelos braços dela, para olha-la nos olhos, Rhian era um pouco mais alta do que ela.

_ Eu tenho perguntas a fazer.

_ Eu sei que tem. Pode fazer todas que quiser.

E Diana tinha muitas. Mas começaria pelo óbvio.

_ Como conseguiu? Você tinha um gargalo de garrafa entre as mãos, sabia que iriam pagar o resgate ontem, como você sabia?

_ Bem..., é que... Você quer sentar? A história é longa.

Diana queria. Tanto quanto queria ficar perto dela daquela forma. Era como uma dependência.

_ Quero.

Rhian levou-a até uma das poltronas de vime que haviam ali na varanda mesmo. Colocou Diana sentada e como se lesse seus pensamentos, abaixou-se a frente dela, mantendo as mãos em suas coxas, mantendo-se perto de Diana o suficiente para que ela se sentisse segura. Ou bem cuidada. Ou... Confortável.

_ Então, eles eram três homens. Dois foram até o Brasil, me sequestraram na saída da faculdade e me colocaram num jato particular, voamos direto para cá. Eu acho que não levou sete horas de tempo, o que significa que era um jato particular potente.

_ Você não viu no que estava voando?

_ Não, eu estava vendada o tempo todo. Aterrissamos em algum lugar em Nassau e foi onde encontramos o terceiro cara. Eles me colocaram num carro e me levaram para o cativeiro e só lá me desvendaram e desde então eu comecei a estudar os três, já pensando na possibilidade de um acordo. No outro dia um quarto membro do grupo se apresentou, uma moça chamada Nadia, namorada do Javani, o líder do bando. Era ela quem ficava comigo a maior parte do tempo, que me trazia água e comida e, sabe como são essas meninas bonitas de periferia, elas acham que com sexo e beleza podem controlar homens perigosos como Javani, e por um tempo, elas realmente conseguem, até que esses homens se voltam contra elas. E ela estava nesta fase, de perceber que não podia controlar um homem violento como o namorado.

_ E então você a seduziu_ Era como Rhian agia, ela seduzia todo mundo, naturalmente, com uma enorme facilidade, era uma sedutora nata, Diana sabia.

_ Eu a trouxe para o meu lado, sim. Foi ela quem me ajudou, ela quem procurou minhas amigas aqui nas Bahamas e elas planejaram como eu poderia escapar.

As amigas das Bahamas. Rhian tinha amigas no Rio de Janeiro, em São Paulo, pelo nordeste do país inteiro, em todos os lugares, mas as amigas das Bahamas eram as que mais tiravam Diana do sério.

_ Então como nós escapamos? Saltamos do penhasco e...?

_ Há uma gruta ao pé do penhasco, que cruza criando um corredor em direção ao mar. Havia um jet-ski me esperando, foi assim que chegamos até aqui.

Diana olhava bem para ela, tentando ver traços de mentiras.

_ E o dinheiro que você passou pela fresta da janela?

_ Foi o meu trato com Nadia. Dez mil dólares se eu escapasse. Deveria passar o dinheiro pela fresta_ E então Rhian ficou estranhamente quieta. Baixou os olhos, com uma expressão diferente_ Você acha que... Que... Eu matei ele?

_ Quem?

_ Javani. Ele me prendeu contra a parede, e eu nunca havia usado uma arma antes fora de um stand de tiros, menos ainda uma submetralhadora, ela disparou várias vezes e...

_ Está preocupada se matou o seu sequestrador? O homem que prendeu e espancou você brutalmente?

_ Bem, ele é filho de alguém, deve ter uma mãe que sofrerá por ele, mesmo ele sendo quem é.

Era isto. Ali estava, aqueles traços em Rhian que ninguém esperava, que poucos viam.

_ Você não atirou nele. Eu atirei nele. E espero ter matado.

_ Você... Atirou nele? Foi você?

_ Eu segui um deles, estava no quarto ao lado. E sim, teria matado os três se fosse necessário. Melhor, se fosse possível.

Rhian olhou para ela. E sorriu, balançando a cabeça, olhando para baixo.

_ Você me assusta às vezes. É tão doce. E então me diz uma coisa assim.

_ Eles machucaram você! Eu vi aquele vídeo monstruoso, três homens enormes batendo em você covardemente. Não me diga que não tenho o direito de pegar os covardes que sequestraram e espancaram a minha..._ E se deteve. Rhian não era mais sua coisa alguma_ Amiga.

E Rhian pegou o rosto dela rapidamente, prendendo o queixo de Diana entre os seus dedos ao aproximar seus olhos dos dela numa enorme intensidade.

_ Eu nunca vou ser sua amiga. Posso ser sua qualquer coisa, mas nunca vou ser sua amiga. Eu não aceito_ E deslizou os dedos pela boca de Diana fazendo o coração dela disparar, sua pele arrepiar e sua mente se perder sobre por qual raio de motivo ainda não havia beijado aquela mulher...

E foi quando alguém consertou a garganta. E Diana saiu de seu transe ao olhar por sobre os ombros de Rhian e ver que havia alguém parado ao pé das escadas que levava a varanda. Rhian respirou fundo ao olhar para trás e ver quem estava ali.

_ Mali_ Disse, num tom frustrado.

_ Oi. É que..._ Mali trocou um olhar com Diana, e recebeu de volta um olhar menos amistoso do que aquele que estava direcionando_ Eu trouxe umas coisas que acho que você precisa ver.

_ Tudo bem_ Respirou fundo, mais do que chateada_ Você pode entrar, Diana está machucada, eu vou...

_ Me levar para dentro_ Disse Diana, já enroscando os braços em volta do pescoço de Rhian.

Rhian ergueu as sobrancelhas. Subitamente sentiu-se em meio a uma zona de guerra não declarada por algum motivo. Devia ser coisa da sua cabeça. Levou Diana para dentro, a colocou no sofá e voltou-se para Mali, com quem trocou um abraço. Diana mordeu a boca. Estava acontecendo. Além dos delírios que andavam a tomando, ela tinha um outro sintoma de muito tempo atrás que era repelir automaticamente qualquer mulher que se aproximasse de Rhian. Ainda que ela fosse sua coisa alguma. Porque era o caso. Depois do abraço, Mali entregou alguns papéis a Rhian.

_ Estão saindo na impressa desde ontem à noite, achei que deveria saber.

Rhian pegou os papéis, passando os olhos pelo assunto. Tratava-se de notícias impressas da internet e se pôde ver a mudança no rosto dela assim que ela começou a ler as manchetes. Amassou as folhas na mão e socou a parede em pura cólera.

_ Rhian?

_ Aquele desgraçado! Então é isto, é isto aqui o que a sua polícia fazia atrás de mim!

_ O quê? Do que você está falando?

Rhian passou uma das manchetes para Diana. “Rhian Keir acusada de forjar o próprio sequestro”. E Diana endireitou-se no sofá, com os olhos na reportagem, fez uma leitura sistêmica e basicamente o texto acusava Rhian de ter forjado o próprio sequestro para conseguir o dinheiro do resgate, com o qual havia fugido.

_ Então..._ Diana estava confusa, muito confusa.

_ É o que você veio fazer aqui, não é? Com a sua polícia_ E Mali cruzou os braços ao encarar Diana acusatoriamente.

_ O quê?_ E não, ninguém dirigia um olhar daqueles para Diana, menos ainda uma qualquer de Rhian_ É claro que não! Eu vim numa missão de resgate!

_ Um resgate que virou perseguição, muito interessante, aliás, você também estava a caçando, não estava? Feito uma fugitiva!

E Diana se pôs de pé mesmo sem poder, enfurecida.

_ O que está sugerindo? Eu não sabia!

_ Como não sabia? Você trabalha para a droga da polícia, estava em missão e não sabe do que a missão se trata? Você foi atrás dela também!

_ Porque as minhas ordens mudaram!

_ É claro que devem ter mudado. “Ouça, nada de salvar sua ex-namorada, atire nela”, e aí você obedece!

_ Primeiro, ela não é minha ex!_ Rhian nunca seria sua ex, nenhuma outra ex tinha o direito de chamar Diana de ex! E ela não estava delirando_ Segundo, eu não atirei nela, terceiro, eu vim numa missão de resgate, não havia nada sobre sequestro forjado!

E Mali se voltou para Rhian.

_ Acredita nela, Rhian? Acredita que vem para uma missão da qual não sabe nada? Por Deus, garota!

_ Eu não sabia!_ Diana mascou as palavras com raiva_ Você não faz ideia de como funciona uma organização de alto escalão, não é tudo o que se conta!

_ É claro que deve ser assim_ Respondeu, com sarcasmo_ E suponhamos que você de verdade não soubesse, acha também que foi totalmente aleatório você ter sido escolhida para o caso?

_ O que exatamente você está sugerindo?

_ Estão usando ela!_ Disse, voltando-se para Rhian outra vez, que seguia lendo as notícias enquanto elas discutiam_ Rhian, estão usando esta garota, usando o que vocês tiveram, se ela sabe ou não, não importa, mas se ela não está te manipulando, estão usando ela para manipular você...

Rhian respirou fundo, passando a mão pelos cabelos, não podia acreditar nos absurdos que estavam escritos naquelas reportagens...

_ Ninguém está me usando, eu trabalho para uma polícia séria!

_ Tão séria que está caçando alguém inocente!

_ Olha aqui sua...!

_ Diana_ Rhian respirou fundo outra vez, sentindo sua cabeça girar em rotações violentas_ Fique calada_ E houve um breve sorriso de vitória nos lábios de Mali ao ouvir aquilo. Mas durou pouco_ Mali, você deve ir.

_ O quê?

_ Obrigada por ter me trazido as manchetes, mas nós não temos tempo, há algo que precisa fazer por mim, eu preciso sair daqui logo.

_ Rhian, você tem que me escutar...

_ Eu já escutei. Obrigada pelas suas preocupações. Me ajude no que eu pedi.

Mali olhou para ela. Não sabia porque ainda perdia tempo com Rhian, especialmente agora que a namorada perfeita estava de volta.

_ Mali?

_ Eu já ouvi_ Trocou outro olhar mais do que desagradável com Diana, e saiu batendo a porta. E Diana rosnou em fúria e veio para cima de Rhian imediatamente.

_ Quem é ela?

_ Uma amiga_ Respondeu, ainda lendo.

_ Uma amiga com quem você dormiu quantas vezes?

_ Diana, isto é irrelevante_ Disse, como se estivesse muito cansada de tudo. Era irrelevante. Ela tinha razão. E Diana não tinha direito nenhum de estar tão irritada. Se acalmou.

_ Por que... Por que estão dizendo essas coisas?

_ Eu não sei. Romeo deve ter criado um caso, e então a polícia deve ter me investigado e tirado as conclusões que Romeo queria, eu não sei.

_ Talvez... Talvez seja apenas especulação, talvez a polícia daqui tenha tirado estas conclusões e mudado o alvo no meio da operação...

_ Diana, está fazendo como antes, está negando o que está claro. Este sempre foi o único problema do nosso relacionamento, você sempre acha que eu estou errada, que estou exagerando e por mais que tenha provas, sempre tenta reverter tudo contra mim. Você acha que eu forjei o meu sequestro? Eu me formaria em alguns meses, minha herança seria liberada, por que faria isso? Por que lutaria com os meus sequestradores se eles estivessem do meu lado? Eu não vou mais me defender_ Disse, e um crack na voz dela contou a Diana que ela estava prestes a chorar_ Me sinto uma idiota me defendendo, está tudo muito claro_ E cobriu a cabeça com as mãos, escondendo o rosto. Diana olhou-a. E vê-la daquela forma mexia em sua alma. Rhian parecia com medo. Parecia cansada. E não parecia estar mentindo. Diana arrastou-se até perto dela.

_ Rhian... Você acha que eu sabia?

_ Eu acredito em você. Acredito que nunca me machucaria, eu sei quem você é. Se sabia ou não, também é irrelevante, porque eu tenho certeza que você nunca me machucaria.

_ Mas eu não sabia. Não sabia mesmo. Porém eu acredito na minha polícia.

_ Que atirou em você.

_ Rhian...

_ Não importa, não importa. O que importa, é que eu preciso ir embora, preciso sair daqui logo, preciso seguir o plano.

_ O plano?

_ Olha, não é só a sua polícia que está atrás de mim, nem só a polícia daqui, há uma mulher que trabalha para o meu irmão. Mali disse que ela está na cidade e acho que ela é mais perigosa que as duas polícias juntas...

_ Outra ex-namorada?

Rhian não respondeu de imediato.

_ Veja, Mali quer me ajudar, Kiria não.

Com quantas mulheres mais Diana precisava lidar? Rhian era difícil.

_ Pretende ir para onde?

E Rhian pegou uma agenda que Mali havia trazido na noite anterior. Abriu e mostrou um mapa para Diana.

_ Turcos e Caicos. É uma ilha vizinha, fica há meio dia de barco.

_ É um outro país, como vai entrar?

_ Passaporte falso, talvez sequer precise, é uma rota remota, não há o controle de imigração que deveria se ter. Eu tenho uma amiga lá, ela me cedeu a casa dela, posso ficar lá por um tempo...

_ Outra amiga?_ Diana não conseguia acreditar no quanto de mulheres que cercavam Rhian_ É como se você tivesse uma mulher em cada ilha do Caribe, melhor, duas ou três por ilha...

_ Eu tenho uma mulher. A minha vida inteira eu só tive uma. E me acontece dela ser teimosa feito uma porta.

_ Eu não sou sua mulher.

_ E só para deixar claro, também não é minha amiga. Recuso a sua amizade.

_ Rhian...

_ Venha comigo_ Ela disse de repente.

_ O quê?

_ Para Caicos, venha comigo. Eu posso dar um jeito em tudo, mas não posso simplesmente mandar você de volta para a sua polícia, não acreditarão em você, está claro que eles sabem da nossa relação, vão achar que você me deixou escapar. Venha comigo.

_ Não! É claro que não, eu não posso fugir com você, eu sou uma agente da polícia federal que...

_ Atirou em você. Eu atirei em você, Diana? Acha que eu forjei o meu sequestro?

_ Não, eu já disse que não...

_ Então por qual raio de motivo confia mais em quem mentiu e feriu você do que em mim?

_ Rhian...

E Rhian gesticulou, não, ela deveria ficar em silêncio, já havia ouvido demais. Rhian saiu da sala e foi para a varanda, para onde desapareceu, deixando Diana sozinha com suas dúvidas e seus pensamentos. Diana respirou fundo, e ergueu-se devagar, precisava de algo para dor de cabeça, aquela dor latejante estava começando a querer voltar. Arrastou a perna até o quarto, encontrou aspirinas, tomou duas. E pegou as outras folhas impressas que Mali havia trazido. Eram oito reportagens. Algumas mais sensacionalistas, outras menos. Leu todas, que basicamente contavam a mesma história. “Filha de grande empresário forja o próprio sequestro”, “Rhian Keir foragida da polícia”, “Herdeira da Keir-Vertical dá golpe na própria família”. Não fazia sentindo. Não fazia nenhum sentido. Ter sido ferida por sua polícia também não fazia. E menos ainda ter sido enganada. Mali estava certa neste ponto. É claro que a sua polícia tinha a sua ficha completa e que um namoro público com a herdeira de uma grande multinacional não passaria em branco. O que pretendiam? Confiavam tanto na lealdade de Diana que acreditavam que ela entregaria a própria namorada? Ex-namorada, se corrigiu.

Ex-namorada.

Quase três anos e ainda sentia-se dela. Podia se corrigir mais mil vezes, que ainda assim sentir-se-ia dela.

E isto deveria significar alguma coisa.

Diana puxou a perna esquerda até a porta, e Rhian não estava na varanda. Olhou para baixo e a encontrou, sentada na passarela com os pés dentro da água e o rosto baixo. Conseguiria descer até lá? Tentou. Descalça do jeito que estava. Foi descendo devagar e devagar enquanto seus longos cabelos castanhos balançavam, soltos, desgrenhados e só de chegar perto de Rhian, sua cabeça melhorava, seu corpo ficava mais forte e seu espirito ficava uma tonelada mais leve. Por isso a vida era tão difícil longe de Rhian, porque tornava-se uma vida mais pesada.

_ Amor, o que faz andando sozinha?_ Foi à primeira coisa que ela perguntou limpando uma lágrima ao perceber Diana por perto.

_ Eu não sou o seu amor_ Respondeu e abaixou-se com cuidado, buscando o colo de Rhian.

Diana sentou-se de lado no colo dela e enroscou os braços pelo pescoço dela, abraçando-a, sentindo o quanto ela estava assustada e irritada, e machucada. Rhian estava acima de tudo muito machucada, mas melhorava com Diana a abraçando assim. Rhian apertou-a em seus braços, sentindo o calor que vinha dela, o cheiro dos cabelos dela, tão profundamente que fez Diana arrepiar.

_ Não é. Quem liga?                

Diana olhou-a nos olhos, lhe fazendo um carinho no machucado do rosto. Como alguém tinha coragem de machucar aquele rosto bonito? Diana voltava a ter certeza que deveria ter matado os três de uma vez.

_ Por que não me conta o que anda fazendo? Quero dizer, antes de ser sequestrada. Fazem quase três anos que eu não sei de você.

_ Bem, eu..._ E Rhian arrumou-a em seu colo, era gostoso tê-la tão perto_ Estava quase me formando, estou terminando a residência no hospital universitário, escolhi me especializar em neurologia_ Disse ela, subitamente escapando da tristeza em que estava.

_ Neurologia?

_ É, acabei mudando de medicina esportiva. E mudei também de apartamento, não é mais aquele que você conhecia.

_ Você vendeu a cobertura?_ Diana adorava aquele apartamento.

_ Virou apartamento de final de semana, durante a semana fui morar mais perto do hospital_ E fugir das lembranças de Diana por aquele apartamento_ Ah, eu conquistei mais um grau no jiu-jitsu, tenho uma faixa nova e... Eu cruzei com a sua irmã há algumas semanas.

_ Ela me falou a respeito. Disse que encontrou você, e que você continuava a mesma.

E Rhian negou com a cabeça, olhando para baixo.

_ Isis viu errado, eu nunca mais fui a mesma_ Respondeu, camuflando a tristeza num sorriso_ Não depois da morte da minha mãe, não depois do nosso rompimento. Aprendi algumas coisas nesse tempo todo. Me cansei de festas, das pessoas em geral, reaprendi a usar o meu tempo, descobri outros interesses.

_ Por isso sumiu das redes sociais e mudou de celular?

_ Por isso. Você lembra que eu passei um ano inteiro atrás de você depois que nós rompemos, tentando, te procurando, deixando mensagens no seu celular e então eu simplesmente parei. Acordei um dia e percebi que estava perseguindo você, e que não queria ser este tipo de pessoa, que você não merecia alguém assim na sua vida. E foi quando eu parei. E foi bem estranho, você sabe que eu sempre tive um lado obscuro, mas foi diferente dessa vez. Apesar de você nunca ter respondido nenhuma das minhas investidas, enquanto eu corria atrás de você, era como se você continuasse comigo, e quando eu parei foi... Eu tinha que aceitar que era real, que tinha perdido você. Foi quando eu saí do apartamento, saí das redes sociais, troquei de telefone, enfim_ Estampou outro sorriso em sua tristeza_ Eu acho que só não sei sobre você há alguns meses.

_ Como assim?_ Perguntou, oferecendo um sorriso.

_ Sempre interrogo alguém sobre você. Soube quando mudou para Brasília, quando passou no concurso para a polícia, soube que havia começado a estudar o que realmente gostava...

_ Jornalismo_ Abriu um sorriso_ Mas já tranquei outra vez.

_ Por quê?

_ Algumas coisas aconteceram...

_ O que aconteceu?

Diana baixou o rosto, com os braços enroscados no pescoço dela. E subitamente, aqueles olhos castanhos se encheram de lágrimas.

_ É que... Que..._ E olhou nos olhos de Rhian extremamente ferida_ Meu pai morreu.

E Rhian abraçou-a imediatamente. Pegou-a bem firme pela cintura e pela nuca e guardou-a em seus braços, protetoramente, docemente, amorosamente. E como Diana havia desejado aquele abraço há dois meses, como havia desejado Rhian por perto, desejado os braços dela, o calor dela, aquela sensação de proteção e de que tudo ficaria bem que apenas Rhian conseguia lhe dar.

_ Eu sinto muito_ Ela disse, lhe fazendo um carinho no rosto, buscando seus olhos_ Quando aconteceu? O que aconteceu?

_ Foi há dois meses, ele..._ Ainda era muito difícil. Diana e Isis haviam sido criadas somente pelo pai, a mãe havia ficado em Alto Paraíso quando o pai decidiu voltar para Brasília e assim havia ficado com a guarda das duas. Apesar delas verem a mãe com regularidade, a grande verdade é que o pai era tudo o que elas tinham, tudo o que mais amavam. Ele era pai, era herói, era tudo. Diana respirou fundo para conseguir falar_ Ele teve câncer, demoramos para descobrir, tudo aconteceu rápido demais, num dia ele estava em casa, no outro internado, e então..._ Aqueles olhos transbordaram lágrimas grossas_ Foi quando eu procurei por você. Tentei ligar, mas o número já não existia. Isis já não sabia o que fazer, buscou você na internet, mas não encontrou nada e então decidiu ir até o Rio, procurar você na universidade, foi onde se encontraram.

_ Então não foi aleatório.

_ Não foi. Ela foi procurar você pra mim.

_ E por que ela não me disse nada?

_ Na verdade eu... Fiquei com medo. Não sei, havia fugido de você aquele tempo todo, talvez você não quisesse me ver, talvez você tivesse coisas para me dizer, eu já estava muito frágil e...

_ Diana eu nunca...

_ Eu sei que nunca. E isso também me assustava. Ver você, voltar a ficar perto de você, eu só..._ Os desmaios começaram neste período também, e se estivesse doente? Com um tumor brutal como o do seu pai? Preferia que Rhian não tivesse que passar por aquilo_ Surtei. Me tranquei, fiquei isolada por um tempo. E então veio o seu sequestro_ E Diana obrigou-se a voltar para o trabalho o mais rápido possível, por Rhian, pela única coisa que lhe fazia sentido. Mais lágrimas caíram daqueles olhos que Rhian amava, e Rhian capturou o rosto dela, com ambas as mãos, lhe tocando afetuosamente, transbordando de carinho.

_ Você é o meu amor. Entende por que é o meu amor? Entende que eu continuo apaixonada por você e que não irá passar nunca?

_ Nunca?

_ Nunca_ E abraçou-a, sentindo-a se agarrar ao seu corpo firmemente_ Nunca irá passar. O que eu sinto por você é mais do que amor, Diana, e se você veio até aqui, se veio me buscar no inferno é porque o que você sente deve ser um pouco parecido, não é?

Diana olhou nos olhos dela. E abraçou-a outra vez, sentindo Rhian lhe beijar o pescoço, o canto do rosto, os punhos e Diana agarrou-se nos carinhos dela, em pura necessidade. E em febre. Ela estava começando a ficar febril outra vez.

_ Precisa da sua medicação, eu vou levar você para dentro.

Rhian levou-a para dentro, para o quarto, onde medicou-a outra vez, com o máximo de carinho e cuidado possível. Rhian havia sido a primeira garota de Diana, mas não havia sido a última, porém nenhuma outra era como ela. E não se tratava apenas da beleza exótica ou do quanto ela era atraente em outros sentidos, tratava-se dela, de quem ela era, de como cuidava de Diana, e de como Diana era louca por ela. Tão louca que já não queria ir embora. Ao menos não tão rápido, não tão cedo.

_ Tem um rapaz de confiança, amigo meu que trabalha na capital, peço para ele levar você até Nassau.

_ Mas... Não seria perigoso? Quero dizer, você ainda estará aqui.

_ Não estarei mais quando você for. Acha que já está forte o suficiente? Que não irá mais precisar de mim?

Como se algum dia Diana fosse parar de precisá-la... Mas Rhian estava falando como médica é claro.

_ Por que não me ajuda ir até a cozinha? Vou fazer o nosso almoço.

_ Mas você está machucada...

_ E você só sabe fazer macarrão. Que eu adoro. Mas já comemos ontem. Me ajude, eu vou fazer o nosso almoço.

 

Rhian abriu um sorriso ao perder os olhos por ela. Diana cozinhava muito bem, e queria cozinhar para Rhian, ainda que ferida. Será que ela poderia estar considerando...? Não, melhor não criar longas expectativas, ou ter grandes esperanças. Estavam ali, naquele chalé isolado, e estavam juntas. E Diana queria lhe fazer um almoço. Parecia suficiente, para aquele momento lhe parecia mais do que suficiente...

Notas finais:

Garotas, vcs são umas fofas! Estou adorando essa interatividade de vcs. Obrigada pelo carinho.

Bjos no coração! *__*



Comentários


Nome: Mah Rizzon (Assinado) · Data: 16/07/2016 20:14 · Para: Ex-namorada

Tessa, eu não poderia deixar de dar feedbacks em sua história, pq simplesmente ela merece. E olha, consigo enxergar inúmeros pontos positivos. Como já disse anteriormente, cada parágrafo até aqui tem me traduzido o quão magnífico este Delirium é. Me perco em cada detalhe desta história, pois vc nos fornece informações ponderadas e muito inteligentes. Os detalhes descritos são tão ricos que consigo entrar na história e sentir toda a angústia das meninas. Consigo sentir o louco amor que a Rhian tem pela Diana e mensurar o tamanho do sofrimento que ela teve por estes dias presa em um cativeiro.

Tenho mania de ler alguns comentários e ver se as pessoas tbem conseguem enxergar o mesmo que eu, ou se as vezes elas captam algo que talvez eu tenha deixado passar batido e nao pude deixar de reparar num comentário que pra mim é totalmente infundado... Não concordo quando dizem que vc peca nas informações exageradas. Loucura isso, pois neste exato momento estava te elogiando por vc ser totalmente ponderada em suas colocações. Acho incrível as pessoas exergarem coisas onde não existe. Parabéns mais uma vez por esta linda e magnífica história. O capítulo três me trouxe sensações tão etéreas sobre o relacionamento delas. Perfeito!



Resposta do autor:

Olá Mah!

 

Que bom vê-la novamente por aqui haha

Vc sabe que eu temia muito que meu detalhismo pudesse deixar a história cansativa, mas por outro lado, eu julgo que esses detalhes são muito preciosos neste tipo de história que não se mostra por inteiro logo de cara, e sim vai sendo revelada pouco a pouco. É quase como um jogo de detetive, cada palavra lançada, cada coisa dita e depois sobredita, eu escrevo na tentativa de trazer a leitora e realmente a colocar naquela cena, a aproximar das personagens e a única maneira de se fazer isso, é descrevendo minuciosamente, né

 

Sobre essa coisa das informações exageradas, eu sei que tenho um vício, que é o de vez ou outra navegar nos debates internos numa escrita de reafirmação, tem um trecho mais para frente em que a Rhian fala em barjan com a Diana, e o barjan é uma lingua sem advérbios de intensidade, então quando vc quer reafirmar uma situação eles não dizem "esta moça é bonita demais", eles dizem "essa moça é bonita, bonita, bonita", acho que tenho esses traços barjan num momento ou outro hahaha E penso que pode ter sido isso que a leitora anterior apontou. De qualquer forma, fico feliz em saber que o meu barjan não incomodou a sua leitura ♥ Afinal, há particularidades em cada forma de se escrever :)

 

Sensações etéreas.. Eu adorei ler esta definição!

Beijos, até mais!



Nome: Lai (Assinado) · Data: 15/07/2016 15:44 · Para: Ex-namorada

Boa tarde, Tessa!

Demorei um pouco aparecer porque estava com muitas atividades.

Tentarei ser curta para que você não precise ler muito e responder tanto. Tô com o dedo machucado tb...

Então, terceiro capítulo ainda, mas já envolvida com essaduas.Diana é um pouco negadora, gosta de se enganar para manter Rhian longe porque não pode entender a mesma e ela é uma pessoa muito lógica, gosta de explicar tudo, já Rhian é emoção pura, ainda que digam por aí que la não presta. (nota da leitora:Adoro dar explicações que me façam compreender as atitudes das pessoas).

É certo que Rhianquarda muitos segredos que ao longo d historia será revelado.Adoro quebra-cabeças rs.Mas uma coisa é certa:Rhian ama Diana! Pena que Diana por medo de sofrer a rejeita antes de achar que será rejeitada ou enganada. ..ela é muito dependente. ..

Sobre os delirios tenho duas hipóteses horríveis porque tô no meio de uma neblina. Ou ela realmente tem algo parecido com a doença do pai, a qual eu dúvido pq vc não faria tanto mistério por isso ou pode ser sintomático. .ainda que é uma hipótese mais ou menos válida, mas não segura pq tb acho que vc n optaria por isso...penso numa terceira onde a polícia tem algo a ver com isso..veremos mais pra frente com mais informações. 

Por último, não queroser intrometida ou que você me ache soberbia, metida ou arrogante (Cris está como prova válida), mas quando fui lendo, achei que tinha muita informação ou seja, coisas que talvez se vc tirasse n mudaria o sentido. Não sei explicar. E coisas que se repetiam , reforçava e ao meu ver não tinha necessidade.De qualquer forma, é uma opinião de uma pessoa leiga e sem técnica. .espero que não fique chateada.A parte disso, adorei o capítulo e que vc escreva tanto...

Tentarei descansar meu dedo que ta doendo mt, acho que terei que engessar, e volta mais tarde!

Até loguinho.Beijos.

PSMe empolguei..as vezes tb escrevo detalhes que não são necessárias kkkkk.



Resposta do autor:

Olá Lai!

 

Eu estava pensando em vc na quinta-feira, tinha comentando com a Ana (a namorada) que vc havia sumido, ai sempre tem duas possibilidades, 1, vc está sem tempo, 2, desistiu da história e como eu sou um ser humano otimista, apostei na primeira opção haha

Vamos lá:

1. Diana está com medo. E em negação constante. Neste momento da história ela é coraçãoxcabeça e não sabe bem se sua cabeça conseguirá vencer tal batalha. E já a Rhian é coraçãoximpulsividade, ela caminha numa corda bamba com a Diana, medindo cada passo, tentando encontrar um equilibrio entre não deixa-la ir e fazê-la ficar por própria vontade, tbem é outra batalha complicada.

2. Rhian é um poço de segredos, mas é público que ela é louca pela Diana, tbem será complicado a busca por este equilibrio;

3. Por favor, me deixe saber sobre as suas teorias sobre a doença da Di! Fiquei curiosa com as suas meias palavras :)

4. Agora sobre a sua critica, assim, como eu disse para a Cris, eu tenho uma escrita em estilo script, sempre escrevo em cenas e depois busco as conexões e tendo a ser muito detalhista em alguns momentos. O exercicio de ler, reler e me perguntar se tal cena é relevante ou não tbem é constante, porém essa coisa da repetição de informações eu ainda não havia percebido. Prometo que nos próximos capítulos vou me atentar mais na revisão :)

5. Melhoras ao seu dedo! E quando tiver tempo e condições, espero que siga se aventurando aqui por esses capítulos :)

Beijos!



Nome: Maria Flor (Assinado) · Data: 18/06/2016 20:31 · Para: Ex-namorada

Ai, Tessa! Não aguento com a Rhian. No meio dessa confusão toda, dessa perseguição policial, dos machucados pelo corpo, o que realmente importa para ela é a Diana.

É tão raro ver esse tipo de sentimento hoje em dia. Um amor que resiste ao tempo, à distância, às mágoas provocadas mutuamente.

A outra leitora tem razão. Nessa sua história o presente e o passado estão sempre caminhando juntos. Mas eu gostaria de mergulhar no passado, descobrir como tudo começou, como "terminou"... 

E os nomes? De onde veio a inspiração para os nomes das personagens?

Beijo grande e até breve.

Ps: O cd Delirium tem uma das minhas músicas favoritas, daquelas de ficar cantando altão no meio do trânsito caótico aqui do Rio.

Ps 2: Confesso que me espantei em saber que tocou reggae em um evento tecnológico, hehe. Qual o nome desse reggae? Gostaria de ouvir.

Ps 3: Qual o gênero das outras histórias? O que está te impedindo de correr atrás pra realizar teu sonho?



Resposta do autor:

Rhian é uma linda, não é? Você vai lendo e entendo o motivo de eu chamar esta história de fantasia tropical, na verdade, Rhian é a minha fantasia tropical, é essa namorada perfeita, louca pela Diana, que pensa nela antes de qualquer coisa que seja. O amor delas duas resiste e insiste e tenta dar certo, se recusa a ficar pelo caminho e eu acho que é nisso que a mágica entre elas duas acontece.

E pode deixar que vc está prestes a mergulhar no passando, do capítulo 5 ao 8 damos uma boa olhada no passado dessas duas para poder entender melhor os motivos delas terem chegado até esta cena atual.

Sobre os nomes, Diana é a deusa romana da caça e da beleza e achei que traria um ar de menina bonita e forte para a minha protagonista haha Já Rhian, eu já havia subutilizando na minha última história, é um nome filipino, que eu acho que tem uma sonoridade muito legal, meio unissex, ai decidi usar de novo, achei que combinava com os traços da personagem =)

Ps1: Vc é do Rio!! Estarei ai para as Olimpíadas, adoro a sua cidade *.* E adoro a Ellie Goulding, dá pra ouvir esta moça para sempre haha

Ps2: Foi exatamente esta a minha reação haha Tipo, quem está tocando Man Down num evento tecnológico? E a música entrou na minha cabeça, eu comecei a ter idéias, havia acabado de voltar do Rio onde havia tido um momento maravilhoso em Búzios e tudo foi se formando devagar ^^

Ps3: Meu gênero original é literatura fantástica. Delirium é a minha primeira história fora do gênero, estava nervosa e ansiosa para ver se conseguiria escrever de maneira satisfatória mas aparentemente, tudo está indo bem, a insegurança já passou =) E sim, eu quero muito, mas muito mesmo publicar :/ Estou estudando algumas possibilidades e guardando essas cinco histórias para plubicação, é um campo difícil, principalmente para escritores novos e para romances gays, mas vamos em frente! Acredito que um dia tudo se encaixa, dar certo e eu vou ter um livrinho com meu nome publicado na minha estante :)

Ps4: Adorando seus comentários *.*

Bjs!



Nome: Marcinha (Assinado) · Data: 12/05/2016 19:09 · Para: Ex-namorada

Cara, a Diana tem que parar de ser tão teimosa e acreditar logo na Rhian neh?

Já to garrada no ódio por esse Romeo e prevejo q só vai piorar...Nuss

To comentando por capitulo q vou lendo tá....não fique brava ou brigue comigo...please? rsrs



Resposta do autor em 12/05/2016:

Por favor pode seguir comentando por capítulo lido! Quanto mais comentários mais eu entendo a visão de quem está lendo a história, então não tenha pena de comentar =)



Nome: thays_ (Assinado) · Data: 11/05/2016 12:06 · Para: Ex-namorada

Meu Deus, a Rhian é tão apaixonante <3<3 Muito angustiante a Diana não ter aceitado de primeira ir junto com ela, mas sei que tem muita coisa envolvida que a fizeram hesitar. To torcendo aqui hahha bjs



Resposta do autor em 11/05/2016:

Olá Thais! Rhian é uma linda, não é? Diana ainda vai acordar para sorte de tê-la, ela é teimosa, mas também é louca pela Rhian, pode continuar torcendo, capítulo fofo pela frente =)



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 10/05/2016 17:19 · Para: Ex-namorada
O amor entre elas é imenso. A rhian deve ter feito muita besteira p Diana ter terminado e ter tanta desconfiança. E a di pode tá com alguma doença. Mas elas são lindas. Bjs

Resposta do autor em 11/05/2016:

Olá Patty! Rhian fez algumas besteiras sim, mas nada que não possa ser consertado haha Ainda veremos muita coisa entre essas duas lindas. Beijos!



Nome: NayGomez (Assinado) · Data: 08/05/2016 04:42 · Para: Ex-namorada

Nossa essa desconfiança da Dih na Rhyan é  foda cara, só  porque as pessoas falavam mal da Rhyan, sei lá  acho que que ela deveria ouvir mais e achar menos.  Esses desmaios da Dih é  um mistério e ela só  tem quando está longe da Rhyan, elas não podem ficar separada e autora eu espero que esses desmaios não seja nenhuma doença ou coisa do tipo viu... ? Rs bjo o conto tá demais. 



Resposta do autor em 10/05/2016:

Oieee Nay! Então, Diana é teimosa e a personalidade da Rhian antes delas engrenarem namoro não ajuda muito nessa coisa dela restabelecer confiança total, mas pouco a pouco, ela vai cedendo :) Sobre os desmaios da Di, eles tem uma importância crucial na história, mas prometo tratar tudo com muito carinho, tá? Beijos e continue comigo!



Nome: Ana_Clara (Assinado) · Data: 07/05/2016 02:21 · Para: Ex-namorada

É tão palpável o sentimentos delas, consigo tocar com as mãos o que as unem. Simplesmente delicioso esse clima de 'não posso te querer, mas te amo'. A Diana cheia de pensamentos conflitosos e a Rhyan, gente, essa mulher simplesmente é um achado. Se a Diana não quiser eu quero, com certeza!!! rsrsrsrs



Resposta do autor em 10/05/2016:

Hahaha a fila da Rhian é internacional, por isso a Diana fica louca de ciúmes e tinha tanto medo de perdê-la. E sim, o amor delas é maior que qualquer descrição, é uma daquelas coisas que simplesmente é, e fico muito feliz de estar conseguindo passar esse tipo de sentimento ♥



Nome: itbyar (Assinado) · Data: 07/05/2016 00:20 · Para: Ex-namorada
Ué não entendo porque ela reflita em acredita na polícia dela já que ela mesma disse que quando subiu de cargo viu coisas dentro da polícia com corrupção não é tão difícil pensar que possa ter sido comprada pelo irmão da rhian.. Beijo!

Resposta do autor em 07/05/2016:

Olá! Tudo bem? Então, a Diana sofre dessa coisa que a Ana Clara falou de "não posso te querer, mas te amo", o final do relacionamento delas foi desastroso, ela tentou ir em frente, mas não tem jeito, é da Rhian que ela gosta. Porém até se desarmar completamente ela fica buscando justificativas para ficar longe dela :) Vamos ver até onde esta trama nos leva, obrigada por acompanhar ^^



Nome: rhina (Assinado) · Data: 06/05/2016 23:36 · Para: Ex-namorada

Oi Teses. 

Demais minha querida Selena ela é intensa até nos comentários de outras histórias. 

Mas concordo a Mali atrapalhou... 

A Rhian deve ser uma gata avassaladora. 

Muitos mistérios ainda...E muitas coisas para esclarecer.

Beijos querida Tessa. 



Resposta do autor em 07/05/2016:

Oieee Rhina! Então, Rhian é a verdadeira fantasia tropical dessa história, Diana é a minha protagonista, mas a Rhian é meu cenário e boa parte da motivação do enredo, espero que continue comigo na leitura, viu? Mais mistérios pela frente!



Nome: albuquerqueselena (Assinado) · Data: 06/05/2016 22:17 · Para: Ex-namorada

Posso dar um tiro na Mali?

Esse capítulo já foi um pouco mais esclarecedor. Dá para ter uma idéia do que se trata os perigos que as girls enfrentam.

Melhor coisa do capítulo:

DR no meio do tufão.

Pior coisa do capítulo:

Empata foda --"

Eu quero elas juntam... ><

Eu qse sinto as dores da Diana.

Essa Rhian deve ser muito gata.



Resposta do autor em 07/05/2016:

Tiro autorizado, Selena! haha Mali merece, acho que a Diana concorda plenamente com você rsrs E sim, a DR no meio de tufões, furacões e maremotos são caracteristica crucial do nosso querido casal, e sim, Rhian é gata a nível de causar boa parte dos delírios da Diana, é parte dela rs Obrigada por continuar na leitura comigo, e, reforço, quero trocar ideias com vc, vamos alinhar a respeito. Beijos!



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