Sunshine: esperança. por femarques


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CAPÍTULO 29:

 

            “Pronta para se despedir das viagens de avião?” Scoutt perguntou me olhando de relance e sorrindo, antes de soprar a fumaça do cigarro pela janela de seu carro.

            “Eu estou, e você? Pronta para se despedir de Seattle?”  Perguntei rindo e me sentando de lado, ficando assim, de frente para ela.

            Scoutt maneou a cabeça e deu de ombros, fazendo um biquinho no final.

            “Se você ainda tem dúvidas, podemos esperar.” Resmunguei baixinho.

            Ela abriu um sorriso largo e soltou sua risada grave. Tragou o cigarro e me encarou enquanto esperava o sinal abrir para seguirmos com o carro.

            “Boba, estou brincando. Não vejo a hora de sair daqui.”

            Dois meses se passaram desde todos aqueles acontecimentos ruins e angustiantes. Dois meses se passaram deixando para trás e dando adeus a todas as barreiras que se interpuseram entre nós por tanto tempo.

            Scoutt finalmente aceitou minha proposta de morar comigo em Chicago. Já havia assinado sua demissão na Seattle Publisher e agora esperava o prazo para sair do apartamento, que seria em duas semanas. Enquanto isso, arrumava suas coisas em caixas para poder despachar para Chicago antes de se mudar.

            Allegra continuava no apartamento em que morei com ela por tanto tempo e não consigo falar com ela. Minhas coisas que ainda haviam ficado por lá foram despachadas para portaria, não me deixando subir. Eu queria falar com ela e me desculpar, acabar com o clima chato, mas respeitava seu tempo e distância.

            Como boa amiga de Tom e mantendo nosso grude habitual, aluguei junto à Scoutt um apartamento no mesmo prédio que o dele e, aproveitava esse tempo ainda sozinha para decorá-lo com minhas coisas.

            Essa era minha última visita a Seattle para ver Scoutt, uma etapa de nossa vida juntas se fechava para outra ainda melhor se abrir.

            Quando chegamos a seu apartamento no centro suspirei ao ver a bagunça que estava a sala.

            “Você sabe que vai ter que limpar antes de sair, não é?”

            “Sim, eu sei.”

            “E porque está tornando a limpeza mais difícil com toda essa sujeira e restos de comida em cima das caixas?”  

            Scoutt me olhou como se não entendesse o que eu queria dizer.

            “Mea, não vou ficar abrindo as caixas para pegar pratos e talheres, então eu tenho comido pizza ou lanche, ou coisas que me mandem talheres plásticos.” Me respondeu enquanto andava pelo apartamento recolhendo as caixas de sobras.

            “E talvez isso devesse ser a última coisa que se guarda em uma mudança.”

            “E talvez blábláblá.” Scoutt respondeu rindo e foi em direção a cozinha, amontoar mais lixo na lata pequena que ali ficava.

            Me sentei no sofá e suspirei, cansada pelo voo. Passaria o fim de semana com Scoutt, como sempre.

            Logo seu novo amiguinho peludo se aproximou latindo. O cachorro não era mais tão pequeno. Correu em minha direção e pulou no sofá, deitando em meu colo.

            Enquanto afagava sua cabeça, Scoutt apareceu com duas latas de refrigerante e se sentou ao meu lado.

            “Já escolheu um nome para ele, amor?”

            Ela negou com a cabeça enquanto abria as latas, deixava a minha sobre a mesa de centro e dava, finalmente, um gole no seu.

            “Podemos colocar um nome clássico, tipo Tobby.”

            Scoutt riu e bateu a mão na coxa, fazendo o cachorro se levantar e correr para seu colo.

            “Esse nome é tão sem graça. O nome dele é cachorro, só isso.”

            “Credo. Um nome chato como você.”

            “Shh, para de ser chata.” Ela sussurrou e se aproximou de mim, me dando um beijo demorado, colando seus lábios no meu. O clima começava a esquentar quando o cachorro latiu, enciumado, nos fazendo parar.

            “O que vamos fazer hoje?”

            “Sair com Megan, sua namorada, e os meninos.”

            Respirei fundo e concordei com a cabeça.

            “Relaxa, amor. Megan e Alexia estão bem, ela nem se lembra mais que um dia quis o que é meu.”

            Soltei uma risada alta e me levantei, dando um beijo rápido em sua testa e lábios. “Tá certo, minha dona.” E fui em direção a cozinha. Estava ficando com fome e com tudo encaixotado assim, seria difícil cozinhar algo, mas pelo menos tentaria.

            Abri algumas caixas que estavam na cozinha para achar panelas e os utensílios necessários, rindo da desorganização de Scoutt. Estava tudo misturado.

            Senti quando ela se aproximou graças a energia que existe entre nós quando estamos perto uma da outra. Olhei para trás de relance enquanto fazia uma omelete a vi se acomodar na bancada atrás de mim, que separava a cozinha da sala.

            “Conseguiu falar com Allegra?”

            “Ela não me atende e nem me deixa entrar no apartamento. Eu só queria me desculpar e falar algumas coisas, mas tudo bem, respeito seu tempo.”

            “Certo, entendi. Só tome cuidado, ela sempre sabe se aproveitar das oportunidades que tem.”

            Dei risada e neguei com a cabeça.

            “Antes de tudo éramos amigas, e tenho carinho por ela. Só quero saber se ela está bem. Mas deixa para lá, um dia, quando der, quando for a hora, nos encontraremos.”

            “Melhor assim.”

            Scoutt se levantou em um pulo, como uma criança arteira e foi até uma das caixas que abri para pegar dois pratos e talheres, deixando-os perto de mim.

            “E seu pai? Falou com ele?”

            “Não.” Scoutt respondeu e eu percebi seu tom de voz seco e ríspido. Não queria falar disso.

            “Você está a dois meses sem falar com ele?”

            “Que droga, Mea. Para de insistir nisso. Parece que o defende. Não percebe o que ele fez? Mentiu para mim por todos esses anos que ela não era minha mãe.”

            Depois de me responder bastante alterada, correu para a sala e escutei o som de algum programa passando quando ela ligou a televisão.

            Servi as omeletes nos pratos e fui atrás dela, me sentando ao seu lado. Coloquei seu prato em seu colo e me ajeitei com o meu, apoiando meus pés na mesa de centro.

            “Eu não o defendo, amor. Ele mentiu para você e foi horrível o que te fez passar, mas pensa, sem essa história de mãe biológica, ele se doou muito por você e esteve com você durante todos esses anos. As pessoas erram, e essa mentira fazia parte do seu passado, foi algo que ele fez de errado lá no começo quando também deixou que você morasse em Boston sem ele. Percebe? Não precisa ficar bem com ele agora, só o perdoe.”

            Scoutt deu de ombros e começou a comer, aumentando o volume da televisão. Não queria mesmo falar disso por enquanto, mas eu sabia que ela tinha me escutado de uma forma ou de outra.

           

            Mais tarde naquela noite quando acabei de sair do banho que tomei com Scoutt, onde nos amamos embaixo do chuveiro esquecendo dos assuntos pendentes, corri me arrumar escapando dos tapinhas dela em minha bunda.

            Scoutt foi até seu guarda-roupas que ainda continuava intacto e começou a se vestir com suas roupas de sempre. Uma calça jeans preta e uma camiseta cinza. Calçou um par de tênis preto e se sentou na cama para me esperar.

            Ri sozinha de ver a rapidez em que ela se arrumou enquanto eu ainda só havia vestido a lingerie e agora passava creme nas pernas.

            “Estou adorando essa visão.” Ela sussurrou com a voz falhando e a respiração entrecortada.

            Abri um sorriso malicioso e me inclinei mais para frente, continuando com o carinho dos meus dedos em minha própria perna, esfregando o creme, deixando meus seios cobertos por um sutiã preto meia-taça mais expostos para ela.

            “Vem aqui.”

            “Não, Scoutt. Vamos nos atrasar e acabamos de tomar banho.”

            “E daí?”

            “E daí que não.” Me levantei e fui até minha mala que estava no chão. Me abaixei para abri-la e escolher uma roupa, deixando agora minha bunda empinada para ela. Eu ria sozinha enquanto escutava-a bufar.

            Vesti uma blusa azul florida, com os ombros caídos e antes de pegar a calça jeans, me assustei com suas mãos geladas tocando minha cintura e a puxando para si.

            “Eu mandei ir até mim.”

            Soltei um suspiro longo e entreabri os lábios, soltando a respiração pela boca também, sentindo seus beijos molhados em minha nuca.

            “E você não me obedeceu.”

            Ela me virou de forma bruta e mordeu meu lábio inferior depois que me olhou, e abriu um sorriso malicioso, satisfeita com o efeito-Scoutt em mim.

            Fui jogada na cama e logo seu corpo estava sobre o meu. Levantou minha blusa até meus olhos, enrolando-a de modo que virou uma imitação de venda, abaixou meu sutiã de qualquer jeito e, com pressa, me tomou como só ela sabe.

 

            Chegamos ao bar que Scoutt marcou com seus amigos e ela segurava minha mão de forma possessiva, entrelaçando com força seus dedos nos meus. Afinal, eu não era a única com receio de encontrar a Alexia.

            Seu cabelo estava preso no coque de sempre, meu preferido, que dava a ela um aspecto relaxado e de que quem não se importava com nada.

            Eu usava a blusa caída nos ombros e uma calça jeans com os joelhos rasgados, acompanhando uma alpargata, me sujeitando a ouvir Scoutt dizer “vai sair com esses sapatos de velho de novo, amor?”.

            Megan e Alexia já estavam sentadas em uma mesa perto do bar, com Jeremy e Victor ao lado. Eles estavam tomando cerveja e riam bastante.

            Quando Jem nos viu aproximando, se levantou e gritou meu nome, fazendo Scoutt bufar.

            “Finalmente chegaram!”

            E sim, finalmente, porque graças ao ataque de Scoutt, estávamos uma hora e meia atrasadas.

            “Desculpa a demora, não resisti ao corpo de Mea.”

            Arregalei meus olhos e quis matá-la, bater a cabeça dela na parede e ir embora. Todos eles riram, inclusive Megan, que parecia descontraída e calma com tudo isso. Se continuasse assim, ganharia mais pontos comigo, que aos poucos via como ela queria – agora – apenas a amizade de minha namorada e se preocupava com ela, além disso, eu sou eternamente grata a ela pela força que deu a Scoutt naqueles tempos difíceis. Entretanto, Alexia não ria e estava com a cabeça baixa, envergonhada.

            Nos sentamos, eu ao lado de Jeremy e Scoutt ao meu lado e também ao de Megan. O garçom veio até a mesa e anotou nossos pedidos. Pedimos algo para comer e mais uma rodada de cerveja.

            A conversa estava agradável e eu via como Megan olhava para Alexia, feliz, que por sua vez, retribuía o olhar, mesmo que ainda se sentisse desconfortável com minha presença.

            Os amigos de minha namorada, que agora eram um pouco mais meus amigos também, queriam saber tudo sobre o novo apartamento em Chicago e quando seriam convidados a irem para lá. Scoutt falava emocionada sobre a mudança, era nítido que sentiria falta deles, e para confessar, eu também sentiria.

            Alexia se levantou para ir ao banheiro e eu me levantei também. Scoutt segurou meu braço e me puxou, percebendo minha intenção. Me abaixei e sussurrei no seu ouvido.

            “A pobre menina está super desconfortável com minha presença, só vou até ela para dizer que está tudo bem e já esqueci daquela história chata.”

            Me soltei dela e fui até o banheiro, onde me encostei na pia e fiquei esperando por ela. Quando saiu da cabine me olhou espantada e deu um sorriso tímido.

            “Olha, só vim aqui dizer que fico feliz por você e Megan.”

            Ela me olhou enquanto lavava as mãos e sorriu mais tranquila. “Obrigada, Mea.”

            “E também dizer que pode ficar mais tranquila, eu estou bem. Vamos apagar tudo o que já aconteceu entre nós.”

            “Claro.” Ela concordou também com a cabeça e foi secar as mãos. “Obrigada por isso.”

            “Imagina, Alexia!” Abri um sorriso largo e seguro de si, mostrando a ela que realmente não precisa se preocupar com isso.

            Voltamos conversando até a mesa e Scoutt me olhou emburrada, enquanto Megan parecia relaxada e feliz.

            “Voltei, boba.” Sussurrei em seu ouvido depois de dar um bom gole na cerveja gelada, que nem sempre foi minha bebida favorita, mas o clima estava bom para isso.

            “E como foi o papinho com a Alexia?”   

            “Bom, disse a ela que sou toda sua e não precisa ter medo de mim, que não vou atacá-la, e que fico feliz por ela e sua namorada.”

            Scoutt abriu um sorriso largo e deu de ombros, ainda tentando manter a postura inflexível e emburrada.

            “Disse isso mesmo para ela?”

            “Basicamente, amor.” Dei risada e depositei um beijo rápido em seus lábios.

            Ficamos por um tempo nesse momento particular, ignorando as pessoas a nossa volta, trocando beijos rápidos, provocações e olhares.

            Horas mais tarde, todos mais alterados com a bebida e cansados de tanto rir, voltamos para nossos lares. Scoutt abriu a porta cansada e me esperou entrar para trancá-la.

            Tiramos a roupa e exaustas e ainda meio bêbadas, nos jogamos na cama, ajeitando nossos corpos para dormir. Deitei a cabeça em seu ombro e passei a perna por cima de seu corpo.

            “Já decidiu que roupa vai ao casamento de Tom?” Perguntei, já de olhos fechados e com a respiração mais lenta.

            “A mesma de sempre.”

            “Não vai comprar outra?”

            “Não há necessidade.”

            “Tudo bem, então. Vai me ajudar a comprar a minha?”

            “Claro que vou, linda. Se é o que quer, eu vou.”

            Dei um sorriso, sentindo meus músculos pesados pelo sono que se aproximava.

            “Eu quero, sim. Obrigada.”

            “Imagina, linda. Se é para te ver feliz, não penso duas vezes em acatar seu desejo.”

 

            E com essa frase linda, beijou minha cabeça e começou a acariciar meus cabelos. Fui me entregando ao sono mais rápido do que queria e com uma sensação de paz tranquilizadora. Estava nos braços de meu amor, vivendo a vida que sempre quis com ela, e em breve, seríamos uma família morando em Chicago. Nada mais nos separaria, agora eu tinha certeza. Agora eu tinha certeza da escolha que fiz e de que a esperança de ver Scoutt melhor, feliz e em paz consigo mesmo, foi maior do que o medo de perder tudo outra vez. Ainda bem.

Nome: Palas F (Assinado) · Data: 11/11/2016 06:48 · Para: Capitulo 29

Indo dormir pra não estragar a minha sexta por não ter mais o que ler. Hsuahsu duas coisas estão me deixando beemmm inquieta, direi quando acabar de ler. Uma me intriga e a outra me ganha. Vou precisar do auxílio da autora, que inclusive ainda não favoritei. Que absurdo!!!! Kk beijos, pena que está acabando :'(



Nome: lohs (Assinado) · Data: 04/04/2016 16:53 · Para: Capitulo 29

Não comentei capitulo passado, mas falo nesse. kk

Só uma coisa pra descrever a entrega de Scoutt, INCRÍVEL!! Você soube como descrever, quase coloco Scoutt no colo. Ela é uma linda!

E bom, o que falar sobre o "efeito-Scoutt"...acho que quase todas sentem, né? Começando por mim... :)

Essa capítulo foi meio "estranho", sem confusão, sem dramas..kkk Ta dando um gostinho de "o fim está próximo" #todaschoram  :'[

No aguardo do próximo, Fê..

 

Beijos

 



Resposta do autor em 04/04/2016:

Comentário da melhor leitora do mundo chegou...

Você não pode falar do efeito-Scouttt como uma mãe não pode falar que o filho é lindo. Sacou?

E chora, tá acabando. 

Beijão.



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