Sunshine: esperança. por femarques


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CAPÍTULO 27:

 

MEA

            Abri os olhos confusa, sem saber em qual momento dormi. Olhei em volta e já sabia onde eu estava. Uma velha cabana, escura, cheirando a mofo, com algumas folhas secas espalhadas pelo chão de madeira empoeirado e sujo de terra. Mas não era essa lembrança que eu tinha quando vinha aqui. Esse lugar não foi sempre assim.

            “Acordou, querida.”

            Tentei me levantar da cadeira dura ao qual estava sentada, mas senti um material áspero apertar meus pulsos e tornozelos. Estava amarrada nos pés e braços da cadeira.

            “O que você quer comigo?”

            “O que sempre foi meu. Você acha que pode me rejeitar assim? Quando bem entender? Você era minha. E vai voltar a ser. Se comporte e não vou precisar feri-la.”

            “Porque me trouxe aqui?”

            “É abandonado o suficiente para ninguém nos encontrar até que um amigo chegue com o helicóptero que irá nos levar para bem longe de todas essas pessoas que querem nosso mal. Além disso, você amava vir a esse lugar, meu bem.”

            “Você é louca! Sempre foi! Sempre quis me controlar para que eu fosse a pessoa que você queria que eu fosse, para te dar prazer. Sempre foi só você! Acha que me prendendo aqui, eu vou te amar ou algo do tipo?”

            “Não, Bradley. Mas se não for minha, não será de mais ninguém.” Ela respondeu com a voz fria o bastante para me fazer tremer com o calafrio que subia minha espinha.

 

SCOUTT

 

            Megan gritava por alguém em meio a soluços. Me pegaram no colo e me deitaram em alguma superfície macia. Além da visão escura e turva, os sons se apagavam aos poucos, conforme minha respiração se acalmava e meus batimentos cardíacos diminuíam cada vez mais, até meu corpo e mente se desligarem como se estivessem dopados. Graças a Deus, toda aquela dor estava indo embora.

 

            Acordei horas depois atordoada, sentindo minha mão doer insuportavelmente, além de meu corpo todo estar dolorido como se tivesse sido quebrado em vários pedaços. Não me sentia muito longe disso. A sensação de torpor e esquecimento da noite em que cheguei se perdera, devolvendo a meu corpo e coração as mesmas dores e sensações de vazio.

            Pisquei os olhos devagar, começando a enxergar de forma embaçada o local em que estava. O apartamento me parecia familiar, as mesmas vigas de madeira no teto e uma lâmpada pequena no centro. Vi Megan ajoelhada no chão ao meu lado, sorrindo docemente. Eu estava em seu apartamento, no campus da universidade. Engoli em seco com o primeiro pensamento que tive: Mea.

            “Saudades desses olhos verdes quando acordam.”

            Respirei fundo e todos meus músculos se contraíram como se minhas costelas estivessem quebradas. Fechei os olhos que já ardiam com o desejo das lágrimas de saírem de novo. Não me deixavam em paz.

            “Não precisa falar nada, eu sei o que aconteceu com você. Mea nos contou tudo.”

            Me sentei às pressas e soltei um gemido de dor. Limpei as poucas lágrimas e a umidade no canto dos olhos e nariz com a costa da mão.

            “Você a viu?”

            “Sim.” Respondeu Jeremy, aparecendo atrás de Meg, com uma loira alta junto de si, que me parecia familiar, mas não conseguia me recordar de onde. Tinha os cabelos louros com as raízes mais escuras, cortados na altura do ombro e bastante ondulados. A garota desconhecida era bonita.

            “Mea me ligou preocupada com seu sumiço e nos contou tudo.”

            “Cadê ela?”

            Antes de ser respondida escutei latidos e um cachorro pequeno, branco e manchado de marrom, apareceu correndo, o que mais pareciam pequenos saltos. Desajeitado com suas próprias patas para correr. Esbocei um sorriso de canto e estendi a mão que foi imediatamente lambida sem parar.

            “Voltou para Chicago, depois liga para ela. Nós já deixamos um recado em sua caixa postal, o celular dela está desligado.”

            “E quem é esse cachorro?” Jeremy perguntou.

            “Esse é... o cachorro. Ele não tem nome, é cachorro. Eu o encontrei na estrada, quis ficar com ele.”

            “E o traz para meu apartamento?”

            Enquanto o cachorro me lambia, recordei automaticamente da viagem terrível que fiz, ignorando completamente a pergunta de minha amiga. Meus olhos se tornaram sombrios encarando o vazio. Em nada me adiantou aquela viagem, continuaria convivendo com a rejeição sofrida e as consequências de um trauma tão violento, mas agora, com uma pitada a mais: a dor de saber que tenho uma mãe que nunca conheci e nunca conhecerei.

            “Certo, não quer conversar ainda. O Jem buscou roupas para você, toma um banho, por favor. Deve fazer uns dias que você...”

            “Eu sei. Obrigada.”

            Me levantei e fui devagar até o banheiro, trancando a porta atrás de mim. Demorei mais tempo encarando minha expressão cansada no espelho, as olheiras, meus olhos vermelhos e o verde que os coloria tão apagado, sem vida, tornando-se um cinza sem graça. A bochecha ralada tornava o visual pior e mais sofrível ainda, como alguém digna de pena e de se manter afastada, como sempre me senti.

            Somente após sair do banho notei quão perdida eu estava com relação ao tempo. Vesti a roupa que Jeremy trouxe, uma calça de moletom cinza e uma camiseta branca. Deixei os cabelos molhados e pingando na roupa. A cada movimento meu, cada gesto, olhar, respiração, tudo o que eu fazia parecia estar acontecendo em câmera lenta. Como se eu me movesse em um espaço desconhecido e sem cor, sem vida. Como se a ficha de tudo o que havia acontecido ainda não tivesse realmente caído, e eu vivesse nesse eterno torpor e sensação de não-pertencimento.

            Jeremy me esperava com uma caneca de café fumegante na mão, sentado no sofá. Peguei a caneca de sua mão, me colocando ao seu lado. Tomei um gole, soltando um gemido gutural a favor do sabor do líquido.

            Megan apareceu com uma caixa e se sentou na mesa de centro. Pegou meu braço e puxou-o com cuidado, me fazendo estender a mão.

            “O que aconteceu aí?”

            “Soquei a parede.” Respondi encarando a mão ferida, com os nós dos dedos sujos de sangue seco e ralados. O pulso bastante roxo, assim como o restante da pele ali, fora o inchaço.

            “Deixa eu cuidar disso.”

            Megan limpou todos os ferimentos e passou uma pomada, enfaixando em seguida toda minha mão, até o pulso. Grande besteira a minha.

            “Que horas são?” Perguntei a eles.

            “Duas da tarde, sexta-feira.” Respondeu a loura estranha, ficando com a pele toda rosada, envergonhada com a intromissão.

            Fiquei surpresa por saber que havia apagado por quase um dia inteiro. Precisava ter notícias de Mea urgentemente.

            “E então, como você está se sentindo?” Jeremy perguntou receoso.

            “Vazia. Aquela mulher fez o que fez por puro prazer, sem desculpa alguma.”

            “Você já imaginava isso, e não precisa dela para nada. Deixa ela para lá.”

            “Eu sinto como se tivesse perdido o sentido das coisas. A droga do meu livro conta uma história que eu jurava ser minha, mas não é. Não foi a mãe que me abusou, ela nem era para ser minha mãe. Como eu nunca soube disso? As coisas nem eram para ter acontecido assim.”

            “Scoutt, claro que não! A sua história é essa. Você só tem coisas a mais para contar agora. Você foi abusada por alguém que foi sua mãe adotiva de certa forma. É você isso, não deixou de ser. Sua mãe não ser ela, não muda quem você é.”

            “Eu nunca tive muito além de um passado ruim, e agora sinto como se nem isso fosse meu mais.”

            “Scoutt, você viveu isso. Só agora tem mais coisa para contar, sério. Mas não deixa de ser você. Quem enfrentou tudo isso, foi você.” Megan respondeu, se entrepondo na conversa.

            Dei um sorriso para Megan, agradecendo a tentativa de me fazer sentir bem e fiquei em silêncio, tomando meu café e esperando o curativo terminar de ser feito.

            Pedi cigarros a Jeremy e passei o dia no sofá, fumando sem falar com qualquer um e ligando para Mea, mas a chamada só dava caixa postal.

            “Não conseguiu falar com ela ainda?”

            Neguei com a cabeça e respirei fundo. De repente, meu celular tocou e atendi correndo sem olhar o identificador de chamadas, esperando que fosse minha amada, mas era Tom.

            “Scoutt, você está com a Mea ainda?”

            “Eu não, cheguei de viagem ontem. Não sei onde ela está. Achei que tivesse voltado para Chicago, Tom.” Me levantei do sofá, deixando o café na mão de Jeremy, já sentindo meu estômago embrulhar.

            “Era para ela ter chegado na quinta-feira, ia pegar um avião na quarta à noite.”

            “Faz um dia que ela não chegou e só agora você se preocupa?”

            “Ah, cala a boca, Scoutt. Você sumiu por quatro dias sem se preocupar com a Mea! Eu achei que ela tivesse ficado em Seattle por sua causa. Por sua causa ela mal estava falando comigo, de tão preocupada. Achei que tivesse te encontrado e não quis atrapalhar.”

            “Bom, ela não está comigo.”

            “A mãe dela não sabe onde ela está também e nem o pai dela. Já liguei para todo mundo. A mãe dela disse que Mea prometeu de ligar assim que chegasse aqui, mas como a relação delas não é das melhores, achou que Mea poderia ter esquecido, então não verificou o paradeiro dela.”

            “Ligou para a... Allegra?”

            “Sim. Mea está sumida.”

            Depois do telefonema, o restante do dia passou voando enquanto me mantive sentada no sofá, praticamente comendo meus cigarros. Mea estava desaparecia, do nada. E se ela saiu a minha procura e sofreu algum acidente? Não conseguia pensar em nenhuma outra explicação. Meu peito doía com a ideia de tê-la desaparecida, perdida e sozinha. Minha menina. Minha culpa.

            Se eu não estivesse tão focada em mim, tão focada em resolver minhas merdas, em reviver meu passado para tentar ressignificar minha vida, eu saberia onde ela está e poderia tê-la protegido.

            Talvez se tivesse procurado por Mea quando cheguei, mas vim direto à casa de Megan.

            “Você precisa comer. Está definhando. Sua aparência está... feia. E você não para de fumar, quer morrer antes de encontramos Mea?”

            “Não estou com fome.” Olhei para Megan, que me encarava cautelosamente.

            “Você ainda está um caco, Scoutt. Precisa comer.”

            “Não tem problema. Só quero saber onde Mea está. A culpa é minha, sabe? E pouco me importa como estou, se não a encontrar, definhar seria a melhor coisa que me aconteceria.”

            “Claro que não!” Megan se sentou ao meu lado no sofá e segurou meu braço, acariciando a pele com o polegar. “Você não podia saber que ela iria desaparecer, e estava passando por algo muito ruim. Você estava e ainda está muito mal, foi atrás da sua origem, quis entender o que aconteceu com você. Não é justo que seu pai tenha escondido isso por tanto tempo e agora despejado em ti. Você não tem culpa de nada. O Tom ligou, eles e o pai de Mea estão vindo para cá. Vamos para a casa da mãe da Mea, combinamos de ficar todos lá, tudo bem?”

            Balancei a cabeça em sinal positivo e me levantei, indo atrás do cachorro. Jeremy e a loura que ainda não me recordara quem era já esperavam próximos a porta. Me despedi do filhote a mando de Megan, era melhor não levar um cachorro para a casa da histérica da minha sogra.

            Mea estar desaparecida fazia sumir de meu peito toda a angústia sobre minha vida, toda a dor, me dava forças para continuar e me mostrava o que realmente valia a pena agora. Mea era meu raio de sol. Sempre fora e sempre será. Era por ela que toda a besteira que vivi deveria ficar para trás, ser superada, enterrada, esquecida. Não importa quem eu fui, quantas mentiras e atrocidades eu vivi, agora tenho uma vida boa e alguém do meu lado que amo. Vou encontrá-la nem que tenha que sair pelo mundo procurando-a.

 

            Horas mais tarde, já na casa de Regina – que me olhava torto como se eu fosse um monstro ou estivesse em um estado muito deplorável -, esperávamos alguma notícia de Mea. Regina e seu marido, Lincon, ligavam para o detetive Clark que me ajudou quando fui espancada pela ex. namorada maluca de Mea, com o propósito de lançarem um alerta de desaparecimento.

            Já tarde da noite a campainha tocou, me fazendo assustar e despertar. Megan conversava baixinho com Regina, que por sua vez me olhava agora com piedade. Inferno. O problema de ser fodida são esses olhares cheios de piedade, como se olhassem para um animal enjaulado. Tinha certeza que Megan estava se explicando por mim, como se eu devesse explicações para essas pessoas. Queria que todos fossem ao inferno com isso, que na verdade, era o lugar em que eu sentia estar. A única que me tomaria explicações e um pedido de perdão, era Mea.

            Lincon abriu a porta e o detetive entrou com um policial ao seu lado. Atrás dele, Tom, Adele e Allegra entraram também. Pressionei os lábios e tencionei o maxilar, encarando Allegra que parecia perdida e desesperada. O calor da raiva se espalhando em meu peito quando vi Allegra entrando abrandou com a pontada de decepção que cortou minha esperança de ser Mea tocando a campainha.

            Me levantei, passei a mão não enfaixada no rosto, tentando ficar mais apresentável e fui até eles, que conversavam com Lincon e Clark.

            Tom me pegou de surpresa ao envolver os braços em volta de meus ombros, me puxando para um abraço apertado e dolorido demais.

            “Sinto muito pelo o que aconteceu com você e pelo o que te disse no telefone. Sei que está preocupada também. E sinto muito, mas tive de avisar Allegra e ela insistiu em vir junto.”

            “Tudo bem, cara. Está tudo bem. Nós vamos encontrá-la.”

            Tom me soltou e fui logo abraçada por Adele. O detetive me cumprimentou com um aperto de mão e analisou meu rosto machucado, desviando o olhar para minha mão enfaixada também, soltando um riso baixo em seguida.

            “O que aconteceu com você? Preciso prender mais alguém que te bateu?”

            Arregalei os olhos para ele e deixei meu queixo cair, com os lábios entreabertos.

            “É isso! É Lizzie!”

            Todos na sala viraram em minha direção, sem entender.

            “Eu ainda fiz uma queixa sobre achar ter a visto por Seattle, e se ela pegou a Mea? Ela é maluca!”

            “Ela pode ser maluca mesmo.” Uma voz conhecida e que me causou arrepios instantâneos adentrou a sala. Olhei em direção a porta e vi John parado ali, sem graça.

            Soltei uma risada alta, levando uma mão à altura do estômago, como se segurasse minha barriga no lugar, sentindo o enjoo tomar todo meu corpo.

            “Alguém pode fechar a porra da porta para que pessoas indesejáveis parem de entrar?”

            “Eu só vim ajudar, filha.”

            Balancei a cabeça de um lado para o outro e respirei fundo, tentando me controlar. Odiava o fato dele estar aqui como se nada tivesse acontecido, ainda mais vendo o estado em que eu estava, lutando contra meus próprios demônios e sofrimento para encontrar Mea, dar força a ela, voltar a ser a pessoa que ela precisa que eu seja.

            “Eu acho que faz sentido sua suposição. Se essa ex. namorada de Mea for extremamente narcisista, só pensa nela. O rompimento pode ter alterado seu humor, como se fosse uma ofensa a ela ser abandonada por Mea.”

            “Como se você soubesse alguma coisa sobre preservação de personalidade ou qualquer outra merda que psicólogos saibam. Ou melhor, você entende bem sobre pensar só em seu próprio umbigo!”

            Senti alguém segurar meu braço e fui tirada dali, sendo arrastada enquanto eu soltava um dicionário de palavrões baixinho.

            “Me solta, porra!”

            Megan soltou meu braço quando chegamos a cozinha e bufou, me encarando.

            “Seu pai me ligou para ter notícias suas e notou que algo estava acontecendo. Quando contei, ele insistiu em vir ajudar. Esquece que ele está aqui, todos queremos encontrar Mea e ele pode ser útil.”

            Encarava minha amiga, sem acreditar no que ela dizia, mas dei de ombros, desistindo de ter outra briga feia agora. Queria tirar o foco de mim e dar total atenção a Mea.

            “Você realmente acha que pode ser a ex. namorada, Scoutt?”

            “Sim. Eu achei que tivesse a visto por aqui há uns meses, e se ela foi atrás de Mea?”

 

            O pai de Mea já havia chegado, era madrugada de sexta-feira. Jeremy dormia no sofá enquanto todos os outros andavam pela casa em silêncio e cochichavam, observando o trabalho do detetive de ligar para vários lugares e esperar sua equipe dar uma resposta sobre as câmeras de vigilância do aeroporto, da casa de Regina e da rua, qualquer coisa que mostrasse Mea entrando em algum lugar ou Lizzie com ela.

            O clima pesado estava pior cada vez que eu via Allegra sentada no sofá próximo ao que eu estava sentada, preocupada e aflita. Engoli em seco meus pensamentos e fui para fora da casa.

            Me sentei em uma mureta onde haviam vários vasos de flores, na varanda, tomei um cigarro amaçado do bolso, o último, e o acendi, tentando desviar minha tortura pessoal dos pensamentos.

            “Você está bem?”

            Escutei a voz de Megan atrás de mim e ela logo se sentou ao meu lado. Pegou meu cigarro e deu uma tragada longa.

            “Você está grudenta demais.”

            “Idiota, estou preocupada com você.”

            Suspirei e me deixei ser vencida pelo carinho de Megan. Deitei a cabeça em seu ombro e tomei o cigarro dela.

            “Obrigada por estar comigo nisso, pode ser difícil para você.”

            “Convencida demais para o meu gosto, mas estou bem. Sabe, estou namorando.”

            “Falando nisso, quem é a moça que está aqui e estava no seu apartamento?”

            Megan começou a rir e se afastou, me fazendo levantar a cabeça. “É a Alexia, esqueceu dela? Estou com ela.”

            Comecei a rir, esquecendo um pouco dos problemas. Como as coisas mudam e são engraçadas. Megan e Alexia.

            “Fico feliz por você, Meg. É engraçado, devo dizer. Você e ela que não me queriam com Mea.”

            Ela piscou para mim e roubou meu cigarro de novo.

            “Mas e aí, como você está, Scoutt?” Desviou o assunto, mostrando claramente que não queria ser enrolada sobre meus sentimentos.

            “Não consigo ficar lá dentro vendo Allegra tão preocupada.”

            “Scoutt, todos nós estamos.”

            “Não, você não entende. Se eu não tivesse voltado para vida da Mea... Allegra sempre pode dar a ela tudo que eu não pude e nem sei se posso. Allegra a trataria bem, daria a ela uma vida mais tranquila. Enquanto eu, com todos os meus problemas, não pensei duas vezes ao voltar minha atenção só para mim, pegar a porra do meu carro e ir para Boston. Se eu não tivesse ido...”

            As lágrimas brotaram em meus olhos e minha garganta apertou. Podia sentir entre minhas entranhas a dor que brotava em meu corpo. Sentia-me de volta a mesma escuridão que vivi por muito tempo, a mesma que dominava minha mente e meu corpo, que me doía até o último suspiro e que nada fazia passar. A culpa me corria por dentro, do meu egoísmo, falta de esperança, perseverança, de força. Se eu tivesse me comportado diferente dessa vez, a teria comigo, a teria segura, sem correr risco algum.

            “Ei, tem muito “se” nessa sua lamentação. Allegra nunca foi o que Mea quis, e você não tem culpa da ex. maluca tê-la encontrado. Isso teria acontecido de qualquer maneira, Scoutt. Você não pode se culpar por descobrir mais coisas ruins sobre você, eu sei que você a afastou para que ela não te visse assim, eu te conheço, sei disso. E olha, se você estivesse aqui, teriam brigado, poderiam ter acontecido coisas piores, como a ex. dela ter agredido você para leva-la.”

            “Meg, não adianta. Não consigo me livrar dessa culpa. Ela me deu tanto em tão pouco tempo. Eu sou grata a você e ao Jem, e até ao Victor mesmo que ele não seja tão próximo de nós. Vocês me aguentaram por muito tempo, me ajudaram como puderam. Mas Mea...” Sorri sozinha, lembrando da minha menina sorrindo, leve como sempre foi, despreocupada, sem medo de enfrentar os problemas e seus medos. Os meus medos. Sem medo de entrar na escuridão comigo para me tirar de lá. “Desde a forma como nos conhecemos, com ela esbarrando em mim, as coisas que enfrentamos juntas, a força dela em estar ao meu lado, as brigas, as risadas, as vezes em que vamos ao mercado e ela espera que eu me comporte mal só para me dar uma bronca e depois me beijar, sabe? Eu me sinto culpada por estar perdendo a melhor coisa que aconteceu na minha vida. A mulher da minha vida é ela, Megan. Eu preciso saber onde ela está!”

            Fomos interrompidas por Lincon que nos chamou para ir até a sala escutar a nova descoberta do detetive.

            Enxuguei as lágrimas com as mãos e beijei o topo da cabeça de Megan, agradecendo-a. Entramos de mãos dadas e nos reunimos com o pessoal ao redor dos sofás.

            “Encontramos filmagens no aeroporto de Mea saindo do banheiro com uma mulher alta, que usava boné, mas podemos ver o cabelo comprido e preto até os ombros. A mulher acompanhava Mea por trás até o estacionamento. Conseguimos filmagens de algumas ruas pela placa do carro que apareceu na câmera na saída do estacionamento. O carro é roubado e seguiu até o fim de uma rodovia que dá entrada a estradas de terra. Perdemos o contato. Emitimos alertas para Mea Bradley e Lizzie Anderson, estamos enviando equipes de busca para todas as estradas de terra que tem início por ali, mas são muitas.”

            Olhei para Megan ao meu lado e saí dali a puxando de volta para a varanda.

            “Descobre o número de telefone do pai dela, Meg. Vou ligar para o pai de Lizzie. Ele é um empresário conhecido, deve ter algum Derek Anderson na lista telefônica.”

            As horas haviam passado sem que ninguém notasse e o sol de sábado brilhava no céu pela manhã, enquanto Megan buscava o número na internet do senhor Anderson.

            “Aqui, Scoutt.”

            Megan me passou o celular dela já discando e eu coloquei na orelha, logo quando Clark apareceu.

            “Para quem você está ligando?”

 

            “Para Derek Anderson.”

 

 

Nome: annagh (Assinado) · Data: 24/03/2016 02:16 · Para: Capitulo 27

Boa noite Linda Flor!!!

Obrigada por esse presentão.... Mas, confesso que tô ainda mais ansiosa...rsrsrs...

Espero que não aconteça nada sério com Mea. Odeio violência mas deu vontade de vê Scoutt socando a cara dessa Lizzie...kkkkkkkkk....e concordo com a leitora Ada, Scoutt tem que parar de fumar, me dá até agonia...até na hora de fazer amor a mulher fuma gente....kkkkkkkkkkkkkkk

Beijo Fe. Feliz Páscoa!!!



Resposta do autor em 23/03/2016:

Boa noite!

Imagina, disponha!

Gente, deixa a menina fumar, ou é isso mesmo que ela vai fazer: socar a cara da ex. maluca.

Feliz Páscoa, Ana. Beijão!



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 23/03/2016 18:17 · Para: Capitulo 27
Quanta tensão. A doida atacou de novo. Scout pensou bem. Ansiosa demais p próximo capítulo. Valeu gata. Bom feriado. Feliz Páscoa. Bj

Resposta do autor em 23/03/2016:

Disponha!

Scoutt bem que podia dar um jeito na doida, né?

Bom feriado para você também. Feliz Páscoa!

Beijão!



Nome: Ada M Melo (Assinado) · Data: 23/03/2016 18:11 · Para: Capitulo 27

obrigada!!! amamos o presente antecipado... e estamos preocupadas com a Mea, mas scoutt vai encontra-la  e scoutt para de fumar moça....

 

Femarques, abraço e um otimo feriado!



Resposta do autor em 23/03/2016:

Que bom que gostou! 

Se Scoutt parar de fumar enquanto está preocupaa com a Mea, é provável que ela mate alguém.

Outro abraço e ótimo feriado! Beijão!



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