Sobre a delicadeza do seu toque por Luah


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 Tempestade

 

Dou um grito assustado. Minhas mãos doíam. E lá estava ele me olhando com fúria. Meu coração acelerou. Aqueles olhos escuros me assustaram. Papai me pega pelo braço me levantando e logo depois me afastando do piano. E sem que eu espere, me joga longe. Caio ao chão. Minhas mãos estão machucadas. Ouço passos furiosos e quando eu volto a olha-lo, meu coração e novamente partido. Ouço um estrondo quando o carrossel acertar a parede se despedaçando bem ali na minha frente. 

 

-Não! - Meus olhos ficam embaçados.

-Quem lhe deu isso?! - Papai pergunta furioso. –Isso não é seu.

Me levanto cambaleante. Por que ele tinha sempre que me ferir?!

-O senhor não tinha o direito de quebra-lo! - Grito revoltada.

-Lhe perguntei quem foi que te deu aquilo. - O seu hálito bate em meu rosto.

-O senhor está bêbado? - Pergunto abismada. “Só o que me faltava” Penso. “Já não me bastou Samantha!”

-Não é da sua conta garotinha. - Começo a ri. –Do que está rindo? Por acaso eu sou algum palhaço?! - Pergunta aos plenos pulmões.

-Talvez. - Digo com raiva.

-O que você disse?

-Acho que fui bem clara. - Digo o olhando nos olhos. -Estou cansada de ser tratada como lixo.

-Mas é isso o que você é. - O homem a minha frente zomba. –Pra falar a verdade é pior que isso.

-Quer saber, estou cansada de suas ofensas. - Digo sentida. –Eu nunca lhe fiz nada para ser tra...

-Você me destruiu! - Papai trinca os dentes. -Você matou a minha Lívia. - Sua voz sai embargada. -Sabe o que sentir quando chequei em casa e minha esposa já havia morrendo? Eu a amava tanto, mas você a tirou de mim no dia em que nasceu.

-Eu não tenho culpa. - Um nó se forma em minha garganta.

-Como não?! - Papai fecha os olhos. –Lívia entrou em trabalho de parto antes do previsto. - Seus olhos se abrem me machucando. –Não era pra você nascer naquele maldito dia. Se tivesse esperando só mais um pouco, a minha Lívia estaria viva.

-Isso não faz sentido. - Digo baixinho. O homem de olhos escuro dar uma gargalhada.

-Nem pra isso você prestou. - Ele volta a cuspir seu ódio por mim. –Eu não estava aqui para salva-la. Era noite de tempestade. E aquela maldita ponte tinha que ser alagada. Eu não pude chegar a tempo. Eu não pude chegar a tempo de salva-la de você.

-Acha mesmo que eu não me culpo?! - Minha voz sai amargurada. -Acha mesmo que eu não sinto saudade? Você ao menos teve a chance de conhecê-la. Teve a chance de lhe dizer que a amava. Eu jamais poderei... - Minha voz embarga. -Jamais poderia dizer que a amo. Jamais poderei ouvir o som de sua voz, ou sentir o toque de suas mãos em minha pele. Jamais vou sentir a emoção de ter o seu olhar no meu. Eu jamais terei nenhuma dessas coisas

-Você jamais a mereceria! - Papai diz raivoso. –Você não merece nada. Nada além do meu ódio.

-Já estou acostumada com ele. Então isso já não me assusta. - Fecho as minhas mãos com força. Então me lembro que elas estão machucadas. –Já deixei de me importar à muito tempo.

Vejo o homem a minha frente se agitar. O seu peito subia e descia. Ele estava respirando com tanta força. E pela primeira vez eu não tive medo. Estava tão cansada de ser ferida. De ser culpada por coisas que estavam além de meu alcance. Estava cansada de ser magoada repetidas vezes.

-Você sabe o estrago que fez em minha vida? Sabe o buraco que deixou em meu coração?

-Eu sinto muito por isso.

-Você sente muito?! - Ele balança a cabeça. –Isso não é suficiente para trazer a minha Lívia de volta.

-O que está acontecendo aqui? - Tio Marcos pergunta entrando afoito na sala. –Dá pra ouvir os gritos de vocês dois lá de fora.

-Sair daqui Marcos! Isso não é assunto seu. - Papai diz nervoso.

-Eu não vou a lugar algum. - Meu tio se coloca a minha frente. –O que pensa que está fazendo? Desaparece por três dias e agora volta bêbado! 

-Já disse que não é da sua conta! - Papai empurra tio Marcos que vai meio cambaleante para o lado me deixando novamente na mira da fúria do homem de olhos escuros. –Você destruiu a minha vida! - Ele exclama a todo o pulmão. -Maldito o dia em que você nasceu e matou a minha esposa. - Arregalo os meus olhos azuis. –Era pra você ter morrido, não ela! Eu te odeio tanto.  

-Eu... – Meu corpo começa a treme.

-Cala boca garota! Você é a pior coisa que aconteceu em minha vida. - Seus olhos negros me dizem a verdade. Então sem que eu esperasse sinto sua mão atingir com força o meu rosto, o virando para o lado. -Eu te odeio! Era pra você ter morrido e não ela!

Meus olhos lagrimejam. Sinto uma dor forte no lado direito do meu rosto. Quando os meus olhos se voltam sobre ele, não vejo arrependimento. Sinto algo escorrer de minha boca. Levo a minha mão até lá. E quando eu a olho, vejo sangue. Depois disso não vejo ou ouço mais nada.

Minha respiração fica pesada. Em um rompante saiu correndo da sala. Meu corpo tromba em algo. Braços fortes me seguram evitando a queda. Mas quando olho para cima e aqueles olhos amarelados me olham de volta. Me afasto rapidamente. Não consigo ouvir o que dizem. Vovó Catherine tenta se aproximar. Mas eu recuo. As lágrimas embaçam a minha visão. A minha volta olhos curiosos me encaravam. Eu estava sufocando. Respiro fundo, mas não encontro ar. E então em passos rápidos corro para fora.

Corro para longe daquele caos. Ouço gritos. Vozes chamam o meu nome. Mas eu não posso olhar para trás. Eu não consigo olhar para trás. Meus pés desesperados só querem me levar para longe. Tropeço algumas vezes nos degraus da escada. Olho em volta. E como se meu corpo fosse atraído. Vou até onde Júpiter estava.

Então, lá estava ele no mesmo lugar em que eu o havia deixado. Vou o mais rápido que posso até ele. Desajeitadamente tento desamarrar o maldito cabresto, mas minhas mãos doíam. Elas doíam e me lembravam que eu precisava fugir. Quando finalmente consigo, tomo impulso e subo em sua sela. E sem olhar pra trás eu vou emborra. Estou a todo galope. Eu só precisava calar a voz de papai em minha cabeça. Mas as suas malditas palavras estavam ali. Me destruindo. Tento respirar, mas eu não consigo.

Os meus pulmões já não conseguem trabalhar. Meu corpo está pesado. Sinto como se milhares de espinhos caíssem fortemente sobre a minha pele. Olho para cima, o céu está chorando. Como não percebi que caia uma tempestade? Meu rosto e banhado pela água fria, assim como meu corpo anestesiado. Volto a olhar para frente, eu não me importo com as lágrimas que caiam do céu escuro. Não me importo com a sua dor. Afinal, eu tinha uma coleção para ser sentida.

Então apenas segui em frente. Alguns trovões gritavam do céu. Alguns raios o rasgavam ao meio. Era assustador. Mas mesmo assim eu segui em frente. Até que um raio cai próximo demais, assustando Júpiter. Eu não consego acalma-lo. O cavalo desesperado ergue as duas patas dianteiras. Tento segurar firme, mas minhas mãos doloridas não suportam. Então eu sou arremessada ao chão.  

Com o impacto sinto uma dor forte em minhas costelas. Me encolho por um misero momento. Então eu me viro, estou deitada de barriga para cima ao chão enlameado, as lágrimas da chuva caem sobre o meu rosto. Antes que eu posso me virar novamente, sinto algo cair com força sobre a minha mão esquerda. Que estava aberta ao meu lado. É uma dor tão grade. Sinto os ossos se partirem. Um grito agudo me foge da garganta. Rasgando-a. Quando viro a minha cabeça para o lado em que fui ferida. Sinto a outra pata de Júpiter me atingir. Então eu não sinto mais nada.

 

Tudo é silêncio. Tão calmo e profundo silêncio.

 

 

 

 

 

Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 09/05/2018 03:10 · Para: Capítulo 25 – Tempestade
;CARACA 


Nome: Naiara Gopin (Assinado) · Data: 06/05/2018 16:20 · Para: Capítulo 25 – Tempestade

Querida autora posta novos capítulos, por favor! Não estou me aguentando de tanta ansiedade (risos). Posta mais de um para recompensar, pois já tem mais de um mês que não lemos novos capítulos.

Desde já, agradeço! 



Nome: LeticiaFed (Assinado) · Data: 04/05/2018 02:20 · Para: Capítulo 25 – Tempestade

Querida autora, a história está tão boa (apesar de tanto sofrimento), quando ira continuar? Volta, por favor! 

Espero que esteja tudo bem contigo. Beijo!



Nome: Naiara Gopin (Assinado) · Data: 29/04/2018 22:27 · Para: Capítulo 25 – Tempestade

Por favor, poste novos capítulos! Desde já, agradeço!



Nome: crisley (Assinado) · Data: 28/04/2018 18:10 · Para: Capítulo 25 – Tempestade

Autora do céu, cadê vc, estou ansiosa pelo desenrolar dessa história linda, volta logo



Nome: erikarenata (Assinado) · Data: 12/04/2018 17:35 · Para: Capítulo 25 – Tempestade

Quando vai postar mais???
please



Nome: Kiss Potter (Assinado) · Data: 06/04/2018 01:54 · Para: Capítulo 25 – Tempestade

Mas que guria pra sofrer... Coitada!

Esse pão dela é um louco, como é que pode!?

Que absurdo! Preciso saber o desenrolar disso. Aguardo o próximo!!!



Nome: Thaci (Assinado) · Data: 05/04/2018 18:04 · Para: Capítulo 25 – Tempestade

Boa tarde,autora!

Gente!! Que pai é esse que culpa a sua propria filha de matar a sua mãe ao nascer?! E essa Samantha que louca. Coitada da Liz que só sabe sofre. E por favor acaba logo com esse misterio da separação de ambas. Já estou sem unhas de tão ansiosa por cenas do próximo capítulo. Nota mil e já favoritei a estoria estori. Parabéns conto muito mara.....



Nome: Naiara Gopin (Assinado) · Data: 03/04/2018 18:29 · Para: Capítulo 25 – Tempestade

Esse capítulo foi intenso. Coitada da Liz, só sofrimento. O pai é um doente e a namorada não dá apoio nenhum. Aliás, acho que já deveria esclarecer o que houve para provocar a separação das duas, aff! Não tô me aguentando de ansiedade.

 



Nome: NeyK (Assinado) · Data: 03/04/2018 11:19 · Para: Capítulo 25 – Tempestade

Cara que bad, esse "pai" dela é um FDP.



Nome: Pryscylla (Assinado) · Data: 02/04/2018 15:47 · Para: Capítulo 25 – Tempestade

Esse cara é pai?  Acho que não, ela só sofre coitada.

Bjus ;) 



Nome: sonhadora (Assinado) · Data: 02/04/2018 15:38 · Para: Capítulo 25 – Tempestade

Menina quanto crueldade num ser só! Como alguém pode acusar uma criança que nem nasceu de ser culpada pela morte da mãe? Espero que a Liz seja forte e supere tudo. Ansiosa para ver o desenrolar da história...

Beijos de Luz!



Nome: preguicella (Assinado) · Data: 02/04/2018 15:23 · Para: Capítulo 25 – Tempestade

Gzuiss! Coitada de Liz! Como o ser humano pode ser tão ruim!?

Espero que pelo menos ela ainda possa tocar piano! 



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