Sunshine: esperança. por femarques


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CAPÍTULO 23;

 

            Tudo estava indo bem, desde que nos acertamos com sua visita inesperada, temos conseguido manter um relacionamento tranquilo e sem mais traumas. Fevereiro já se despedia conforme a primavera aparecia e graças ao final de semana prolongado que me dei desde a sexta-feira, pude vir a Seattle visitar Scoutt.

            O problema de nosso atual relacionamento ainda sem nome era a distância. Não podíamos ir de carro, já que teríamos que enfrentar uma viagem de trinta horas, portanto, o gasto com voos estava ficando difícil.

            Era sábado à tarde e nós duas estávamos indo ao supermercado para abastecer a geladeira de Scoutt, que era um horror em termos de comida saudável...ou qualquer coisa comível mesmo.

            “E então, chocolate?”

            Scoutt perguntou enquanto pegava uma barra de chocolate branco de uma das prateleiras, empurrando o carrinho ao mesmo tempo.

            Dei de ombros e suspirei. “Tudo bem, mas para compensar você promete fazer o brócolis que iremos comprar.”

            “Prometo dar para o cachorro.”

            Dei risada e tomei o carrinho da mão dela.

            “Você não tem cachorro, boba.”

            “Posso ter um só para dar brócolis a ele, seria saudável, não?”

            “Você é chata demais.”

            Scoutt riu e se aproximou de mim, deixando um selinho rápido em meu ombro e outro no pescoço.

            “Estou com saudade de uma coisa.”

            “O que?”

            Respondendo com gestos, Scoutt levou a mão até a minha bunda depois de dar olhadelas para trás e os lados, e a apertou com força.

            “Scoutt!”

            “Vou pegar o maldito brócolis.” E saiu andando na frente, dando risada, totalmente despreocupada com o que acabara de fazer.

            Suspirei e fiquei observando-a se afastar, andando com toda aquela pose durona, como se seus pés fossem pesados demais e batessem no chão com raiva. Algumas pessoas olhavam para ela enquanto passava e comentavam coisas baixinho. Era dessa Scoutt que eu sentia falta, dessas brincadeiras inapropriadas, dessa leveza, desse amor que só ela é capaz de dar.

            “E então, vamos sair hoje ou cozinhar?”

            Perguntei enquanto o menino novo demais do caixa do supermercado passava as compras em seu leitor, apitando a cada produto.

            “Se conseguirmos sair desse caixa esse ano ainda, poderemos fazer o que você quiser.” Scoutt resmungou pegando os produtos do carrinho e colocando no balcão.

            Olhei para o menino e sorri, tentando amenizar a acidez daquele comentário, mas o garoto não esboçou nenhuma expressão.

            “Podemos sair com seus amigos.”

            “Isso inclui a Megan.”

            Revirei os olhos e peguei minha carteira na bolsa, esperando que o valor fosse cobrado.

            “Eu vou pagar.”

            “Eu insisti em vir fazer compras.”

            “Eu posso pagar a minha comida, tenho emprego.”

            “Emprego e um livro.”

            “Pois então me deixe pagar, Mea.”

            “Pague uma cerveja para Megan.”

            Tirei o dinheiro da carteira logo que o rapaz o murmurou e fui pegando as sacolas, colocando-as todas no carrinho de compras.

            “Megan é minha amiga apenas. Você sabe que ela me pediu desculpas, que ela entende, e ela tem até alguém.”

            “Quem?”

            “Não sei ainda.” Scoutt deu de ombros e se encostou na porta do carro, pegando seu maço de cigarros do bolso.

            “Já guardei tudo no carro, vamos.”

            “Espera eu fumar, por favor.”

            “Não me importo que faça isso no carro.”

            “Mas aí não poderia dirigir.”

            Revirei os olhos e me encostei ao seu lado.

            “Você anda revirando demais esses olhos azuis, senhorita Bradley.”

            “Eu dirijo seu carro, e você sempre dirigiu fumando.” Respondi ignorando seu comentário.

            Scoutt riu e negou com a cabeça, passando o braço por trás de mim para me puxar para si, me fazendo ficar à sua frente, com o corpo colado no dela, abraçando por fim minha cintura com o braço livre.

            “Quero só aproveitar o tempo. Sente esse vento gostoso.”

            “No mercado?”

            “É, Mea. No mercado. Deixa de chatice.”

            Dei risada dela e peguei sua mão, levando até meus lábios, dando-lhe um beijo terno.

            “Eu amo você, Scoutt.”

            Pude escutar seu sorriso e sua respiração calma soprando em minha orelha.

            “Eu te amo mais, linda.”

            Encostei a cabeça em seu peito e ficamos ali paradas, olhando as pessoas saírem do mercado em direção a seus carros estacionados até que ela parasse de fumar.

           

            “Meu pai acabou de ligar, chamou a gente para ir jantar na casa dele.” Scoutt apareceu do corredor em direção à sala, com uma toalha sobre seus ombros.

            Levantei a cabeça e um pouco o corpo do sofá, me apoiando nos cotovelos. “Podemos ir, só vou tomar um banho antes.”

            “E antes de tomar um banho, vamos namorar um pouquinho...”

            Abri um sorriso largo e voltei a me deitar no sofá, enquanto apressadamente ela se ajeitava entre as minhas pernas, posicionando seu corpo sobre o meu.

            “Sabe, seu apartamento novo é lindo, parece de gente grande.”

            Scoutt riu ao mesmo tempo em que beijava meu pescoço e levantava minha camiseta, colocando as mãos por dentro da mesma, começando a explorar meu corpo.

            “Deixa eu ir tomar banho.” Resmunguei enquanto tentava sair debaixo dela, que me apertava cada vez mais.

            “Deixa eu ir tomar banho com você.”

            “Você já tomou! Vamos deixar seu pai esperando.”

            Scoutt bufou e mordeu meu pescoço, arrastando os dentes nele.

            “Anda logo.”

            Beijei sua boca de forma demorada, pressionando com força meus lábios nos dela. A empurrei para o lado e saí de baixo de seu corpo pesado, me levantando em um pulo.

            “Eu não demoro.”

           

            “Não sei qual sua ideia de tempo, mas “não demoro” significa ser rápida, e faz mais de meia hora que você...”

            Scoutt entrou em seu quarto resmungando e parou quando me viu sentada em sua cama, olhando para o nada.

            “O que aconteceu?”

            Suspirei e neguei com a cabeça. Me levantei da cama e fui até ela.

            “Eu preciso voltar para Chicago, hoje ainda.”

            “Por que? É a noite, aconteceu algo na empresa hoje? É sábado...” Scoutt não entendia, mas se mostrava realmente preocupada.

            “Não é a empresa. É a Allegra.”

            Scoutt soltou uma risadinha baixa e rápida, soltando o ar pelo nariz.

            “É sério. Um médico me ligou aqui, ela quebrou o pé, parece. E precisa de ajuda...”

            “O que? Ela fez um médico te ligar porque precisa de ajuda? Quebrar o pé não a torna incapaz!”

            “Scoutt, por favor. Ela não tem ninguém em Chicago.”

            “Tom e Adele estão lá.”

            “Sim, estão. Com a vida deles. Não tem obrigação alguma de encarar os meus problemas.”

            Scoutt negou com a cabeça e foi em direção a porta, se apoiando na soleira.   

            “Você vai voltar mesmo, hoje? E para cuidar dela ainda?”

            “Sim. Não posso deixar ela sozinha precisando de ajuda.”

            Vi a mulher que amo concordar com a cabeça e dar de ombros, fingindo desinteresse, o que não condizia com sua expressão séria e notavelmente emburrada.

            Meu coração se apertou com a decisão que tive que tomar, mas Allegra, antes de tudo, sempre foi uma amiga. Sendo uma pessoa querida como sempre, eu não podia deixa-la desamparada.

            Liguei para Tina enquanto eu arrumava as malas e pedi que, enquanto eu não chegasse, fosse buscar Allegra no hospital e a ajudasse no apartamento.

            Com tudo arrumado, fui até a sala, onde encontrei Scoutt sentada no sofá, de braços cruzados e as pernas esticadas na mesa de centro.

            “Me leva até o aeroporto?”

            “Uhum.” Ela respondeu, já se levantando e foi a procura de sua carteira e suas chaves.

            “Para com isso. Por favor.”

            “Mea, para você. Vai embora para voltar a ficar com aquela lá? Cuidar dela? Quanta besteira isso!”

            “Scoutt!” Fui até ela, segurando em sua mão, fazendo-a a parar de andar e me encarar. “Eu só vou ajuda-la como amiga, com o pé quebrado, até ela se recuperar. Não vou ter nada com ela, continuamos juntas, eu e você. Podemos nos falar e nos ver. Só preciso estar com ela para ajudar...”

            “Tá bem. Vou te deixar no aeroporto e jantar sozinha com meu pai.”

            Vi sua expressão se suavizar um pouco, e já era o suficiente para me acalmar um pouco.

 

            Meu coração ainda pesava ao me lembrar de Scoutt com os lábios torcidos, emburrada como uma criança mimada, se despedindo de mim.

            “Mea?”

            Pisqueis os olhos, voltando a realidade e vi Allegra parada em minha frente, com muletas e o pé e a perna direita engessada até o joelho.

            “Oi.”

            “Preciso de ajuda...”

            Assenti com a cabeça e dei um sorriso de canto. Me levantei a fui ajuda-la.

            Quando cheguei em Chicago pela madrugada, fui direto ao meu apartamento e encontrei Tina ainda lá, me esperando chegar. Allegra caiu da escada de nosso prédio, quando resolveu sair correr para experimentar e como aquecimento, iria descer até a portaria de escadas. Sua fratura não era grave e em um mês já estaria recuperada.

            Ela precisaria de cuidados durante esse período e não me recusei em ajudar. Não podia também tirar a razão de Scoutt. Allegra sorria o tempo todo e estava sempre tentando ficar perto demais de mim. Ganhou uma oportunidade e talvez meu gesto de cuidá-la estivesse dando a ela impressões e esperanças totalmente erradas.

            Na segunda noite aqui, já na segunda-feira, Scoutt pediu para conversar comigo por chamada de vídeo. Allegra estava em nosso quarto já deitada e eu no quarto de hóspedes.

            “E aí.” Scoutt me cumprimentou de forma seca quando a chamada de vídeo teve início.

            “Como vai, amor?” Perguntei esboçando meu melhor sorriso.

            “Então esse é seu quarto na sua casa nova que ainda não conheci?”

            Scoutt se levantou para pegar um cigarro e pude ver que ela só vestia uma cueca e uma camiseta cinza. Dei risada dela antes de responder.

            “É o quarto de hóspedes. Você pode vir conhecer se quiser.”        

            “Posso? Vai me reapresentar para sua namorada?”

            “Para de falar assim. Não é mais minha namorada, e ela não precisa saber de nós duas ainda, espera ela se recuperar da perna e eu poder sair daqui de uma vez.”

            Escutei a respiração pesada de Scoutt e dei um sorriso a ela, tentando acalma-la.

            “Você fica de cueca e camiseta sempre?”

            Scoutt riu e deu de ombros. “Talvez. Gostou?”

            Antes de responder a porta do quarto se abriu e vi Allegra parada ali, já dentro do quarto.

            “Oi?” Fiquei encarando-a enquanto sentia o olhar cheio de raiva de Scoutt em mim.

            “Eu preciso de algo para coçar a perna...sabe como é.”

            “Ok, eu estou indo, tudo bem?”

            “Está ocupada?”

            “Sim. Conversando. Eu já vou, Allegra. Só vou me despedir.”

            Seus lábios foram pressionados e ela consentiu com a cabeça. Dei-lhe um sorriso rápido antes da porta tornar a se fechar.

            Scoutt estava de cabeça baixa, apoiando-a na mão, enquanto seus dedos de entrelaçavam aos fios de cabelo e os puxavam.

            “O que foi? Eu preciso ir...”

            “Eu ouvi. Eu não suporto pensar que você esteve com ela, tudo o que fizeram juntas...”

            “Esquece isso, estamos bem agora.”

            Ela apenas balançou a cabeça para cima e para baixo e nos despedimos, com uma tristeza e saudade sem fim.

            Desliguei o computador e fui até o quarto de Allegra, nosso antigo quarto.

            “Acha que uma régua dá para coçar?” Perguntei logo que entrei e a vi deitada na cama com a perna engessada em cima de um travesseiro.

            “Você estava falando com ela?”

            “Vou pegar a régua.”

            “Mea, tenta se lembrar de como é bom o tempo que passamos aqui, na nossa casa.”  

            “Eu vou me mudar logo que você melhorar. Nós duas não somos mais um casal. Desculpa te falar isso, eu não quero forçar nada agora, só que você saiba que seremos apenas amigas, se quiser. Mas eu não poso mais te enganar e me enganar.”

 

            Saí do quarto e fui até o pequeno escritório que tínhamos a procura de uma régua, rezando para que os dias passassem rápido e eu pudesse voltar a ter uma vida normal, sem maiores preocupações, sem magoar as pessoas enquanto sigo o caminho que me faz feliz.

Nome: lohs (Assinado) · Data: 13/03/2016 00:24 · Para: Capitulo 23

Ops, esqueci de algo vêem importante... olha o cachorrinho no capitulo!!! Acho que seu subconsciente estava querendo lhe dizer algo. 👀👀



Resposta do autor em 12/03/2016:

Ah, vai pra lá com essa defesa de Scoutt. Não rola uma peninha da Allegra, não?



Nome: lohs (Assinado) · Data: 13/03/2016 00:21 · Para: Capitulo 23

Ah, vai pra lá, ne? Essa Allegra é muito esperta. E Mea, uma idiota. Scoutt tem todo o direito de ficar chateada! 😠



Nome: lohs (Assinado) · Data: 13/03/2016 00:19 · Para: Capitulo 23

Ah, vai pra lá, ne? Essa Allegra é muito esperta. E Mea, uma idiota. Scoutt tem todo o direito de ficar chateada! 😠



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 01/03/2016 02:25 · Para: Capitulo 23
Alegra ainda tentando. E difícil . E normal mea se sentir grata a ela. E scout aguenta. Vc fez muita merda . Rs


Nome: lih (Assinado) · Data: 29/02/2016 23:10 · Para: Capitulo 23

Sinto que a Allegra vai empatar o relacionamento da mea com a scoutt...  



Resposta do autor em 09/03/2016:

Allegra tenta, mas não consegue hahaha. 

Obrigaa por acompanhar, beijo!



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