Sobre a delicadeza do seu toque por Luah


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Presente de aniversário 

 

 

 

Estou em meu quarto, deitada de barriga pra cima. Ao meu lado o carrossel cantava a melodia preferida de mamãe. Eu não me cansava de ouvi-la. Fecho os meus olhos e dou um longo suspiro, tive medo de voltar. Mas vovó Rúbia sempre me disse para ser uma garota valente. E é o que eu tento ser desde os meus cinco anos.

 

 

 

E lá estava eu, de volta a minha rotina. Ter indo para Nova York não poderia ter sido melhor. Passei todo o tempo possível aproveitando a companhia de vovó. Ela sempre soube como me salvar. Ela me mimava e cuidava de mim como ninguém. Talvez por eu ser a sua única família. Dona Rúbia era uma pessoa alegre, de personalidade agradável de conviver. E uma das pessoas mais corajosas que conheço. Vovó não aceitava que o caráter duvidosos que algumas pessoas tendem a alimentar, infectasse o seu mundo.

 

Deixa-la foi tão difícil. Mas sei que sempre a terei comigo. Sempre poderei contar com ela quando eu precisar. Olho em volta, estamos no intervalo. Priscila me disse que ocorreram muitas coisas enquanto estive fora. Que ela precisava me contar algumas coisas importantes sobre Samantha. Mas eu não permiti. A garota de olhos amarelados já havia me ferido demais. Pri aceitou sobre protestos. Um dos motivos que a fez calar. Foi a nossa amizade, coloca-la em risco por Sam não agradou a garota de olhos verdes. Ela aceitou por finalmente perceber que não era justo comigo.

 

Às vezes eu sentia alguém me observando. Mas eu não me importava mais. Ou fazia de tudo para disfarçar. E aquele era um daqueles momentos. Dou um suspiro e volto a olhar para a garota sorridente em minha frente.

 

-Então teremos festa?! - Renata diz contente. Faço uma careta desgostosa.

 

-Fui obrigada. - Digo me defendendo. Tirando gargalhadas do grupinho a minha volta.

 

-Sua vó é o máximo. - Os olhos verdes do rapaz me sorriem.

 

-É sim, vovó Rúbia é maravilhosa. - Digo com um sorrisinho saudoso. –Mas sou suspeita em dizer.

 

-Qual será a temática da festa? - Alberto um garoto franzino e engraçado me pergunta contente.

 

-Não sei se quero uma festa temática. - Faço uma careta me lembrando do halloween. –É, sem sombras de duvidas não quero uma festa temática. - Abaixo a minha cabeça. –Acho que quero algo mais tradicional.

 

-Festa debutante. - Renata arregala os olhos entusiasmada.

 

-Por que não? - Digo olhando para Renata.

 

-Sou sua fã. - Ela sorri. –E espero que eu seja convidada para ser uma de suas damas – Diz e me pisca um olho.

 

-Pode ter certeza que será.

 

-Quem será seu príncipe? - Paco pergunta esperançoso.

 

-Meu primo. - Digo com um sorriso imenso nos lábios. Não tinha duvidas enquanto a isso.

 

 

 

E lá estava eu, descendo as escadarias da grande casa em estilo siciliana. Estávamos no salão principal da fazenda. Logo no pé da escada meu primo vestido de príncipe. Desço lentamente cada degrau. Todos aqueles olhos em minha direção estavam me deixando apavorada. Mas lá estava ela. Sam me sorriu com os olhos amarelados brilhando. Não esperava que ela fosse. Mas lá estava ela. Dou um suspiro. Não podia estragar aquele momento. Não com dona Catherine e dona Rúbia eufóricas com aquele acontecimento. Afinal, não é todo dia que a única garota da família faz quinze anos.  

 

Quando chego ao último degrau, Rodrigo me estende a mão. Algo que aceito sem duvidar. Ele se aproxima, deixando um beijo castro em minha testa.

 

-Você está absurdamente linda. - Ele diz emocionado.

 

-Estou mesmo? - Pergunto duvidosa.

 

-Não duvide jamais disse. - Ele se afasta e me pisca um olho. Me oferecendo o braço. Algo que aceito.

 

Ele me guia até o centro do salão. Todos se afastam para nos dar passagem. Os outros casais que foram destinados para a primeira dança se aproximam. E se põem a nossa volta. Rodrigo se vira para mim. Então timidamente a música começa a ganhar vida. Assim como os nossos passos. Meu primo me sorrir o tempo todo. E eu lhe retribuo. Antes dos últimos acordes ele se aproxima.

 

-Parabéns minha querida. - Sua voz sai emocionada. –Obrigado. - Ele sussurra.

 

-Pelo quer? - Pergunto confusa.

 

-Por me permitir fazer parte de sua vida. - Ele se afasta agradece pela dança e antes de se afastar beija a minha mão.

 

E lá estava eu novamente deslizando pelo salão. Mas dessa vez, vovô Bernardo me guiava. Papai ficou revoltado quando ficou sabendo que realmente haveria uma festa de aniversário. Ele simplesmente desaparecei a dois dias atrás. E até agora nem sinal. Não vou mentir em dizer que isso não me afetou. Afinal, era para ele está ali. Guiando-me pelo salão. Era para está fazendo o seu papel de pai ao menos uma única vez.

 

-Você está tão linda. - O senhor a minha frente chama a minha atenção.

 

-Obrigado vovô. - Não consigo esconder a tristeza.

 

-Sinto muito. - Vovô diz calmamente. –Eu sei que não sou o seu pai, mas...

 

-O senhor tem sido um a minha vida toda. - Olho-o com carinho. –Apenas tenho a péssima mania de esperar demais de quem jamais será capaz de me surpreender. 

 

-Ele não sabe o que está perdendo. - Vovô diz amável. –Você é o melhor presente que qualquer pai desejaria ter.

 

-Oh, vovô. O senhor é o melhor. - Digo emocionada. –Eu te amo tanto.

 

-Eu também te amo minha querida. - Seus olhos escuros ficam nublados. –Nunca se esqueça disso.

 

 

 

Então a festa prossegue noite a dentro. Todos estavam ali. Tio Marcos com tia Rebeca e Samuel. Tio Alberto com Diogo. Tio Alberto era terrível, ele e vovó Rúbia faziam uma dupla e tanto quando estavam juntos. Faziam todos rirem por cem vidas. Tio Sebastian com tia Sarah e Samantha. Os olhos verdes de tia Sarah sempre me encarando com pesar. Paco, Priscila e uma boa parte dos Pacheco. Júlia minha professora de música. Marcos o capataz com Maria sua mulher e seus filhos Pedro, Artur e Marina. Assim como vários funcionarias da fazenda. Haviam também vários funcionários do hospital onde vovó Catherine trabalhava. Todos amigos e familiares. Mas faltavam duas pessoas que sempre seriam insubstituíveis em dias como esse. Mamãe por está morta. Papai por jamais me considerar sua filha.

 

Olho com pesar para a lua cheia que iluminava agradavelmente aquela noite. Dou um suspiro cansado. Estou encostada no parapeito do andar de cima do salão principal. Ali eu ainda podia ouvir a música, pessoas conversando, sorrindo. Mas aquele clima de confraternidade estava me sufocando e discretamente fugir um pouco para respirar. Acabei de troca de vestido. Aquele vestido em estilo vitoriano estava sufocante. Esse era mais leve e confortável. Olho para baixo, meu dia foi longo. Minhas avós quase me deixam louca. Vovô Bernardo só sabia rir. Tia Renata foi de grande ajuda com os preparativos.

 

-Oi! - Aquela voz baixa e rouca me desperta.

 

-O que faz aqui? - Pergunto sem olha-la. 

 

-Nossa! Não precisa ser tão grossa. - Samantha reclama.

 

-O que quer Samantha? - Amenizo o tom em minha voz. –Estou ocupada. - Digo sem lhe dar muita importância. Passei a noite inteira evitando a garota de olhos amarelados.

 

-Eu vi quando você subiu. - Ela diz e se aproxima calmamente ficando ao meu lado, encostada no parapeito. –Como sempre que eu tentava me aproximar, você fugia. Eu resolvi...

 

-Talvez seja por que não temos mais nada o que dizer. - Comento o obvio. Um silêncio constrangedor caiu sobre nos duas.

 

-Liz... - Samantha me chama envergonhada. –Eu só queria lhe parabenizar.

 

-Já fez. - Meus olhos continuam olhando a lua a minha frente. –Então já pode ir.

 

-Eu lhe trouxe um presente. - A garota diz se voltando em minha direção.

 

-Não precisa fazer isso. - Olho nos olhos amarelados a repreendendo. –Não acho que seja uma boa...

 

-Não te ensinaram que é feio rejeitar presente?! - Sam comenta em tom de brincadeira.

 

Respiro fundo. Não era para ela está aqui. Não era para ela olhar sequer em minha direção. Não era para ela falar comigo. Quanto mais me trazer um presente. Sam ergue a mão direta com uma pequena caixinha. Receio antes de aceita-la. Quando sua mão toque delicadamente a minha. Dou um passo atrás. Odeio ainda sentir alguma coisa por ela. Seus olhos acompanham os meus movimentos com um interesse que já não lhe pertencia.

 

-Não vai abri-la? - Samantha pergunta meio sem jeito.

 

Já que já estávamos aqui. Abro a caixinha como se o que estivesse dentro fosse me destruir. Prendo o ar em meus pulmões. E quando os meus olhos caem em uma linda correntinha de ouro. Um sorriso involuntário foge de minha boca. Toco delicadamente o cordão até o pingente com o símbolo do infinito. Ele parecia com o que Sam tinha tatuado no pulso. Tive ganas de não aceita-lo, mas antes que eu pudesse fazer isso...

 

-Posso?! - Sam nem mesmo espera a minha resposta. Puxa o cordão da caixinha e se coloca as minhas costas. –Liz, me ajude com o cabelo. - Ela sussurra fazendo os pelos de minha nuca eriçarem.

 

Com mãos tremulas, seguro os meus cabelos e os puxo para o lado direito. Sinto as mãos delicadas contornarem o meu pescoço com o cordão. E logo depois prendê-lo. Sinto o seu hálito quente tocando a minha pele. Sua respiração estava tão ou mais acelerada do que a minha. Fecho os meus olhos quando sinto seus lábios tocarem suavemente o meu pescoço. E em um ato de sanidade eu me afasto.

 

-O que pensa que está fazendo? - Pergunto furiosa.

 

-Estou com saudade, Liz. - Sua voz sai embagada. –Eu não consigo parar de pensar em você. Não consigo fechar os meus olhos sem que os seus olhos azuis me atormentem. Sem que sua voz me desperte. Eu só...

 

-Vai embora Samantha. - Digo em um fio.

 

-Você não entende?! - Ela se aproxima. Mas eu não permito que me toque. –Eu te amo tanto Liz. Eu te amo tanto que te perdoo.

 

-Você me perdoa?! - Pergunto abismada. –Isso é algum tipo de brincadeira? 

 

 

 

 

 

 

 

 

Notas finais:

Desculpe a demora minhas lindas. Mas é que estou sem tempo. Mas sempre que puder estarei por aqui.

 

Beijuus... 



Comentários


Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 26/03/2018 03:08 · Para: Capítulo 22 – Presente de aniversário

Ai ai. Essas duas  o que Samanta pensa q sabe? Mistério. A liz e tao sofrida, o pai e um retardado   ainda bem q e ela tem os avós. Bjs



Resposta do autor:

Cada um com a sua verdade. Mas às vezes nos enganamos com a nossa própria.

Bjuuss... 



Nome: sonhadora (Assinado) · Data: 25/03/2018 16:33 · Para: Capítulo 22 – Presente de aniversário

Ah mulher como vc termina um capítulo assim.... ansiosa para saber o que aconteceu com elas. Tenho uma teoria,.mas melhor esperar pra ver.

Beijos de Luz!



Resposta do autor:

 

Eu adoro esse gostinho de quero mais. É excitante.

Beijos minha linda.

 

 



Nome: Socorro de Souza (Assinado) · Data: 25/03/2018 16:16 · Para: Capítulo 22 – Presente de aniversário

sam nao perdoa ela okk... ela nao te merece 



Resposta do autor:

Nem tudo é o que parece.

Bjuss...



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