Desejo e loucura por Lily Porto


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Clara

Alguns dias se passaram, e consegui resolver todas as pendências no trabalho. Encontrei até um tempinho para ir conversar com meus pais. A ideia era que fosse uma viagem rápida, mas com um feriado na quinta, e depois de conversar com o meu chefe sobre a minha “nova condição”, ele me dispensou na quarta mesmo. Como ia de ônibus, preferi viajar para a capital no mesmo dia.

A Liu queria me acompanhar, mas não permiti. Por mais que fosse boa a ideia de ter um ombro amigo nesse momento, eu precisava “enfrentar” meus pais sozinha. Afinal, a partir de agora eu sou uma mãe de família. Ao chegar na porta do prédio deles meu coração estava acelerado. Mil coisas passavam na minha cabeça, sei que meus pais não me colocariam de lá porta a fora, mas, por outro lado não faço ideia de qual será a opinião deles diante da reação do Alex.

Encontrei os dois conversando animadamente na sala, os cumprimentei e sentei no sofá de frente para eles. Narrei todos os ocorridos dos últimos dias, inclusive o meu pensamento insano em relação a tirar o bebê, eles me escutaram atentamente e ao final da minha narrativa, meu pai disse em um misto de raiva e alegria:

– Você já veio para ficar?

– Papai, não posso mudar minha vida assim. Como expliquei, já consegui resolver tudo. Não tem porque eu voltar para cá agora.

– Tem certeza? Eu acho melhor te ter aqui pertinho, poder cuidar de você e do nosso neto será um sonho. Vem morar com a gente filha. Vocês já passaram por tantas coisas, aqui podemos ajudar muito mais, vem.

– Mamãe, estamos bem. Eu tive um momento de fraqueza, confesso! Mas, isso não vai mais acontecer, eu vou cuidar do meu filho e em breve voltaremos para visitar vocês, – alisei a barriga – não é meu amor!

Eles se juntaram a mim em um abraço muito acolhedor, foi impossível conter as lágrimas naquele momento. Que saudade de estar ali, e que maravilha saber que posso contar com eles nesse momento de mudanças em minha vida.

Os dias que passei na companhia deles foram de muito mimo, carinho e cuidado. No inicio meu pai se irritou com a atitude do Alex, queria conversar com ele pessoalmente, para fazê-lo entender que o filho era dele também, e que tinha que me ajudar na criação e nas responsabilidades dali em diante. Com jeitinho e muita conversa, consegui tirar isso da cabeça do seu Heitor. Afinal, essa conversa deveria partir de mim, e não do meu pai.

De volta a minha correria diária, minha amiga ainda estava insistindo para que eu fosse morar com ela. É sempre complicado fazê-la mudar de ideia. E dessa vez não está sendo diferente.

– Liu, não precisa. Sério, eu estou bem!

– Não seja tão cabeça dura, aceita o meu convite e pronto.

– Não. E vamos mudar de assunto. Já cansei desse.

Ela me olhou séria e enquanto brincava com a comida em seu prato, perguntou: – Como foi a conversa com seus pais?

– Ótima!

– O seu pai não quis dar umas porradas no Alex, – gargalhou – sério?

– E porque ele ia querer fazer isso?

– Talvez, pelas baboseiras que ele te disse!

– Também não é para tanto. E não, meu pai só cogitou a ideia de conversar com ele. Mas, consegui fazer ele desistir dela. Mesmo porque, essa conversa deve partir de mim.

– Tá brincando, não é? Você não vai conversar com ele de novo!?

– Não é algo que eu possa, ou não escolher. É uma necessidade.

– Onde está a necessidade? Ele nem queria o bebê.

– Sim, mas ele é o pai. Precisa saber disso.

– Você tem uma inocência desnecessária para certas coisas. Não vê que de nada vai adiantar essa conversa, pelo contrário, você vai apenas se expor. Desiste dessa ideia, por favor.

– Não posso fazer isso. E por mais que a gente não crie essa criança juntos, ele merece conhecer o pai. E assim que possível, eu vou conversar com ele novamente sobre a gravidez.

– Sabe bem o que penso a respeito. Por mim, você não conversaria mais com ele, mas, isso só quem pode decidir é você.

– Eu já sei o que pensa a respeito. Não precisa repetir. Agora me diz, por que não tocou na comida?

– Estou sem fome! Exagerei na bebida ontem, meu estomago tá meio embrulhado.

– Farra, hein! – sorri – Sozinha?

– Com uma amiga! – piscou para mim.

– Agnes?

– Não. Jamais a Ag aceitaria um programa como o de ontem, sai de casa antes do meio dia e retornei hoje as cinco da madrugada.

– Agora entendi o motivo da sua “cara de ontem”. Mas, e vocês?

– O que tem a gente?

– Como estão?

– Eu, como pode ver, não estou tão bem assim. Já ela, não sei. Não a vi ainda hoje.

– Engraçadinha. Perguntei a respeito do “lance” de vocês, como está?

– Como sempre esteve, normal.

– Mas, você estava com outra ontem!

– Clara, eu não durmo com toda mulher que saio. Tá me achando com cara de que? – perguntou ofendida.

– Você acabou de dizer que dormiu fora, presumi que tivesse sido com a “amiga” que saiu ontem.

– De certa forma sim, ou melhor, dormi na casa dela, só que em quartos separados. É uma velha conhecida, saimos para almoçar e resolvemos esticar. E entre vinhos e cervejas em um barzinho, fomos parar em uma boate que tinha perto de onde estávamos. Trocamos uns beijos, caricias, nada mais que isso.

– Eu tento, sério, tento muito entender essa sua liberdade. Mas não consigo.

– Você é muito cética. A vida é para ser vivida intensamente. E como você disse, eu tenho um lance com a Ag, não é um namoro, logo, não devemos fidelidade uma outra.

– Dessa forma ai que você vive! Estou fora, se não fazia isso antes, imagina agora.

– Velha!

Gargalhei: – Novinha. Não esqueça que os 30 tá chegando, ai quero ver o que você vai fazer.

– 30 é só mais um número. Não me diz nada. Vou curtir a minha vida enquanto puder, não tenho planos de me apegar a ninguém por tão cedo.

– Melhor irmos. Temos uma longa reunião agora, e espero que você se mantenha acordada ao longo dela.

Saimos do restaurante de braços dados, ainda conversando e rindo sobre a forma “desapegada” dela de curtir a vida.

 

Agnes

– Eu disse que não daria certo, mas o senhor preferiu não me escutar. Dá próxima, deixa que eu resolvo.

– E o que faremos agora?

– Pergunta para o cara lá! Estou fora, não é minha responsabilidade.

– Não acredito! Vai fazer birra agora, é isso? O seu profissionalismo, onde está? – perguntou sério.

– O meu profissionalismo sempre esteve intacto, inclusive, no momento em que disse ao senhor que aqueles barris não eram bons para o envelhecimento que aquele vinho necessitava. Mas, o enólogo que veio da França só para fazer isso, não me ouviu. E nem o senhor. Não podia me intrometer no trabalho do rapaz. Agora, que percebeu que não teve o efeito que queria, quem vai resolver o problema é ele. Meu trabalho aqui é outro.

– Agnes, essa vinícola também é sua. Se existe uma forma de reverter esse problema, por favor, fale.

– Não tenho nada para falar. Na verdade, nem sei para que me chamou aqui. Já expressei a minha opinião antes, e o senhor não gostou. Agora, não posso ajudar.

– Não estamos em uma batalha de egos, menina! Se tem algo errado e você sabe como concertar, sua obrigação é fazê-lo. Não se esqueça que aqui dentro você também é uma funcionária.

– Parabéns seu Giovani – bati palmas. – Era só isso que tinha para me dizer? Estou me demitindo neste exato momento.

– Não seja infantil! Vamos resolver logo isso, deixe o seu ego ferido quieto por um momento apenas.

– O senhor acha mesmo que meu ego está ferido? – passei a mão no cabelo, buscando calma. Não queria brigar com ele, mas ele andava meio irritado há alguns dias, ouvi dizer que alguns diretores já tinham escutado e muito dele, nessa última semana. – O que o senhor quer? Qual a necessidade de estar gritando assim, o que tá acontecendo?

– Acabei de dizer o que está acontecendo. Quero que me apresente a solução.

– Não trabalho mais para o senhor. Esqueceu? Volto para a Itália na próxima semana.

– Você não seria capaz!

Ouvimos alguém bater na porta e ele disse apressado: – Entra!

– Desculpa seu Giovani, estamos esperando apenas o senhor para iniciar a reunião.

Clara me dirigiu um olhar interrogativo, esbocei um sorriso e fiz menção de sair. Mas fui detida por meu avô:

– Estou indo, Clara! Já estou terminando aqui. E você, – apontou para mim – tem até amanhã para me apresentar uma solução.

– Não vou apresentar. Já falei que não trabalho mais para o senhor, não estou acostumada a trabalhar dessa forma. O problema poderia ter sido evitado, mas o senhor é teimoso demais para isso. Chame o rapaz e mande ele resolver.

– Agnes, tenha modos. Aqui dentro eu sou seu chefe! – bateu a mão na mesa.

Quando pensei em responder, Clara, que eu nem lembrava mais que estava ali, disse rapidamente:

– Gente, desculpa! Com licença.

– Não precisa sair, eu saio – passei rapidamente pela porta.

Ainda escutei meu avô me gritar para que voltasse, mas não voltei. Estava cansada daquela conversa que não ia dar em nada. Esses meses aqui me fizeram querer passar mais tempo perto dele, cheguei até a cogitar em alguns momentos a possibilidade de ficar de vez no Brasil, mesmo que em outra cidade.

– Não me ouviu chamar?

– Se o senhor veio continuar aquela conversa...

Me interrompeu dizendo: – Sei que o erro não foi seu. E não deveria ter explodido daquela maneira com você.

– Tá tudo bem. Deixa pra lá, já estou fazendo minha carta de demissão.

– Não seja tão drástica. Não precisa tanto.

– O senhor anda muito estranho ultimamente, não quero destruir a bela relação que temos. Se for pra continuar trabalhando aqui e brigando. Prefiro voltar para a Europa e manter nossa relação intacta.

– Filha, – segurou minha mão – perdão. Eu ando com algumas coisas na cabeça, e me descontrolei. Não vai embora, por favor.

O abracei dizendo: – Não me grita mais, o senhor sabe que detesto.

Ele sorriu me apertando ainda mais em seus braços: – Lembro bem como você ficava quando te gritávamos quando era pequena; parou de chorar, mas a cara feia continua a mesma. – beijou meu rosto – Nada de pedir demissão, consegui falar com o rapaz, ele tá a caminho daqui, você o acompanha?

– Tá, vovô, eu acompanho. 

– E o ajuda também, conversa com ele direitinho. Dê uns toques.

– Eu tentei, mas nem ele e nem o senhor me escutaram. Não podia simplesmente passar por cima dos dois e fazer prevalecer a minha ideia.

– Tudo bem, – sorriu – não esquece, resolve lá com ele. Preciso ir, ou então atraso mais ainda a reunião.

Passei a tarde e parte da noite em um dos galpões acompanhando o enólogo. Cheguei em casa exausta, tinham algumas mensagens no celular, dentre elas uma que chamou muito a minha atenção:

Boa noite! Você tá bem? Desculpa, mas foi impossível não escutar a discussão de vocês mais cedo, a sala de reuniões fica ao lado da sala do seu avô. Por isso, entrei na sala chamando a atenção dele, não sei se deu muito certo, afinal, alguns minutos depois ele foi ao seu encontro.

Não te vi mais por lá, você é... nossa, como posso dizer isso, que vergonha, você não vai embora na semana que vem, né?

Mania minha de me intrometer na sua vida! Perdão. Então é isso, espero que esteja bem. Até mais, bjs.

Foi impossível não sorrir ao terminar de ler, dava para sentir a preocupação e a vergonha dela em cada palavra, que fofa. Respondi a mensagem ainda sorrindo:

Oie, linda. Boa noite!

Tá tudo bem, meu avô não aceitou a minha demissão, rsrs. Por hora, continuo na cidade. Não precisava ficar envergonhada, pelo contrário, achei muito fofa a sua preocupação em manter o “chefe” ocupado, para que cessássemos a discussão. Precisei passar a tarde em um galpão, inclusive, só vi sua mensagem agora, desculpa a demora em responder. Como estão vcs dois? Estão se alimentando bem?

Fica bem, até mais, bjo!

Estava tomando banho quando ouvi uma notificação de mensagem, era ela! Ficamos conversando até umas duas da manhã, quando me dei conta do horário e mesmo não querendo me despedir dela, não queria que ela dormisse mal por minha causa.

Os dias foram passando e as coisas foram voltando ao normal, ou melhor, o meu avô foi se acalmando. Não consegui descobrir o que estava acontecendo com ele, mas, passei a prestar mais atenção em seu comportamento.

Minha amiga me ligou avisando que ia atrasar a vinda por mais algumas semanas, estava com problemas por lá, e ia resolve-los antes de vir. Encontrei com a Lívia mais cedo, que me perguntou sobre o jantar que a Ki, tinha falado a “anos” atrás. Expliquei porque não tinha acontecido ainda, e a convidei para jantar hoje. Tinha um tempo que não “saiamos” juntas.

Em meio ao agradável jantar, ela perguntou sorridente: – Como andam você e a Clara, ou melhor, a amizade de vocês, como está? Ela me disse que você ficou encantada com a gravidez, e que de certa forma, isso fez vocês se aproximarem ainda mais.

– Sim, a gravidez dela nos aproximou muito. A Clara é uma mulher encantadora, e acredito que será uma mãe excepcional.

– Minha amiga é uma grande mulher, passou por um momento difícil, mas tá acertando o passo agora. Então, você a acha encantadora, isso é interessante! – me olhou intrigada.

– Algum problema?

– Não, nenhum! Pelo contrário – sorriu.

Terminamos de jantar e ainda ficamos conversando amenidades. Nos despedimos na porta do restaurante:

– Dá próxima vez trarei a Clarinha, aquela mulher não quer mais sair de casa.

– Será um prazer desfrutar da companhia de vocês duas.

– Imagino mesmo que sim! – sorriu beijando meu rosto.

– Obrigada pela companhia, até mais.

Ela seguiu para o seu carro, e eu entrei no meu. Liu é uma excelente companhia, animada, bom papo e muito boa de cama. Mas é a terceira vez que saímos e tenho certeza que não vai rolar absolutamente nada mais que o jantar. Nosso momento de curtição a dois passou, definitivamente.

A noite estava estrelada, e ainda eram 21h, como a casa da Clara ficava perto do restaurante, resolvi dar uma passada por lá antes de ir para casa. Ela me atendeu com um abraço acolhedor, e me convidou para tomar um chá. Papo vai, papo vem, e nem vimos as horas passarem, quando sai de lá já passava da meia noite, ainda bem que no sábado ambas estávamos de folga.

 

Clara

Quase dois meses se passaram desde a confirmação da minha gravidez, minha barriga já está aparecendo. E a médica me disse que na consulta desse mês já poderei fazer o ultra morfológico para descobrir o sexo do bebê.

Quando sai do consultório dela na última semana, fiquei pensando se já não era hora de conversar com o Alex, mais uma vez. Talvez agora ele entenda de uma vez por todas que não o traí, e que será muito bom para o nosso filho crescer com o pai perto dele.

Depois de muito pensar, resolvi marcar um almoço com ele. Na verdade, estou a caminho do restaurante. Torço e peço a Deus, para que seja uma conversa amigável.

Triste ilusão a minha, nem bem comecei a falar e o Alex já “partiu pra cima de mim” cheio de direitos, alegando mais uma vez que eu o tinha traído, e não tinha porque tá apelando pra ele criar um bebê, que eu não sabia de quem era. Minha vontade foi de dar uma bofetada em sua cara, mas me contive e preferi sair de lá, antes que me descontrolasse, não tinha porque ficar “mendigando” o carinho dele para o meu bebê, ele tem a mim, e isso vai bastar.

Entrei no primeiro taxi que vi ali na frente, estava irritada, chateada e envergonhada. Onde estava com a cabeça quando decidi falar com ele? Bem que a Liu tentou me avisar. Droga, por que ele tinha que ser tão cabeça dura? Em anos de namoro, eu nunca olhei para outro homem com desejo, e agora, toda vez que o vejo ele joga na minha cara que não lhe fui fiel.

– Droga! Dá pra prestar atenção por onde anda. – levantei a cabeça para ver em quem tinha me batido, e minha vergonha só aumentou – d-des... desculpa.

– Calma, moça! – sorriu, ainda me mantendo em seus braços – Eu não mordo! Tá tudo bem? Você parece pálida.

– Não, mas vai ficar. Eu preciso ir. Tenho algumas coisas para fazer.

– Clara, – segurou meu braço – quer conversar? Você não parece nada bem!

– Não precisa, não quero te atrapalhar.

– Você não me atrapalha. Além do mais, o meu expediente já terminou por hoje.

Precisava mesmo conversar com alguém, e de certa forma, ela sempre me acalmava: – Tá bom. Só preciso enviar alguns documentos e termino aqui por hoje também, se puder me acompanhar, será muito bom conversar contigo.

– Claro, vamos lá.

Enviei os documentos e saimos da empresa. Paramos em uma sorveteria no centro da cidade, lá descobri que ela amava sorvete de pistache, e que parecia uma criança quando o terminava, sem falar que sua boca estava lambuzada, até seu queixo e a ponta do nariz compartilharam do sorvete, por pouco não sujou a roupa. Me diverti muito na companhia dela. Até o que tinha acontecido anteriormente foi fácil relatar para ela, mediante a calmaria e carinho que me transmitia.

 

Agnes

O mês passou, e minha amiga retornou para o Brasil. Já não sabia mais o que dizer para que ela desistisse do tal jantar. Hoje, por exemplo, ela apareceu aqui na empresa para “fazer uma surpresa a Clara”.

– Perdeu o resto do juízo – sai a puxando para minha sala.

– Ai, isso doí. Desaprendeu a tratar uma mulher? Que mão pesada!

– Deixa ela em paz. Te avisei para não vir.

– E desde quando você me diz o que devo, ou não fazer?

– A Clara, não é para o seu bico!

– Isso quem tem que dizer sou eu. Não você.

– Não vou te deixar brincar com ela, como já fez com tantas outras.

– Para de se meter na minha vida. E porque tá irritadinha assim? Não vá me dizer, – pôs a mão na boca, parecia se recuperar de um susto – você está apaixonada!

– Para de falar besteira. Ela é apenas uma amiga muito querida.

Gargalhou, enquanto rodava na cadeira que estava: – Minha amiga, sinto dizer, mas, a senhorita foi picada pelo mosquitinho da paixão.

– Sai. Vai jogar essa praga em outra pessoa.

– Não é praga, – bateu na cadeira a lado, indicando que eu sentasse também – admita, você está apaixonada pela linda Clara.

– Não tem como! Para de falar besteira.

No mesmo instante a porta da sala foi aberta e por ela entrou uma Clara sorridente: – Me acompanha no almoço? A Liu não está na cidade, e não gosto de comer sozinha. – só nesse momento ela parece ter percebido a Kiara ali, e voltou a falar desconcertada: – Desculpa, não sabia que estava acompanhada.

– Não seja por isso, fiquem a vontade – piscou para mim. – Eu já estava de saída. Te espero em casa Ag. E bom almoço, meninas. – beijou o rosto da Clara e saiu nos deixando num clima estranho.

Ainda desconcertada, Clara, disse pausadamente:

– Desculpa, não queria atrapalhar.

– Não atrapalhou! – inspirei fundo, levantando: – Vamos almoçar?

– Claro, obrigada por me acompanhar. Mas acho que vou perder a companhia em breve.

– Porque?

– Sua amiga tá na cidade e, não seria certo roubar a sua atenção dela.

– A Ki, já se vira bem por aqui. Embora não fale tão bem o português, já deu bastantes sinais de que não “se aperta” aqui no Brasil.

– Entendi. – pareceu pensar por alguns segundos, e voltou a falar séria: – Agnes, posso te fazer uma pergunta?

– Claro, fique a vontade.

– Você e a Kiara, são um casal?

– Que susto! Achei que fosse uma pergunta mais difícil. Não, somos apenas boas e velhas amigas. – alguma coisa naquela pergunta soou estranho, e desde a bobagem que a Ki falou, eu fiquei meio intrigada com as ações da Clara, resolvi saber o porquê da tal pergunta: – Porque isso agora?

– Curiosidade, apenas! É que outro dia, a Liu falou que vocês não estavam mais juntas, pensei que fosse por conta dela.

– Eu e sua amiga, nunca estivemos juntas. A gente curtia a companhia uma da outra, apenas. E saiamos sempre que dava. Mas, como começou, terminou.

– Como assim?

– Bom, – a encarei – chegou um momento em que percebemos que seria melhor manter a amizade, do que continuar “saindo”.

– Achei que dessa vez ela engataria um namoro firme.

– Olha, bagagem para isso ela tem, mas, não fui a felizarda para tal. E foi melhor assim.

Ela me olhou e por alguns segundos vi um brilho em seu olhar. Ao pegar na jarra para servir nossos copos, nossas mãos se esbarraram, e como em algumas outras vezes, senti um pequeno choque com o contato. O restante do almoço se deu de forma bem tranquila.

 

Notas finais:

Uma excelente tarde!

Bjs



Comentários


Nome: mtereza (Assinado) · Data: 18/05/2018 03:36 · Para: Capitulo 20 - Clara / Agnes: Vamos acabar com isso!

A Liu tem toda razão depois de tudo que o mal caráter do Alex fez a Clara ainda ir conversar com ele é o cúmulo da ingenuidade sinceramente e será que demora muito para a Agnes admitir q esta apaixonada rsrs todo mundo já percebeu e muito estranho o comportamento do avô dela o que será q esta acontecendo com ele .



Nome: Lili (Assinado) · Data: 17/05/2018 03:22 · Para: Capitulo 20 - Clara / Agnes: Vamos acabar com isso!

E aos poucos elas vão se conhecendo e se aproximando cada vez mais.

Kiara e Liu ainda vão se pegar.



Nome: Tekaxaviers (Assinado) · Data: 17/05/2018 02:46 · Para: Capitulo 20 - Clara / Agnes: Vamos acabar com isso!

Um encontro desnecessário com Alex, mais tudo é aprendizado.

É esse encantamento e carinho de ambas quando vai se transformar e desabrochar? 

Precisa de um empurrão estou a disposição !!!



Nome: Baiana (Assinado) · Data: 16/05/2018 20:55 · Para: Capitulo 20 - Clara / Agnes: Vamos acabar com isso!

Bem feito para a Clara, foi ofendia de graça pelo ex. Ele já tinha falado que não acredita que seja filho dele e até mandou fazer um aborto, e ela vem com papinho que ele tem direitos?  Poderia ter ido dormir sem essa, para uma mulher inteligente, ela foi de uma burrice ímpar. 

Em relação à Clara e a Agnes, a Livia já tinha percebido que rola mais do que amizade, agora a Kiara percebeu o mesmo, não demora e as duas se juntam e fazem as "cegas" admitirem os sentimentos. 



Nome: duarte (Assinado) · Data: 16/05/2018 20:15 · Para: Capitulo 20 - Clara / Agnes: Vamos acabar com isso!

Já podem se beijar.



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 16/05/2018 18:28 · Para: Capitulo 20 - Clara / Agnes: Vamos acabar com isso!

hum, kiara vai deixar de tentar conquistar a clara agora que sabe q a agnes esta enamorada da moca?



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