A vinha e o girassol por Marcya Peres


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OUTRA VEZ NÃO!!!

 

Mais de um mês decorrido desde que a sensual e arisca batalha entre elas havia começado e eram raros os dias em que gemidos incontidos não eram largados pelos cantos daquela casa! O amor era feito em pedaços em qualquer lugar para saciar o corpo, mas a alma acabava craquelada pela entrega não ser completa!

 

 

Até quando suportariam?!  Quem deixaria cair primeiro a toalha da resignação e da entrega?! A obstinada Iara em sua caçada incansável ou a resistente Constance que se mostrava uma caça difícil de capturar completamente?!

 

A resposta seria dada em breve, pelas artimanhas que o destino apronta quando quer mostrar aos seus fantoches de carne que nem sempre podem assumir certos riscos sem que as conseqüências de suas escolhas venham cobrar seu preço!

 

 

Os dias mais frios trouxeram a temperatura ideal que mantem úmidas e viçosas as vinhas da Toscana, sempre cobertas pelas gotículas geladas do orvalho da manhã.  Mas com o frio vieram também os resfriados inoportunos que acometem a população da região naquela época do ano.

 

Beatriz começou a apresentar os sintomas típicos de um resfriado leve comum em crianças daquela idade.  Doutor Giane foi chamado e a pequena foi devidamente medicada para não permitir que o muco se acumulasse  e a febre pudesse surgir.

 

Francesca estava fazendo aniversário e decidiu comemorar com uma reunião entre amigos em sua casa.  Ligou diversas vezes para convencer Constance e Iara a comparecerem e por fim, acabou conseguindo a adesão das duas prometendo que elas poderiam ficar poucas horas e voltar logo para junto de Bia que ficaria bem aos cuidados de Emma.

 

Iara chegou à sala onde Constance já a esperava, arrumada.  Bia ainda brincava no cercadinho e quando vê as duas prontas para sair começa a chorar fazendo manha.   Emma prontamente a pega no colo e acalma a pequena que faz beicinho querendo ir também.  Iara diz penalizada...

 

- Conca, acha mesmo que devemos ir?  Ela tá doentinha e tenho medo que tenha febre enquanto a gente tá fora!

 

Preocupada Constance concorda...

 

- Acho que tem razão, melhor não irmos...vou ficar preocupada com ela o tempo todo!

 

Com a menina no colo mais calma e já apresentando indícios de sono Emma diz...

 

- Porque não esperam ela dormir e vão? Ela ficará bem comigo! E qualquer coisa que aconteça ou ela tenha febre eu ligo imediatamente pra vocês!

 

Elas acataram a idéia de Emma, esperaram a menina dormir e foram para a festa sem muita empolgação.

 

A noite acabou sendo mais divertida do que as duas esperavam, porém não conseguiram curtir da mesma forma que seria se Bia não estivesse enferma.  Duas horas depois que haviam chegado, Constance faz sinal para Iara a fim de irem embora. Francesca vendo o gesto se aproxima e diz...

 

- Ah, fiquem mais um pouco! Porque não ligam para Emma e vejam como estão as coisas? Daqui uma hora mando servir o bolo, então libero vocês, combinado?!

 

Elas se entreolham e resolvem fazer a vontade da amiga, mas antes ligam pra casa para ter notícias de Bia.  Emma as tranqüiliza dizendo que a menina dorme serena e não apresenta febre.  Então relaxam e decidem aproveitar mais um pouco daquela noite agradável junto aos amigos.

 

Em determinado momento, Iara servia-se de uma taça de espumante e Francesca aproveita para cutucar a “amiga”...

 

- Um passarinho me contou que as paredes daquela Vinícola estão prestes a ruir por conta do terremoto que vocês duas provocam quase todos os dias por lá!  Se fizer minha amiga infartar, eu juro que acabo com você também!

 

- Tenho certeza que não foi Constance que te falou isso!  Já posso até imaginar quem seja esse tal passarinho, que tá mais pra libélula fofoqueira e saltitante que qualquer outra coisa, não é Jordi?!

 

O amigo que estava há poucos metros fez cara de desentendido.

 

- E Constance não vai infartar por causa do que fazemos, portanto guarde suas ameaças fajutas pra quem acredita na sua cara de má!

 

E virou as costas deixando Francesca com cara de riso.

 

Iara volta para o belo jardim da casa onde a maioria dos convivas se misturavam em pequenos grupos ou dançavam animados.  A conversa com Francesca tinha inspirado idéias libidinosas em Iara que começou a buscar Constance em volta com o olhar.

 

De repente a encontra bem próxima a uma das amigas de Laura da qual não se recordava o nome, mas lembrava ser bonita e estar disponível, o que não a agradou nem um pouco!  A mulher jogava charme para Constance sem a menor cerimônia e segurava em seu braço enquanto soltava uma sonora gargalhada por algo dito por ela.  Iara começou a cobrir o espaço que as separava com o foco apenas naquela dupla à frente de seus olhos, já não enxergava mais nada a sua volta que não fosse a mão daquela intrusa no braço de sua mulher!

 

Chega perto das duas e ainda vê os últimos resquícios do sorriso que Constance retribuía àquela estranha, que se desfez no instante em que notou o olhar furioso de Iara sobre a mão de Moira, a amiga de Laura, que de imediato a retira do braço de sua interlocutora.  Sem esconder o ciúme estampado em sua face Iara diz...

 

- Estava te procurando!

 

- Moira, Iara...Iara, Moira!

 

Constance faz as apresentações.  Sem conseguir disfarçar o incômodo com o evidente interesse que aquela mulher demonstrava por Constance, Iara responde com desagrado...

 

- Laura já nos apresentou!

 

- Moira me falava sobre uma peça muito engraçada que está acontecendo no Teatro de Siena, disse que os atores são muito bons e...

 

- Podemos ir? Estou preocupada com nossa menina...com licença, Moira...

 

E sai arrastando Constance pela mão apertando seus dedos mais forte que o normal!

 

Quando já não podiam mais ser ouvidas por ninguém, Iara desabafa...

 

- De mim você foge, mas basta uma oferecida qualquer jogar charme e já abre esse sorriso flertando com ela!  Pelo menos me respeite porque aqui todo mundo acha que estamos juntas!

 

Constance puxa a mão com força e indignada retruca...

 

- Eu não estava flertando com ninguém, apenas conversava!  Quem te deu o direito de vir tirar satisfações comigo desse jeito?!  Eu falo com quem quiser e se tiver vontade de flertar com alguém, eu vou fazer entendeu bem?!

 

Nervosa Iara diz...

 

- Experimente!  Experimente flertar com alguém pra você ver o que eu faço! Você é minha mulher e tem que me respeitar!

 

- Não sou sua mulher!  Nós apenas fazemos sexo!  Você é a mãe da minha irmã e viúva do meu pai, não é nada minha! Portanto não me venha com esse sentimento de posse ridículo porque eu não estava fazendo nada e nem paquerando ninguém!  E quer saber do que mais? Não te devo satisfações! Vamos embora!

 

Constance deu por encerrada a discussão e com passos largos voltou para dentro da casa a fim de se despedir dos amigos.  Iara seguiu logo atrás, aborrecida pelas palavras duras que ouvira e envergonhada pelo ciúme que não conseguia disfarçar!

 

Já dentro do carro, de volta para a Vinícola, Iara dirigia com cautela pelo caminho estreito que ligava Siena a Montalcino, ambas em silêncio total.  A noite estava fria, mas o céu negro como breu era coberto por estrelas reluzentes que pareciam muito maiores que vistas da cidade e iluminavam de prata a estrada que as levava para casa!

 

Sem se conter mais, Iara diz com a voz baixa...

 

- Desculpe!

 

Constance permanece quieta!  Iara continua...

 

- Tenho medo que se interesse por alguém...tudo entre nós é tão frágil! 

 

- E acha que com esse tipo de atitude vai melhorar as coisas?!

 

Constance pergunta menos irritada.  Iara prossegue...

 

- Não! Me ajuda a melhorar! Eu nunca namorei sabia?

 

Constance a olha surpresa! Iara sorri com amarga ironia e diz...

 

- É verdade!  Sempre fui amante, objeto sexual, micheteira, mas nunca tive uma relação romântica com ninguém!  Não sei como fazer direito, como me comportar...sou uma burra em matéria de relacionamentos, uma idiota insegura e infantil!

 

Constance se mantém calada, não sabe o que dizer, não quer abrir a guarda!  Iara olha para o céu e vê a lua branca como um holofote clareando o caminho. Já é madrugada e mais uma vez por impulso age sem pensar.  Para o carro no acostamento da estrada deserta e nem dá tempo para que Constance comece a protestar. Avança sobre ela e a beija com toda certeza do mundo que somente aquela mulher era a dona definitiva do amor que nunca imaginou existir em seu coração! 

 

Mas ele estava lá!  Sempre esteve!  Somente esperando para se manifestar quando ela chegasse! 

 

Era como se amasse Constance desde sempre, mesmo quando não a conhecia!  Por isso antes dela, apenas vagava pelo mundo batendo cabeça e fazendo bobagens!  Tudo só começou a fazer sentido quando a encontrou, a reconheceu e permitiu que seu mundo fosse invadido e modificado para que finalmente passasse a viver!

 

Como sempre acontecia, Constance tenta resistir por ínfimos segundos até desistir e se entregar ao prazer que aquela louca lhe proporcionava!  Iara a puxa para cima de seu colo e com as mãos embrenhadas naqueles cabelos de seda sussurra com paixão...

 

- Me ajuda a ser melhor!  Não desista de mim! Sou tão apaixonada por você!

 

E deixando os sentidos tomarem conta da situação, Constance não luta mais e se rende àquela súplica agoniada!  Deixa que Iara arrie as alças de seu vestido e exponha à sua lascívia aqueles montes traidores que já estavam com os mamilos duros e prontos para serem imolados pela boca carnuda que tirava sua paz!

 

Iara direciona seus dedos atrevidos para invadir a gruta quente e melada que já sentia molhar seu ventre mesmo sobre o tecido da calcinha.  Quando entrou em sua fenda, sentiu a carne mastigá-la com vigor e fome, fazendo seus dedos escorregarem facilmente para dentro dela e logo em seguida serem expulsos com um lamento que os trazia rapidamente de volta.  Constance bamboleava as ancas numa dança sensual e erótica que hipnotizava sua parceira de luxúria, buscando o vai e vem ritmado que aqueles dedos impunham ao seu sexo inflamado!  A boca sugava seus seios indo de um ao outro com a língua ávida e sedenta que não queria deixar escapar um poro sequer de seu toque deliciosamente úmido!

 

Constance não é mais dona de si!  Não tem mais controle sobre seus sentidos nem sobre sua mente.  Tudo está anuviado pelo turbilhão que se avizinha, fazendo sua boca dizer coisas que não quer deixar escapar...murmura...geme...morde os lábios e se contorce para deixar vir todo o gozo que reverbera no seu corpo até alcançar cada molécula de Iara. Se abandona sem pudor...grita...se esfola na ânsia de conseguir mais daqueles dedos! Os espasmos demoram a passar...grita outra vez e quase perde o fôlego! 

 

Iara tem razão, pelo menos naqueles instantes, não se pertence mais!

 

Encantada como sempre, Iara a abraça e beija apaixonadamente.  Ela descansa no colo daquela mulher insana que a levava ao delírio, mas logo procura recuperar a razão e diz, tentando se convencer de suas palavras...

 

- Você não é minha dona!  Pare de agir como se fosse! Só tem o meu corpo porque eu sou fraca e admito isso!  Mas o meu coração eu não te dou!

 

Com os olhos brilhando de desejo ainda não saciado, Iara rebate...

 

- Não me importa se não quer me dar seu coração...eu o tomo pra mim!  Já tenho seu corpo!

 

- Abusada!

 

- Deliciosa!

 

- Te detesto!

 

- Te adoro!

 

- Não vai me ter toda!

 

- Já tenho!

 

- Me leva daqui!

 

- Me chupa!

 

E Constance obedece!  E a madrugada avança!  E os orgasmos se multiplicam fazendo seus gritos ecoarem com o vento frio das montanhas!

 

Mais de uma hora depois de terem interrompido a viagem, elas se vestem e Iara retoma o volante para seguir radiante de volta pra casa!  O coração ainda batia forte, mas o corpo estava saciado e feliz!  Olha para Constance com a satisfação brotando em seu rosto em forma de um sorriso bobo!  Pensa…

 

‘Tudo começa a ficar bem outra vez.  Ela também me quer na sua vida. E ao seu modo, acho que me ama! Me sinto feliz como antes!”

 

Liga o carro e seguem pela estrada ainda escura, mas com o céu já começando a dar tons de azul cobalto.

 

Constance a olha de soslaio e admira o belo perfil de nariz reto e com a ponta levemente arrebitada, que fazia Iara parecer ainda mais atrevida!  Relembra todos os acontecimentos desde sua chegada repentina até a Vinícola e se detém nos momentos de paixão que viviam há um par de anos!  Olha de novo para ela e percebe que ainda tem um leve sorriso abobalhado nos lábios...aqueles lábios abusados e exigentes que não se cansava de beijar!

 

“Ela tem razão! Já me tomou por inteiro! Não me pertenço mais! O que de fato é meu nesse corpo que não passa de um espectro sem ela?! Que sentido tem lutar contra se ele só consegue ser e viver por causa dela?!”

 

Os pensamentos insistiam em provocar Constance, em desafiar suas emoções!

 

 

De repente olhos vermelhos refletindo assustados a luz do farol pegam de surpresa a feliz condutora daquele veículo!  O volante gira de um lado ao outro desgovernado!  Os freios fazem os pneus gritarem em agonia sua fricção no asfalto crespo!  O carro gira várias vezes!  A ovelha desgarrada salta apavorada para expiar sua culpa!  Elas se olham em pânico e sabem que o precipício está logo ali ao lado!  Iara não domina mais a direção e se joga para proteger seu amor!  Um forte impacto faz o carro virar seguidas vezes e os gritos saltam por seus vidros estilhaçados, morrendo ao longe na noite que termina!

 

Rodas girando…fumaça no ar…silêncio!

 

 

- Não!  Outra vez não!

 

Constance arrasta o corpo para fora do carro pela janela quebrada!  Aquela mesma cena!  O mesmo filme tantas vezes visto e relembrado em sua mente por anos a fio!

 

Um animal no meio do caminho...um rosto feliz...o susto...gritos...um carro com as rodas para cima...um sonho morto!

 

Consegue sair do carro e procura Iara em desespero!  A porta se abriu e ela foi jogada para fora!  Grita e implora aos céus que não façam isso novamente com ela!

 

Vê o corpo dela inerte a alguns metros dali!  A via ainda está escura, mas se aproxima com pavor do que vai encontrar!  Prefere morrer a passar por tudo de novo!

 

Se agacha e olha com cuidado o corpo cheio de ferimentos!  Ainda respira!  Corre para o carro e tenta encontrar uma das bolsas onde pode pegar o telefone e pedir ajuda! 

 

Encontra!

 

Chama o socorro e depois Francesca!

 

 

Os 15 minutos que a Policia Rodoviária e a ambulância levaram para chegar ao local pareciam ter sido horas!

 

Ficou todo o tempo acariciando os cabelos negros empapados de sangue e sentindo a respiração cada vez mais fraca em sua face!

 

“Ela não pode ir! Não pode! Não vou conseguir sobreviver novamente a essa dor!”

 

O desespero de Constance mantinha seu corpo anestesiado.  Não sentia dor alguma no corte profundo acima da testa nem nos vidros entranhados em seus braços e pés!  Só queria que os paramédicos se concentrassem em Iara!

 

Foi na ambulância junto dela.  Os procedimentos de emergência começaram a ser feitos já na ambulância. O estado dela parecia ser grave e a agitação dos médicos confirmava isso!

Um dos médicos tentou examiná-la, mas se desvencilhando com rispidez Constance bradou...

 

- Cuidem dela!  Eu estou bem!  Ela que precisa de vocês!  Não a deixem morrer, por favor, não a deixem morrer!

 

Quando chegaram ao hospital, Francesca, Laura, Jordi e Carlo já estavam esperando por elas aflitos!  Os paramédicos entram com a maca levando Iara num estado deplorável e Jordi se desespera ao ver a amiga daquele jeito...

 

- Como ela está?  Ela tá viva?!  Me diz que ela não morreu! Eu quero minha amiga viva!  Me ajuda, meu Deus!!!

 

E chora amparado pelo companheiro.

 

A maca some dentro do centro cirúrgico e a agonia e desolação se abatem nos que ficaram do lado de fora.  Constance está olhando fixamente para a porta por onde Iara havia sido carregada.  Parecia estar catatônica, mas na verdade estava em choque!  Antes mesmo que alguém pudesse prever e tentar ampará-la, ela vai ao chão num desmaio de exaustão emocional!

 

 

Só volta à consciência dois dias depois.  Doutor Giane havia sido chamado e achou melhor mantê-la sedada pelos dois dias seguintes, a fim de evitar uma nova crise de catatonia provocada pelo choque extremo!

 

Quando abre os olhos está sozinha no quarto, senta-se no leito para lembrar o que tinha se passado.  E aquele pesadelo retornou com maior força ainda.  Lembrou-se de cada detalhe daquele dia: Bia resfriada, a festa, os ciúme de Iara, a discussão, a paixão, o riso bobo, a ovelha de olhos vermelhos, o giro no ar, gritos, Iara caída no asfalto!

 

Levantou-se da cama e sentiu as pernas fraquejarem, firmou-as e notou que estava bem. Não havia quebrado osso algum, os ferimentos se resumiam a alguns cortes mais profundos na testa próximo ao couro cabeludo e diversos arranhões e hematomas nos braços, pernas, tronco e cortes nos pés.  Se recuperaria rápido, pensou, mas e Iara?

 

Sai do quarto com o coração aos pulos e doendo em agonia!  Encontra com uma enfermeira que a aborda...

 

- Dona Constance, não devia ter saído do seu quarto!  Volte por favor!

 

- Iara...cadê ela? Quero vê-la...preciso vê-la...Iara!

 

A enfermeira tenta tranqüilizá-la, mas  sem dar as informações que pedia...

 

- Vamos...volte para o seu quarto que já vou chamar o médico para conversar com a Senhora!

 

- Cadê ela?!  Ela...ela não morreu né?!  Me diga...ela morreu?!

 

A enfermeira consegue levá-la de volta ao quarto e chama o médico assustada com o desespero de Constance.  Em poucos minutos o médico chega com uma expressão preocupada.  Enquanto examina Constance ela o bombardeia de perguntas sobre Iara.  Ele termina todos os procedimentos antes de dizer...

 

- Acalme-se!  Nesse estado não vai ajudar em nada e ela vai precisar muito de ajuda!

 

O coração de Constance dispara, mas pelo menos sabe que ela está viva ainda!  O médico continua...

 

- Eu e doutor Giane estamos cuidando de vocês duas!  Achamos por bem manter a Senhora sedada para que seu organismo se recuperasse mais rapidamente e não sentisse tanto o trauma de um acidente desse tipo.  Ainda mais que já passou por isso antes e com conseqüências terríveis!

 

- Doutor, eu quero vê-la...preciso vê-la, por favor!

 

- Ela está na UTI ainda, Senhora!  E vamos ter que mantê-la lá por enquanto!

 

- Ela vai se recuperar?  Me diga, Doutor...ela vai ficar boa?!

 

- Não sabemos ainda, mas estamos confiantes que sim!  Vou explicar melhor o que aconteceu com ela.

 

E o médico então põe Constance a par de todos os traumas que Iara tivera com o acidente.

 

Na verdade elas tiveram uma sorte incrível de saírem vivas, pois o carro havia batido com violência em uma pedra grande no acostamento, pedra esta que acabou por evitar que o carro despencasse mais de 20 metros ribanceira a baixo!  O impacto com a tal pedra fez o veículo capotar várias vezes e a porta do motorista se abriu catapultando Iara para fora do veículo.  Constance teve muita sorte, pois conseguiu sair intacta daquela batida violenta!

 

Iara já não teve tanta sorte!  Com o arremesso para fora do veículo, acabou quebrando o braço, uma das pernas, algumas costelas e sofreu uma grave concussão pela forte pancada na cabeça!  Ela estava em coma induzido e os médicos aguardavam que o edema cerebral reduzisse para que a pressão craniana baixasse e eles pudessem trazê-la de volta à consciência e poderem avaliar melhor o estado em que se encontrava a paciente.

 

- Ela vai conseguir se recuperar, doutor?

 

- Não sabemos ainda!  Só vamos conseguir avaliar os danos quando ela voltar à consciência! Pelo menos não houve sangramento no cérebro e isso já é motivo de muita esperança.  Até lá é mantermos a calma para que possamos ajudá-la no que ela precisar.  Por favor, tranqüilize-se!  Estamos confiantes!

 

 

Mais tarde recebe a visita dos amigos, que ficam felizes em vê-la bem e fisicamente recuperada.  No entanto, emocionalmente, Constance está em pânico!  Quando vê Francesca e Jordi segura nas mãos de cada um deles e diz arrasada…

 

– Me digam a verdade!  Ela vai ficar boa não vai?!  Isso não pode tá acontecendo outra vez!  Não vou conseguir perder de novo o amor da minha vida!

 

Com os olhos vermelhos de tanto chorar, Jordi fala com um sorriso sem entusiasmo…

 

– Vai ter que repetir essas palavras letra por letra quando ela voltar.  É tudo o que ela sempre quis ouvir de você!

 

– Vamos ter confiança!  Algo me diz que ela vai sair dessa e vou poder voltar a implicar com ela como sempre faço!

 

Francesca tentou fazer graça, mas o humor no local estava em baixa.

 

Constance teve alta naquele mesmo dia, porém pediu ao médico que a autorizasse a continuar indo ao hospital, aguardando as reações de Iara.  Ficou hospedada com Francesca, mas passava pelo menos 12 horas por dia na sala de espera do hospital aguardando novidades sobre ela.

 

Emma também era hóspede na casa de Francesca para que Beatriz pudesse não sentir tanto a falta de suas duas mães.

 

Três dias depois, o médico chega com novidades: a sedação seria retirada aos poucos para que Iara fosse recuperando a consciência e os médicos pudessem avaliar se a pancada na cabeça havia deixado alguma seqüela e quais seriam.

 

Os médicos pediram que Constance tivesse paciência, pois ela poderia nem mesmo abrir os olhos tão cedo.  Ela pediu ansiosa...

 

- Por favor, Doutor...então me deixa pelo menos olhar pra ela um pouco pelo vidro, posso?!

 

- Sim, pode! Já faz isso todos os dias mesmo, só não pode tentar tocá-la como fez ontem, ok?!

 

Constance aquiesceu, lembrando que havia entrado no quarto dela e falado por longos minutos sobre tudo o que sentia: seus medos, suas inseguranças, seu amor por Camille, seu amor por ela.  Tinha esperanças que ela pudesse escutar ou absorver suas palavras de algum modo.  E quando a enfermeira a flagrou e teve que sair, não resistiu e tocou de leve seus lábios nos de Iara para selar sua confissão!

 

- Ok, Doutor!  Eu só quero estar aqui quando ela acordar.  Vai ser bom ver um rosto conhecido depois desses dias todos apagada.

 

Mais um dia se passou e Iara não dava sinais de recuperar a consciência.  Constance já começava a se apavorar!  Estava exausta, mas faria daquele hospital a sua casa até que Iara voltasse!

 

Olhou em volta e notou que estavam todos ocupados com alguma atividade ou descansando após o almoço.  A enfermeira encarregada do leito de Iara tinha acabado de sentar e conversava com outra completamente distraída.  Constance achou que seria uma boa oportunidade de falar novamente para ela, pegar em sua mão, dar a ela um pouco de calor, fazer com que soubesse que estava lá, só esperando por ela para irem embora.

 

Aproximou-se do leito sorrateiramente e olhou consternada sua amada entubada, com vários cateteres espalhados pelo peito que a monitoravam 24 horas e o rosto cheio de arranhões e hematomas que já começavam a suavizar a coloração roxa.

 

Ela se aproximou, pegou na mão fria de Iara e disse com a voz embargada...

 

- Meu amor, como fui estúpida em não perdoá-la logo, como fui estúpida em não entender suas razões, se você tinha todas elas pra me deixar!  Eu tenho seqüelas que me deixam catatônica por semanas, sou bem mais velha que você, vivo em um lugar remoto e distante do mundo que você gosta, vivia falando do meu amor insubstituível por Camille, o que obviamente a deixa completamente insegura e magoada!  Eu fui a maior estúpida de nós duas!  Você fugiu e eu me enterrei como você mesma dizia!

 

Deixou as lágrimas rolarem, já acostumadas com o caminho daquelas faces.  Levou a mão de Iara até seu rosto e aspirou o odor que tanto amava.  Prosseguiu...

 

- Mas agora eu sei que apesar de ainda amar Camille, eu também posso amá-la com a mesma intensidade ou quem sabe mais até!  O amor não é limitado como nós somos!  Eu fui burra em achar que podia amar somente uma vez na vida! O amor que sentia por ti gritava na minha cara, no meu corpo, no meu coração o quanto eu já te amava há tanto tempo!  Gritava a cada minuto pedindo para ser reconhecido, para ser libertado, mas eu não ouvia!  Não ouvia meu coração porque queria me punir por estar sentindo novamente tudo o que senti por Camille e ter sido a responsável por ela não estar mais aqui, viva!

 

Afaga os cabelos de Iara e continua...

 

- Então acontece tudo outra vez!  Nós duas no carro na estrada escura, um animal na pista e tudo se acaba em segundos!  Mas você não se foi como Camille, ainda está aqui comigo e que os anjos permitam que volte logo pra mim!  Não se entregue, fique comigo, com Bia, nós te amamos e precisamos de você aqui!

 

E sem se dar conta do que fazia, Constance aperta a mão de Iara e enterra o rosto nela, onde as lágrimas escorrem sua dor!  Balbucia com a voz embargada pelo pranto...

 

- Meu Deus, não me tire a minha vida outra vez porque dessa vez não haverá recuperação!  Se você se for, eu também não vou conseguir ficar aqui e o que vai ser da nossa Beatriz?! Volta amor, minha vida, volta logo pra mim!

 

O choro convulsivo de Constance acaba chamando a atenção da enfermeira que quando percebe que ela está tocando a paciente em coma, vem chamar-lhe a atenção e tirá-la de lá.

 

- Senhora Constance, o médico já disse que não era para a senhora tocar na paciente, isso pode trazer alguma infecção para ela!  Por favor, fique só pelo vidro!  A senhora pode contribuir para agravar o estado dela se alguma infecção oportunista a acometer num momento como esse!

 

Em desespero Constance não solta a mão dela e diz...

 

- Ela tem que saber que estou aqui...que vou ficar aqui até ela acordar!  E se ela não acordar, não vou conseguir sobreviver sem ela!

 

A enfermeira tenta retirar a mão de Constance que segura firme a de Iara, mas de repente ela sente os dedos da mulher em coma apertar-lhe a mão!

                                                                                                                                

A enfermeira nota o movimento e Constance sente a pressão na pele e na alma!  Elas param de discutir imediatamente e ficam estáticas por alguns segundos, quando a voz baixa e cautelosa da enfermeira se faz ouvir...

 

- Vou chamar o médico!

 

O coração de Constance pareceu parar por um momento, mas ela sente um novo movimento nos dedos de Iara envolvendo sua mão por completo, então ele voltou a bater como um bumbo descompassado!  E outros movimentos se seguiram...e outros...e outros...

 

Em poucos minutos o médico entrava na UTI seguido do Doutor Giane e da enfermeira.  Desta vez Constance permitiu que eles a afastassem de Iara, não sem antes perceberem a força que Iara fazia para não deixá-la ir.  Os olhos não abriam, mas a mão já mostrava agilidade suficiente para segurá-la pedindo que ficasse.

 

Com a emoção sufocando-lhe o peito, Constance ficou olhando pelo vidro a movimentação dos médicos sobre Iara.  Quando um deles acionou uma pequena lanterna focando a luz em um dos olhos de Iara, as pálpebras se movimentaram e a pupila se contraiu! Ela estava voltando!

 

Agora o pranto de Constance era de alegria!

 

Levaram horas fazendo testes, exames e monitorando a paciente.  Ela não abria os olhos, mas os dedos se movimentavam claramente como que buscando novamente o toque de Constance.  Esta por sua vez, não desgrudava um minuto sequer do vidro daquele aquário, que a permitia ter uma visão completa do leito.  Estava ansiosa para que ela abrisse logo os olhos, mas não foi naquele dia que ela o fez!

 

Muito contrariada, Francesca conseguiu convencer Constance a ir descansar um pouco até o dia seguinte.  Quando chega na casa da amiga, Beatriz estende os bracinhos chorosa, também sentia muita falta da mãe!

 

- Eu também quero ir pra casa, meu amor!  Só estamos esperando a mamãe ficar boa para irmos embora!  Ela já vai ficar bem! Tudo vai ficar bem!

 

E a pequena só conseguia dormir nos braços da irmã.

 

 

No dia seguinte chega bem cedo ao hospital e vai direto para o aquário da UTI.  Olha Iara pelo vidro e nota que ela está sem o tubo de oxigênio.  Os olhos estão fechados, parece dormir!  Verifica que não há ninguém por perto e mais uma vez quebras as regras do local.  Aproxima-se do leito e pega na mão de Iara.  Sente um leve tremor vindo dela, chega o rosto bem perto e beija de leve os lábios daquela que tanto ama.

 

Como nos contos que se lembrava de ouvir da mãe e da avó, a princesa Iara treme as pálpebras e aos poucos vai abrindo os olhos, como se estivesse fazendo um esforço sobre-humano para olhar quem a beijava!

 

 E era uma outra princesa!

 

Elas se olham e o ônix negro encontra-se com o verde mar em tempestade!

 

Iara tenta focar o olhar, mas encontra certa dificuldade, as imagens estão ainda meio tortas e a cabeça dói bastante.  Tenta dizer algo, precisa dizer, mas parece que a voz que sai não é a dela...

 

-  Con..Conca...voltei!

 

Com os olhos transbordando, Constance responde...

 

- Minha amada, sabia que voltaria!  Estava só te esperando!  Eu e Bia queremos levar você logo pra casa!

 

Nesse momento chega o aparato médico para novamente avaliar o estado da paciente.  Constance foi mais uma vez afastada, agora sob protestos também de Iara.  Para não atrapalhar os exames, teve que se retirar para a sala de espera, extremamente contrariada, mas com o coração explodindo de esperança!

 

Ligou para todos a fim de dar as boas novas.  Em pouco tempo a sala estava abarrotada com os amigos e até mesmo Emma levando Beatriz.  Constance achou que seria bom que ela visse a filha o mais rápido possível.

 

Após horas de espera e agonia, Doutor Giane traz notícias da paciente...

 

- A concussão foi forte e, como era previsto, ela perdeu a memória do dia do acidente.  Não se recorda porque saiu de casa naquela noite e muito menos dos eventos que se sucederam depois. Só lembra da filha estar resfriada e de Constance preocupada.

 

Todos estavam estáticos aguardando mais detalhes, nem um zumbido era ouvido, o médico respira fundo e continua...

 

- Mas agora vem a parte boa!  A memória parece estar preservada para os acontecimentos do passado, fora o dia do acidente, e espero que para o futuro também.  Ela não apresenta seqüela em nenhum dos sentidos: visão, audição, olfato, tato e paladar. Todos perfeitamente preservados.  Movimenta todos os membros, mas sente muitas dores ainda, o que nós iremos controlar com a medicação certa.  Ainda está um pouco atordoada e confunde realidade com fantasia em certos momentos.

 

- Como assim, doutor?

 

Constance perguntou preocupada...

 

- Bem, não queria falar isso assim, mas ela parece estar tendo certos delírios com anjos, lugar bonito e...

 

O médico parecia estar extremamente constrangido em dizer, mas pela insistência de todos, ele prosseguiu...

 

- E Camille!  Ela balbuciou que encontrou Camille...é delírio pós-traumático!  Isso também é comum em situações como essa e...

 

Constance já não ouvia mais o médico e apenas pediu para vê-la um pouco e levar Bia.  Ele concordou, desde que não ficassem muito tempo, pois mais do que nunca ela precisava de descanso absoluto, inclusive de emoções.

 

Ao olhar a filha nos braços de Constance, Iara parece esquecer toda a dor que sente no corpo e na cabeça!  Abre um sorriso de felicidade e agradece estar ali para poder tocá-las, senti-las, estar com elas, viver com elas!

 

- Mama...dodói...vem mama...pa casa.

 

Beatriz puxa a mão da mãe como se ela pudesse se levantar e ir com elas.  Um sorriso débil sai dos lábios de Iara e ela diz ainda fraca...

 

- Mamãe já vai com vocês!

 

Abraçar e beijar Bia era uma benção para ela!  Iara olha Constance e diz emocionada...

 

- Que bom que eu pude voltar! Tinha que estar com vocês!

 

Constance a beija e fala com o coração pleno de alegria...

 

- Você é a nossa vida!  Só estamos esperando para levá-la de volta pra casa...a nossa casa!

 

Iara sorri com os olhos cheios de amor e Constance aproveita para dizer o que lhe vai no fundo da alma...

 

- Eu te amo Iara!  Com todo meu ser, eu te amo!  Não precisa ter ciúme nem invejar o amor que vivi com Camille!  Agora eu amo profundamente você e esse amor é pleno, sem comparações!  Ele é todo seu...todo pra você...só você... minha amada!

 

O coração de Iara parece que vai saltar de tanta felicidade, ela diz convicta...

 

- Eu sei!

 

Sem entender Constance pergunta...

 

- Sabe? Sabe o que?

 

- Que você me ama!  Um amor meu, só meu!  Sem comparações e sem dividir!  É um amor só pra mim, unicamente meu! Não é o amor de Camille!  É o meu amor!

 

Constance acha graça do jeito altivo e cheio de convicção de Iara.  Ela vai até o aquário e entrega Bia para Emma, depois volta para ficar mais à vontade com Iara nos últimos minutos que ainda lhes restam.

 

Debruça-se sobre ela e a cobre de pequenos beijos. E tentando provocá-la um pouco, pergunta fazendo graça...

 

- E como tem tanta certeza assim?

 

De repente Iara fica séria e diz em um tom confidencial...

 

- Ela me disse!

 

Estranhando a resposta, Constance pergunta...

 

- Ela quem?

 

- Camille! Estive com ela!

 

Descrente, Constance retruca...

 

- Meu amor, foi um delírio por causa da concussão!  Doutor Gianne falou que é comum nesses casos!

 

- Não Conca! Não foi delírio! Eu estive lá!  Um local diferente de qualquer outro que estive nesse mundo!  Tinham pessoas que mais pareciam anjos e levitavam ao redor e Camille era uma dessas!

 

- Por favor Iara, não lembre esses sonhos...você não pode se aborrecer com nada disso e...

 

- Não foi um sonho, Constance!  Foi real!  Eu senti...eu vi...eu estive lá!

 

Vendo que a mulher estava se alterando, decidiu não contrariá-la e passou a ouvir a história que ela queria contar.

 

- Ela estava ainda mais linda que nas fotos e agora não sinto mais ciúmes do seu amor por ela!  Não sinto porque ela me explicou...é um amor que transcende a morte...um amor antigo e profundo...como o que você tem por mim e eu por você!   Eu sei que me ama Constance, como amou Camille, e que a nossa história também irá além dessa vida!  Você tem razão, ela é um anjo!

 

Constance estava comovida com as palavras de Iara, sentia que era o modo dela de se redimir e dizer que não deixaria mais que a insegurança e o ciúme a afastasse dela e de Bia outra vez.  E se o delírio era para o bem, então que não argumentasse com ela seu ceticismo.  Mas Iara percebe...

 

- Não acredita em mim não é mesmo?!

 

Constance abaixa os olhos e beija a mão dela apaixonadamente.  Iara olha e sorri condescendente, sabe que Constance pensa ser delírio.  Acena para os amigos que estão fazendo gestos e mandando beijos pelo vidro do aquário e para sua querida Bia.

 

O médico então se aproxima e diz...

 

- Bem, por hoje chega de visitas e animação!  A Senhora precisa descansar e se continuar melhorando dessa forma, amanhã mesmo já sairá desta UTI e irá para o quarto.

 

Todos fazem muxoxo e Constance diz com os olhos brilhando...

 

- Amanhã eu volto, meu amor! E se for para o quarto vou poder ficar o tempo todo com você e até dormir aqui ao seu lado, não é doutor?!

 

- Sim claro! No quarto pode.

 

Iara sorri feliz, sente que seu corpo irá recuperar rápido, e ter o amor de sua família lhe dava ainda mais energia para uma recuperação total!  Já estavam todos fora do quarto e Constance já saía jogando um beijo para ela, quando Iara diz como se lembrasse de algo não muito importante...

 

- Ah, Constance...já ia esquecendo de dizer...

 

- O que?

 

- Camille pediu que logo que eu ficasse completamente boa, você me levasse até aquela ilha que era o refúgio de vocês, próxima a Capri.  Ela disse que me mostrasse a árvore onde escreveram suas iniciais e que colocasse a minha lá também porque agora, o seu amor é meu!

 

Em choque, Constance sente seus olhos se inundarem!  Seu coração está descompassado e suas pernas não saem mais do lugar!  Não consegue articular palavra alguma e é carregada para fora do quarto pelo médico como um autômato, enquanto vê o sorriso de alegria de Iara ficando para trás.

 

Apavorada pelo que tinha ouvido e com o rosto afogueado, diz aturdida, sem que os outros pudessem entender sobre o que falava...

 

- Ela não tinha como saber!  Ninguém sabia, só eu e Camille!

 

Jordi e Francesca perguntam em uníssono...

 

- Saber o que?

 

- Da ilha...da árvore...das iniciais!  Ninguém jamais soube!

 

- Do que está falando, Conca?

 

Pergunta Emma, preocupada.

 

- Depois eu conto! Quando Iara voltar pra casa, nós contamos!

 

E saiu dali com os pensamentos em turbilhão, mas com o coração em paz, sabendo que aquela história seria longa e atravessaria os tempos!

 

Sentia-se privilegiada!

 

Deus havia mandado um anjo para sua vida, um anjo chamado Camille, que amaria para sempre e que mesmo de longe ainda cuidava de sua felicidade! Ela lhe mostrava que não havia mais razão para culpa, não há como lutar contra a fatalidade, são os desígnios da força suprema!

 

Depois Deus mandou uma mulher, com todas as virtudes e defeitos para que pudesse aprender e ensinar o que era amar plenamente alguém que não tivesse alma de anjo!

 

Amar o perfeito é mais simples, mais fácil, natural! 

 

Amar a imperfeição é exercitar o amor em sua plenitude, é superação, é dádiva!

 

Naquela noite, antes de deitar-se, abriu a janela e agradeceu aos céus a vida maravilhosa que se descortinava aos seus olhos! O manto negro estava completamente infestado de estrelas reluzentes que pareciam lanternas prateadas em festa por aquelas almas que encontravam, enfim, um caminho de harmonia e amor! 

 

E feliz agradeceu numa prece:

 

“Obrigada!”

 

FIM

 

 

Nome: alex72 (Assinado) · Data: 15/07/2018 23:22 · Para: Capitulo 20

Maravilhosa historia.



Nome: Sam King (Assinado) · Data: 11/07/2018 21:38 · Para: Capitulo 20

Ola,

Simplesmente adorei seu texto!  Parabens !

Abraços 



Nome: darque (Assinado) · Data: 23/04/2018 15:37 · Para: Capitulo 20

Olá Marcya!

É a segunda vez que leio este romance e confesso que não foi diferente primeira vez, pois emocionou-me sobremaneira. Parabéns! Pela eloquência,  coerênci, enfim pela grande capacidade de envolver os personagens na riqueza do roteiro.

Bjs



Nome: Cristiane Schwinden (Assinado) · Data: 29/03/2018 05:12 · Para: Capitulo 20

Nossa, que história! Impossível não devorar e morrer de ansiedade a cada parágrafo! Você tem uma habilidade incrível com as palavras, brinca com nossos sentimentos com tanta destreza! Odiava Iara nos primeros capítulos, depois acreditei piamente em sua recuperação, logo depois comecei a ficar com pena do amor não correspondido e chateada com Constance, mas finalmente tudo se ajeitou e você me dexou um sorriso aberto ao final.

É uma honra ter você aqui no Lettera, obrigada!

 



Resposta do autor:

Cris, obrigada você por disponibilizar pra gente um espaço como esse, tanto para quem escreve como para quem lê.  Você ajuda de forma brilhante a divulgar a literatura e cultura lésbicas e levar entretenimento e emoção a milhares de mulheres que buscam esse tipo de leitura.  Parabéns pela iniciativa e pela bravura em manter, apesar de todas as dificuldades essa página pro nosso deleite.

Beijos


Marcya Peres



Nome: tbahia2000 (Assinado) · Data: 13/03/2018 18:38 · Para: Capitulo 20

Parabéns pelo enredo, conseguiu me emocionar em diversas passagens... um primor!



Nome: Paloma Lacerda (Assinado) · Data: 31/01/2018 01:43 · Para: Capitulo 20

Adorei!!! Seja bem-vinda de volta. 



Nome: AmandaRoiz (Assinado) · Data: 11/01/2018 13:20 · Para: Capitulo 20

Nossa ... que história maravilhosa ... obrigada autora por compartilha-la com nós...

 

Parabéns é pouco para você ...

 



Nome: Lmjs (Assinado) · Data: 05/01/2018 15:54 · Para: Capitulo 20

Marcya, parabéns pela belíssima história!

Chorei por felicidade das personagens, me emocionei, tive decepções, alegrias, fiquei hipnotizada, li vários capítulos até altas horas da madrugada só p vc ter uma idéia de como gostei tanto da sua obra. Que Deus continue lhe iluminando com essa rica sabedoria! 

Um ano novo cheio de vitórias p te e família! Aqle abç! 



Nome: brunafinzicontini (Assinado) · Data: 03/01/2018 01:16 · Para: Capitulo 20

Marcya... Você ainda me fará ter um infarto! O coração até dói com a beleza de sua história! E é a mesma sensação que tive ao ler este conto nas outras vezes! Veja bem: estou relendo por várias vezes, sempre encantada como se fosse a primeira vez!

Aliás, como já lhe disse, suas três histórias - felizmente aqui também publicadas - são maravilhosas! Não sei dizer qual mexe mais com meu coração! 

Parabéns! Você sabe construir um enredo que provoca um fascínio incrível, hipnotizante, que nos prende do começo ao fim. Só posso repetir o que outras leitoras já manifestaram: quero mais!

Aguardo ansiosamente sua próxima publicação.

Beijos,

Bruna



Nome: ik felix (Assinado) · Data: 16/12/2017 13:17 · Para: Capitulo 20

Cara Marcya,

Poxa, mas já acabou!? Você deixou ela com gosto de quero mais, deixou em mim a vontade de continuar a e ler essa MARAVILHOSA estória, meus sinceros parabéns pela a mesma. 

Abraço, IK.



Nome: Gaa (Assinado) · Data: 14/12/2017 19:21 · Para: Capitulo 20

aaaa agora lendo os comentários e olhando as outras histórias parece q é vc....porra quase denunciei rsrsrs



Nome: Gaa (Assinado) · Data: 14/12/2017 19:18 · Para: Capitulo 20

Essa história é de uma autora chamada nina, é vc?



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