Desejo e loucura por Lily Porto


[Comentários - 191]   Impressora Imprimir Capitulo ou História - Lista de Capítulos

- Tamanho do Texto +

 

Carolina

Vocês não imaginam como é complicado ocupar o cargo que eu ocupo, são tantos eventos, tantos convites. Tem dias que preciso escolher qual o lugar mais importante para ir. É realmente sufocante passar tanto tempo enfiada em eventos, isso para quem não tem pique, por que pra mim é maravilhosa toda essa agitação.

Ah, esqueci de me apresentar. Sou Carolina Marques, a primeira dama da cidade. Tenho 38 anos, 1,67 m, ruiva, olhos cor de mel, cabelos compridos (os conservo assim desde a adolescência). Tenho um certo cuidado com o corpo, mas não sou de toda magra, sempre tive curvas destacadas, o que chamam de “corpão”, com quadril largo, bumbum e seios fartos.

Sou casada desde os 19 anos, com o Antenor. Pouco nos vemos, por ser prefeito da cidade ele é um homem muito ocupado. E eu até prefiro que seja assim, tem dias que não aguento nem olhar pra cara dele, ele sempre foi um cara muito “gabola” como dizem por ai, e depois que ganhou o primeiro mandado para vereador tudo piorou.

De lá pra cá as coisas ficaram ainda piores, é bem difícil conversarmos sobre coisas onde ele não seja o assunto principal. Por isso prefiro não o encontrar em casa. Quando precisamos comparecer a eventos juntos, somos o casal mais lindo do mundo, é “minha dama” pra lá, “meu amor” pra cá, e assim é o nosso casamento sustentado a base de aparências.

Dentro da nossa casa, somos completos estranhos. Nossa vida sexual sempre foi uma merda, ele nunca me satisfez totalmente, se é que me entendem. Meu irmão me pergunta porque não me separo, segundo ele “viver de aparência não é nada bom”. Ele por exemplo, nunca casou até hoje e diz que não faz questão alguma.

Está ai o porquê de não escutar o “conselho” dele de me separar, mesmo porque, por ele eu já estaria separada a muito tempo e morando na Europa com uma “amiga” da adolescência.

Sabe uma coisa que não suporto, crianças! Nossa, quando choram, quando gritam. Que horror, tenho pavor a choro de crianças. Esse é o motivo de nunca ter tido filhos, e de não me dar nada bem com o filho do meu marido.

O bocó do Antenor engravidou a namoradinha que ele tinha na escola. E pra sorte dele eu já tinha decidido casar quando a gravidez foi descoberta. Meu marido tem 40 anos, ele fez o favor de repetir dois anos no ensino médio, por isso concluímos no mesmo ano. Muito me admira ele ter virado político, mas isso só aconteceu pela influência do pai dele.

Voltando ao bastardo, ele veio morar conosco aos 7 anos. A mãe morreu devido a uma grave pneumonia. E de lá para cá ele mora conosco, quer dizer, o Antenor é responsável legal dele, mesmo porque até pouco tempo atrás ele morava na capital, estudava e morava lá. Mantínhamos uma senhora que tomava conta dele e da casa. Quando ele ficou maior de idade pediu ao pai pra passar um tempo por aqui, alegou que sentia falta dele e o bocó aceitou que ele viesse.

A nossa convivência é péssima. Ele tem a mania de tratar os empregados como membros da família e não me respeita, estou contando os dias para começar as aulas dele na faculdade, não aguento mais encontra-lo por aqui. Garoto insolente e ainda quer ficar me afrontando, já disse a ele que qualquer dia desses mostro de quem é a última palavra dentro dessa casa.

Eu desisti da faculdade pra casar, passei a viver apenas para o meu marido e meu lar. Claro que tenho empregados em casa, nunca precisei lavar um prato sequer, mas vocês sabem como são empregados, né? Se não acompanha de perto, o serviço não anda!

Voltando a essa questão, eu não trabalho. O meu cargo na sociedade é ser a “esposa dedicada” de um político, desde que terminei o ensino médio fui treinada para tal. E cá entre nós, mesmo não amando o meu marido, o dinheiro dele nos gera muito conforto. E sinceramente eu não tenho a menor vontade de abrir mão de nada do que tenho, para viver o amor verdadeiro. E não, não ligo de viver de aparência perante a sociedade. Depois de quase vinte anos de casamento já estou acostumada.

Hoje tenho um evento em casa, e quando essas coisas acontecem gosto de cuidar de tudo bem de perto, pra que nada saia errado. Neste momento estou indo a maior vinícola da cidade comprar algumas garrafas de espumante, tenho algumas garrafas de vinhos tinto, branco, seco e demi-sec. Mas gosto de ter sempre umas garrafas de espumante na nossa pequena adega. Minha sogra sempre diz “uma boa anfitriã tem de tudo um pouco em sua casa, para manter seus convidados sempre satisfeitos e muito bem servidos”.

Entrei na loja e não pude deixar de notar uma presença diferente por ali. Ela estava mais velha, cabelos curtos acima dos ombros, repicados e com alguns fios brancos que davam um ar mais sedutor a sua aparência. Estava magra, parecia atlética até. Trajava uma calça jeans clara (como sempre gostou na adolescência), salto fino médio, maquiagem leve e camiseta preta. Sério? Aquela peça estava destoando de todo o resto. Mas ela nunca foi muito ligada a moda, e estava linda de qualquer forma!

Me prendi um pouco mais do que devia olhando pra ela. Me perdi no seu olhar, e ao notar que eu tinha tirado os óculos escuros e a encarava, olhou para a jovem moça que estava a sua frente. Esbocei um sorriso, mas ela parece não ter percebido. Ou se percebeu não quis retribuir. Será que a moça a sua frente era sua companheira? Será que ela estava casada? Não sei porque, mas aqueles pensamentos me deixaram com raiva.

Ao virar para fazer o que tinha ido fazer ali acabei esbarrando na prateleira e derrubei duas garrafas de vinho, que se partiram e fizeram uma bela sujeira. Sujando assim meus pés, e parte das pernas. Uma atendente foi ao meu encontro e enquanto me desculpava e procurava saber o valor das garrafas que derrubei, seu Giovani encostou onde estávamos:

– Está tudo bem por aqui? – ele perguntou solicito me ajudando a sair da poça de vinho.

– Está sim seu Giovani, desculpa por esse inconveniente, me distrai e acabei não percebendo que encostava na prateleira. Mas já falei com a moça e ela vai acrescentar essas duas garrafas a minha compra de hoje.

– Não se preocupe filha, está tudo bem. – se dirigiu a moça – Carmem, não precisa acrescentar essas garrafas a conta da senhora Marques. Os pedidos dela já estão separados, embrulhe-os por favor, e leve até a mesa em que estamos. Leve guardanapos também para que ela possa limpar os resquícios de vinho. – sorriu e olhou para mim novamente – Nos acompanha em uma taça de bordô senhora?

Fiquei sem graça de não aceitar, ele sempre fora muito solicito comigo. Apesar de já ter décadas morando no Brasil ele conservava o sotaque italiano, e volta e meia o via falar algumas palavras típicas do seu país de origem. Aceitei o convite também porque estava curiosa em saber quem acompanhava a neta dele na mesa.

– Claro seu Giovani, como o senhor sempre diz “nunca se deve recusar uma bela taça de vinho numa tarde agradável” – falei tentando imitar a forma como ele falava.

Sorriu abraçando meus ombros enquanto me conduzia até a mesa.

– Senhoritas, encontrei essa bela moça ali. E a trouxe para degustar o bordô conosco.

Na mesa percebi que a moça que estava de frente a Agnes se tratava de Clara, a administradora da vinícola, a cumprimentei com um beijinho de comadres e parei ao lado de Agnes.

– Então, depois de anos você resolveu voltar a cidade em que nasceu! – falei mais entusiasmada que o normal – Quanto tempo Agnes, são o que, 15 anos que não nos vemos? Você não mudou praticamente nada, está ainda mais linda! – sorri.

Esperava um sorriso tímido acompanhado de um abraço, ou qualquer outro cumprimento. Mas ao contrário disso ela me olhou séria, ignorando toda a cordialidade contida nas minhas palavras, e claro o meu entusiasmo. Bebeu do seu vinho, me olhou com uma frieza nunca vista antes por mim em seu olhar e disse colocando a taça na mesa:

– Não te vejo a exatamente 20 anos Carolina. E ao contrário de mim, você mudou muito, não é mesmo primeira dama?!

A mulher me desarmou de todas as formas, que frieza. A minha vontade era sair dali correndo. Meu sorriso morreu nos lábios. Não sabia o que fazer. Pra minha sorte a Clara se despediu me dando chances para me recompor.

– Gente com licença, mas preciso voltar ao trabalho.

– Ei, não esquece do seu convite, tá? – sorriu.

– Certo Agnes, não esquecerei. As 20h no Pátrias. Nos encontramos lá.

E saiu sorrindo. Elas pareciam bem entrosadas, iam jantar no restaurante do meu irmão a noite. Traíra, nem pra me avisar que a Agnes estava na cidade.

– Bom vovô, eu vou pra casa. Estou cansada, quero dormir um pouco.

– Certo filha, vou pedir ao motorista que te leve, não posso me ausentar daqui neste momento.

Ele foi até o balcão, ficamos apenas eu e ela ali sentadas. Precisava saber porque ela estava me tratando daquele jeito.

– Agnes, eu... como... nossa! – me perdi nas palavras – O que aconteceu para estar me tratando dessa forma?

– Que eu saiba nada. Costumo tratar as pessoas como elas merecem apenas.

– E porque mereço ser tratada assim, com essa frieza? Éramos amigas antes de você ir embora.

Seu Giovani voltou dizendo animado:

– Filha, o motorista a aguarda.

– Certo vovô! Obrigada.

Beijou o avô e se retirou. Sem sequer me dizer tchau, quanto mais responder minha pergunta. Fiquei mais uns dez minutos por lá e me despedi também. O jantar a noite foi o pior da minha vida, estava totalmente dispersa. Meu corpo estava lá, mas a minha mente estava num certo restaurante, ou melhor, em uma certa cliente do restaurante.

O jantar terminou um pouco antes das 21h, coloquei um sobretudo e segui para o restaurante do meu irmão, precisava ver se Agnes estava em um encontro, ou não!

 

Notas finais:

Boa noite!

Uma visão diferente...

Obrigada pela companhia!



Comentários


Nome: Tekaxaviers (Assinado) · Data: 04/05/2018 18:38 · Para: Capitulo 2 - Carolina: Dia agitado

Olha a Carolina é uma mulher de sangue nos olhos e uma postura altiva, tipo de gente que não mede esforços para ter o que quer, quando quer e como quer, gostei dela.

E quanto ao "casal" um jantar é um bom início. 

Essa história promete!!



Resposta do autor:

Boa noite, Teka!

Menina, a Carolina é desse jeito ai mesmo que você falou, aos poucos ela vai mostrando a "verdadeira" face, vamos ver se vc ainda vai continuar gostando dela, rsrsrs.

O jantar foi uma boa mesmo, mas, foi só para "quebrar o gelo".

Se cuida querida, bjs.



Nome: Pipoca ramos (Assinado) · Data: 25/03/2018 23:33 · Para: Capitulo 2 - Carolina: Dia agitado

Essa Cal não presta,adorei a patada da Agnes. 

A Agnes é bem ligeirinha hein? Já foi logo convidando a clara pra sair ameiiameiiiiiiiiii.

Bjs autora



Resposta do autor:

Oiie!

Ela respondeu tentando manter a frieza, mas saiu meio que uma "patada mesmo", kkkkkkkkkk.

Não é que ela seja ligeira, apenas uniu o útil ao agradável, afinal, a Clara a sujou de vinho, e pra se desculpar aceitou o convite, rs'.

Bjs querida.



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 11/03/2018 01:19 · Para: Capitulo 2 - Carolina: Dia agitado

CArolina é bem materialista, credo. E ainda acha que a aganes deveria tratá-la como velha amiga. Q ironia. Pelo jeito ela não acredita q a agnes a amava mesmo.



Resposta do autor:

Oiiiiie!

Materialista? Acho que ainda é pouco pra definir a Cal, viu.

Mas vamos em frente, quem saiba não acontece um milagre e ela percebe o que realmente fez com a Agnes! rsrs.

Bjs Patty.

 



Nome: Bia Ramos (Assinado) · Data: 09/03/2018 12:57 · Para: Capitulo 2 - Carolina: Dia agitado

Oiie Lily!! Dia!

Cal para os íntimos, é uma bela mulher... E fiquei tentada em saber mais dela... SQN 

Agora, e esse jantar entre a Agnes e a Clarinha (que aliás, já gostei dela) apesar de nem ter aparecido muito... :P

Mulher de atitude essa Agnes néh?  - "Que eu saiba nada. Costumo tratar as pessoas como elas merecem apenas..." já gosti... Heheh... Dá nela Agnes... 

1X1 agora! 

Já podemos ir para o próximo se a vossa exelência puder, autora! ;)  ^^

BJs... Inté mais...

Bia



Resposta do autor:

Oiiie Bia! Tudo bem?

Gostou da Cal neah, estou começando a achar que ela já é a sua preferida autora.

Então, a Clarinha vai aparecer um pouquinho mais hoje, e dará a sua impressão sobre o jantar.

A Agnes foi bem fria neah, kkkkkkkkkkk, mas a Cal estava merecendo um gelinho desse mesmo.

Uia, tem até placar agora, nossa!

Vamos sim senhora, ainda hoje tem caps novo no ar.

Se cuida meu bem, bjs.



Nome: zilla (Assinado) · Data: 09/03/2018 12:12 · Para: Capitulo 2 - Carolina: Dia agitado

Já estou amando sua história!

Que cara de pau essa perua da sociedade afastar!

Posso pedir uma Agnes pra mim já? Kkk

Volta logo pfv!

bjs Lily 



Resposta do autor:

Oi Zilla! Tudo bem?

Olha a Cal pisou em ovos ai viu, e teve a pior reação que ela podia esperar da Agnes como resposta.

Pedir uma Agnes já? rsrsrs, nossa! Foi rápido viu.

Ainda hoje tem cap novo, tá. 

Obrigada querida, bjs.



Nome: valadaresdanni (Assinado) · Data: 09/03/2018 01:02 · Para: Capitulo 2 - Carolina: Dia agitado

Lily, adorei os dois capítulos. 

Espero ansiosamente por mais. 

Estou totalmente atraída, desejosa e louca... Rsrs 

 

Bj,

D.



Resposta do autor:

Oiie Danni, tudo bem?

Essas meninas nos deixam dessa forma mesmo "totalmente atraída, desejosa e louca..."

Segura um pouquinho essa ansiedade ai, ainda hoje tem cap novo no ar. Obrigada pelo companhia querida, se cuida, bjs.



Você deve fazer login ou se cadastrar para comentar.