Desejo e loucura por Lily Porto


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Agnes

Deixei a Clara em casa e segui para a empresa. Precisava terminar alguns relatórios, afinal, queria acompanha-la na consulta do dia seguinte. Nem bem cheguei a minha sala e recebi uma chamada de vídeo no WhatsApp. Atendi e ela falou rapidamente:

– Que demora! Onde estava? Porque não me atendeu quando liguei mais cedo?

– Oi, Kiara! Tudo bem com você? Eu estou bem também.

– O que deu em você, que cara de lunática é essa?

– Ki, você não vai testar a minha fé hoje, nem tenta.

– Ag, me diz logo, o que tá aprontando?

– Que eu saiba, nada! Agora fala, o que quer?

Ela fez uma careta afetada e disse “sentida”: – Embarco em duas semanas. Trate de marcar o quanto antes o jantar com a linda Clara. – Ela falou o nome da Clara quase babando, detestei ver aquilo, e por um instante me desliguei totalmente do que ela dizia, voltando ao momento em que entrei na sala da belíssima administradora mais cedo. Meus pensamentos foram interrompidos por uma Kiara nada contente do outro lado da tela, dizendo: – Presta atenção no que estou falando, você vive no mundo da lua agora.

– Para de gritar! Pode até não parecer, mas, eu estou trabalhando.

– Não parece, tá com essa cara de boba ai, e não me escuta. O que eu lhe disse?

– Hum, – olhei para ela tentando encontrar uma resposta em suas feições, mas não consegui – não escutei. Desculpa.

– Você vive assim agora! Parece até que está apaixonada – disse as últimas palavras sorrindo enquanto fazia um coque frouxo nos cabelos.

– Você tem cada ideia boba. Agora diga, o que falava antes?!

– Disse para a senhorita pesquisar hotéis na Bahia, para programarmos nossas férias no Nordeste.

– Como assim, você não trabalha mais?

– Claro que trabalho, mas preciso renovar minhas inspirações. E nada melhor que férias ao sol, para isso.

– Filha, achei que fosse para casa... – meu avô entrou e ao me ver com o celular nãos mãos se desculpou, dizendo: – Depois conversamos, não quero atrapalhar.

– Espera vô! É só a Ki.

Ela fez sinal para que eu virasse o celular e disse animada: – Seu Giovani, como vai? Já estou com saudade, o senhor não vem mais me visitar.

– Andamos meio sem tempo por aqui, muitos problemas aconteceram desde a chegada da sua amiga – disse apoiando a mão em meu ombro.

– Ag tem sangue doce para essas coisas – gargalhou. – Olha, meu irmão tá querendo ir ao Brasil buscar a enóloga dele.

– Diga a ele que nosso acordo ainda não acabou, e até acabar, tenho fé que ela vai querer continuar por aqui.

– Acho melhor o senhor vir resolver isso com ele. Se quiser, posso acompanhar mediando a “transação”.

A essa altura ela e meu avô eram só risos.

– Só para constar, eu ainda estou aqui, caso não tenham percebido. Kiara, tchau. Tenho muitas coisas para resolver aqui.

– Lembra de falar com as meninas, chego em breve. Tchau amore mio!

Encerrei a chamada e encostei o celular no queixo, era só o que me faltava, minha amiga procurando frete com a Clara, e pior, me usando para isso.

– Problemas?

Tinha esquecido que meu avô estava ali ainda, meu pensamento já estava longe. Respirei fundo:

– Desculpa vô! O senhor quer falar comigo? – ele balançou a cabeça em sinal afirmativo. E continuei: – Do que se trata?

– Tem certeza que está tudo bem com você?

– Tenho sim! Pode falar.

– Primeiro, como está a Clara?

– Está bem, ficou em casa. Fará alguns exames amanhã, – encostei a cabeça na cadeira – nada demais.

– Ótimo. Quero saber se você terminou os relatórios?

– Quase, faltam poucas coisas, e os entrego ao senhor!

– Aguardo na minha sala, preciso fazer algumas ligações. – foi saindo e antes de abrir a porta disse apressado: – Ia esquecendo, amanhã temos uma reunião as 8h aqui na empresa e assim que terminar vamos a uma cidade vizinha, tem um produtor interessado em fazer uma pareceria conosco, e irá apresentar todo o projeto. Por isso quero que me acompanhe. Provavelmente, passaremos o dia inteiro por lá.

– Mas, logo amanhã vô? – perguntei sem conseguir ocultar a tristeza na minha voz.

Ele sorriu passando a mão na barba: – Sim, amanhã. Imagino que tenha outro compromisso, mas aconselho que desmarque o mais rápido possível. Ou então, irá deixar alguém na mão. – abriu a porta dizendo: – E não serei eu.

Queria tanto estar com a Clara amanhã, outra frustração. Duas em um único dia é demais para mim. Melhor voltar a trabalhar, antes que aconteça mais uma.

Sai da vinícola as tantas, estava exausta. Agradeci aos céus quando a Liu me ligou, dessa forma não precisei falar diretamente com a Clara, embora não tivesse dado certeza que a acompanharia, me senti uma pessoa ruim em não poder estar com ela naquele momento novo e lindo de sua vida.

Não dormi muito bem, volta e meia sonhava com uma mulher gritando e pedindo socorro, acordei várias vezes assustada. E quando enfim consegui tirar um cochilo digno, meu celular despertou. Meu avô não brincou quando disse que o produtor estava com o projeto pronto, passamos o dia inteiro fora, fiz um esforço enorme para me concentrar, mas volta e meia meu pensamento me traia, e lá estava eu pensando na Clara, ou melhor, no seu bebê.

Parceria fechada e pegamos a estrada para casa. Para o meu azar, estava chovendo muito na rodovia, houve um pequeno deslizamento de terra na pista e precisamos “pegar” uma nova rota, estendendo em duas horas o nosso trajeto.

Quando entrei em casa já passava das 21h, meu avô resolveu parar para jantar. Meu celular descarregou e fiquei sem saber notícias da Clara, estava ansiosa, mas com vergonha de ligar. Afinal, quase dormi na banheira e agora percebo que não tem ligação nenhuma dela. Ligar, ou não? Dúvida cruel. Melhor não, já são quase 23h. Me joguei na cama e apaguei...

– Eu quero vê-la! Me deixa passar.

– Já disse, para vê-la, você precisa aceitar o acordo que ofereci.

– Mais é nunca que eu ficarei com você, entendeu bem? Nunca.

– Seria melhor repensar. – encostou-se na cadeira – Lembre-se que ela está grávida! Ficar tanto tempo em um ambiente desse tipo, não será nada bom para ela e principalmente para o bebê.

– Você vai pagar por tudo isso. – avancei em sua direção, seus capangas surgiram não sei de onde e me seguraram, levei um soco no abdômen... levei a mão ao local e gemi baixinho de dor. Não podia demonstrar fraqueza, não agora.

No mesmo momento ela gritou: – Soltem-na. Não ordenei que entrassem. Saiam.

– Mas, senhora, ouvimos gritos e ela quase avançou na...

– Calado. Já mandei sair. O que fazem aqui ainda? Saiam.

– Eu achei que a senhora...

– Aqui, você não acha nada. Não pago a vocês para isso. Saiam, já mandei. – Os capangas saíram e ficamos apenas nós duas. Ela me olhou friamente e disse de forma calma: – Levante-se, ou então serei obrigada a te tirar daqui, não acho que queira isso.

– Você não presta. Só agora percebo o quanto me enganei, você é uma louca...

Ela deu uma bofetada dolorosa em meu rosto tirando sangue da minha boca. Segurou meu queixo e disse olhando em meus olhos:

– Cuidado com o que diz. Eu te amo, mas não vou tolerar rebeldia. Aqui, eu mando e você obedece. Entendeu bem?

Acordei suando, olhei para o relógio na parede e ainda eram duas da madrugada. Sonho mais estranho, na cozinha peguei um copo de água e enquanto o segurava percebi que minhas mãos tremiam, meu coração estava acelerado, encostei no balcão buscando na mente mais lembranças daquele sonho, ele em nada parecia com o da noite anterior, a mulher era outra. Mas como na outra noite, não consegui ver seu rosto. Na cama ainda fiquei tentando encontrar semelhanças entre os sonhos, mas acabei adormecendo... acordei com o toque do celular. Atendi sem olhar o visor:

– Alô!

– Bom dia, te acordei? – perguntou envergonhada.

Aquela voz, não podia ser, afastei o celular do ouvido e lá estava o nome dela na tela. Passei a mão nos olhos sentando na cama, tentei aparentar naturalidade ao dizer: – Bom dia! Você não me acordou, estava apenas deitada, vou levantar já. – menti, mas foi uma mentirinha boba, não queria que ela ficasse mais envergonhada, e continuei: – Como você está?

Ela sorriu do outro lado, dizendo: – Você mente muito mal. Apesar de nunca ter te visto acordar, já conheço sua voz. Se preferir, ligo em outro momento.

– Não desliga, – falei apressada – me diz como você tá.

– Estou bem, liguei para falar da consulta, ia fazer isso ontem quando cheguei do hospital, mas quando olhei seu WhatsApp percebi que não o visualizava desde as 14h. Fiquei com medo de te atrapalhar, por isso esperei amanhecer – sorriu. – Mas mesmo assim, vejo que te atrapalhei. Desculpa.

– Não tem porque pedir desculpa. Meu celular descarregou no meio da tarde, e só cheguei em casa a noite. Meu avô me alugou o dia inteiro – sorri. – Estava preocupada com você, mas também não liguei para não te incomodar.

– Engraçado, pensamos da mesma forma. Então, queria te contar como foi a consulta...

A interrompi, dizendo sorridente: – Não conta! Quero saber de tudo pessoalmente, quero te ver narrando cada detalhe. Podemos marcar alguma coisa para o final de semana? Esses dias não estarei na empresa, preciso visitar alguns campos e são bem distantes da sede.

– Por mim tudo bem.

– Ótimo, tive uma ideia, que tal um piquenique?

– Tem muito tempo que não faço piquenique. Excelente ideia, sábado ou domingo?

– No domingo, eu trabalho no sábado.

Sorriu: – Sério?! Patrão exigente esse seu, hein! Eu preciso ir, tenho um amontoado de coisas para resolver aqui na empresa. Depois te ligo para acertarmos melhor o piquenique.

– Sabe bem da exigência do meu patrão, ouvi dizer que de vez em quando até você sobra nos finais de semana – falei em tom de brincadeira. – Não se preocupa, eu arrumo tudo por aqui e passo em sua casa no domingo as 10h. Obrigada por aceitar o convite. Bom trabalho, beijos. Tchau.

– Tchau, Agnes!

Encerrei a chamada com uma sensação boa no coração, uma alegria tomou conta de mim e foi algo perceptível durante todo o meu dia. Os dias passaram e não encontrei mais a futura mamãe do pedaço. Trabalhar em meio a produção nos campos me consumia muito mais energia, mas, em contrapartida era lá que eu gostava de ficar, acompanhar o plantio, o cultivo, a colheita, e claro, o processo de “envelhecimento” dos vinhos.

O domingo chegou e eu acordei muito cedo, mesmo tendo ido dormir tarde, estava ansiosa para o piquenique, nunca sofri de ansiedade. Mas, andei observando nesses dias que não estive na sede da empresa, que a cada mensagem que recebia da Clara, por mais simples que fosse, me deixava ainda mais ansiosa por hoje. Coisa estranha, mas não vou perder tempo pensando nisso.

Tudo pronto e conferido, opa, já estava no carro quando lembrei de algo. Peguei rapidamente e coloquei o carro em movimento, fui pra casa da clara cantarolando algumas músicas. Enquanto dirigia sentia um friozinho na barriga, ansiedade em modo on. Sorri arrumando o cabelo antes de sair do carro. Toquei a campainha e alguns minutos depois fui recebida por ela, de vestidinho verde de alças, sandálias rasteiras, cabelos presos em um rabo de cavalo, uma pequena cesta nas mãos e um sorriso lindo.

Confesso que fiquei muito admirada com o que vi, ela me deu um beijo no rosto e foi dizendo:

– Como não me deixou ajuda-la com os preparativos fiz algumas coisas para nós, espero que goste. – Pisquei os olhos na tentativa de sair do meu transe, acho que não disfarcei muito bem, afinal, ela sorriu dizendo: – Tá tudo bem? Você parece meio aérea.

Olha os modos Agnes, pega a cesta na mão da moça, ela está falando contigo, balancei a cabeça e passei a mão no rosto dizendo a primeira coisa que veio a mente:

– Você está linda! O vestido realçou sua pele.

– Obrigada! – sorriu – Você também está muito bonita, inclusive, a sua camiseta quadriculada, me lembra que ainda não te devolvi a que vim vestida da última vez que estive em sua casa.

– Não se preocupa, – fechei a porta do carro para ela e dei a volta sentando ao volante – tenho algumas delas.

– Quer dizer que é minha, então?

– Não foi bem isso, – sorri – o “não se preocupe” foi com relação a você não precisar entrar para pega-la.

– É agora que eu fico com vergonha, e saio correndo? – gargalhou.

– Para com isso, nada de ficar envergonhada. – coloquei a mão em sua perna de forma displicente, e percebi que ela sentiu um certo desconforto com o contato, tirei rapidamente, e perguntei: – Pronta para o passeio?

– Pronta e curiosa. Por favor, não vá me enfiar em uma trilha com escaladas e coisas do tipo. Embora eu goste muito, no momento – alisou a barriga – não estou podendo fazer grandes esforços.

– Pode deixar, está totalmente segura comigo.

Liguei o som do carro, e ela foi cantarolando algumas músicas da Chiara Civello. Se não conhecesse a Clara diria que era italiana, ela tem um bom domínio do idioma, sorri com esse pensamento. E enquanto ela cantarolava, eu apenas apreciava a sua delicada voz.

Chegamos ao nosso destino e ela parecia maravilhada quando desceu do carro. Tinham algumas pessoas espalhadas por ali, mesmo assim deu para escolher um bom lugar a sombra de uma árvore frondosa. Estendi a toalha no chão e coloquei as coisas em cima, quando terminei de arrumar tudo, ela perguntou divertida:

– Trouxe a cozinha inteira?

– Queria muito, mas não coube no carro. Você é bem engraçadinha, não é. Agora vem cá, – segurei sua mão – senta, já passou da hora da senhorita comer alguma coisa. E como me disse que não tomaria café em casa para evitar o enjoo no carro, trouxe de tudo um pouco para que se sinta em sua própria casa.

– Estou percebendo, que trouxe mesmo de tudo um pouco – disse sentando ao meu lado.

Tivemos um dia muito gostoso e leve, que terminou com um pôr-do-sol tão lindo que ganharia de qualquer obra de arte da Kiara. Falando nela, preciso fazê-la esquecer esse lance de jantar. Clara não é para o bico dela. E ela precisa saber...

Notas finais:

Afinidade em alta...

Obrigada pela companhia, bjs.



Comentários


Nome: Tekaxaviers (Assinado) · Data: 17/05/2018 01:21 · Para: Capitulo 18 - Agnes: Contato direto

Que momento gostoso de viver, quando estão juntas suspiram, cantam que lindo!!!



Nome: Tekaxaviers (Assinado) · Data: 16/05/2018 23:37 · Para: Capitulo 18 - Agnes: Contato direto

Casalzão!!!!



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 07/05/2018 01:10 · Para: Capitulo 18 - Agnes: Contato direto

Hum amo a parte das duas



Resposta do autor:

Boa tarde, Tereza!

Elas andam bem fofinhas quando estão juntas, né.

Se cuida querida, bjs.



Nome: Baiana (Assinado) · Data: 04/05/2018 19:42 · Para: Capitulo 18 - Agnes: Contato direto

Senti cheirinho de ciúmes no ar...e aposto que a Kiara vai perceber logo o que a Agnes e a Clara não se deram conta, que é o sentimento de uma pela outra. 



Resposta do autor:

Boa tarde, Baiana!

Olha, mesmo tendo sido indiretamente, creio eu que tenha rolado ciúmes também.

Quanto a Ki, ela tá pra voltar. Quem sabe assim, ela não ajude a amiga a enxergar o que ela está adiando, não é mesmo!!!!

Se cuida querida, bjs.



Nome: Mille (Assinado) · Data: 03/05/2018 21:44 · Para: Capitulo 18 - Agnes: Contato direto

Oi Lily 

Elas são lindas juntas só fico preocupada com esses sonhos a demonia vai atacar.

Bjus e até o próximo capítulo 



Resposta do autor:

Boa tarde, Mille!

Muito lindas, né!

Confesso, esses sonhos estão me deixando ben preocupada também. Mas vamos torcer, pra que tudo corra bem.

Se cuida querida, bjs.



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 03/05/2018 21:07 · Para: Capitulo 18 - Agnes: Contato direto

Agnes encantada pela clara.



Resposta do autor:

Oiie!

Põe encantamento nisso ai, Patty.

Essas duas tão se apegando pouco a pouco e não estão nem se dando conta.

Se cuida querida, bjs.



Nome: Lili (Assinado) · Data: 03/05/2018 20:23 · Para: Capitulo 18 - Agnes: Contato direto

Que fofo as duas juntas em um piquenique.

Agora os sonhos delas e um sinal que vai vir merda grande, não me venha falar que a Cal é um anjo, pois não cola pra mim.

Vou ganhar a aposta, em outubro vou ter acarajé e abará pago por você. Kkkkkkkl......



Resposta do autor:

Boa tarde, Lili!

Kkkkkkkkkk, a fase de chamar ela de anjo, já passou.

Será mesmo que vou perder essa aposta, kkkkkkk, tá valendo. Vamos que vamos.

Ver a Clarinha se rendendo aos cuidados da Agnes é muito fofo, né.

Então, os sonhos estão meio tensos mesmo. Diria até, que estão preocupantes. Vamos ver no que dará tudo isso. 

Se cuida querida, bjs.



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