Sobre a delicadeza do seu toque por Luah


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Capítulo 17 

 

 

 

Tia Sarah me olhava, mas quando eu a olhava, ela desviava o olhar. Isso já estava ficando cômico. Estou sentada na sala de estar da casa de Sam. Sabe aquele momento constrangedor quando estamos esperando “a namorada” e os pais desconfiam, mas não tem coragem de perguntar diretamente? Eu acho que estou passando por isso.

 

-Sam estava muito... como posso dizer... -Tia Sarah chama a minha atenção. –Irritada esses dias. Não que ela não seja normalmente. - A mulher mais velha sorrir. –Você sabe de alguma coisa?

-Eu?! - Arregalo os meus olhos assustada.

-Algo a chateou, mas Sam é muito reservada. - Tia Sarah me analisa minuciosamente. -Como vocês estão sempre juntas, pensei que pudesse saber.

-Talvez eu sabia. - Digo olhando para um lugar qualquer que não seja seus olhos verdes. –Mas eu não posso dizer por Samantha. - Então lá estavam os meus olhos azuis encarando os seus verdes. –Acho que não tenho esse direito.

-Eu não consigo parar de admirar em como você se parece com ela. - A mulher diz em um tom saudoso. –Ela também não conseguia mentir. - Tia Sarah abaixa a cabeça. –Nos metíamos em cada confusão. – Suspira com um ar sonhador.

-Quem? - Pergunto confusa.

-Sua mãe, Lizandra. – Seus olhos me olham de volta. Tia Sarah está sentada bem a minha frente, em um sofá menor. -Lívia tinha esse mesmo magnetismo que você tem. Então releve a minha filha.

-Tia... - Abro a minha boca supressa. –Eu...

-Liz, Samantha não vai saber lidar muito bem com isso no começo. Ela vai cobrar, vai se irritar com mais facilidade do que se irrita. - A mulher de cabelos claros ergue uma sobrancelha. –Vai sentir muito ciúmes. Às vezes não vai querer ouvir. Vai ser terrível. Mas ela ainda é uma adolescente, assim como você. Então apenas releve. Com o tempo vocês duas vão aprendendo como lidar com esse relacionamento.

“Pronto! Devo ter ficado roxa de vergonha.” Penso louca para que Sam ou tio Sebastian chegue e me salve. Sam estava no banho. Tio Sebastian no escritório. Estávamos só esperando eles para jantarmos. Tia Sarah insistiu para que eu fique para passar a noite. Ao que eu entendi, Samantha estava deixando todo mundo louco de tão irritada. Por tudo se zangava. E comigo ali, ela ficava até mais agradável. Era o que tia Sarah falava. E agora eu estou entendendo o por que. Estou sendo interrogada! Será que Sam lhe falou alguma coisa?

-Só não esqueça uma coisa. - Tia Sarah volta a chamar a minha atenção. –Samantha te adora. Não duvide disso.

-Eu também a adoro. - Digo sincera.

-Disso não tenho duvida alguma minha linda. - A mulher diz com convicção. –Mas Sam é do tipo que não gosta de se esconder. - Olho-a espantada. –Sei que você é mais reservada Liz em relação aos seus sentimentos. E isso vai causar atrito. Sei que você tem o seu Tempo. E também sei que Sam vai respeitar isso. - “Ela sabe alguma coisa. Tenho certeza.” Penso, mas vermelha que meu cabelo.

-Onde a senhora tá querendo chegar? - Cansei de enrolação. –Sam lhe disse alguma coisa? - Pergunto acanhada.

-E precisava dizer?

-Cheguei! - Sam diz se jogando ao meu lado, sorrindo. –Perdi alguma coisa? - A garota pergunta confusa pelo silêncio que se estalou.

-Não minha filha. - Tia Sarah diz se levantando. –Vou chamar seu pai. Se não ninguém jantar hoje.

Samantha apenas balança a cabeça e se vira em minha direção. Seus olhos me encararam saudosos e uma de suas mãos vai até uma mechar de cabelo que insistia em cair em meus olhos, o colocando atrás de minha orelha. Antes que tia Sarah saísse completamente da sala, ela me olha sorridente e me pisca um olho. Me fazendo corar novamente.

-Tudo bem Liz? - Sam pergunta desconfiada. –Você está vermelha.

-Precisamos conversar. - Digo em um fio.

-Mais conversas? - Ela diz suspirando. –Pensei que pudéssemos aproveitar o nosso tempo em algo mais interessante, já que fizemos as pazes. - Ela se aproximar me roubando um selinho. –Agora se você quiser responder a minha pergunta de mais cedo. Eu aceito.

-Eu preciso...

-Pensar! - Ela se levanta irritada. –O que tem pra pensar, Liz?! - Ela abaixa o tom de voz. –É tão simples, ou você aceita ser minha namorada ou você não aceita.

-Eu sei Samantha. Mas já conversamos sobre isso. - Digo também me pondo de pé. –E você concordou.

-Eu fui obrigada a concordar. - Sam reclama.

-Não te obriguei a nada. - Dou um suspiro frustrada. –Quer saber. - Digo me aproximando da garota de olhos amarelados. –Se ficar me perturbando sobre esse assunto, ai é que eu não respondo mesmo. - Me viro e a deixo sozinha na sala.

 

Quando sair da aula de piano. Rodrigo me levou direto para casa de Samantha. Como às vezes eu dormia lá, não precisava ir até a fazenda pegar roupa ou algo do tipo. Assim como Sam, que às vezes dormia na fazenda. O que precisávamos já tínhamos uma na casa da outra. Assim que chequei fomos para a área da piscina e ficamos por lá por horas conversando sobre nosso “relacionamento”. Sam deixou claro que queria algo sério. E me pediu em namoro. Algo que fiquei tentada em aceitar na hora, mas... Algo me impediu. Não por preconceito ou algo do tipo. Sempre achei que amor não escolhe sexo, cor, religião ou o que quer que seja. Apenas acho que somos muito novas para dar um passo tão importante.

Sempre vi o namoro como um passo do noivado, e o noivado do casamento. O namoro é a fase do conhecimento mutuo. É onde se constrói a base para um relacionamento duradouro. Não que eu não ame Samantha. Por que eu sei que o que eu sinto por ela hoje é amor. E não duvido do seu sentimento por mim. Mas não existi só nós duas. E por mais que eu a ame, eu preciso fazê-la entender isso. Eu sei que quando eu disser sim. Ela vai querer deixar isso claro para o mundo todo. E será que estamos preparadas para enfrentar esse mundo?

Eu tenho quatorze, ela dezesseis. Será que o nosso psicológico é forte o bastante para suportar o preconceito estampando no rosto das pessoas que amamos? Por que eu sei que nem todos iram aceitar sorrindo esse relacionamento. Não que eu tenha medo de ama-la. Ou dizer que a amo para o mundo inteiro. Mas será que estamos preparadas para perdermos tanto? Perdermos amigos e familiares. Não, que eu não sobreviva sem eles, mas eu já perdi tanto. Sam ainda não conhece esse sentimento. E tenho medo de que ela conheça de uma forma tão cruel que a modifique. E isso me assusta. Por que perder alguém que ainda vivi é mais doloroso que perdê-lo para morte. E eu sinto essa perda toda vez que olho para papai.  

 

-E então Samantha, já se decidiu em qual faculdade vai se escrever o ano que vem? - Sam ficou vermelha, só tio Sebastian não percebeu.

-Ainda não papai. - Sua voz sai em um fio.

Estávamos esperando a sobremesa quando tio Sebastian solta à bomba. E eu fico apenas ali, observando a garota de olhos amarelados encolhida na cadeira. Com um ar distante.  

-Como não?! - Ele diz olhando-a sem entender. –Só falta esse ano e o outro para você acabar o ensino médio. Lizandra já sabe o que quer, e ela é mais nova que você.

-Querido! - Tia Sarah adverte o marido em tom sério. –Acho que Sam tem muito tempo para se decidir sobre essas coisas.

-Mas Sarah, medicina não é brincadeira. Ela precisa está preparada. Precisa escolher uma boa faculdade. - O homem de olhos escuros olha carinhosamente para a filha. –Quero que ela seja a melhor.

-Sem pressão Sebastian.

-Eu jamais foçaria minha filha a nada Sarah. - Seus olhos vão de encontro à esposa. –Apenas estou dizendo que ela precisa se decidir.

-Isso não é pressão?

-Não querida. Samantha quer fazer medicina. Então não vejo problema algum ela começar a pensar em qual faculdade quer ingressar. - Ele diz convicto.

-É isso que você quer Sam? - Pergunto preocupada com a garota que não havia abrido a boca para se expressar.

-Sim Liz. - Sua voz sai tremula, nem parecia aquela garota altiva por quem me apaixonei. -É uma tradição de família. - Ela dar um sorrisinho amarelo.

-Viu só. - Ele diz todo orgulhoso. Isso faz meu coração se apertar.

-Samantha? - Tia Sarah a chama carinhosamente.

-Mamãe, medicina é legal. - Ela diz em uma segurança que não enganava ninguém. Nem ela mesma. Só o pobre do tio Sebastian. -Acho que salvar vidas é uma das coisas mais gratificantes que devem existir. - A garota dar um sorriso de lado. -Não importa qual vida. - Seus olhos amarelados brilham e eu sei o motivo.

-Está vendo só Sarah. Os olhos de Samantha brilham quando fala sobre isso. - Tio Sebastian comenta todo feliz. –Estou tão orgulhoso minha filha.

 

A sobremesa chegou. Sam se desculpou, inventou uma desculpa qualquer e se retirou. Tia Sarah me olhou com cumplicidade. Entendi exatamente o que aquele olhar me dizia. Pedi licença e também me retirei. Quando cheguei ao quarto de Sam. Meu coração ficou pequenininho. Lá estava ela, encolhida em sua namoradeira que ficava próxima da janela do seu quarto. Lágrimas silenciosas saiam de seus olhos amarelados. Um nó angustiado se formou em minha garganta. Vê-la daquele jeito me destruiu em pedacinhos.

Me aproximei lentamente. Me sentei logo atrás da garota, que rapidamente se deitou colocando a cabeça em meu colo. Ficamos em silêncio. Minhas mãos acariciando seus cabelos negros. Sam apenas fechou os olhos e ficou ali em seu mundinho particular por tanto tempo, que pensei que tivesse dormido.

-Eu só não quero decepcioná-lo. - Sua voz sai sonolenta.

-Eu sei meu amor. - Digo angustiada. –Mas você não pode fazer isso com você mesma, Sam.   

-Mas eu tenho medo Liz. - Seus olhos se abrem envergonhados. –Tenho medo de que ele me odeie por isso.

-Ele não vai.

-Como você pode ter tanta certeza?

-Por que é difícil odiar alguém como você. - Digo me abaixando e entregando um beijo sobre a sua testa. Sam sorri, boceja e fecha os olhos sonolentos.

-Liz...

-Hum? - Digo me afastando.

-Eu te amo. – Ela sussurra e adormece, e eu sinto as malditas borboletas tão conhecidas em meu estomago.

 

Sam estava adormecida em meu colo. E eu ali, admirando-a. Nunca vou me cansar de fazer isso. E eu sentir mais medo do que nunca de aceitar o seu pedido. Por que Sam podia parecer forte. Mas às vezes as aparências enganam. Ela tinha aquele jeitinho irritado, marrento e até mesmo rebelde. Mas eu sabia o quanto ela era sentimental. Eu só não podia suportar vê-la sofrer pela rejeição de alguém próximo. Eu não suportaria vê-la em pedaços.

Olho para a garota adormecida. Contorno delicadamente o seu rosto com as pontas de meus dedos.

-Eu não suportaria te vê sofrer meu amor. - Sussurro baixinho. –Por que eu te amo tanto Sam. Te amo tanto que eu preferiria morrer ao vê-la machucada.

Meus dedos contornam os seus lábios rosados. Dou um suspiro. E lentamente me aproximo de sua boca. Depositando um beijo castro em seus lábios adormecidos.

-Sim meu amor, você sempre será a minha eterna namorada.

 

 

 

 

 

Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 03/03/2018 19:12 · Para: Capítulo 17 – Eterna namorada

Ufa. Nada facil. Tantos sentimentos.



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