Sobre a delicadeza do seu toque por Luah


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 Ciúmes 

 

 

 

Ando a passos apressados pelo corredor. O sinal do intervalo tocou há alguns minutos e nem sinal de Sam. Estou indo em direção a sua sala que é virando na próxima direita. A segunda porta para quem está indo e a terceira para quem está vindo. Quase sempre que saio de minha sala, lá está à garota de olhos amarelados me esperando. Mas hoje foi diferente.

 

Quando chego ao seu corredor, vejo Priscila do lado de fora conversando com mais duas pessoas. Os olhos verdes se viram em minha direção e um sorriso amoroso me cumprimenta. Me aproximo meio acanhada. Abraço a morena e lhe dou um beijo no rosto. Cumprimento o rapaz e a garota que estão com ela.

 

-A Sam está? - Pergunto alguns minutos depois para Pri. Que me sorrir cinicamente. “Idiota!” Penso revoltada com minha melhor amiga.

 

-Está lá dentro com aquele bando de loucos. - A garota que se chamava Renata diz entediada. Ao notar minha cara confusa, se adianta. –Estão jogando xadrez. - Faço uma carreta ao me lembrar desse pequeno vício irritante da garota de olhos amarelados. Samantha era completamente competitiva. 

 

-Eu sei. - O garoto diz me olhando com cumplicidade. –É um dos jogos mais chatos e demorados que existem. - Ele diz e me sorri. Me fazendo corar.

 

-Vai lá. Quem sabe você não consegue finalmente tirar Sam daquela cadeira. - Priscila faz uma cara engraçada. –Ninguém mais consegue.

 

-Você joga? - O garoto que eu não conseguia me lembrar o nome me pergunta.

 

-Não! - Então dois pares de olhos curiosos caem sobre mim. “Eu te mato Priscila!”. Lanço um olhar de socorro para a minha amiga. Que vem ao meu auxilio.

 

-Renata, eu ainda não acredito que você fez isso?! - A morena desperta a atenção dos dois garotos que voltam a olha-la. Priscila me piscar um olho, e me incentiva a entrar. Algo que faço sem olhar pra trás.

 

Então finalmente eu a vejo. Ela estava rodeada de pessoas. A sua frente um tabuleiro de xadrez, algo que sei que ela amava jogar. Ela e tio Sebastian passavam horas a fio sentados jogando. Ainda bem que eu tinha a companhia agradável de tia Sarah, que sempre me tratava como uma filha. Sei que ela desconfia de meu relacionamento com Sam. Mas ela é sutil, nunca me perguntou nada. Mas aqueles olhos verdes me analisavam sempre que podiam.

 

Ando meio indecisa. Mas resolvo me aproximar. Sam estava concentrada, seu adversário era um garoto loiro franzino de aparecia engraçada. Mas acho que estava dando trabalho para Samantha. Por que ela não estava com uma cara nada boa.

 

-Bom dia! - Digo timidamente chamando a atenção de todos. Os olhos amarelados caem sobre mim. E um sorriso aparece em seus lábios antes sérios.

 

-Oi! - Sam diz calmamente. –Espere só um pouquinho, linda. Estou quase acabando. - Apenas balanço a cabeça e fico ali quietinha. Sei que estou sendo observada. Isso me irrita. Nunca gostei de ser o centro das atenções.

 

Então eu fico ali que nem uma idiota esperando a bonita terminar uma partida atrás da outra. Mas sem largar o osso. Parecia até mesmo que eu não estava ali. Fui completamente ignorada.

 

-Sam... - Volto a chama-la pela decima vez. Os olhos claros se voltam contra mim duvidosos.

 

-Só essa Liz, eu juro! - A garota diz manhosa. Dou um suspiro irritada. E vou para o fundo da sala pisando duro. “Que ódio!”.

 

Sam nem fez questão de se levantar e me seguir. Ficou ali, jogando aquele maldito jogo. Os minutos passam rapidamente. E quando eu já me preparava para ir embora. Sinto alguém se acomodando ao meu lado. Olho receosa para o rapaz. Era o mesmo que estava com Priscila do lado de fora da sala.

 

-Oi. - Ele diz amistoso.

 

-Oi. - Digo sem jeito.

 

-Não conseguiu tira-la de lá?

 

-Não. - Digo fazendo bico. Algo que o faz sorrir. –Ainda não acredito que fui trocada por um jogo. - Reclamo emburrada. Fazendo-o gargalha.

 

-Faz parte. - Ele olha para o grupo que estava entretido na partida, depois se volta novamente pra mim. –Se bem que existem coisas que são impossíveis de troca pelo que quer que seja.  

 

-Nem me fala. - Digo sem jeito. –Que pena que nem todos pensam assim.

 

-E então?! Pretende ficar aqui emburrada. Ou prefere aproveitar os poucos minutos que nos restam fazendo algo mais interessante?

 

Quase me engasguei com minha própria saliva.

 

-Você está bem? - Ele pergunta preocupado. Eu apenas balanço a cabeça afirmativamente. Aqueles olhos castanhos me olhavam carinhosos. O garoto me sorri e delicadamente retira alguns fios de meu cabelo que insistiam em cair em meus olhos. O colocando atrás de minha orelha. –Você é linda, sabia?!

 

-Atrapalho! - A voz extremamente séria nos desperta. Ergo os meus olhos e me deparo com os amarelados irados. Se um olhar matasse, o pobre garoto já tinha caído durinho.

 

-Talvez. - O garoto diz também encarando Samantha.

 

-Já podemos ir Liz. - Ela ignora o garoto que eu não me lembrava o nome, nem mesmo se eu quisesse.

 

-Já estou de saída. - Digo zangada por ter sido ignorada completamente por ela.

 

“Fui trocada por um maldito jogo!” Penso revoltada me levantado passando pela garota deixando-a na companhia do garoto. A ignorei até chegarmos a minha sala.

 

-Depois conversamos Samantha. - Falo sem olha-la.

 

-Qual é Liz. - Ela insiste.

 

-Olha só... - Digo me voltando pra ela. –Eu não estou a fim de conversar ou fazer o que quer que seja com você agora. - Os olhos amarelados se arregalam supressos. –Vai lá terminar a sua maldita partida e me deixa em paz.

 

Então adentro a minha sala sem lhe dar importância. Passei a semana toda a ignorando. Fato que a deixou revoltada. Ainda mais que fiz amizade com Danilo. O garoto de olhos castanhos. Ele era divertido. Às vezes passava o intervalo com ele, Paco, Renata e Priscila. Todos eram da sala de Samantha. Vamos dizer que os garotos da minha idade não me interessavam muito. Eles eram irritantemente enfadonhos.

 

Sam me abordava sempre que podia. Tentou por algumas vezes se desculpar, mas fiz jogo duro. Afinal, eu fui ignorada por ela por causa de um jogo de xadrez. Que tipo de credito eu tinha com ela afinal? Resolvi deixa-la de castigo por mais alguns dias. Mas não deu muito certo.

 

 

 

-Acho melhor você falar com ela, Liz. - Priscila dizia bebendo o seu refrigerante. Estávamos na cantina. Sam estava sentada em uma mesa um pouco afastada, mas seus olhos não saiam de mim.

 

-Por que faria isso? - Pergunto fingindo que não estou interessada no movimento da garota a minha frente. 

 

-Liz, ela está morrendo de ciúmes.

 

-E por que estaria? - Pergunto perplexa.

 

-Oh senhor! - Priscila reclama. –Só você mesmo. - Ela diz como se fosse obvio. -Toda vez que Danilo chega perto de você, ela falta avançar em cima do pobre coitado.

 

-Danilo é apenas um amigo. - Digo sem deixar brechas para duvidas.

 

-Você não está interessada nele nem um pouquinho?

 

-Ficou maluca Pri?!

 

-Então acho melhor você conversa o quanto antes com a moça ali? - Ela diz apontando com a cabeça em direção a Samantha que comia desanimada um sanduiche. –Ela está pra me deixar louca.

 

-Ela é irritante. - Digo desanimada.

 

-Eu sei. - A garota de olhos verdes me sorri cúmplice. –Mas é a sua irritante. – Então eu lhe dou um sorriso de lado.

 

-É. – Olho diretamente nos olhos amarelados que agora me olhavam. –A minha irritante.

 

 

 

Estávamos no intervalo. E como sempre resolvi me sentar em alguns bancos que tinham próximos as quadras cobertas. Acostumei a ficar ali por causa de Sam. Afinal o nosso refugio ficava bem perto dali. Estava aproveitando a calmaria. Aquele lado era o menos movimentado do colégio. Os alunos do período da manhã preferiam ir para o pátio ou o ginásio que ficavam do outro lado.

 

Sinto mãos cobrirem os meus olhos. Aquele perfume não era o de Sam.

 

-Advinha quem è? - A voz forte pergunta se segurando para não rir.

 

-Danilo. - Digo desanimada.

 

-Nossa! - Ele reclama. –Pensei que estivesse um pouquinho mais em alta com você.  

 

-Desculpe. - Falo envergonhada.

 

-Não se preocupe linda.

 

Já que ele estava aqui. Não custava nada...

 

-Danilo?!

 

-Pois não? - O garoto de cabelos escuros diz se sentando ao meu lado.

 

-É...

 

-Pode falar. Não é tão difícil. - Ele diz me zoando.

 

-Idiota! - Digo lhe empurrando o braço. –É sério.

 

-Então diz.

 

-É que... - Dou um suspiro e lhe encaro. –Eu já sou comprometida.

 

-Que bom. - Ele seguro o risinho.

 

-Que bom? - Pergunto descrente. –É só isso?!

 

-O que mais quer que eu diga?

 

-Sei lá. - Começo a ri. –Nunca passei por isso antes. 

 

-Não se preocupe, guardo o seu segredinho sujo. - Ele me pisca um olho. –Afinal, todos possuímos um.

 

-É quem lhe disse que tenho um “segredinho”. - Faço aspas com os dedos. –Sujo?

 

-Ah, me poupe Liz. Só quem é cego é que não ver. - Fico vermelha na hora. –Viu só. - Ele sorri. –E pra ser sincero adoro deixar a sua namorada zangadinha.

 

-Sam não é exatamente a minha namorada. - As palavras fogem de minha boca. Olho para o garoto, constrangida. Ele ergue uma sobrancelha.

 

-Então acho melhor conversarem sobre isso. - Ele desvia os olhos dos meus. –Não é bom está com alguém sem saber o que estão realmente vivendo. - O garoto abaixa a cabeça.

 

-E você? - Chamo a atenção do rapaz. –Qual o seu segredinho sujo? - Pergunto brincalhona tentando lhe animar.

 

-Eu terei que te matar se te disser. - Faço uma careta engraçada, fazendo-o gargalhar. –Qualquer dia desses eu te...

 

-Não acredito Lizandra! - Aquela voz irritada me chama a atenção. –Você nunca tem tempo pra mim. Mas pra fica de papinho com esse ai...

 

-Sam... - Digo me levantando.

 

-Agora não Liz. - A garota me diz com raiva. –Agora sou eu quem não quer conversar. - Ela diz e me deixa plantada.

 

“Estou ferrada!”

 

-Acho melhor você ir atrás...

 

Antes que o rapaz terminasse de falar, eu já estava no rastro da garota de olhos amarelados.

 

 

 

-Sam... - Tento chamar a sua atenção. Mas ela nem mesmo se designou a diminuir os passos. –Sam... - Minha respiração já estava acelerada. –Samantha! Mas que droga! - Digo irritada.

 

-O que foi? - Ela se volta em minha direção me fazendo trombar contra o seu corpo.

 

Seus braços me seguram protetores evitando uma queda. Seus olhos faiscavam de tão irados. Engulo seco.

 

-Vamos Lizandra, o que você quer? - Encolhi os ombros envergonhada.

 

-Será que... - Digo abaixando a cabeça.

 

-Odeio quando faz isso. - Sam dar um suspiro cansado. Segura o meu queixo, fazendo com que eu a olhasse nos olhos. –Converse comigo olhando nos olhos. - Sua voz saiu um pouco mais amena. Tive vontade de fazer outra coisa ao invés de conversar. Estava morrendo de saudade daquela boca.

 

-Eu sinto muito. - As palavras saem baixas. Vejo os olhos amarelados se estreitarem.

 

-Você fez algo de errado para se desculpar? - Ela pergunta desconfiada. Pronto aflorou o meu lado assassino. Me afasto com raiva de seus braços.

 

-Tá de sacanagem?! - Digo olhando-a nos olhos. –Estou me desculpando por te ignorar a semana inteira.

 

-Tem certeza que é só por isso que está se desculpando? - Samantha se irrita.

 

-Por que mais seria? - Pergunto revoltada.

 

-Por está sempre de papinho furado com aquele...aquele... Ah! – Sam da um gritinho estridente. –Eu não quero você perto dele.

 

-Opa! Como é que é? - Pergunto perplexa.

 

-Você ouviu! - Ela ergue uma sobrancelha. –Eu não quero você de papinho com aquele garoto.

 

-Aquele garoto tem nome e, é meu amigo.

 

-Ah, me poupe Liz. – Samantha zomba. -Aquele garoto quer tudo com você menos a sua amizade.

 

-Sam...

 

-Eu já falei. Você não vai mais falar com ele. - A garota de olhos amarelados diz autoritária.

 

 

 

 

 

Então a discursão se prolongou. E fomos pra casa uma zangada com a outra. O final de semana passou, e lá estávamos nós de novo em plena segunda feira. Longe uma da outra, por algo bobo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 27/02/2018 15:49 · Para: Capítulo 15 – Ciúmes

Ciumes. Hormônios e bobeira. Bora meninas.



Resposta do autor:

Nada melhor do que apimentar as coisas com um ciuminho típico. Rsrs...

Bjus...

 



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