Amor de carnaval por Alice Reis


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Depois de alguns dias na França, Vitória começou a procurar emprego, precisaria dele para poder ficar no país. Marie ajudou perguntando para o pessoal do jornal se sabiam onde ela poderia trabalhar, indicaram alguns lugares turísticos já que ela fala português, inglês e francês perfeitamente. Não foi difícil de conseguir marcar entrevistas e em menos de um mês estava empregada, iria ser guia no Museu de Orsay (Musée d'Orsay).

 

Em um sábado, após o trabalho, Vitória estava saindo do museu e seu chefe lhe chamou para lhe contar uma novidade, tinha acabado de receber a notícia que iriam fazer uma exposição temporária e gostaria de saber se o jornal onde Marie trabalhava poderia fazer uma matéria. Concordou em conversar com Marie e quando ele disse o nome da pintora que faria a exposição ela ficou atônica, sem reação ao que ele falava. Charlotte Briguet, era a grande expositora do museu. Saiu da sala após terminar a conversa sentindo-se tonta. Precisou de um tempo antes de ir para casa, ficou observando o rio Sena que era ao lado do museu, estava com medo do que o reencontro de Marie e Charlotte poderia causar ao relacionamento delas, que finalmente estava se solidificando. 

 

No caminho para casa não conseguia deixar de imaginar Marie nos braços de Charlotte, não conseguia se desvencilhar da cena das duas juntas. Em uma das esquina que parou para atravessar a rua respirou fundo, estava tremendo e não conseguia andar. Por alguns minutos imaginou as duas na cama, mas se recompôs, respirou fundo e continuou a caminhar, estava a dois quarteirões do apartamento.

 

Entrou no pequeno apartamento de Marie e sentiu cheiro de comida e barulho vindo da cozinha, Marie veio recebê-la na sala. A temperatura dentro de casa era contrastante com a externa, 4ºC contra 20ºC. Ainda vestia o sobretudo e Marie a observou percebendo ter algo errado em seu semblante.

- Qu'est-il arrivé à vous? On dirait que vous avez vu un fantôme. - sorriu se aproximando. (O que houve com você? Parece que viu um fantasma.)

- Mon patron m'a dit que nous aurions une exposition temporaire au musée. - disse olhando-a. (Meu chefe me disse que teremos uma exposição temporária no museu.)

- Pourquoi vous semblez inquiet? - ficou tensa. (Por que você está com essa expressão de preocupada?).

- Charlotte Briguet é quem vai expôr. 

- E você está preocupada com ela, por quê? - perguntou brava.

Vitória tirou o sobretudo e o casaco que estava vestindo e sentou no braço do sofá olhando para o chão.

- Não sei, quando ouvi o nome dela eu paralisei, comecei a imaginar vocês duas juntas. Saber que vocês foram para a cama me deixou enciumada, fora de mim, mas eu sabia que não podia falar nada. Tentei não pensar mais nisso e por um tempo consegui. Quando ele falou o nome dela e perguntou se o jornal onde você trabalha poderia fazer uma matéria foi como se eu tivesse levado um soco no estômago. Saí da sala dele sem chão e andei boa parte do caminho sem ar. Eu não estava preparada para ouvir o nome dela tão cedo. - disse chateada sem encarar Marie.

- Ei, - se aproximou de Vitória - olha para mim. - puxou seu rosto com delicadeza para que a olhasse - Eu não vou ter nada com a Charlotte, eu só tenho olhos para você.

- Eu sei, mas mesmo assim me senti mal. Desculpe.

- Eu sei como é se sentir assim. Um dia ouvi um casal conversando em português e ela disse uma expressão desconhecida para mim, “estamos quites”. Fui procurar o significado e acho que se encaixa um pouco aqui. - sorriu passando a mão no rosto de Vitória.

- Acho que sim. - sorriu chateada.

Marie abraçou-a e beijou-lhe o rosto.

- Eu te amo, morena. - beijou-a com suavidade.

 

A exposição de Charlotte seria dali duas semanas, por mais que tentasse não pensar, Marie ficou inquieta sabendo que iriam se encontrar novamente. Vitória sentiu Marie distante, mas preferiu não falar nada, sabia que tocar no assunto seria como mexer em feridas não cicatrizadas.

 

No dia da exposição, Vitória estava nos ajustes finais para a abertura da exposição e viu Charlotte chegando acompanhada por uma bela moça. Respirou aliviada e aproximou-se das duas para mostrar como o espaço estava organizado. Charlotte mudou dois quadros de lugar e deixou o resto como estava. Agradeceu a ajuda de Vitória com um sorriso. 

- Désolé, je vous connais de quelque part, mais je ne sais pas où. - Charlotte olhou-a curiosa. (Perdão, conheço você de algum lugar, mas não sei de onde.)

- Je suis la petite amie de Marie, le journaliste que vous avez demandé de faire l'histoire de l'exposition. - disse firme. (Sou namorada da Marie, a jornalista que você pediu para fazer a matéria da exposição.)

- Êtes-vous Victoria, le Brésilien? - sorriu. (Você é Vitória, a brasileira?)

- Oui. - respondeu sem graça. (Oui.)

- Charlotte sorriu e aproveitou a distração de sua acompanhante para olhar o corpo de Vitória pedaço por pedaço.

- C'est beaucoup plus beau en direct. - piscou-lhe saindo de perto. (É muito mais bonita ao vivo.)

Vitória ficou desconcertada com o elogio e logo imaginou que ela tinha visto sua foto seminua. A primeira reação que teve ao ligar o comentário à foto foi de raiva, pois nunca mostraria uma foto de Marie seminua para alguém, mas depois riu sozinha indo para sua sala. 

 

Naquela noite, Vitória iria trabalhar até tarde por conta da exposição e Marie iria fazer a entrevista para o jornal. Entrou no recinto procurando por Vitória, mas não encontrou-a. Começou a andar pela galeria para ver os quadros e sentiu alguém se aproximando, virou-se e Charlotte estava parada atrás dela.

- Avez-vous besoin d'aide? - sorriu lhe oferecendo champanhe. (A senhorita precisa de ajuda?)

Ainda desconcertada aceitou o champanhe.

- J'ai rencontré votre petite amie cet après-midi. - sorriu brindando as taças. (Eu conheci sua namorada hoje à tarde.)

Marie não respondeu e viu Vitória de longe observando-as.

- Je ne l'ai pas cru quand elle a dit qu'elle était brésilienne. Elle est belle, vous avez bien fait de la faire venir ici. Félicitations à vous. - sorriu e afastou-se. (Não acreditei quando ela disse que era a sua brasileira. Ela é linda, você fez bem em trazê-la para cá. Felicidades à vocês.)

Marie esperou que se afastasse e foi em direção de Vitória.

 

A noite seguiu tranquila e Charlotte fez questão que Vitória estivesse presente durante a entrevista, não queria nenhum mal entendido entre ela e Vitória e muito menos com sua nova namorada. 

 

Alguns meses depois da exposição souberam do novo casamento de Charlotte e Rosângela contou sobre o novo casamento de Amanda. A vida parisiense que estavam levando era tranquila, aos domingos passeavam em pontos turísticos ou almoçavam em algum restaurante novo. 

 

Passaram anos juntas, viajaram todos os carnavais para o Rio de Janeiro como renovação do amor e da paixão, aproveitavam a ida ao Brasil e visitavam Ilhéus para reencontrar Rosângela.

 

Em um sábado à tarde, Marie estava deitada de lado olhando Vitória dormir, após uma tarde intensa de prazer, sentia-se feliz relembrando todos os acontecimentos até ali. Estava sem sono, levantou-se e ficou em pé na janela observando a neve cair. Estava perto do fim do ano, faltavam poucos dias para o réveillon e havia um assunto que queria conversar com Vitória, mas estava com medo. Sentiu Vitória lhe abraçar por trás, ambas estavam nuas.

- Sete anos em Paris e ainda não me acostumei com a neve. - beijou o rosto de Marie.

- Já se passaram sete anos. Parece que foi ontem que me vi desesperada no aeroporto achando que você não vinha. - riu.

- Sempre que eu acordo de manhã e te vejo ao meu lado, me sinto a pessoa mais feliz do mundo. - beijou-lhe o pescoço.

- Eu tenho um pedido para lhe fazer. - virou-se de frente para Vitória - Eu sei que não é um assunto fácil para você, mas quando se sentir pronta, gostaria de conversar sobre filhos.

Vitória lhe sorriu e beijou-a com suavidade.

- Eu estou pronta.

- Como assim? - riu - Você também pensou nisso?

- Não tinha pensado, até perceber que você estava fazendo pesquisas na internet sobre o assunto. 

- E o que você acha sobre isso?

- Eu topo qualquer coisa com você. - sorriu e beijou-a.

 

Vitória não teve problemas para engravidar e apesar de enjoos matinais e alguns desejos estranhos, a gravidez foi tranquila. Tiveram gêmeas univitelinas, com os traços de Marie e negras de pele clara como Vitória.

 

 

 

Notas finais:

Aguardo comentários! ;)

 


 

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Comentários


Nome: mtereza (Assinado) · Data: 17/09/2017 02:33 · Para: Capitulo Extra

Adorei a história linda bjs até a próxima 



Resposta do autor:

Olá, Tereza, tudo bem?

Que bom que gostou! :)

Até a próxima.

Um abraço,
Alice Reis
oamordealice.com.br



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 14/09/2017 13:50 · Para: Capitulo Extra

Estória linda. Demorou um pouco mas enfim se entenderam e deixaram suas mágoas para trás e viveram o presente. Amei. Volte com mais. Bjs. Obrigada



Resposta do autor:

Olá, Patty, tudo bem?

Obrigada! Nada como esquecer o passado para deixar o presente vingar.

Voltarei!

Um abraço,
Alice Reis
oamordealice.com.br



Nome: cidinhamanu (Assinado) · Data: 14/09/2017 09:24 · Para: Capitulo Extra

Pois bem! 

Comecei essa história sem nunca sequer imaginar que hoje estaria aqui e principalmente que estaria rodeada por pessoas que eu já considero parte da minha vida. 
Por isso agradeco a você Dr@, por me ter falado do grupo e me dito que devia entrar pois ia gostar e a todos vocês que me receberam tão bem! ??’–
Agora a história.
Graças a você eu chorei, eu ri, eu amei, eu gritei, eu apanhei calores....mas sempre sentindo cada pedacinho dessa história. 
Parabéns, porque são histórias como a sua que fazem realmente admirar a essência da história. 

Nós encontraremos em outras histórias, minha linda ??????????’???’?

Cidinha.



Resposta do autor:

Olá, Cidinha, tudo bem?

Eu que agradeço por você participar do grupo!
Que bom que gostou da história!!

Com certeza nos encontraremos por aí, com novas histórias e novas emoções, rsrs.

Um abraço,
Alice Reis
oamordealice.com.br



Nome: SaraSouza (Assinado) · Data: 13/09/2017 23:45 · Para: Capitulo Extra

Finalmente felizes ... Adorei parabéns autora 



Resposta do autor:

Olá, Sara, tudo bem?

Sim, felizes para sempre!
Obrigada!

Um abraço,
Alice Reis
oamordealice.com.br



Nome: valadaresdanni (Assinado) · Data: 13/09/2017 23:33 · Para: Capitulo Extra

Autora, 

 

Agora sim. Um final feliz e apaixonante. Parabéns pela estória. Adorei.

 

Bjs,

 

Dan e Dri Valadares.



Resposta do autor:

Dupilnha querida,

 

Obrigada!!

Um abraço,
Alice Reis
oamordealice.com.br



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