Sunshine: esperança. por femarques


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CAPÍTULO 14:

 

Não consegui pegar o avião naquela noite, quando cheguei no apartamento de Tom tive um acesso de choro, ainda mais do que no carro de Scoutt, e acabei acordando meu amigo e Adele.

            Como uma criança em estado de choque, fui sentada no sofá da sala enquanto Adele se posicionou ao meu lado, com a mão sobre a minha e Tom se ajoelhou em minha frente, como ele gosta de fazer para me ouvir reclamar.

            Demorei alguns minutos para conseguir enxugar o rosto, fungar o nariz e me concentrar em falar sem que as palavras fossem atropeladas por soluços.

            “A reunião foi bem...”

            “E qual o motivo do choro?” Tom perguntou impaciente.

            “O chefe dela quer uma coletiva de imprensa com ela e comigo, porque ela me expõe no livro.”

            “Você vai ter que contar para a sua namorada, Mea.” Adele falou docemente enquanto acariciava minha mão.

            Olhei para ela e tentei dar meu melhor sorriso. “Eu sei, vou conversar com ela.”

            “Depois da reunião ela me ofereceu carona por causa da chuva e, no meio do caminho, o carro dela quebrou. Ficamos presa naquela situação dentro do carro, com uma chuva forte, e é horrível ficar assim com ela, vocês não tem noção de como é a tensão entre nós, parece que vai me sufocar, que vou perder o equilíbrio e me atirar nela.”

            Tom deu uma risada baixinha e balançou a cabeça, sentando no chão e cruzando as pernas, cansado de se apoiar nos joelhos. “E aí você se atirou nela?”

            “Não, Tom. Ela começou a contar sobre...você sabe, o abuso.”

            Olhei para os dois enquanto minha cabeça tentava se recordar de tudo o que ela me disse, de todos aqueles detalhes, mas tudo o que eu me lembrava era de como seu rosto mostrava a dor que sentia e tentava esquecer e esconder, tentando engolir todas essas informações como se elas fossem apenas uma história sem importância. Queria poder pegar Scoutt no colo e abraçá-la tão forte, mostrar a ela que ainda tem a mim e nunca mais iria a soltar.

            Tom e Adele me olhavam atenciosos e surpresos, com a cabeça levemente inclinada e os lábios entreabertos, como se tivessem combinado a mesma careta.

            “A mãe e o padrasto eram malucos e abusavam dela quando ela disse que gostava de meninas, mas ela acha que tem algum motivo por trás disso, só nunca vai saber, não é? E foi tudo muito horrível, doloroso, dá para entender perfeitamente tudo o que ela passou e o motivo de ser como ela é.”

            “Então quer dizer que, depois desse tempo todo, vocês tiveram essa conversa e você a entende? E a perdoa de como ela te tratou mal?”

            Olhei para Adele depois que ela perguntou e a encarei por alguns segundos, pensando na resposta. Se eu soubesse antes, no meio de toda a amargura que era a vida dela, eu teria ficado ao seu lado e a ajudado, se eu soubesse antes como salvá-la de si mesma e de todo o seu passado, eu teria ficado. Eu saberia mais coisas e teria passado pela defesa dela, por mais que ela ainda fosse uma idiota.

            Soltei um suspiro audível e relaxei o corpo, me encostando no sofá. “Depois desse tempo todo eu entendo e a perdoo, mas é tudo o que posso fazer agora por ela.”

            “Você sabe que não está amarrada na Allegra, não é?” Tom perguntou com a voz séria.

            “Para com isso. Não é essa a questão. Alegra é tudo o que Scoutt não é, e eu preciso de uma pessoa assim.”

            Tom se levantou e foi andando até a cozinha. “Ah, Mea, que papo furado, me faça o favor, vai. Ela não é mesmo e você sabe disso quando me liga para dizer que a garota, se fosse homem, teria disfunção erétil. Você gosta da emoção que é viver com a Scouttt, das sacanagens dela, do modo carinhoso que ela tem, eu já cansei de ouvir isso de você, e agora quer comparar uma com a outra e escolher a imitação? A opção mais fácil e a que você não gosta tanto? Se liga.”

            Adele deu de ombro delicadamente, sempre evitando me ofender quando mostra que não pode fazer nada com Tom, que ele tem razão, mais uma vez.

            “Eu não posso sair por aí magoando as pessoas, e eu quero realmente tentar. A Scoutt está melhorando agora, está conseguindo lutar contra os problemas dela, mas ainda precisa de muita ajuda e muito tempo, não quero assumir essa posição de novo e depois de me doar, sofrer no final.”

            Tom voltou andando como se desfilasse com a sua beleza tomando um copo de água, seguro de si até mesmo quando está brigando comigo. “Tudo bem, senhorita Bradley. Quando você ficar velha e cheia de ressentimento porque deixou o amor da sua vida sozinha, não adianta chorar. Quando estiver velha ao lado de Allegra, que é uma pessoa boa, eu sei, mas não é quem você quer, e ver que Scoutt se superou e está bem, vai ser tarde. E ela vai ter outra Mea do lado dela.”

            Bufei e levantei do sofá. “Tudo bem, Tom. Obrigada por ser tão sincero.” Fui até o quarto a tempo de ver antes Tom dando de ombros e Adele olhando feio para ele. Não avisei Allegra que não chegaria porque perdi o voo, então resolvi apenas enviar uma mensagem.

            “Não chegarei essa madrugada. Perdi o voo. Te vejo amanhã.”                 

           

Na quinta-feira consegui remarcar a passagem perdida apenas para depois do almoço. Aproveitei a manhã para visitar minha mãe e Lincon. Me despedi de Tom antes de sair, já que minha mãe me levaria ao aeroporto, abraçando-o forte para tranquiliza-lo de que eu não havia ficado brava e que reconhecia sua razão, apenas não podia pensar nisso agora.

Com a promessa de que logo ele e Adele estariam em Chicago, fui para a casa de minha mãe e passei a manhã ao lado dela, contei a ela sobre minha vida com Allegra, pulei a parte de estar envolvida emocionalmente – mais do que deveria – com o retorno de Scoutt em minha vida, e dei a entender que tenho a vida que ela sempre quis: bem-sucedida, em um apartamento bonito, com alguém que é menos...chocante.

Com as partes importantes da minha vida omitidas, tivemos uma agradável manhã e almoço, matamos a saudade, porque é claro, por mais que tenha problemas com a minha mãe, eu a amo. E na verdade, não são problemas tão graves, é apenas falta de compatibilidade. Ela nunca foi a melhor do mundo quando se tratava de evitar falar mal de meu pai na minha frente, sempre implicou comigo e quis que eu fosse diferente, em todos os aspectos possíveis.

Durante o voo ensaiei diversos discursos sobre como seria a conversa com a Allegra, como contaria a ela que sua namorada aparece envolvida romanticamente em um livro lançado pela ex. namorada. Por mais boazinha que Allegra fosse, ela não seria tão compreensiva com isso, ela e Scoutt nunca se deram bem.

Enquanto esperava por minha mala no aeroporto, avisei a Tina que não iria trabalhar.

“Cheguei em Chicago agora, não vou trabalhar hoje. A reunião foi boa, tenho coisas para contar. Pesquisa o melhor meio e empresa para coletiva de imprensa para o livro de Emma. Agende com ela o retorno a Chicago para finalizarmos o projeto de lançamento. O livro de Joan está pronto para ser lançado, você tem carta branca para adiantar isso hoje. Nos vemos amanhã, beijo.”

“Já chegou de Seattle preparada assim? O que aconteceu por lá? Tomarei conta de tudo. Beijo.”

Suspirei pensando em tudo o que aconteceu e preferi não responder à mensagem de Tina, era melhor contar tudo pessoalmente. Com as malas em mãos, fui de táxi até o apartamento, onde poderia descansar a tarde toda antes de encontrar Allegra depois que ela chegasse do trabalho para termos uma conversa sobre o livro de Emma.

Abri a porta do apartamento e joguei as malas na sala, tirando os sapatos enquanto eu entrava. Fui em direção a cozinha para comer alguma coisa antes de tomar um banho relaxante e dormir, quando dei de cara com Allegra sentada em uma cadeira com a cópia do livro de Scoutt que eu havia escondido em mãos sobre a mesa. Seus olhos vermelhos por ter chorado e a expressão séria, como se tentasse conter muita raiva.

“Eu posso te contar sobre o livro.” Sussurrei e me aproximei dela, parando em pé em sua frente, atrás de uma cadeira, a qual usei para me segurar.

“Quando ia me contar? Só agora? Depois que eu encontrasse?”

“Eu não tenho nada a ver com o livro, não sabia que ele falava sobre mim até ler um pedaço e ter reuniões com a Emma.”

“Ela ainda é um problema para você, não é? Ainda gosta dela?”

“Por favor, Allegra.”

Ela se levantou, fechou a cópia do livro encadernada e deu a volta na cadeira, passou a palma da mão no nariz. Se encostou na bancada da pia e negou com a cabeça. “Por favor digo eu, Mea. Me responde. Você ainda gosta dela?”

“Não, mas que besteira isso.”

“E qual o motivo de ter perdido o voo?”

“Fiquei na reunião até tarde, tomei um táxi que quebrou no meio do caminho e atrasou tudo.”

“Olha, eu não sei. Foi só essa garota aparecer que você ficou estranha.”

Balancei a cabeça de um lado a outro e me aproximei dela, parando em sua frente. Segurei suas mãos e olhei em seus olhos, me esforçando o máximo para não entrar em desespero ou cair em um pranto e chorar no seu colo, como quando éramos amigas apenas.

“Isso é besteira, tudo bem? O livro fala de algo pesado e terrível, ela passou por muita coisa e quis falar sobre o passado. Passado. Por isso estou nesse livro, sou algo que passou na vida dela.”

“Você pode pedir que ela retire seu nome do livro.”

“Eu não vou pedir isso, Allegra. Quem vier perguntar vai saber que sou apenas colega de trabalho dela agora, que eu a ajudei e foi só isso.”

“Você gosta de estar nesse livro, gosta de saber que ela ainda te ama e que o mundo todo vai saber disso. Você não quer pedir porque não quer se desligar da vida dela.”

Deixei meus lábios se afastarem um do outro enquanto a encarava incrédula, sem saber o que responder.

“Não é nada disso, para de falar essas coisas, por favor. Nós temos algo muito bom aqui, não deixa que isso estrague tudo. Ela é passado, tudo bem? Somos apenas colegas de trabalho.”

“Como você quer que eu fique quando leio sobre sua importância na vida dela, o quanto ela pensa em você, e aí saiba que você está em Seattle com ela?’

“Só melhore, tudo bem? Não temos mais nada e eu quero você. Tudo bem?”

Allegra respirou fundo e concordou com a cabeça, soltando a minha mão. “Uhum, tudo bem. Vou dormir.”

Ela me ofereceu um sorriso frio e foi para o quarto. A escutei fechar a porta e entendi que não queria minha companhia. Tomei um banho no banheiro menor já que não podia entrar no quarto e troquei de roupa usando as que estavam amassadas na mala.

Deitei no sofá depois de apagar a luz do cômodo e mandei uma mensagem a Tom contando o que aconteceu.

“Talvez seja bom você armar um encontro das duas para que Allegra veja que você gosta dela e Scoutt veja que você está com outra pessoa.”

Reli a mensagem de Tom várias vezes na tentativa de decidir se eu queria ferir Scoutt assim, se Allegra não tinha razão quanto ao livro e a meus sentimentos por estar nele quando a tela do meu celular acendeu e ele vibrou em cima de minha barriga.

 

“Oi, linda. Tenho seu número ;)” Dizia Scoutt e eu podia imaginar o sorriso safado estampado no rosto dela enquanto aqueles olhos verdes ficavam pequenininhos por estarem sorrindo, e meu coração pulava dentro do peito, agitando um pequeno mal-estar de ansiedade. Scoutt era meu gatilho, só seu nome me fazia perder a noção e o equilíbrio, tamanha sua influência em mim.

Nome: lohs (Assinado) · Data: 10/01/2016 00:29 · Para: Capitulo 14

Não tem mais como Mea fugir de Scoutt, elas se amam. Percebe-se no ultimo paragrafo, ele resume tudo, o que Scoutt provoca em Mea e o quanto Mea conhece Scoutt. Apenas por uma mensagem! 

Parabéns pelo capítulo, Nant!!!



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 08/01/2016 19:44 · Para: Capitulo 14

Mea tao teimosa. Vai magoar muito mais mentindo p alegra. É difícil ela entrar novamente num relacionamento c scout mas fugir não adianta. Bj



Nome: Leka (Assinado) · Data: 08/01/2016 19:44 · Para: Capitulo 14

Caraca, mas eu ainda não gosto da Scoutt com a Mea!!! Acho que sou uma das unicas pessoas que não aprova o relacionamento dessas duas rsrsrsrs



Nome: DuAmaralz (Assinado) · Data: 08/01/2016 18:57 · Para: Capitulo 14

Mea quanto mais foge mais parece ficar confusa, acho que uma hr é quase impossível fugir do que senti 



Resposta do autor em 11/03/2016:

Quanto mais ela foge, mais ela fica confusa mesmo! Menos ela sabe qual atitude tomar e mais enloquece com os sentimentos que está guardando.

Beijos!



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