Meu corpo no teu por Julieta Adams


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(Alanna Garcia - Anos atrás):


— Filha, está tudo bem... Não enfrente seu pai novamente, ele pode acabar te ferindo. 


— Então bater em você, pode? - Disse acolhendo minha mãe que estava trêmula nos meus braços. — Pra mim ele é um covarde!


— Não diga isso... Ele só está desequilibrado, bebendo mais do que devia. Sobrecarregado com certas coisas suas.


Meu pai era comandante do exército, era pra eu ter orgulho dele, mas, desde que me envolvi com mulher e contei aos meus pais, meu pai virou outro homem, e desconta na minha mãe como meio de me ferir... Porque a mim, ele não enfrenta e culpa minha mãe pelo caminho que tomei.


— É culpa minha mãe... É tudo culpa minha. - Acabei chorando junto dela. — Não fui o orgulho de vocês.


— Você é o meu orgulho, deve ficar com quem seu coração escolheu, vou te amar sempre.


— Aii mãe... - Nos abraçamos fortemente. Meu pai nem ficava mais em casa, pra não ter que ver minha cara.


Eu estava com dezesseis anos, e tive que amadurecer precocemente com essa decisão da minha orientação sexual. A garota que estou é mais velha do que eu quatro anos, e já recebeu ameaças do meu pai.


Fui para escola, ligava inúmeras vezes para Anita e nada de atender, comecei a ficar preocupada. Ela era do terceiro ano, e eu do primeiro.


— Gente vocês viram a Anita? - Perguntei as meninas da sala dela, antes de bater o sinal.


— Disse que ia vim... Sou vizinha dela, porém achei ela estranha.


Na hora pensei o pior, minha intuição falou mais alto, e pedi ajuda da coordenadora.


— LIGA PARA CASA DA ANITA MENEZES, POR FAVOR! Era pra já ter chegado aqui!


— Acalme-se... Vou ligar sim, quer tomar um copo de água?


— Não quero nada, só ligue por gentileza! - Estava roendo unha aquele dia, de tão desesperada fiquei, por pensar que ela tivesse sumido do mapa contra vontade dela.


Foi aí que descobri minha vocação para investigação criminal, e jamais pensei que seria por causa do meu pai, que despertaria essa minha vocação, sim, meu pai foi na casa e ameaçou os pais da garota que eu estava, pra que mandassem-a embora daqui. Roger (meu pai) não me contou, eu que descobri. E depois disso nunca mais a vi na vida, mas, também nunca mais olhei pra cara do meu pai, tomei nojo. Aí decidi nunca mais arriscar nenhuma mulher comigo, reneguei minha orientação sexual por anos. E foi por isso também que virei delegada, para poder proteger minha mãe, e proteger mais vítimas como ela ou até mesmo, de preconceito, pode parecer idiota, mas, isso fez a diferença nas nossas vidas.


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— E o que você fez com seu pai ? - Bianca interrompeu a história que eu contava, mas, já havia praticamente resumido e terminado. Detalhe, ela tocou na ferida com essa pergunta.


— Eu ameacei denunciá-lo... Ele precisava pagar pelo que fazia com minha mãe, nisso acabou confessando o crime de agressão. Hoje minha mãe é divorciada dele graças ao que fiz, e ele está preso tem alguns anos em regime fechado, mas, não pense que me orgulho disso, pensei muito, antes de querê-lo atrás das grades. 


— Você nasceu pra ser da justiça mesmo... Foi guerreira, são de pessoas assim que precisamos para nos defender, que não se cala e não abaixa a cabeça. E você tem medo de que?


— Do seu pai ser um desequilibrado emocionalmente que nem o meu.... Quando for descobrir sobre você. E acabar machucando você. - Trocamos carinhos, de forma atenciosa.


— Eu não tenho medo do meu pai! Mas aqui, e a Anita? Nunca mais a viu né, ainda a ama? Jamais pensei que sua vida era assim... E que fosse tão "humana". Não me entenda mal com essa expressão.


— Como vou amar alguém que mal lembro seu rosto? Isso foi um ciúmes? - Dei um risinho curto.


— Sinto ciúmes por não ter sido a primeira. Alanna, estou me apaixonando por isso que estamos tendo. - Acariciei seu cabelo, sorrindo.


— E se eu te falar que desde o primeiro dia que te vi, sabia que você iria me dar problema? No caso, há um mês atrás. - Rimos na mesma sintonia, como sua risada era gostosa.


— Isso é bom né? - Sua fala saiu meio risonha, e ela continuava sentada de lado no meu colo.


— Um problema gostoso de resolver... - Fui abaixando a alça da blusa dela e beijando seu ombro descoberto. Sua pele arrepiou, vi seus dentes firmarem no seu lábio inferior.  — E você é muito madura pra alguém da sua idade... Isso me atraiu demais, sabia? Porque lembrou a mim... Quando tive sua idade.


— Ahh... Eu te atrai é? - Foi falando no meu ouvido com ar de malícia, e começou me alisar, no intuito de tirar minha blusa. — Me pega aqui na cozinha... Sua história me deixou mais louca por você, sabe por que?


— Por que? - Firmei minhas mãos na cintura dela, olhando-a interessada na conversa quente dela.


— Porque... Me contou sua vida, confiou em mim, isso me deixa excitada... Como se fosse difícil você me excitar. Só de escutar sua respiração forte, já fico molhada. E seu corpo... Nunca vi algo tão lindo. - Dizia alisando minhas coxas expostas, por conta do short minusculo que usava.


— Meu corpo... Minha alma, agora pertencem também a você, se quiser. - Bianca ficou surpresa com essa minha confissão, que só soube me abraçar e dar um leve gemido ao meu ouvido, enquanto seu corpo tremia.


— Se eu quiser? Parece que estou num sonho! Em um mês as coisas afloraram tão rápido, não quero que isso acabe na mesma proporção. - Prolongou seu abraço em mim.


— Meu bem, quando tem que acontecer, é natural e não vem com o tempo, vem no tempo que deveria ser, cada pessoa que conhecemos desperta algo diferente em nós. Olha pra mim, Cate.

Notas finais:

Parece que estão evoluindo no sentimento....



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