A ruína dos anjos por Drikka Silva


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Andressa abriu os olhos, tentando se localizar de onde estava. Passou a mão no rosto e se mexeu para se virar, encontrando o corpo quente ao seu lado. Automaticamente sentiu a mão carinhosa de Almozsaaladiel na sua pele. Abriu um sorriso antes de conseguir focalizar Saladiel.
            - Dormi – sussurrou ao passar um braço por sua cintura.
            - Estava linda dormindo – respondeu a morena, se adiantando para dar um beijo em seus lábios.
            - Suponho que não durma – falou ao acariciar seu rosto.
            - Não.
            Andressa sorriu contra a pele de Saladiel: ela podia até ser maluca, mas era a maluca mais gostosa que já avia ficado até então. Ao lembrar do que haviam vivido, horas antes, o corpo voltou a se acender, pedindo mais da enigmática mulher.
            O relógio já marcava sete da noite, quando saiu da caa de Saladiel e caminhou para o próprio apartamento. Assim que entrou, encontrou Vitória andando de um lado para o outro, com o celular na mão.
            - Andressa! Pelo amor de Deus, Andressa! Onde estava?!
            - O que aconteceu?
            - Eu que te perguntou, não é? Sua chefe entrou em contato com meu numero para saber se estava tudo bem com você porque não apareceu no trabalho. Seu celular já dá caixa postal automáticamente, não está recebendo mensagem nenhuma! O que aconteceu?
            - Eu faltei ao trabalho – respondeu, distraida, indo para o sofá. Os olhos correram para a janela e o telhado do prédio à frente.
            - Isso é meio obvio. Aconteceu alguma coisa?
            Andressa olhou para a esposa demoradamente. Não precisava levar um tempo de deliberação para saber qual era o certo a se fazer, mas como poderia falar que estava completamente apaixonada por outra pessoa, sem machuca-la?
            - Eu... Eu estava com outra pessoa.
            - O quê?! Como assim, Andressa?
            - Eu não vou te explicar o que aconteceu, nem como aconteceu, mas posso te afirmar que jamais tive a intenção de te magoar ou te enganar. Aconteceu, não pude controlar.
            Vitória olhou para a esposa com um sorriso incrédulo no rosto. Sempre havia pensado que partiria dela aquelas palavras, dado o fato que mantinha um relacionamento paralelo ao casamento há meses. Sentou-se na mesinha de centro e passou as mãos no cabelo, antes de voltar a encarar Andressa.
            - Quem é ela?
            - Nada disso importa agora. Eu não queria te magoar, não era minha intenção que isso acontecesse, mas eu não vou te enganar, é contra minha índole.
            - Não quer me enganar e nem me magoar, mas fala na minha cara que passou o dia com outra mulher! O que você acha que está fazendo?!
            - Eu sei que não é certo o que fiz, mas acredito que a melhor coisa que estou fazendo agora é ser honesta com você. Eu poderia mentir, manter um relacionamento paralelo, mas a verdade, por mais doída que seja, é sempre a melhor saída.
            Vitória se levantou e andou pela sala completamente perdida. A carapuça havia servido. Claro que Andressa não desconfiava daquilo, mas suas palavras haviam como uma luva, visto que era exatamente aquilo que fazia.
            - Foram anos, Andressa, não dias. É assim que termina um casamento?
            - Me desculpe. Eu... Eu não sabia como te contar. Não acredito que também exista uma maneira fácil de contar. Me desculpe.
            Vitória balançou a cabeça em sentido negativo e saiu da sala. Por mais que estivesse aliviada, não podia deixar de se sentir traída, porém não iria ser hipocrita com acusações. Estava extremamente confusa e magoada com a revelação da esposa. Foi até o quarto e pegou a bolsa, voltando para a sala em seguida.
            - Eu... Eu vou esfriar a cabeça. Não quero conversar agora. Acho que nem temos o que conversar agora.
            Andressa ficou em silêncio e apenas concordou com a cabeça. Não podia pedir nada diferente a Vitória, diante da própria confusão que estava sentindo. Só tinha certeza de uma coisa: não conseguiria ficar longe de Saladiel, era provável que se arrependeria no futuro, mas o melhor para ambas, naquele momento.
            No telhado do prédio à frente, a escuridão predominava. Sabia que Saladiel estava ali. Conseguia sentir sua presença e seus olhos a encarando através das sombras.
            - Está ai? – perguntou em voz alta para ter a confirmação do que já sentia.
            A escuridão à frente foi dissipada levemente com a claridade que invadiu o espaço. Enxergou a silhueta de Saladiel e abriu um sorriso, jogando um beijo na sua direção. Saiu da frente da janela para conferir a água e a comida de Dexter, antes de sair do apartamento.
            Na frente do prédio, já encontrou a morena esperando-a, encostada contra a grade da portaria. Se adiantou para abraça-la.
            - Acho que viu que contei à Vitória, não é?
            - Vi. Ela vai ficar bem. Pode, enfim, viver aquilo a qual foi predestinada.
            - Não entendi.
            - Não se preocupe com a compreensão de minhas palavras. Vamos lá para casa? Ou prefere ir para outro lugar?
            - Vamos – concordou Andressa caminhando ao seu lado. – Não achou precipitado que eu tenha contado a ela?
            - Era o certo a se fazer. Se continuasse, iria engana-la.
            - Eu poderia parar de te ver. Seria uma segunda opção.
            - Não podemos simplesmente parar. Há outras coisas envolvidas.
            - Já me disse. Destino, uma condenação dada por Deus, blá blá blá.
            - Não posso te obrigar a acreditar. Fico contente que esteja, ao menos aqui.
            - Nós sempre ficamos juntas?
            - Não. Houve vezes em que seu tempo passou sem que tivesse a oportunidade de ficarmos juntas.
            - Me conta uma dessas vezes.
            Almozsaaladiel sorriu para a mulher ao seu lado. A mente voou para o passado, um momento perdido no tempo.
 
            Sussã  2445 A.C  
           
            Almozsaaladiel olhou para a planície, enxergando a migração animal, orientada pelo divino. Sentia que a humanidade seria castigada mais uma vez. Vira os sinais, sentia as vibrações sobre a terra. O véu que escondia o divino estava tênue demais, aguardando uma grande movimentação terrena. Não iria voar até onde a grande embarcação estava sendo construída. Por mais que todos os seres celestiais estivessem reunidos para aquele momento, em torno da humanidade, sua atenção estava voltada apenas para uma vila, para um homem que cultivava a agricultura, completamente alheio ao que lhe acontecia ao redor, pouco dotado do conhecimento que já crescia na região oposta.
            Tinha encontrado o espirito quando ele já estava algumas primaveras, mas não havia se aproximado. Observava-o de longe, mantendo-se atenta apenas a ameaças à sua vida, única forma de intervenção que teria até que alcançasse idade para ser tirado dos seus. Já estava próximo. O jovem espirito agora já contava com várias primaveras. A movimentação das forças divinas estava fazendo-a repensar sobre a decisão que tinha tido, quando vira seu nascimento. Em Sidim não tivera tempo, mas, desta vez, conseguia pensar em algo que não fosse uma retirada imediata. Não sabia também quais eram os desígnios do divino. Esperava, como sempre fizera. Apenas esperava.
            - Junte comida – alertou a Absalom. – Algo irá acontecer.
            Seu servo não questionou. Concordou com a cabeça e saiu para fazer o ordenado. Se levantou do lugar onde estava e saiu em direção ao jovem, que estava repousando perto de um rio. Caminhou lentamente até que ele a visse, enrolada em um manto.
            - Quem és? – ele perguntou, assim que a viu.
            - Uma viajante. Temo que algo grandioso irá acontecer. Peço que venha comigo.
            - Não irei sair daqui.
            - Por favor – se adiantou Almozsaaladiel para toca-lo. – Não sei de 5quanto tempo dispomos.
            - Não encoste! Deveria saber se recolher!
            Almozsaaladiel fez o pedido e se afastou. Ainda tentou argumentar com o jovem rapaz, mas ele estava irredutivel. Com o prazo de uma lua, a chuva começou, aumentando os niveis dos rios. Aguas caiam dos céus e brotavam da terra, tornando a agricultura impossivel de ser feita.
            - A chuva não cessa – falou Absalom parando ao seu lado.
            - Temo que o divino está agindo. Temos que nos refugiar em lugares altos, longe desses vales.
            - E aquele que espera?
            - Não posso leva-lo contra sua vontade. Te colocarei em segurança, depois retornarei.
            Absalom concordou com um aceno e aprontou as coisas para a partida. Almozsaaladiel o deixou em uma montanha ao norte, antes de voltar para o vale. O espirito estava abrigado em uma caverna, já sendo inundada pela agua.
            - Voltaste! O que queres?
            - Salvar tua vida. Me deixe ajuda-lo!
            - Vá embora! Não quero sua compaixão.
            Almozsaaladiel soube que não conseguiria demovê-lo de sua decisão. Não podia força-lo, nem arrasta-lo contra sua vontade. Observou-o por duas noites antes que a agua tomasse todo o lugar onde se escondera. Antes de partir, deixou que seu corpo metafisico se revelasse, abreviando a vida do jovem espirito. Não teve tempo para prantear sua perda, pois tinha que ir de encontro a Absalom e durante muitas luas sobrevoaram sobre as aguas que haviam invadido a terra a mando do divino.
 
            Dias atuais.
 
            - Uau! – exclamou Andressa com um sorriso. – Preferi morrer do que te acompanhar.
            - Não foi a unica vez. Entenda que já veio várias vezes a terra. No começo, Era um espirito jovem, depois passou a ter mais maturidade para escutar sua voz interior – falou Almozsaaladiel ao enrar na rua onde havia alugado a casa.
            - Acho que vou ter que realmente ir para um hospital psiquiatrico – riu Andressa. – Estou começando a acreditar nessas baboseiras.
            - Não creio que seja necessário. Você irá acreditar com o tempo.
            - Eu quero te ver. Quero ver como realmente é. Seu corpo metafisico, como diz.
            - Não posso me revelar a você. Ainda não é chegado o tempo. Não quero comprometer sua razão ou seu corpo.
            - É uma decisão que me cabe, não é? Minhas escolhas.
            - Há de se ter prudência com nossas escolhas.
            - Eu quero te ver. Se você não é realmente você, se é imortal, assim como Absalom, quero ver como vocês são de verdade.
            - Conversaremos sobre isso em um momento oportuno. Eu preciso...
            Almozsaaladiel não terminou a frase. O mal estar tomou conta do seu corpo ao se aproximar da casa. De imediato soube que seu servo não estava ali. Concentrou sua energia, procurando-o pela região, mas não conseguiu nenhuma vibração sua.
            - Algum problema? – perguntou Andressa ao ver a mulher se emudecer ao seu lado.
            - Absalom. Algo está errado.
            - Ele deve estar em casa...
            - Não. Algo aconteceu.
            Andressa ficou tensa ao ver Almozsaaladiel entrar rapidamente na casa. Assim que cruzou o portão a morena sumiu dentro da residência para voltar a aparecer em segundos.
            - Eu preciso encontra-lo. Me desculpe por deixa-la assim, mas eu preciso saber o que está acontecendo com meu amigo.
            - Chama um táxi, é mais rápido...
            - Eu vou mais rápido. Por favor, fique à vontade.
            Andressa não teve tempo de resposta ao ver a mulher ir para o meio da rua. Ela parou por um segundo e voltou para dar um beijo em seus lábios antes de voltar para o asfalto. Ficou observando enquanto ela olhava de um lado para outro e em seguida saltou para o telhado. Não conseguiu conter a incredulidade no rosto ao ver a mulher sumir em segundos. Não sabia o que mais a tinha chocado: o tamanho do salto, impossível para um humano ou a velocidade com a qual ela havia sumido nas sombras da noite.

Notas finais:

Oi oi lindonas!!!

Primeiro de tudo, me perdoem pelo tempo sem postagem,  a vida deu uma viradinha no avesso hehehe (mas é por coisas boas)

 

Segundo, e mais uma novidade! Araguaia sai em livro no começo de Julho! Aeeeeee

Faremos o lançamento em Brasilia, dia 06/07 no Carpe Diem Asa Sul a partir das 18 hrs.

Teremos tbm Paula Curi, Karina Dias e Edleuza Tavares!

Esperamos vcs por lá!

 

Bjokasssssssssss



Comentários


Nome: mtereza (Assinado) · Data: 29/06/2018 21:34 · Para: Capitulo 13

Gostei da atitude dela de contar logo a Vitória a verdade por mais dura que seja é sempre o melhor caminho e eu pensei que Absalon tinha desencarnado



Nome: Jocinayra (Assinado) · Data: 26/06/2018 12:38 · Para: Capitulo 13

Que história interessante e linda! Li todos os 13 capítulos em um dia de trabalho, rs. Estou louca pra saber o que mais vai acontecer e o final dessa história louca de amor. Por favor, Drikka, atualiza essa história. 



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 17/06/2018 02:46 · Para: Capitulo 13

Caramba! Que xic. Se eu pudesse iria pra esse lançamento. Coloquei em dia a leitura dessa impressionante estória. Linda. Bjs



Nome: Baiana (Assinado) · Data: 15/06/2018 18:52 · Para: Capitulo 13

A Vitória poderia ter aproveitado e confessado que também foi e é infiel,e ao contrário da esposa ela anda tendo um relacionamento paralelo. Sem contar que ela não tem moral nenhuma para se sentir ofendida pelo chifre

 



Nome: NovaAqui (Assinado) · Data: 14/06/2018 02:41 · Para: Capitulo 13

Andressa deu uma lição em Vitória. Assumiu que estava com outra

Agora é achar Absalom.

Parabéns pelas coisas boas.

Abraços fraternos procês aí!



Resposta do autor:

Ela foi sincera neh?! Não ficou enrolando igual a Vitoria.

E onde será que Absalom está?! Sera que bem? rs

Obrigada lindona! Coisas boas para todas nós hehhee

Bjokasssssssssssss



Nome: KarineGont (Assinado) · Data: 14/06/2018 02:34 · Para: Capitulo 13

Tô adorando!!!

Ansiosa pelo lançamento do Araguaia 

 

Bjs



Resposta do autor:

Ah que bom que está curtindo!!!!

Em Julho, dia 06, nossa turminha rebelde volta hehehe

Bjokasssssssssssss



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