Sobre a delicadeza do seu toque por Luah


[Comentários - 107]   Impressora Imprimir Capitulo ou História - Lista de Capítulos

- Tamanho do Texto +

 Marcas


 


-Sam... - A garota de olhos amarelados estava se divertido em meu pescoço exposto pra ela. –Ah... hum... – “Isso é tão bom!” Penso entregue novamente aos carinhos da garota. Mas o barulho irritante volta a me despertar. -Samantha! - Tento chama-la novamente, mas é inútil. Então levo a minha boca até a sua e a mordo.


-Hum... aiii! - Sam se afasta reclamando. –Doeu, Liz...


-Seu celular. - Digo me levantando do seu colo mesmo com seus protestos.


-Precisava arrancar um pedaço da minha boca? – Reclama manhosa. Também se levantando.


-Nem vem. - Minha voz sai autoritária. –Atende logo esse negócio. Ele já tocou dezenas de vezes. - Reclamo ajeitando a roupa bagunçada em meu corpo ainda tremulo. Tento ajeitar meu cabelo pelo espelho da sala de dança.


Ouço a garota conversar com alguém. Mas não dou muito importância. É quando algo refletido no espelho chama a minha atenção. Do lado direito do meu pescoço havia uma grande marca vermelha. Olho atentamente. Meu pescoço estava todo marcado.


-Ai meu Deus! - Dou um gritinho assustada.    


Sam que conversava distraída me encara duvidosa. Ela estreita os olhos amarelados em minha direção. Mas continua a falar com a pessoa do outro lado da linha.


-Ela está aqui. - A garota dar um suspiro entediada. –Não se preocupe, já estamos indo. – Sam fala sem muito interesse. –Ok. Obrigado Pri. Até mais.


Momentos depois, sinto braços rodearem meu corpo. E um beijo leve sobre a minha nuca. Fazendo meu corpo retesar.


-Precisamos ir. - Samantha sussurra ao meu ouvido.


-Eu vou te matar. - Digo indignada. Ainda olhando revoltada para as marcas em meu pescoço.


-O que eu fiz? - Sam pergunta me encarando através do espelho.


-Ah, você não sabe? - Questiono-a me virando entre seus braços. –Olha o estrago que você deixou em meu pescoço.


Vejo um sorrisinho arteiro fugir de seus lábios. Tento sair de seus braços, mas sou impedida. 


-Você fez de proposito! - Acuso-a irritada.


-Não exatamente.


-Como assim. Não exatamente? - Imito a sua voz indignada, fazendo-a ri.


-Você é sensível no pescoço, Liz. Toda vez que eu te beijo ou mordo nessa região, seu corpo reage com mais intensidade. - Samantha me diz séria. –E eu adoro te dar prazer. Adoro te arrancar gemidos. - Faço uma cara de descrente. Afinal, onde é que aquela garota me tocava que não me queimava ou me roubava a sanidade. Então... –Você está duvidando de mim? - Ela pergunta erguendo uma sobrancelha. –Eu posso provar. - Sua voz sai ameaçadoramente rouca.


-Samantha! - Repreendo-a. Então no susto arregalo meus olhos apavorada quando me dou conta que ainda estávamos na sala de dança desde o momento em que Sam me obrigou a segui-la até ali. –Que horas são? - Pergunto saindo as presas de seus braços.


-Pra falar a verdade... - Sam diz envergonhada. –É exatamente sobre isso que estavam me ligando sem parar. Seu primo está te esperando há quase meia hora. E como você está sem celular... Então a Priscila me ligou pra saber se eu sabia onde você estava. Como eu também não estava em sala de aula, ela deduziu que você estivesse comigo. E olha só, você está. - Samantha parecia uma criança quando fazia traquinagem.


-Samantha! - Digo me voltando as presas para a porta. Mas antes que eu a alcançasse a garota me prende entre seus braços novamente.


-Não ganho nem um beijinho? - Reclama manhosa.


-Sam, precisamos ir. - Digo tentando conter o sorriso em meus lábios sedentos dos seus. Quanto mais eu provava da sua boca, mas eu a queria.


-Só depois que eu ganhar um beijo. - Ela sussurra e logo depois morde delicadamente o meu pescoço. Fazendo-me suspirar.


Então volto-me novamente pra ela. Vejo-a fechar os olhos e esperar pelos meus lábios. Então eu me aproximo. E sem que ela possa reagir lhe dou um selinho e fujo.


-Lizandra! - Ouço-a gritar frustrada.


 


Ando sem jeito até o pequeno portão lateral do colégio. Sam vinha logo ao meu lado. Fiquei completamente envergonhada após levar uma baita bronca do porteiro. Não havia mais ninguém. O colégio estava completamente fechado. José o porteiro queria por que queria chamar os nossos pais. Mas Sam como sempre deu um jeitinho. Ela era cruelmente intimidadora às vezes.


Não me atrevi a olhar em sua direção. Não suportava ver aquele sorrisinho zombador. Às vezes eu tinha vontade de lhe arrancar aquele ar de superioridade com um soco. O porteiro abriu o pequeno portão e não perdeu a chance de reclamar mais um pouco. Sam passou por ele segurando a minha mão, deixando-o falando sozinho. Essa garota é terrível.


Andamos até o estacionamento externo do colégio. É quando avisto o carro preto estacionado próximo a uma árvore. De longe pude ver Rodrigo conversando animado com Priscila. 


-Você pode respirar agora. - A garota que me arrastava pela mão sussurra em tom zombador.


-Vai se ferrar! - Digo fazendo bico. Os olhos amarelados se voltam em minha direção arregalados.


-Olhe a boca mocinha! - Sam me repreende.


 


Finjo que não é comigo. Quando já estávamos perto do casal, os olhos acinzentados de Rodrigo caem sobre mim sérios. Minha vontade foi de dar meia volta e encarrar o porteiro. Só não fiz por que a mão da garota que segurava a minha, não deixou. Senti-a apertar levemente como se me passasse força. Nunca tinha visto meu primo tão furioso comigo. Minha vontade foi de cavar um buraco e me enterrar dentro. Suas palavras nunca tinham sido tão duras. Sei que tinha errado em ter “desaparecido” como ele insistia em dizer. Mas eu apenas não me dei conta. Só aconteceu.


-Acho que ela já entendeu. - Priscila tenta acalmar os ânimos que já extavam alterados.


-Já disse que Liz não teve culpa. - Sam volta a encarrar furiosa o rapaz de cabelo loiro. 


-E eu já disse que não me importo com quem teve ou não teve a culpa. Lizandra é grandinha o suficiente para saber que tem responsabilidades. 


-E eu já pedi desculpas Rodrigo. - Reclamo emburrada.


-Rodrigo. - A garota de olhos verdes volta à chama a atenção de meu primo. –Acho melhor irmos. Esse não é o melhor lugar para dar sermões. - Ela diz se referindo aos alunos da tarde que estavam começando a chegar.


-Entrem no carro. - O rapaz de olhos acinzentados diz ainda impaciente. Ao notar que nenhuma de nós três se moviam. Ele suspirou. –Samantha, eu te levo em casa. Falei para Sebastian que te levaria. E Priscila, ainda temos planos.


Não espero ele dizer mais nada. Abro a porta furiosa e me sento com raiva no banco de trás. A fechando com força. “Bem que ele poderia esperar que estivéssemos a sós para me repreender. Não precisava fazer isso na frente das meninas.” Penso fazendo bico. Ouço a porta ao lado se abrir, quando me volto para saber quem é. Samantha se acomoda ao meu lado no banco de trás da 4x4 preta. Rodrigo se coloca no banco do motorista. Priscila ao seu lado no passageiro.


Quando o carro começa a se movimentar. Sam se aproxima de onde estou, prendo a minha respiração ao tê-la tão perto. Posso sentir sua respiração sobre o meu rosto. Ela puxa o sinto de segurança colocando-o sobre o meu corpo. Seus olhos amarelados passeiam sobre a minha superfície. E um sorrisinho sínico toma conta de seus lábios viciantes. Sei que devo está vermelha. Ela me pisca um olho e se afasta, fazendo o mesmo. Ficamos em silêncio por um bom tempo. Mas quando vejo que estamos indo por um caminho diferente. Me desespero ao me lembrar que tenho aula de piano.


-Pra onde você está indo? - Pergunto desesperada.


-Ao shopping. Vamos almoçar por lá. – O rapaz ao volante diz calmamente.


-Mas, eu tenho aula de piano. - Digo em um fio.


-Acho que já não tem mais. Não por hoje. – Sua voz sai irritada.


-É sério Rodrigo, eu tenho aula de piano. - Insisto. –Então acho melhor você da meia volta nesse carro.


-Se você fosse um pouquinho mais responsável...


-Rodrigo! - Priscila adverte meu primo. –Você sabe o quanto sua prima é responsável. Então não é justo que você diga algo do tipo só por que ela agiu diferente do que sempre agir uma única vez na vida.


-Mas Prisc...


-Sem mais. - A morena reclama impaciente. –Liz... - Ela diz se voltando em minha direção. –Não se preocupe minha linda. Rodrigo ligou para Júlia e deu uma desculpa qualquer. Então só por hoje teremos a tarde livre.


-Mas a tia Jú vai me matar. – Digo já imaginando a bronca que levaria. Ela odiava quando algo do tipo acontecia. Afinal, os meus estudos vinham sempre em primeiro lugar. O meu sonho dependia disso. 


-Pensasse nisso antes. - Meu primo não deixou essa passar.


-Já chega Rodrigo! - Sam que até o momento estava calada resolve se intrometer. –Acho que Liz já entendeu.


 


Então uma nova sessão discussão começa. Se não fosse por Pri estaríamos em um encalorado debate até agora. Almoçamos no shopping, assistimos a um filme qualquer que estava passando no cinema. Foi uma tarde divertida. Ter três das pessoas que eu mais amava ao meu lado foi inesquecível.


 


-Vai Pri. - Insisto para a morena de olhos verdes. –Você nunca mais dormiu lá em casa.


-Talvez por que você tenha me trocado desde que uma certa garota de olhos amarelados apareceu. - Ela me acusa encostada na proteção do piso superior do shopping.


-É diferente. - Digo já vermelha.


-Sei. - Priscila me encara desconfiada. –Tão diferente quanto essas marcas em seu pescoço? 


-Ai meu Deus! - Levo as duas mãos cobrindo o pescoço, fazendo-a gargalhar.


-Esquece Liz, eu já vi. Pra falar a verdade, vi no momento em que você chegou hoje à tarde no estacionamento do colégio. - A garota a minha frente diz calmamente. –Então quer conversar sobre isso? - Ela me pergunta com cumplicidade.


-Você não acha estranho? - Questiono-a acanhada. Me encostando também na proteção.


-Por que acharia? - Seus olhos verdes estão calmos como sempre.


-Sei lá. - Olho para o lado, onde Sam e Rodrigo conversavam animados. –Sam é uma garota. - Digo me voltando para o outro lado. Segurando a proteção com certa força. Dou um suspiro olhando para baixo, observo as pessoas passarem de um lado para o outro.


-Você acha? - Fico em silêncio por longos minutos até sentir braços protetores em volta de minha cintura. Pri coloca o queixo sobre o meu ombro. E ficamos assim por tanto tempo.


-Eu não sei Pri. 


-Então só deixe acontecer. - Ela sussurra baixinho.


-Eu estou com medo. - Confesso.


-De quer?


-E se eu me machucar? - Pergunto em um fio.


-Eu estarei aqui. - Ela diz com tanta certeza. –Sempre estarei aqui. - A garota de olhos verdes diz e se afasta me estendendo a mão. Que aceito sem vacilar. E caminhamos até Sam e Rodrigo. E eu acredito plenamente que ela estaria.  


 


 


 

Você deve fazer login ou se cadastrar para comentar.