Amor de carnaval por Alice Reis


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Marie acordou com cheiro de comida invadindo-lhe as narinas, estava sozinha na cama, escutou barulho vindo da cozinha e pegou o celular para checar as mensagens, ao ver a foto de Vitória seminua sentiu seu coração acelerar. Charlotte entrou no quarto com uma bandeja, duas taças de vinho e um prato de risoto de quatro queijos e dois garfos, colocou a bandeja na cama e sentou-se ao lado dela. Marie olhou-a com os olhos marejados.

- Avez-vous vu la photo du Brésilien? (Viu a foto da brasileira?)

- Avez-vous touché mon téléphone portable? (Você mexeu no meu celular?)

- Désolé, je suis allé voir l'heure et j'ai vu la photo. (Desculpe, fui ver a hora e vi a foto.)

Marie estava olhando o celular e a foto.

- Vous aimez vraiment cette fille? (Gosta mesmo dessa garota?)

- Oui. Elle est la bonne personne, mais il est venu au mauvais moment. (Sim. Ela é a pessoa certa, mas apareceu na hora errada.)

 

Vitória estava esperando uma resposta pela foto que enviou para Marie, mas ela não respondeu. Com o silêncio da francesa, Vitória desistiu de viajar até Versalhes para encontrá-la. Sentiu que precisava de um tempo sozinha, sem relacionamentos, afinal estava em um momento ruim para começar a se relacionar, ainda sentia-se estranha com o fato de ter dormido com Amanda e se sentir apaixonada pela Marie. Com esses sentimentos embaraçados voltou a procurar um emprego na cidade e resolveu se aquietar e tentar entender o que se passava em seu coração.

 

Charlotte insistiu para ficar, mas depois que jantaram, Marie mandou-a embora, queria ficar sozinha. Olhou a foto de Vitória novamente, mas sentiu-se estranha, além de excitada sentiu que era melhor se afastar daquele corpo sedutor. 

 

Na segunda-feira, Marie pediu transferência para a matriz do jornal em Paris, queria recomeçar sua vida longe de Charlotte e sem Vitória, seu chefe aceitou o pedido de transferência e na mesma semana mudou-se.

 

Vitória conversou com algumas empresas e conseguiu um novo emprego na capital, Salvador. Apagou as fotos que tinha com Marie do celular, salvou-as em uma pasta escondida no computador para recordar futuramente, mas tirou-as do celular, pois estavam lhe dando saudade e uma enorme vontade de voltar a falar com a francesa.

 

Na capital francesa, conhecida como a cidade do amor, Marie procurou esquecer da brasileira. Tentou se divertir com os pontos turísticos e com as baladas, mas estava difícil não se lembrar de Vitória, várias vezes pegou o celular na mão e acabou desistindo de mandar mensagem.

 

As semanas se passaram, os meses se desenrolaram e mesmo querendo contato, as duas foram orgulhosas o suficiente para manter o silêncio. Um silêncio que prevaleceu e calou os sentimentos das duas, sem fazer com que eles desaparecessem.

 

Toda sexta-feira Marie passava em uma cafeteria para tomar uma taça de vinho Pays d’Oc com um prato de cocotte de filet mignon de porc aux champignons (lombo de porco com cogumelos) e observar os turistas passeando pela cidade mais romântica da cidade. Muitas vezes ouvia casais conversando em português e sentia saudade de sua morena.

 

O trabalho como guia turístico, muitas vezes, fazia com que Vitória interagisse com franceses falando a língua nativa deles, pois não entendiam muito do português. E isso lhe cortava o coração, pois se lembrava de Marie. 

 

O que se passava no coração das duas somente elas sabiam, Vitória não falou mais sobre Marie com Rosângela e Marie nunca comentou sobre Vitória com sua nova colega de trabalho. As duas sofriam em silêncio, um silêncio orgulhoso e desnecessário, poderiam conversar e tentar acertar a situação, mas não queriam dar o braço a torcer. 

 

Em um final de semana em Ilhéus, Vitória saiu com Rosângela para colocarem as fofocas em dia. Sentaram em uma mesa na calçada e pediram uma garrafa de cerveja.

- Como está a capital? - perguntou depois de se sentarem.

- Na mesma. - Vitória disse mau-humorada.

- Nossa, que bicho lhe mordeu? - zombou.

- Estou tentando esconder meus sentimentos pela Marie há meses, tentando esquecê-la e não falar dela com você, mas está sendo difícil. - disse chateada.

- E por que não entra em contato?

- Pra quê? Mandei uma foto seminua e ela não me respondeu. - disse brava.

- Entra em contato, quebra o silêncio, diga o que sente, pare de se torturar pensando o que está acontecendo, às vezes ela está na mesma situação que você, querendo falar, mas se privando. - disse Rosângela entregando-lhe o celular.

Vitória pegou o celular e ficou segurando-o.

- Pare de ser besta. - disse Rosângela. 

Vitória digitou uma mensagem “Tu me manques, pouvons-nous parler à nouveau?” (Sinto sua falta, podemos voltar a conversar?), mas não enviou. 

- Vamos mudar de assunto e beber mais um pouco, quem sabe até o fim da noite você não envia essa mensagem. - Rosângela riu.

Vitória riu bebendo um gole de cerveja. 

Conversaram sobre as festividades de fim de ano que se aproximavam e sobre as expectativas para o próximo ano. Mais alguns assuntos depois Vitória foi ao banheiro e Rosângela pegou o celular e enviou a mensagem para Marie.

 

Marie estava em seu apartamento, seu celular apitou avisando de nova mensagem e quando viu de quem era gelou. Leu a mensagem e ficou sem ar, queria responder, ligar, falar que a amava, mas não fez nada disso, continuou parada olhando o celular sem reação. Depois de pensar, respondeu “Je ne suis pas prêt à vous parler à nouveau. Je suis encore blessé.” (Não estou pronta para voltar a conversar com você. Eu ainda estou magoada.).

 

Ao voltar do banheiro e ver o que sua amiga tinha feito ficou com raiva e vontade de chorar. Mostrou a resposta para Rosângela.

- Pelo menos você tentou.

- Eu? Você não devia ter mandado a mensagem. - disse brava.

- Por que não?

Vitória não respondeu e ficou chateada com a resposta de Marie e a invasão de Rosângela.

 

Marie reviveu seus momentos com Vitória em seus pensamentos e fez com que ela quisesse mudar sua resposta, mas agora era tarde para desfazer o envio. Pensar em Vitória sempre lhe acendia algo estranho em seu corpo, seu sexo respondia pulsando sempre que se lembrava do corpo da morena sobre o seu. Deixou o pudor de lado e escreveu outra mensagem para Vitória “Apesar de estar chateada e me sentindo traída, ainda penso em você. Ainda quero você sobre o meu corpo, quero sua mão me explorando e quero sua boca na minha.” Leu o que escreveu e apagou quase tudo, deixando apenas a primeira frase “Apesar de estar chateada e me sentindo traída, ainda penso em você.” 

 

Vitória recebeu a mensagem quando já estava deitada na cama na casa de Rosângela, sorriu com a mensagem e respondeu “Vous dites que vous me pardonnerez de prendre le premier avion en France.” (Diz que me perdoa que pego o primeiro avião para a França.)

 

Marie não respondeu, sentiu-se pressionada pela mensagem e preferiu o silêncio como resposta.

 

Depois dessa tentativa de comunicação Vitória ficou chateada e desistiu de tentar um diálogo maduro com Marie, se ela queria silêncio, era isso que teria. Apagou o número do celular de Marie da sua lista de contatos e seu e-mail também.

 

O fim de ano chegou e as festas comemorativas também, ambas não estavam em clima para festa e passaram o mês de dezembro fugindo de encontros e jantares de confraternização.

 

Após o começo do ano, em meados de janeiro, Vitória foi transferida para outra unidade da agência de turismo onde trabalhava, mudou-se para o Rio de Janeiro e por lá iria ficar até segunda ordem da empresa, achou maravilhosa a mudança, afinal amava aquela cidade e o carnaval se aproximava. A empresa era conveniada com um hotel onde Vitória iria morar nesse período que estaria na cidade, caso decidissem que ela ficaria mais do que dois meses, iriam alugar um apartamento para ela. O hotel, por coincidência era o mesmo onde ela tinha passado o carnaval passado, onde havia conhecido Marie, onde seu coração tinha ficado parado por um ano. Ao voltar no hotel, sentiu seu coração sendo esmagado pelas doces lembranças do ano anterior. 

 

O carnaval finalmente chegou, o hotel estava lotado e a sua agenda também, pois iria acompanhar um grupo de turistas durante os cinco dias de folia. No primeiro dia iria mostrar a cidade e alguns pontos turísticos, todos entraram no ônibus enquanto ela conversava com o motorista sobre o roteiro. Subiu depois de todos e pegou a lista para conferir a presença do grupo. Chamou, nome por nome, a maioria era francês, parou quando viu Marie na lista, mas ao dizer o nome outra moça se apresentou, deixando-a inconformada.

 

Depois de passear com o grupo de turistas, voltou ao hotel, mesmo cansada colocou um biquíni para relaxar um pouco na piscina. Sentada na beira da piscina relembrou do seu primeiro beijo em Marie e desejou que ela estivesse ao seu lado.

 

Marie não ia viajar, tinha decidido que ia passar o carnaval em casa, sozinha. Porém comprou uma passagem para o Rio de Janeiro, queria aproveitar o melhor carnaval do mundo, consertar seu coração magoado. Desembarcou no aeroporto logo cedo e pegou um táxi para o hotel, o café da manhã estava começando a ser servido e o gerente do hotel disse para ela ir se servir depois acertavam os outros detalhes. Foi até a cafeteira e serviu-se de uma xícara de café, estava de costas para o salão e quando foi se virar trombou em alguém que estava passando derrubando a xícara no chão, por sorte o café quente não acertou em ninguém.

- Désolé. - Marie disse envergonhada abaixando-se para pegar os cacos da xícara. (Desculpe.)

- Désolé de vous tromper. Tout va bien? - disse a pessoa se abaixando também. (Desculpe esbarrar em você. Está tudo bem?)

Reconheceria aquela voz em qualquer lugar, olhou para a moça ajoelhada na esperança de ver Vitória na sua frente, mas era apenas uma francesa qualquer. Enganou-se, pois Vitória ainda morava em seus pensamentos. Levantaram-se e um garçom veio ajudá-las com a sujeira. Marie afastou-se decepcionada.

 

No fim do dia estava pedindo uma caipirinha no bar da piscina e ao sentar-se na beira da piscina lembrou de Vitória e do primeiro beijo que trocaram. Estava distante e quando alguém sentou-se ao seu lado não olhou, continuou pensando na baiana. 

- Est-ce que tu viens toujours ici? - uma voz lhe chamou de volta. (Você vem sempre aqui?)

Ainda perdida olhou para a pessoa que estava sentada do seu lado. Um sorriso encantador, uma cor de pele perfeita e um cheiro doce e suave, era Vitória ao seu lado.

- Vitória! - assustou-se.

- Marie. - sorriu-lhe.


Notas finais:

Aguardo comentários! ;)

Para me conhecer melhor, entre no meu blog:
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Comentários


Nome: rhina (Assinado) · Data: 06/09/2017 16:46 · Para: Capitulo 13

 

Olá 

Boa tarde

Cristo meuuuuu.........Que massa....

adorei.....amei....

Real. ...

verdadeiro. .....

necessário. ....

rhina



Resposta do autor:

Olá, Rhina, tudo bem?

Que bom que gostou.

Um abraço,
Alice Reis
oamordealice.com.br



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 02/09/2017 12:45 · Para: Capitulo 13

Seray que elas  conseguirão recomeçar depois de tanto tempo e tantas magoa aguardando cenas do próximo capítulos



Resposta do autor:

Olá, Tereza, tudo bem?

Vamos ver, né?! :)

Um abraço,
Alice Reis
oamordealice.com.br



Nome: cidinhamanu (Assinado) · Data: 30/08/2017 19:24 · Para: Capitulo 13

Olá Dr@, tudo bem?
Nossa! Que lindo e triste ao mesmo tempo esse amor!
Vamos ver como isso vai acabar.
Parabéns! *-*
Cidinha.



Resposta do autor:

Olá, Cidinha, tudo bem?

Veremos semana que vem!

Um abraço,
Alice Reis
oamordealice.com.br



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 30/08/2017 17:33 · Para: Capitulo 13

Quanto sofrimento,mas talvez elas precisassem desse tempo longe. Será que agora, vai? Bjs



Resposta do autor:

Olá, Patty, tudo bem?

Espero que sim, rsrs.

Um abraço,
Alice Reis
oamordealice.com.br



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