Sunshine: esperança. por femarques


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CAPÍTULO 12:

SCOUTT

 

“Parem de encher o meu saco, meu chefe me ama.”

            “Que mentira, ele só te liberou porque você mentiu que passaria o dia trabalhando no seu livro, e isso rende uma boa grana para ele.” Jeremy deu risada enquanto ele e os outros tiravam sarro por eu ter faltado ao trabalho nessa segunda-feira e ter passado o dia com eles.

            “Está tudo bem, parem de ser chatos.”

            Megan falava algo sobre eu ser folgada e me comportar como nos velhos tempos por faltar ao trabalho enquanto entrávamos no antigo café da faculdade, o ponto que sempre nos encontrávamos depois das aulas, quando vi Mea sentada em uma mesa ao fundo falando ao celular.

            Parei de andar, ainda rindo automaticamente de Megan, murchando minha expressão aos poucos conforme observava Mea parar de falar ao telefone, juntar suas coisas e se levantar. Ela andou até a porta e passou por nós, com os olhos que eu conhecia tão bem avermelhados por, provavelmente, ter chorado. Sorriu para o Jeremy que gritava feito um adolescente por ela, sorriu para mim como quem se desculpa por estar no mesmo local que eu, me vendo com Megan e provavelmente não entendendo nada, e saiu porta afora.

            Respirei fundo, puxando o ar que me faltava nos pulmões e levei as duas mãos até a cabeça, passando meus dedos por entre os fios do cabelo, colocando-os para trás.

            “Vai falar com ela.” Megan sugeriu baixinho, espantada e com medo de sua própria sugestão.

            Concordei com a cabeça, ainda sem saber como agir e fui atrás de Mea. A vi andando apressada pela calçada em direção a saída do campus e corri até ela.

            “Mea! Espera!”

            Ela olhou para trás e negou com a cabeça, andando ainda mais depressa. Quando finalmente a alcancei e consegui a segurar pelo braço, pude ver seus olhos avermelhados de perto, o vento soprando contra a pele dela e deixando no ar o aroma de seu perfume adocicado, embriagando a saudade já existente em meu peito, me fazendo perder os sentidos por alguns segundos.

            “O que foi?”  Mea perguntou, claramente irritada, enquanto eu a observava hipnotizada e emudecida.

            “Não é o que você pensou.”

            “Eu não pensei em nada e você não me deve nenhuma explicação. Está tudo bem.”

            “Não, eu quero te explicar.”

            “Scoutt, você pode se envolver com quem quiser.”

            Levantei as mãos para o céu e neguei com a cabeça, bufando. “Pelo amor de Deus! Somos amigas, eu e ela somos amigas, nos acertamos e ela reconhece o erro. Aliás, ela quem me mandou aqui...”

            Fui cortada no meio de minha frase por meu celular que começou a tocar e a vibrar no bolso de minha calça.

            “Atenda, tudo bem.”

            Respirei fundo e puxei o celular do bolso, atendendo antes de ver quem era.

            “O que foi?!”

            “É Tina. Tudo bem, Scoutt?”

            Olhei para Mea e mostrando a ela meu dedo indicador, sinalizei um pedido de espera. Me virei de costas para Mea antes de começar a falar com Tina.

            “Oi Tina, tudo bem e você?”

            “Tudo certo. Scoutt, como a Mea está em Seattle o sr. Hole pediu que ela se encontrasse com seu chefe, você e Joan para apresentar a ele as propostas que já temos, principalmente a de Joan que está quase pronta.”

            “Ah, sério? Tudo bem.”

            “Sim, vai ser bom que nossas empresas se comuniquem assim, penso que trará mais confiança ao seu chefe. É mais uma formalidade, além de adiantar o trabalho de te trazer até aqui.”

            “Você sabe que é um prazer estar em Chicago, Tina.”

            “Eu sei.” Ela deu uma risada baixa antes de prosseguir. “Você continuará vindo até aqui para terminarmos o projeto. A reunião está marcada para quarta-feira, cinco horas da tarde. Mea já foi avisada.”

            “Tudo bem. Tina, preciso desligar.”

            “Até mais, Scoutt.”

            Desliguei a chamada do celular e coloquei-o no bolso enquanto me virava para voltar a falar com Mea, mas ela não estava mais ali. A calçada vazia era tudo o que eu tinha. Olhei em volta e não vi Mea em lugar algum, que deve ter aproveitado o tempo em que fiquei ao telefone para fugir de mim e de minha explicação.

            Voltando para dentro do café fiquei paralisada quando vi atravessando a rua uma morena alta, de cabelos negros na altura dos ombros. Um arrepio percorreu meu corpo, fechei as mãos em punhos e meus dentes cerraram de raiva.

            “Ei!”

            Quando gritei a mulher correu mais rápido e dobrou uma esquina, sumindo entre os prédios do campus. Passei as mãos nos cabelos enquanto respirava fundo e tentava me acalmar, querendo acreditar que aquela pessoa não era quem eu achava.

            Fui até a mesa dos meus amigos, me sentando ao lado de Victor, que foi o primeiro a se pronunciar.

            “Parece que viu um fantasma, está mais pálida.”

            “Não, estou bem.” Respondi sem encarar nenhum deles nos olhos para que não vissem quão assustada eu estava.

            “Deu tudo certo com sua amada?”

            “Não, não deu nada certo, mas vamos nos ver quarta-feira e espero conseguir falar com ela.”

            “Vai dar tudo certo, Scoutt.” Megan sorriu para mim depois de falar.

            “Obrigada, Megan. Mas e você, não está saindo com ninguém?”

            “Ainda não, mas eu vou.” Ela sorriu para mim tentando esconder ainda a decepção de finalmente perceber que não teríamos nada sério.

            “Já pensou para onde vai se mudar?” Jeremy se intrometeu como sempre.

            Franzi o cenho para ele e neguei com a cabeça. “Pensei nisso hoje e você já quer um endereço? Calma. Quero algo no centro, ou quem sabe em Chicago.”

            “Primeiro precisa reconquistar a menina, depois ir para Chicago.”

            “Que seja.” Dei de ombros e abri um sorriso, pensando na possibilidade disso se concretizar, por mais que demore.

            Depois de matar o tempo naquele café, voltamos para o campus e, enquanto todos subiam para o apartamento de Megan, eu ia sozinha para o meu. Coloquei um cigarro na boca, sem acendê-lo, e subi as escadas devagar, usando o tempo que perderia ao invés de ir de elevador para pensar em Mea e nas besteiras que ela devia estar imaginando. Às vezes sentia como se fosse uma luta já perdida, como se eu estivesse me enganando de que um dia conseguiria seu perdão e todo seu amor de volta. Se queria lutar por ela, precisava de seu número novo de celular também. Subindo devagar os degraus, mandei uma mensagem de texto a Tina.

            “Tina, querida, me passe o número de celular da Mea. Nunca vou contar a ela que foi você.”

            Sem demorar muito fui respondida com um número e um pedido de sigilo. Sorri sozinha, satisfeita com minha conquista.

            Assim que cheguei no andar do apartamento vi meu pai batendo na porta, com os cabelos castanhos claros se misturando a fios brancos, ele parecia cansado.

            “Pai!”

            Meu pai se virou assustado ao me ouvir chamá-lo, mas logo abriu um sorriso largo ao me ver.

            “Não estava em casa?”

            “Não, cheguei agora.”

            Tirei o cigarro dos lábios para abraçá-lo e beijá-lo antes de abrir a porta. Voltei o cigarro na boca e dessa vez o acendi, dando uma tragada longa.

            “Tudo bem, pai?”

            Fomos até a sala, onde nos sentamos em poltronas de frente uma para a outra.

            “Sim, só estava com saudade e quis vir te ver.”

            “Tudo bem, eu estou bem.” Dei um sorriso sincero, tentando tranquilizá-lo. Acho que nunca em tanto tempo eu pareci, e estive realmente, tão bem em relação aos meus fantasmas, e queria que meu pai pudesse perceber isso.

            “Eu vejo que está e fico feliz por finalmente ter conseguido.”

            “Sim, as coisas vão se ajeitando.”

            “Eu queria te contar uma coisa séria, filha.”

            Dei de ombros seguida de outra tragada no cigarro. “Eu também quero, quer começar?”

            “Não, pode falar. O que houve?”

            Me inclinei para a frente e comecei a falar em um tom de voz mais baixo, como se contasse um segredo. “Acho que vi Lizzie na rua hoje.”

            “Seguindo você?” Meu pai deu um pulo do sofá e começou a andar de um lado para o outro, mostrando-se preocupado.

            “Calma! Eu não sei se estava seguindo a mim ou a Mea. Acho que era ela, eu nem sei. Podia ser qualquer pessoa, só era parecida.”

            “Mea? Vocês estavam juntas?”

            “Não, pai. Encontrei com ela na rua e então depois que ela foi embora, acho que vi a Lizzie.”

            “É melhor avisarmos o detetive. Se ela apareceu e está seguindo vocês...Scoutt, isso é perigoso.”

            “Eu sei, eu sei!”

            “Você avisou a Mea?”

            “Não quero preocupar ela com isso. Nós duas já não estamos tão bem.”

            “Eu nem sabia que você estava falando com ela.”

            “Como não? Eu contei sobre Chicago. Desde então estou tentando me aproximar dela, ainda sinto o mesmo por ela.”

            Meu pai respirou fundo e voltou a se sentar, esfregando as mãos no rosto. “Scoutt, avise o detetive.”

            Revirei os olhos, dei uma última tragada no cigarro antes de jogá-lo no cinzeiro na mesa de centro entre os sofás, peguei meu celular no bolso da calça e disquei o número do detetive Clark, que não demorou muito para atender.

            “Pois não?”

            “Detetive Clark?”

            “Sim, quem gostaria?”

            “É Emma. Emma Scoutt.”

            “Ah, sim. Oi, Emma. No que posso ajudar?”

            “Acho que vi Lizzie Anderson me rondando hoje dentro do campus da US.”

            Escutei barulho de coisas caindo e a respiração dele mudou do outro lado da linha. Sei que a mãe de Mea não deixou barato para ele por não ter encontrado Lizzie depois que ela desapareceu, portanto, uma notícia como essa deve deixá-lo preocupado.

            “Tem alguma descrição?”

            “Apenas o cabelo parece ter crescido na altura dos ombros. Mas não sei se era ela mesmo, meu pai que insistiu que eu ligasse.”

            “Não, fez muito bem, Emma. Vou colocar um alerta sobre ela de novo. Obrigado por ter avisado.”

            “Eu que agradeço.”

            Desliguei a chamada e olhei para meu pai, arqueando as sobrancelhas.

            “Sim, estou satisfeito.”

            “Agora sua vez, o que queria me dizer?”

            Meu pai se ajeitou na poltrona e negou com a cabeça, fazendo um biquinho com o lábio inferior. “Não é nada, eu esqueci.”

            “Tem certeza?”

            “O que acha de cozinhar aquele macarrão que você adorava quando era criança enquanto você me conta como vão as coisas com a Mea? E aproveita para me explicar o poder dela para te ajudar tanto assim.”

            Comecei a rir junto com meu pai e nos levantamos do sofá, andando em direção a cozinha. Peguei duas garrafas de cerveja enquanto ele pegava os utensílios necessários para começar a cozinhar.

            “Mea não tem poder sobre mim, pai. É só a paciência, o carinho...tudo.” Suspirei e dei de ombros. “Não é que sua ajuda nunca valeu de nada, pai. Mas eu sinto que mereço ela, mas preciso melhorar para isso, e não tem nenhuma outra mulher no mundo que eu queira mais do que ela. Fui idiota de achar que ela me trataria diferente se soubesse que fui abusada sexualmente, mas hoje eu vejo que isso só nos uniria ainda mais. Eu vou provar a ela que mudei, que consigo entender mais coisas.”

            Meu pai abriu um sorriso largo e deu um gole na cerveja, estendendo-a em minha direção depois para brindarmos. “Minha filha tão apaixonada.”

 

            Caímos na risada e passamos a noite assim, falando de Mea, de meu passada, minha infância, e cozinhando. 

Nome: Ada M Melo (Assinado) · Data: 30/12/2015 20:43 · Para: Capitulo 12

a Mea não gostou da reaproximação da Megan ela foi escrota demais, pra scoutt andar de amiguinha com ela..



Resposta do autor em 11/03/2016:

Oi! 

Megan no fundo sempre foi uma boa amiga, só resta que a situação dela com Scoutt seja resolvida.

Beijos, obrigada por ler!



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