Desejo e loucura por Lily Porto


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Clara

Encontrar ele ali daquela forma era tudo o que eu não precisava naquele momento. Segurei o braço de minha amiga, que ja estava com os olhos faiscando de raiva.

– Calma Liu, eu vou resolver isso.

– Se quiser o tiro daqui a pontapés.

Olhei pra ela assustada enquanto perguntava: – Desde quando você ficou violenta assim?

– Desde que o paspalho ali, – apontou para o Alex – te largou no altar.

– Nada de agressão. Já cansei dessa história, só quero colocar um ponto final nela de uma vez.

Meus pais perceberam os nossos cochichos e olharam para trás. Meu pai inspirou fundo e minha mãe veio ao meu encontro, me abraçou perguntando:

– Como você está filha? Estava preocupada contigo.

– Eu tô bem mamãe. Desculpa ter sumido ontem, não queria te deixar aflita. Soube que a senhora foi parar no hospital por conta disso, perdão – disse envergonhada.

– Não se preocupe com isso. O importante é que você está bem, e aqui conosco! – olhou para a Lívia – Obrigada por trazê-la.

– Por nada dona Cássia! – sorriu.

Me desvencilhei dos braços dela com a chegada repentina do Alex se ajoelhando aos meus pés.

– Eu te amo meu amor, me perdoa, me perdoa por favor – chorava e falava ao mesmo tempo grudado as minhas pernas.

– Levanta daí Alex.

– Não, não vou levantar enquanto você não me perdoar. Eu te amo, me perdoa.

– Levanta! – disse séria.

– Não. Me perdoa meu amor. Eu te amo!

– Levanta, já falei.

– Eu também já falei, enquanto você não me perdoar, eu não levantarei daqui.

– Então solta as minhas pernas, porque você vai ficar ai eternamente.

Percebi a tensão se instalar na sala. Minha mãe ficou estatelada. Meu pai e os pais dele que ainda estavam sentados, levantaram vindo em nossa direção.

– Você não vai me perdoar?

– Clarinha, vocês não querem usar o escritório para resolver essa situação? – meu pai perguntou de forma ponderada.

– Não papai, não tenho nada para conversar com ele.

– Desculpa Clara, mas não acha que está sendo dura demais com o meu filho? – dona Iolanda perguntou se aproximando ainda mais de mim.

– Com todo respeito, mas, não entendi bem o porquê de vocês estarem aqui hoje.

– Viemos acompanhar o Ale, ele nos ligou ontem desolado, dizendo que tinha te perdido porque acabou bebendo demais, e os amigos o trolaram com uma brincadeira boba, quando atenderam a sua ligação.

– Então foi essa mentira que contou aos seus pais Alex? Quer dizer, que seus amigos te trolaram.

– Sim meu amor. E expliquei tudo pra você nos vídeos que enviei. Você não viu?

– Não perdi meu tempo assistindo nenhum deles.

– Clarinha! – papai disse sério.

Já estava impaciente com aquilo. Eu só queria que ele fosse embora. E não olharia mais em sua cara depois que passasse por aquela porta.

– Por que está tratando o meu filho assim? Ele te ama, e é nítido que você também o ama. O que ele fez não foi certo, mas o amor supera tudo.

A muito custo consegui solta-lo de mim. Lívia ao meu lado balançou a cabeça dizendo rapidamente:

– Se precisar de alguma coisa me chama. Eu vou indo, essa conversa não me cabe. – encarou o Alex com desdém, beijou meu rosto e se despediu dos meus pais com um aceno de mão.

Minha amiga nunca tolerou o Alex, ela sempre disse que algo nele era falso. Eu apenas ria, e evitava o máximo impor a presença dele a ela. Coisa que sempre foi fácil, afinal, quando ela sabia que eu estaria com ele, sempre sumia. Nunca entendi muito bem aquela antipatia, que a pouco descobri ser mútua. O Alex tinha ciúme da Liu, ele dizia que ela me queria como namorada, e por isso não o suportava.

– Meu filho, levante, por favor!

– Não mãe. Só levantarei quando a Clara me perdoar.

– Eu não tenho o que perdoar. Você fez a sua escolha. A única coisa que posso fazer, é aceitar e seguir a minha vida.

– Que escolha? Eu te amo, me perdoe por ter te magoado no dia do nosso casamento. Mas eu posso reparar esse erro, se quiser vamos ao cartório agora mesmo e casamos.

As lágrimas banhavam seu rosto, minha vontade ainda era casar com ele. Mas aquelas fotos não saiam da minha mente!

– Eu ainda te amo Alex, mas o que fez, não me inspira confiança nenhuma de casar com você.

– Mas eu não fiz nada. Foi apenas um mal entendido.

– Clara, escute o que o meu filho tem a dizer. Vocês precisam conversar a sós.

– Não tenho nada pra conversar com ele, dona Iolanda.

– Clara, eu te amo meu amor. Me escuta!

– Escutar o que? – perguntei irritada – Que as fotos que a sua namorada me enviou são falsas? Que tudo o que ela disse é mentira? É sobre isso que quer conversar?

– Que história de namorada é essa Alex? – seu pai que até então estava calado perguntou. – Vamos, explique essa história.

– Você não contou? – perguntei irônica.

– Não tem nada disso pai. – levantou passando as mãos no rosto para secar as lágrimas e nos joelhos. – É melhor conversamos a sós Clara.

O tom de voz dele tinha mudado, ele sempre respeitou muito o pai e detestava decepcioná-lo. O pai era militar aposentado, e fez questão de ensinar os melhores valores ao filho. Como eu já estava na chuva, ia terminar de me molhar, ele armou o circo, mas não contou com o meu espetáculo, não sou fã dessas coisas, mas estou com raiva, e não tenho mais nada a perder, que Deus me proteja:

– Agora vamos conversar aqui. – falei o desafiando com o olhar – Seu Bernardo, creio que o seu filho tenha esquecido de contar algumas partes da história. Além de mim, ele tem um outro relacionamento, o qual mantem a pouco mais de 6 meses. E que eu descobri ontem, quando liguei para ele da igreja, e a moça atendeu.

– Mas, como assim? Explique-se Alex.

– Pai, eu... é... – gaguejou.

– Pode deixar que eu explico. Não quero fazer vocês perderem mais tempo aqui, e como podemos ver, o Alex teve uma crise de gagueira.

A mãe dele me olhava com um misto de surpresa e raiva, algo me dizia que ela sabia alguma coisa sobre aquela história do tal namoro. E a surpresa dela era apenas pela minha postura no momento, pois bem, mandei a minha educação para longe naquele momento.

– Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? – ele olhava de mim para o filho sem entender.

– Vamos sentar gente, não tem porque ficarmos aqui no meio da sala em pé. – fui me dirigindo ao sofá – Mamãe, pede a Marta por favor, para servir um café pra gente.

Nem preciso dizer como a dona Cássia me olhou, preferi não me abater com a cara de repreensão dela. Meu pai passou a mão nos cabelos e acompanhou os pais do Alex, esse ficou parado onde estava, enfiou as mãos nos bolsos e fitou um ponto qualquer da parede. Mas eu estava com muita raiva dele, e queria atingi-lo de alguma forma.

– Clara, você pode explicar o que está acontecendo? – seu Bernardo perguntou visivelmente abalado.

– Alex, venha para cá. Precisamos explicar aos nossos pais o que aconteceu.

– Não tenho nada para explicar. Acho até melhor irmos embora. Foi um erro ter vindo aqui, você não tá bem.

Gargalhei: – Eu não estou bem? Você esquece do horário do nosso casamento, porque dormiu com a sua amante, e sou eu que não estou bem! Faça-me o favor Alex.

– Você está louca Clara, eu não tenho amante nenhuma!

– Ah, não tem! Certo.

Peguei meu celular que estava na bolsa e entreguei ao pai dele. A cada foto ele ficava mais surpreso. Vendo que estávamos calados, meu ex noivo foi até o pai. Quando olhou pra mim seus olhos estavam carregados de raiva.

– Você é uma louca. Como pode acreditar nessas baboseiras, essas fotos são montagens. Não vê que estão tentando nos separar?

– Me poupe das suas besteiras Alex, antes de tirar as minhas conclusões eu falei com a mulher, a qual você disse que era solteiro, mas que sua ex vivia lhe assediando, mas que ela não tinha porque se preocupar, porque você ia resolver isso. E outra, ela me mandou várias fotos de vocês juntos. E pra minha sorte, no arquivo que ela enviou consegui acessar as datas. E sabe de uma coisa, naquele final de semana que eu vim para cá, que você foi pra fazenda de um colega de trabalho, você estava com ela. Estão ai as fotos de vocês aos beijos na tal pescaria.

– Você não pode acreditar nisso. Essas fotos são montagens, além do mais essas datas não são confiáveis, podem muito bem ter sido alteradas.

– Claro que podem. Por isso ela me enviou várias conversas que vocês tiveram, tanto por e-mail, quanto pelo WhatsApp, os arquivos também estão ai seu Bernardo. Se quiser, eu mostro ao senhor.

– Não precisa Clara. Depois dessas fotos, não preciso ver mais nada.

– Pai, eu posso...

O pai o interrompeu dizendo bravo: – Não pode nada Alex, a única coisa que você deve fazer é se desculpar com a Clara, ela não merecia essa sua canalhice. E está certíssima em não querer você de volta. Não tem porque ela casar com um cafajeste como você, onde está o seu caráter? Eu tenho vergonha do homem que se tornou.

– Não seja tão duro com o garoto Bernardo. – a mãe o abraçou, tentando evitar a bronca do pai.

– Pare de trata-lo como se fosse uma criança. Ele errou, e muito. Onde já se viu manter um relacionamento com duas mulheres. O adultério é um pecado em qualquer tipo de relação. – se dirigiu a mim e meus pais – Peço que desculpem o transtorno, estou imensamente envergonhado pela atitude do meu filho. – segurou minha mão – Desculpa Clara, você é uma boa moça, merece alguém que lhe trate como realmente merece. Com licença. – olhou para a esposa e filho dizendo: – Vamos embora, já passei vergonha demais por sua culpa Alex.

Meu pai os acompanhou até a porta. Alex e dona Iolanda saíram sem nem olhar na minha cara. Não sei dizer a vocês se o que fiz foi o melhor, mas eu precisava falar e extravasar a minha raiva. Fui para o meu quarto, aquela conversa me deixou cansada, mas meu cansaço não era físico, e sim mental. Me joguei na cama e fiquei pensando em tudo o que tinha acontecido até ali, adormeci...

– Amor, fala comigo, não sai assim! Me escuta por favor.

– Não tem porque eu te escutar. Já vi tudo o que aconteceu aqui.

– Me escuta, por favor.

Levei a mão ao rosto e virei dizendo nervosa: – O que você quer?

– Me escuta, – segurou minhas mãos – não é nada do que você tá pensando.

– Já dispensou a fedelha? – sorriu debochada – Ela não é mulher pra você!

Olhei irritada para aquela mulher intragável, dizendo com pesar ao amor da minha vida – Não tem como eu acreditar em você, não depois de encontrar aquela mulher assim, – apontei para ela encostada a parede do corredor, ainda semi nua – na nossa casa!

Me olhou sentida e passou a mão no rosto afastando os poucos cabelos que ali estavam empatando sua visão. Acariciei seu rosto e me aproximei dela dizendo:

– Eu te amo, mas a sua história com ela ainda não terminou.

– Eu amo você Clara, não faz assim. Foi apenas um mal entendido. Me deixa falar.

As lágrimas banhavam seu rosto. Minha vontade era ficar ali e resolver toda aquela história. Algo em mim sabia que ela não tinha me traído, mas os fatos mostravam o contrário e caso continuasse em casa, faria alguma besteira com aquela vadia dissimulada, que ainda sorria me desafiando.

– Outro dia a gente conversa, hoje não tenho cabeça para isso! – deu um beijo em sua bochecha.

– Não vai Clara, não vai, por favor! Não me deixa.

Sai fechando a porta, mas ainda escutei seus gritos me pedindo para voltar. Porque aquela mulher tinha que infernizar tanto as nossas vidas. Porque?

Acordei ofegante, sonho mais louco. Fui ao banheiro e lavei o rosto. Deitei, e novamente apaguei.

– Clara, vem comigo.

– Pra onde?

– Vem amor, não pergunta nada. Ela já está voltando.

– Quem?

– Vem, eu te explico depois. Só me acompanha, por favor!

Olhei confusa para ela que tentava me conduzir por um corredor, corremos com muito sacrifício, parando em um jardim.

– Então vocês estão aqui! – gargalhou – Assim será melhor, evitará a sujeira na minha casa.

– Deixa ela em paz, seu problema é comigo.

– Segure ela, – ordenou ao homem que a acompanhava – agora acertaremos nossas contas.

Ouvi um barulho, e uma dor aguda se instalou em meu corpo. Eu estava sangrando, mas de onde estava vindo aquele sangue todo? Minhas pernas, não estou sentindo elas...

– Clara, não... Clara... Sua louca, você a matou.

– Não, minha filha, não... – tentei gritar mas não ouvi a minha própria voz.

– Não, socorro, não... – acordei gritando e suando, procurando o sangue na minha cama.

A porta do quarto foi aberta e alguém perguntou preocupado: – Clara, o que tá acontecendo?

– Liu, mas... – coloquei a mão nos olhos, a claridade estava incomodando.

– Porque gritou, o que você tem?

Olhei mais uma vez para o lençol procurando vestígios de sangue. O mesmo estava branco como a neve – Nada Liu, eu... eu estava sonhando. – levantei prendendo o cabelo, ainda assustada com a quantidade de sangue que tinha visto no sonho – O que faz aqui?

– Seus pais saíram, e me pediram para ficar aqui. Eles disseram que desde a saída do Alex você se trancou no quarto, nem saiu para almoçar.

– E porque a preocupação, que hora é essa?

– São exatamente 19h30, senhorita!

– Já?

– Sim, por isso a preocupação. Eles foram a um evento do banco, por sua mãe ela não iria, mas seu pai não quis deixa-la aqui, afinal, ele ainda está preocupado com as duas. E ficou com medo de que ela sentisse alguma coisa enquanto o bebezinho deles dormia.

– Para de graça, eu apaguei! Estava cansada, nem me dei conta que tinha dormido tanto assim.

– Você precisava descansar mesmo. Agora toma um banho, vamos sair para jantar. Cansei de ficar enfurnada em casa assistindo TV.

Cerca de quarenta minutos depois saímos da casa dos meus pais, o céu estava estrelado e resolvemos ir andando até o restaurante.

– Não tô a fim de agitação hoje!

– Só vamos jantar, hoje ainda é terça. Não tem porque eu ir fazer farra hoje, se é o que está pensando.

– Te conhecendo como conheço, não me espantaria se quisesse me arrastar pra alguma balada hoje.

– Balada, eu? – gargalhou – Nunca nem ouvi falar!

– Me engana que eu gosto!

– Por que me tomas Clara Vidal? – me olhou desafiante enquanto o garçom anotava os nossos pedidos.

– Por nada Lívia, por nada!

– Ah, pensei. – sorriu – Agora diz ai, com o que sonhou pra ter acordado gritando daquele jeito? Achei que estavam te espancando.

– Não lembro muito bem, mas acho que foi com a minha esposa, ou namorada, não sei ao certo.

Ela se engasgou com o chopp que bebia e ficou muito vermelha, depois de alguns minutos tentando ajuda-la, ela me olhou com o rosto e os olhos ainda vermelhos, perguntando incrédula:

– Com quem?

– Você ouviu Lívia, não vou repetir. Vai que você se engasga novamente – sorri da careta que ela fez.

– Boba, – tossiu – conta mais desse seu sonho.

– Não lembro muita coisa – dei de ombros.

Ela balançou a cabeça e perguntou por fim: – Quem era a candidata ao cargo?

– Também não lembro.

– Aff! Tem alguma coisa que você lembra?

– Agora que perguntou, acho que estávamos brigando, e tinha mais alguém além de mim e ela, sem falar que só agora lembrei que foram dois sonhos distintos, em um a briga, e no outro estava fugindo de algum lugar, e em determinado momento estava em uma poça de sangue. – busquei mais lembranças do sonho na memória e encontrei um rosto, não podia ser, hesitei, mas a Lívia ficou me olhando com impaciência e disse rapidamente: – A nossa chefe!

– Oi, você estava tendo sonhos eróticos com ela? – sorriu de canto de boca.

– Não maluca! Ela estava no sonho, só não sei dizer se era a minha esposa, namorada, sei lá, ou o motivo da briga. E não foram sonhos eróticos.

– Sei! E como explica estar entre duas mulheres, em um sonho lésbico que você não se lembra dos detalhes. Você estava num ménage à trois? – perguntou arregalando os olhos.

– Para de loucura Liu. Já disse que não lembro com exatidão o que aconteceu nos sonhos, mas tenho certeza que não foi um ménage.

– Vai saber. Se as visitinhas da Ag em sonhos forem que nem na vida real, foram bem intensas.

– Me poupe dos detalhes do que você faz com ela entre 4 paredes, por favor!

– Me respeite Clara. Sabe muito bem que não sou de ficar contando vantagens, além do mais, depois desse seu sonho aí, vai que você quer pôr em prática, e eu perco a vez.

– Para com isso maluca. Cada ideia que você tem viu, faça-me o favor!

– Quer dizer que não acha a Ag atraente, é isso? Ou está duvidando que ela seja boa de cama?

– Ah vá! Me poupe Lívia.

– Responde, nada de fugir pela tangente. Mesmo porque, essa sua cara envergonhada ai, não me convenceu.

– Tá, a Agnes é sim uma mulher charmosa, mas isso não quer dizer que eu queira ir pra cama com ela.

– Só em acha-la charmosa, já é meio caminho andado – sorriu.

– Para com isso, nem vem com suas ideias malucas pra cima de mim.

– Ok, – levantou as mãos em sinal de rendimento – não está mais aqui quem falou. Ah, falando na Ag, a senhorita tem um compromisso na prefeitura na semana que vem.

– Como assim?

– Eles vão inaugurar alguma coisa, e mandaram um convite para a vinícola, seu Giovani me disse hoje.

– E porque eu tenho que ir?

– Você é a administradora da empresa, lêmure.

– Lá vem você com aquele bicho estranho.

Gargalhou: – Sabe que os amo. Mas o assunto aqui é a sua ida a um evento oficial, será realizado no teatro da cidade. E a senhorita irá com o seu Giovani. Melhor você, do que eu. Não vou com os cornos daquela Carolina. – disse debochada.

– O que menina? – gargalhei – Coisa mais antiga esse negócio de cornos, mas porque essa cisma com ela?

– Não sei. Sabe quando você não gosta de alguém de primeira? – balancei a cabeça em sinal afirmativo – Pois bem, assim foi com ela. Prefiro manter distância.

– Ah, então é por isso que quando a empresa precisa ser representada em algum evento da prefeitura, você sempre arruma um compromisso!

– Exato. Não gosto dela, e quanto mais longe posso ficar daquele ser, eu fico.

– Ela é amiga da Agnes, sabia! – disse passando os dedos na borda do copo.

– Oi? Conta isso.

– No dia que a Agnes chegou ela esteve na vinícola, e estava cheia de dedos com ela. Mas a nossa chefe foi meio fria na resposta que deu a primeira dama.

– E o que mais?

– Mais nada, eu sai de lá e deixei elas conversando.

– Não sabia disso! – apoiou o queixo sobre as mãos. – Mas até que faz sentido, o Cadu e a Ag são amigos a anos. Inclusive, muitos dos pedidos que fazia a ele, eram postados por ela. Nem sempre meus pedidos batiam com a entrega dos fornecedores do restaurante, e ele nunca disse não quanto aos meus pedidos fora de hora.

– Sabendo bastante da vida da sua “não namorada” você está, né!

– Para de sarcasmo. O Cadu me disse uma vez que tinha uma amiga que morava na Europa, que sempre o salvava para atender os pedidos de clientes como eu. Uni o útil ao agradável, e calculei que essa amiga fosse a Ag, depois de ver a afinidade que eles têm.

– Clientes chatas! E que não entendem que certos vinhos dão trabalho para serem encontrados. Ah, e com um “q” a mais no seu caso, afinal, trabalha em uma vinícola.

– Ei, para com isso!  – gargalhou dando um tapinha no meu ombro.

Assim terminamos de jantar e voltamos pra casa, no final das contas até que foi bom sair. Estava precisando rir, e a minha amiga conseguia fazer isso como ninguém.

Os dias que passei na casa dos meus pais foram de puro descanso, aproveitei para ler alguns livros, teria lido mais, se a Liu não inventasse de todos os dias me arrastar para algum lugar, para almoçar ou jantar. Por essa conta, li apenas dois “Virando o Jogo” e “Impulsos do Coração” ambos da Mônica de Castro.

Um dia antes da minha volta pra casa, estava no elevador rindo com uma piada boba que a Liu tinha feito, e do nada fiquei tonta...

– Clara... ei – estalou os dedos na frente dos meus olhos.

– Oi.

– O que você tem? Tá parecendo um papel.

Passei a mão no rosto estava suando frio, e senti um gosto amargo na boca, mas nem tinha consumido bebida alcoólica.

– Clara, fala comigo!

– Eu tô bem Liu, só preciso descansar.

– Tem certeza?

– Sim. Não se preocupa. – sai do elevador apoiando as mãos nas paredes.

Em casa tomei um banho rápido, e deitei. Já estava cochilando quando levantei assustada e corri para o banheiro, estava enjoada e suando muito, depois de quase meia hora colocando tudo para fora, sai e tomei um remédio para enjoo, pouco tempo depois adormeci.

Nesses dias com meus pais conversamos bastante sobre a minha decisão, meu pai deixou nítido que me apoiaria mesmo se em algum momento decidisse reatar com o Alex. Agora precisava enfrentar as consequências pôs “não casamento”, tinha que dar providência em fazer alguma coisa com aqueles presentes e aquela casa mobiliada, não quero ficar com nada que me lembrasse o Alex.

 

Notas finais:

Boa tarde meninas!

Clarinha deu a cara a tapa mesmo... rsrs. 

Obrigada pela companhia, bjs.



Comentários


Nome: Tekaxaviers (Assinado) · Data: 05/05/2018 02:48 · Para: Capitulo 12 - Clara: Conversa franca!

Grávida das circunstâncias, ela tem que ter uma boa estrutura para suportar todas as mudanças.



Resposta do autor:

Boa noite, Teka!

Mais a frente você vai ver o quão necessária seria essa boa "estrutura" que citou ai.

Mas, nem tudo é o que parece. 

Obrigada por acompanhar. Se cuida querida, bjs.



Nome: dannivaladares (Assinado) · Data: 28/04/2018 13:32 · Para: Capitulo 12 - Clara: Conversa franca!

Era só o que me faltava a Clara grávida do idiotao.

 

Grávida? Será? 

 

Adorando esse romance,  Lily Braun. 

 

Bjs, 

Dani.



Resposta do autor:

Olá!

Um pequeno descuido, que gerará momentos maravilhosos para a Clara... outros nem tanto, mas, isso é coisa para um outro momento.

Obrigada por acompanhar, Danni. E fico feliz que esteja gostando do enredo.

Se cuida, bjs.



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 21/04/2018 14:18 · Para: Capitulo 12 - Clara: Conversa franca!

Gostei do fato da Clara não ter fraquejado e a Clara que não queria nada q lembrasse o noivo vai ter um filho ou filha dele sacanagem autora e muito mistério nesses sonhos será q sao premonições curiosa 



Resposta do autor:

Boa tarde, Tereza.

O Alex vacilou legal, e a Clara não estava disposta a deixar tal decepção passar assim  não. Os sonhos tão parecendo premonições viu, mas estão ficando perigosos. Vamos ver no que vai dar tudo isso.

Se cuida querida, bjs.



Nome: Alcy (Assinado) · Data: 12/04/2018 05:08 · Para: Capitulo 12 - Clara: Conversa franca!

Mônica de Castro, fazendo parte da história!

A espiritualidade em um conto.

Interessante... amei.



Resposta do autor:

Boa tarde Alcy!

Digamos apenas que a autora que vos fala ama os romances da Mônica, e um dos livros citados serviram para um pequeno proposito no cap de hoje. 

Sou uma grande admiradora da literatura espirita. 

Se cuida querida, bjs.



Nome: Lili (Assinado) · Data: 11/04/2018 19:25 · Para: Capitulo 12 - Clara: Conversa franca!

Caralho veio, clara grávida, Ag vai ser mãe antes do esperado.



Resposta do autor:

Boa tarde Lili!

Então, Clara teve uma confirmação no cap de hoje... e uma certa ajuda. Quanto a Agnes ser mamãe antes do inesperado, eu ja não sei muita coisa não viu.

Bjs querida, se cuida.



Nome: Baiana (Assinado) · Data: 11/04/2018 19:10 · Para: Capitulo 12 - Clara: Conversa franca!

Muito bem Clara,não fraquejou,mandou o traidor pastar.

E esses sonhos? Eu achei que na primeira cena,ela tivesse encontrado a Agnes com a Carolina,mas ela se referiu a outra como fedelha...

Na cena seguinte,quando elas fogem de alguém,aí sim eu acredito que seja a Carolina,para ter a Agnes para si,ela se livra da Clara e do bebê.

 



Resposta do autor:

Boa tarde Baiana!

Clarinha foi bem taxativa ai. Mas tem algumas coisas que ela não previu que aconteceriam.

Os sonhos parecem avisos, né! Creio que nos dois tenham sido a Cal, ela pode ter se referido a Clara como fedelha por conta da idade apenas, afinal, ela e Agnes já estão quase nos 40, enquanto Clara só tem 29.

Medo dos seus pensamentos com relação a Cal, rsrs.

Se cuida querida, bjs.



Nome: Mille (Assinado) · Data: 11/04/2018 17:46 · Para: Capitulo 12 - Clara: Conversa franca!

Olá Lily

Olha mais um sinal verdadeiro de nossas suspeitas?! 

E esse sonho a Cal teria voragem de matar a Clara por causa da Agnes???

Bjus e até o próximo capítulo 



Resposta do autor:

Boa tarde Mille!

Suspeita grande viu, e a Clara recebeu a confirmação, depois dá uma olhadinha no cap de hoje.

Sonho tenso, não é. Ain, fiquei com medo da Cal agora com seu pensamento viu... rsrs.

Bjs querida, se cuida.



Nome: Socorro de Souza (Assinado) · Data: 11/04/2018 17:02 · Para: Capitulo 12 - Clara: Conversa franca!

pfv ...Clara gravida nãoooooooooooooooooooooooooooooooooooooo.......

 



Resposta do autor:

Boa tarde Socorro, seja bem vinda por aqui!

Olha, o cap tá no ar, e a Clarinha confirmou as suspeitas já...

Se cuida querida, bjs.



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