Sobre a delicadeza do seu toque por Luah


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Primeiro beijo

 

Assim como eu, Rodrigo se levanta as presas. E lá estava ele. Papai com um olhar furioso em minha direção. Encolho os ombros, apavorada. A tatuagem estava totalmente exposta pelo biquíni roxo. O que ele estava fazendo aqui? Papai nunca chega tão cedo em uma sexta feira. Não sabendo que eu estou em casa. Ele sempre fazia de tudo para evitar me encontrar. 

-Tio... - Rodrigo tenta falar, mas é impedido pelo homem mais velho.

-Lizandra. Quem te deu o direito de tatuar isso em seu corpo! - Os gritos de papai estavam cada vez mais altos e assustadores. –Você não tinha o direito de fazer isso.

Seus passos se aproximavam raivosos de onde eu estava. Rodrigo se coloca a minha frente. Como se assim pudesse me proteger.

-Mas o que está acontecendo aqui? - A voz de vovô soa assustada. –Gustavo, o que pensa que está fazendo? - O senhor tenta chamar a atenção do filho descontrolado.

-Essa garota não tinha o direito. - Os olhos escuros estavam sobre mim com fúria. A gritaria chamou a atenção de alguns empregados da fazenda. Me deixando ainda mais constrangida. –Quem foi que te levou pra fazer isso?

-Fui eu. - Rodrigo fala em tom sério. –Ela fez quatorze anos.

-Pouco me importa quantos anos essa garota fez ou deixa de fazer.

-Gustavo! - Vovô o repreende. E eu? Eu fico ali paralisada. As palavras não eram o meu forte. Ainda mais em momentos como aquele. Não com papai. Em meus olhos azuis as lágrimas já pediam passagem, e mesmo com toda a minha força eu não pude impedi-las.  

-Eu só quero saber quem te deu autorização de fazer essa tatuagem?! - Vovô se coloca na frente de papai tentando acalma-lo. Algo que não faz efeito algum. –Você vai tirar essa imagem nem que pra isso eu tenha que arrancar a sua pe... - Papai não chegou a terminar a frase. Quando olho de relance ele estava no chão.

Vovô Bernardo lhe deu um soco de direita. Tanto eu, quanto todos que observavam aquela cena ficaram literalmente de boca aberta. Nunca tinha visto vovô agredi fisicamente quem quer que seja. Ainda mais um de seus filhos. Então lá estava papai, jogado no chão com os olhos escuros arregalados. Talvez ele estivesse tão supresso quanto todos nós.

-Papai... - Dr. Gustavo sussurra assustado.

-Nunca mais ouse falar dessa forma com minha neta. - Vovô Estava sério. –Ela é sua filha seu garotinho mimado. Ela não tem culpa de você ser um fraco. 

-O senhor me bateu?! - Papai levanta revoltado. –O senhor me bateu por causa dessa... dessa garota?! - Ele estava com uma mão sobre os lábios que sangravam.

-Essa garota tem nome, Gustavo. Quando você vai entender que ela não teve culpa? - Os olhos de papai brilham furiosos. Ele apruma o corpo, a mão que antes estava sobre o ferimento é abaixada.

-Ela me tirou tudo. - Seus olhos escuros estavam nublados. –Ela destruiu a minha vida.

-Gustavo! - Vovô volta a repreender seu filho caçula. –Talvez eu tenha cometido um erro com sua criação. Se eu tivesse lhe dado uma boa surra. Talvez assim você tivesse se tornado um homem. - Vovô Bernardo diz com a voz embargada.  

-Papai... – Dr. Gustavo tenta dar um passo a frente. Tentando se aproximar do senhor mais velho que se afasta.

-Lívia estaria decepcionada com a forma em que você vem tratado à própria filha. - Papai arregala os olhos, supresso. Acho que ele não esperava por isso. Talvez nem mesma eu. –Ela...

-Como o senhor sabe que ela se decepcionaria? - Sua voz soa baixa e amargurada. –Ela não está aqui. Ela jamais vai estar. - Papai diz e se vai da mesma forma que chegou. Destruindo o meu mundo.

 

Os dias passaram, e eu me tranquei em meu quarto. Não queria vê ninguém. Fazia algum tempo que eu não provava o gostinho do desprezo que papai sentia por mim. Eu não o culpo por sentir dor, por sentir saudade. Mas eu também sentia. E diferente de mim, ele pode aproveitar o tempo com ela. Pode conhecê-la, e dizer que a amava. Eu não tive nenhuma dessas coisas.

Eu não conheci o seu sorriso. Não conheci o seu abraço. Não conheci o sabor de seu beijo em minha pele. Eu perdi tanto. Não pude vê-la tocar. Não pude tê-la como minha melhor amiga. Jamais terei suas broncas e elogios. Não terei o seu olhar amoroso. Não saberei o que é dormir ouvindo-a cantar pra mim. Nem mesmo saberei qual é o calor de sua pele. Eu perdi tanto. Mas do que eu poderia imaginar.

Estou olhando a água caindo da cachoeira. Aquele barulho era acalentador. Estou aqui há horas. Finalmente decidir sair de meu lugar seguro. Faz uma semana que papai vomitou o seu lixo em meus ouvidos. E cada palavra me feriu profundamente. Detesto me isolar, mas é como se o meu modo defesa fosse ativado. Não suporto machucar as pessoas que amo nesse processo. Mas sei que é inevitável. Não que eu os machuque de proposito. Apenas não permito que se aproximem de meu mundo destruído. Eu não os deixo se aproximar o bastante para me salvarem. Apenas não permito.

É como se a minha dor precisasse ser sentida sem interferência. Ela precisava respirar. Precisava se aprofundar e destruir. Até que não houvesse nada. E tudo voltasse a se acalmar. É como o luto. Eu apenas precisava sentir.  

-Liz... - A voz rouca sussurra timidamente. Mas eu continuo ali. Sem olha-la. Samantha chegou a pouco mais de meia hora. E silenciosamente se sentou ao meu lado.

-Sabe o que mais doe? - Pergunto longos minutos depois. –Saber que eu jamais terei o prazer de conhecê-la. - Sei que os olhos amarelados estão ali, me observando atentamente. –Jamais poderei chama-la de mãe. Ou dizer o quanto eu a amo. - Meus olhos nublados encaram a garota de cabelos escuros. –Por que eu a amo, Sam. Eu a amo sem nem mesmo conhecê-la. Eu a amo tanto, mas jamais terei a chance de lhe dizer. - Digo chorosa desviando os meus olhos novamente,

-Sinto muito. - Samantha diz envergonhada. –Eu...

-Não sinta. – Minha voz sai tremula. –A única culpada por tudo isso sou eu.

-Liz... –Samantha diz em um fio. Então sinto uma de suas mãos em meu rosto o virando delicadamente para o seu lado. –Nunca mais se atreva a dizer isso. - Aqueles olhos amarelados me repreendem. -Nunca mais diga isso. - Não consigo sustentar aquele olhar por tanto tempo. Me levanto desesperada em um rompante.

-Você não entende! - Digo angustiada. –Eu sempre serei culpada pela sua morte. Sempre... sempre que olho no espelho vejo uma garota medíocre que não merece ser amada. - Samantha também se levanta. –Uma garota... uma garota que jamais vai merecer ser amada.

Então sinto os braços protetores a minha volta. Eu tento fugir de seu abraço, mas é inútil. Samantha é mais forte que eu. Então deixo a minha tempestade cair. Molhando o seu colo. Meus braços se enlaçam em sua cintura. Como se eu precisasse me segurar, por que a qualquer momento eu cairia aos pedaços. 

-Tudo bem minha linda. Pode chorar. - Sinto as mãos delicadas acariciarem os meus cabelos.

-Eu... eu não mereço, Sam. Eu jamais vou merecer ser amada.

-Shiii... - Sinto-a me apertar ainda mais. –Nunca diga isso. Tá me ouvido? Nunca mais diga isso. - Sua voz também sai chorosa. –Você é a pessoa que eu conheço que mais merece.

-Não! Eu não... - Minha voz embarga. -Isso doe tanto. - Digo sufocada.

-Eu sei. - Sua voz soa compreensiva. –Apenas deixe doer. Deixe doer até não restar nada.

-Mas... e se não for o bastante? - Pergunto me afastando o suficiente para olhá-la nos olhos.

-Então apenas deixe que eu cuide de você. - Uma de suas mãos vai de encontro ao meu rosto acariciando a minha pele. Retirando os rastros que as lágrimas deixaram sobre ela. Até que os seus dedos delicadamente vão de encontro aos meus lábios, os contornando. Os seus olhos acompanham atentamente os movimentos que eles fazem. Vejo-a entre abrir a boca. Sua respiração está acelerada. –Apenas me deixe ama-la. – Sua voz sai em um sussurro.  

Vejo-a se aproximando. Então os meus olhos fecham automaticamente. Seu hálito quente bate em meu rosto. Fazendo o meu coração acelerar. A mão que antes contornava os meus lábios vai de encontro ao meu cabelo. Segurando firme. Sua outra mão vai até a minha cintura. As minhas estavam em volta de seu pescoço. Não faço ideia de como elas foram parar ali. E quando finalmente os seus lábios se encontram com os meus. Eu não me importava com mais nada. E quando a sua língua me pedi passagem, só existia Samantha e eu.

Nunca tinha beijando ninguém na minha vida. E sentir aqueles lábios exigentes se apossando dos meus era assustadoramente prazeroso. Sam intensificava cada vez mais até que o ar fugisse de meus pulmões. Longos minutos depois. Sinto-a morder delicadamente o meu lábio inferior arrancando um gemido contido de minha garganta. Sinto-a sorrir por entre os nossos lábios e logo depois se apossar dos meus novamente. Suas mãos estavam firmes sobre o meu corpo. Como se temesse que a qualquer momento eu fugisse.

Como se eu fosse capaz de algo do tipo. Se não fossem seus braços me amparando. Tenho plena certeza que eu já teria caído ao chão rochoso. Porque o meu corpo estava todo tremulo. Minhas pernas jamais seriam capazes de se sustentarem sozinhas. Minhas mãos suavam. Nem vou dizer o quanto o meu coração estava acelerado. Tive medo de ter um ataque cardíaco. Minha pele estava toda arrepiada e quente. Todas aquelas sensações eram novas para mim.

 

Eu tinha borboletas no estomago. E essa era uma sensação que eu faria de tudo para sentir repetidas vezes.

 

 

 

 

Nome: annagh (Assinado) · Data: 10/02/2018 20:59 · Para: Capitulo 10 - Primeiro beijo

Oláaa...voltei!!!

Primeiramente, quero que saiba que estou muito, muito, muito....muitoooo feliz por você ter voltado!!! 

Até que enfim consegui hoje colocar os capitulos em dias...e esse último capítulo foi simplesmente lindo...intenso...emocionante. Sou apaixonada pela Sam e confesso que já estou sofrendo só de imaginar o que está por vir..me dá uma angustia pensar essas duas separadas...e não consigo imaginar Sam magoando Liz...meu Deus!!! Quanto suspense!!!

E quando vai rolar um amorzinho entre essas duas autora??? Tô ansiosa...se o beijo foi assim imagina outra coisa hein...não me decepcione!!!

Quehorrivel a forma como o Pai de Liz a trata...se sentir culpada pela morte da mãe deve ser algo realmente traumatizante.

Vou me despedindo ansiosíssima pelos próximos capítulos...um cheiro...

 

P.S. SIM sou ruiva de VERDADE!!!...KKKKK



Resposta do autor:

Vai ficar na espera por algum tempo. "Enquanto amorzinho gostoso." rsrsrs... Talvez eu te surpreenda ou não. Mas eu me surpreendi com a capacidade em como essa história estar se desenrolando. Eu sou dramática, ao menos na escrita. Então haverá muitos momentos como esse. Liz passará por tanta coisa, que se eu fosse ela demitia a escritora. kkkk  

Bjus...



Nome: Pryscylla (Assinado) · Data: 08/02/2018 19:46 · Para: Capitulo 10 - Primeiro beijo
Oi, chegando agora por aqui kkkkk
Amei e vou continuar lendo :)

Resposta do autor:

Assim espero. rsrsrs... Seja bem vinda. 

Bjuz...



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 08/02/2018 13:39 · Para: Capitulo 10 - Primeiro beijo

Que pai desnaturado. Culpar e nao amar a própria filha. Mereceu apanhar do pai. E a Sam demonstrou nesse beijo o amor q a Liz previsava no momento. Muito lindo.



Resposta do autor:

Verdade. Algumas pessoas não sabem lidar com as perdas. Gustavo é uma dessas. Então culpa a filha por isso. As vezes acho que um soco foi pouco. rsrsrs...

E enquanto a minha garota de olhos amarelados foi maravilhosa. 

Bjus linda. 



Nome: sonhadora (Assinado) · Data: 08/02/2018 10:23 · Para: Capitulo 10 - Primeiro beijo

Nossa, intenso! Extremamente intenso! Linda sua história, enredo forte e cheio de emoções! 

Abraços!

 



Resposta do autor:

Obrigado minha linda. 



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