Amor de carnaval por Alice Reis


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Algumas semanas depois da revelação sobre Charlotte, Vitória ainda estava chateada e incomunicável. Marie tentou de todas as formas falar com ela, mas ela não respondia, apenas ignorava. Cansada de ser rejeitada, Marie mandou um e-mail para Vitória.

“Mon amour,  (Meu amor)

Essa é a última tentativa que faço para tentar me explicar sobre o que aconteceu naquele sábado. Estou arrependida por não ter lhe contado desde o começo sobre Charlotte, foi um grave erro esconder isso de você. Vou lhe contar minha história com Charlotte, para que você entenda o porquê não pode haver nada entre nós duas novamente.

Eu estava namorando um rapaz gentil e amoroso, nunca me senti mal de estar com ele. Ele estudava artes na Escola Nacional Superior de Belas Artes de Paris e por coincidência, ou não, ele conheceu Charlotte em uma das aulas colaborativas que tiveram entre aprendizes e novos talentos. Quando fui visitá-lo, ele me apresentou a ela sem saber do risco que corríamos em nos conhecer. 

Charlotte me instigou desde o primeiro segundo que olhei-a, me seduziu com seus olhos verdes e pele clara. Sua vida mundana e livre me levantaram questionamentos profundos, tais como: “O que estou fazendo da minha vida?”; “O que quero de verdade?”; “Quero mesmo me casar e ter filhos?”. Questionamentos que me fizeram terminar um noivado e mergulhar em sua vida devassa. 

Troquei uma pessoa que me amava por uma que queria me fazer de troféu e brinquedo. Aprendi muita coisa com isso, aprendi a ser ignorada, ser deixada de lado, ser usada e ser humilhada. Charlotte me usou de todas as formas e eu cega só percebi tarde demais. Ela conseguiu o que queria, a atenção da ex-mulher, elas voltaram e eu fiquei sozinha. 

Não vou e não quero ter nada com ela novamente, senti na pele a dor da humilhação e agradeço por não ter me entregado à ela, por ter tido razão e força para não ceder às tentativas dela de me levar para a cama. Descobri que a mulher dela saiu de casa novamente e isso explica ela querer que eu a entrevistasse, ela foi impositiva quando falou com o chefe do jornal, pediu pelo meu nome e se outra pessoa aparecesse ela não daria a entrevista. Só descobri essa imposição depois da entrevista. Além de exigir minha presença, exigiu que o meu chefe mentisse e falasse que não sabia o nome da artista que seria entrevistada.

Ela armou a entrevista para ficar a sós comigo e a ex-mulher ler o jornal e descobrir que ficamos na mesma sala sozinhas. Eu apenas fiz a entrevista e saí, ela insistiu por mais, mas eu não quero nada com ela. Quero com você.

Em cinco dias, você me mostrou o que quero para a vida toda. Um olhar sincero e cheio de desejo igual ao seu eu nunca vi. O que eu senti com você, não voltarei a sentir com outra pessoa. Preciso de você, do seu beijo, do seu cheiro e do seu corpo. Quero você e mais ninguém. 

Je t'aime! (Eu te amo!)

Toujours la vôtre, (sempre sua)

Marie” 

 

Após ler o e-mail que recebeu, Vitória olhou para o lado e encontrou Amanda deitada ao seu lado, nua e apagada. Na noite anterior, haviam se encontrado por acaso em um bar perto da casa de Vitória. Entregar-se à ex-mulher foi um erro, pois estava bêbada e magoada. O e-mail fez com que se lembrasse dos detalhes daquele carnaval, dos corpos que se atraíam sem esforço, da conversa que fluía sem medo, dos beijos quentes e do sexo semi selvagem e cheio de desejo. Fez com que ela se lembrasse de cada detalhe do corpo de Marie e olhasse para Amanda fazendo comparações sem pudor. Aquele corpo deitado já tinha sido seu de várias formas e aquela noite foi apenas mais uma vez. Amanda se mexeu na cama deitando de barriga para cima, como quem quer exibir o corpo, mas continuava dormindo, ou fingindo muito bem, Vitória não soube definir. Não podia negar que o corpo de Amanda lhe atraía, mas relembrar de seu relacionamento com ela fez qualquer desejo sumir. Ambas saíram do casamento machucadas e cansadas de brigar.  

Levantou-se e foi tomar um banho. Estava com as mãos apoiando na parede, olhos fechados e a água caindo sobre a cabeça e se espalhando pelo corpo, queria que a água lavasse seus pensamentos confusos e deixasse sua alma mais clara, mas o que sentiu foi um corpo lhe agarrar por trás e as mãos envolverem sua cintura.

- Amanda, ontem foi um erro. - disse voltando à realidade.

- Você é meu erro, errei em ficar com você ontem e errei em ficar com você há oito anos atrás. - sussurrou no ouvido de Vitória - Mas eu estava com saudade desse corpo. - passou a mão nas costas de Vitória - Saudade de te agarrar. - passou a mão em seu ventre e beijou-lhe o ombro.

Vitória se entregou aos carinhos de Amanda, por mais que quisesse ser racional e não sentir nada, seu corpo reagia de outro jeito aos toques de Amanda, reagia com desejo e saudade. Sentiu a mão de sua ex-mulher invadir seu sexo, aquela mão lhe conhecia muito bem, mas o rosto que lhe veio à cabeça foi o de Marie.

- Amanda… não. - segurou a mão da mulher.

Amanda retirou a mão e virou-a de frente e encostou-a na parede.

- Depois você pensa na sua francesa. - Amanda beijou-a com volúpia.

- Eu já estou pensando… - disse

- Pense em quem você quiser, quero seu corpo não sua mente. - riu e beijou-a.

Vitória não conseguia se desvencilhar dos pensamentos que a levavam até a França.

- Eu não posso. - Vitória sussurrou.

Amanda olhou-a séria e lhe puxou para um abraço.

- Desculpe lhe atacar, mas eu não resisto à você. - riu soltando-a - Quer conversar?

- Eu não devia ter passado a noite com você. - disse chateada.

- Eu também não deveria ter te provocado. - riu - Se a Magda souber que fomos para a cama, estou ferrada.

- Quem é Magda? - perguntou voltando para debaixo do chuveiro.

- Minha terapeuta. - riu.

- Fico feliz em saber que está procurando ajuda, eu quero seu bem. - sorriu enquanto passava sabonete na bucha.

- Você também deveria ir. - sorriu-lhe - O que passamos não se esquece de um dia para outro. Mas me conte melhor sobre sua francesa, ontem você começou, mas eu lhe cortei. - pegando o sabonete da mão de Vitória.

- Você sabe que minhas crenças sobre amor e paixão são totalmente contra qualquer conto de fadas e que amor verdadeiro não existe.

- O que eu sei sobre você, é que você é medrosa para amar. - riu.

- Pois é, com a Marie não foi assim, quero me mudar para a França, viver com ela, ser feliz ao lado dela. - Vitória disse se ensaboando.

- Vick, nosso casamento foi uma merda, em muitos pontos, mas hoje, eu te quero bem e feliz, o que aconteceu ontem à noite ficará entre nós duas. Se você está se sentindo bem em pensar nessa mudança, se você enxerga um futuro ao lado dela, vá logo, antes que essa cabeça oca comece a pensar besteiras. - apontou a cabeça de Vitória.

- Nosso casamento foi mesmo uma merda? - encarou Amanda.

- Vick, eu te amei, você me amou, não tenho dúvidas disso, mas nós não fomos feitas para viver na mesma casa. Não sei como aguentamos oito anos juntas. - Amanda riu se ensaboando - Nossas divergências sempre foram maior do que nossa vontade de ceder. Eu tenho um tesão enorme por você, mas… - Amanda não terminou de falar.

- Mas? - Vitória instigou-a.

- Deixa para lá. - entrou debaixo do chuveiro expulsando Vitória.

- Estamos em um raro momento de honestidade, fale. - fez Amanda olhá-la.

- Mas você já não tem mais o mesmo tesão por mim. - Amanda saiu do box e se enrolou em uma toalha - E você deixou bem explícito isso ontem e hoje quando entrei no chuveiro. - abriu a porta do banheiro.

- Amanda! - desligou a água e saiu do chuveiro atrás da ex-mulher.

- Você sussurrou algo em francês ontem, com certeza não estava pensando em mim para falar francês. - olhou para Vitória.

- Eu estou apaixonada pela Marie, ela não sai da minha cabeça. - disse chateada - Faz dias que estou lutando para não falar com ela porque ela mentiu para mim, mas na primeira oportunidade eu faço pior. Eu não devia ter dormido com você.

Amanda se vestiu em silêncio.

O celular de Vitória começou a tocar, olhou e era Marie tentando uma chamada de vídeo, não atendeu.

- Eu ainda não te esqueci, eu tinha esperanças que afastadas iriamos sentir falta uma da outra e voltar, como aconteceu várias vezes, mas dessa vez não vai rolar uma volta, uma reconciliação. - Amanda encarou-a - Não tenho apenas tesão por você, eu te amo e sinto sua falta, faria qualquer coisa para ter você de volta, mas seus olhos nunca brilharam com tanta intensidade, sua voz nunca foi tão mansa para falar um nome e seu sorriso nunca foi tão lindo como é quando você fala de Marie. - aproximou-se de Vitória - Boa sorte na França. - deu-lhe um leve selinho e saiu do quarto.

Depois de terminar o banho, retornou a ligação de Marie. Atendeu e ficaram se olhando em silêncio.

- Eu não devia ter te ignorado, mas estava extremamente chateada com o que houve e por você ter mentido para mim. - respirou fundo - Ontem sai para espairecer e por acaso encontrei minha ex-mulher em um bar perto de casa. - encarou a câmera do celular e viu Marie atenta ao que ela falava - Nós bebemos demais e acabamos passando a noite juntas.

- Vous avez eu des relations sexuelles? - perguntou brava. (Vocês transaram?)

- Oui! - disse Vitória. (Sim!)

- Vous vous déplacerez avec elle? - perguntou chateada. (Você vai voltar a morar com ela?)

- Non. (Não)

Marie tentou disfarçar o choro, mas não se conteve.

- Charlotte tentou me agarrar naquele sábado à tarde, mas eu neguei fazer alguma coisa com ela porque pensei em você. Deixei ela sozinha, nua, em uma sala e sai correndo. - disse chorando.

- Eu tenho uma história de oito anos com a Amanda, infelizmente eu fui fraca e cedi às provocações dela, eu estava bêbada e chateada. - disse chateada.

- Isso não justifica sua atitude, eu também estava bêbada, mas sai correndo. - enxugou as lágrimas.

- Não estou justificando minha atitude, foi apenas um comentário. Eu tenho uma história muito complicada com a Amanda, assim como você tem com a Charlotte. - Vitória disse chateada - Meu passaporte saiu e está pronto para ser usado, eu amo você, quero estar com você e ser feliz com você. O que aconteceu ontem só serviu para me provar que você é a única pessoa com quem quero estar. Você ainda quer estar comigo? 

- Eu não posso lhe responder isso hoje. Sua confissão me deixou sem chão. - disse brava.

- Eu sei. Não vou tentar justificar o que aconteceu, não tem uma justificativa plausível para a besteira que eu fiz, mas como já disse, só me serviu para ver que não há espaço para mais ninguém no meu coração, apenas você. Eu sussurrei seu nome enquanto estava com a Amanda e fingi ter um orgasmo para ela parar com o que estava fazendo.

- Sussurrou meu nome? - estava incrédula com a informação.

- Sim. Você não sai da minha cabeça, nem mesmo quando estou bêbada, aliás, quando estou bêbada você parece estar mais presente do que quando estou sóbria. Eu te amo e gostaria do seu perdão. 

- Eu senti sua falta esses dias de silêncio, mas preciso de tempo para entender o que estou sentindo ao saber da sua traição.

- Esperarei sua decisão com o coração na mão. - disse ansiosa.

- Por enquanto é melhor nós não nos falarmos, voltarei a te procurar com uma resposta. Até mais. - desligou o vídeo.

 

 

 

Notas finais:

Aguardo comentários! ;)


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Comentários


Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 17/08/2017 19:27 · Para: Capitulo 10

Poxa, a vitória marcou feio. Mas se o tropeço serviu pra ela que Ama as Marie, eu perdoo.



Resposta do autor:

Olá, Patty, td bem?

Foi um grande vacilo da Vitória. :(

Um abraço,
Alice Reis
oamordealice.com.br



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 09/08/2017 22:58 · Para: Capitulo 10

Mais que vacilo da Vitória minha nossa espero que a Marie consiga perdoar



Resposta do autor:

Olá, Tereza, tudo bem?

Sim, um baita vacilo...
Vamos torcer, né?

Um abraço,
Alice Reis
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Nome: Socorro de Souza (Assinado) · Data: 09/08/2017 22:17 · Para: Capitulo 10

E agora ??

pelo menos as cartas foram expostas Sem mentiras 

difícil decisão:(((



Resposta do autor:

Olá, Socorro, tudo bem?

Uma difícil decisão. Eu não gostaria de estar na pele da Marie neste momento, rsrs.

Um abraço,
Alice Reis
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Nome: rhina (Assinado) · Data: 09/08/2017 21:26 · Para: Capitulo 10

 

UI......

e agora Vitória? 

e agora Marie?

Rhina



Resposta do autor:

Olá, Rhina, tudo bem?

Realmente, e agora? Rsrsrs...

Um abraço,
Alice Reis
oamordealice.com.br
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