Sobre o que a imaginação engoliu por takeherin


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Ei, você não me conhece. Estou diferente, meio como quando você me conheceu, só que menos amarga e pau no cu. Mais como eu era antes de qualquer alguém ter me conhecido.

 

Mas hoje, eu vim falar pra você sobre o meu desejo.

 

O meu desejo de te ter comigo num momento sem fim, num looping infinito. De mãos nas costas, nas coxas, na bunda, no pescoço, puxando um pouquinho o cabelo. Da boca na minha, do gosto da saliva, da saliência e textura da língua passeando no meu céu que não tem estrelas. No gosto do teu gosto, no cheiro do teu cheiro. Meu looping infinito de desejo por ti, desejo carnal, desejo infantil, desejo além-amor além-pudor além. Desejo teu.

 

Agora mais do que falar, queria mesmo era convidar. Um convite para compartilhar do meu delírio.

 

Delírio de uma casa com sacada, uma cama macia com lençol preto, um edredom branco, cortinas brancas meio transparentes esvoaçando e deixando entrar o brilho do sol, batendo de leve nos teus cabelos, fazendo dançar teu baby doll lindo, caído pelo teu corpo moreno tão gostoso e cheio de arranhões (meus). E eu ali, parada, de regata e cueca preta, admirando a coisa mais linda do mundo (tu).

 

Delírio meu, querer tudo isso, desejar isso. Nada mais. Só a gente. Só tu, sendo minha, vivendo de amor. Porque eu respiro esse amor. Porque tu atravessa meus pulmões e volta em forma de suspiro, as vezes é gemido e as vezes nem volta. Escuta esse tum-dum-dum que meu coração teima em tocar, dança essa música que me rasga o corpo-peito-alma, rasga tudo por dentro de tanto que me dói, e masoquista que sou, quero que doa mais, me faz doer mais. Isso é quando teu veneno-poção-feitiço entra em mim.

 

Mas pode chamar de amor também.

 

Chama como quiser.

 

Mas chama.

 

Chama.

 

Fogo.

 

Cama.

 

Eu.

 

Você.

 

Nós.

 

Teu quadril rebolando em cima de mim, da minha mão toda melecada do teu gozo prévio, de baba minha que molhou os lábios da tua vagina que estava escancarada no meu rosto esfomeado. Ah, o cheiro. Cheiro de sexo, safado e doentio. Mas ao mesmo tempo em que é instinto é sobre-humano, e te olho e sinto. Sinto e me engasgo e é sempre nessa hora que transbordo. Mas não é orgasmo não. É aquela certeza e amor e felicidade e adjetivos e substantivos intermináveis.

 

Vem como uma gatinha que pede carinho deitando no meu peito, se ajeita como pode no meu braço, afago. (quero colo). O que há para não amar? Desprende de mim cada célula-átomo-pedaço de corpo-alma-fluído e toma para si, tu nem percebe que nessas horas eu sou completamente tua. E tem alguma hora que percebe?

 

Tô entregue.

 

E olha que ninguém me trouxe não.

 

Quando eu vi já tava ali, nem lembro quando foi, nem como foi.

 

Foi.

 

Foi tudo que podia ser né? A gente fez o que pode. Não era hora. Não era pra ser. Brutas frases clichês.

 

Não vê que não servimos pra clichê?

 

Não me importo com qualquer texto-palavra-frase.

 

Não ligo.

 

Aqui ainda tem os delírios. Os desejos.

 

Mas Ei, você não me conhece. Ou será que pra ti também é como é pra mim? A gente vê algo maravilhoso que nem sabe se tá ali. Sempre achei que te conhecia melhor que qualquer um/uma. Mas vai ver que você nem existe.

 

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