1808 por Drikka Silva


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Notas da história:

Oi Oi lindonas!!! 

Conto escrito e postado no falecido XIB em 2008.

Vou postar sem correções, com um bocado de erros de português, mas é bem legalzinha hehehehe

 

Esse conto é meu preferido, minha menina dos olhos até hoje. Espero que gostem o tanto que gostei de escreve-lo;

 

Muitos bjos em todas!!!

 

Drikka

Isabel sentiu o chão sumir embaixo dos seus pés. Não conseguia entender como aquela doce criatura parada na sua frente podia ser tão cruel. A posição confortável do sofá a incomodava e andando de um lado para outro a única pergunta que repercutia na sua mente era: Por quê? Os sons não tiveram força de sair da garganta para articular a pergunta, o peso dos óculos fez com que os jogasse longe e para não perder a razão subiu as escadas correndo buscando algum conforto em seu quarto.

 

Sophie sabia que havia magoado a mãe, mas não havia nada que pudesse fazer naquele momento. Já tinha 24 anos e já havia passado da hora de assumir quem era e seguir com sua própria vida.

Sophie era uma mulher com uma beleza clássica que podia passar desapercebida aos olhares menos atentos, mas uma pessoa não deixou passar: Julia. Haviam se conhecido num shopping onde Sophie trabalhava. Uma das vendedoras havia destratado Julia e ela como uma boa ariana fez um barraco na loja chamando a atenção dos outros clientes e coube a Sophie como gerente acalmá-la e reverter a situação. Depois daquele primeiro contato, Julia se tornou uma cliente assídua. Um mês depois, durante um café houve o pedido de namoro que perdura por 1 ano e meio, mas agora a decisão de morarem juntas fez com que Sophie revelasse seu segredo guardado a sete chaves desde que deu seu primeiro beijo em uma amiguinha do colégio há mais de dez anos. Ela pega as chaves do carro e sai para a rua carregando suas malas. Somente o tempo ou um milagre do destino poderia mudar a situação.

 

Isabel acorda com o chamado insistente do celular. A cabeça que lateja não a deixa encontrar o aparelho de imediato. A casa vazia e silenciosa revela que o pesadelo vivido anteriormente é real: Sua filha não está mais em casa.

- Alô?

- Oi Bel – Sua prima Margô

- Oi Margô pode falar ta tudo bem? – Isabel pergunta se atentando ao relógio que marca 10:40 da noite.

- Não, não está nada bem... A vó... Ela foi levada para um hospital, mas não resistiu... Deu entrada morta.

- Meu Deus! – Exclama sentado na cama – Ela estava tão bem... O que...

- Foi um ataque cardíaco... Aconteceu um pouco depois do jantar...

- Eu to indo ai.

- Cuidado ao falar para Sophie. Ela adorava a Bisa.

- Eu não sei onde ela está. Liga no celular dela, por favor!

- Ta bom, eu ligo. Dirige com cuidado.

- Já to chegando.

Mas o tempo de absorver as palavras e o sentido de todos acontecimentos demorou mais do que o esperado.

 

Sophie entrou na casa da sua tia-avó aos prantos. Não queria acreditar que sua querida bisa havia falecido. Ela a adorava de paixão e a dor de perdê-la era muito grande. Dona Josefa estava com 101 anos de idade, uma proeza que ninguém da família havia conseguido realizar. A família Gonçalves Silva ou os “Senhores do Café”, como haviam sido conhecidos no inicio do século XIX eram tradicionais até o ultimo fio de cabelo chegando a ponto de manterem uma arvore genealógica com pinturas e fotos no casarão da fazenda mais antiga da família, a mesma que em 1808 passou a ser habitada pela matriarca absoluta da família: Ana Maria Gonçalves, mas Sophie não estava atenta aos fantasmas do passado que a cercavam. Sua angustia estava na perda de uma das figuras mais importantes da sua infância. Sua bisa como carinhosamente a chamava era uma pessoa de alma evoluída que havia passado por inúmeras dificuldades junto com o marido para reconstruir o império que seus antepassados haviam perdido. Sophie tinha certeza que sua bisavó sabia da sua orientação sexual embora nunca tenha dito nada diretamente pressentia por palavras e gestos que ela entendia e aceitava sua posição mesmo sem saber o porquê. Não conseguia ver naquele corpo inanimado a pessoa que mais lhe dera carinho e afeto.

 

Isabel queria se afundar no sofá e desaparecer, De uma hora para outra sua vida teve uma reviravolta de 180 graus. Sua avó havia lhe ensinado muitas coisas, entre elas o perdão e a compreensão que não conseguia transmitir para sua filha. Sophie estava parada do outro lado do caixão sendo aparada por Julia que por muito tempo ela julgou ser apenas uma amiga com vários gostos em comum. Era inconcebível que formassem um casal. Como fora tão cega que não percebera? Todas as noites que dormiram juntas embaixo do seu nariz e quantas vezes Sophie havia dito que iria sair com ela e depois dormir em algum hotel? “Fui muito ingênua e elas se aproveitaram disso” pensava observando-as “não há perdão para o que fizeram, não há perdão”. Isabel se levanta e sai da sala imersa em seus pensamentos e uma voz conhecida soa nas suas costas na varanda tirando-a do seu devaneio.

- Mãe? – Sophie chama baixinho.

Isabel permanece estática. Não conseguia se mover ou dizer qualquer coisa, apenas respirou fundo e continuou olhando a paisagem.

- Mãe eu sei que te magoei. Sei que fui errada te escondendo desde o inicio... eu não queria que acontecesse dessa maneira, não aqui no funeral da bisa, mas... Eu te amo mãe, e meus sentimentos por você não vão mudar independente da minha orientação... Achei que você entenderia por ser uma mulher tão moderna e descolada, mas vejo que me enganei, talvez a senhora não seja a pessoa que eu imaginei que fosse, mas eu adoro a senhora e isso não vai mudar nunca porque você é minha mãezinha querida...

- E única não é? – Isabel pergunta se virando para a menina chorosa parada na sua frente. Seu rosto duro como pedra não deixava passar nenhuma emoção – Quem sabe se tivesse uma mãe descolada e moderna como você idealiza suas palavras não seriam diferentes?

- Mãe não faz assim... Não fala isso... Você é minha mãe...

- Falo e digo mais. Seus sentimentos podem não ter mudado, mas o meu mudou. Eu não aceito essa promiscuidade. Você é uma mulher Gonçalves Silva. Você foi criada para casar e ter filhos como todas as outras que antecederam eu, sua avó, sua bisa... É inadmissível uma pouca vergonha dessa e enquanto você estiver com aquela menina pode ter certeza que você não tem mãe!

 

Isabel se afasta rapidamente para que a filha não visse suas lagrimas. Não queria que ela a visse fragilizada. Não podia demonstrar fraqueza nunca. Era um lema dos seus ancestrais e não iria quebrar esse circulo agora. Sophie ia cair em si futuramente e deixar aquela criancice de lado. Nunca fora uma garota mimada, sempre estudiosa e trabalhadora, tinha tudo para se tornar uma patricinha sem juízo, mas surpreendendo todos estudou moda e começou de baixo trabalhando como balconista numa loja de roupas. Depois de sete meses se tornou gerente da rede e um ano depois saiu para abrir sua própria confecção com a ajuda da sua bisa que com apenas cinco meses já conseguia dar os primeiros passos. Essa era Sophie uma mulher guerreira com um Q. I de poucas e que com certeza iria mudar de idéia da besteira que estava fazendo.

Nome: valcris (Assinado) · Data: 04/07/2017 02:51 · Para: Capitulo 1 O FIM E O INICIO...

Li há um tempo atrás, lindo.



Nome: CarolM4 (Assinado) · Data: 14/04/2017 19:59 · Para: Capitulo 1 O FIM E O INICIO...

Ja iniciando, e amando a história !!!



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 08/04/2017 18:28 · Para: Capitulo 1 O FIM E O INICIO...

Eu já li. Mas vou amar reler. Bjs



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 07/04/2017 03:54 · Para: Capitulo 1 O FIM E O INICIO...

Amando não conhecia vou acompanhar.

 



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