A mecânica por KFSilver
Summary:

“Quando você é mãe, você nunca está realmente sozinha em seus pensamentos. Uma mãe sempre tem que pensar duas vezes, uma por ela e outra por seu filho.”


 


- Sophia Loren


 


Categoria: Romances Characters: Original
Challenges:
Series: Nenhum
Capítulos: 6 Completa: Não Palavras: 21185 Leituras: 5016 Publicada: 11/06/2018 Atualizada: 17/07/2018

1. Capitulo 1 por KFSilver

2. Capitulo 2 por KFSilver

3. Capitulo 3 por KFSilver

4. Capitulo 4 por KFSilver

5. Capitulo 5 por KFSilver

6. Capitulo 6 por KFSilver

Capitulo 1 por KFSilver

Laura

 

O ritmo da música envolvia os corpos naquela pista de dança. Sentia o efeito da bebida me deixando desinibida enquanto conversava com Diego e Otávio. Aquele final de semana, eu iria apenas curtir o início das minhas férias.

 

- Vem Laura! Vem exibir esse corpão, que eu quero dançar muito! - falou sorrindo.

- Calma, viado! Deixa eu só dar uma passadinha no banheiro, que já vamos ferver essa pista! - pisquei divertida.

- Uhum, vai lá... - piscou antes de ter os lábios envolvidos pelos do namorado.

 

Parei um momento vendo o amasso deles, o que me deixou um tanto excitada. Fazia uns três meses que tinha acabado com o meu relacionamento com Antônia. Os toques mais carinhosos faziam falta, mas claro que nesse meio tempo eu não fiquei sozinha. Gostava de variar um pouco; mulheres ou homens, ficava com aquele que o meu corpo estivesse aclamando no momento. A curta caminhada até o banheiro foi o suficiente para deixar o meu corpo fervendo pelos tantos casais dançando colados, ou dando amassos quentes. "Preciso transar!", pensei arrepiada.

 

- Cuidado! - falei assustada com o casal que quase me atropelou ao entrar na cabine. Ouvi um pedido de desculpas bem abafado pelos beijos e gemidos. Sorri divertida, indo lavar as minhas mãos. Aproveitei para verificar a minha maquiagem quando notei alguém me observando atráves do espelho. Não neguei o sorriso em meus lábios pela agradável visão que eu tive daqueles olhos azuis. Foram apenas alguns segundos, antes dela interromper o contato e sair do banheiro. "Nossa que tesão de mulher!". Pensei excitada, com o meu corpo queimando de vontade dela. Sai em busca daquele olhar quente, quase obsceno. Naquele momento havia começado as baladas eletrônicas, ficou impossível de localizar o meu objeto de desejo. Suspirei frustrada, retornando para cabine, onde os meus amigos ainda estavam em um amasso quente. Virei o copo de vodka com energético do Diego e puxei aqueles dois para pista.

 

- Calma, mulher! Que vontade é essa? - Otávio riu divertido.

- Vontade de transar!! - falei enérgica, pegando o copo de cerveja de Otávio e bebendo de uma vez. "Que calor!".

 

Sorriram safados achando que era um pedido. Logo cortei a fantasia deles.

 

- Transar com uma mulher! Uma mulher muito gostosa por sinal! - puxei eles pelas mãos para me acompanhar até o centro da pista.

 

O meu corpo estava implorando por toques femininos. Me diverti muito provocando olhares de mulheres e homens. Cada vez mais surtia o efeito da bebida sobre os meus gestos e olhares, por um momento jurei ter visto aqueles lindos olhos sobre mim. Continuei dançando buscando por eles. "É ela!". Sentia o meu coração disparando e o meu corpo se arrepiando. "Não vai escapar de mim!". Os meninos notaram a direção do meu olhar, senti certa estranheza deles, mas nada disseram. Comecei uma dança especial, apenas para ela. Percebi a surpresa naqueles olhos azuis, uma timidez perculiar que me deixou mais excitada. Dei o meu melhor sorriso sem desviar o olhar. Percebi que engoliu seco. Sabia que ela não era a única que me olhava, já que o grupinho de amigas dela (eu acho), também estavam. Não aguentei mais e me aproximei dela, o meu andar era felino e não deixava brechas para dúvidas. Notei que ela era um pouco menor que aparentava no banheiro, o que me deixou ainda encantava. Ela não desviava o olhar, mas notava o rubor em sua face. Um oi tímido foi a única coisa que ouvi antes de devorar aqueles lábios rosados. Os seus lábios tinham uma delicadeza, uma ternura que há muito tempo eu não sentia, algo tão familiar. Envolvi a sua cintura e diminui a pressão das minhas mãos. O seu suspiro em meus lábios me deixou mais excitada. Passei a minha língua entre eles, pedindo permissão. Era um beijo terno, carinhoso, as minhas emoções ficaram a flor da pele. Afastei suavemente para que pudéssemos recuperar o ar. Senti o leve tremor em seu corpo, sorri divertida roçando meus lábios nos dela.

 

- Nossaaa!! Eu também quero um presente de aniversário desses!! - comentou entusiasmada uma das meninas do grupinho dela.

- É seu aniversário? - sussurrei entre os seus lábios.

- É, sim...! - gaguejou tímida.

- Parabéns! - "Para mim, nossa que presente!".

 

"Como é linda!". O corpo dela tão colado ao meu, fez mais uma vez o meu queimar de tesão.

 

- Quer sair daqui? - mordisquei o seu queixo - Posso te levar a um lugar mais apropriado para comemorarmos?! - apertei suavemente sua nuca, beijando com mais vontade. Não estava aberta para um não, não naquele momento.

 

- Smm... nã... digo... eu, eu... - me olhou confusa, percebi o desejo em seu olhar.

 

Sorri, dei um selinho em seus lábios, respondendo:

 

- Me dê apenas um minuto! - pisquei e a soltei quando senti que suas pernas já estavam firmes.

 

Afastei e fui em direção aos meninos. Apertei as minhas mãos, não escondi o sorriso prazeroso. Eles me olharam confusos, questinando.

 

- Agora não, meninos! Hoje eu vou fazer uma aniversariante muito feliz! - peguei a minha bolsa e fui em direção a ela o mais rápido possível. Apenas um instante e já tava morrendo de vontade daqueles lábios. Engoli seco quando a vi de costas. "Achei a mulher da minha vida!". Sorri satisfeita com aquele belo par da coxas grossas e bundinha firme, os seus cabelos negros ião até o meio das costas. Me aproximei aproveitando que ela estava virando, puxei pelo pescoço e devorei mais uma vez aqueles lábios carnudos! Percebi novamente aquela surpresa naqueles lindos olhos azuis, ou seria hesitação? Apertei forte a sua cintura, aproveitando que estávamos próximas a uma parede, empurrei seu o corpo contra, estava morrendo de tesão e queria mostrar para ela o quanto. Diferente de antes, ela parecia sem reação. Aproveitei e coloquei a minha perna entre as dela, apertando a minha excitação em sua coxa. O suspiro que arranquei de sua garganta foi o suficiente para invadir aquela boca deliciosa. Fiquei feliz com o resultado, o que me deixou completamente surpresa, foi ela ter mudado a postura. "Nossa que pegada!". Gemi em sua boca, arranhando a sua nuca, sentindo as suas mãos que até então tinham um  toque suave, apertavam a minha bunda com toque possessivo. "O primeiro beijo foi maravilhoso, mas esse... nossa!". Para a minha infelicidade, senti as suas mãos me afastando suavemente. Abri os meus olhos e encontrei um par de olhos azuis escuros transbordando tesão, para em seguida ficarem severos. "Que perfume gostoso!". Pensei antes do encanto se desfazer por completo.

 

- Sam!! - voz chorosa.

 

Olhei confusa, gelei quando percebi que aquele beijo maravilhoso foi porporcionado pela menor cujo os olhos tinham um tom mais claro.

 

- Isabella?! - sua voz era levemente rouca. - Isabella, espera!! - afastou-se de mim, e correu atrás da mais nova.

 

Fiquei desnorteada. Os meus lábios ainda latejavam pela presença dos seus lábios famintos e experientes. Diego se aproximou de mim, perguntando se estava tudo bem, quando ouvimos as meninas comentando:

 

- Nuhhhhhh que babado!! Isa perdeu feio para mãe dela.

- Também com uma mãe daquela, quem não trocaria? - comentou maldosa a outra mexendo no celular em seguida.

 

Entreabri os olhos, olhando para os meninos. Voltamos para a nossa mesa e só ouvi um risinho abafado de Otávio comentando:

 

- Tu não perdoa mesmo, ein Laurinha! Pegando mãe e filha! - levou um cutucão de Diego.

- Vamos para casa? - percebeu que havia perdido o clima.

- Por favor! - sussurrei, minha cabeça começou a girar tive a consciência que havia exagerado na bebida.

 

Continua...

 

Notas finais:

Eita nós, quanto tempo!! Olá meninas, eu sei que estou em débito com vocês, não nego e estou aos poucos voltando para pagar essa dívida para encerrar um ciclo. Bom, serei breve. Está história não será longa, na verdade estou desenferrujando e o pensamento, a ideia dessa história veio como sopro da nosso musa inspiradora Sappho (rsrs) e também por eu estar atualmente trabalhando na area. (rsrs) Reforçando, não será uma história longa, até porque pretendo focar no encerramento de DD, okay? Pfv, estou escrevendo aos poucos, voltando ao meu ritmo então só peço um cadinho mais de paciência com a autora que vós fala. Obrigada novamente, até o próximo cap (ainda essa semana, amém!) ;)

Capitulo 2 por KFSilver

 

Samantha

 

Suspirei profundamente ao som do despertador. Estava tão quentinho e gostoso embaixo das cobertas. "Deixa de preguiça, que o seu dia será cheio!". Bocejei com o pensamento espreguiçando o meu corpo. Alonguei e fui preparar o café. O céu ainda estava escuro, deixei acesa as luzes do corredor e da cozinha. Em minhas pernas senti a bolinha de pelos cinza se esfregando.

 

- Bom dia, Shakira! - coloquei um pouco da ração para ela, lavei as minhas mãos e coei o café.

 

Tomei um café da manhã reforçado e fui cuidar dos meus afazeres. Era muito cedo ainda, deixei Isabella dormindo mais um pouco, afinal era aniversário dela. Fui em direção ao muro divisório, abrindo-o e assoviando para os cães. Shakira ficava sentada e olhando as suas irmãs comendo euforicamente a ração. Era até engraçado ver as reações superiores que os gatos tinham sobre os cães. Apesar de ser a caçulinha da casa, Shakira tinha um temperamento predominante, a sorte dela que Kiara e Jade eram muito docéis com ela e a acolheram. Fui em direção ao barracão destrancando a porta lateral.

 

- Não, não, não! Podem ficar ai fora! - rateei com elas e abri o portão de enrolar.

 

Fui até o rádio, ligando-o deixei a voz do radialista me fazendo companhia enquanto terminava de mexer no motor do VW fusca 1979. Havia comprado ele há pouco mais de dois meses, deixei a carroceria na oficina para o meu pai restaurar e personalizar com a ajuda da equipe dele, transformando-o em um conversível, enquanto eu cuidava pessoalmente do motor. Era o meu presente para Isabella, já que ela tinha medo de dirigir carros de grande porte. Estava concentrada respondendo alguns emails quando o meu pai chegou.

 

- Bom dia, filha! Não pula cachorra! - rateou sorrindo para Kiara - Pronto, chega de carinho! - jogou uma bolinha para elas.

- Jade vai ficar com ciúmes. - comentei sem desviar o olhar da tela. - Bom dia, pai! - sorri com a interação deles.

- Isabella ainda não acordou? - observou o silêncio no interior da casa.

- A semana dela foi cheia, logo vão começar as provas e ela está pilhada demais. - acomodei as minhas costas na cadeira - O motor está pronto! Vou mandar o Sérgio buscá-lo para montarmos ele no carro hoje a tarde.

- Ótimo! Ontem chegou as peças que faltavam para fazermos a pré montagem dos paralamas.

- Temos que pagar um pouco mais caro para chegar as peças senão o correio atrasa todo o nosso processo de entrega. - murmurei cansada - Bom, pelo menos amanhã o carro ficará pronto para festa dela.

- Sim. - percebi a hesitação em sua voz. - Samantha...

- O que foi pai? - respirei fundo, sabia que não vinha notícia boa.

- Ontem a Márcia me ligou, disse que levou Isabel no hospital... Calma! Era só falta de ar. O médico já liberou ela, já está repousando em casa.

- Por que não me chamaram? Eu poderia ter ficado com elas no hospital e as teria trazido de volta!

- Você pilhada no hospital não iria fazer o atendimento ser mais rápido e nem ajudaria ela a melhorar.

- É exatamente por isso que eu pago um bom plano de saúde para ela não ter que ficar esperando! - fiquei levemente exaustada.

- Viu só, por isso não te chamam! Você é esquentada demais! E ela já está bem e em casa.

- Vou vê-la antes de ir para à oficina, se ela não estiver bem eu cancelo a festa! - determinei, o seu olhar me fez pensar - Eu remarco! Isabella irá entender. - emendei.

 

Concordou aproximando-se pegando o celular e mostrando algumas fotos.

 

- Um comodoro! Lindão! Quem é o cliente? - comentei analisando as fotos.

- Sou eu! - sorriu empolgado.

- Você comprou um Opala?! E a mulher não reclamou de outro carro? - disse com um sorriso zombeteiro.

- O dinheiro é meu! - resmungou, arqueei a sobrancelha - Ela ainda não sabe... - murmurou.

- Então é melhor já começar o suborno! Tragam-lhe as rosas e os bombons, para amansar a sua esposa. - brinquei.

 

Cida era uma mulher muito carinhosa e companheira, que chegou trazendo a vida novamente para o meu pai que estava solitário. Apesar de sermos vizinhas, não tínhamos o costume de convivência, mas vira e mexe, Sabrina a sua filha, vinha até a minha casa passar um tempo com Isabella. As meninas tinham uma grande amizade, mesmo sem o parentesco sanguíneo, nós nos respeitávamos como uma família.

 

***

Isabella

 

Os sonhos bons, a preguiça, o calor reconfortante da minha cama, nada foi o suficiente quando despertei no susto com o peso sobre o meu rosto, sendo sufocada por aquela bolinha de pelos irritantemente fofa.

- Meu Deus, Shakira! - resmunguei sonolenta - Está querendo me matar?? - sentei atordoada. - Ai! - mordeu os meus dedos - Tenho que parar de deixar a minha porta entreaberta para você! - bocejei. - Hmm... vem cá! - peguei ela e trouxe para o meu rosto, enchendo-a de beijinhos. - Meu projeto de gato! - sorri com suas lambidinhas em meu nariz. - Safada!


Levantei ignorando o meu celular, com certeza estava repleto de mensagens de parabéns dos meus amigos, colegas e familiares. A última coisa que eu queria, era ler os textões de facebook que os mais religiosos mandavam. Queria começar bem o meu dia, com um delicioso capuccino e um saboroso pão na chapa. Estava indo ao banheiro quando o barulho no quintal chamou a minha atenção. Fui até a sala e vi através da porta de vidro, Sérgio e Jonas, os funcionários do meu avô carregando na camionete um motor. O cheiro delicioso vindo da cozinha atiçou o meu apetite. Adentrei e vi a minha mãe bebendo algo em sua xícara (certamente era café), enquanto mexia no celular.

- Bom dia... - minha voz ainda estava rouca.
- Oi! Bom dia, filha! - abriu um lindo sorriso, acolhendo-me em seus braços - Feliz aniversário, minha pequena! - ia me beijar mas parou um instante ao notar os atentos olhinhos amarelos - Lambeu a sua testa? - questionou, apontei para a pontinha do meu nariz - Certeza? - sorriso maroto, fechei os olhos suspirando e acenando com a cabeça - Então tá bom! - o seu abraço apertado e o seu beijo carinhoso para mim, eram melhor que qualquer frase decorada de algum poeta morto. - Ti amo, mia bella! - adorava ouvir o seu sotaque, que raramente ela deixava transparecer.
- Também te amo, mãe! - ficamos abraçadas até que Shakira se pronunciou cravando as suas unhas em meu pescoço. - Ai, gata! Você ri! - bufei mal humorada com agressão gratuita - Vou te levar a um especialista, você é muito bipolar! - coloquei ela no chão e saiu pulando como se nada tivesse acontecido.
- Eu quero, mãe! Olha que fofa! Vamos levá-la para casa e dar um lar... Você não tem dó dela, mãezinha...?! - Sam imitava uma voz infantil, repetindo tudo o que eu havia falado para convencê-la adotar Shakira - Agora você aguenta! - sorriu, sentando-se.
- Eu mereço! - fui em direção ao banheiro, fazer a minha higiene.
- Isa? Vou na casa da tia Isabel, você quer ir? - perguntou quando sentei para comer.
- Quero sim! Me dá um muito? - estava terminando de passar manteiga no pão para assá-lo.
- Pode comer, estou terminando de enviar uns emails. - sem desviar atenção do celular.

Beberiquei o meu capuccino repassando tudo o que faria na próxima semana. O meu curso estava sendo puxado, com as provas próximas estava exigindo muito do meu tempo, por isso acabei cedendo a vontade de comemorar o meu aniversário em uma balada com as minhas amigas, Aline e Giovana. Sinceramente, sou bem caseira, mas estava cansada de sair da faculdade para casa apenas para estudar, queria também poder curtir um pouco, ainda que fosse apenas esse final de semana.

- Terminou? - estava em pé, pegando a chave do carro.
- Uhum, vou me trocar.
- Eu te espero no carro. - saiu com o semblante sério.


"O que será que houve?" Bati rapidamente a toalha e dei um jeito na xícara e na faca que sujei. O meu problema foi sair com a gata agarrada na minha perna. "Aff!"

 

***

 

- Que surpresa gostosa! - acolheu-me em um abraço apertado - Feliz aniversário, meu amor! - beijou as minhas faces - Que Deus te proteja, te guarde e guie sempre! - segurou firme a minha mão.
- Obrigada, mamãe Bel! - fiquei aconchegada ao seu lado no sofá. - Como a senhora está? - perguntei observando a sua face sorridente.
- Melhor impossível! - falou beijando a minha mão - Venha cá, Samantha! Por que está carrancuda? - puxou pela mão para se sentar do seu lado oposto.
- Trabalho tia, apenas isso. - beijando-lhe a face, abraçando-a.
- Você trabalha demais, Samantha! - ponderou - Precisa sair e namorar, viver mais e aproveitar mais o seu tempo com essa preciosidade!
- Pois é... - resmunguei.
- Olhe para mim, estou velha mas vivo intensamente os meus dias! - sorria marotamente.


Notei a sobrancelha arqueada de minha mãe, antes de questionar:

- E esse viver intensamente tem a ver com o passeio de ontem a noite? - havia um ligeiro sorriso malicioso em seus lábios.
- Mas essa Márcia é muito fofoqueira!! - riu gostosamente.
- Agora eu entendi o por que o tio Deolindo está feliz da vida assoviando para os pássaros ali fora! - acompanhou a risada.


Levei um instante para entender do que elas estavam rindo, quando senti as minhas faces arderem. Levantei num pulo, e fui beber água. A cada risada e frases entre linhas delas, sentia as minhas faces queimarem. Assustei quando senti a mão tocando o meu ombro.

- Desculpa, Isa! - Márica me olhou preocupada - Você está bem? Meu Deus, você afogou! Consegue respirar? Seu rosto está vermelho demais! - falou rapidamente, quase chamando atenção das demais.
- Estou bem, Márcia! Calma! - sorri tentando tranquilizá-la - Eu só estava com o pensamento longe.
- Desculpa, Isa. Eu ainda estou um pouco nervosa pelo susto que os dois pombinhos me deram essa madrugada - respirou fundo - Enfim, feliz aniversário! - abraçou-me forte - Tudo de bom para você! Muita paz, saúde e felicidades!
- Obrigada. - lembrei-me - Você conseguiu o que eu pedi?

Deu um olhar cúmplice, acenando antes de me mostrar o endereço.

- Você vai comemorar bem os seus vinte e dois aninhos, né caçulinha? - apertou suavemente o meu nariz - Pode ficar tranquila, o meu amigo é segurança e vai liberar a entrada para vocês. - piscou.
- As meninas só sabem falar nessa boate... - peguei o celular, para mandar mensagem para elas. 

- Qual boate? - assustei com o olhar curioso de Sam sobre nós.

 

***

Samantha

 

"Francamente, o que Márcia tem na cabeça?!" Bati sultimente os meus dedos no volante esperando as meninas entrarem no carro. A mão de Isabella tocou a minha, respirei fundo sorrindo para as garotas, que estavam vestidas ou melhor dizendo despidas, que se acomodaram no banco. Olhei rapidamente para Isabella que entendeu o meu pensamento. O silêncio no carro logo foi esquecido quando elas começaram a mexer no celular e fofocar. Eu preferi acenar com a cabeça para evitar dizer alguns pensamentos nada sociáveis. Estacionei o carro tentando demonstrar a mesma empolgação delas.


- Podem ir na frente meninas, vou apenas trocar algumas palavrinhas com a Isa! - dei um sorriso forçado.
- Beleza, tia! - fechei a cara - Não demora, Bella! - saíram e atravessaram a rua parecendo duas pererecas saltitantes.
- Eu lá tenho cara de tia de marmanja? - me fiz de ofendida.
- Mãeee... - franziu a testa - Você que quis vir para me vigiar! - levantou sutilmente a sobrancelha, achei graça no gesto.
- Oxê! E você acha que eu me produzi toda assim só pra ficar te vigiando? - gesticulei dramaticamente, mostrando o meu look de camiseta bege com um decote discreto, uma jeans preta que valorizava as minhas pernas e uma bota de cano curto preta. - Eu até deixei você me maquiar.
- Sim! Eu tenho certeza! - sorriu achando graça do meu drama.
- Lembro muito bem de alguém concordar que eu precisava passar mais tempo com a minha preciosidade. - olhei inocente - Ou seja, você! - sorri ligeiramente - Pois eu estou! - argumentei.

Nos encaramos um instante antes dela falar rapidamente:


- Se eu não gostar do lugar, vamos embora? - pediu.
- Okay! - sorri - Farei o papel de mãe chata! - pisquei antes de sairmos do carro para entrarmos na fila.

Assim que entramos fiz um sinal discreto para Isabella, indicando que ficaria no bar e sussurrei um divirta-se!

- Uma cerveja. - pedi para a Bartender.

Procurei o melhor lugar ali no bar para ter uma visão da minha pequena, e pelo o que pude observar no local, não duvidaria que ela precisaria de socorro. Não fiquei nem cinco minutos sem que alguém viesse me abordar com papinho furado.

- Mas será que uma mulher não pode se divertir sozinha em um bar!? - falou próxima ao meu ouvido devido ao som das músicas.

Virei sorrindo surpresa, abraçando uma antiga amiga.

- Donna, menina há quanto tempo!? - os nossos corpos ficaram próximos por conta das pessoas no bar.
- Até demais! - sorriu olhando para a minha boca - Eu tive a impressão de ter visto uma cópia feminina sua dançando.
- Ei! Ainda sou muito feminina, só não tenho dito tempo para desenterrá-la do meu guarda roupas. - brinquei, sussurrando em seu ouvido.
- Eu adoraria desenterrar muitas coisas desse guarda roupas. - retrucou quase roçando os seus lábios nos meus.

Trocamos um sorriso saudoso deixando o flerte surgir naturalmente.

 

***

Isabella

 

Confesso que estava me divertindo demais, amando a discrição da minha mãe que sumiu de vista assim que entramos. Encontramos um pequeno grupinho de colegas do cursinho para curtir a noite. Aline estava aos beijos com um ficante da faculdade, e Giovana paquerando a  Michelle que parecia estar achando graça das tentativas da outra. Bebi umas duas cervejas (algo que eu não estava muito acostumada), relaxei dançando. Em determinado momento, um garçom se aproximou e avisou que para mim e meus convidados, à área vip estava liberada. Olhei um momento sem entender até que ele indicou o bar, onde eu pude ver a minha mãe sorrindo alegremente com uma negra (muito bonita por sinal) cochichando algo em seu ouvido, que claramente ela não deixava ofuscar a satisfação no que era dito. Ela ergueu sutilmente o copo de bebida, e eu aceitei o presente. O pessoal ficou mais animado quando fomos para o piso superior que era bem exclusivo, entendi bem o porque assim que chegamos. Aline e Cristiano logo sumiram entrando em algum dos camarotes privados. A música tocava o suficientemente alta para abafar os sons que ocasionalmente poderiam vir daqueles camarotes fechados. Peguei outra bebida para tentar diminuir a tensão que se apossou do meu corpo, tentei relaxar novamente. Aos poucos bebericando e conversando senti o meu corpo relaxar, para em seguida sentir um calor que se alastrou rapidamente quando percebi o seu olhar. O meu coração descompassou com a força daquele sorriso safado, a loira de olhar quente continuou dançando... para mim? Engoli seco. Por um momento achei que fosse desmaiar tamanha a sua presença. A minha garganta estava tão seca que o único som que saiu da minha boca foi um oi, que foi abafado pelos lábios famintos. O meu corpo inteiro arrepiou quando o seu corpo colou no meu. Não que eu nunca tivesse ficado com alguma menina esporadicamente, eu só não esperava ser pega por aquele mulherão. O meu corpo não me respondia mais, ouvi o comentário entusiasmado de Giovana assim que nos separamos para tomar fôlego.

- Nossaaa!! Eu também quero um presente de aniversário desses!!

- É seu aniversário? - sussurrou entre os meus lábios. "Que voz aveludada!", pensei excitada.
- É, sim...! - gaguejei.
- Parabéns! - sorriu prazerosamente, tive gana de perguntar no que estava pensando. - Quer sair daqui? - mordiscou o meu queixo - Posso te levar a um lugar mais apropriado para comemorarmos?! - apertou suavemente a minha nuca, devorando os meus lábios em um beijo cheio de vontade.

Tive dificuldade em pensar, de agir, até mesmo de respirar, acabei gaguejando:

- Smm... nã... digo... eu, eu...

Sorriu dando um selinho em meus lábios, tomando a situação sobre controle.

- Me dê apenas um minuto! - piscou soltando-me.

Giovana teve que me segurar um momento, sentia perdendo a força em minhas pernas. "Seria o efeito do excesso de bebida, ou... tesão? Deixa de ser burra, Isabella! É tão óbvio! Meu Deus! Eu concordei em sair com ela, o que eu faço?"

 

- Filha, você está bem? - olhei assustada para o olhar preocupado da minha mãe. "PQP! ESQUECI DA MINHA MÃE!". - Aconteceu algo? Isabella, você está passando mal?- tocou a minha face.
- Ela está sim, tia! - Gi tentando me socorrer - Sabe como é a Bella, acabou exagerando um pouquinho na bebida.
- Isso mãe... eu só fiquei um pouco cansada... vou me sentar um minuto, não se preocupa... pode ir curtir a sua... ficante. - tentei dispensá-la rapidamente.
- Isso, tia! - olhou feio para Giovana - Digo, mãe da Bella... pode ir que eu cuido dela. - prontificou-se.
- Sente-se, Isabella! Eu vou buscar uma coca para voc...

 

Pisquei diversas vezes achando que era efeito da bebida. Um gosto ruim subiu a minha garganta com aquela cena. Senti diversas sensações em tão pouquíssimo tempo; eufória, tesão, pânico e raiva. Os meus olhos arderam de raiva diante daquela visão. Só consegui pronunciar uma palavra assim que elas se soltaram. Sam! Sai dali o mais rápido possível, enquanto ainda sentia forças em minhas pernas, foi o tempo de chegar na rua e virar a esquina. Senti a minha cabeça rodar, em seguida suas mãos fortes envolvendo o meu braço e me auxiliando em seguida quando curvei e coloquei para fora toda a ânsia que senti.

 

***

Samantha

 

- Sabe que eu tenho um camarote privado aqui? Prontinho para ser usado quando eu quiser? - as suas mãos passeavam pelo o meu corpo de maneira discreta.
- Donna... - estava apreciando muito aquela conversa, queria saber até onde iríamos dessa vez - Você sabe que nunca da certo quando ficamos juntas.
- Estou pedindo para vivermos o agora, baby! - beijou o meu pescoço - Eu aprendi que com você, é só o agora! - mordiscou suavemente a minha orelha - Então não nos prive disso... - pediu, invadindo a minha camiseta arranhando as minhas costas. - Não se preocupe com a pequena, eu cuido dos meus.

 

Esperou a minha resposta que foi um singelo sorriso pelas promessas daquela noite. Donna, beijou o canto da minha boca acenando para um garçom. Não escondi o meu olhar de desejo por aquele corpo cheio de curvas por baixo daquele vestido. Isabella me olhou sem entender, ate que indiquei que estava tudo bem. Donna estava falando pequenas obscenidades em meu ouvido, sem tirar a mão de dentro da minha camiseta deixando-me marcada. Subimos para o piso superior mas antes de chegarmos ao camorote, um rapaz que era o outro sócio da boate pediu para falar um minuto com a Donna, que por sua vez contou que após o divórcio com um empresário, acabou se envolvendo com o ramo de eventos e festas, estava investindo naquele lugar. Aproveitei e fui rapidinho no banheiro. Estava secando as minhas mãos quando um casal me empurrou contra a parede, foi quando notei a presença dela. Parei um momento para apreciar a visão dela inclinada suavemente para frente, observando a maquiagem quando notou o meu olhar. Os meus olhos sorriam gulosos pela fome que senti, lamentei não poder convidá-la para festinha particular com Donna, sorri saindo do banheiro com a ideia que provavelmente não seria negada pela outra. Estava me aproximando de Donna quando fui interceptada por uma garota um tanto atrevida.

 

- Você é a Sam? - olhou-me dando um sorriso safado - A mãe da Bellinha?! - "É Isabella para você!", suspirei concordando. - Agora eu sei de onde ela puxou tanta beleza. - "Sério isso garota?" - Acho que é falta de atenção da Bella deixar a mãe dela, por ai... desacompanhada - estreitei os meus olhos - Eu posso te pagar uma bebida? - sorriu aproximando o seu corpo do meu.

 

"Eu posso te comprar um babador?!", pensei e antes que eu pudesse dizer algo, vi Isabella parada com a mão no peito. Ignorei a pirralha e fui em direção a minha filha.

 

- Filha, você está bem? - toquei a sua face, o que se sucedeu me deixou completamente perdida.

 

Eu estava me virando para buscar uma coca para Isabella quando fui agarrada pela mulher do banheiro. Até tentei resistir ao beijo, a situação, mas ela tinha um toque quente, uma gula em seu beijo que o tesão que eu estava veio com força fazendo eu ceder um momento. Lembrei-me de Isabella, e me recrimei por deixar o tesão predominar em vez de cuidar da minha filha. Não entendi o que houve, apenas a voz chorosa de Isabella e ela saindo apressada do local. Inconscientemente lamentei sair dos braços daquela mulher e fui ver o que tinha acontecido. Foi o tempo de alcançar Isabella que passou mal. Giovana veio em seguida, me ajudando a levá-la para o carro. Levei Isabella para casa que não demorou para apagar no banco do passageiro. Assim que chegamos, peguei Isa no colo e ajudei a tomar um ducha para depois colocá-la na cama, dormindo profundamente. Tirei a minha roupa e fui tomar uma ducha gelada, ainda que o tempo estivesse um pouco frio o meu corpo estava queimando de tesão.

 

continua...

 

Capitulo 3 por KFSilver

Laura

 

Mantive os meus olhos fechados adorando sentir a sua boca em meu pescoço; beijando, chupando, mordendo-o. Suspirei excitada com os seus toques em meu corpo, explorando atrevida. Tentei tocá-la, mas prendeu os meus pulsos com a sua mão forte, levando-os sobre a minha cabeça. A sua risada rouca abafada pelos beijos em meu pescoço estavam me enlouquecendo, a sua boca exigente explorava todo o meu colo, fazendo rastros molhados. Laura, sussurrou o meu nome. Entreabri os meus olhos encarando os olhos azuis escurecidos pelo desejo. Desceu até o meu ventre buscando a minha intimidade. Arfei, quando a sua boca quente envolveu o meu grelinho, chupando-o com gula. A sua boca me chupava com maestria. Estava quase gozando quando ouvi novamente o meu nome. Olhei para o lado, encarando o seu sorriso tímido que aos poucos se tornou devasso, envolveu o meu rosto buscando a minha boca. O beijo foi tão prazeroso quanto a outra boca que me sugava com gula. Senti o ar faltar em meus pulmões quando o meu corpo convulsou deliciosamente em sua língua, ao mesmo tempo que a minha era sugada pela boca da mais jovem.

- Ahhhh... - respirei com dificuldade, despertando.

A pouca claridade se fazia presente em meu quarto. O meu corpo estava ensopado de suor, completamente arrepiado. Olhei um momento ao redor tentando distinguir o que foi sonho e o que é realidade. Os meus olhos desceram para a minha mão, retirei devagar os meus dedos melados pelo gozo que veio forte. Deixei o meu corpo relaxar na cama enquanto a minha respiração voltava ao normal.

- Bom dia, Laurinha! - Maya beijou o meu rosto, oferecendo-me um suco. - Dormiu bem? - observou.

Suspirei, aceitando o suco e me acomodando na cadeira.

- Bem até demais... - peguei uma torrada, passando geleia de morango. - Tive aquele sonho novamente... - revelei bebericando o suco de laranja.
- Imaginei! - sorriu marota - Com os seus gemidos... por um momento até me preocupei. - levou à boca uma colherada de cereal. - Com quem sonhou dessa vez? - olhou com interesse.
- Com a Sam... e com a Isa! - mordi com vontade a torrada, estava com apetite.

Assoviou safada, comentando:

- O que essas mulheres fizeram com a cabeça da minha pobre irmãzinha?! - sorriu incrédula - Ah, Deus! Como eu queria ter estado lá! - riu - Não acredito que perdi um negócio desses! - lamentou sorrindo.
- Provavelmente eu não teria feito essa confusão! - pensei - Nem nós que somos irmãs somos tão parecidas! - peguei outra torrada, meu apetite estava voraz.
- Quando a genética é boa, não tem discussão! - levantou - Euzinha por exemplo: posso comer tudo o que tem nessa mesa, que não engordo nadinha! - exibiu a boa forma física - Agora, você por outro lado, se comer mais uma torrada vai sair quicando no chão. - brincou.
- Ei! - larguei a torrada - Estou de férias, da licença?! - resmunguei.
- Pois eu não estou! - mexeu no celular - Hoje eu terei outro evento de exposição. - olhou-me - Deveria passar lá, sempre tem mulheres e homens ricos a procura de relíquias. - deu um meio sorriso - Nada melhor que sair para gastar dinheiro e curtir a noitada em ótima companhia. - sugeriu, balançando as sobrancelhas.
- Aff! Você não presta, Maya! - suspirei - Talvez eu passe lá mais tarde. Talvez! - adverti.

Ela deu um sorriso contido indo tomar banho, mas não antes de soltar um:

- Não sou eu que estou tendo sonhos obscenos com mãe e filha! - sumiu pelo corredor.

"Cretina! Pra quê eu fui contar para ela?" Lamentei. Durante a semana que se passou, eu procurei relaxar e aproveitar da melhor maneira possível o meu descanso, o que era impossível. Na santa hora do meu sono era onde começavam os meus tormentos. A princípio o meu dia era repleto de lembranças daqueles beijos, então eu procurava me manter ocupada o suficiente para esquecê-los, pelo menos por hora, pois assim que eu deitava para descansar os meus sonhos eram envolvidos por fantasias que eu nunca poderia cumprir, o que me deixava completamente frustrada. Não nego que voltei para a boate LA PASSION tentando em vão encontrá-las, ou pelo menos uma delas, o que nunca aconteceu. Acabei ficando ou tentando ficar com outras mulheres, até mais bonitas, segundo o que o Diego dizia, mas nenhuma foi marcante o bastante para me fazer esquecer aquelas doces tentações. "Que DOCES tentações, Laura! Se situa mulher!" Esbravejei mentalmente. "Elas se tornaram os meus piores tormentos, isso sim! Não posso nem brincar mais sozinha que uma delas se faz presente!". Suspirei irritada, levantei decidida a aproveitar aquela noite da melhor maneira possível. Passei o dia na academia, planejando o que vestir.

***

- Daqui a pouco começa o filme, Laura! - Otávio resmungou aborrecido - Aqui só tem carro velho! - irritado com Diego que estava babando pelos carros apresentados.

Estávamos no Shopping onde acontecia uma prévia da exposição de automóveis que teríamos naquela semana na região. Sinceramente, eu nunca tive interesse por carros. O meu pai sempre foi fascinado. Lembro-me de ter ido apenas uma vez com ele, ainda quando era pequena em uma exposição de admiradores de fuscas. "Não sei como tem gente que gosta dessa lata de sardinha!". Sorri com a lembrança de quando eu fazia esse tipo de comentário e ele ficava ofendido.

- Caraca! Olha esse dodge charger 1970!! - falou admirado - Eu quero! - olhou pidão para Otávio.
- Nem se eu ganhasse na loteria! - resmungou - Vai! Fica perto que eu tiro uma foto de recordação. - sorriu contido pela euforia do namorado.

A alegria de Otávio só não foi maior, quando a promotora de eventos deixou Diego sentar no banco do motorista, ele quase beijou ela de felicidade. Achei graça do ciúmes de Otávio pela empolgação do outro. Olhei ao redor e fiquei encantada com a cor vermelho do carro. Aproximei olhando o seu interior de couro; cor creme com detalhes vermelhos e pretos. "O meu velho iria amar!". Sorri embevecida pegando o meu celular e tirando uma foto, mandando para ele no zap.

- É, você realmente tem bom gosto! - arrepiei ouvindo a sua voz atrás de mim.

 

***

Isabella

Coloquei o travesseiro sobre a cabeça para diminuir o som irritante. Sentia a minha cabeça latejando e o miado insistente não estava ajudando. "Para o mundo que eu quero descer!" Lamentei ter sentado rápido. Fechei os meus olhos tentando diminuir a vertigem que senti, a minha cabeça estava explodindo. A porta abriu lentamente dando passagem a um dos motivos da minha dor de cabeça. Shakira pulou na minha cama, tomando posse do meu colo. Sam foi até a janela, abriu a veneziana o suficiente para entrar um pouco de claridade no quarto.

- Bom dia! - falou suavemente - Como está a cabeça? - perguntou aproximando-se.
- Dor, muita dor! - murmurei apertando minha têmpora com uma mão, e acariciando Shakira com a outra.
- Tome. - entregou uma aspirina e uma garrafinha de água com gás.

Esperou eu engolir o comprimido e beber a água, colocou a tigela com salada de frutas no criado mudo. Sentou na cama, pegando Shakira para que eu pudesse comer em paz. Aos poucos me senti melhor, continuei bebendo a água ápos o desjejum.

- Pode me contar o que aconteceu ontem? Por que você saiu correndo daquele jeito? - percebi a sua preocupação.
- Não quero falar disso agora. - eu ainda estava confusa com tudo o que tinha acontecido. - Só quero dormir mais um pouquinho. - pedi.
- Isa... filha, você sabe que pode conversar comigo sobre qualquer coisa, né? - insistiu, respirou fundo - Sei que é estranho me ver com outra mulher, mas não foi para tanto... - pensativa. - Achei que já tivéssemos nos entendido a respeito da minha sexualidade...
- Mãe, para! Por favor! - arqueou as sobrancelhas - Não foi nada disso, eu só... - olhou-me curiosa - Só bebi demais! - omiti envergonhada.

Apertou o seu maxilar, sabia que eu não estava sendo completamente sincera, mas concordou em me deixar descansar mais. Antes de sair, avisou que mais tarde iria me buscar para irmos a festinha que ela preparou para mim, concordei fechando os meus olhos e dormindo com Shakira em meus braços. Os meus sonhos foram envolvidos pela lembrança do seu perfume, o seu toque, o seu beijo. Suspirei, dormindo profundamente.

***

- Caraca, Isa! - olhou incrédula - Você ficou com a mesma mulher que a sua mãe pegou! - colocou a mão na boca.
- Fala baixo, Sabrina! - puxei mais para o canto - Corrigindo; ela que ficou! - confessei.
- E o que ela disse? - ainda tinha o olhar de espanto - Digo, isso deve ter sido estranho pra caralho!
- Ela não disse nada, por que não sabe! - suspirei - E vai continuar não sabendo, estamos entendidas? - olhei séria.
- Pelo amor de Deus, Isa! Porquê não conta logo pra ela que você é... - interrompi.
- Eu não sou nada! - forcei um sorriso para os demais que olharam em nossa direção - Eu não sei o que eu sou... então como posso dizer algo pra ela? - confessei.
- No mínimo você é bi! - confirmou - Até porque Sam é tranquila demais, não sei por que você não conversa com ela sobre isso. Ela é a melhor pessoa para você desabafar! - aconselhou. - Ela é a sua mãe! - incentivou.

Respirei fundo, refletindo o que Sabrina havia me dito. Apenas uma vez comentei algo a respeito da minha sexualidade com a minha mãe e isso foi quando eu tinha apenas catorze anos. Na época eu estava começando a gostar de uma colega de classe, quando falei para Sam, ela me olhou e perguntou se eu não estaria confundindo a amizade com ela com outro sentimento. Conversamos bastante, mas nada que tivesse me incentivado a tentar algo. Confesso que esperava mais apoio dela, acabei me afastando da garota e ignorando a recém descoberta.

- Isa? - aproximou sorrindo - Vem, eu quero te mostrar algo! - esticou a mão.

Olhei para Sabrina, que piscou incentivando-me. Peguei a sua mão e acompanhei até o interior da oficina.

 

***

Samantha

 

Acordei cedo e fui preparar o desjejum para Isabella, sabia que ela iria acordar com ressaca. Isabella era um pouco fraca para bebidas, não fiquei surpresa dela ter exagerado afinal estava comemorando o seu aniversário. Percebi Shakira arranhando e miando na frente da porta fechada, dei um ligeiro sorriso, sabia que aquilo seria melhor que um sermão sobre excesso de bebida. Terminei de preparar a salada de frutas e fui em direção ao quarto, abrindo devagar a porta. Shakira se aninhou no colo de Isa enquanto observei a cara amassada da pequena, contive o sorriso questionando como estava a sua cabeça. Reclamou de dor de cabeça entreguei o comprimido e a água para ela hidratar o corpo. Comeu em silêncio, eu estava curiosa a respeito do que havia acontecido na noite passada, mas Isa estava um tanto arisca, estranhei, mas relevei por conta da ressaca. Avisei que iria buscá-la mais tarde para comemorarmos o seu aniversário e sai. Cuidei da louça e coloquei o vestido que Isa usou na noite anterior para lavar. Assim que entrei no carro recebi uma ligação.

- Alô? - sorri com a sua voz levemente irritada.
- Ora Samantha! Esperava um pouquinho mais de consideração de você! - recriminou - Poxa, estávamos em um clima tão gostoso ontem a noite e você simplesmente me larga na mão! - murmurou chateada. - E eu que estava louca pra te dar gostoso... - sua voz rouca. - O que eu faço agora? Passei a noite cheia de tesão... - falou com manha - Agora estou nessa cama solitária... quentinha... apenas ouvindo a sua respiração - gemeu tão gostoso que senti o meu corpo arrepiar - Me tocando em vez te ter a sua boca devorando gostoso o meu grelinho... - gemeu mais baixinho - bebendo o meu melzinho... Sam... - arfou, gemendo e chamando por mim, suspirei excitada.
- Estou a caminho! - deixei no viva voz e segui até a sua casa.

 

***

 

- Donna, para de me torturar! - ralhei sorrindo para ela que me tocava por cima do tecido.
- Tem certeza? - sorriu maliciosa apertando gostoso entre as minhas pernas.
- Sim... Isa está vindo! - piscou divertida, se ajeitando no banco.
- Vou logo avisando que quero mais! - exigiu com um sorriso sacana.

Sorri e pigarrei disfarçando quando Isabella entrou no carro. Donna virou para ela cumprimentando, percebi a estranheza na face de Isabella. Donna passou todo o caminho puxando diversos assuntos.

Chegamos na oficina e fomos em direção ao pátio nos fundos, onde eu mandei cobrir parte para termos uma área de churrasco. Usávamos ali quando tínhamos alguma confraternização no final do ano para os meus funcionários, ou para pequena exposição de carros que havíamos restaurado ou personalizado. Apresentei Donna para toda a minha equipe presente, que sorriram animados pela beleza negra. Donna sabia lidar bem com o público, assunto e piadas não faltaram. A festa fluiu bem, comíamos e bebíamos nos divertindo, até tia Isabel estava dançando com o seu marido, e Márcia fofocando com Donna e Cida.

Em um determinado momento notei Sabrina e Isabella em um lugar mais afastado dos demais, as expressões e gestos de Sabrina chamaram a minha atenção.

- Antunes entrou em contato comigo essa semana. - meu pai comentou. - Quer cinco carros para a exposição e ofereceu um bom dinheiro pelo conversível. Ficou apaixonado pelo fusquinha! - comentou alegrinho.
- Espero que tenha dito que ele não está a venda, você sabe que ele é bem chato. - achei graça das faces coradas do meu pai.
- Bom, se a Isa não quiser o carro, já temos um comprador garantido! - bebeu um longo gole da cerveja - E ele quer incluir o fusquinha na exposição. - completou antes de arrotar.
- Aff! Porco! - resmunguei - Irei pensar no caso. - entreguei a minha cerveja para ele - Vou mostrar o presente para Isa.

Aproximei das meninas e pedi para Isabella me acompanhar, estava ansiosa para ver a reação dela. Percebi que Isabella ainda estava um pouco distante, abracei o seu corpo enquanto entrávamos na oficina.

- Você está bem, filha? Ainda está com dor de cabeça? - questionei preocupada.
- Não mãe, a dor já passou. - retribuiu o abraço - Estou bem! - beijou a minha face.
- Está tudo bem com você e a Sabrina? Notei que ela pareceu um pouco estranha. - observei.
- Sabrina é estranha, mãe! - riu - Não foi nada demais, assunto nosso.  - desconversou. - Uau! Sempre me surpreendo com o trabalho que vocês fazem aqui... - olhou para os carros separados - São para a exposição? - confirmei - Farão sucesso! - sorriu orgulhosa.

Era muito satisfatório saber que Isabella tinha orgulho do nosso trabalho. Indiquei o pequeno besouro vermelho para ela que sorriu animada.

- Que lindinho!! - olhou o carro com admiração - Posso? - pediu para entrar nele que estava com a capota abaixada, assenti. - Que luxuoso! Amei esses detalhes! - tocou carinhosa o estofamento - Adorei o designer desse painel! - passou os dedos cuidadosamente tocando-o.
- Dê a partida. - pedi.

Isabella não se fez de rogada, ligou o carro e deixou que ouvíssemos o ronco do seu motor adptado de 1.3 para 1.6 AP com a sua direção hidráulica. O pessoal entrou assim que ouviram o som do motor, sabiam da surpresa para ela. Fiz sinal para ela desligar, foi quando ela notou o chaveiro personalizado do carro com as suas iniciais. Olhou um instante para o chaveiro e depois me olhou surpresa, dei um sorriso confirmando o seu pensamento. A sua reação foi abraçar o meu pescoço sem conter a emoção. Respirei fundo para evitar expor a minha emoção, comentei sobre o trabalho do pessoal e claro, o trabalho impecável de Cida na tapeçaria do veículo. Isabella abraçou a todos, alguns não contiveram a emoção pela felicidade da minha pequena. Até o meu pai que tava chumbado na cerveja chorou junto a ela.

- Deixa ela dar uma volta no pátio com ele, filha. - a voz do meu pai já estava arrastada. - Eu vou com ela... - interrompi.
- Não, pai! Pode ficar sentadinho ai que eu vou! - rimos quando ele ficou emburrado.

Isabella não continha a alegria em poder dar umas voltinhas com o seu carrinho pelo lugar, mas infelizmente ela ainda não tinha tirado a sua habilitação já que estava focada na faculdade, então combinamos que ele ficaria aqui esperando ansioso pela dona.

Alguns já tinham ido embora depois que o bolo foi cortado, eu estava mostrando o meu escritório para Donna. Ela estava encostada em minha mesa rindo das nossas recordações.

- Menina, eu nunca senti tanta coceira na minha vida! Meu Deus! - riu e me deu tapinha na perna - Cachorra! Você ficou rindo da minha desgraça! - sentou no meu colo.
- Eu falei para você que não era uma boa ideia transar naquele matagal! - imitei os gestos - Vem, Samy! Estou morrendo de tesão! Quero realizar a minha fantasia... - gargalhei com os tapinhas que levei dela.
- Cachorra! - sorriu mordiscando o meu lábio inferior - A culpa é sua por me deixar cheia de tesão! - falava entre meus lábios. - Adoro o seu jeito de me olhar, me perco nesse azul... - mordeu o meu pescoço, buscando a minha boca em seguida.

Apertei com vontade a sua bunda, o gemido em minha boca só me deixou com mais vontade. O nosso beijo era cheio de desejo, as minhas mãos exploravam o seu corpo. Invadi a sua saia, subindo até a sua coxa grossa. Donna, gemia deliciosamente em meu ouvido, mordiscando a minha orelha, arranhando o meu pescoço. Levantei a sua blusa expondo os fartos seios presos na lingerie vermelha. Passei a minha língua entre o vale, abrindo o sutiã. Coloquei Donna sentada na minha mesa e fiquei entre as suas pernas, devorando os bicos enrijecidos. As suas mãos arranhavam os meus ombros e costas, puxando-me mais para ela. Me deliciei com aqueles montes, enlouquecendo-a que pedia, gemia, rebolava implorando para um toque mais profundo. Os meus dedos entraram deslizando pela sua bucetinha molhada, iniciei um vai e vem exigente,  não demorou muito para ela me presentear com o seu mel. A minha boca marcava a sua barriga, o seu ventre. O seu cheiro delicioso de fêmea me deixou com água na boca, abocanhei sem dó aquele ponto sensível. Donna deu um gemido tão alto que com certeza ainda que a música lá fora estivesse alta, todos tinham ouvido.

Ficamos algum tempo nos curtindo em meu escritório, até que Donna, sugeriu brincadeiras bem gratificantes em sua hidromassagem. Saímos sem nos despedir.

 

***

Passei a mão discretamente em meu pescoço, havia uma leve ardência pela recordação da noite passada. Donna tinha um toque possessivo, um fetiche bem animalesco. Ficamos juntas por dois dias, depois ela teve que viajar para outra cidade cuidar de outros negócios. Não fazíamos promessas, sabíamos o que queríamos e assim cada uma seguia a sua vida depois, sempre que ficava um gostinho de quero mais que em algum momento nós nos encontraríamos para saciar.

Olhei para a multidão, já tinha perdido Isabella de vista há muito tempo. Ficou um pouco na exposição orgulhosa do seu fusca que estava sendo uma das atrações, até que deu a hora e foi assistir um filme com as suas amigas. Participar de exposições fazia bem para os negócios; sempre ganhávamos novos clientes, alguns com pedidos excêntricos. Na maioria das vezes era para restaurar algum clássico. O preço variava dependendo do tipo de restauração. Eu estava indo para casa, quando dei a última passada pelo lugar. Troquei olhares e sorrisos mais provocantes com algumas promotoras, foi quando o meu olhar deparou com um belo par de pernas e uma bunda que me parecia bem familiar. Aproximei percebendo o sorriso de admiração dela pelo carro, fiquei um instante parada observando sem ser notada, quando ela pegou o celular para tirar uma foto que me fiz presente.

- É, você realmente tem bom gosto! - percebi o leve tremor em seu corpo.


A loira virou me olhou atentamente, achei graça da sua expressão de quem viu um fantasma. Aproximei do seu corpo para me apresentar, foi quando ela envolveu o meu pescoço beijando-me com vontade.

 

Continua...

 

Capitulo 4 por KFSilver

Laura


Sabe quando você quer muito uma coisa, mas por algum motivo o mundo parece conspirar contra? O que te causa uma tremenda frustração, e quando você finalmente esquece, puf, como mágica o seu desejo aparece manifestado na sua frente sorrindo. Doido, não? Pois é! Encarei aquela figura sedutora, imaginando que eu deveria estar tendo alucinações. O seu sorriso me atraiu de um jeito, que eu precisava ter certeza que não estava sonhando acordada. Senti as minhas pernas fraquejarem um segundo enquanto eu explorava a sua boca, as suas mãos fortes envolveram firme a minha cintura, puxando o meu corpo para o seu, suspirei com aquele contato. "Não é mais um sonho!" Sorri entre os seus lábios; buscando mais, permitindo mais, querendo mais! Aos poucos a falta de ar se fez presente e com muito sofrimento desgrudei daqueles lábios carnudos, que sorriam charmosos. Olhei um instante sobre o seu ombro, vendo os meninos gesticulando como se estivessem com falta de ar e dando um tchauzinho. Encarei o seu olhar curioso, ampliando em meus lábios o meu melhor sorriso.

- É sempre prazeroso te reencontrar... - arqueou sutilmente a sobrancelha, completei.
- Laura! - meus olhos brigavam entre encarar o seu olhar ou me perder naqueles lábios. - Sam... - arranhei suavemente a sua nuca.
- Laura... - repetiu com a voz rouca - Que bom que eu não preciso me apresentar... - olhou rapidamente ao redor - Já que não somos de perder tempo, acho melhor irmos a um lugar mais apropriado! - sussurrou entre os meus lábios, pegando forte em minha bunda.

Sorri satisfeita, deixei que nos guiasse entre a multidão. O nosso caminho foi repleto de beijos e troca de olhares. Não demorou muito para chegarmos ao nosso destino, em um bairro considerado nobre. Subimos até o seu apartamento sem desgrudarmos as nossas bocas. A minha vontade dela estava me consumindo desde que a vi pelo espelho e depois daquele beijo, eu tinha urgência em saciar aquela vontade. Sorrimos pelo constrangimento do casal mais velho no elevador. Sam me pressionou contra a porta enquanto tentava abri-lá, a minha boca explorava aquele pescoço alvo com algumas pintinhas discretas. Não deixei de notar alguns arranhões típicos em seu pescoço, aquilo só me atiçou mais, atrevida enfiei a minha mão dentro da sua calça, ali mesmo no corredor. Sam pressionou mais o meu corpo na porta, abafando um "PQP!" em meu pescoço, fiquei deliciada com o que encontrei entre suas pernas. Gemi quando mordeu forte o meu pescoço tentando abafar os gemidos que arranquei de sua garganta. Samantha abriu a porta desesperada, os seus olhos haviam escuridos e o meu corpo reagiu diante daquele olhar, daquela lembrança que só tinha presenciado em meus sonhos mais eróticos com a mesma. Fechou a porta de qualquer jeito com o pé, tomando posse da minha boca. As suas mãos experientes iam tirando as nossas roupas pelo caminho até o quarto. O tesão era tanto que não aguentei até chegar lá, puxei pelo pescoço o seu corpo pressionou o meu contra a parede, exigi o seu toque mais íntimo. Cravei as minhas unhas em suas costas ao contato de seus dedos longos invadindo o meu inteiror, explorando-me deliciosamente. Não havia maneira de descrever o quanto eu desejei aquele toque e o quão maravilhoso era. Levantei a minha perna para mais contato, Samantha devorava o meu pescoço marcando, chupando-o, sem parar de estocar com vontade. O gozo veio rápido, só o tempo dela tirar os dedos e me pegar no colo. As minhas pernas abraçaram a sua cintura, as nossas bocas se buscavam com fome, nem quando os nossos corpos caíram naquela cama deixei que ela se afastasse um centímentro que fosse, iniciando um rebolado ritmado. Exigi o seu olhar quando o nosso gozo veio forte. Contornei os seus lábios com o meu polegar que foi acariciado com a sua língua, chupando-o sedutoramente. Suspirei diante daquela visão, Samantha tinha um olhar predatório, em seus lábios um ligeiro sorriso cafajeste quando roçou a sua boca em meu bico enrijecido, brincando com a pontinha da língua, iniciando um tortura deliciosa. Samantha estava me levando a loucura, explorando todo o meu corpo marcando-o com os seus toques possessivos, com os seus beijos quentes e molhados. Sam explorou a minha intimidade sem pressa, se superando a cada gozo que me proporcionava.

Samantha estava abraçando-me por trás, estávamos curtindo após o seu gozo delicioso. O seu braço em minha cintura entrelaçando os nossos dedos, os nossos beijos eram preguiçosos, carinhosos. Não percebi quando eu adormeci em seus braços, despertei quando seu corpo desgrudou do meu para ir ao outro cômodo atender o celular. Não escondi o sorriso de satisfação em meu rosto, virei e abracei o seu travesseiro que mantinha o perfume de seus cabelos. Acendi o abajur no criado mudo ao lado da cama, parei um momento prestando atenção naquele ambiente. O quarto tinha tons claros e mobílias modernas que davam grande contraste no ambiente. Deixei a curiosidade tomar conta e fui até a sala procurar por Samantha.

"Ta aí uma visão que eu poderia me acostumar facilmente!" Pensei ao ver Samantha de costas olhando para uma janela e conversando com alguém. Sam estava vestindo apenas uma camiseta que cobria parte da sua bunda, os seus cabelos negros levemente bagunçados estavam presos em um coque frouxo. "Diego é cego! Como não achar um mulherão desses linda? Tinha que ser gay mesmo!".

- Está tudo bem? - aproximei envolvendo as suas costas, beijando o seu ombro.
- Uhum! - desligou o celular, jogando-o na bolsa - Apenas avisando a minha filha que dormirei fora hoje. - pegou as minhas mãos virando-se para mim, sorrindo safada.


"Isabella!" Lembrei da minha outra tentação apenas um segundo. Sam pressionou o meu corpo contra a parede, devorando deliciosamente o meu pescoço. As suas mãos exigentes buscando por mais contato, arranhei as suas costas, precisava senti-la mais. Um som constrangedor. Troca de olhares. Minha face ficando roxa de vergonha, e de Sam vermelha pela gostosa gargalhada. Enfiei a minha face em seu pescoço querendo morrer. A morena apenas ria divertida, enlaçando a minha cintura guiando-me até a cozinha.


- É melhor eu te alimentar primeiro! - secou a lágrima que teimava escorrer em sua face - Não quero ser acusada por ter te privado de comida. - beijou a pontinha do meu nariz - Ou ter privado a sua criação de verminhos aí! - apontou para a minha barriga.
- Meu Deus, que vergonha! - por mais constrangida que eu estivesse pela traição do meu corpo, a risada de Sam era tão gostosa que não tinha como eu não rir junto.
- Você gosta de massa fresca? - questionou olhando para dentro da geladeira.
- Eu amo! - sorri empolgada.
- Ótimo! - retirou de uma travessa a massa e pegou outra com que parecia molho. - É melhor você vestir algo, senão de fato ficará sem comer! - advertiu divertida, piscando travessa.

Fui até Sam, envolvi o seu rosto roubando um selinho demorado. Ri com o tapinha que deu em minha bunda, antes de esquentar a comida. "Caramba! Não é à toa que estou faminta, já passa das 23horas!" Lamentei não ter lanchado a tarde, havia tomado apenas um suco. Só não lamentei ter passado aquelas horas deliciosas com a minha morena. "Minha! Se controla, Laura! Não vai dar uma de namorada stalker só por conta do sexo maravilhoso que fizeram! Deixa a loucura pra quem pertence; deixa tudo pra Maya!". Vesti a minha blusinha e voltei para a cozinha.

- Vinho? - ofereceu uma taça de tinto suave, aceitei de bom grado.

Beberiquei observando o jeito da morena nos preparativos da nossa refeição, já que ela havia negado ajuda. Sentei e apreciei a vista.

- O cheiro está delicioso! - comentei pensativa - Sabe que hoje foi o meu dia de sorte? - sorri.
- É mesmo? - olhou-me rapidamente - Por quê? - bebeu o vinho.
- Saiba que eu tinha programado um final de noite bem chato! - repensei sobre dizer que passei a semana pensando nelas. - Você me salvou de um filme chato e de me encher de gordices com os meus amigos.

Samantha não disse nada, sorriu discretamente servindo-me uma massa fresca com molho vermelho bem tradicional de tomates frescos, o que me deixou com água na boca.

- Buon appetito - ergueu a taça, brindando.

Jantamos em silêncio, apreciando a companhia uma da outra. Percebi os olhares de Sam, imagina que deveria ter curiosidades, procurei não demonstrar ansiedade em saber mais a seu respeito.

- Anda, pergunte! - Sam riu suavemente diante dos meus olhares.
- Me diz que você é chefe de cozinha que eu te peço em casamento agora! - brinquei, estava divino aquela massa e se nós não tivéssemos planos de aproveitar mais a noite, certamente eu teria repetido.
- Então não será essa noite que você irá casar! - piscou divertida, percebeu o meu olhar tristonho - Eu apenas tenho mãos muito habilidosas! - falou com um sorriso malicioso.
- Que eu espero aproveitar muito mais dessas habilidades! - retribui o sorriso, terminando a minha taça de vinho.

A conversa fluiu naturalmente, confesso que até falei um pouco demais. A bebida me deixava leve suficiente para tal, e a presença dela me deixava muito à vontade. Curiosamente falamos a respeito de quase tudo, menos sobre nós. Já estávamos na segunda garrafa de vinho, dançando e trocando carícias na sala com um som baixinho. Suspirei com os seus beijos, me deixei levar. Fechei os meus olhos curtindo o momento, as lembranças se fizeram presentes, não percebi quando falei demais.

- Que beijo? - questionou os atentos olhos azuis.

 

***

Isabella

 

Depois daquele presente, eu era só sorrisos. Até ignorei o fato da Sam sair de fininho com aquela mulher para ficarem se pegando. Donna! Eu me lembrei dela assim que a vi mais de perto, sentada no meu lugar no carro da minha mãe. A ressaca ainda está um pouco presente, a lembrança do beijo roubado e lembrar daquela mulher que por diversas vezes exigiu atenção da minha mãe quando eu era criança, me fez ficar de mau humor na hora. Mas agora eu estava feliz demais para deixar a presença dela entragar a festinha que a Sam preparou com tanto carinho. Confesso que fiquei bem atentada em conversar com a Sam a respeito do que havia acontecido e de como estava me sentindo, mas achei melhor esperar ficarmos a sós. Apenas Giovana compareceu na festinha, Aline estava parecendo gata no cio com aquele ficante dela, dei graças pela falta de presença dos outros, depois do que houve. Me diverti bastante com a minha mãe Bel, estava feliz por ela estar bem e poder sair para se divertir. Há algum tempo que ela vinha lutando contra um câncer de mama, e por diversas vezes precisava de cuidados especiais. Eu quase escolhi faculdade de medicina por causa dela, mas a minha vocação era em construir; especificamente robôs. O curso de mecatrônica era bem completo e puxado, porém extremamente gratificante. A princípio causou surpresa em todos, já que eu nunca demonstrei muito interesse por carros, mas desde pequena sempre que eu podia ficava até tarde vendo o meu avô Edson e minha mãe trabalhando juntos, os desenhos e a complexidade dos que eles faziam despertou o meu interesse em outras áreas.

Como eu previa a minha semana começou a todo vapor. Samantha fazia o que podia para estar em casa, quando não estava trabalhando na oficina, trabalhava no barracão ou saia para ficar com aquela mulher. Suspirei, "Essas duas só tem fogo!" Me animei quando soube da exposição e que o meu carro faria parte dela. Combinei com as meninas de irmos ver um filme depois e comermos um lanche. O meu desagrado ficou evidente quando eu vi o rapaz junto de Aline e Cristiano. Thales era um moreno simpático, mas o que ele tinha de simpatia descontava com insistência em querer ficar comigo. Eu queria matar Aline que sussurrou um sorry antes de voltar a ficar se agarrando com o Cristiano. Agarrei o braço de Giovana que assustou, entendendo o meu olhar assassino. Sinceramente, eu nem lembro que filme era, só que era aquelas comédias românticas clichês. Passei mais da metade do filme evitando a mão boba, ou cantadas baratas do incoveniente. Giovana tava cagando para nós, chorava de rir com a história do filme e Aline como sempre, desentupindo a pia com o fulaninho lá. "Aff!"

- Credo, que mau humor, Isa! - Giovana comentou enquanto estávamos na fila para pegarmos os nossos lanches.
- Você também ficaria se alguém ficasse o filme inteiro querendo o seu corpo nu! - murmurei aborrecida.
- Quem derá se a Mi me desse essa moral... - suspirou triste.
- Eu nem vou dizer mais nada, já sabe a minha opinião a respeito dela! - tentei não elevar a minha voz - Essa garota não presta! Até deu em cima da minha mãe! Não sei o que você viu nela. - olhei indignada.
- Maltrata que eu gamo? - deu de ombros - E eu não sou a única! - indicou Thales um pouco atrás de nós que sorria que nem retardado.
- Ah, pelo amor de Deus! - apertei a minha têmpora, agradecendo a moça que entregou o meu lanche e ignorando completamente o garoto.

Estava esperando um uber com Giovana depois que eu despachei com muito custo o encosto junto do casal. Havia acabado de falar com a minha mãe, que pelo tom de voz deveria estar dormindo, refiz o pensamento quando disse que não dormiria em casa, já tinha entendido o recado. Fiquei distraída mexendo no celular, quando fui abordada por uma senhora.

- Desculpe, mas você é filha de Samantha Giordano? - sorriu simpática - Não tenho dúvidas! Vocês são muito parecidas! - olhou-me atentamente - Desculpe o jeito, é que eu conheço a sua mãe há muito tempo. - percebi o sotaque carregado.
- É, ela é a minha mãe. - respondi a estranha.
- Tão bela quanto a mãe! - sorria orgulhosa - Qual é o seu nome minha criança? - não estava gostando nenhum um pouco daquela abordagem, eu iria mentir, mas Giovana retornou do banheiro bem na hora.
- Isa, o uber chegou! - chamou.
- Isabel? - percebi certo desconforto em sua face.
- Isabella! - corrigi, se aquilo era um sequestro eu tava pistola demais para papo furado, estava me preparando para dar um voadora no peito daquela mulher.
- Isabella... - repetiu - Lindo! - olhou para Giovana - Desculpe-me novamente, não quis parecer...
- Suspeita? - interrompi.
- É! - riu suavemente - Não nega a mãe que tem... - seus olhos tinham uma curiosidade que estava me incomodando - Por favor, diga a ela que Francesca mandou lembranças. - pediu.
- Eu direi! - dei um leve aceno e entrei no carro.
- Quem era Isa? - Giovana questionou vendo a estranha entrando no carro assim que saímos.
- Alguma amiguinha da minha mãe. - suspirei aborrecida. "Minha mãe não perdoa nem as coroas!", voltei a minha atenção para o celular.

 

Continua...

 

Capitulo 5 por KFSilver

Samantha


PQP! "Que tesão de mulher!" Foi a única coisa que pensei quando ela invadiu a minha calça explorando o meu interior ali mesmo no corredor. Quando entramos, avancei sobre aquele corpo, eu estava tomada pelo tesão. O seu cheiro, os seus toques e gemidos eram deliciosos, eu me deleitei diante daqueles orgasmos. A minha vontade dela estava longe de acabar. Assim que Laura gozou em minha boca, o sorriso em meus lábios demonstravam todas as minhas intenções com aquele corpo fogoso. Mordisquei o interior das suas coxas, fazendo um caminho até os seus pés, massageando-os, observando o seu corpo tremer pelo último gozo. Ajoelhei, erguendo a sua perna esquerda dando leves beijinhos enquanto arranhava suavemente, fiz o mesmo com a direita. Laura mantinha os seus olhos castanhos fechados, curtindo o meu carinho. Repousei a sua perna e engatinhei até o seu corpo, ficando por cima. Rocei os nossos lábios, esquivando suavemente dos seus beijos. Sorri discretamente quando entreabriu os olhos, olhando levemente aborrecida pegando o meu rosto exigindo o seu beijo. As nossas línguas se buscavam, os sabores que combinavam. As mãos de Laura arranhavam as minhas costas deixando o meu corpo aceso, provocando-me. Mordisquei o seu queixo, beijando-o, rebolando excitando mais o seu corpo. Foi quando peguei as suas mãos e as prendi sobre a sua cabeça, que os olhos de Laura pareciam ter despertado, imaginei uma possível fantasia dela. Explorei aquele colo que possuía sardas por toda extensão. Laura estava gemendo, se contorcendo e o gozo estava próximo, parei rapidamente pegando-a de surpresa, sem dar tempo dela reclamar, virei o seu corpo na cama, colocando de bruços. Meti forte dois dedos em seu interior, sussurrei em seu ouvido um "empina pra mim, gostosa!" A loira foi a loucura, engolindo os meus dedos, gemendo, enquanto eu me deliciava com aquela bunda gostosa, estava morrendo de tesão e vontade dela. Os meus dedos foram esmagados o que me fez gozar quase em seguida, deixando o meu cheiro nela. Retirei devagar os meus dedos, arrancando um suspiro de seus lábios, deitei ao seu lado puxando o seu corpo para o meu. Laura, entrelaçou os nossos dedos, buscando pela minha boca. Não demorou muito para ela apagar, sorri satisfeita em tê-la em meus braços. Beijei a sua nuca e me permiti sonhar junto a ela.

Despertei aos poucos, havia tido sonhos confusos que pareciam algumas lembranças que eu preferi esquecer. Levantei devagar e fui até o banheiro. Deixei a água morna relaxar o meu corpo, me sequei rapidamente e vesti a primeira camiseta que vi na frente quando ouvi o meu celular tocar.

- Alô? Oi, filha! Já chegou? - percebi uma leve irritação na voz de Isabella - Está tudo bem? - pausa - Tem certeza? - suspirou do outro lado, sorri - Okay! Não dormirei em casa hoje... Também te amo! Tenha cuidado, durma bem! - desliguei percebendo a presença da loira, que me abraçou por trás perguntando se estava tudo bem, respondi que sim e me voltei para ela, queria relaxar novamente o meu corpo e mente.

Estávamos em um amasso quente quando um som peculiar quebrou o clima. A loira estava roxa de vergonha, e eu não consegui controlar a risada. Fiquei encantada pelo jeitinho envergonhado de Laura, brinquei para descontrairmos e fomos até a cozinha. Para a minha sorte, havia sobrado massa fresca que eu tinha preparado no almoço para Donna, sugeri e foi aceito de bom grado pela loira encabulada. Pedi para vestir algo, pois a visão daquela loirinha estava desviando a minha atenção. Laura respondeu roubando um beijo carinhoso, indo se cobrir. Eu não era muito fã de cozinhar, mas quando puxava a responsabilidade para mim, não gostava que ninguém me atrapalhasse. Laura, bebericava o vinho e os seus olhos ansiosos observavam o meu preparo. A loira até tentou puxar assunto, mas eu era muito reservada. Laura parecia aquelas crianças felizes quando a servir, comeu com vontade, o que me deixou muito satisfeita. Particularmente, apreciava muito o silêncio na hora das refeições, mas os olhares curiosos de Laura, estavam começando a me deixar ansiosa.

- Anda, pergunte! - ri suavemente.
- Me diz que você é chefe de cozinha que eu te peço em casamento agora! - brincou.
- Então não será essa noite que você irá casar! - pisquei divertida - Eu apenas tenho mãos muito habilidosas! - emendei com um sorriso malicioso.
- Que eu espero aproveitar muito mais dessas habilidades! - retribuiu o sorriso, terminando a taça de vinho.

A noite estava em um clima gostoso, me permiti curtir mais da companhia daquela loirinha que, quanto mais bebia, mas tagarela ficava. Chamei ela para dançarmos, Laura sorriu e aceitou, envolvendo o meu pescoço. A loira tinha um cheiro delicioso, levemente cítrico. As minhas mãos passearam por aquele corpo que colou mais no meu. Os meus lábios buscaram pela pele exposta, eu estava curtindo os seus carinhos em meus cabelos. A mão de Laura, desfez o coque e invadiu os meus cabelos, sentindo a maciez e o perfume que vinham deles. Prendi o seu lábio inferior entre os meus, chupando suavemente. Laura fechou os olhos se deixando levar, balbuciando algo a respeito da vontade que eu fiz nela quando nos vimos naquele banheiro, sorri chupando forte o seu pescoço, gemeu e voltou a falar sobre o beijo que demos, as minhas mãos estavam apertando com vontade a sua bunda, ela voltou a sussurrar dizendo o que sentiu com os beijos daquela noite. "Beijos?!" Parei um momento e olhei para a loira que continuava a murmurar a diferença dos beijos.

- Que beijo? - questionei observando a loira que parecia despertar de um sonho bom.

Laura, piscou várias vezes tentando assimilar o que havia dito, percebi que quis esquivar da pergunta, então coloquei a minha perna entre as suas apertando com mais vontade a sua bunda. O longo suspiro e os meus lábios roçando nos seus, foi a maneira mais eficaz de tirar a resposta dela, notei o conflito em seu olhar.

- Então? - beijei o seu queixo - Que beijo? - mordisquei o meu lábio com um sorriso sereno.
- Eu... eu... - engoliu seco - Meio que... - gemeu baixinho - Por favor, Sam... - sorri, parei de torturá-la e diminui a pressão das minhas mãos.
- Meio que...? - incentivei a dizer, Laura respirou fundo dizendo de uma vez.
- Eu meio que confundi a Isa com você! - apertou os olhos como se fosse receber uma bronca.
- O quê? - demorei um instante para entender e me lembrar daquela noite, intuitivamente acabei apertando mais forte a sua bunda, e Laura retrucou gemendo.

"Agora eu entendo." Eu estava sentada de lado no sofá, apoiando a minha cabeça na mão, pensando em tudo o que aconteceu, principalmente o comportamento de Isabella. Olhei para Laura que falava gesticulando enquanto andava de um lado pro outro tentando se explicar. Achei graça quando ela colocou o restante do vinho na taça e virou, fiquei de frente para ela e puxei para o meu colo. A loira pareceu não entender, questionou:

- Você não vai me bater? - envolvi a sua cintura, neguei com a cabeça - Nem me xingar? - franziu a testa, sorri e beijei a pontinha do seu nariz.
- Não! - as suas mãos envolveram o meu pescoço, Laura ainda tinha uma expressão de desconfiança.
- Eu beijei a sua filha, e depois te beijei! - esperou a minha reação - Caramba! A gente transou e eu não te contei! - falou incrédula.
- Acabou de contar... - emendei, arqueando a sobrancelha. - Nem a Isa contou! - dei de ombros, a loira estreitou os olhos antes de dizer.
- Você está bêbada?! - ri suavemente - Como pode estar tão pacífica? - questionou perturbada.

Respirei fundo, sorrindo orgulhosa como se contasse um segredo precioso.

- Eu chamo isso de maturidade! - refleti - Foi apenas um beijo, e eu já percebi que quando você bebe um pouco além da conta, fica pra lá de Bagdá - sorri - Além disso, pelo comportamento que Isabella apresentou após o acontecido, acho que você fez ela deixar de questionar a própria sexualidade. - a loira ficou pensativa -  E sobre bater? - sorri maliciosa, dei um tapinha com gosto naquela bunda.
- Ai! Ei! - fez um biquinho lindo, com um meio sorriso. - Ai! - mordeu forte o meu pescoço, com o novo tapa.

Levantei a blusinha dela expondo toda a sua nudez, Laura fez o mesmo comigo, fazendo caminhos molhados com seus beijos em meu pescoço. O rebolado começou lento, gostoso; os nossos beijos e carícias eram sem pressa, queríamos aproveitar ao máximo. O sofá foi apenas um dos muitos lugares que deixaríamos lembranças daquela noite.

 

***

Deixei a minha bolsa sobre o aparador e encontrei com Shakira. Abaixei fazendo-lhe carinho e segui para o interior da casa, fui atraída pelo cheiro que vinha da cozinha.

- Está pondo fogo na casa, Isa? - entreabri a janela - Que experimento maluco você está tentando replicar? - zombei colocando a sacola sobre a mesa.
- Bom dia, para você também! - resmungou - Omelete francesa... - desligou a frigideira colocando-o no prato - Ou melhor dizendo, ovo mexido.
- Parece comestível... - tentei passar algo positivo, mas não tinha uma boa aparência.
- Você quer? - ofereceu, nem ela parecia muito afim do que preparou.
- Ah... não!  Eu já tomei café da manhã! - apontei para a sacola - Trouxe pãezinhos caseiros para você! - aproximei, beijando-lhe a testa - Ele já errou muito, mas nunca desistiu! Então não desista que uma hora você aprende! - comentei antes dela fechar o vídeo que estava pegando de referência para tentar replicar o omelete.

Peguei a minha xícara e me servi do café recém feito, não escondi o sorriso em meus lábios observando a minha filha beliscando a refeição. Imaginei quando Isabella iria se abrir comigo a respeito do que havia acontecido entre ela e Laura.

- A noitada foi boa! - mastigou o pedaço do pão - Não para de sorrir! - bebericou o suco.
- Foi sim... e a manhã também foi ótima! - sorri maliciosa, deixando Isa sem jeito - É a melhor maneira de relaxar, principalmente para você que anda uma pilha de nervos. - cutuquei.
- Mãe!! Nem tudo na vida se resume a sexo! - reclamou - Existem outras maneiras de relaxamento, sabia? - Isa estava começando a ficar vermelhinha, e eu tentava não sorrir.
- O que eu posso dizer, Isa? Eu sou uma mãe moderna! Eu me preocupo com a sua vida... - interrompeu.
- Sexual?! - franziu a testa irritada.
- Por que não? - pausa - Eu te expliquei tudo o que precisa saber sobre sexo; tanto com um homem quanto com uma mulher. Sobre doenças... e Deus! Vimos cada vídeo educativo quando você ainda estava no colegial. - suspirei com a lembrança - Eu sou a sua mãe Isa, e eu deveria ser a pessoa com quem você pode contar... - coloquei a xícara na mesa - A pessoa que você poderá confiar quando aqui - apontei para a cabeça - e aqui - apontei para o coração - estão em conflito! - aproximei dela que engoliu seco, os seus olhinhos que pareciam perdidos um instante, ficaram severos quando ela murmurou irritada.
- Sabrina! - levantou - Eu vou arrancar a língua dela fora! - segurei o seu braço, impedindo uma possível agressão contra a garota ao lado.
- Isabella, respira! - tentando tirar a minha mão, mas a fiz virar para mim - Isa, olha para mim... - seu corpo tremia - Olha... - pedi, o rostinho de Isa estava vermelho e as lágrimas desceram com facilidade - La mia piccola ragazza, ti amo così tanto! - abracei forte o corpo menor, deixei que a angústia que havia naquele coraçãozinho se dissipasse.

Afaguei os seus cabelos até que a sua respiração voltasse ao normal, Isa deu um risinho abafado quando sentiu Shakira arranhando as nossas pernas.

- Mãe... - respirou fundo.
- Sì?
- Aquela noite... eu fiquei com uma mulher. - os braços apertaram mais a minha cintura, como se temesse que eu fosse embora.
- E você gostou? - fiz carinho em sua face, incentivando a dizer tudo o que estava sentindo.
- Muito! - abaixou os olhos envergonhada - Acho que você também... foi aquela loira que te agarrou! - revelou.

"É, Laura! Você quebrou a barreira da minha pequena!" Beijei a testa de Isa, e a levei até o sofá. Assim que sentamos Shakira tomou posse do colo de Isabella, que pareceu bem entretida em fazer carinho na gata querendo fugir novamente.

- Por isso você saiu correndo? - confirmou com a cabeça - Você sabe que eu não tive culpa? Eu nem sabia o que havia acontecido. - concordou suspirando - Ela mexeu tanto assim com você? - confesso que foi a minha vez de ficar um pouco preocupada.
- Bom... - olhou-me - sim! Ela era um mulherão da porra! - emendou envergonhada, ri concordando, Laura de fato é um mulherão!
- É muito complicado no começo... bom, para algumas pessoas não, pois de certo modo elas já se aceitam... Como foi comigo! Agora para pessoas como você... - acariciei o seu queixo - É preciso trabalhar muito com o preconceito que você mesma se impôs. - pausa - Eu te garanto, Isa! Que assim que você dissolver esse preconceito, você vai conseguir viver plenamente! Sendo você bi, ou lésbica. - segurei a sua mão -  Saiba que eu sempre estarei aqui para você, procurando ser paciente ou puxando a sua orelha, para te mostrar... e para te guiar.

Isabella puxou a minha mão para o seu rosto, beijando a minha palma antes de colocá-la em seu rosto, assim como eu fazia quando ela era criança.

- Eu te amo, Mãe! - parecia que Isa tinha tirado o mundo das costas, tamanho o alívio que sentiu.
- Eu também te amo, Isa! - respirei fundo, toda aquela situação mexeu comigo, as lembranças do passado.

Pigarrei e puxei papo sobre o que ela sentiu com o beijo da loira e Isa, acabou confessando sobre outros rolinhos que teve. Evitei pressioná-la, queria que pudesse ter a liberdade de contar tudo, até os possíveis namoros futuros. Já imaginei o tipo de nora que eu teria com o temperamento da Isabella.

- Eu preciso tomar um banho rápido, senão eu chego atrasada na aula! - levantou rápido.
- Eu te levo! Cuidado para não atropelar a gata! - ouvi meia dúzia de xingamentos quando Isa, bateu o dedinho do pé no cômodo tentanto desviar da Shakira.

Fui até a cozinha e lavei a louça, eu já havia tomado banho no apartamento. A recordação daquela manhã me fez sorrir, aproveitei e vi as mensagens da loira no zap. Sinceramente não sei no que iria dar aquilo, até então, para nós era apenas sexo. Achei desnecessário contar isso para Isa, afinal ela ainda está em um processo de aceitação. Assim que estacionei para deixar Isa na faculdade, a mesma pareceu lembrar-se de algo.

- Ah, sim! Encontrei com uma amiga sua, ela te mandou lembranças. - tirou o cinto.
- Qual? - mudei de estação do rádio.
- Uma coroa. - pegou a sua bolsa, ri incrédula.
- Isabella! Eu tenho 41 anos e você já acha que eu sou idosa! - arqueei a sobrancelha, Isa tinha um ligeiro sorriso maroto - A coroa aí disse o nome? - ironizei.

Pensou já saindo o carro, Isa tinha uma ótima memória com números, agora para lembrar de nomes era uma novela.

- Flávia? - murmurou - Fernanda... Francesca! - Isa, olhou para o lado cumprimentando uns colegas, não notou quando eu desfiz o sorriso.
- Tem certeza desse nome? - apertei o volante.
- Sim! Ela era estranha... Mãe, eu to atrasada! Depois a gente fala mais da esquisitona ex namorada maníaca. - brincou - Te amo, fui! - correu para o grupinho de colegas.
- Boa aula... - murmurei.

Observei Isabella entrando no prédio, fiquei com o meu olhar fixo ali por algum tempo, antes de dar a partida e sair.

 

***

Laura


- Eita, nós! Você é a prova viva que: Uma mulher bem resolvida, é uma mulher bem comida! - Diego comentou quando eu invadi o seu apartamento trazendo comigo uma aura arco-íris - Por que só uma mulher que deu muito, vai estar radiante a essa hora da manhã! - bocejou, deitando no sofá.
- Invejoso! - sorri, sentei na poltrona.
- Olha, invejo mesmo! Bem que eu queria ter todos os meus crush realizando todas as minhas fantasias sexuais! Certamente eu iria viver uns mil anos depois dessa dádiva! - quase babou pensando nas pirocas dos famosos.
- Que horror! - ri jogando a almofada nele - Deixa o Otávio te ouvir! - olhei ao redor - E cadê ele? - questionei curiosa.
- Está roncando no quarto! Pode desabar o prédio que ele morre dormindo. - resmungou - Mas me conte, o que foi aquilo? Sério! Me passa essa simpátia, por que você já é rabuda demais! Nossinhora, alguém pra ter tanta sorte na vida! - gesticulou dramático.
- Idiota! - ri do teatro que fez - Não é para tanto! - dei de ombros - Alguém ali em cima gosta muito de mim! - pisquei tentando controlar a minha euforia.
- E como gosta viu!? Ainda que não tivéssemos passado pela exposição, era o seu dia de sorte! - levantou indo pegar o celular.
- Do que você está falando, garoto? - olhei sem entender.
- Disso! - mostrou a selfie deles, ampliando a foto destacando o grupo logo atrás.
- Isa! - peguei o aparelho tocando a sua imagem.
- Pois é! E você em vez de gastar essa sorte jogando na loteria, gastou realizando uma das suas fantasias sexuais. - lamentou.
- Deixa de ser babaca, Diego! - fiquei irritada - Além do mais, valeu cada minuto! - sorri com as lembranças ainda marcantes em minha pele.
- Estou vendo e ficando com câimbras de tanto que você está sorrindo! - abriu um largo sorriso, parecendo o coringa do Batman.
- Senta logo esse rabo aí e me deixar contar! - ordenei, ficou quieto enquanto eu contei toda a minha maratona, inclusive sobre o beijo na Isa.
- Caraca! Ela é tão zen assim? - questionou Diego em pé, preparando o café da manhã - Essa sua mandinga é poderosa mesmo! Santa Cher! - fez uma prece - Finalmente trouxe a caminhoneira que vai levar essa aqui - me segurou pelos ombros - para o lado colorido e monogâmico da vida, amém! - sorriu irônico.
- Aff! Ela não é tão masculina assim! - cruzou os braços - Bom, pode ser mais que vocês dois juntos! - apontei quando Otávio apareceu no cômodo ainda sonolento - Ela só tem uma pegada meio boyfriend, mas te garanto que é completamente feminina na cama! - sorri vitoriosa.
- De quem vocês estão falando? - Otávio perguntou com a voz rouca, pegando um copo com suco.
- Da futura senhora caminhoneira de Lins Nunes! - Diego implicou sorrindo.
- Babaca! - ri, jogando o guardanapo na cara dele.

 

***

 

Depois que Samantha me levou para casa, trocamos um beijo cheio de promessas e os números de celulares, com muito sofrimento me despedi. Queria passar o dia com ela na cama, mas infelizmente apenas eu estava de férias. Subi, acionando o segundo andar, precisava conversar com alguém e quando eu digo alguém, era com o meu melhor amigo, Diego! Nós nos conhecemos quando eu fui estagiar na agência de publicidade. Não nos demos bem logo de cara, mas o desprezo mútuo pelo chefe babaca, misógino e homofóbico nos uniu. Fazer o meu nome em um lugar que a maioria era homem, foi o meu maior sucesso e fracasso. Consegui chamar atenção de outra agência inovadora pela minha arte e apesar de sair com um gosto amargo que a minha antiga agência deixou, pude levar um grande amigo e excelente diretor de criação junto. Diego depois do meu pai, foi o único homem que eu amei! Ele conversou com a síndica do prédio, que segurou o apartamento que eu pude pagar graças a ajuda da minha irmã Maya, que também buscava a independência da casa dos nossos pais. Agora no auge dos meus 33 anos, eu disponibilizava de um bom salário e amigos para todas as horas.

- Chega a ser irritante esse seu sorriso de quem fudeu a noite toda, sabia? - Maya comentou assim que saiu do banho, andando pelada pelo quarto - O cara que eu "fiquei", estava tão ansioso que melou as calças antes mesmo de pensar em tirá-las! - bufou relembrando - Pelo menos o serviço de quarto era excelente! - pegou o hidratante.
- Mulher mal comida é ranzinza para caralho mesmo, ein!? - zombei, enquanto mandava mensagem para a morena.
- Bom se você me der licença, eu pretendo resolver isso e dormir a tarde toda. - indo até o armário pegando a sua caixa de brinquedos.
- Eu tenho até medo do que tem ai dentro! - antes de sair, comentei - Não se esqueça que a dona Tereza vem nos visitar esse final de semana! E nem adianta fugir, você sabe que a nossa mãe não vai embora se antes nos ver e passar algum sermão. - informei.

Sai ouvindo Maya reclamar sem parar, sorri e apesar das divergências com a nossa mãe que sempre nos cobrava algo, éramos muito amadas. Passei o restante do meu dia sorrindo e controlando a ansiedade, Samantha havia dito que quando desocupasse mandaria uma mensagem para podermos nos reencontrar. Confesso que ás vezes ficava olhando para o celular, esperando alguma resposta dela que parou em um determinado momento daquela manhã maravilhosa. "Okay! Recado entendido! Sossega, Laura! Vai assustar a morena!" Suspirei e fui gastar as minhas energias na academia.

- Toma logo esse chá de camomila para acabar com essa ansiedade, Laura! - Maya reclamou segurando a minha perna que não parava de balançar - Que chá de buceta ela te deu!
- Estou agindo que nem adolescente! - suspirei - Passei a desejar tanto por elas... que quando estive com a Samantha... - interrompeu.
- Eu sei, eu sei... foi maravilhoso demais e blá blá blá... - revirou os olhos.

Estava com a resposta na ponta da língua quando o som do meu celular chamou a nossa atenção. Dei um pulo, e Maya praguejou quando espirrou nela gostinhas quentes do chá. Atendi sorrindo.

- Alô? - pausa - Espera! Não desliga! - pausa - Podemos almoçar juntas amanhã? - sugeri receosa.

 

Continua...

 

Capitulo 6 por KFSilver

Isabella

 

- Um pedaço de manteiga e a gente passa em cima da omelete. Para ficar brilhante... E o quero exatamente isso! - sotaque francês.
- Sim, chef! - respondi sorrindo, terminando de ver as instruções do vídeo.

Respire fundo e olhei para os ingredientes que reservei. Havia dormido muito bem, estava cheia de apetite e ousadia para tentar algo diferente. Procurei um vídeo de receita do meu chef francês favorito; o meu gordinho Jacquim. Separei alguns ingredientes para seguir passo a passo da receita. Eu estava indo muito bem, só não contava com uma gata manhosa mordendo o meu calcanhar na hora que eu estava finalizando na frigideira.

- Sai Shakira! - ralhei com ela - Ai! - agarrou a minha perna, dando várias mordidinhas.

Agitei a minha perna o que foi pior, já que cravou as unhas em mim. "Filha da mãe!" Abaixei para tentar tirar ela, que estava balançando o rabo divertindo-se muito com a brincadeira. Fiz carinho naquele projeto de terrorista que cedeu, livrando-me de suas garras. " Nota mental: Aparar mais as unhas dessa gata!" gemi, passando a minha mão na panturrilha toda arranhada, quando senti o cheiro peculiar.

- Ah, merda!! - mexi rapidamente percebendo que tinha queimado o fundo do omelete, pra ajudar a minha mãe tinha chegado bem na hora.
- Está pondo fogo na casa, Isa? - entreabriu a janela - Que experimento maluco você está tentando replicar? - zombou.
- Bom dia, para você também! - resmunguei - Omelete francesa... - suspirei - Ou melhor dizendo, ovo mexido. - "Poxa, estava perfeito!" lamentei.
- Parece comestível... - deu um sorriso amarelo.
- Você quer? - ofereci desanimada.
- Ah... não!  Eu já tomei café da manhã! - indicou a sacola - Trouxe pãezinhos caseiros para você! - beijou a minha testa, incentivando a continuar tentando. Peguei um pãozinho quentinho sentindo o meu apetite voltando, caprichei no requeijão antes de comer junto com o meu ovo mexido. "Vou começar a deixar essa gata na varanda quando eu estiver cozinhando!" fitei a gata cochilando na caminha dela. Tirando a parte que queimou, o ovo estava muito gostoso, comi com apetite percebendo os olhares e sorrisos de Samantha. Não pude evitar um comentário infeliz que desencadeou uma conversa que eu não estava preparada para ter. Senti as minhas mãos gelaram com tudo o que ela estava dizendo, um nó sufocante em minha garganta com o seu último comentário:

- Eu sou a sua mãe Isa, e eu deveria ser a pessoa com quem você pode contar... A pessoa que você poderá confiar quando aqui - apontou para a cabeça - e aqui - apontou para o coração - estão em conflito! - balancei a minha perna em pânico, tentando entender o motivo daquela conversa, o meu medo foi substituído pela raiva e traição que senti ao pensar nela.
- Sabrina! - levantei irritada - Eu vou arrancar a língua dela fora! - Samantha segurou firme o meu braço, detendo a minha ação.
- Isabella, respira! - eu só queria tirar satisfação com aquela traíra - Isa, olha para mim... - estava difícil controlar todas aquelas emoções - Olha... - o seu tom de voz, o seu pedido me fizeram ceder - La mia piccola ragazza, ti amo così tanto! - em seu abraço apertado não pude mais me conter, chorei toda angústia que sentia por todas as emoções e incertezas que estavam me assombrando.

O seu carinho e o seu aconchego eram tudo o que eu estava precisando no momento, para abrandar o que eu sentia. Não pude deixar de sorrir quando o bigode de Shakira fez cócegas em minha perna. "Segundo round, sua tratante!". Suspirei e resolvi abrir o jogo com a minha mãe.


- Mãe... - respirei fundo, fechando os meus olhos.
- Sì? - pensei na loira e no seu sorriso lindo.
- Aquela noite... eu fiquei com uma mulher. - envolvi mais forte a sua cintura, temi que ela se afastasse de mim, quando soubesse a verdade.
- E você gostou? - acariciou a minha face.
- Muito! - abaixei os olhos, lembrando-me dos beijos - Acho que você também... foi aquela loira que te agarrou! - confessei.

Samantha beijou a minha testa, guiando-me até o sofá, eu nunca senti tanta vontade de fazer carinho em Shakira como naquele momento. Sam continuou investigando o que de fato aconteceu na balada, questionando se aquela mulher tinha mexido tanto assim comigo para eu agir daquela forma. Não pude negar o que senti.


- Bom... - encarei o seu olhar - Sim! Ela era um mulherão da porra! - emendei envergonhada, lamentando não saber o nome dela.

Refleti as suas palavras, senti vergonha por ser tão idiota e não saber controlar as minhas emoções. Tocou o meu queixo, fazendo-me encará-la.

- É preciso trabalhar muito com o preconceito que você mesma se impôs. - pausa - Eu te garanto, Isa! Que assim que você dissolver esse preconceito, você vai conseguir viver plenamente! Sendo você bi, ou lésbica. - segurou a minha mão -  Saiba que eu sempre estarei aqui para você, procurando ser paciente ou puxando a sua orelha, para te mostrar... e para te guiar.

Fazia tanto tempo que eu queria... que eu precisava desabafar com ela, mas o receio que eu sentia me inibia. Foi a primeira vez que conversamos tão abertamente sobre ficar com mulheres. Comentei sobre duas garotas que eu tinha ficado, não que eu estivesse afim, mas a insistência e a curiosidade me fizeram tomar essa decisão. Para a minha surpresa, Sam também confessou uns casinhos antigos, para o meu alívio não mencionou Donna. Rimos muito, nunca tinha visto a minha mãe tão à vontade falando sobre o seu passado. Sempre tive muita curiosidade a respeito dela, mas sempre que tocávamos no assunto, ela mudava a conversa, com o tempo aprendi o jeito educado dela "dizer"; não se intrometa no que não lhe diz respeito. A sensação de euforia que eu tinha sentido ao acordar voltou com força, o que me fez esquecer um momento que era dia de prova, corri para tomar uma ducha para não chegar atrasada, só deu tempo de ouvir:

- Cuidado para não atropelar a gata! - "Meu Deus do céu! A minha gata quer me matar!" Sinceramente, eu desconhecia o meu vasto vocabulário de palavrões quando bati o meu mindinho no cômodo, "Vou ter que tirar um raio x depois!" lamentei indo tomar uma ducha rápida.

Estava terminando de mandar uma mensagem para Giovana dizendo que eu tinha chegado, quando ela comentou da fulana no shopping, tinha pedido para não me deixar esquecer.

- Ah, sim! Encontrei com uma amiga sua, ela te mandou lembranças. - retirei o cinto.
- Qual? - perguntou curiosa.
- Uma coroa. - peguei a minha bolsa, provocando-a.
- Isabella! Eu tenho 41 anos e você já acha que eu sou idosa! A coroa aí disse o nome? - ironizou.

Pensei um pouco, o jeito que ela me olhou me deixou cismada.


- Flávia? - murmurei - Fernanda... Francesca! - percebi as meninas se aproximando.
- Tem certeza desse nome?
- Sim! Ela era estranha... Mãe, eu to atrasada! Depois a gente fala mais da esquisitona ex-namorada maníaca. - brinquei - Te amo, fui! - ouvi um boa aula antes de alcançar a meninas.

Olhei para onde estava a minha mãe, dando um tchauzinho antes de entrar no prédio.

 

***

 

- Na moral! Se eu ver mais algum cálculo hoje, eu vou me enforcar num pé de couve! - murmurou Giovana com a cabeça deitada sobre o braço - Não vejo a hora de passar pra aula prática! - massageou as têmporas - Ai meus cornos!

- A prova estava difícil mesmo, mas paciência, se formar em uma das engenharias mais complexas, não é pra qualquer um! - cutuquei, tentando animá-la.

- Se "eu" conseguir me formar, vou passar um ano viajando, conhecendo as "belle ragazze" (como diria a sua mãe) desse meu Brasil! - falou gesticulando muito com um sotaque bem forçado.

 

Rimos das toscas imitações dela, quando Michelle se aproximou dando um beijinho no canto da boca de Giovana, essa por sua vez, ficou babando pela morena que adorava provocá-la e destilar veneno. Nossos santos nunca bateram, as trocas de farpas entre nós eram garantidas constantemente. "Garota insuportável!" Voltei a comer o meu lanche, ignorando-a completamente.

 

- Como foi a sua prova, meu bem? - falou sentada ao lado de Giovana, arranhando a sua coxa discretamente.

- Err... Foi... - pigarreou - Foi mel na chupeta! - bebericou a coca gelada - Aposto que você vai acertar todos os cálculos! - revirei os olhos tamanha rasgação de seda.

- Certamente... - aproximou de Giovana - Sabe... alguns amigos meus, vão tocar no bar Podrão amanhã! - arranhava a nuca de Giovana, estava quase sentada no colo da outra - Eu adoraria que a gente fosse... - arqueei levemente a sobrancelha, percebendo as intenções dela - Mas o meu sálario já ta no fim... - Giovana nem deixou a outra completar.

- Eu pago! - suspirou entre os lábios da outra! - Eu sei que como é... Você... voc... - "Sério isso, Giovana? Deixa de ser manipulável!" interrompi o quase beijo proveitoso da víbora, questionando:

- Você gasta tudo com roupas de marcas ou com sapatos também? - Michelle suspirou antes de quebrar o contato visual com a sua presa - Especialistas dão uma ótima dica: Gaste apenas o necessário e poupe o resto... e algo que eu adoro acrescentar; se dói no seu bolso, imagina o rombo que você causa - enfatizei "você" - em quem fica te bancando!? - belisquei Giovana que ainda estava em transe pela proximidade da outra.

- Ai! - esfregou rapidamente a cintura, olhando-me assustada.

- Isa! - sorriu ironicamente - Eu nem percebi que você estava aí! - olhou rapidamente ao redor - Aquele monumento que você chama de mãe, não está por aqui, né? - provocou - Ontem eu perdi a oportunidade de dizer olá para ela... - sorriu safada - Que estava um pouco ocupada demais, refazendo a cena da boate! - fofocou.

- Você foi ontem no shopping? - perguntou Giovana - Disse que estaria estudando a noite toda! - questionou inocente.

- Eu estudei, meu bem! - olhando-a carinhosa - Mas quando estava dando a hora do filme, eu resolvi ir te encontrar... infelizmente já tinha começado a sessão... Então eu comprei um lanche e voltei para casa descansar. - falou tristonha.

- Sério?! Mas você podia ter mandado uma mensagem, e a gente se encontrav... - interrompi aquele teatro.

- Ah, pelo amor de Deus, Giovana! Deixa de ser idiota! Essa garota é a maior interesseira! - falei irritada pela paixão débil da minha amiga.

- Isa! - Giovana me deu um olhar reprovador - Michelle não tem porque mentir! - defendendo-a.

- É, Isa! - falou com meio sorriso - Se eu estivesse mentindo, como eu iria saber que a sua mãe ficou aos beijos com aquela loira gostosa?! Pergunte a ela se não acredita! - piscou atrevida.

Olhei para elas e só vi um morena venenosa e outra tapada! Respirei fundo, mais alguma insinuação a respeito da minha mãe, eu não iria levar advertência, seria expulsa; pela minha mão na cara dessa garota. Levantei, ignorando os pedidos da Giovana para eu ficar e sai, não sem antes de ver Michelle tascando um beijo na Giovana. "Se merecem!".

 

***

 

Cheguei em casa e a minha mãe não estava, eu estava cansada e ainda pouco irritada pela atitude de Giovana. Peguei Shakira no colo que cheirou a pontinha do meu nariz, sorri fazendo-lhe carinho. Fui até o meu quarto, guardei o meu material e tomei um banho demorado. Coloquei um short e uma blusinha solta, preparei um suco assim que o meu estômago se manifestou. Quando eu estava terminando o suco de manga, ouço alguém me chamando. "É hoje!" Fechei a cara indo ver o que Sabrina queria.


- Oi, Isa! - falou alegre - Vim trazer bolo gelado para vocês! - olhei para a tigela tampada com um papel alumínio - Eu que fiz! - olhei duvidosa - Tá, ajudei a minha mãe a fazer! - sorriu.
- Obrigada. - falei contida, olhei para a outra que esperava um convite para entrar. "Línguaruda do caramba!"
- Hmm... você está bem? - colocou as mãos nos bolsos da bermuda.
- Sim, na medida do possível! - o dia meu começou conturbado, eu só queria comer e dormir um pouco.
- Foi bem na prova? - tentou prolongar a conversa.
- Sim! - comecei a bater o dedo impaciente - Olha, obrigada pelo bolo, mas eu tenho que descansar e depois estudar.
- Ah... sim, claro! - falou sem graça - Então, depois nos falamos? - começou a caminhar devagar de costas.
- É, pode ser... te mando um zap! - apertei o meu maxilar, a minha vontade era de xingá-la pela traição.
- Tá! - me olhou um momento, tive impressão que queria perguntar algo - Inté! - virou e caminhou cabisbaixa, atravessando o portãozinho do muro divisório.

Entrei levando a tigela até a geladeira, havia perdido o apetite, terminei de beber o meu suco e deitei no sofá.

- Estou bem de amizades! - Shakira estava mordiscando o meu dedo. - Só você é boazinha? - peguei a vara dela, em cima da mesinha de centro e comecei a brincar com ela.


Devo ter ficado uma hora gastando a energia daquele projeto de terrorista, observei Shakira deitada embaixo da mesinha balançando o rabo. Deixar de ocupar a minha mente com ela, só me fez pensar novamente no que Michelle havia dito. Normalmente, eu não acreditaria nela, mas Samantha tinha passado a noite fora... Comecei a pensar nas probabilidades dela ter encontrado com a loira, e ainda assim ter fingido que não a conhecia. Fechei os olhos, passando a ponta dos meus dedos em minha testa. "Samantha, não faria isso!" Mordisquei o meu lábio, divagando. "Não, não faria!" suspirei "Mas por que ela iria vir com aquele assunto logo cedo? Assim de graça?!" sentei cruzando as minhas pernas no sofá, balancei negativamente a cabeça. "Deixa de coisa, Isa! Agora vai começar a dar ouvidos praquela criatura manipuladora? Não, né!" Respirei fundo e fiz leves alongamentos em meu corpo, precisava me ocupar.


Já era início da tarde quando ouvi a camionete estacionando, continuei focada em concluir a minha leitura quando Samantha entrou me chamando.


- Filha? - estava em seu quarto.
- Oi, mãe! - encostei na porta vendo ela arrumar uma mala.
- Vou ter que ficar fora até segunda, surgiu um trabalho em São Paulo. - continuava organizando as roupas - Já avisei ao seu avô, amanhã ele vai te dar uma carona até a faculdade. - tirando a blusa - Dona Maria vem amanhã a tarde para fazer a faxina, não esqueça de deixar as cachorras presas! - apontou para Shakira em sua cama - E  na varanda! Não quero acabar sofrendo um processo, por acidente de trabalho provocado por essa coisinha. - notei os pequenos arranhões em seu pescoço e ombros, corei desviando o olhar - Como foi a sua prova? - terminou a mala - Deu tudo certo? - parou colocando as mãos na cintura, percebi que estava meio agitada.
- Deu, sim! - "Será?" apertei os meus olhos o que foi notado por ela.
- Aconteceu algo? - pegando uma toalha, parando na entrada do banheiro.
- Vai comer algo antes de sair? - desconversei.
- Se não estiver queimado, sim! - sorriu suavemente.
- Então eu vou esquentar. - disse já me virando, "Fica de boa, não pensa merda!".
- Filha? - virei para ela - O que... - franziu a testa - O que Francesca disse exatamente? - percebi certa tensão vindo dela.
- Bom, ela se aproximou querendo saber se eu era a sua filha, e disse que éramos muito parecidas... depois mandou lembranças.
- Apenas isso? Não deixou contato? - arqueou a sobrancelha.
- Não! - pensei nela - Ela tinha um quê de Meryl Streep em Diabo veste prada. - cruzei os braços, brincando - Se ela não tivesse parecendo uma mafiosa, eu até pediria um autógrafo! - o meu sorriso morreu quando vi a expressão séria de minha mãe - Ela não é uma ex-namorada maníaca, né? - olhei preocupada com a sua reação.

Encarei o seu olhar um instante, antes dela balançar suavemente a cabeça em negação.


 - Não se preocupe, ela não deve te procurar mais! Vou tomar banho! - fechou a porta, me deixando olhando confusa para a porta.

 

***

 

- Hmm... gostoso! - falou após dar a última garfada no bolo - Cida sabe como nos agradar! - comentou antes de bebericar o seu café.
- Uhum! - levantei, pegando os nossos pratos, lavando-os - Vai ficar no mesmo hotel?
- Não! - colocou a xícara na pia - Vou ficar na casa da Donna! - informou - Ela é a cliente! - ajudou a secar a louça.
- Vocês estão namorando? - olhou incrédula.
- Não! - riu suavemente - É apenas trabalho! Ela que ofereceu estadia.
- Achei que tinham ficado juntas ontem... - joguei verde.
- Donna, já tinha voltado para São Paulo! - secou as mãos - Sai com outra pessoa! - disse deixando a cozinha.

Apertei o meu maxilar ficando angustiada, lembrando-me das palavras de Michelle. "Refazendo a cena da boate!" pela janela a vi colocando a mala na camionete "ficou aos beijos com a loira gostosa!". Joguei o guardanapo na mesa, me aproximei decidida quando a vi mexendo em sua bolsa.

- Mãe! - minha voz saiu um pouco elevada, o que acabou assustando-a.

- Oi!? - olhou surpresa, o que me fez perder toda a coragem que eu tinha acabado de juntar pra questioná-la.
- Err... hmm... - simplesmente as palavras não quiseram sair.
- Fala! - cruzou os braços, elevando a sobrancelha - Quer que eu te traga algo? - questionou.
- Quero que me responda algo... - engoli seco.
- Pois diga! - franziu suavemente a testa.


Respirei fundo, falei rapidamente:

- Aquela loira da boate, vocês se conheciam? - percebi que ficou surpresa.

Fitou-me um momento antes de responder:

- Não! - suspirei aliviada até que ela completou - Nós não nos conhecíamos naquela noite na boate.

Me apoiei no braço do sofá, sentindo uma angústia crescente.

- Foi com ela que você ficou ontem, não foi? - perguntei num fio de voz.


Apertou o maxilar, afirmando com a cabeça.


- Isa, eu ia te contar... - interrompi.
- Qual o nome dela? - ignorei.
- Laura!
- Laura... - repeti saboreando a pronúncia - Combina com ela! - dei um sorriso fraco.
- Filha... - aproximou, levantei afastando-me - Isa, por favor?
- Tudo bem, mãe! - apertei a minha nuca - Foi apenas um beijo entre nós... - encarei o seu olhar - Eu vou ficar bem... sério! - tentei passar tranquilidade a ela, mas na verdade e nem sabia ao certo o que sentir.
- Eu iria te contar quando você tivesse um pouco mais de maturidade para lidar com os seus próprios sentimentos. Não quis esconder isso! - falou sincera.


Concordei com a cabeça, respirando fundo, no momento eu só queria ficar sozinha.

- Eu não quis te magoar! - aproximou envolvendo-me em seus braços.

- Tudo bem, Sam... - retribui o abraço, apertando a sua cintura, o que causou certo desconforto nela - Cólica? - suspirou antes de responder.
- Parece que sim. Melhor eu passar no banheiro antes de ir.
- Achei que você já tinha entrado na menopausa! - provoquei na tentativa de disfarçar o gostinho amargo que eu tinha na boca. - Ai! - esfreguei a onde levei o tapa.
- Rispettami ragazza! - deu um sorriso de lado indo para o banheiro.
- Quer que eu leve o restante das coisas pra camionete? - olhei para mochila fechada com o equipamento dela e para sua bolsa aberta.
- Sì, grazie! - respondeu antes de entrar no quarto.

Coloquei a mochila no banco de trás e ajeitei a bolsa dela no banco do carona. Iria fechá-la, quando notei a mensagem recebida em seu celular particular.

 

***

Samantha

 

- Liga, o motor! - falei para Pedro.

- Nada! Mortinho! - saiu de dentro do fiat Tempra recém costumizado.

- Quem montou ele? - passei a mão no rosto, tentando ter paciência.

- Lucas! - acenou para o rapaz que estava mexendo em outro motor.

- Façam a leitura e vejam o que está errado, esse carro tem que sair ainda hoje! - mandei, antes de me afastar.

- Pode deixar! - concordou um pouco assustado com o meu temperamento.

 

Entrei em meu escritório, fui até o frigobar pegando uma garrafinha de água, sentei em minha cadeira quando Armando bateu na porta antes de entrar.

 

- Fecha a porta, Armando! - indiquei a cadeira oposta - Como estamos essa semana? - massageei a minha têmpora.

- Vamos entregar quatro carros; os dois conversíveis, o Tempra e o Vectra GT customizados. Marcos e Edson estão vendo outros dois orçamentos para um Classic, e uma restauração completa para um Karmann Ghia 68.

- Uhum... - abri a gaveta, pegando um comprimido - Água? - ofereci, antes de engolir o remédio.

- Não, obrigado. - observou-me - Você está bem?

- Ficarei! - pausa - Preciso de um favor! - encarando-o, já nos conhecíamos há muito tempo, depois do meu pai ele era a pessoa que eu mais confiava ali.

- Diga! - olhou com curiosidade, eu não era de pedir favores.

 

Passei o meu indicador pelos meus lábios, pensando bem no que pedir.

 

-  O seu primo Douglas ainda está trabalhando? - pressionei o meu maxilar.

- Sim! - sorriu - Você precisa ver como ele está bem, como ele está um rapaz trabalhador... - interrompi.

- Ele está... ativo? - entendeu o que quis dizer, apenas concordou com a cabeça - Eu quero que ele encontre uma pessoa! - falei séria.

 

Acertei todos os detalhes com Armando, o preço seria um pouco custoso, mas eu havia dado o trabalho para a pessoa certa. Recebi um email que me tirou dos meus devaneios, abri e sorri, recebendo uma ligação em seguida.

 

- Gostou? - voz levemente rouca.

- É bem interessante! - olhei cuidadosamente as fotos - É seu? - ouvi a gargalhada maldosa.

- Será assim que você vier aqui, para verificar o motor dele para mim! - percebi as suas intenções - Vou adorar ver a cara do Leonardo quando eu estiver desfilando com o carro que ele estava cobiçando! - riu com gosto.

- Donna, Donna! Até quando você vai ficar castigando o seu ex? - acabei me contagiando com suas intenções maldosas.

- Até a imagem daquela bunda branquela dele, fudendo com a  babá, parar de me dar ideias perversas! - gracejou - Então, estou te esperando hoje a noite, você vem? - pediu com voz sedutora.

 

***

 

- Pai? - aproximei entregando alguns documentos - Surgiu um trabalho e eu irei ficar fora uns dias! - informei - Armando vai ficar cuidando do setor.

- Okay! - olhou-me - Venha ver! - sorriu orgulhoso para tela.

 

Aproximei e vi a projeção do Comodoro no programa, o meu pai estava mesmo focado na restauração do Opala 79 que adquiriu. Trocamos algumas ideias e dei umas sugestões sobre a mecânica do carro. Almoçamos juntos e terminei o expediente, assim que ajudei Pedro e Lucas a descobrir o problema no motor.

 

***

 

Entrei na  casa desviando de Shakira, imaginei que Isa estivesse estudando no quarto, chamei enquanto preparei a minha mala. Conversamos um pouco antes de eu tomar um banho relaxante, a ideia daquela mulher rodeando Isabella, me deixou tensa! Observei o meu reflexo no espelho, estiquei suavemente as pequenas marcas de expressão. Passei cuidadosamente o hidratante pelo o meu corpo, sorri discretamente vendo as marcas que Laura havia deixado em meu corpo naquela manhã, pensei na loira, infelizmente teríamos que adiar o nosso reencontro. Terminei de me vestir e fui comer algo. Fui pega de surpresa com os questionamentos de Isabella, pensei em omitir, mas já que estava disposta a saber, contei sobre Laura. O meu coração ficou apertado quando vi a expressão dela, se ao menos eu soubesse o que tinha acontecido antes, provavelmente não estaríamos naquela situação. Procurei confortá-la, lamentando o fato que qualquer coisa que eu poderia ter com Laura, estava fora de cogitação, pelo menos por hora. Respirei fundo quando um dorzinha familiar se fez presente, para variar Isabella não perdeu oportunidade de zombar. Agradeci quando levou as minhas coisas para o carro, aproveitei e fui no banheiro, escovei os dentes e tomei um remédio para cólica.

 

- Isabella? - aproximei - Eu não quero viajar sabendo que não estamos bem... - cogitei a possibilidade de adiar a viagem, queria estar perto da minha Isa, principalmente com a sua primeira desilusão amorosa lés.

- Sério mãe, eu vou ficar bem! - beijou o meu rosto - Vai logo, não quero que você dirija na estrada a noite. - falou zelosa.

 

Olhei para a minha pequena, toquei a sua face, beijando-lhe a testa.

 

- Eu te ligo, assim que chegar! - entrei no carro - Vê se não fica comendo besteiras! - adverti - Fecha direito a casa, Isabella! - pensei - E, pelo amor de Dio! Temos duas cachorras além da gata, vê se não as deixa sem comida e água fresca!

- Eu sei, eu sei, eu sei mãe! Meu Deus! - achei graça da cara emburrada dela. - Boa viagem! - beijou o meu rosto - Te amo!

- Ti amo! - pisquei, seguindo caminho.

 

***

 

A viagem foi tranquila até chegar a capital e pegar um trânsito quilométrico, já era noite quando cheguei a casa de Donna. Como combinado, liguei para Isabella para avisá-la que já havia chegado, relembrando-a novamente dos cuidados na casa e com os animais, Donna por sua vez, ficava se divertindo com os meus sermões e Isabella bufando. Vi as notificações das mensagens de Laura, mas ignorei, não era o momento. Donna chamou para jantarmos. Conversamos bastante, rimos e até curtimos um clima paquerador, mas eu estava bem cansada. Demos boa noite e adormeci no quarto de hóspedes. O meu sono foi agitado, até que as lembranças dos toques carinhosos acalmaram os meus sonhos conturbados, relaxei deixando curtir sonhos que há muito tempo eu não tinha.

 

***

 

Ouvi o ronco do motor do Camaro SS Classic, o carro estava em perfeito estado, todo original, era carro de colecionador. Sorri imaginando o desgosto que Leonardo deve ter sentido quando descobriu que Donna ganhou dele no leilão. Donna sempre foi uma mulher muito influente com muitos contatos, tê-la como inimiga, fazia muito mal para o bolso.

 

- Gostou do meu novo brinquedo? - aproximou acompanhada de uma loira linda - Samy, essa é Daniele Rodrigues, a minha santa padroeira das causas ganhas! - brincou.

 

Sorri para a loira cumprimentando-a.

 

- Vulgo; advogada! - Daniele, completou sorrindo - Muito prazer!

- É todo meu! - loira linda do sorriso cativante, me fez pensar em Laura.

- Bom meninas, vamos tomar café da manhã? - Donna chamou sem ocultar o sorriso safado.

 

A conversa fluía bem, descobri que Daniele era a principal advogada de Donna e que cuidava dos negócios dela no Rio de Janeiro, como estava de passagem por São Paulo, Donna fez questão dessa pequena reunião e eu já estava imaginando as intenções ocultas daquela mente maquiavélica. A loira tinha olhos azuis intensos, um sorriso sedutor e seus cabelos loiros como trigo, estavam mais curtos na nuca e desfiados no topo da cabeça com a franja levemente bagunçada sobre os olhos, deixando-os com um toque misterioso. Daniele ela era completamente feminina, fato que eu não posso negar, muito me agradava. Donna por sua vez não deixava por menos, os seus sorrisos e olhares sugestivos para a loira, não foi surpresa quando a mesma correspondia. A conversa foi interrompida pela chegada dos filhos de Donna; Thiago com seis anos e Leandro com quatro aninhos, sorri com a lembrança gostosa de minha pequena gorduchinha.

 

- Você têm filhos? - Daniele perguntou desviando o olhar daquela bagunça gostosa.

- Tenho uma filha, Isabella! - sorrimos - Está cursando na FUMEP, a bichinha é bem esforçada! - é curioso que quando falamos de nossos filhos, só nos cabe elogios, mesmo que para estranhos. - E você? Têm filhos? - observei uma sombra em seu olhar.

- Não! Mas tenho duas sobrinhas de coração! - sorriu discretamente - Júlia e a pequena Liz... - olhou novamente para Donna, que tinha mudado completamente de postura de uma mulher de negócios para uma mãe carinhosa e protetora.

- Senhora? - Gilmara, a governanta se aproximou - O doutor Leonardo espera pela senhora no escritório.

 

Donna suspirou, beijando a cabeça do pequeno Leandro, entregando-me quando estiquei os braços para acolhê-lo. O pequeno ficou entretido comendo um morango, enquanto Thiago beliscava do prato da mãe. Fiquei interagindo com as crianças enquanto Donna e Daniele entraram na casa, imaginei que a conversa no mínimo seria delicada. Ouvimos vozes elevadas, pedi para a empregada fechar a porta da varanda e cantarolei cantigas de ninar para distraí-los. Donna e Daniele retornaram uns dez minutos depois, Donna voltou cheias de brincadeiras enquanto a loira se manteve mais em silêncio apenas observando.

 

***

 

- Está tudo bem, Donna? - perguntei após a saída da loira.

- Homens! - suspirou - Quando não pensam com a cabeça de baixo, se deixam levar pelo calor do momento. - olhou para as crianças que estavam distraídas vendo desenho - Você que tem sorte! Teve uma filha! - sorriu amargurada.

- Você é uma ótima mãe, Donna! - toquei a sua mão - As suas noras... ou genros, que terão sorte de ter uma sogra tão guerreira e com a mente a frente do seu tempo.

- Noras ou genros aspirantes! O quê, meu bem? Eu sou uma rainha! E não vou querer menos para os meus bebês! - sorriu confiante.

 

Passamos uma tarde agradável. Donna ainda iria viajar no outro dia com Daniele para o Rio de Janeiro, por isso Leonardo trouxe as crianças, que poderiam curtir mais tempo com a mãe. Conversei e sanei quaisquer dúvidas de Donna e de seu motorista a respeito do carro, não cobrei nada, ela já estava sendo hospitaleira demais, principalmente porque insistiu que eu passasse mais tempo em sua casa, mesmo não estando lá, enquanto eu tivesse que resolver assuntos de trabalho por ali. A garotada adorou o passeio proposto no carro, logicamente eu não recusei dirigir aquela máquina, Donna estava adorando tudo, principalmente incentivando os meninos a contarem todos os detalhes a respeito do passeio no possante. Sorri, negando com a cabeça que aquela mulher não tinha jeito. A noite ajudei Donna a colocar as crianças cedo na cama, para podermos relaxar um pouco. Estávamos bebendo e comendo Fondues de queijos, carnes e de sobremesa chocolate com morangos.

 

- Não acredito que você ainda não mandou mensagem! - Donna já estava alegrinha - A rapariga deve estar subindo pelas paredes! - bebericou o vinho sorrindo.

- Eu não tive cabeça para isso... - sorri discretamente - Principalmente agora que Isabella sabe, nem sei se vou retornar as mensagens. - belisquei um morango com chocolate.

- Ah mas você vai sim! - mudou a postura - Essa rapariga ta me devendo uma foda! Depois Isabella já é grandinha o suficiente para entender que a mãe também precisa viver! Precisa namorar, e criar raízes! - se ajeitou no sofá - Sendo com essa loira ou não... - bebeu um longo gole de vinho, olhando-me - Ela ainda está brava comigo, não está? Eu vi a cara de bunda que ela fez quando me viu! - rimos - Faz mal guardar rancor! Ainda mais um que não deveria existir! - continuou sorrindo, balançando a cabeça - Crianças! Só sabem crescer de tamanho, mas de maturidade... - estalou os dedos - tem chão...!

 

 Beberiquei o vinho, pensativa antes de completar:

 

- Você sabe que a culpa é minha... - interrompeu, defendendo-me.

- Não começa, Samantha! - olhou séria - Quando nos conhecemos, você tinha iniciado o seu tratamento... - pensou - Vocês não têm culpa do que houve! - buscou pela minha mão - Principalmente, você! - apertou a minha mão, acariciando-a com o polegar - Se Isabella tivesse noção do que você já passou... - retirei a minha mão, interrompendo.

- Isa, não tem que saber nada! O que aconteceu no passado, fica no passado! - Donna respirou fundo, sabia que já tinha chegado ao limite permitido, voltou para a sua posição.

- Não está mais aqui quem falou, puf?! - beliscou um morango - Mas que ela está errada em me julgar, está! - elevou a sobrancelha, bebericando o vinho.

 

Mudamos de assunto focando na padroeira da Donna, que por mais que soubesse do jeitinho cafajeste de Donna e ás vezes se deixava levar em um clima sedutor quando não estavam em uma reunião de negócios, Daniele e Donna nunca ficaram juntas, segundo Donna, o coração da loirinha já havia sido conquistado por uma poderosa rival.

 

***

 

Domingo de manhã eu já tinha resolvido todos os assuntos pedentes, resolvi pegar estrada. Agradeci toda a hospitalidade das pessoas que trabalhavam para Donna, e segui o meu rumo. O clima estava bem abafado, só desejei tomar um longo banho relaxante.

O cheiro delicioso vindo da minha cozinha, despertou o meu apetite. "Dessa vez Isabella, acertou a mão no tempero!".

- Laura?! - comentei surpresa ao vê-la em minha casa - Como você... - aproximei - O que você faz aqui? - coloquei minha chave sobre a mesa.

- SAM... - estava tão surpresa quanto eu - Eu... eu não sabia que você voltava hoje! - estava ficando roxa, apesar da situação constrangedora, achei adorável com aquele rubor.

- Lau? - ouvimos Isabella chamando-a - Lau? - gelei, começando a entender a situação.

- Estou na cozinha, Isa! - respondeu constrangida.

 

Engoli seco. "Só pode estar de brincadeira!"

 

- O que você está fazendo em minha casa, Laura? - minha voz saiu mais baixa do que o normal - Me responda! - falei sério.

- Ela é minha convidada, Sam! - Isabella entrou na cozinha com os cabelos úmidos - Olá, mãe! - aproximou-se, beijando-me o rosto. - Espero que tenha feito boa viagem! - envolveu a cintura da outra.

- Eu posso explicar! - adiantou Laura.

 

Gesticulei com o dedo pedindo um minuto. Respirei fundo, pegando a minha xícara e servindo-me de café recém-feito. Sentei. Bebi um longo gole, abaixei a xícara olhando para elas.

 

- Prossiga! - olhei fixamente para ela, a fragrância de banho recém tomado vindo dela, estava me deixando louca de saudades.

- Eu te procurei... - Laura realmente estava desconcertada, fazendo com que Isabella conta-se toda a história num único fôlego.

- Acabamos nos encontrando no Shopping e como ela estava te procurando e não te achou, conversamos a respeito do que houve e agora estamos nos conhecendo! - falou com voz firme.

 

Estreitei os meus olhos, arqueando levemente a sobrancelha, observando as reações delas.

 

- Só isso? - o braço possessivo de Isabella envolta da cintura da outra.

 

Com um sorriso lindo e largo em seus lábios, ela apenas confirmou o que suspeitei:

 

- Bom... estamos nos conhecendo bem! - enfatizou olhando para Laura ainda sorrindo.

 

Recuei um pouco na cadeira, ficando ereta me preparando para o impacto.

 

- Oh... então vocês estão... - olhei atentamente as reações delas.

- Ficando! - percebi ansiedade na voz de Laura.

- Namorando! - disseram ao mesmo tempo.

 

Dei um meio sorriso, tive que achar graça para não expulsar aquela... aquela deliciosa tentação e dar uns tapas naquela garota mimada.

 

- É! Como você disse: "Estão se conhecendo bem!" - sorri, bebericando o meu café.

- Posso falar com você, Samantha? - Laura pediu.

- Podemos, sim! - respondi olhando diretamente para Isabella - Mas, me dê um minuto com a minha filha, por favor!

 

Aguardei Laura sair do ambiente e olhei sério para Isabella que mantinha uma postura firme.

 

- O que pensa que está fazendo? 

- Não sei do que está falando. - cruzou os braços.

- Eu coloquei o meu celular na minha bolsa um pouco antes de sair. Você acha mesmo que eu não percebi que uma das mensagens foi visualizada? Você pegou o número dela, não foi? - questionei séria.

 

Deu de ombros. Respirei fundo, questionei novamente:

 

- O que você acha que está fazendo, Isabella? - precisava entender a mentira.

- Estou me dedicando aos estudos, focando nas provas e conhecendo alguém que está me fazendo muito feliz! - colocou as mãos sobre a bancada - ... e está presente em minha vida! - senti o peso das suas palavras.

- Você sabe que eu faço o melhor que eu posso. - apertei o meu maxilar.

- É, você sempre faz! - percebi a sua  e raiva.

 

Passei a mão em meu rosto, estava cansada fisicamente e exausta mentalmente.

 

- Eu gosto da Laura, mãe! - olhou-me sincera.

- Você tem certeza, disso? - lamentei a resposta.

- Eu gosto dela, mãe! Temos algo muito especial. - sentia emoção nas palavras dela.

 

Terminei o meu café, mantive os meus olhos fechados.


- Tudo bem! - encarei o seu olhar - Se você tem certeza da sua decisão, não irei me opor. - sorriu com entusiasmo, abraçando-me forte, não consegui retribuir com o mesmo sentimento.

- Vou chamar a Lau! - comentou saindo, não antes de me ouvir.
- Isa! - falei num tom baixo - Nunca mais mexa nas minhas coisas sem a minha permissão! - mantinha-se de costas para mim - Estamos entendidas? - confirmou com a cabeça, saindo em seguida.


Laura se aproximou enquanto eu enchia novamente a minha xícara. Precisava de um banho e uma aspirina.


- Sam, eu nem sei por onde começar. - falou baixo, logo atrás de mim - Eu juro que te procurei! Era você que eu queria! - beberiquei o líquido quente - Nunca tive intenção de me envolver com a Isa... mas ela é uma garota tão doce - sentia o calor do corpo dela - começando a nos conhecer e quando percebi, estava encantada pelo jeitinho dela - não contive o meu sorriso sarcástico - eu vou entender se você não me quiser junto a ela.

- Isabella é maior de idade! - olhei para fora da janela - Sempre foi mais independente que muitas garotas de sua idade... Se ela diz acreditar que, o que sente por você é verdadeiro, eu não vou me opor a felicidade dela! - terminei o meu café, e coloquei a xícara na pia - Só a faça feliz, Laura! - pedi virando para ela.

 

Encarar Laura depois de tanto tempo, não contive o meu corpo. Diminui a distância entre nós, pegando-a de surpresa, envolvendo o seu rosto com as minhas mãos e buscando por seus lábios saudosos. Laura levou um instante para perder o susto e me presentear com a sua língua quente, matando a minha vontade daqueles beijos quentes e molhados. Percorri minhas mãos por aquele corpo, sentindo cada centímetro dele, decorando cada reação do seu corpo. Suas unhas cravaram em meu pescoço; puxando-me mais, erguendo sua perna, buscando mais contato. Apertei com tanta vontade sua bunda e me deliciei com seu gemido gostoso em minha boca, abafado pelo nosso beijo. Não queria desgrudar daqueles lábios, mas a falta de ar nos trouxe para realidade. Afastei minha boca lentamente, roçando em seus lábios, chupando-os angustiada. Recebi um último selinho demorado dela, encarei os seus olhos, ainda ofegante a soltei. Estávamos trêmulas, perdendo o controle. Ela tocou delicadamente o meu rosto, aproximei e rocei a pontinha do meu nariz no dela.

 

- Isa, estava me devendo essa! - comentei, tirando dela um sorriso fraco, concordou. - Faça a minha filha feliz, Laura!

 

Afastei lentamente e sai daquele ambiente. Entrei em meu quarto e tranquei a porta, tirei minhas roupas indo para o banheiro quando percebi o celular repousando sobre o criado mudo. Suspirei e fui tomar um longo banho.

 

continua...

 

Notas finais:

Oi, meninas! Desculpem a demora! Passei os dias bolando os próximos capítulos e esse tempo doido de esquenta e esfria, ai ataca a tendinite; agora mesmo eu to com uma crise fdm de rinite atacada q nem antialergico ta dando conta, só Gzuis na causa (;-;). Enfim, boa leitura! ;*

 

Obs: Aquele discreto crossover só pra deixar com gostinho de quero mais ;x

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