Desafio Prosa Verso Poesia

Desavio PVP – Prosa Verso Poesia

>>> Dia 01 - Febre

Obrigada a: Débora, Enke, Natalia, Rafaela, Regiane, Lizz, Natiele e Lua.

 

Mais curtido:

Lua de Morais

Esse calor que me toma o fôlego,

quente como o inferno,

vermelho-intenso-faminto.

Esse calor que me toma o ventre:

arde, arranha,

queima, lasca, fode.

É essa febre,

esse desespero,

carne repartida,

pele morta em unhas negras.

E o devorar de bocas:

minhas, suas, suor, saliva.

Corpos resvalados

em um quarto resguardado contra o fim do mundo.

 

 

Escolha do site:

Natália Muniz

 

A Terra chora,

Seu corpo redondo queima .

Adoecida, procura um médico

Para curar seu corpo que incendeia.

Sua tosse sai rouca;

Fumaça cinza preenche o ar;

Seu pulmão enfraquecido

Tentando respirar.

 

"Minha cara adoecida,

Péssima notícia irei lhe dar

Essa febre que te queima

Aos poucos irá lhe matar.

Seu problema não tem cura,

Nada posso ajudar,

Sua doença é a Raça Humana

Que não tenta lhe curar.

Esse vírus é perigoso

E pode ser muito mortal,

Infelizmente ele pode dar

Sua sentença final."

 

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>>> Dia 02 - Trem

Obrigada a: Natália, May Poetisa, Enke Li  Débora.

 

- Selecionado:

Enke Li

 

Atrasei o meu atraso

pra fugir do seu acaso,

Vem!

Vamos perder esse trem?

 

- Mais curtido:

Débora Souto

 

Reencontro desencontrado

 

E de repente em uma daquelas voltas idiotas da vida me senti com 15 anos. Ela estava ali diante de mim. Naquela manhã medíocre da minha vida nunca imaginei que ao entrar naquele trem eu encontraria ela. Ela por quem fui apaixonada tantos anos da minha vida. Sabe aquele amor adolescente que você nunca confessou? O Meu era ela!

O Nome dela era Alessandra, morena de cabelos chocolate e olhos muito escuros, ela estava igual a ultima vez que à vi. Mentira! Estava melhor ainda, e dentro de mim comecei uma discussão comigo mesma, entre eu e a razão.

-- E se eu falasse com ela?

--Ora o que você ia dizer?

--É né? O que eu ia dizer?.. Sei lá! Podia dizer oi, lembra de mim?

--Tá, e se ela disser na sua cara que não?

--É né? Mas posso dizer oi... Só oi. E se ela se lembrar eu continuo.

--Continua? Com o que? Vai dizer o que? Ela deve estar casada, com filhos, uma mulher linda desse jeito não fica sozinha muito tempo não!

Decidi que era melhor não dizer nada. Apenas escorei na porta do trem, e olhei para o guia de estações aguardando a minha hora de descer.

Faltando pouco para a minha parada ela levantou, eu gelei. Será? Será que ela ia descer na mesma estação que eu? Não deu tempo de pensar mais nada. Ela parou na porta, bem ao meu lado. Gelei mais ainda, me senti aquela mesma adolescente besta que eu me sentia ao lado dela, tudo outra vez.

O Trem começou desacelerar, já se podia avistar a estação, e sem resistir, eu a olhei, e ela estava me olhando e sorrindo, com aquela covinha miserável de linda que ela tinha, e com aquela voz gostosa ela me disse:

--Você tá ótima... Não acredito que nem me deu oi! Vê se passa lá em casa, quando quiser. Ainda moro no mesmo lugar... Sozinha. – E com aquele sorriso encantador me deu um beijo perto do lábio, e desceu do trem. Eu? Eu fui parar três estações depois, pra pegar o trem de volta, pois fiquei tão boba com aquele beijo que nem desci com ela na minha estação.

Faz uma semana que tô arrumando coragem pra ir na casa dela. Faz uma semana que tô arrumando desculpa pra não ir. E olho vagão por vagão toda vez que eu entro no trem.

 

 

>>> Dia 03 - Amarelo

Obrigada a: Débora, Lorena, Brenda, Daniela, Enke, Lua, Vilma, Eulalia, May, Rafaela, Van e Laa.

 

Selecionado:

Lua de Morais

 

Por fim, a última estação. Elas já tinham se digladiado com os olhares desde o primeiro instante, ainda no começo daquela - longa - viagem, quando se perceberam a primeira vez. Ou quando ela percebeu ela, se é que me entendem.

 

E para que se explique a angústia de nossa personagem, é necessário dizer quem era a outra. Ou o que ela era, para ela.

 

Ou o papel tão importante que essa outra tinha para o fim do mundo - mas talvez isso fique para outra história.

 

A primeira vez que Lia a encontrou era um dia amarelo. Daqueles de coloração intensa, calor exacerbado e pensamentos felizes. O mundo, ao tempo, já era assim. Não se pensava ainda em uma ameaça fatal, mas já se sabia que antes, muito antes - ou pelo menos era o que os livros de história contavam - os dias poderiam ter diferentes cores e não apenas aquele amarelo congelado ou um cinza mórbido.

 

E suas cores não afetavam diretamente os sentimentos e pensamentos das pessoas.

 

Mas isso era antes. Agora era preciso ter muita força para resistir aos dias cinzas, por exemplo. Cada vez maiores, mais longos, e com índice de suicídios preocupante.

 

Lia sabia. Muitos enlouqueciam. E, mesmo ela, já estivera muitas vezes por um fio.

 

Até a conhecer, naquele dia amarelo, achava que a vida era composta apenas de uma dubiedade exata. E era difícil - impossível, para melhor dizer - resistir a deixar um sorriso rasgado nos lábios. Quando enfim dormia, naqueles dias, sentia a dormência da face e a leve dor pelo exagero. Mas como evitar? Era, certamente, uma exigência dos dias amarelos. Uma necessidade. E todos ao redor explodiam sorrisos no rosto.

 

Menos ela.

 

Fato é. Não foi Lia quem se aproximou. Mas ela havia lhe chamado a atenção desde o primeiro instante. Porque sua face parecia dizer que aquele era um dia... Um dia que não teria uma cor explicável. Ou conhecida para Lia. Um dia INEXATO.

 

Lia não saberia como a outra se aproximou, ainda que saiba agora, depois do colapso, o motivo, mas não pode evitar se abrir àquela mulher diferente, que parecia alheia às certezas dos dias: felicidade ou tristeza.

 

Despertou do pensamento com o último aviso. Era a chegada.

 

Desceram na plataforma. Ali, apenas mais 10 - o maquinista?, aqueles antes escorados nos bancos vermelhos e ela. Ela que mais uma vez a olhava, como se seus corpos estivessem ainda presos àquele momento final, lutando contra a febre e a entrega.

 

Mas agora aquela era uma lembrança morta.

 

E aquele era um dia amarelo.

 

 

- Mais curtido:

Débora Souto - Sabotagem

 

--Amarelo Letícia?! Deixou meu cabelo amarelo?! – Dizia Lucia indignada. – Como vou encontrar a Jennifer deste jeito?! Que cagada! Que cagada!

Letícia deu de ombros com desdém.

--Afinal, que tanta importância esta Jessica tem? – E recolhendo o pó descolorante, deu de ombros ainda mais um instante.

Lucia sacudiu a cabeça indignada.

--É palhaçada sua! Só pode ser palhaçada! Disse luzes, e olha o que você fez! E é Jennifer não Jessica. Além de tudo essa não é a primeira vez!

Com cara de quem nada sabe, Leticia ignorava o assunto. Pegou sanduíches na bancada.

--Quer salame ou presunto?

--Ora quero que admita! Só que admita Tita! Disse luzes e me deixou como o sol, como o Belo, uma gema de ovo! No meu outro encontro a hena ridícula que me colocou na sobrancelha! Desta vez de novo!

Leticia comia o sanduiche distraída, olhando o nada e mastigando. Escorou-se na bancada.

--Não sei do que você tá falando. E nem ficou tão ruim assim. Essa tal Joice vai gostar, confia em mim.

Com fúria Lucia se pôs de pé.

--Você tá louca é?! Pensa que vou assim?! E é Jenifer! Não se faz de besta! E pensa em como vai consertar isso! Vou remarcar com ela pra sexta!

Leticia mediu-a, com um olhar que nada dizia.

--Já disse, não tá tão mal. Se fosse você eu ia.

Lucia atingiu o auge da indignação.

--Para de se fazer de boba, tá ridículo, você nem liga! Vontade de nem mais falar contigo! Tem sorte de ser minha melhor amiga! – Olhou mais uma vez para o espelho vendo o péssimo serviço. – Já te disse Tita, te vira, conserta isso!

E quando ela saiu Leticia jogou-se na cadeira sorrindo. Enquanto pudesse evitar que ela conhecesse essas fulanas, ia indo. Olhou Lucia se afastando pela vitrine, e ficou falando sozinha.

--Você aí querendo conhecer essa Jaqueline, e eu querendo que seja minha! – O telefone catou da bancada enquanto coçava a cabeça pensativa. Da Maria, Maiara, Mariana, Mirtes, sabe lá qual o nome da ultima, ela desistiu na segunda tentativa. Com essa Janice ela insistia. Era a terceira vez que falhava, e ela não desistia. Precisava algo mais definitivo, que impedisse o encontro talvez por um mês. O rosto iluminou-se com a ideia, e discando o número Leticia sorriu mais uma vez.

Aguardou na linha com verdadeira alegria.

--Fornecedora de cosméticos e materiais para salões de beleza Souza bom dia? – Disse a voz fanha do outro lado.

--Quero fazer uma encomenda. Preciso do produto mais forte que tiver para escova definitiva, tipo esses bem corrosivos, o menos indicado, e uma máquina daquelas de raspar a cabeça, mas tem que ser ate sexta, não esqueça, anotou? Muito obrigado!

Dando gargalhadas passou a girar na cadeira do salão vazio e mastigar um chiclete. Mordeu o lábio gargalhando a dizer.

--Ah Lucinha, vamos ver se você encontra essa Janete!

 

 

>>> Dia 04 - Montanha russa

Obrigada a: Lorena, Débora, May Poetisa, Vilma.

 

- Selecionado:

 

Vilma Rodrigues

Você é culpada por esse meu desatino

Estás me tirando o sono e o sossego

Tudo estava bem antes de você aparecer

Agora me vejo perdida e com medo

 

Fez meu mundo virar um labirinto

Uma montanha russa de emoções

Faz-me sentir borboletas no estômago

Provoca inúmeras sensações

 

Você é a culpada desse sentir

Dessa loucura descabida

Dessa paixão que me deixa tonta

Desse desassossego em minha vida

 

Digo que você é a culpada

Desse meu medo de amar

Eu fujo,,mas esse imã me chama

Me levando a me entregar

 

Eu que sempre fui bem resolvida

Que não tinha medo de nada

Hoje me vejo fugindo

Por medo dessa parada

 

Você me olha de um jeito doce

Abre aquele sorriso grandão

Passa a mão pelos cabelos

Dispara meu coração

 

Digo que a culpa é sua

Mas eu sou a única culpada

Com tanta mulher livre

Me apaixonei por uma casada

 

Sigo meu caminho assim

Somente a ti admirar

Escolhi amar qualquer uma

Mas meu coração escolheu te amar

 

 

- Mais curtido:

Lorena Cova

 

- Montanha - Gritou a russa do outro lado do vidro. - Segura essa aí, não deixa ela sair. Ela tem algo que me pertence.

 

Se colocando entre a porta e a garota franzina que carregava uma mochila xadrez, Montanha apontou para a direção de Miss G. e disse:

 

- Mocinha, preciso que volte ao balcão, a chefe disse que você tem que voltar e você vai voltar. Agora! Nem mais um passo, não posso te deixar sair.

 

- Eu não tenho mais nada a fazer aqui, saia da minha frente ou não me responsabilizo.

 

A frase audaciosa da garota, fez montanha cair na gargalhada de forma imediata.

 

- Quem você pensa que é ô pirralha?! Te esmago com uma mão só! - Falou a medida que olhou momentaneamente para Pezão, o outro leão de chácara da boate.

 

Essa foi toda a distração que Isa precisava, numa breve corrida em direção ao Montanha, se jogou no chão deslisando pelo piso de granito preto por entre suas pernas e acertando seus "países baixos".

 

Nesse momento, o grandão do alto dos seus dois metros e três grunhiu baixinho, feito um bebê chorão agarrado as suas, agora esmagadas, bolas.

 

- Eu te avisei, grandalhão! Desculpa aí, uma bolsa de gelo e alguns dias sem sentar serão o suficiente, você vai ficar bem. - Disse já se levantando com a mão na trava da porta.

 

Miss G. não ia deixar barato e imediatamente acionou o botão de emergência que travava todo o lugar, fazendo as grades de emergencia descerem do teto por trás das portas e janelas, isolando todo o ambiente.

 

Agora Isa se dava conta da encrenca em que se metera, indo ao covil do inimigo levando consigo a única coisa que poderia salvar seu povo, o "Dildo dourado".

 

"Isa Lee e a ladra de dildos"

 

 

>>> Dia 05 – Afogamento

Obrigada a: Lorena, Débora, May Poetisa, Drika Souza, Vilma, Lizz, Regiane, Charlie, Daniela Alves, Brenda Luz.

 

- Selecionado:

 

Regiane Cardoso

Quero me afogar nos seus beijos,

Pra nos seus braços me salvar....

Um afogamento de calor,

Uma prova de amor...

Seus olhos meu farol,

Teu Abraço minha bóia...

Tua cama meu barco,

Seu cheiro meu alimento...

Tua ausência meu tormento. Tua existência meu existir...

Vc minha salvação...

Minha respiração boca a boca,

A veia principal do meu coração.

 

- Mais curtido:

Débora Souto

 

Afogo-me

 

Tenho me afogado,

Não em água,

Mas em mágoa,

E é som o meu tormento.

Garota não me provoque,

Que eu ouvia o bom rock,

E agora é este lamento.

Você veio com este jeitinho de romance.

Resolvi dar uma chance,

Resolvi ouvir seu som,

Era bom.

Era sertanejo era forró,

Era um e outro ou um só,

Não sei,

Mas a letra você mandava,

Com ela dizia que me amava,

E eu amei.

Mas o romance acabou,

Faz parte,

Só que isto toca em todo canto,

Tô afim de morar em Marte!

Cada vez que escuto,

Essa musica melosa eu luto,

Mas lembro você.

E por mais que eu lute,

Vem o Marcos e Belutti,

Não me deixa esquecer!

E o Aviões do Forró,

Que dó!

Que sorte a nossa!

Que azar o meu!

Não deu!

E Jorge e Matheus!

Meu Deus!

Que beleza!

Anjos cantam nosso amor, mas meu cupido,

Deve ter morrido,

De tristreza!

Assim onde eu estou,

Em cada canto que vou,

Toca um pouco da gente,

Faço uma cara cansada,

Estou neste som afogada, é uma enchente!.

 

Ja em paz com o sertanejo!

 

 

>>> 06 – Futuro

Obrigada a: Carol, Márcia, Débora, May Poetisa, Drika Souza, Vilma, Lizz, Charlie, Daniela Alves, Rafaela Justi. Silvia.

 

- Selecionado:

 

Rafaela Justi

Pensa-se no futuro como algo distante, mas o futuro se faz a todo instante

Uma sábia mulher uma vez disse:

Tome cuidado com o que plantas para o seu futuro,

Com o que regas pelo caminho.

Que não te faças de cego, surdo e mudo,

Para tudo o que provocas,

Pois tudo o que vai, um dia volta.

O que pensastes que não teria consequência,

Quando tu menos esperar, chegará a ti com veemência,

Então, talvez, não adiante pedir por clemência,

Pois, pode não parecer, mas a vida não perde a consciência.

Mesmo que tarde, ela lhe fará a cobrança,

De ser absolvido, de passar batido, não tenha a esperança.

Por isso, cuide de suas sementes agora,

Seja honesto, humilde, plante o bem pelo mundo afora,

Parece difícil, mas o futuro guarda a vitória.

 

- Mais curtido:

 

Vilma Rodrigues

Venha, deixe - se levar

Viva , curta o momento

Não se perca em medos incertos

Não faça disso o seu tomento

 

Toma -me inteira

Deixe - me te tomar

Prove desse cálice vivo

Deixe -se embriagar

 

Venha sentir esse calor

Que me toma as entranhas

Quero sentir seu fulgor

Sentir suas façanhas

 

Sinta meu domínio

Sem deixar - se dominar

Seja ativa ou passiva

Sem um futuro imaginar

 

Viva o agora , seja meu presente

Não perca tempo com indagações

Me provoque que eu gosto

Não resista às minhas provocações

 

Não pense em nossos passados

Já não sou a mesma , tampouco você

Crescemos e amadurecemos

Só temos o hoje pra viver

 

Pra quê falar de futuro?

Se nem sabemos se estaremos lá

Estamos aqui agora

Deixe o futuro pra quando ele chegar.

 

>>> 07 – Espada

Obrigada a: Rosana, Débora, May Poetisa, Vilma, Daniela Alves, Rafaela Justi, Silvia.

 

- Selecionado:

 

Vilma Rodrigues

Há muitos e muitos anos atrás

Num reino além horizonte

Uma linda princesa nascia

Por detrás daqueles montes

 

Prometida ao nascer

Ao príncipe do reino vizinho

Cresceu ouvindo de todos

Que era esse o único caminho

 

Sofria a princesa sozinha

Não aceitava aquele fim

Ter que se entregar por obediência

Pensava "Isso não é pra mim "

 

Todos diziam que o príncipe era belo

Que viria em um cavalo branco

Empunhando sua espada

Isso só aumentava o seu pranto

 

Pensava em fugir

Mas para onde não sabia

Triste e desconsolada

Em seus aposentos jazia

 

Num belo dia de primavera

Ao passear pelos campos em flores

Chegaria alguém para enfim

Por fim naquelas dores

 

Viu ao longe surgindo

Um cavalo negro a galope

Parou em frente a ti

Em seu peito sentiu um golpe

 

Aqueles cabelos negros

Rosto de traço selvagem

Olhos negros e branco sorriso

Completavam aquela imagem

 

Vestida de amazona

Empunhando arco e flecha

Um frio correu pela espinha

Sentiu o suor na testa

 

A personificação de seus desejos

Em sua frente se materializava

Não continha - se dentro de si

O seu peito galopava

 

A bela estendeu - lhe a mão

Pensou em hesitar

A amazona proferiu

_Estou aqui pra te salvar

 

Oferecendo sua mão

Não houve dúvida em sua mente

Trocou a espada pela flecha

E foram felizes pra sempre.

 

- Mais curtido:

Debora M. Souto

 

E s p a d a

 

Espada, expada ex

 

ex piada, foi piada.

 

A piada se foi, é minha sina.

 

Acabou toda a graça, imito tua rima.

 

Espada e luto.

 

Não luto de luta, porque dói.

 

Luto de tua partida amiga, por tua graça que se foi.

 

>>> 08 – Mulher

Obrigada a: Charlie, Lizz, Márcia, Débora, Fernanda Printes, Rosana, Daniela, Rafaela, May, Vilma.

 

Vilma Rodrigues

Mulher palavra tão doce

Que gruda no céu da boca

Nem se usasse todas as palavras

E gritasse até ficar rouca

 

Poderia expressar sua grandeza

Que toca com sua doçura

Mesmo sendo forte e valente

Não perde sua ternura

 

Mulher é pra mim

A força que move o mundo

Sabe ser firme quando precisa

Com delicadeza toca profundo

 

Mulher é minha fonte de inspiração

Faço versos, poemas e romances

Tudo isso para lhe descrever

Em cada traço, em cada nuance

 

Sem mulher nesse mundo

Com certeza não escreveria

Perderia toda a criatividade

Perderia toda a magia.

 

>>> 09 – Lobo

Obrigada a: Débora, Charlie, Daniela, Rosana, May, Rafaela, Lizz, Vilma.

Rafaela Justi

Não era a primeira vez que rondavas a cabana. Eu me mantinha curiosa, e um tanto quanto receosa do por que fazias aquilo. Sempre que aparecias, eras furtivo, silencioso. Eras tão misterioso. Parecia que estavas a me vigiar. Me olhavas fixamente, como se quisestes dizer alguma coisa. Mas mantinhas a distância, nunca saias d’entre as árvores. Se quisestes me atacar, já o terias feito. Tantas vezes fui pega de surpresa, chegando a acelerar-me o peito. Mas ficastes onde estavas. E quando tentei me aproximar, virastes as costas, sumindo por entre a mata. Aquilo me instigava, estava acostumando-me com tua presença. Por que fazias aquilo? O que querias? Será que não me atacavas, porque tinhas medo também? Ou será que também estavas curioso comigo, por ver alguém? Não, o seu olhar tinha tanto a falar. Não podia ser só curiosidade. Tinha algo mais. Eu não podia continuar a me questionar. Não, naquele fim de noite, eu iria te seguir. Mesmo que fosse um risco, e alto, eu tinha que saber. Iria pagar para ver. Então, quando me olhavas naquela madrugada, à porta da cabana eu estava sentada. Aquela troca de olhares durou alguns minutos. Cerca de vinte metros nos separava. Levantei-me. Imediatamente, virastes-me as costas, entrando pela floresta. Sem hesitar, corri atrás de ti, com pressa. Corri tanto para te alcançar, mas quando dei por mim, já havia te perdido de vista. Entre dezenas e dezenas de árvores, numa escuridão quase completa, não tinha como eu ter uma pista. Sons estranhos se fizeram presentes, e comecei a exalar um medo evidente. Quantos bichos perigosos podia haver ali, onde eu tinha me metido. Foi então que ouvi um grunhido. Não deu tempo de pensar. O que quer que fosse aquilo veio em minha direção. Antes que me atingisse, pulastes feroz naquela criatura, derrubando-a no chão. Enquanto uivastes para a lua, a criatura correu fugida. Mas ela também deixou-te uma ferida. Aproximei-me de ti, enquanto caístes, sangrando. Eu estava espantada, agradecida e preocupada. Com um ferimento levemente profundo, seguistes me olhando. Ajoelhada a sua frente, acariciei-te o pelo com encanto. Havias me protegido, me livrado do perigo. Então, eu lhe disse “eu posso cuidar disso”. Foi quando os primeiros raios de luz do dia começaram a se formar, e como se fosse magia, diante de mim, começastes a te transformar. Não havia mais nenhum traço de lobo sequer, tu eras agora uma mulher.

 

>>> 10 – Corte

Obrigada a: Amanda, Giovanna, Charlie, Shay, Daniela, Rafaela, Nay, Vilma, Lizz, Debora.

 

Rafaela Justi

Fiz-me um corte,

E não foi na pele.

Foi o mais profundo e forte

De toda a minha vida.

Agora é vida que segue,

Com essa eterna ferida.

Por este corte já sangrei tanto,

Nunca imaginei sentir tamanha dor,

Foram dias e noites aos prantos,

Por não viver com teu amor.

O que nos aconteceu,

Foi falta de sorte?

Sei que sem ti,

É como viver todo dia uma morte.

 

>>> 11 – Maria

Obrigada a: Charlie, Amanda, Vilma, Rafaela, May, Daniela, Lizz, Debora

 

Charlie Simons

Ela tinha um nome comum

"Maria"

Mas não era nada comum

Era louca como eu

De beleza exótica

Não era Maria vai com as outras

Tinha suas próprias idéias

E eu ia com ela

Ela me contava detalhes sórdidos

De suas aventuras com outras mulheres

E eu só imaginava

Desejava

Fazer o mesmo

Ah, Maria

Nome chamado

Gemido rouco

Nome de uma mulher amada

 

>>> 12 – Algemas

Obrigada a: Charlie, Daniela, Rafaela, Vilma, Nay Rosario, Debora

 

Nay Rosario

-Ai meu Deus! Que mulher é essa. - Sueli sussurrava boquiaberta diante da visão de sua namorada, Michele vestida em um uniforme militar.

Era a primeira vez que a via vestindo a farda do Grupamento de Operações Especiais da Polícia Militar baiana e estava babando.

Não era para menos, a ruiva natural tinha um corpo escultural e a pele bronzeada. Seu pensamento foi interrompido pela fala da outra.

-mãos na parede. - disse apontando a arma.

-qual a acusação? - perguntou Sueli sentindo o hálito da amada em seu pescoço.

-ser uma menina má. Muito má. - sussurrou chupando o lóbulo da orelha.

-e... o qu... que você vai fazer comigo?

-vou te prender. - colocou as algemas nela. - e depois...

-depois? - Sueli sentia a umidade entre as pernas.

-vou te castigar. Vai ser de-li-ci-o-so. - beijou sua morena de forma intensa e gulosa.

Essa noite prometia.

 

>>> 13 – Liberdade

Obrigada a: Charlie, Fernanda, Vilma, Nay, Daniela, Debora.

 

Vilma Rodrigues

Liberdade desde o princípio

Sempre foi um sonho almejado

Todos dizem -se livres

Mas por tabus são aprisionados

 

Ao longo da história muitos pereceram

Em troca da liberdade

Mulheres sempre lutaram e morreram

E nunca foram livres de verdade

 

Negros morreram e foram escravizados

Mulheres foram queimadas como bruxas

Índios tiveram seu sossego perturbado

Tudo isso por mentes esdrúxulas

 

Hoje tem inúmeras pessoas nas ruas

Lutando por liberdade

Um bando de hipócritas

Dizem - se estar lutando pela sociedade

 

Como no hino da bandeira

Vou dizer de forma febril

Ou ficar à pátria livre

Ou morrer pelo Brasil

 

Morrer pelo Brasil

Não por esse bando de corrupto

Pessoas que usam da boa fé do povo

Que mentem e roubam sem escrúpulos.

 

Liberdade só terá valor,se for universal

Sê livre o negro,a mulher, o pobre

Que a liberdade seja um direito de todos

Não só, da classe " nobre " .

 

>>> 14 – Transexual

Obrigada a: Laa, Nay, Charlie, Amanda, May, Vilma, Daniela, Rafaela, Debora.

 

Laa Ribeiro

Lá fora... Aqui dentro.

Não há formas quando me invento.

Tento. Arrebento.

Com que roupa eu vou? Com que roupa estou?

Não entendo. Me surpreendo.

Onde estão meus sonhos? Onde perdi a hora e o caminho?

Sou quem sou ou o que meus desejos vão reconhecendo?

Menina... O vento carrega de soslaio.

Menino... Os dedos aprisionam os cachos soltos ao relento.

Feminino e masculino se confundem e transcendem um tempo que não é meu,

Mas é de mim

E me contento em não me encontrar no momento.

Aspas... Parênteses... Síntese.

Abro mão desta condição que me aprisiona

Lá fora... Aqui dentro.

 

>>> 15 – Falta

Obrigada a: Charlie, Laa, Nay, Amanda, Maria Gabi, Vilma, eu, Rafaela, Daniela, May, Debora, Lizz.

 

Nay Rosário

Me pego olhando nossas fotos, cartas, mensagens. Relembro nossas conversas, momentos de intimidade e até das nossas brigas muitas vezes por motivos tolos e nossas reconciliações inenarráveis. Que falta me faz seu perfume 007 Bond Girl espalhado pela casa, mesmo quando você o passava no quarto e jurava para mim que não havia apertado o spray mais que duas vezes. Ah saudade. Que vontade de ti ter aqui de novo nem que fosse por mais uma noite. O cansaço e a tristeza venceram-me. Adormeci.

 

>>> 16 – Calça jeans

Obrigada a: Vilma, Charlie, Nay, Debora, Laa, Maria Gabi, Daniela, May, Rafaela, Lizz.

 

Vilma Rodrigues

Era uma linda manhã de verão

Caía uma chuva calma e o vento era leve

Batia de forma mansa na janela

Trazia paz à alma,prazer que embevece

 

Eu estava enroscada no edredom

Sentia um cheiro afrodisíaco no ar

Lembrei - me dá tórrida noite de amor

Que dividimos , longas horas sem parar

 

Senti meu íntimo se debater

Só de recordar nossos movimentos

Dos beijos que viraram mordidas

Dá entrega que dissipou o meu tormento

 

Das frases excitadamente libidinosas

Dos seus dedos entre meus cabelos

Do fogo incandescente que te possuía

Da sua entrega aos meus apelos

 

Dos sussurros ao pé do ouvido

Dá língua traçando um rio ígneo

Descendo pelo colo e seios

Dá delicadeza que foi você me invadindo

 

Do frenesi de nossa dança sensual

Do vai e vem de nossos ritmos

Dá loucura quando senti sua umidade

Do tesão de te ter em meu íntimo

 

Palavras viraram sussurros

Unhas rasgavam a carne eroticamente

Os beijos se tornaram sôfregos

Respiravamos rapidamente

 

O coração já estava sem controle

Pulsava descompassadamente

Nossos suores se misturaram

Explodimos simultaneamente

 

Nos perdemos nas horas

Senti em minha boca,seu sabor peculiar

Senti meu sabor em sua boca

Quando voltou a me beijar

 

Busquei você na cama e sorri ao verificar

O resto do vinho e uma taça tombada

E vi também o que sobrou de suas roupas

Sobre minha calça jeans amassada

 

>>> 17 – Sangue

Obrigada a: Laa, Charlie, Maria Gabi, Nay, Vilma, Rafaela, Daniela, May

 

Laa Ribeiro

Tirei de minhas entranhas um verso quente

Mas, no caminho até você, ficou frio.

E, ao tocar-te, já era gelo como o aço que corta.

Já fedia como carne podre! Então o rejeitaste triste.

 

Tirei de minhas entranhas um verso escaldante!

Mas, no caminho até você, incendiou.

E, ao tocar-te já era fogo como aço que funde.

Já queimava tuas mãos e o afastaste de ti.

 

Então, já cansada, tirei de minhas entranhas um último verso do jeito que veio.

No caminho até você não transformou-se.

E, ao tocar-te, já era vivo como minhas esperanças de alcançar-te.

E, sem forças, foi ao chão.

 

Tu o apanhaste com tuas mãos cálidas

E, já dentro de ti, explodiu como vulcão

Aceitando a nossa mistura de sangues.

Eu, teu vampiro desdentado,

Aceitando a sede eterna de estar ao teu lado.

 

>>> 18 – Porta fechada

Obrigada a: Charlie, Naa, Maria Gabi, Nay, Amanda, Rafaela, Laa, Daniela, Vilma, May.

 

May Poetisa

Pessoas complexas e

Obscuras que

Raramente estão dispostas a amar

Teimam em fechar

As portas para a

 

Felicidade.

Elas usam diversos

Cadeados e possuem

Habilidades hipócritas de

Auto defesa que

Distanciam de si a beleza do

Amor

 

>>> 19 – Rim

Obrigada a: Charlie, Vilma, Laa, May, Daniela, Nay

 

Vilma Rodrigues

Por ti pirei o cabeção

Desnorteou meus sentidos

Meu coração já não me obedecia

Eu me senti totalmente perdida

 

Minhas pernas já não correspondiam

Ao mais simples comando

Em meu estômago parecia ter

Um milhão de borboletas voando

 

Meus pulmões sofriam

Pela total falta de ar

A garganta secava

Não sabia onde isso iria parar

 

Chegou aquele momento

Onde pensei esse é o fim

Meu caso nem analista resolve

Pois pra você ,daria até meu último rim.

 

>>> 20 – Tatuagem de dragão

Obrigada a: Vilma, Nay, Laa, Charlie, Rafaela, May, Lila Kiss, Madeleine, Daniela, Rosane Ananias.

 

Charlie Simons

Há coisas que eu gosto em você

A cor dos seus olhos

O jeito do seu cabelo

O brilho do seu sorriso

O tom da sua voz

O ritmo da respiração

O calor da sua pele

A delicadeza do toque

O cheiro do seu corpo

Eu amo os detalhes em você

As tatuagens

A frase abaixo dos seios

O ouroboros em um pulso

Código de barras no outro

As letras nos dedos

O gato em uma coxa

O falcão na outra

Cada desenho e seu significado

Mas a minha favorita é o seu dragão

Nas costas, colorido

Afinal

Faz companhia ao meu

Com o fogo, o tamanho

A imponencia

É o desenho da nossa coragem

 

>>> 21 – Bom dia

Obrigada a: Charlie, Nay, May, Rafaela, Vilma, Daniela.

 

Charlie Simons

Quero que seja a última pessoa

E a primeira do dia

O último e primeiro rosto

A última e primeira voz

Quero ter você comigo

Na mesma cama

Sentir seu cheiro

Ouvir sua voz

Quero acordar com você nos meus braços

Te dizer

"Bom dia, amor"

Com uma voz de sono

Quero que você seja

A dona do outro travesseiro

Então fique comigo

E nunca vá embora

 

>>> 22 – Androide

Obrigada a: Nay, Amanda, May, Vilma, Daniela.

Amanda Blum

- Você não precisa de uma cirurgia plástica

- ...

- Por que quer ter aparência e comportamento tão perfeitos?

- Não sei responder

- Venha, sente aqui e jante comigo.

- Hum

- Desculpe, esqueci que você não come.

- Me faça companhia então.

- ...

- O dia hoje foi horrível, como foi o seu?

- Normal

- Você nunca fala nada

- Eu quero o divórcio

- Ok, preciso ver como te devolver para onde te comprei

- Que? Do que você está falando?

- Te devolver para seu criador

- Mas meu pai já morreu você sabe disso, que conversa é essa?

- Meu deus, você não sabe que é uma andróide?

- Não! Achei que não precisasse ter opinião própria, já que a TV me ensina tudo, que não comesse pra ficar magra e na moda, não conversássemos e não ligasse pra o seu dia por ser egocêntrica!

- Amor, shutdown!

- Zing-Blim-Blow-Dum

 

Nay Rosário

Hoje ela faria aniversário e iríamos comemorar em nosso lugar preferido, o alto da montanha. Vocês devem se perguntar quem sou. Meu número de série é BXH12OZ1, mas ela chamava-me de Estrela pela semelhança do brilho da minhas orbes oculares com os pequenos meteoritos que refletem a luz solar. - pausou a gravação.

Levantou-se de uma poltrona rústica e passou a admirar a paisagem a partir da varanda do chalé escondido entre as árvores.

-ela, Andrew Smith, cientista cibernética ganhadora de vários prêmios e artigos. Ruiva,1,68 centímetros, orbes azuis de origem alemã. Minha criadora. Quando não era requisitada por algum colega passava meses aqui. Ensinou-me todos os movimentos e funções humanas possíveis e seus sentimentos. Praticamos quase todos os esportes existentes e li a quantidade de livros que me interessava.

O dia começava a escurecer anunciando tempestade.

-um dia enquanto conversavamos na varanda uma mulher aproximou-se da casa. 1,72 centímetros, caucasiana de cabelos negros e orbes verdes. Andrew pediu que eu ficasse no laboratório localizado no subsolo do chalé. Meus circuitos auditivos tinham alcance de até 5 quilômetros de distância. Entendia todo o diálogo até que ela, Norah Western, também cientista chamou-me de aberração andróide. Meus circuitos aceleraram suas funções que descobri se tratar do sentimento raiva. Saí dali em direção a uma caverna onde acampavamos. Não era de meu desejo ouvur os gritos que vinham da direção da casa.

A chuva caia em finas gotas deixando a paisagem cinza.

-Os gritos cessaram. Após vinte minutos, Andrew apareceu sorrindo encontrando-me vertendo goticulas de oleo das minhas orbes. Suas expressões faciais suaves contrastando com a personalidade forte. Aproximou seu corpo emanando calor do meu frio e depositou seus lábios arroseados sobre a projeção dos meus. Senti uma corrente elétrica percorrer meu circuito Central. -novamente pausou a gravação.

 

Pegou o porta retrato onde se via uma foto delas e fez uma leve carícia.

-A partir daquele dia passamos a agir como um casal. Descobri que poderia sentir algo semelhante as sensações humanas. Norah não mais apareceu e Andrew aposentou-se de sua profissão. Passamos vinte e cinco anos em harmonia. Mas a idade avançada acarretou algumas doenças e entre elas o câncer. Vi Andrew mudar seu aspecto físico por diversas vezes. Todo conhecimento apreciado em livros e artigos foram postos em prática sem muitos resultados positivos. Antes de partir, Andrew ensinou-me como fazer minha manutenção. E hoje, dez anos depois começo a perceber que a melhor decisão a ser tomada era não praticar a manutenção. De que serviria manter-me operante se não havia ninguém com quem apreciar os pequenos momentos? Quem encontrar essa transmissão a torne de conhecimento e domínio público. Fim.

Deitou seu corpo cibernético na cama do casal e esperou que seus circuitos auto desligassem.

 

>>> 23 – Chão

Obrigada a: Nay, Amanda, Charlie, May, Vilma, Rafaela, Daniela.

 

Rafaela Justi

Deito-te no chão,

Para poder te amar,

Se nos falta um colchão,

O chão pode ser um ótimo lugar.

 

Desde que seu corpo esteja contra o meu,

Que eu sinta o seu calor a me aquecer,

Sua umidade na minha,

O desejo ainda irá nos enlouquecer.

 

Pode não ser o local mais aconchegante,

Não seria o primeiro a ser escolhido,

Mas ainda pode ser quente para duas amantes,

Contorcendo-se em delirantes gemidos.

 

A superfície que era dura,

Torna-se macia,

A temperatura quente,

Onde antes foi fria.

 

O que me importa é unir-me a ti,

Tudo o que me interessa é te sentir.

 

>>> 24 – Dança

Obrigada a: Charlie, Márcia Machado, Nay, Vilma, Amanda, May, Daniela, Rafaela.

 

Daniela Alves

Convidada eu fui a um Baile de mascaras porem nao esperava que voce la estava

Casais se preparavam para dançar resolve entao te convidar devagar me aproximei e timidamente falei voce me da a honra desta Dança

Meu amor ficou a me olhar e sorrindo pôs se a falar esperei tanto essa chance e voce sempre tao longe mesmo distante eu te admirava meu amor queria lhe entregar Mas como eu tinha medo do que viria fechei meu mundo sem me tocar que nele voce ja existia

Havia me conquistado com seu jeito Lindo e simpatico

Derrepente em lagrimas desabei chorar sorrindo comecei a falar sua espera chegou ao fim nao precisa mas nada falar vem pra minha vida que eu to pronta pra te amar

 

>>> 25 – O fim

Obrigada a: May Poetisa, Charlie, Nay Rosário, Vilma, Daniela, Rafaela.

 

Vilma Rodrigues

Como falar daquilo que tanto fugimos?

Que tanto trauma acarreta

Pra onde sempre nos encaminhamos

De forma direta ou indireta

 

Seja o fim do namoro

Fim de uma promessa não cumprida

Fim de uma amizade

Ou o tão temido , fim da vida

 

Falar de fim nunca é fácil

Pois sempre traz à mente

Aquilo que não existirá mais

Mas que jamais deixará de existir completamente

 

Por isso nunca desperdice

O momento presente

Pois ele é a única coisa

Que te pertencerá eternamente

 

Você poderá viver as mesmas coisas

Mas jamais viverá o mesmo momento

Por isso não pare pra pensar em fim

Não se permita esse tormento

 

Quando o fim chegar seja firme

Também peço que sejas forte

Pois que viverei e serei feliz , tenho dúvidas

Minha única certeza é que um dia virá a morte.

 

>>> 26 – Vermelho

Obrigada a: Charlie, Vilma, Nay, May, Rafaela, Daniela, Lizz.

 

Nay Rosário

O salão alugado para a realização da cerimônia estava repleto de pessoas conhecidas entre amigos, familiares, colegas de profissão tanto os meus quanto os dela, alguns vizinhos, enfim pessoas que de alguma forma foram importantes em nossa caminhada.

 

Foram quatro anos de namoro sendo o primeiro ano quase todo semivirtual já que nos víamos apenas nos fins de semana e feriados prolongados devido a distancia entre as cidades. Quando consegui transferência para a pequena cidade onde ela residiu sua vida inteira e agora seria o cenário da consumação do nosso amor e construção da nossa vida.

 

Aos poucos os acordes do bolero de Luis Miguel se fez ouvir. La Barca. Nossa musica. A música que tocava quando nos vimos pela primeira vez em um restaurante que nos dias de sexta tinha uma banda tocando.

 

Recém-saídas de um exaustivo congresso, exaustas, famintas e distraídas. Eu olhava as mesas ao canto tentando achar algum lugar onde pudesse sentar, ela fazia o mesmo. Ambas de costas, andando e sem virar. Esbarramos-nos.

 

Virei-me para desculpar-me e me vi no brilho daqueles olhos negros. Sorri desculpando-me mais uma vez e por coincidência ou não uma mesa para casal vagou. Perguntei se queria dividir a mesa comigo e ela aceitou.

 

A conversa fluiu espontânea. Taças de vinho tinto e toques sutis. Quando me preparava para pedir seu numero telefônico ela consultou o relógio e precisou sair apressada. Antes, porem deixou escrito em um guardanapo branco com as rosas que nele estavam desenhadas pintadas de vermelho seu nome e o numero do telefone.

 

Ela caminhava em minha direção de forma leve. Sorria e cumprimentava alguns de nossos convidados. Seu pai a trazia de encontro a mim no altar improvisado e ornamentado com suas flores preferidas. Rosas em tom vermelho vinho. Após falar brevemente com seu pai sussurrei em seu ouvido.

 

-Quando você entrou com esse vestido vermelho carmesim só veio-me a vontade de arrancá-lo no dente e fazer amor contigo horas a fio. – ela sorriu sussurrando-me de volta.

 

-Esse seu terninho em corte feminino também não deixa a desejar, mas não custa aguardar. Acho que nossos convidados ficariam chocados com essa demonstração de amor. – sorriu e piscou o olho direito. Ela sabia como convencer-me e enlouquecer-me.

 

>>> 27 – Angústia

Obrigada a: Nay, Vilma, Charlie, Amanda, May, Daniela, Laa.

 

Nay Rosário

Verônica e Diana era o “casal perfeito” na visão daqueles que as conheciam. Além de sócias e proprietárias de um centro estético, eram casadas há alguns anos. Diana, negra, gordinha, 1,65 cm, cabelos crespos e um sorriso conquistador. Verônica, morena jambo, corpo definido de anos em academia em seus 1,72 cm, cabelos cacheados e um sorriso doce.

 

Mas ninguém é perfeito. Nem elas. Diana e Verônica são adeptas do sadomasoquismo. Vocês podem presumir que seria Vero a dominatrix. Enganam-se. A verdadeira dominatrix não precisava ser alta, nem ter os estereótipos das roupas de couro entre outros acessórios para exercer seu poder.

 

Diana nem precisava elevar seu tom de voz para ter a total atenção e submissão de sua escrava. As portas do céu ou a angustia dos possíveis castigos traduziam na forma da mulher negra a olhar. Diana tinha a predileção por pelas velas algo que não era do agrado da Vero, mas quem era doido de tentar contestar.

 

O quarto havia sido preparado com calma e paciência. Tudo em tons escuros e várias velas dispostas de forma a iluminar o ambiente sem riscos. Verônica adentra o quarto, vestida em um roupão de seda vermelho vinho em silencio e olhar baixo.

 

Diana indicou-lhe onde deveria deitar-se. Abriu o roupão deixando-o cair ao chão revelando o corpo moreno. Por mais imparcial que tentasse transparecer em suas expressões, Diana nunca se cansava de olhar predatoriamente o corpo que lhe pertencia.

 

Contornou as curvas da morena com uma pena vendo os pelos arrepiarem-se e sua escrava tentar conter um gemido. Abandonou a pena pegando uma pedra de gelo. Passou-a nos lábios carnudos que tantas vezes beijara e seguiu descendo pelo pescoço, colo, demorou-se com ela nos seios rodeando os bicos intumescidos.

 

Partiu então em direção ao sexo que exalava seu cheiro de fêmea. Pressionou-a sobre o clitóris enrijecido da moça causando-lhe calafrios. A dormência começava a atingir aquele local quase sagrado. No olhar castanho via-se urgência de saciedade e ate certa angustia causada pela demora. No olhar cor de mel via-se prazer em torturar.

 

O gelo derreteu. Pegou sua peça preferida. Uma vela de parafina branca e deixou que o primeiro pingo fosse ao bico do seio esquerdo. Viu o rosto moreno contrair em um fisgar. O segundo pingo foi na barriga perto do umbigo. O terceiro pingo foi na virilha. a morena antecipando onde seria o quarto pingo rendeu-se naquele duelo silencioso.

 

-Pare...

-Implore!

-Por favor... – falou quase inaudível.

-Não ouvi. – continuou brincando com a vela sobre sua virilha.

-Por favor... Faço o que desejar... - os olhos rasos de água amoleceram a dominatrix.

 

Soprou a chama da vela e retirou a parafina do corpo da outra a levantando e retirando-a do quarto negro. Foram para o quarto do casal onde as feições de Diana suavizaram-se e ela voltou a expressão doce. Beijaram-se com amor e quando findou foi em direção ao ouvido da outra sussurrar.

 

-Espero que tenhas aprendido a lição. Nada de fechar a porta da sala com cliente sem minha presença. – mordeu o lóbulo e beijou-o.

-Sim senhora. – a outra sabia que sua Dona havia sido complacente.

 

>>> 28 – Girassol

Obrigada a: Amanda, Nay, Vilma, Daniela, May.

Daniela Alves

Sonhei que num campo de girassol eu estava. O dia estava lindo, céu claro e uma vista que me emocionava.

Comecei a correr feliz tocando com as minhas mãos as flores que um cheiro maravilhoso exalava.

De repente, o tempo fechou, o dia escureceu e a imagem já não era mais a mesma.

Olhando ao redor, notei no meio da escuridão uma luz que me cegava,

Caminhei em sua direção e percebi que no outro lado eu chegava.

Num quarto de hospital, a minha família chorava, estavam se despedindo da filha, da irmã, da mulher que amavam.

 

>>> 29 – O circo

Obrigada a: Charlie, Vilma, Nay, Daniela, May.